Jesus em casa do fariseu Simão

(Cf. Lc 7, 36-50)

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mulher pecadoraUm dia, um fariseu Jesus convidou

para refeição em sua casa tomar.

Então, Jesus esse convite aceitou

e o fariseu lhe indicou onde se sentar.

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Foi então que uma mulher pecadora,

que por toda a cidade se conhecia,

foi da presença de Jesus sabedora,

e aos pés de Jesus ajoelhada se via.

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Um vaso de alabastro ela guardava;

ajoelhando-se atrás de Jesus, chorando,

os pés de Jesus com lágrimas lavava,

com seus longos cabelos os enxugando.

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Com devoção os pés de Jesus beijava

e com o precioso perfume os ungia.

Ar ver isto, Simão para si murmurava:

“Este homem não é o profeta que parecia!

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Se este homem soubesse bem o que é a vida,

talvez esta mulher de Si arredasse,

pois é uma pecadora conhecida,

e não permitiria que ela lhe tocasse.”

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Então, Jesus ao fariseu observou:

“Simão, tenho algo para te dizer:

Um credor dois devedores convocou

para umas dívidas esclarecer.

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Um devia quinhentos denários pagar,

o outro cinquenta denários contratou .

Não podendo eles a dívida saldar,

o credor a dívida a ambos perdoou.

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Qual deles amará mais este credor?”

Simão: “Aquele ao qual mais se perdoou”.

Respondeu Jesus: ” És bom observador,

mas não foi a tua água que meus pés lavou.

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Ela, com as suas lágrimas, mos lavou,

como tu muito de perto observaste,

e com os seus cabelos mos enxugou.

E tu até o ósculo me recusaste!

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Ela, desde que entrou, os pé me beijou,

tu, a cabeça com óleo não me ungiste,

mas ela os meus pés ungiu e perfumou,

como tu, tal como Eu, bem de perto viste.

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São em quantidade os seus grandes pecados,

mas, visto que ela também muito Me amou,

todos eles lhe são agora perdoados,

de modo que por perdoar nenhum ficou.

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Depois, Jesus para a mulher se voltou:

“Os teus muitos pecados estão perdoados !

Vai em paz! A tua grande fé te salvou!”

Ouviu-se: “ Quem é ele, que perdoa pecados?”

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Ezequiel Miguel

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Era uma vez uma serpente…

eve(Confira: Gen 3)

(Realidade & ficção)

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“O Senhor Deus formou o homem e insuflou-lhe pelas narinas o sopro da vida, e o homem transformou-se num ser vivo. Depois, o Senhor Deus plantou um jardim no Éden, ao oriente, e nele colocou o homem que havia formado. O Senhor Deus fez brotar da terra toda a espécie de árvores agradáveis à vista e de saborosos frutos para comer. A Árvore da Vida estava no meio do jardim, assim como a árvore do conhecimento do Bem e do Mal.

…E o Senhor Deus deu esta ordem ao homem: ”Podes comer do fruto de todas as árvores do jardim! Mas não comas o da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, porque no dia em que o comeres, certamente morrerás”! ( Génesis 2, 7-17)

E lá vivia o Homem entre plantas e animais de toda a espécie, com os quais se divertia e dialogava e Deus lhe fazia sentir a Sua voz no vento que passava, numa melodia de fazer inveja aos passarinhos desse belo Jardim. Mas um dia, os animais ficaram surpreendidos, ao descobrirem, enroscada na Árvore da Ciência do Bem e do Mal, uma Serpente desconhecida até aí no Jardim e cada um se perguntava de onde é que ela teria vindo e como teria ali surgido. Todos se aproximaram para a admirar, pois estava ornada de várias cores, cada uma delas rebrilhando como pedras preciosas num colar de uma beleza que fazia inveja às outras serpentes não venenosas que habitavam aqueles terrenos por elas conhecidos. Lá estava ela enroscada numa árvore situada no meio , uma árvore bela, solitária, ostentando frutos agradáveis à vista. Ela parecia ser a rainha do Jardim, brilhando, coroada, sob os raios do sol, que lhe emprestavam ainda mais beleza e majestade. Os outros animais, depois de a verem o suficiente, afastaram-se, desconfiados, pois nenhum se lembrava de terem visto Deus criá-la.

Mas esta prudência que orientava os animais não foi imitada por Adão e Eva. Esta, um dia, ao ver aquela coisa multicolor que brilhava ao sol como um céu estrelado em pleno dia, algo que movia a cabeça, parecendo uma flor entreaberta baloiçando ao vento, aproximou-se demasiado, movida por uma curiosidade excessiva, tanto mais que da árvore saía uma voz que a ela se dirigia:

Serpente – Olá, mulher! Como és bonita, com esse belo corpo a iluminar estes reinos! Pareces uma deusa!… É verdade que o Criador vos proibiu comer de todos os frutos deste Jardim?

Eva – Não, não é verdade! Ele só nos proibiu comer dos frutos desta Árvore da Ciência do Bem e do Mal e disse que, se os comêssemos, morreríamos.

Serpente – Oh! Não acrediteis! Sabeis porque é que Ele disse isso? Porque Ele sabe que, se comerdes deles, vós ficareis iguais a Ele, com o poder de conhecer o Bem e o Mal, ficando assim com enorme Conhecimento. Vós ficareis como deuses, independentes, rivais dele. Até os animais vos prestarão vassalagem e vós passareis a ser os senhores. Toda a beleza deste Jardim ficará ofuscada pelo vosso brilho. Dignos de vós serão apenas estes belos frutos desta magnífica Árvore, a mais portentosa do Jardim. Ela é a rainha e a deusa das árvores e tu serás também a rainha e a deusa dos outros seres vivos que por aqui convivem convosco. Como rainha destas paragens, tens direito ao que por aqui há de melhor. Olha só para estes frutos ao alcance da tua mão!…São os mais belos e atraentes do Jardim e quanto ao sabor…nem se fala! Colhe e come! Verás de imediato a maravilha da tua promoção a deusa, dona de um Conhecimento que agora não está ao teu alcance, porque ele está fechado dentro dos frutos desta árvore da Ciência, da Sabedoria e do Conhecimento de tudo o que diz respeito ao Bem e ao Mal. Foi por isso que Ele vos proibiu comer deles. Já te imaginaste igual ao teu Criador, sem necessidade de o adorares nem de lhe prestar culto algum? Já te imaginaste a não precisar Dele para nada? Já te imaginaste a dialogar com Ele de igual para igual, quando não a suplantá-lo?

Eva – Mas…Ele disse que morreríamos,… se…

Serpente – Mas tu ouviste-o dizer isso?

Eva – Eu não ouvi, porque ainda não tinha sido criada, mas a proibição foi dada ao meu marido, que ma transmitiu, ficando, por isso, obrigada, como ele, a obedecer ao Senhor, nosso Criador.

Serpente – Ora, não ligues! O vosso Criador sabe bem o que lhe acontecerá no dia em que comerdes destes frutos. Abrir-se-ão os vossos olhos e a vossa inteligência, fareis descobertas incríveis, vereis e compreendereis o que agora vos está vedado e oculto. Não temas, mulher! É aos frutos desta árvore que Ele vem buscar o seu poder, a Sua sabedoria e todos os outros atributos que o caracterizam. Ele mantém esta árvore como propriedade exclusivamente Sua, secreta, e só Ele é que tira partido dos seus frutos. Por isso é que ele vos ameaçou de morte, se comerdes, mas isso não passa de miserável chantagem. Ele não fará nada, porque o seu poder vai ter de ser partilhado e vós sereis como deuses…

Eva – Tu garantes que é mesmo assim? …Então…está bem! Vou colher e comer, mas antes vou chamar o meu marido.

E Eva foi chamar Adão, que andava por ali perto, vagueando pelo Jardim, entretido e divertido com os animais:

Eva – Olha! Vem comigo, ali àquela árvore do Conhecimento do Bem e do Mal! A Serpente disse que poderíamos comer dos seus frutos, porque eles nos dariam poder, sabedoria e conhecimento iguais aos do Senhor, nosso Criador. Essa Árvore tem frutos com poderes secretos e é por isso que o Criador nos proibiu de comê-los!

Adão – Ah sim? Que maravilha! Tu já provaste? E achas que a palavra da Serpente vale mais do que a palavra do nosso Criador?

Eva – Eu ainda não provei, mas acho que não há motivo nenhum para Ele nos proibir de comer dos frutos daquela árvore? O que Ele disse foi apenas um conselho e não uma ordem. Ora, um conselho não obriga, por isso, vim chamar-te para colher e comermos ambos. Depois, passaremos a ser como deuses, como a Serpente disse.

Adão – Mas o Senhor foi bem claro: “No dia em que comeres destes frutos morrerás”! Ora, se tu comeres, também morrerás, porque nós somos, como o Senhor disse, uma só Carne. Eu duvido que seja como a Serpente diz, mas se tu acreditas mesmo…pode ser que seja verdade, mas não estou totalmente convencido!

Eva – Olha, não há como realmente experimentarmos! Comemos apenas um fruto, isto é, eu como um e tu comes outro. O Senhor disse que morreríamos se comêssemos frutos da árvore. Ora, se eu comer só um, eu não comerei frutos; e se tu comeres também só um, não comerás frutos. Também não será por causa de um só fruto que ambos vamos morrer! Além do mais, em vista do bem que alcançaremos, vale a pena tentar. Depois, logo se verá! O Senhor é bondoso e não vai dar-nos a morte por uma coisa tão insignificante. Vem daí comigo!

E lá foram! Eva colheu para ela e para Adão e ambos comeram. Depois… todo o Universo tremeu, tapou o rosto…e chorou…A Terra ficou inconsolável e ainda se não recompôs… E eles descobriram o que não deviam ter descoberto:

Adão – Oh! Olha! A Serpente, que tu dizias ser tão bonita, agora é feia e mete medo! Já fizemos asneira! …Olha, eu estou nu e tu também!

Eva – Afinal, era mentira! Maldita Serpente, que nos enganou!

Adão- Nos enganou ou enganou-te a ti e tu enganaste-me a mim? Porque é que eu te dei ouvidos! Fui um tolo!

Eva – Mas tu é que foste o culpado, porque tens autoridade para me impedir de colher e comer e não me impediste! Além disso, eu comi e não aconteceu nada e só quando tu acabaste de comer é que surgiu esta tragédia. Logo, isto aconteceu porque tu comeste! Saiu tudo ao contrário do que a maldita serpente disse! E agora?

Adão – Não estejas a deitar culpas para cima de mim! Tu é que me chateaste para vir comer. Além disso, foste tu que colheste os frutos e eu comi só para ser simpático para contigo, porque se não fosse assim, tu, comendo, e eu, não, daria uma trapalhada difícil de resolver! Já imaginaste, eu, sozinho, no Jardim, a gozar a vida, e tu lá fora a trabalhar e a enfrentar as feras sozinha? Ora, se somos uma só Carne, temos de andar juntos!

Eva – Isso não é desculpa, porque o nosso Criador é que teria de resolver o assunto à sua maneira. Foste o culpado e…acabou-se! E ainda bem, porque, sendo tu a cabeça de casal, é em ti que cairá toda a responsabilidade! Eu acabo por ser uma vítima tua e da serpente! Já vejo que não és homem nem és nada, porque nem sequer sabes mandar e muito menos proibir! Tu não devias ter aceitado o meu convite. Se fosse preciso, amarravas-me a uma árvore e não teríamos feito o que fizemos. Agora, pagamos ambos! Agora, por tua causa, estamos nus! Vê lá se descobres com que tapar as nossas vergonhas!

Adão – Vamos lá a ver bem as coisas! Nós somos, isto é, éramos absolutamente livres, por isso, nenhum de nós precisava de guardar o outro e impedi-lo fosse do que fosse! A censura que eu te faço é teres-te afastado de mim e não teres resistido à curiosidade, o que te levou até junto da árvore, algo que deveria ter ficado fora do alcance dos nossos passos e dos nossos olhos. Agora, diz lá de quem foi a culpa! Quanto à nudez, nós não estamos nus por minha causa, porque sempre estivemos nus. Só que, antes, não víamos a nossa nudez! Aqui está já um resultado do conhecimento do Bem e do Mal! Quisemos conhecer o Bem e o Mal e, agora, aqui temos, para começar! Eu já resolvo isso da nudez! Olha aqui uma figueira!… Toma lá estas folhas, que eu apanho outras para mim!… Escuta! …Ouço um ruído de brisa suave. Não é de vento, porque o vento não sopra assim! Deve ser o Senhor! Vamos esconder-nos depressa! Vem! Não temos mais tempo! Deixa as folhas aí!

Deus – Adão, onde estás?

Adão – Ouvi a tua voz no Jardim, tive medo e escondi-me, porque estou nu!

Deus – Quem te disse que estavas nu? Acaso comeste da Árvore da qual eu te tinha proíbido de comer?

Adão – A mulher que me deste é que me ofereceu da Árvore e eu comi!

Deus – Eva, porque fizeste isso?

Eva – A Serpente enganou-me e eu comi!

Deus – Serpente, por teres feito isto, serás maldita entre todos os animais domésticos e entre os animais selvagens! Rastejarás sobre o teu ventre, comerás da terra todos os dias da tua vida! Farei reinar a inimizade entre ti e a Mulher, entre a tua descendência e a dela! Ela esmagar-te-á a cabeça e tu tentarás mordê-la no calcanhar!

E a ti, Eva, digo: “Aumentarei os sofrimentos da tua gravidez e

entre dores de parto darás à luz os filhos. Procurarás apaixonadamente o teu marido, mas ele te dominará”! A ti, Adão, digo: “Porque atendeste à voz da tua mulher e comeste do fruto da árvore, a respeito da qual eu te havia ordenado que não comesses, maldita será a terra por tua causa. Dela só arrancarás alimento à custa de penoso trabalho, todos os dias da tua vida. Ela produzir-te-á espinhos e abrolhos e comerás da erva dos campos. Comerás o pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra, de onde foste tirado, porque és pó e ao pó voltarás”!

E tudo terminou assim: “O Senhor Deus expulsou Adão ( e Eva) do jardim do Éden, a fim de cultivar a terra, da qual foi tirado. Depois de o ter expulsado, colocou, a oriente do jardim do Éden, os querubins com a espada flamejante, para guardar o caminho da Árvore da Vida”.

Tristes, humilhados, envergonhados, arrependidos, lacrimosos,…viram-se expulsos:

Eva – E agora?

Adão – Agora, pagaremos pelo nosso pecado até morrermos. O nosso Criador aceitará a nossa penitência, porque nos deixou a esperança de um dia restaurar a felicidade perdida. O pior é que o nosso pecado irá recair nos nossos folhos, que o transmitirão a todas as gerações. O Jardim ficou fechado para nós e para eles, até que o Criador queira. Ele não vai abandonar-nos e vai ajudar-nos, ensinando-nos como sobreviver com trabalho e sofrimento, como merecemos. Já temos uma prova disso. Viste como Ele já nos arranjou estas vestes de pele? Não desanimes, porque, se nos criou, também nos dará o auxílio de que precisaremos.

Eva – E se tentássemos entrar no Jardim? Ele não disse: Nunca mais aqui entrareis!

Adão – Não tentaremos, porque não conseguiremos! Não vês lá o Querubim a guardar a entrada com uma espada de fogo?

Eva – E se pedíssemos perdão e prometêssemos que nunca mais faríamos aquilo?

Adão – Ele já nos perdoou, mas agora temos de expiar a ofensa que Lhe fizemos e reparar o rombo que fizemos na Sua Honra e na Sua Majestade, porque o nosso o nosso pecado foi de gravidade infinita. É o que faremos durante toda a nossa vida, até, como Ele disse, voltarmos ao pó de onde fomos tirados.

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Considerações:

A tentação – “Não nos deixeis cair na tentação”! Este é um dos pedidos que fazemos no Pai-Nosso, juntamente com o “…mas livrai-nos do Mal”! Consta que Cristo não disse: “Livrai-nos do Mal”, mas” livrai-nos do Mau, (do Maligno, do Diabo). Então haverá tentação que não venha do Maligno? Quem estará interessado e quem tirará proveito da tentação, senão o Maligno? E Porque é que o maligno nos tenta? Em que consiste o seu interesse? Quem somos nós para que o maligno faça do homem o centro das suas actividades? Como é que ele nos tenta? Veja como fez com Eva:

. Começou por tentar estabelecer um primeiro contacto, dando sinal de si, mostrando-se cheio de beleza e encantos, de modo a não ser repelido, correspondendo às ideias más, mas brilhantes, que assomam à nossa mente. Então, pode acontecer que os nossos sensores detectem que é tentação e, nesse caso, rechaçamos a ideia e o que nos acode à mente, ao pensamento. Se não detectamos que é tentação, damos guarida, aceitamos o que nos vem à mente e depois, cresce, desenvolve-se, tal como o fermento na massa. Daí passa-se à acção. O processo pode ser rápido ou lento. Entretanto, pode provocar angústias, incertezas, insónias

1.A partir do momento em que foram expulsos do Jardim do Éden, também chamado o “paraíso terrestre”, Adão e Eva passaram a ter vidas difíceis como as nossas, que foram modeladas nas deles. Passaram a viver uma vida de penitência e expiação pelos pecados deles e também pelos nossos, pelos quais também foram responsabilizados, mas Deus deixou-lhes no fundo do coração a lembrança daqueles dias felizes e dos seus destinos eternos, juntamente com a esperança de um dia recuperarem, em justiça e santidade, o que haviam perdido, mas à custa de sangue, suor e lágrimas, realidades que não nos são desconhecidas.

2 . Talvez não valha a pena dar voltas à cabeça a pensar porque é que nascemos todos com esse pecado de Adão e Eva, chamado a Culpa, o pecado das origens, o pecado original, na definição de Santo Agostinho. Temos nós alguma culpa do pecado deles? Será que Deus é injusto, penalizando-nos por um pecado que não cometemos? Mas quem nos transmitiu o pecado não foi Deus, mas Adão e Eva! Os nossos pais transmitiram-no a nós e nós já o transmitimos ou iremos transmitir aos nossos filhos. É esta a cadeia que vem das origens e que se prolongará até ao último ser humano que venha a existir. Tal como acontece nas sementes, se elas são boas, darão boas árvores ou plantas e bons frutos; se são de má qualidade, adulteradas, tudo o que vier delas virá adulterado.

A queda de Adão e Eva radicam na liberdade de fazer ou não fazer, de obedecer a Deus ou não, de seguir a Sua Lei ou não, porque Deus nos criou livres, tal como criou livres Adão, Eva e os Anjos, dando a uns e outros a capacidade de conhecer e querer livremente, assumindo depois as consequências daquilo que decidissem com plena liberdade e conhecimento, tudo traduzido em responsabilidade, que será/seria punida ou premiada.

3. Descobriram que estavam nus. Triste descoberta! Estavam nus de corpo e ficaram nus também de espírito, de beleza, de santidade, de saúde, de uma vida agradável, de uma natureza amigável, de uma terra produtiva sem trabalho, da graça de Deus, de segurança perante os animais, de alimentos gratuitamente oferecidos…em suma, da felicidade que o Criador lhes destinava para sempre. Eles ficaram nus de tudo isto e muito mais, deixando-nos, em triste herança, a mesma nudez. Até herdámos deles esta capacidade que temos de deitar as nossas culpas para cima dos outros, mascarando sempre a nossa incapacidade para assumir humildemente as nossas asneiras, com vista ao arrependimento e à confissão delas no sacramento da Penitência.

4 . Advertência final: Não encare isto como um simples conto infantil. É infinitamente mais do que isso. Também não é a história de um mito grego ou judaico, como frequentemente ouço dizer. É um assunto difícil de roer para muitos, incluindo teólogos… Um dos que ouvi argumentava assim: “A Bíblia nem sempre é de confiança. No caso do relato da criação do homem e da mulher, Deus diz lá que eles morreriam se comessem daquele fruto. Ora, eles comeram e não morreram!”.

Que temos aqui? Uma profunda ignorância e má fé, além de uma crassa desonestidade intelectual. Ora, o homem pode morrer de corpo e de alma (pelo pecado grave). Deus não disse que morreriam imediatamente, fulminados. Mas disse a Adão: “Voltarás ao pó de onde foste tirado”! E aí foi decretada a sorte de todos os seres humanos, que, não fosse este pecado, estavam destinados a não morrerem de morte nenhuma. Acautele-se contra estes intérpretes da Bíblia, porque, se quebrar algum elo importante, a Bíblia surgir-lhe-á cheia de rombos que você não conseguirá reparar, nascendo daí heresias aos montes, tornando-se ela um compêndio de mitos, à semelhança dos abundante mitos gregos e romanos da Antiguidade, acabando por ser tudo menos Palavra de Deus.

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Leituras aconselhadas na Bíblia: Capítulos 2 e 3 do Génesis.

Consultas no Catecismo da Igreja Católica: Números 37, 55,279, 379, 386 e sgs., 1701, 1707, 1846.

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Ezequiel Miguel

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Salmo 95 (96)- Cantai ao Senhor um cântico novo

Cantai ao Senhor um hino, um cântico novo,

cante ao Senhor cada povo, cada nação,

cantai ao Senhor, vós todos que sois Seu povo,

publicai dia a dia a Sua salvação!

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Narrai as Suas maravilhas entre as nações,

entre os povos as grandes obras de Suas mãos!

É digno do louvor dos nossos corações,

pois Ele é grande, acima dos deuses pagãos.

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Os deuses pagãos não passam de vanidade,

pois quem fez os céus e a Terra foi o Senhor,

à Sua frente vão a honra e a majestade

e, no Seu templo, a glória, o poder e o esplendor.

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Dai ao Senhor, famílias dos povos unidas,

dai-Lhe honra, glória, poder, pois é o nosso Deus!

Dai ao Senhor a glória que Lhe é devida,

levai-Lhe oferendas e entrai nos átrios Seus!

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Com vestes sagradas o Senhor adorai!

Firmou a Terra inteira, que já não oscila.

O Senhor é Rei, entre as nações o anunciai!

Estabiliza o Orbe, que já não vacila.

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Governa os povos com equidade, também.

Alegrem-se os Céus, juntamente com a Terra,

alegre-se o mar e os seres que ele contém,

exultem os campos e o que neles se encerra!

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Exultem os bosques ante o Senhor que vem

para governar a Terra com equidade

e o Orbe, com sabedoria que só Ele tem,

e todos os povos com Sua fidelidade!

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Ezequiel Miguel

Resposta a Enigmas bíblicos VII – A figueira amaldiçoada

Tópicos: Realidade e aparências/ hipocrisia,/ ser e parecer,/ fé que move montanhas /  obras / oração/ ausência de vida espiritual

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figueira1Quando nós olhamos para uma figueira vestida de espessa folhagem, que esperamos dela? Que tenha figos, tantos mais quanto o tamanho da figueira. Se chegamos perto dela e não vemos nenhum figo, ficamos desiludidos.

Será que poderemos chamar-lhe hipócrita, falsa, desonesta, mentirosa? Na verdade, ela parece uma coisa e é outra, espera-se dela que dê fruto e não deu/dá, leva-nos a admirar o seu porte, as suas vestes verdes a esconder o sol e a cobrir de sombra o terreno à sua volta, mas, da sua principal obrigação – dar figos comestíveis na época de os dar– nada! É como se estivesse seca e apenas servisse para o fogo. Está ali a enganar, fingindo ser o que não é e não cumprindo a missão que o Criador lhe destinou. Tem uma tolerância a seu favor: pode estar a gozar um ano sabático, um ano de descanso…

Teria esta figueira mais alguma atenuante em seu favor? Talvez não fosse ainda o tempo de ter figos maduros, mas eles poderiam estar lá, embora pequenos ou em fraca quantidade ou ainda pouco visíveis! Mas a verdade é que já tinha sinais de esterilidade, sendo lícito esperar dela algum sinal que garantisse que iria dar frutos…Mas, pelos vistos, estava ali uma árvore inútil, apesar de atrair as atenções, a admiração e a expectativa de todos os que passavam por ali e olhavam para ela na esperança de mitigar a fome com figos verdadeiros, maduros e apetitosos.

Quem são/ poderão ser/ as figueiras sem figos?

  1. É por demais evidente que Cristo tinha na mente o povo de ISRAEL, que se portava e comportava como esta figueira, com muita folhagem, mas com poucos ou nenhuns frutos, com ramos já sem medula, isto é, sem vida espiritual, sem santidade. A parte exterior, a casca dura e seca da figueira e a folhagem inútil é Israel ou a Humanidade já privada de vida espiritual. Isso se aplica a religiões que viraram simplesmente humanas, a nações, a pessoas, a chefes religiosos ou políticos que se tornaram inúteis ou perniciosos, apesar do seu falso brilho exterior.

Israel tinha a Lei, a Palavra de Deus anunciada pelos Profetas, uma história com intervenção directa de Deus, tinha o culto prescrito e regido por Deus, tinha os sacrifícios e a sabedoria divina expressa nos livros dos Salmos, dos Provérbios, da Sabedoria, do Eclesiástico, do Eclesiastes, era em Jerusalém que Deus habitava no grandioso Templo,… mas, mesmo assim, tornara-se um povo estéril.

Faltava pouco para a Paixão de Cristo e Israel estava prestes a consumar o crime de condenar Jesus à morte. Sobre o Monte das Oliveiras, Cristo choraria sobre Jerusalém e sobre o Templo, largando ali a maldição sobre a cidade, maldição semelhante à da figueira: ” Ai de ti, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados….”( Mt 23,37)!  Essa maldição cumpriu-se no ano 70, em que o exército romano, sob o comando do general Tido, destruiu tudo e todos. Também diria que do Templo não ficaria pedra sobre pedra. Ficou lá um restinho de um muro, para memorial!

Mas seria somente a Israel que Jesus aplicaria as lições da figueira?

Essas lições continuam hoje válidas e aplicam-se igualmente às nações, aos povos, às pessoas, aos Movimentos da Igreja, às religiões, às confissões protestante, aos hereges, aos agnósticos, aos ateus, às sociedades secretas, aos perseguidores da Igreja Católica, a todas as pessoas que vivam no pecado, etc., etc. Será que dou, dás, dão frutos de vida eterna ou somos apenas folhagem espessa a esconder aquilo que não queremos que se veja, isto é, que não há figos?

  1. Israel, do tempo de Jesus, e dos tempos de hoje, recusou /recusa aceitar Cristo como o Messias profetizado. Como não deu os frutos que dele se esperavam, portou-se como a figueira sem figos. Este episódio pode ser uma repetição da parábola da vinha (Israel) que ia ser entregue a outros, aos pagãos, visto Israel ser já árvore seca.
  1. Talvez Cristo também quisesse indicar aos Apóstolos e discípulos que o enorme Templo judaico deixara de cumprir a sua missão de dar frutos, tornando-se estéril, fonte de corrupção e de interesses, ao ponto de Deus o abandonar, por inútil. Similarmente, o que se aplicava ao Templo aplicava-se à Velha Aliança, que chegara ao fim e iria ser substituída pela Nova, assinada com o Sangue do Novo Cordeiro, o próprio Cristo.
  1. Todo o ser humano está destinado, como qualquer figueira, a dar frutos, isto é, a praticar boas obras e a evitar tudo o que for do domínio do mal. Mesmo os pagãos! Mas aqueles que foram baptizados têm maiores responsabilidades, porque receberam catequização para conhecer e cumprir a doutrina de Cristo e da sua única Igreja, a Igreja Católica , Apostólica, Romana. Assim, referindo-me concretamente aos católicos, estes produzirão frutos se levarem uma vida na graça de Deus, isto é, sem pecado grave, e frequentarem seriamente os Sacramentos, que são as fontes da graça e da santidade. Não é possível viver em graça sem a prática dos Sacramentos, instituídos por Cristo para esse efeito. Assim, todo o católico que não viver em graça tornou-se árvore sem frutos, figueira estéril, ramo seco da Videira, que é Cristo.
  1. Que tipo de figueiras são aqueles que militam nas confissões protestantes? Que frutos dão eles, se combatem, hostilizam, rejeitam, caluniam, deturpam, mentem, desviam católicos, macaqueiam a Missa católica, interpretam a Bíblia a seu gosto e conveniência, acrescentam, alteram, cortam?…Não darão eles frutos que nunca amadurecem, que nunca são comestíveis, que foram previamente envenenados por fundadores rivais de Cristo? No fim de contas, qual será a diferença entre uma figueira sem frutos e uma figueira de frutos bravios, aparentemente maduros por fora mas verdes e mirrados por dentro? A diferença não é nenhuma! É preciso que se saiba que as boas obras feitas em pecado (e estão em pecado todos os que abandonaram a Igreja Católica ou que se recusam a entrar nela, podendo fazê-lo) não têm valor, não são figos aproveitáveis. É a isso que S. Paulo se refere quando diz que nenhuma obra tem valor “se eu não tiver Caridade ( = Amor a Deus)”. E não há amor a Deus quando se vive livre e conscientemente fora da Única Igreja por Ele fundada. Pior ainda para quem se tornou seu perseguidor!
  1. Contrariamente ao que é lícito esperar da figueira, que pode não dar frutos todos os anos, Deus espera do homem que dê sempre frutos, que seja sempre sal, fermento e luz, não lhe permitindo desleixo, greve, cansaço , doença ou velhice. Dar frutos até morrer, até secar naturalmente, é o que Deus nos exige. Tal como a figueira que secou por virtude de uma maldição, servindo apenas para o fogo, também os homens (sobretudo os que forem baptizados), se não derem frutos em vida, terão a mesma sorte da figueira, mas com uma diferença: o fogo consumirá a figueira e a sua história acabará ali, mas o cristão que não dá frutos será lançado a um fogo que não se apagará, equivalendo a dizer que se condenará eternamente. Hoje, está na moda negar, não só o inferno, mas também que haja lá fogo, mas ninguém poderá mudar as palavras de Cristo, garantindo que há lá “fogo e ranger de dentes”.

Respondendo às questões:

  1. A maldição da figueira é um gesto real, mas carregado de simbolismo, visando, antes de tudo, ditar a sentença final sobre o povo de Israel, que iria deixar de ser o Povo de Deus, para ser substituído por um novo Povo, a Igreja Católica, Apostólica, Romana, formado a partir dos pagãos e apoiada em Pedro, como seu chefe e coluna principal, mas também nos outros apóstolos. O primeiro Povo de Deus era constituído por 12 tribos e o novo Povo , por 12 Apóstolos, a que sucederam, sucedem e sucederão os Bispos validamente ordenados. Somente na Igreja Católica e na Igreja Ortodoxa (que são a mesma Igreja) há verdadeiros bispos, os quais são sacerdotes validamente ordenados pelo sacramento da Ordem. Em nenhuma confissão protestante há bispos verdadeiros, embora muitos se arroguem esse título abusivo e sejam referidos como tal. Também é abusivo o título de Pastores que se arrogam, porque o modelo dos Pastores é Cristo, que conduz o rebanho “em prados verdes e de águas refrescantes”, isto é, na Sua Igreja, onde há os únicos prados verdes e as únicas águas refrescantes que alimentam verdadeiramente as almas. Estou a pensar nos Sacramentos, instituídos por Cristo para essa finalidade.
  1. Não era tempo de figos

Ninguém pode censurar uma árvore por não ter frutos, se não for tempo deles. Mas ela pode ser censurada, por não dar sinais de vir a tê-los. Possivelmente, era esta a lição, aplicada a Israel, primeiro, e a cada um de nós, depois. Aplicada a nós, que neste contexto somos as figueiras, fica claro que não nos é permitida a esterilidade espiritual e o primeiro fruto que nos é pedido é a Fé, que, no grau a que Cristo se refere, sensibiliza Deus para nos conceder o que Lhe pedirmos, por mais impossível que pareça, se for essa a Sua Vontade e se contribuir para nosso Bem, material ou espiritual.

Cristo sabia bem que a figueira não tinha figos, antes de se aproximar dela para os colher. Tal como Israel, que não dava frutos, Cristo terá querido impressionar os apóstolos com uma acção que eles nunca mais esqueceriam. Na maldição que fez secar a figueira, Cristo visava, naquele momento, Israel, que não dava frutos e nunca mais daria, profecia que se tem cumprido, pois Israel continua ainda à espera do seu Messias.

O segundo fruto que se nos pede, como árvores frutíferas, é a oração, pela qual nos mantemos ligados a Deus e beneficiamos dos dons do Espírito Santo, o Qual nos ajuda a subir os degraus da santidade e do conhecimento profundo dos mistérios de Deus. É a Fé que nos leva à oração, mas a oração também reforça a Fé, a Esperança e a Caridade, numa interligação de causa e efeitos mútuos.

  1. Como é que a figueira secou tão depressa?

Antes de mais, todos sabemos que, para Deus, não há impossíveis. Basta um acto da Sua vontade e…já está! Talvez Cristo quisesse mostrar aos apóstolos que, além de Homem, também era Deus e que a Fé é absolutamente essencial para realizarmos as obras da fé e colocar Deus do nosso lado. Mas, pela resposta que Jesus deu à pergunta feita pelos apóstolos, parece não haver nexo entre a pergunta e resposta, a não ser que tivesse a intenção de pronunciar um ensinamento sobre a eficácia da oração unida a uma Fé sem a mínima dúvida. Assim, a oração com fé leva Deus a fazer milagres em nosso favor.: “ Tudo o que pedirdes com fé, sem duvidar, ser-vos-á concedido”.

Nota: Embora uma determinada acção, pensamento ou omissão que choquem, em matéria grave, contra um dos Mandamentos, possam ser considerados pecado, temos que distinguir entre pecado e pecador. A infracção grave de um Mandamento é sempre pecado, mas o pecado mortal só existe objectivamente se alguém o cometer com plena liberdade, com pleno conhecimento, com pleno consentimento, e em matéria grave,…mas só Deus sabe /conhece até que ponto foi cometido um pecado. A acção em si pode ser pecado, mas o pecador pode ter atenuantes que reduzam ou anulem a sua gravidade. E isso só Deus sabe!

 .

Ezequiel Miguel

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Artigos das Séries “Enigmas bíblicos” e “Resposta a Enigmas bíblicos”:

. Enigmas bíblicos I – Nascimento de João Baptista

. Resposta a “Enigmas bíblicos I” – Nascimento de João Baptista

. Enigmas bíblicos II – Perda e encontro de Jesus no Templo

. Resposta a “Enigmas bíblicos II “– Perda e encontro de Jesus no Templo

. Enigmas bíblicos III-Moisés e a água do rochedo

. Resposta a “Enigmas bíblicos III”-Moisés e a água do rochedo

. Enigmas bíblicos IV – As virgens loucas

. Resposta a “Enigmas bíblicos IV” – As virgens loucas

. Enigmas bíblicos V – Um anjo dizima 185.000 soldados assírios

. Resposta a Enigmas bíblicos V – Um anjo dizima 185.000 soldados assírios

. Enigmas bíblicos VI – Anúncio de herdeiro a Abraão

. Resposta a Enigmas bíblicos VI – A núncio de herdeiro a Abraão

. Enigmas bíblicos VII – A figueira amaldiçoada

Parábola dos convidados para o banquete

(Cf. Mt 22,1-14)

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salaoJesus, com os sumos sacerdotes falando,

e com alguns anciãos do povo, igualmente,

o Reino dos Céus  a eles apresentando,

esta parábola a todos fez presente:

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O Reino dos Céus é comparável a um rei,

que um grande banquete nupcial preparou.

Disse: “ Um banquete para o meu filho darei”!

Depois, os criados para o efeito convocou.

 

Então, eles foram chamar os convidados,

mas eles, com desculpas, não quiseram vir.

Mandou ainda mais alguns dos seus criados,

depois de este recado a todos transmitir:

.

Dizei-Lhes: ” O meu banquete está preparado,

os bois e os animais gordos já estão assados

e tudo já está pronto, como combinado.

Vinde ao banquete, não vos façais demorados!”

.

Os convidados o convite recusaram

e, cada um à sua maneira, se escusou,

dizendo uns que um novo terreno compraram,

e outros, que impossível isso se tornou.

.

Mas alguns, apoderando-se dos criados,

trataram-nos mal e, por fim, até os mataram.

Então, o rei, ficando mesmo indignado,

enviou os soldados, que logo os chacinaram.

.

Depois de a cidade lhes ter incendiado,

disse aos criados: “ Buscai pobres, trabalhadores!

O banquete está há muito preparado,

mas os que convidei não eram merecedores”.

.

Então, os criados saíram aos caminhos

e reuniram todos aqueles que encontraram,

fossem eles pobres, bons, maus, saudáveis , doentes ,

e eles toda a sala do banquete ocuparam.

.

O rei, quando entrou para os convivas observar,

viu um que não vestia o traje nupcial

e inquiriu:” Como ousaste, assim vestido, entrar “?

Mas ele nada disse, por um medo glacial.

.

Então, o rei assim se dirigiu aos criados:

“Pegai nele e, de pés e mãos, o amarrai!

E assim, com os pés e as mãos bem amarrados,

às trevas exteriores o arremessai”!

.

Ezequiel Miguel

Jesus em casa do fariseu Josias

(Realidade & ficção)

Personagens: Jesus/ Josias / fariseus/ doutores da Lei/ escribas

 .

Jesus12Jesus pregava no Templo perante uma boa audiência, da qual faziam parte fariseus, saduceus, escribas, sacerdotes, doutores da Lei e membros do Sinédrio, que aproveitavam todas as ocasiões para ouvirem Jesus, não porque estivessem interessados em tornarem-se Seus discípulos, mas porque precisavam de O apanhar em falso, para depois o acusarem e O levarem a julgamento, por subversão da Lei de Moisés e dos costumes judeus.

Por onde Jesus andava, andava, sempre que antecipadamente o soubessem, um ou mais espiões a soldo do Sinédrio, na esperança de O apanharem em qualquer coisa, palavras ou atitudes, que pudesse ser catalogada no pecado. Jesus já os tinha desafiado, num dos frequentes debates que eles provocavam, a conseguirem descobrir nele um pecado que pudesse ser transmitido às autoridades do Templo: “Quem de vós poderá acusar-me de pecado”? Mas o terreno que Jesus pisava tinha muitas ratoeiras. É que, com o passar dos anos, a Lei que fora dada a Moisés, após a passagem do Mar Vermelho, fora largamente acrescentada com prescrições saídas abusivamente de cabeças humanas. No tempo de Jesus, já eram 613 prescrições, carregadas com a força de lei, que as autoridades do Templo faziam questão de (fingir) cumprir e fazer cumprir, sob pena de penalizações severas.

Jesus, em suas pregações onde havia fariseus e doutores da Lei, não raro se insurgia contra eles. Esta foi mais uma dessas ocasiões em que Jesus respondeu às questões que eles lhe punham, pretendendo normalmente contradizer, rebater, negar, sofismar os argumentos de Jesus e ficar bem vistos perante o povo simples que ouvia Jesus com agrado e Ele também com agrado os via à Sua volta.

Um dos fariseus que deu a entender apreciar os argumentos de Jesus era Josias, membro do Sinédrio, que comandava um pequeno e selecto grupo de fariseus, doutores da Lei e colegas do Sinédrio. Após a pregação, ele aproximou-se de Jesus com uma finalidade previamente definida e uma estratégia já preparada:

Josias ( 1º fariseu)–Mestre, falaste bem! Será que posso convidar-te para um banquete em minha casa, pois penso que me honras com a tua ilustre presença na minha humilde casa, que fica mesmo aqui a poucos passos do Templo?

Jesus – Estou-te grato pelo convite, mas eu prefiro ficar com os meus discípulos (apóstolos).

Josias – Não há problema. Trá-los contigo, pois cabemos lá todos!

Jesus – Se é como dizes, então iremos! Mas desde já aviso que, pelo facto de ser teu hóspede, não mudo a minha linguagem! Eu vim para dar testemunho da Verdade e não me calarei quando ela tem de ser pregada, doa a quem doer! Sobre este assunto eu não pactuo com ninguém, mesmo que me convide para sua casa. Manténs o convite, mesmo com estas condições?

Josias – Pronto, seja como dizes! Vamos então caminhando para a minha casa, onde já está tudo preparado. É uma casa simples, de paredes nuas, sem flores, sem estátuas, sem pinturas, sem quadros pendurados nas paredes…sem nada, tal como está escrito na Lei. Em minha casa exijo que não entre nada daquilo que pode ser encarado como elemento de paganismo. Sou puro de alma, de mente, de corpo, de opiniões e pontos de vista e isso exijo também aos que vivem ou trabalham comigo. Tudo simplesmente simples e próprio de um santo do Sinédrio!

Jesus – A Lei proíbe isso tudo? Cita-me as passagens que a isso se referem!

Josias – Então, aqui vai: “Não farás para ti imagem esculpida nem representação alguma do que está em cima, nos céus, do que está em baixo, na terra, e do que está debaixo da terra, nas águas” ( Êxodo 20,4) / Dt.5,8

Jesus – Terminaste?

Josias – Sim!

Jesus – Porque não citas o que vem a seguir?

Josias – Não me lembro do que vem a seguir! O que eu citei é que é importante , pois é o Mandamento de Yahweh transmitido ao povo por meio de Moisés!

Jesus – Então, Eu digo-te o que vem a seguir a esse texto que citaste: “ Não te prostrarás diante delas e não as adorarás, porque Eu, o Senhor, sou um Deus ciumento…” (Dt 5,9) Que conclusão tiras daqui? Achas que os teus pontos de vista estão correctos e achas justo interpretar como interpretas? Porque omitis o que não vos interessa e que vai contra vós? Está lá bem claro que Yahweh apenas proíbe aquelas coisas se alguém lhes prestar culto de adoração, o que passa a ser idolatria. É assim que sois mestres em Israel, truncando, deformando, acrescentando, omitindo, a palavra do Senhor? Digo-te mais: Judite e Ester, inspiradas pelo Senhor, vestiram-se garridamente e ostentavam flores em seus vestidos, tudo para levarem a cabo a missão que Deus lhes confiara! Também Salomão se serviu de várias imagens para decorar ambientes e até de figuras de animais. Sereis vós mais sábios que Salomão?

Também te pergunto: Quem mandou construir as duas estátuas de querubins que, com suas asas, cobriam a Arca da Aliança? Quem mandou bordar dois querubins no cortinado/ véu do santuário, por trás da Arca da Aliança? Porque foram mandados bordar por Yahweh? Não é isso que vedes ainda no Templo? Tens presente a serpente de bronze que Moisés mandou fabricar e erguer no deserto, a uma ordem de Yahweh? Serás tu mais puro, mais santo e mais amigo de Yahweh? Serve-te da tua inteligência e torna-te capaz de discernir o que está dentro da Palavra de Yahweh e não metas tudo no mesmo saco!

Josias – Então, eu sei que todas essas coisas foram da iniciativa de Yahweh e executadas a mando de Moisés! É claro que não eram ídolos, por isso não caíam na proibição de que fala a citação!

Jesus – Se uma pintura, uma flor, uma paisagem, uma imagem,…não se destinam a serem adoradas, como é que vós as rejeitais? Acaso as flores, as paisagens, os monumentos, uma pintura da travessia do Mar Vermelho, de um acampamento no deserto, de Moisés com as Tábuas da Lei, de Israelitas a recolher o Maná do deserto, etc., serão proibições de Yahweh? Dizes que a tua casa está totalmente despida de decoração. Não achas que isso provoca um ambiente frio, nada acolhedor, alheio aos sentimentos da beleza que há nas flores, nos rebanhos, nas montanhas, nas árvores, nos vales, nos rios, nas fontes, nos mares… ? Foi Deus que criou isso tudo e Ele gostou do que fez. Toda a beleza que vos cerca vem de Deus, que é a Beleza Absoluta. Porque não aproveitar para Lhe agradecer e para O louvar perante uma pintura bonita nas paredes vazias da tua casa?

Josias – Mas há sempre o perigo de vermos essas coisas como manifestações pagãs. Por isso, eu acho que é melhor e mais seguro ser absolutamente puro nessa matéria.

Jesus – Será que te ofendo se te perguntar se também te preocupas com ter uma alma pura, limpa, despida de maldade, de corrupção, de baixezas morais, de pecados contra a castidade,…? Procurais, vós todos, ser puros aos olhos de Deus, que conhece o vosso íntimo e que vos julgará severamente?

Josias – Bem, Mestre, chegámos à minha casa! Antes de entrarmos, Tu e os teus discípulos aguardai aqui, pois eu tenho de me encontrar primeiramente com uns amigos que me esperam lá em casa…Não demoro!

Josias deixou os seus convidados na rua, em frente da casa, e, pouco tempo depois, voltou apressadamente:

Josias– Mestre, vamos entrar e vamos já para as mesas, pois não posso perder tempo, uma vez que terei de me ausentar por motivos de uma reunião com os meus colegas do Sinédrio.

Já todos à mesa, o silêncio demorava a ser interrompido, até que um dos colegas convidados de Josias, um doutor da Lei, quebrou o gelo:

1º Doutor da Lei – Mestre, temos muita honra em ter-te aqui connosco. Dando continuação ao que estávamos a tratar no Templo, diz-me: Tu podes demonstrar-nos que és mesmo o verdadeiro Messias de Israel, aquele de que falam os profetas? É que nós não estamos assim tão seguros que o sejas! Como deves saber, já houve vários que disseram ser o Messias e o resultado foi…serem todos mortos, por se ter concluído que eram impostores.

Jesus – Essa eventualidade não está descartada de Mim!…Mas, se confrontardes os profetas e as Minhas obras, facilmente concluireis que eles falam de Mim e acerca de Mim. Estais a pensar: Que obras é que Ele faz? Pois Eu digo-vos que as Minhas obras são públicas e delas há muitas testemunhas, umas honestas e outras…desonestas, algumas delas enviadas por vós! Também deveis saber que a profecia do profeta Daniel sobre o aparecimento do Messias já se cumpriu, o que quer dizer que Ele já está entre vós e sou Eu, que neste momento vos falo. O meu anjo, profetizado como anunciador do Messias, é João Baptista. Também já deveis ter ouvido dizer que Yahweh Me anunciou publicamente como o Seu Filho muito amado, quando Me apresentei ao João para ser baptizado no Jordão. Interrogai aqueles que ouviram e viram. Sede rectos de coração e aceitai-Me como o Messias prometido de Israel! Não espereis por outro, que nunca virá!

Josias – Mas tu não podes ser o Messias! Se o fosses, não terias infringido a Lei, aqui mesmo à frente de todos nós, que manda purificar-se antes de se sentar à mesa. Nem Tu nem os teus discípulos lavastes as mãos e os pés quando entrastes na minha casa. Fostes logo para as mesas sem vos importardes com o cumprimento da Lei!

Apóstolo João – (Sentado ao lado de Jesus e em voz baixa) – Mestre, tudo isto me cheira a esturro!!!

Jesus – (Em voz baixa) – Cheira mesmo, João! (Respondendo a Josias): Conheces porventura a maldição que consta na Lei: “ Maldito aquele que fere de morte o seu próximo numa cilada”? (Deut 19,11) .“Mas se alguém, por ódio ao seu próximo, o espreitar e se lançar sobre ele, ferindo-o mortalmente…, os anciãos da sua cidade entreguem-no ao vingador do sangue, para ser morto” (Deut 19, 11-12) . O teu convite para virmos a tua casa faz parte de uma cilada previamente planeada para poderes apanhar-Me em pecado e informares o Sinédrio. Propositadamente procedeste para esse fim. Além disso, sabias que nós nos tínhamos purificado quando entrámos no Templo, por isso, não precisávamos de purificação quando entrámos na tua casa. Mas tu fizeste-nos esperar e depois pediste que fossemos apressadamente para as mesas! Procedeste com duplicidade, traiçoeiramente, servindo-te da mentira, do embuste, do dolo, pois, enquanto nós esperávamos lá fora, vós procedíeis às vossas purificações. Acusas-nos agora de não cumprirmos a Lei? Que moral é a tua, ó Josias? É essa a vossa santidade? Quem tentais vós enganar? Será que não vos lembrais que Yahweh conhece todos os vossos planos, por mais secretos e bem engendrados pelas vossas cabeças? Não vos ocorre que sereis severamente julgados? E sois vós aqueles que conduzem e exigem o cumprimento da Lei?

Josias – O problema é que nós temos de informar o Sinédrio sobre a tua infracção. Porque não pediste água para lavardes as mãos e os pés antes de comer? É isso que vamos transmitir ao Sinédrio. E isto prova que tu não és o Messias, pois não cumpres a Lei!

Jesus – Quem vos deu autoridade para inserir esse costume na Lei? Apenas o sumo sacerdote, quando entra no santuário, é obrigado a purificar-se, lavando as mãos e os pés. Logo, o que nós fizemos não foi pecado nenhum, mas sois vós que pecais quando decretais leis abusivas e as atribuís a Moisés. Ora, Moisés só vos transmitiu aquilo que Yahweh transmitiu a ele. E vós já vos julgais superiores a Yahweh, ao ponto de, em vossa soberba, já entremeardes sementes de Satanás na Lei do Senhor. Mais: tornais a Lei insuportável para o povo e vós dais-vos ao luxo de a infringir quando vos apetece ou quando vos convém, desde que ninguém veja!… Ai de vós, fariseus hipócritas! Ai de vós, doutores da Lei, falsos sábios e embusteiros! Não são o pó, a sujidade de mãos, pés, braços, exterior dos copos e dos pratos que mancham as almas! O que as mancha não é o que entra pela boca, mas o que sai dela, vindo coração: ”más intenções, maus pensamentos, ambições, perversidade, má fé, devassidão, inveja, maledicência, orgulho, desvarios, assassínios, adultérios, prostituições, roubos, falsos testemunhos, blasfémias. Comer com as mãos por lavar não torna o homem impuro” (Mt 15,18-20) // Mc 7. Isso são meros costumes e tradições vossos, pecaminosamente transformados em Leis. Porque não tendes o mesmo cuidado em limpar a sujeira do vosso interior, cuja obrigação está na Lei e que é a única coisa que interessa para a vossa salvação? Abri os vossos ouvidos, ouvi bem e fixai para toda a vossa vida! Eu não vim para destruir a Lei e os Profetas, mas para aperfeiçoá-la, eliminando dela tudo aquilo que vós abusivamente lá metestes. Acabai com a vossa hipocrisia e cingi-vos ao que é essencial: o cumprimento dos Mandamentos!

1º Escriba – Tu estás a ofender-nos, ó galileu! Como é que queres convencer-nos da tua doutrina, falando-nos assim?

Jesus – Ai de vós, se não entrardes no Reino de Deus, que já chegou até vós, por Meu intermédio! Se Eu não vos convenço, olhai para as Minhas obras, que vós conheceis directamente ou indirectamente: ressurreição de mortos, curas de cegos, paralíticos, leprosos, libertação de possessos dos demónios, multiplicação de pães e peixes, domínio sobre ventos, tempestades e mares…Que mais quereis?

Josias– Nós temos realmente conhecimento desses factos, mas, mesmo assim, não nos convences! Nós acreditamos que tu tens poderes mágicos porque estás feito com Belzebú, que te dá esses poderes. Sendo assim, também quebras a Lei, porque é proibido praticar a magia!

Jesus – É Belzebú que Me dá poderes para eu o expulsar dos possessos? É Belzebú que Me dá poderes para eu lhe conquistar as almas? É Belzebú que me dá poderes para Eu destruir o seu reino? Em verdade te digo que pecas contra o Espírito Santo e o teu pecado não terá perdão, nem neste mundo nem no outro! Perante a tua malícia e a cilada que hipocritamente levaste a cabo, levantamo-nos da mesa e vamos embora!

E, sem acabar a refeição, Jesus e os seus discípulos levantaram-se e abandonaram a casa .

Josias – (Para os colegas) Vedes? Mais um plano que falhou! Não conseguimos apanhá-lo! Mas temos de o apanhar! Alguém tem alguma ideia que se possa pôr em prática?

2º Escriba – Ora, todos sabemos que as prostitutas que lhe enviámos ou se converteram a ele ou fugiram dele como se tivessem visto o Belzebú, ficando com o nosso dinheiro sem conseguirem nada! Já tentámos com o tributo a César – sim ou não – e o que fez ele? Fez vir um peixe à margem e tirou-lhe da boca uma moeda para pagar o tributo. Apanhámos a mulher adúltera em flagrante, perguntámos-lhe se devíamos cumprir a Lei, apedrejando-a, ou não! Ele não respondeu nem sim nem não, mas convidou-nos, a quem não estivesse em pecado, a lançar contra ela a primeira pedra.

2º Doutor da Lei – E levou o seu descaramento ao máximo, começando a escrever no chão os pecados, a começar pelos mais velhos… Ora, ele não cumpriu a Lei, porque devia ter dito: ”Apedrejai-a, como manda a Lei”!

2º Fariseu – Mas há mais! Ele, ao tornar públicos os pecados secretos, faltou à caridade e pôs-nos a ridículo!

Josias – Eu só vejo uma solução para o apanharmos de vez. Temos de recorreu ao Judas Iscariotes, encher-lhe os bolsos de dinheiro e pôr em execução o plano que nós lhe apresentarmos. O Judas tem a vantagem de saber sempre por onde ele anda, por isso, temos de o pôr do nosso lado, no sentido de nos fornecer as informações necessárias.

3º Fariseu – E não há o perigo de Judas se tornar agente duplo, isto é, espião dos dois lados?

3º Doutor da Lei – Eu penso que não! Judas é ambicioso e sabemos que ele não está contente com o galileu, porque as coisas não lhe correm como ele esperava. Também sabemos que os outros discípulos do galileu não gostam do Judas e ele sente-se humilhado, desgostoso e revoltado. Penso que ele colaborará connosco, desde que veja a cor do dinheiro. Por isso, sugiro que façamos uma reunião do Sinédrio para gizarmos um plano.

Josias – Estou de acordo! E vós?

Todos – Também!

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Ezequiel Miguel

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. Deus não proíbe as imagens

Salmo 79 (80) – Senhor, nosso Deus, fazei-nos voltar

Senhor, nosso Deus, como Pastor de Israel que és,

conduzes o povo como o Teu rebanho!

À frente de Efraím, Benjamim, Manassés,

desperta a nosso favor o Teu poder tamanho!

.

Ó Deus, faz a nossa desgraça terminar,

Teu Rosto ilumina e dá-nos a salvação!

Até quando irá a Tua cólera durar

contra nós, apesar da nossa oração?

.

Com o pão das lágrimas Tu nos alimentas,

também amargo é o que nos dás por bebida,

entre vizinhos a troçar de nós nos sentas,

que em zombaria têm a sua glória divertida.

.

Desenraizaste do Egipto uma videira,

expulsaste até nações para a transplantar,

preparaste-lhe o terreno com muro à beira

e ela viu suas raízes na terra medrar.

.

A sua sombra outeiros e montes cobriu,

de seus ramos os cedros de Deus se vestiram,

as suas ramadas até mesmo o mar as viu,

suas vergônteas nas margens do Eufrates surgiram.

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Porque destruíste os muros da vedação,

de modo a vindimá-la quem passa no caminho?

O javali encontra lá satisfação,

para os animais do campo é manjar prontinho.

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Deus dos exércitos, aparece de novo,

protege a cepa que pela Tua mão plantaste,

olha do Céu, vê esta vinha, que é o Teu povo,

com os rebentos que para Ti revigoraste.

.

Deus dos exércitos, volta de novo a nós,

olha e vê o estado ruinoso da Tua vinha!

Protege esta videira, que pertence a Vós,

e não a deixeis entregue à erva daninha!

.

Sobre o homem que escolheste estende a Tua mão,

sobre o filho do homem que decidiste criar,

não nos afastaremos da Tua protecção,

faz-nos viver para o Teu Nome celebrar!

.

Ó Deus, faz a nossa desgraça terminar,

Teu Rosto ilumina e dá-nos a salvação!

Até quando irá a Tua cólera durar

contra nós, apesar da nossa oração?

.

Ezequiel Miguel

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