Salmo 95 (96)- Cantai ao Senhor um cântico novo

Cantai ao Senhor um hino, um cântico novo,

cante ao Senhor cada povo, cada nação,

cantai ao Senhor, vós todos que sois Seu povo,

publicai dia a dia a Sua salvação!

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Narrai as Suas maravilhas entre as nações,

entre os povos as grandes obras de Suas mãos!

É digno do louvor dos nossos corações,

pois Ele é grande, acima dos deuses pagãos.

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Os deuses pagãos não passam de vanidade,

pois quem fez os céus e a Terra foi o Senhor,

à Sua frente vão a honra e a majestade

e, no Seu templo, a glória, o poder e o esplendor.

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Dai ao Senhor, famílias dos povos unidas,

dai-Lhe honra, glória, poder, pois é o nosso Deus!

Dai ao Senhor a glória que Lhe é devida,

levai-Lhe oferendas e entrai nos átrios Seus!

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Com vestes sagradas o Senhor adorai!

Firmou a Terra inteira, que já não oscila.

O Senhor é Rei, entre as nações o anunciai!

Estabiliza o Orbe, que já não vacila.

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Governa os povos com equidade, também.

Alegrem-se os Céus, juntamente com a Terra,

alegre-se o mar e os seres que ele contém,

exultem os campos e o que neles se encerra!

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Exultem os bosques ante o Senhor que vem

para governar a Terra com equidade

e o Orbe, com sabedoria que só Ele tem,

e todos os povos com Sua fidelidade!

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Ezequiel Miguel

Resposta a Enigmas bíblicos VII – A figueira amaldiçoada

Tópicos: Realidade e aparências/ hipocrisia,/ ser e parecer,/ fé que move montanhas /  obras / oração/ ausência de vida espiritual

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figueira1Quando nós olhamos para uma figueira vestida de espessa folhagem, que esperamos dela? Que tenha figos, tantos mais quanto o tamanho da figueira. Se chegamos perto dela e não vemos nenhum figo, ficamos desiludidos.

Será que poderemos chamar-lhe hipócrita, falsa, desonesta, mentirosa? Na verdade, ela parece uma coisa e é outra, espera-se dela que dê fruto e não deu/dá, leva-nos a admirar o seu porte, as suas vestes verdes a esconder o sol e a cobrir de sombra o terreno à sua volta, mas, da sua principal obrigação – dar figos comestíveis na época de os dar– nada! É como se estivesse seca e apenas servisse para o fogo. Está ali a enganar, fingindo ser o que não é e não cumprindo a missão que o Criador lhe destinou. Tem uma tolerância a seu favor: pode estar a gozar um ano sabático, um ano de descanso…

Teria esta figueira mais alguma atenuante em seu favor? Talvez não fosse ainda o tempo de ter figos maduros, mas eles poderiam estar lá, embora pequenos ou em fraca quantidade ou ainda pouco visíveis! Mas a verdade é que já tinha sinais de esterilidade, sendo lícito esperar dela algum sinal que garantisse que iria dar frutos…Mas, pelos vistos, estava ali uma árvore inútil, apesar de atrair as atenções, a admiração e a expectativa de todos os que passavam por ali e olhavam para ela na esperança de mitigar a fome com figos verdadeiros, maduros e apetitosos.

Quem são/ poderão ser/ as figueiras sem figos?

  1. É por demais evidente que Cristo tinha na mente o povo de ISRAEL, que se portava e comportava como esta figueira, com muita folhagem, mas com poucos ou nenhuns frutos, com ramos já sem medula, isto é, sem vida espiritual, sem santidade. A parte exterior, a casca dura e seca da figueira e a folhagem inútil é Israel ou a Humanidade já privada de vida espiritual. Isso se aplica a religiões que viraram simplesmente humanas, a nações, a pessoas, a chefes religiosos ou políticos que se tornaram inúteis ou perniciosos, apesar do seu falso brilho exterior.

Israel tinha a Lei, a Palavra de Deus anunciada pelos Profetas, uma história com intervenção directa de Deus, tinha o culto prescrito e regido por Deus, tinha os sacrifícios e a sabedoria divina expressa nos livros dos Salmos, dos Provérbios, da Sabedoria, do Eclesiástico, do Eclesiastes, era em Jerusalém que Deus habitava no grandioso Templo,… mas, mesmo assim, tornara-se um povo estéril.

Faltava pouco para a Paixão de Cristo e Israel estava prestes a consumar o crime de condenar Jesus à morte. Sobre o Monte das Oliveiras, Cristo choraria sobre Jerusalém e sobre o Templo, largando ali a maldição sobre a cidade, maldição semelhante à da figueira: ” Ai de ti, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados….”( Mt 23,37)!  Essa maldição cumpriu-se no ano 70, em que o exército romano, sob o comando do general Tido, destruiu tudo e todos. Também diria que do Templo não ficaria pedra sobre pedra. Ficou lá um restinho de um muro, para memorial!

Mas seria somente a Israel que Jesus aplicaria as lições da figueira?

Essas lições continuam hoje válidas e aplicam-se igualmente às nações, aos povos, às pessoas, aos Movimentos da Igreja, às religiões, às confissões protestante, aos hereges, aos agnósticos, aos ateus, às sociedades secretas, aos perseguidores da Igreja Católica, a todas as pessoas que vivam no pecado, etc., etc. Será que dou, dás, dão frutos de vida eterna ou somos apenas folhagem espessa a esconder aquilo que não queremos que se veja, isto é, que não há figos?

  1. Israel, do tempo de Jesus, e dos tempos de hoje, recusou /recusa aceitar Cristo como o Messias profetizado. Como não deu os frutos que dele se esperavam, portou-se como a figueira sem figos. Este episódio pode ser uma repetição da parábola da vinha (Israel) que ia ser entregue a outros, aos pagãos, visto Israel ser já árvore seca.
  1. Talvez Cristo também quisesse indicar aos Apóstolos e discípulos que o enorme Templo judaico deixara de cumprir a sua missão de dar frutos, tornando-se estéril, fonte de corrupção e de interesses, ao ponto de Deus o abandonar, por inútil. Similarmente, o que se aplicava ao Templo aplicava-se à Velha Aliança, que chegara ao fim e iria ser substituída pela Nova, assinada com o Sangue do Novo Cordeiro, o próprio Cristo.
  1. Todo o ser humano está destinado, como qualquer figueira, a dar frutos, isto é, a praticar boas obras e a evitar tudo o que for do domínio do mal. Mesmo os pagãos! Mas aqueles que foram baptizados têm maiores responsabilidades, porque receberam catequização para conhecer e cumprir a doutrina de Cristo e da sua única Igreja, a Igreja Católica , Apostólica, Romana. Assim, referindo-me concretamente aos católicos, estes produzirão frutos se levarem uma vida na graça de Deus, isto é, sem pecado grave, e frequentarem seriamente os Sacramentos, que são as fontes da graça e da santidade. Não é possível viver em graça sem a prática dos Sacramentos, instituídos por Cristo para esse efeito. Assim, todo o católico que não viver em graça tornou-se árvore sem frutos, figueira estéril, ramo seco da Videira, que é Cristo.
  1. Que tipo de figueiras são aqueles que militam nas confissões protestantes? Que frutos dão eles, se combatem, hostilizam, rejeitam, caluniam, deturpam, mentem, desviam católicos, macaqueiam a Missa católica, interpretam a Bíblia a seu gosto e conveniência, acrescentam, alteram, cortam?…Não darão eles frutos que nunca amadurecem, que nunca são comestíveis, que foram previamente envenenados por fundadores rivais de Cristo? No fim de contas, qual será a diferença entre uma figueira sem frutos e uma figueira de frutos bravios, aparentemente maduros por fora mas verdes e mirrados por dentro? A diferença não é nenhuma! É preciso que se saiba que as boas obras feitas em pecado (e estão em pecado todos os que abandonaram a Igreja Católica ou que se recusam a entrar nela, podendo fazê-lo) não têm valor, não são figos aproveitáveis. É a isso que S. Paulo se refere quando diz que nenhuma obra tem valor “se eu não tiver Caridade ( = Amor a Deus)”. E não há amor a Deus quando se vive livre e conscientemente fora da Única Igreja por Ele fundada. Pior ainda para quem se tornou seu perseguidor!
  1. Contrariamente ao que é lícito esperar da figueira, que pode não dar frutos todos os anos, Deus espera do homem que dê sempre frutos, que seja sempre sal, fermento e luz, não lhe permitindo desleixo, greve, cansaço , doença ou velhice. Dar frutos até morrer, até secar naturalmente, é o que Deus nos exige. Tal como a figueira que secou por virtude de uma maldição, servindo apenas para o fogo, também os homens (sobretudo os que forem baptizados), se não derem frutos em vida, terão a mesma sorte da figueira, mas com uma diferença: o fogo consumirá a figueira e a sua história acabará ali, mas o cristão que não dá frutos será lançado a um fogo que não se apagará, equivalendo a dizer que se condenará eternamente. Hoje, está na moda negar, não só o inferno, mas também que haja lá fogo, mas ninguém poderá mudar as palavras de Cristo, garantindo que há lá “fogo e ranger de dentes”.

Respondendo às questões:

  1. A maldição da figueira é um gesto real, mas carregado de simbolismo, visando, antes de tudo, ditar a sentença final sobre o povo de Israel, que iria deixar de ser o Povo de Deus, para ser substituído por um novo Povo, a Igreja Católica, Apostólica, Romana, formado a partir dos pagãos e apoiada em Pedro, como seu chefe e coluna principal, mas também nos outros apóstolos. O primeiro Povo de Deus era constituído por 12 tribos e o novo Povo , por 12 Apóstolos, a que sucederam, sucedem e sucederão os Bispos validamente ordenados. Somente na Igreja Católica e na Igreja Ortodoxa (que são a mesma Igreja) há verdadeiros bispos, os quais são sacerdotes validamente ordenados pelo sacramento da Ordem. Em nenhuma confissão protestante há bispos verdadeiros, embora muitos se arroguem esse título abusivo e sejam referidos como tal. Também é abusivo o título de Pastores que se arrogam, porque o modelo dos Pastores é Cristo, que conduz o rebanho “em prados verdes e de águas refrescantes”, isto é, na Sua Igreja, onde há os únicos prados verdes e as únicas águas refrescantes que alimentam verdadeiramente as almas. Estou a pensar nos Sacramentos, instituídos por Cristo para essa finalidade.
  1. Não era tempo de figos

Ninguém pode censurar uma árvore por não ter frutos, se não for tempo deles. Mas ela pode ser censurada, por não dar sinais de vir a tê-los. Possivelmente, era esta a lição, aplicada a Israel, primeiro, e a cada um de nós, depois. Aplicada a nós, que neste contexto somos as figueiras, fica claro que não nos é permitida a esterilidade espiritual e o primeiro fruto que nos é pedido é a Fé, que, no grau a que Cristo se refere, sensibiliza Deus para nos conceder o que Lhe pedirmos, por mais impossível que pareça, se for essa a Sua Vontade e se contribuir para nosso Bem, material ou espiritual.

Cristo sabia bem que a figueira não tinha figos, antes de se aproximar dela para os colher. Tal como Israel, que não dava frutos, Cristo terá querido impressionar os apóstolos com uma acção que eles nunca mais esqueceriam. Na maldição que fez secar a figueira, Cristo visava, naquele momento, Israel, que não dava frutos e nunca mais daria, profecia que se tem cumprido, pois Israel continua ainda à espera do seu Messias.

O segundo fruto que se nos pede, como árvores frutíferas, é a oração, pela qual nos mantemos ligados a Deus e beneficiamos dos dons do Espírito Santo, o Qual nos ajuda a subir os degraus da santidade e do conhecimento profundo dos mistérios de Deus. É a Fé que nos leva à oração, mas a oração também reforça a Fé, a Esperança e a Caridade, numa interligação de causa e efeitos mútuos.

  1. Como é que a figueira secou tão depressa?

Antes de mais, todos sabemos que, para Deus, não há impossíveis. Basta um acto da Sua vontade e…já está! Talvez Cristo quisesse mostrar aos apóstolos que, além de Homem, também era Deus e que a Fé é absolutamente essencial para realizarmos as obras da fé e colocar Deus do nosso lado. Mas, pela resposta que Jesus deu à pergunta feita pelos apóstolos, parece não haver nexo entre a pergunta e resposta, a não ser que tivesse a intenção de pronunciar um ensinamento sobre a eficácia da oração unida a uma Fé sem a mínima dúvida. Assim, a oração com fé leva Deus a fazer milagres em nosso favor.: “ Tudo o que pedirdes com fé, sem duvidar, ser-vos-á concedido”.

Nota: Embora uma determinada acção, pensamento ou omissão que choquem, em matéria grave, contra um dos Mandamentos, possam ser considerados pecado, temos que distinguir entre pecado e pecador. A infracção grave de um Mandamento é sempre pecado, mas o pecado mortal só existe objectivamente se alguém o cometer com plena liberdade, com pleno conhecimento, com pleno consentimento, e em matéria grave,…mas só Deus sabe /conhece até que ponto foi cometido um pecado. A acção em si pode ser pecado, mas o pecador pode ter atenuantes que reduzam ou anulem a sua gravidade. E isso só Deus sabe!

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Ezequiel Miguel

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Artigos das Séries “Enigmas bíblicos” e “Resposta a Enigmas bíblicos”:

. Enigmas bíblicos I – Nascimento de João Baptista

. Resposta a “Enigmas bíblicos I” – Nascimento de João Baptista

. Enigmas bíblicos II – Perda e encontro de Jesus no Templo

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. Enigmas bíblicos III-Moisés e a água do rochedo

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. Enigmas bíblicos IV – As virgens loucas

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. Enigmas bíblicos V – Um anjo dizima 185.000 soldados assírios

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. Enigmas bíblicos VI – Anúncio de herdeiro a Abraão

. Resposta a Enigmas bíblicos VI – A núncio de herdeiro a Abraão

. Enigmas bíblicos VII – A figueira amaldiçoada

Parábola dos convidados para o banquete

(Cf. Mt 22,1-14)

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salaoJesus, com os sumos sacerdotes falando,

e com alguns anciãos do povo, igualmente,

o Reino dos Céus  a eles apresentando,

esta parábola a todos fez presente:

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O Reino dos Céus é comparável a um rei,

que um grande banquete nupcial preparou.

Disse: “ Um banquete para o meu filho darei”!

Depois, os criados para o efeito convocou.

 

Então, eles foram chamar os convidados,

mas eles, com desculpas, não quiseram vir.

Mandou ainda mais alguns dos seus criados,

depois de este recado a todos transmitir:

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Dizei-Lhes: ” O meu banquete está preparado,

os bois e os animais gordos já estão assados

e tudo já está pronto, como combinado.

Vinde ao banquete, não vos façais demorados!”

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Os convidados o convite recusaram

e, cada um à sua maneira, se escusou,

dizendo uns que um novo terreno compraram,

e outros, que impossível isso se tornou.

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Mas alguns, apoderando-se dos criados,

trataram-nos mal e, por fim, até os mataram.

Então, o rei, ficando mesmo indignado,

enviou os soldados, que logo os chacinaram.

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Depois de a cidade lhes ter incendiado,

disse aos criados: “ Buscai pobres, trabalhadores!

O banquete está há muito preparado,

mas os que convidei não eram merecedores”.

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Então, os criados saíram aos caminhos

e reuniram todos aqueles que encontraram,

fossem eles pobres, bons, maus, saudáveis , doentes ,

e eles toda a sala do banquete ocuparam.

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O rei, quando entrou para os convivas observar,

viu um que não vestia o traje nupcial

e inquiriu:” Como ousaste, assim vestido, entrar “?

Mas ele nada disse, por um medo glacial.

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Então, o rei assim se dirigiu aos criados:

“Pegai nele e, de pés e mãos, o amarrai!

E assim, com os pés e as mãos bem amarrados,

às trevas exteriores o arremessai”!

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Ezequiel Miguel

Jesus em casa do fariseu Josias

(Realidade & ficção)

Personagens: Jesus/ Josias / fariseus/ doutores da Lei/ escribas

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Jesus12Jesus pregava no Templo perante uma boa audiência, da qual faziam parte fariseus, saduceus, escribas, sacerdotes, doutores da Lei e membros do Sinédrio, que aproveitavam todas as ocasiões para ouvirem Jesus, não porque estivessem interessados em tornarem-se Seus discípulos, mas porque precisavam de O apanhar em falso, para depois o acusarem e O levarem a julgamento, por subversão da Lei de Moisés e dos costumes judeus.

Por onde Jesus andava, andava, sempre que antecipadamente o soubessem, um ou mais espiões a soldo do Sinédrio, na esperança de O apanharem em qualquer coisa, palavras ou atitudes, que pudesse ser catalogada no pecado. Jesus já os tinha desafiado, num dos frequentes debates que eles provocavam, a conseguirem descobrir nele um pecado que pudesse ser transmitido às autoridades do Templo: “Quem de vós poderá acusar-me de pecado”? Mas o terreno que Jesus pisava tinha muitas ratoeiras. É que, com o passar dos anos, a Lei que fora dada a Moisés, após a passagem do Mar Vermelho, fora largamente acrescentada com prescrições saídas abusivamente de cabeças humanas. No tempo de Jesus, já eram 613 prescrições, carregadas com a força de lei, que as autoridades do Templo faziam questão de (fingir) cumprir e fazer cumprir, sob pena de penalizações severas.

Jesus, em suas pregações onde havia fariseus e doutores da Lei, não raro se insurgia contra eles. Esta foi mais uma dessas ocasiões em que Jesus respondeu às questões que eles lhe punham, pretendendo normalmente contradizer, rebater, negar, sofismar os argumentos de Jesus e ficar bem vistos perante o povo simples que ouvia Jesus com agrado e Ele também com agrado os via à Sua volta.

Um dos fariseus que deu a entender apreciar os argumentos de Jesus era Josias, membro do Sinédrio, que comandava um pequeno e selecto grupo de fariseus, doutores da Lei e colegas do Sinédrio. Após a pregação, ele aproximou-se de Jesus com uma finalidade previamente definida e uma estratégia já preparada:

Josias ( 1º fariseu)–Mestre, falaste bem! Será que posso convidar-te para um banquete em minha casa, pois penso que me honras com a tua ilustre presença na minha humilde casa, que fica mesmo aqui a poucos passos do Templo?

Jesus – Estou-te grato pelo convite, mas eu prefiro ficar com os meus discípulos (apóstolos).

Josias – Não há problema. Trá-los contigo, pois cabemos lá todos!

Jesus – Se é como dizes, então iremos! Mas desde já aviso que, pelo facto de ser teu hóspede, não mudo a minha linguagem! Eu vim para dar testemunho da Verdade e não me calarei quando ela tem de ser pregada, doa a quem doer! Sobre este assunto eu não pactuo com ninguém, mesmo que me convide para sua casa. Manténs o convite, mesmo com estas condições?

Josias – Pronto, seja como dizes! Vamos então caminhando para a minha casa, onde já está tudo preparado. É uma casa simples, de paredes nuas, sem flores, sem estátuas, sem pinturas, sem quadros pendurados nas paredes…sem nada, tal como está escrito na Lei. Em minha casa exijo que não entre nada daquilo que pode ser encarado como elemento de paganismo. Sou puro de alma, de mente, de corpo, de opiniões e pontos de vista e isso exijo também aos que vivem ou trabalham comigo. Tudo simplesmente simples e próprio de um santo do Sinédrio!

Jesus – A Lei proíbe isso tudo? Cita-me as passagens que a isso se referem!

Josias – Então, aqui vai: “Não farás para ti imagem esculpida nem representação alguma do que está em cima, nos céus, do que está em baixo, na terra, e do que está debaixo da terra, nas águas” ( Êxodo 20,4) / Dt.5,8

Jesus – Terminaste?

Josias – Sim!

Jesus – Porque não citas o que vem a seguir?

Josias – Não me lembro do que vem a seguir! O que eu citei é que é importante , pois é o Mandamento de Yahweh transmitido ao povo por meio de Moisés!

Jesus – Então, Eu digo-te o que vem a seguir a esse texto que citaste: “ Não te prostrarás diante delas e não as adorarás, porque Eu, o Senhor, sou um Deus ciumento…” (Dt 5,9) Que conclusão tiras daqui? Achas que os teus pontos de vista estão correctos e achas justo interpretar como interpretas? Porque omitis o que não vos interessa e que vai contra vós? Está lá bem claro que Yahweh apenas proíbe aquelas coisas se alguém lhes prestar culto de adoração, o que passa a ser idolatria. É assim que sois mestres em Israel, truncando, deformando, acrescentando, omitindo, a palavra do Senhor? Digo-te mais: Judite e Ester, inspiradas pelo Senhor, vestiram-se garridamente e ostentavam flores em seus vestidos, tudo para levarem a cabo a missão que Deus lhes confiara! Também Salomão se serviu de várias imagens para decorar ambientes e até de figuras de animais. Sereis vós mais sábios que Salomão?

Também te pergunto: Quem mandou construir as duas estátuas de querubins que, com suas asas, cobriam a Arca da Aliança? Quem mandou bordar dois querubins no cortinado/ véu do santuário, por trás da Arca da Aliança? Porque foram mandados bordar por Yahweh? Não é isso que vedes ainda no Templo? Tens presente a serpente de bronze que Moisés mandou fabricar e erguer no deserto, a uma ordem de Yahweh? Serás tu mais puro, mais santo e mais amigo de Yahweh? Serve-te da tua inteligência e torna-te capaz de discernir o que está dentro da Palavra de Yahweh e não metas tudo no mesmo saco!

Josias – Então, eu sei que todas essas coisas foram da iniciativa de Yahweh e executadas a mando de Moisés! É claro que não eram ídolos, por isso não caíam na proibição de que fala a citação!

Jesus – Se uma pintura, uma flor, uma paisagem, uma imagem,…não se destinam a serem adoradas, como é que vós as rejeitais? Acaso as flores, as paisagens, os monumentos, uma pintura da travessia do Mar Vermelho, de um acampamento no deserto, de Moisés com as Tábuas da Lei, de Israelitas a recolher o Maná do deserto, etc., serão proibições de Yahweh? Dizes que a tua casa está totalmente despida de decoração. Não achas que isso provoca um ambiente frio, nada acolhedor, alheio aos sentimentos da beleza que há nas flores, nos rebanhos, nas montanhas, nas árvores, nos vales, nos rios, nas fontes, nos mares… ? Foi Deus que criou isso tudo e Ele gostou do que fez. Toda a beleza que vos cerca vem de Deus, que é a Beleza Absoluta. Porque não aproveitar para Lhe agradecer e para O louvar perante uma pintura bonita nas paredes vazias da tua casa?

Josias – Mas há sempre o perigo de vermos essas coisas como manifestações pagãs. Por isso, eu acho que é melhor e mais seguro ser absolutamente puro nessa matéria.

Jesus – Será que te ofendo se te perguntar se também te preocupas com ter uma alma pura, limpa, despida de maldade, de corrupção, de baixezas morais, de pecados contra a castidade,…? Procurais, vós todos, ser puros aos olhos de Deus, que conhece o vosso íntimo e que vos julgará severamente?

Josias – Bem, Mestre, chegámos à minha casa! Antes de entrarmos, Tu e os teus discípulos aguardai aqui, pois eu tenho de me encontrar primeiramente com uns amigos que me esperam lá em casa…Não demoro!

Josias deixou os seus convidados na rua, em frente da casa, e, pouco tempo depois, voltou apressadamente:

Josias– Mestre, vamos entrar e vamos já para as mesas, pois não posso perder tempo, uma vez que terei de me ausentar por motivos de uma reunião com os meus colegas do Sinédrio.

Já todos à mesa, o silêncio demorava a ser interrompido, até que um dos colegas convidados de Josias, um doutor da Lei, quebrou o gelo:

1º Doutor da Lei – Mestre, temos muita honra em ter-te aqui connosco. Dando continuação ao que estávamos a tratar no Templo, diz-me: Tu podes demonstrar-nos que és mesmo o verdadeiro Messias de Israel, aquele de que falam os profetas? É que nós não estamos assim tão seguros que o sejas! Como deves saber, já houve vários que disseram ser o Messias e o resultado foi…serem todos mortos, por se ter concluído que eram impostores.

Jesus – Essa eventualidade não está descartada de Mim!…Mas, se confrontardes os profetas e as Minhas obras, facilmente concluireis que eles falam de Mim e acerca de Mim. Estais a pensar: Que obras é que Ele faz? Pois Eu digo-vos que as Minhas obras são públicas e delas há muitas testemunhas, umas honestas e outras…desonestas, algumas delas enviadas por vós! Também deveis saber que a profecia do profeta Daniel sobre o aparecimento do Messias já se cumpriu, o que quer dizer que Ele já está entre vós e sou Eu, que neste momento vos falo. O meu anjo, profetizado como anunciador do Messias, é João Baptista. Também já deveis ter ouvido dizer que Yahweh Me anunciou publicamente como o Seu Filho muito amado, quando Me apresentei ao João para ser baptizado no Jordão. Interrogai aqueles que ouviram e viram. Sede rectos de coração e aceitai-Me como o Messias prometido de Israel! Não espereis por outro, que nunca virá!

Josias – Mas tu não podes ser o Messias! Se o fosses, não terias infringido a Lei, aqui mesmo à frente de todos nós, que manda purificar-se antes de se sentar à mesa. Nem Tu nem os teus discípulos lavastes as mãos e os pés quando entrastes na minha casa. Fostes logo para as mesas sem vos importardes com o cumprimento da Lei!

Apóstolo João – (Sentado ao lado de Jesus e em voz baixa) – Mestre, tudo isto me cheira a esturro!!!

Jesus – (Em voz baixa) – Cheira mesmo, João! (Respondendo a Josias): Conheces porventura a maldição que consta na Lei: “ Maldito aquele que fere de morte o seu próximo numa cilada”? (Deut 19,11) .“Mas se alguém, por ódio ao seu próximo, o espreitar e se lançar sobre ele, ferindo-o mortalmente…, os anciãos da sua cidade entreguem-no ao vingador do sangue, para ser morto” (Deut 19, 11-12) . O teu convite para virmos a tua casa faz parte de uma cilada previamente planeada para poderes apanhar-Me em pecado e informares o Sinédrio. Propositadamente procedeste para esse fim. Além disso, sabias que nós nos tínhamos purificado quando entrámos no Templo, por isso, não precisávamos de purificação quando entrámos na tua casa. Mas tu fizeste-nos esperar e depois pediste que fossemos apressadamente para as mesas! Procedeste com duplicidade, traiçoeiramente, servindo-te da mentira, do embuste, do dolo, pois, enquanto nós esperávamos lá fora, vós procedíeis às vossas purificações. Acusas-nos agora de não cumprirmos a Lei? Que moral é a tua, ó Josias? É essa a vossa santidade? Quem tentais vós enganar? Será que não vos lembrais que Yahweh conhece todos os vossos planos, por mais secretos e bem engendrados pelas vossas cabeças? Não vos ocorre que sereis severamente julgados? E sois vós aqueles que conduzem e exigem o cumprimento da Lei?

Josias – O problema é que nós temos de informar o Sinédrio sobre a tua infracção. Porque não pediste água para lavardes as mãos e os pés antes de comer? É isso que vamos transmitir ao Sinédrio. E isto prova que tu não és o Messias, pois não cumpres a Lei!

Jesus – Quem vos deu autoridade para inserir esse costume na Lei? Apenas o sumo sacerdote, quando entra no santuário, é obrigado a purificar-se, lavando as mãos e os pés. Logo, o que nós fizemos não foi pecado nenhum, mas sois vós que pecais quando decretais leis abusivas e as atribuís a Moisés. Ora, Moisés só vos transmitiu aquilo que Yahweh transmitiu a ele. E vós já vos julgais superiores a Yahweh, ao ponto de, em vossa soberba, já entremeardes sementes de Satanás na Lei do Senhor. Mais: tornais a Lei insuportável para o povo e vós dais-vos ao luxo de a infringir quando vos apetece ou quando vos convém, desde que ninguém veja!… Ai de vós, fariseus hipócritas! Ai de vós, doutores da Lei, falsos sábios e embusteiros! Não são o pó, a sujidade de mãos, pés, braços, exterior dos copos e dos pratos que mancham as almas! O que as mancha não é o que entra pela boca, mas o que sai dela, vindo coração: ”más intenções, maus pensamentos, ambições, perversidade, má fé, devassidão, inveja, maledicência, orgulho, desvarios, assassínios, adultérios, prostituições, roubos, falsos testemunhos, blasfémias. Comer com as mãos por lavar não torna o homem impuro” (Mt 15,18-20) // Mc 7. Isso são meros costumes e tradições vossos, pecaminosamente transformados em Leis. Porque não tendes o mesmo cuidado em limpar a sujeira do vosso interior, cuja obrigação está na Lei e que é a única coisa que interessa para a vossa salvação? Abri os vossos ouvidos, ouvi bem e fixai para toda a vossa vida! Eu não vim para destruir a Lei e os Profetas, mas para aperfeiçoá-la, eliminando dela tudo aquilo que vós abusivamente lá metestes. Acabai com a vossa hipocrisia e cingi-vos ao que é essencial: o cumprimento dos Mandamentos!

1º Escriba – Tu estás a ofender-nos, ó galileu! Como é que queres convencer-nos da tua doutrina, falando-nos assim?

Jesus – Ai de vós, se não entrardes no Reino de Deus, que já chegou até vós, por Meu intermédio! Se Eu não vos convenço, olhai para as Minhas obras, que vós conheceis directamente ou indirectamente: ressurreição de mortos, curas de cegos, paralíticos, leprosos, libertação de possessos dos demónios, multiplicação de pães e peixes, domínio sobre ventos, tempestades e mares…Que mais quereis?

Josias– Nós temos realmente conhecimento desses factos, mas, mesmo assim, não nos convences! Nós acreditamos que tu tens poderes mágicos porque estás feito com Belzebú, que te dá esses poderes. Sendo assim, também quebras a Lei, porque é proibido praticar a magia!

Jesus – É Belzebú que Me dá poderes para eu o expulsar dos possessos? É Belzebú que Me dá poderes para eu lhe conquistar as almas? É Belzebú que me dá poderes para Eu destruir o seu reino? Em verdade te digo que pecas contra o Espírito Santo e o teu pecado não terá perdão, nem neste mundo nem no outro! Perante a tua malícia e a cilada que hipocritamente levaste a cabo, levantamo-nos da mesa e vamos embora!

E, sem acabar a refeição, Jesus e os seus discípulos levantaram-se e abandonaram a casa .

Josias – (Para os colegas) Vedes? Mais um plano que falhou! Não conseguimos apanhá-lo! Mas temos de o apanhar! Alguém tem alguma ideia que se possa pôr em prática?

2º Escriba – Ora, todos sabemos que as prostitutas que lhe enviámos ou se converteram a ele ou fugiram dele como se tivessem visto o Belzebú, ficando com o nosso dinheiro sem conseguirem nada! Já tentámos com o tributo a César – sim ou não – e o que fez ele? Fez vir um peixe à margem e tirou-lhe da boca uma moeda para pagar o tributo. Apanhámos a mulher adúltera em flagrante, perguntámos-lhe se devíamos cumprir a Lei, apedrejando-a, ou não! Ele não respondeu nem sim nem não, mas convidou-nos, a quem não estivesse em pecado, a lançar contra ela a primeira pedra.

2º Doutor da Lei – E levou o seu descaramento ao máximo, começando a escrever no chão os pecados, a começar pelos mais velhos… Ora, ele não cumpriu a Lei, porque devia ter dito: ”Apedrejai-a, como manda a Lei”!

2º Fariseu – Mas há mais! Ele, ao tornar públicos os pecados secretos, faltou à caridade e pôs-nos a ridículo!

Josias – Eu só vejo uma solução para o apanharmos de vez. Temos de recorreu ao Judas Iscariotes, encher-lhe os bolsos de dinheiro e pôr em execução o plano que nós lhe apresentarmos. O Judas tem a vantagem de saber sempre por onde ele anda, por isso, temos de o pôr do nosso lado, no sentido de nos fornecer as informações necessárias.

3º Fariseu – E não há o perigo de Judas se tornar agente duplo, isto é, espião dos dois lados?

3º Doutor da Lei – Eu penso que não! Judas é ambicioso e sabemos que ele não está contente com o galileu, porque as coisas não lhe correm como ele esperava. Também sabemos que os outros discípulos do galileu não gostam do Judas e ele sente-se humilhado, desgostoso e revoltado. Penso que ele colaborará connosco, desde que veja a cor do dinheiro. Por isso, sugiro que façamos uma reunião do Sinédrio para gizarmos um plano.

Josias – Estou de acordo! E vós?

Todos – Também!

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Ezequiel Miguel

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Salmo 79 (80) – Senhor, nosso Deus, fazei-nos voltar

Senhor, nosso Deus, como Pastor de Israel que és,

conduzes o povo como o Teu rebanho!

À frente de Efraím, Benjamim, Manassés,

desperta a nosso favor o Teu poder tamanho!

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Ó Deus, faz a nossa desgraça terminar,

Teu Rosto ilumina e dá-nos a salvação!

Até quando irá a Tua cólera durar

contra nós, apesar da nossa oração?

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Com o pão das lágrimas Tu nos alimentas,

também amargo é o que nos dás por bebida,

entre vizinhos a troçar de nós nos sentas,

que em zombaria têm a sua glória divertida.

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Desenraizaste do Egipto uma videira,

expulsaste até nações para a transplantar,

preparaste-lhe o terreno com muro à beira

e ela viu suas raízes na terra medrar.

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A sua sombra outeiros e montes cobriu,

de seus ramos os cedros de Deus se vestiram,

as suas ramadas até mesmo o mar as viu,

suas vergônteas nas margens do Eufrates surgiram.

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Porque destruíste os muros da vedação,

de modo a vindimá-la quem passa no caminho?

O javali encontra lá satisfação,

para os animais do campo é manjar prontinho.

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Deus dos exércitos, aparece de novo,

protege a cepa que pela Tua mão plantaste,

olha do Céu, vê esta vinha, que é o Teu povo,

com os rebentos que para Ti revigoraste.

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Deus dos exércitos, volta de novo a nós,

olha e vê o estado ruinoso da Tua vinha!

Protege esta videira, que pertence a Vós,

e não a deixeis entregue à erva daninha!

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Sobre o homem que escolheste estende a Tua mão,

sobre o filho do homem que decidiste criar,

não nos afastaremos da Tua protecção,

faz-nos viver para o Teu Nome celebrar!

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Ó Deus, faz a nossa desgraça terminar,

Teu Rosto ilumina e dá-nos a salvação!

Até quando irá a Tua cólera durar

contra nós, apesar da nossa oração?

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Ezequiel Miguel

Jesus em casa de Zaqueu

(Realidade e ficção)

( Cf. Lc 19, 1-10)

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Do evangelho:

zaqueu1“Tendo entrado em Jericó, Jesus atravessava a cidade. Vivia ali um homem rico, chamado Zaqueu, que era chefe de cobradores de impostos. Procurava ver Jesus e não podia, por causa da multidão, pois era de baixa estatura. Correndo à frente, subiu a um sicómero para o ver, porque devia passar por ali. Quando chegou àquele local, Jesus levantou os olhos e disse-lhe: “ Zaqueu, desce depressa, pois hoje tenho de ficar em tua casa!”. Ele desceu imediatamente e acolheu Jesus, cheio de alegria. Ao verem aquilo, murmuravam todos entre si, dizendo que tinha ido hospedar-se em casa de um pecador.

Zaqueu, de pé, disse ao Senhor: “ Senhor, vou dar metade dos meus bens aos pobres e, se defraudei alguém em qualquer coisa, vou restituir-lhe quatro vezes mais”! Jesus disse-lhe: “Hoje veio a salvação a esta casa, por este ser também filho de Abraão, pois o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido”! ( Lc 19, 1-10)

Zaqueu, publicano (= chefe de cobradores de impostos), contratado e pago pelos romanos, era odiado, como todos os publicanos e cobradores de impostos, os quais tinham de comum o facto de se aproveitarem abusivamente de uma parte dos impostos para proveito pessoal. Assim, na língua do dia a dia, eram tidos por ladrões, sem que alguém visse o meio de modificar as coisas, uma vez que a força e a autoridade dos romanos eram inquestionáveis. Eram considerados pecadores públicos e Cristo refere-se a eles com alguma frequência. Uma das acusações que os fariseus faziam a Cristo era o de comer com prostitutas e publicanos, que eles consideravam a ralé do povo judeu. Tal como o apóstolo Mateus, ex-cobrador de impostos, também Zaqueu vivia em desassossego com a sua vida, pois os fantasmas da desonestidade e da riqueza, adquirida pela extorsão de impostos, não lhe davam o sono dos justos, apesar de o seu nome significar “ justo”, “puro”.

Zaqueu tinha consciência de que não era nem uma coisa nem outra, antes se sentia ladrão e muito mais. Já ouvira falar de Jesus, que curava todo o tipo de doenças, desde cegos a paralíticos e leprosos, expulsava demónios, pregava uma doutrina nova, convertia, perdoava, ressuscitava. Mas ele não só ouvira falar Dele, mas também já O vira de longe, pois esteve presente em uma das pregações do chamado Sermão da Montanha, onde Jesus falara das riquezas, bem ou mal adquiridas, e verberou todos aqueles que se deixavam dominar por elas, ao ponto de não se importarem com os pobres, doentes e miseráveis que viviam ao lado. Nunca mais esquecera as Palavras de Jesus. “Bem aventurados serão os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus”. Estas palavras não lhe saíam da cabeça, davam-lhe insónias, faziam-no rebolar na cama, perdera boa dose do apetite, do sono, da alegria e da paz de espirito e já se convencera que a sua riqueza mal adquirida seria a palha que alimentaria as chamas do fogo da geena (inferno). A consciência começara acusá-lo e ele desejava ardentemente encontrar-se cara a cara com Jesus, mas não sabia como. Também já ouvira dizer que Ele tinha convidado um colega publicano e cobrador de impostos para o grupo de discípulos que O acompanhava por todo o lado. Ocorreu-lhe a ideia: E se Jesus também o convidasse, tal como convidara Mateus?

Certo dia, estando Zaqueu na sua banca de cobrança de impostos, um ex-leproso, recentemente curado por Jesus, meteu conversa com ele.

Malaquias – Olá, Zaqueu! Já te conheci mais alegre do que estás hoje! Até parece que o mundo vaio acabar por tua causa! Porque estás tão macambúzio?

Zaqueu – Olha, estou chateado, mas não é por causa de ninguém!

Malaquias – Será que a tua fortuna está a ir abaixo?

Zaqueu – Não! Não está a ir, por enquanto, mas irá!…

Malaquias – Estás doente ?

Zaqueu – Sim e não!

Malaquias – Dormiste mal?

Zaqueu – Dormi! Durmo mal todas as noites!

Malaquias – Bem! Não faço mais perguntas, mas parece-me que algo se passa contigo!

Zaqueu – E tu, que fazes por aqui? Tu não eras leproso, assim como a tua mulher e os teus filhos?

Malaquias – Sim, é verdade, mas morreram todos e só fiquei eu! Eu estava já mais morto do que vivo, mas Jesus de Nazaré curou-me e deu-me nova vida! Bendito seja Ele!

Zaqueu – Jesus de Nazaré? Como é que isso aconteceu?

Malaquias – Foi assim: Eu sabia que um dia Ele passaria no caminho perto do túmulo onde eu vivia, isto é, onde eu definhava, lá perto de Jerusalém. Certo dia, vi uma multidão no caminho, com um homem alto à frente, que sobressaía dos outros, e disse para mim: ” É Ele”! Então, aproximei-me do caminho e comecei a gritar com toda a força.” Jesus, filho de David, tem piedade de mim !” – Sabes o que Ele fez? Ele desviou-se do caminho, foi até junto de mim, sorriu para mim, olhou-me olhos nos olhos e perguntou-me: “O que queres de Mim?“. Eu respondi: “ Senhor, cura-me, pois sou um desgraçado”! Então, Ele perguntou-me: “ E tu acreditas que Eu posso curar-te”? Eu respondi que sim, que acreditava. Então, Ele disse-me: “Eu quero! Fica curado! Vai mostrar-te ao sacerdote”! Naquele momento, senti um calor a percorrer-me o corpo e, pronto! Desapareceram todas as minhas chagas e fiquei como novo.

Zaqueu – Tu, que O viste de perto, diz-me: Como é Ele? Eu já uma vez O vi, mas foi de longe. Conta-me! Como é Ele?

Malaquias – Ó Zaqueu, eu nunca vi ninguém assim! Ainda me parece um sonho! Passei do inferno ao paraíso, graças a Ele! Ó Zaqueu, nem sonhas como Ele é, visto de perto como eu O vi! É alto, de porte majestoso, loiro, de olhos azuis muito doces, de um sorriso divino que ilumina a alma, com uma voz suave, melodiosa, meiga,…e até me pareceu que vi uma auréola de luz em volta da Sua cabeça e toda a Sua face irradiando luz. Nunca vi ninguém assim! Quem me dera voltar a encontrá-Lo! Se voltar a vê-Lo, peço-Lhe que me admita como Seu discípulo, para andar sempre com Ele. Então, a minha felicidade seria completa. Mas olha! Dou-te uma alegre notícia: Está previsto que Ele hoje venha a Jericó e é por causa disso que eu vim até aqui. Penso que uma grande multidão já O espera às portas da cidade.

Zaqueu – O quê? Não me digas que Ele vem cá hoje! Tenho umas ânsias de me encontrar também com Ele! Eu tenho muito interesse em vê-Lo e aproximar-me Dele, mas eu sou de pequena estatura e como é que eu posso chegar até Ele, se anda sempre rodeado e acompanhado de imensa gente? Outra coisa: Tu nunca te revoltaste com as tuas desgraças? Como estás de ânimo?

Malaquias – Oh, agora estou calmo, feliz, …já esqueci tudo o que passei e agradeço todos os dias a Yahweh e ao Seu Messias. Digo-te uma coisa: Se tu tens muita necessidade de te encontrar com Ele, Ele virá de certeza ao teu encontro, porque Ele disse uma vez que quem O procura, encontra-O. Isso aconteceu comigo e vai acontecer contigo. Ele é o Messias, o Filho de Deus, e sabe quem O procura e onde está! Por onde passa, Ele cura todos os doentes que acreditam Nele! Espera e verás!

Zaqueu – Sê bendito pelas notícias e pela esperança que me dás. Bem aventurados os pés do mensageiro que trás boas notícias. É o que diz o profeta Isaías ou outro qualquer!

Malaquias – Escuta! Ouço gritos de hossana! Queres tu ver que Ele vem aí? Olha, lá ao fundo da rua! É Ele, com muita gente com ramos de palmeira e oliveira. Prepara-te!

Zaqueu, ( arrumando a bancada apressadamente e olhando para todo o lado) Se vem muita gente….Já sei! Vou subir rapidamente a uma árvore! Vem comigo e ajuda-me a subir àquela, além, que é a mais baixa! De lá poderei vê-Lo e acenar-Lhe. Oxalá Ele olhe para mim!

Malaquias – Ele vai olhar para ti! É garantido!

Jesus – (Ao passar) Zaqueu, desce daí depressa, porque hoje quero ficar em tua casa!

E Zaqueu deixou-se escorregar pela árvore abaixo, acompanhou Jesus, lado a lado, até chegar a sua casa, mais propriamente à enorme vivenda e ao enorme jardim que a não menos enorme riqueza lhe permitiu construir.

Zaqueu – Chegámos! É esta a minha casa, para a qual Te convido, assim como aos Teus discípulos. Cabemos lá todos e há comida e dormida para todos.

Jesus – Bonita construção, Zaqueu!…O Senhor ajudou-te!…

Zaqueu – Bem, isso tem muito que se lhe diga!… Tu, que conheces a vida de cada um, sabes como a consegui construir. Eu passei a vida dominado pela ganância, roubei sempre que me foi possível, nunca respeitei os pobres e…muito mais! Além de ser ladrão, desonesto,…ainda tenho outros vícios, contando com a Tua ajuda para me ver livre deles. Mas chegou a hora de me redimir e endireitar os meus caminhos, que são tudo menos planos e rectos.” Senhor, vou dar metade dos meus bens aos pobres e, se defraudei alguém em qualquer coisa, vou restituir-lhe quatro vezes mais”! A Ti vou dar em dinheiro o equivalente a metade da minha riqueza e aos outros… facilmente os encontro, pois sei quem são e o que lhes tirei indevidamente. Eu vivia inquieto e queria encontrar-me Contigo, para me curares desta minha doença da alma e de outras que também me incomodam…e que me fazem viver com medo. Como eu Te agradeço, Senhor! Sei que Tu disseste um dia: “Quem Me procura, encontra-Me”! Eu já Te procuro desde aquele dia em que estive entre os Teus ouvintes, quando pregavas as bem-aventuranças. O que disseste sobre os pobres em espirito, sobre as riquezas bem ou mal adquiridas e também sobre os puros de coração, porque verão a Deus…deixou-me inquieto. Aquilo atingiu-me em cheio e deixou-me meio atordoado, tal como se tivesse sido atingido por pedras lançadas por uma catapulta. Cada uma das Tuas palavras atingiam-me no peito com estrondo. A partir daí, tornou-se para mim urgente encontrar-me Contigo. Isso caiu-me hoje em sorte e quero tirar o máximo proveito.

Jesus – Eu sei disso tudo, Zaqueu! Eu vi-te lá no monte! Eu sou o Caminho, a Verdade, a Vida e a Luz do mundo. Eu vim ao mundo para que todos se arrependam e endireitem os caminhos tortuosos de suas vidas. Era isso que o João (Baptista) pregava: “Endireitai os caminhos do Senhor, enchei os vales e arrasai os montes…”! E ele também disse: “ Eis o Cordeiro de Deus, Aquele que tira o pecado do mundo”! Pergunto-te, Zaqueu: “A quem se referia o João Baptista”?

Zaqueu – Referia-se a Ti, Senhor! Mestre, a partir de hoje quero começar uma nova vida! O velho Zaqueu vai morrer e ressuscitar, com a Tua ajuda!

JesusHoje veio a salvação a esta casa, pois tu também és filho de Abraão e o Filho do Homem veio a ti para te salvar, porque, como tu reconheces, estavas perdido. Que a paz fique contigo e com os que moram na tua casa! Agora, Zaqueu, enquanto procedeis à preparação da refeição, permite-me que Eu vá ao encontro de outros que vieram também até aqui, com cânticos e gritos de hossana ao Messias de Israel. Eles esperam por Mim lá fora.

Zaqueu – Sim, Mestre, mas para a minha alegria ser completa, exponho-Te já um desejo, pois posso não ter ocasião para To expor. É este: Admites-me no grupo dos teus discípulos?

Jesus – Admito! Depois de convertido e teres feito o que prometeste, continua na tua profissão, mas agora como um verdadeiro discípulo Meu: honesto, justo, fiel, sincero, puro em tua vida particular e pública,…e dá testemunho de Mim em Jericó, levando os habitantes a perguntarem-se como é que Zaqueu está diferente. Fala de Mim como Meu verdadeiro discípulo!

“É mais fácil a uma corda passar pelo buraco da agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus…mas a Deus tudo é possível e nada é impossível” Mt 19,24-26)

Considerações sobre as lições de Zaqueu

1. Zaqueu é o exemplo daqueles que, sendo ricos, se poderão salvar. É um daqueles casos em que o camelo (=corda) passou pelo buraco da agulha.

2.Felizes aqueles que ouvem a palavra de Deus e a cumprem.

A Palavra de Deus tem força, mas não é automaticamente que produz efeito nas almas. Tal como a chuva, ela molha, mas é preciso que a pessoa se deixe molhar, não se servindo de tapa-chuvas, guarda-chuvas e outras protecções contra…, nomeadamente opiniões e pontos de vista antecipadamente arreigados na alma e qua actuam como carapaças imunes à Palavra de Deus.

3.Exemplo de decisão radical e corajosa.

Uma decisão como a de Zaqueu, de subir a uma árvore para ver Jesus é mesmo de coragem, não se importando com o ridículo da situação nem no presente nem no futuro.

4. Indemnizar pelos prejuízos causados/ devolução de bens roubados

É de elementar justiça elementar devolver o que é roubado, acrescentando os juros e a paga pelos prejuízos morais. Se neste mundo, aquele que roubou não restitui nem indemniza, no outro mundo terá, minimamente, longos anos de purgatório, se não vier a ser condenado por infracção grave do 7º Mandamento:” Não roubarás!”

5. Exemplo de humildade e reconhecimento dos defeitos/pecados/limitações.

É necessária humildade e autoconhecimento para reconhecer os próprios defeitos, vícios, pecados, limitações, o que não é nada fácil. Para um médico tratar um doente, é preciso que este se aceite como tal. O mesmo se passa com Deus em relação a nós, que também gosta de ouvir, confessado com sinceridade e humildade: “Tende piedade de mim, que sou pecador”! Cristo contou aquela parábola do fariseu que rezava(?) de pé, orgulhoso, santo, perfeito, caridoso, cumpridor perfeito da Lei, em contraste com o publicano, ajoelhado lá ao fundo do Templo, suplicando humildemente, batendo no peito:” Perdoa-me, ó Deus, que sou pecador”! Cristo também disse: “Todo aquele que se humilhar será exaltado e todo aquele que se exaltar será humilhado”. E: “ Aquele que quiser ser o maior faça-se o mais pequeno”! Daqui se infere que há grandeza na humildade, ingrediente essencial de toda a santidade.

6. Exemplo de se virar para Deus na busca intensa de ajuda

Zaqueu reconheceu a sua incapacidade para vencer, por si só, as suas fraquezas. E o que todos nós temos de fazer, mas primeiro temos fazer uma introspecção séria, honesta, sincera, profunda, se possível com a ajuda de um psicólogo, de um sacerdote em direcção espiritual, ou com a ajuda daqueles que vivem mais próximo de nós, pois eles, podem ignorar os seus próprios defeitos, mas conhecem os nossos… e nós, os deles! É a realidade de vermos o argueiro no olho do outro e não vermos a trave/ o barrote no nosso.

 7. Exemplo do poder da Palavra divina

A Palavra de Cristo deixou Zaqueu a fermentar, a incomodar, a causar reacções que depois levaram a massa a levedar, até finalmente sair um produto acabado – a conversão. Em seu íntimo, as decisões de mudar de vida já tinham sido trabalhadas e acabadas, mesmo antes do seu encontro com Cristo, que se limitou a confirmá-lo e a dar-lhe a força necessária para se firmar no novo caminho que iria percorrer até à sua morte. Zaqueu terá sido, a princípio, uma boa terra onde caiu boa semente, mas, com o tempo e com as teorias e práticas dos fariseus, acabou por se deixar apanhar por silvas e ervas selvagens, de que Cristo veio libertá-lo.

8. Exemplo de arrependimento e propósito firme de emenda

É evidente que o reconhecimento dos erros, dos vícios, da desonestidade, etc., leva ao arrependimento, absolutamente necessário para a conversão, da qual também não se pode excluir um propósito firme de emenda, o que não quer dizer que o pecador fique com a certeza de que não volta a cair /pecar. Mas, todas as vezes que cair em pecado, terá de repetir o arrependimento, o propósito firme de não repetir e…apresentar-se à Confissão Sacramental, se for baptizado. Uma conversão séria não pode excluir a prática da oração e dos Sacramentos deixados por Cristo, em particular a Confissão e a Missa com Comunhão Eucarística.

9. Modelo para aqueles que vivem em pecado

Zaqueu, habituado a fazer contas, não precisou de as fazer na sua conversão. Modelo para quem vive em pecado privado ou público, em que se requere uma decisão radical, sem considerar os prós e os contras.

Em decisões radicais importantes, como foi a de Zaqueu, ele não se importou com o que diriam os outros ao converter-se e tornar-se discípulo de Cristo, disposto a dar testemunho público, tal como Cristo exige a todos nós: “Quem se envergonhar de Mim, também Eu me envergonharei dele”! Só que dar testemunho de Cristo significa cumprir os Mandamentos, aceitar toda a Sua doutrina, sem excepção, e viver segundo as suas exigências. É evidente que nenhuma confissão protestante ou espírita aceita toda a doutrina de Cristo, fazendo eles a selecção daquilo em que querem acreditar. Que testemunho de Cristo poderá dar um protestante ou um espírita, se não aceitam a Igreja fundada pelo próprio Cristo: “Esta é a Minha Igreja…”! Algo difícil ou impossível de compreender!

10. Agarrar a ocasião em que Deus passa

Zaqueu tomou a iniciativa de aproveitar o momento, a ocasião, em que Cristo passava por ele. Também Cristo passa muitas vezes por nós, num retiro, numa leitura, numa conversa, num encontro casual com alguém, numa liturgia, numa homilia da Missa, na leitura da vida de um santo, numas revelações de Cristo ou da Virgem Maria, numa peregrinação a um santuário Mariano, na presença de um milagre, etc.

Dou alguns exemplos destes! S. Agostinho converteu-se ao ouvir um sermão de Santo Ambrósio, Bispo de Milão; S. João de Deus (João Cidade) converteu-se depois de ouvir um sermão de S. João de Ávila; Santa Edith Stein, professora de Filosofia na Universidade de Berlim, no tempo de Hitler, converteu-se do judaísmo ao Cristianismo, ao terminar a leitura das Obras completas de Santa Teresa de Ávila; Alexis Carrel, médico francês ateu, converteu-se depois de ver uma sua doente curada de um cancro em Lourdes; numerosos são também os casos de verdadeiras conversões em peregrinações a santuários marianos; Lurdes, Fátima, Medjugorje são notáveis por isso, na Europa; em peregrinações da imagem de N.S. de Fátima pelo mundo há conversões e milagres em abundância. Se lhe surgir a ocasião, veja o filme “Fátima no mundo”, promovido pelo Santuário de Fátima. É Deus/ Cristo/ a Virgem/ que passam e deixam rastos de graças que levam à conversão.

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Ezequiel Miguel

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Salmo 24 (25) – Para Vós, Senhor, elevo a minha alma

Para Vós, Senhor, elevo a minha alma!

Em Vós confio, que eu não seja confundido!

Os meus inimigos não levem sobre mim a palma,

o que espera em Vós não ficará desiludido.

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Mostrai-me, Senhor, os Vossos rectos caminhos,

pelas veredas da justiça meus passos guiai,

na Verdade caminhem meus pés direitinhos,

minha firme esperança em Vós alimentai.

.

Eu espero em Vós, ao longo de todo o dia,

lembrado da Vossa inesgotável bondade!

Recordai que o Vosso amor não se esvazia,

como também não mingua a Vossa piedade!

.

Não lembreis as faltas da minha juventude,

lembrai antes que sois compassivo e clemente!

Vós sois bom e recto, em Vós só há virtude,

e para os pecadores sois sempre indulgente.

.

Apontais o justo Caminho aos pecadores,

as Vossas sendas são só de amor e verdade,

para os que não são Vossos opositores

e não conduzem suas vidas na falsidade.

.

Por causa do Vosso Nome, ó meu Senhor,

as minhas graves, enormes faltas, perdoai!

Quero ser fiel à aliança do Vosso amor,

do fardo dos meus pecados me libertai!

.

Pois quem é o homem que teme o Senhor?

O Senhor lhe ensinará o caminho a seguir,

viverá feliz sem nenhum medo ou terror,

a sua descendência a Terra irá possuir.

.

Aos que O temem revela o Senhor Seus segredos

e dá-lhes a conhecer a sua eterna aliança,

os meus olhos estão Nele fixos, sem medos,

porque aos meus pés, contra os laços, dá segurança.

.

Voltai-Vos para mim e tende compaixão,

porque estou só, infeliz e desprotegido!

Aliviai as angústias do meu coração,

livrai-me dos tormentos em que estou metido.

.

Vede a minha miséria e o meu tormento

e apagai com Vosso perdão os meus pecados!

Vede dos meus inimigos o mau intento

e o ódio que me devotam, descontrolados!

.

Defendei, Senhor, a minha vida e livrai-me!

De ter confiado em Vós não me envergonharei,

de total inocência e rectidão dotai-me,

de em Vós ter esperado não me arrependerei.

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Ezequiel Miguel

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