A Ceia da Despedida

(Mc 14, 17-31 ; Mt 26, 20-35; Lc 22, 14-38 ; Jo 13, 1-38)

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(Realidade & Ficção)

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O Cenáculo estava pronto para a última Ceia, após a azáfama dos Apóstolos para adquirirem tudo o que era necessário para se cumprir o ritual prescrito pela Lei de Moisés, a propósito da comemoração da Páscoa que, por sua vez, comemorava aquela passagem dos Hebreus da escravidão do Egipto à Liberdade. O Livro do Êxodo descreve essa passagem e como foi a última ceia em terras do Egipto.

Chegara para Cristo a hora de se despedir, pois iria ainda naquela 5ª feira dar início, no Getsémani, à  Sua Paixão e, como um pai de Família, tomou todas as previdências para que tudo corresse como estava previsto na Lei, da qual, Ele,  o Senhor da Lei, não se quis dispensar. E assim, Ele próprio indicou a cada um dos doze Apóstolos o seu lugar em volta da mesa, semi-deitados em cadeiras-cama, como era normal naquele tempo. Estamos habituados a ver a figura de Judas numa das pontas da mesa, feio, mal-humorado e com a bolsa à vista…, mas Cristo escolheu para ele o lugar à Sua frente, um lugar estratégico, para poder encará-lo olhos nos olhos, na esperança de que ele viesse ainda a reconsiderar quanto ao plano já estabelecido com os inimigos de Jesus. O passar todo o tempo da Ceia a encarar Judas de frente já era para Cristo um tormento que lhe revoltava as entranhas, que lhe tirava o apetite e Lhe cobria o rosto de uma profunda tristeza, o que os outros apóstolos não deixavam de notar, mas cuja causa eles estavam longe de adivinhar. Mas eles próprios também estavam dominados por um ar melancólico, apreensivo…, que se acentuava à medida que o Mestre ia orientando o decorrer da Ceia e ouviam Dele os últimos recados.

Jesus – Judas, tu ficas aqui à minha frente!

Judas – Mestre, Tu manténs-me sempre perto de Ti! Será que me amas mais do que aos outros?

Jesus – Eu amo-te tanto como aos outros, mas os outros não precisam tanto de ver o Meu Amor como tu, nesta hora…E tu até sabes porquê!… Além disso, o facto de nós estarmos aqui hoje deve-se a ti…, mais do que a nenhum outro…

Judas – Obrigado, Mestre, por me enalteceres aqui à frente de todos. Eu bem preciso disso, porque às vezes tenho a impressão de que ninguém, a não ser Tu, gosta de mim, o que eu acho profundamente injusto, porque eu nunca lhes fiz mal nenhum…

Jesus – E tens a certeza de que tu não lhes dás motivos para isso?…

Judas fez uma careta, esboçou um sorriso  sardónico e baixou os olhos. Começa a Ceia. Na mesa está um grande cálice, que Jesus enche de vinho e reza sobre ele. Cada apóstolo tem à sua frente um copo  individual, de pé alto. Segue-se o canto de salmos e a recitação das palavras do Ritual apropriadas. Jesus reza sobre o pão, parte-o e distribui-o, juntamente com as ervas amargas banhadas no molho. Chega depois o cordeiro assado, seguindo-se mais cânticos. Jesus parte o cordeiro, dando a cada apóstolo um bom pedaço, de modo a que ninguém fique com fome. Os apóstolos ouvem-No então proclamar:

Jesus –  Tenho ardentemente desejado comer convosco esta Páscoa. Foi sempre o Meu desejo, desde que aceitei a missão de Redentor do género humano.

Simão – Mestre, a propósito da distribuição dos lugares, como é que poderemos saber quem é o maior de entre nós?

Jesus -  Se alguém quer ser o primeiro, seja o último e o servo de todos. O maior seja como o menor, o chefe, como aquele que serve os outros. Eu sou o que presido à mesa e, no entanto, estou a servir-vos. Ficai comigo nas horas que se aproximam e noutras que vos surgirão pela frente e com isso é que provareis a vossa grandeza aos olhos do Pai. Quem na dor Me acompanhar e for fiel até ao fim, esse é que terá o prémio. Está próxima a hora de Eu vos poder preparar um lugar junto do Pai, no Meu Reino, onde há moradas para todos os que acreditarem em Mim e Me acompanharem na minha Paixão, da qual deixo uma parte para todos passarem por ela.

Pedro – Mestre, nós seremos fiéis até ao fim ?

Jesus –  Pedro, vais passar por uma prova! Eu rezo por ti para que a tua fé não desfaleça e tu, quando te arrependeres, confirma na Fé os teus irmãos.

Pedro – Senhor, eu sou um pecador, mas serei fiel até à morte. Seguir-Te-ei para todo o lado e estou disposto a morrer contigo.

Jesus – Pedro, estás a ser vítima de um ataque de soberba! Dentro de pouco tempo muita coisa vai mudar. Vamos ser todos abandonados  pelo Pai e pelos Anjos e cada um de nós ficará entregue a si próprio, porque esta hora é a hora dos demónios. Até os Anjos vão sofrer e tapar os olhos para não verem aquilo que vão ver. Bem quereriam ajudar, mas…Aquilo que Eu vos disse sobre a Bondade e Providência do Pai, que Ele cuida de vós e dos passarinhos, que os Seus Anjos vos protegem, que calcareis aos pés escorpiões e serpentes, que não sereis tentados acima das vossas forças, que Ele sabe o que vós precisais…agora, esquecei tudo isso, porque é a hora em que seremos todos abandonados. Em toda a Terra não haverá Anjos nas horas que se seguem, porque o Pai os mandou recolher ao Céu. É a hora de se cumprirem todas as profecias sobre Mim e uma delas diz :“Ele foi contado entre os malfeitores”. E tu, Pedro, ora e vigia, porque Satanás anda à tua volta rugindo como um leão para te devorar.

Pedro – Mestre, eu morrerei Contigo ou, se quiseres, em vez de Ti!

Jesus – Ainda esta noite, antes de o galo cantar, três vezes me negarás!

Pedro – Mestre! Essa é demais! Eu tenho acreditado em Ti, em toda a Tua Palavra, mas nessa…desculpa lá, eu não acredito! Eu nunca Te negarei e todos estes vão ser minhas testemunhas!

Jesus – Oxalá que assim seja, meu Pedro, mas Satanás pediu-me para te joeirar.

E Pedro calou-se, deixando transparecer no rosto uma repentina angústia de incerteza…Se o Mestre tal dizia… Ele que sabia tudo antes de as coisas acontecerem!…

Simão – (Depois de ter ido a um baú buscar duas espadas) Mestre, o Pedro e eu temos espadas e os outros têm cada um o seu punhal curto. Quando for preciso, nós cá estaremos!

Jesus – Pensais que tereis ocasião para as usar? Mas agora vou ensinar-vos algo que tereis de usar. Acabei de vos servir o alimento corporal, mas agora quero prestar-vos um outro tipo de serviço, um alimento de um ritual novo de uma Aliança Nova, ainda não inaugurado por ninguém. Vamos suspender esta refeição.

E levantando-se da mesa, vai a um baú, despe a sua veste vermelha, cinge-se com uma toalha, enche uma bacia com água e coloca-a perto da mesa, tudo isto em silêncio e sob os olhares intrigados e espantados dos Apóstolos.

Jesus – Será que ninguém tem nada a perguntar-Me?

Pedro – Nós não sabemos o que queres fazer. Nós já nos lavámos antes da refeição!

Jesus – A minha purificação destina-se a quem já está puro, para ficar ainda mais puro.

Jesus ajoelha-se, descalça as sandálias a Judas Iscariotes e lava-lhe os pés, beijando-os em seguida. Um por um, faz o mesmo a todos. Judas não se comoveu, mas os outros…uns sentiram vergonha, outros comoveram-se e choraram.  Como era possível uma coisa destas? Mas Pedro…

Pedro – Tu lavares-me os pés? Era o que faltava! Eu não to permito! Tu és Deus e eu sou um pecador, um Zé ninguém, um verme. Tu és Tu e eu sou eu! Eu não deixo que me laves os pés!

Jesus – O que Eu te faço, tu não o compreendes agora, só mais tarde.

Pedro – Como queiras, Mestre, mas lavares-me os pés, nunca!. Deixa-me antes lavar os Teus!

Jesus – Olha, Simão de Jonas! Se Eu não te lavar os pés, não irás para o meu Reino. É preciso que te lave os pés, pois eles terão um longo caminho a percorrer e a tua alma precisa de pés fortes…Lembra-te que está escrito: “São belos os pés daqueles que anunciam boas novas.”

Pedro – Ó Senhor! Então lava-me os pés, a cabeça, os braços, as mãos…

Jesus – Vós já estais puros. Os pés precisam de ser purificados, porque são eles que levam o homem pelos maus caminhos que as más intenções abrem…

E, no meio de um choro convulsivo, Pedro deixa que Jesus lhe lave os pés e lhos beije. Finalmente, Jesus tira a toalha da cintura, lava as mãos, volta a vestir-se e a ocupar o Seu lugar,  olhando para Judas e dizendo:

Jesus – Agora estais puros, mas não todos. Somente aqueles que tiverem a vontade de permanecer puros.

Jesus enche novamente de vinho o grande cálice comum e todos bebem, seguindo-se o canto de vários salmos de louvor (114, 115). Quando algum versículo se aplica a Judas, Jesus fixa nele o Seu olhar, por exemplo :” Todo o homem é mentiroso”; “É preciosa aos olhos do Senhor a morte dos justos”; “Eu não morrerei, mas viverei para cantar as obras do Senhor”; “Celebrai o Senhor, porque Ele é bom e a sua misericórdia dura para sempre”; “É melhor confiar no Senhor do que no homem”; “Maldito o homem que confia noutro homem”; “Eu cambaleava e ia a cair, mas o Senhor me amparou”; “A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se pedra angular”; “Bendito o que vem em nome do Senhor”; “Eu me alegro, porque o Senhor ouviu a minha oração, porque volta os seus ouvidos para mim. Eu O invocarei por toda a minha vida, pois me haviam cercado as angústias da morte”; “O Senhor é clemente e compassivo, lento para a ira e pronto para o perdão”, etc.  Estas  sentenças dos Salmos atingem-no profundamente e perturbam-no, ao ponto de se desconcentrar, não acertando nem com a letra nem com a música nem com o tom. Tomé, um dos seus vizinhos do lado, sente a necessidade de lhe chamar a atenção para a desafinação com que canta… Após o canto, Jesus distribui nova dose do cordeiro assado e repesca o tema do lava-pés:

Jesus-  Eu quero que compreendais o meu gesto de vos lavar os pés. Trata-se de um gesto de humildade, um gesto de Deus a lavar os pés às suas criaturas, de o Senhor a lavar os pés ao seus servos, fazendo-se Ele próprio o servo dos servos. Será na humildade e no Amor a Deus e ao próximo que vós sereis grandes no Reino de Deus. Como Eu fiz, fazei vós também .  Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei, pois este é o mandamento novo que vos deixo. É por isto que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros. Aquele que Me ama cumprirá as minhas palavras. Se alguém Me amar, o Pai o amará e  Nós viremos a ele e faremos nele a Nossa morada. Quem não Me tem amor não guardará as minhas palavras. Fazendo isto sereis felizes, mas não sereis todos felizes, porque se cumprirá o que foi escrito a Meu respeito: “Aquele que come comigo à mesa levantou o seu calcanhar contra Mim” (Sl 40, 10)

Após cantarem o longo salmo 118, Jesus senta-se e proclama:

Jesus – O velho rito terminou e vai ser inaugurado um novo. A Velha Aliança chegou ao fim e vai ser substituída pela Nova. A vítima dos sacrifícios não mais será o vitelo, a pomba, o cordeiro. A Nova Aliança vai ser alicerçada sobre Mim,  a Nova Vítima, a Vítima Eterna, a Vítima sem mácula, o Cordeiro de Deus, Aquele que tira o pecado do Mundo, Aquele que se oferece ao Pai para remissão de todos os pecados dos homens. Será um ritual perpétuo de Amor, um memorial perpétuo a renovar-se a cada hora por toda a Terra. Este será o grande milagre do Amor, que agora vou realizar, não havendo na Terra nada superior a ele nem nada que se lhe compare. Será um milagre de união e comunhão entre Mim e vós e vós entre uns e outros. Eu vou partir mas não vos deixarei órfãos, porque ficarei convosco até à consumação dos séculos.

Jesus pega num pão inteiro, coloca-o sobre o cálice cheio de vinho, abençoa-os, oferece-os ao Pai, parte o pão em treze bocadinhos, coloca-os na mão esquerda, dá um bocadinho a cada um e diz:

Jesus – “Tomai e comei. Isto é o Meu Corpo, que vai ser entregue por vós. Fazei isto em memória de Mim.”

Faz o mesmo com o cálice, dizendo:

Jesus –  “Tomai e bebei. Isto é o meu sangue, que vai ser derramado por vós para a remissão dos pecados. Fazei isto em memória de Mim”.

Pega também no último pedacinho e no cálice, sai da sala e vai levar a Comunhão à Mãe. Regressa com o cálice vazio. Toma a palavra:

Jesus – Vistes o que eu fiz. Dei-me a Mim próprio. As minhas desculpas, se não posso fazer mais por vós. Agora compreendeis o que Eu queria dizer quando anunciei (Jo, 6) que Eu sou o Pão Vivo descido dos Céus, o Novo Maná , a Minha Carne e o Meu Sangue como alimentos de Vida Eterna. Quem Me come e quem Me bebe não mais terá fome nem sede e quem Me come e bebe terá cada vez mais fome e mais sede de Mim, um mistério que compreendereis mais tarde. Por este milagre de Amor Eu estarei em vós e vós em Mim, mas ai daquele (olhando para Judas) que se alimentar de Mim sem estar puro…Um de vós aqui não está puro! Um de vós Me vai trair! É por isso que Eu estou de espírito perturbado e numa tristeza de morte. A mão daquele que Me vai trair está comigo sobre esta mesa e nem o Meu amor, nem o Meu Corpo, nem o meu Sangue, nem a minha Palavra foram suficientes para o levar ao arrependimento…Eu lhe concederia o perdão e morreria também por ele, se…(lágrimas nos olhos e voz embargada). Na verdade, Eu vou ser traído, mas ai daquele por quem o Filho do Homem vais ser entregue! Melhor lhe fora não ter nascido! (1)

Os apóstolos entram em pânico e, cada um  por sua vez, perguntam a Cristo:

Todos – Serei eu?…Serei eu?…Serei eu?…

Judas –  (Sorrindo frio e tranquilo) Por acaso serei eu, Mestre?

Jesus – Tu mesmo o disseste. Tu mesmo te acusas, sem que Eu te tenha acusado…A  tua consciência te diz se és tu ou não. Não vale a pena enganá-la…, porque ela não se deixa enganar!

Todos suspeitam de Judas, mas Pedro é o que suspeita mais, pois Judas Iscariotes nunca lhe caiu no goto! João recebe um recado de Pedro para que pergunte directamente a Jesus, sobre Cujo peito apoia a cabeça, conseguindo falar com Jesus sem que ninguém mais ouça o que quer que seja.

João – Quem é, Senhor?

Jesus – Aquele a quem Eu der um bocado de pão (não consagrado) passado neste molho!…. (Cortando um pedaço de um pão inteiro, Jesus  banha-o no molho). Toma, Judas! Tu aprecias muito isto!

Judas – Obrigado, Mestre, pela Tua simpatia para comigo. Sim, gosto muito!

Enquanto ele come o pão avidamente, João sente-se horrorizado, tapa os olhos e soluça, em contraste com o satânico sorriso de Judas Iscariotes…

Jesus – Judas, agora que Eu já fiz por ti tudo o que podia…vai tu fazer o que ainda tens a fazer lá fora…E o que tens a fazer fá-lo depressa!

Judas – Está bem, Mestre! Eu cumpro as Tuas ordens! Depois nos encontraremos no Getsémani, porque Tu vais para lá, como sempre, não é verdade?

Jesus – Sim,… vou para lá,… como sempre…

Enquanto Judas se levanta, põe o manto e se prepara para sair:

Pedro – Mas onde é que ele vai sozinho? E a fazer o quê? Um de nós não pode ir com ele?

Judas –  Ouve lá! Eu já não sou criança e sei governar-me sozinho!

Jesus – Pedro, deixa-o! Ele e Eu sabemos o que vai fazer.

Pedro – (Vítima de uma terrível suspeita, sente remorsos…E se julgou mal?…) Está bem, Mestre, mas…

Jesus – (Em segredo a João, apoiado no Seu peito) Não digas nada a Pedro, por agora. Ele poderia armar aqui um escândalo desnecessário.

Judas – Adeus, Mestre! Adeus, amigos!

Jesus – (Triste) Adeus, Judas!

Judas saiu dali e dirigiu-se directamente ao Templo para informar os seus amigos sobre a possibilidade de apanharem Jesus no Getsémani naquela noite e receber os trinta dinheiros contratados pela traição, a qual se consumou com o tristemente famoso beijo ao seu Mestre, umas horas mais tarde, no Jardim das Oliveiras. Para sempre lá ficou a ecoar o lânguido suspiro do nosso Redentor: “Amigo, com um beijo entregas o Filho do Homem!?”. Assim foi!

(1)   – Esta foi a primeira Comunhão mal feita, o primeiro sacrilégio dos muitos que passaram a ser feitos até aos dias de hoje. S. Paulo diz-nos quais são as consequências de uma Comunhão em pecado mortal: “ Todo aquele que comer o Pão (consagrado) ou beber o cálice (com o Vinho consagrado) do Senhor, será réu do Corpo e do Sangue do Senhor. Portanto, examine-se cada um a si próprio e só então coma deste Pão e beba deste Vinho, pois aquele que o come e bebe sem distinguir o Corpo e o Sangue do Senhor, come e bebe a sua própria condenação (eterna).  Por causa disto há entre vós doentes e muitos morrem” (1 Cor 11, 27 – 30).

Era a esta trágica realidade que o Anjo de Portugal se referia quando convidou os Pastorinhos a consolar o nosso Deus pelos sacrilégios e ultrajes…com que Ele é ofendido.

Convém saber (ou lembrar) que não deve ir à Comunhão todo o baptizado que estiver em pecado grave, também chamado mortal. O arrependimento sincero, a promessa firme de emenda e a Confissão sacramental anulam o impedimento. Em casos de católicos em situações de adultério, divorciados vivendo com outros que não sejam  os seus cônjuges, uniões de facto, uniões homossexuais, situações de pedofilia, casamentos apenas pelo civil,  negação de verdades da Fé (seitas), actividades espíritas, bruxarias, ocultismo, maçonaria, defesa e propagação de ideologias ou doutrinas  condenadas pela Igreja ou em outras situações de pecado contínuo…a Comunhão está proibida a quem estiver nestas situações e a Confissão também, se a pessoa não estiver disposta a romper radical e definitivamente com a situação de pecado. Os que vivem nestas situações costumam consolar-se acusando a Igreja de ser demasiado severa…mas a Doutrina é de Cristo e tudo isto entronca no cumprimento dos Dez Mandamentos ou no seu desprezo. Na categoria de ultrajes entram os pecados que têm a ver com o desvio de Hóstias consagradas por pessoas que se apresentam à Comunhão e depois…enfiam a Hóstia num lenço ou num bolso e levam-Na para fora, para a vender ou para a utilizar em bruxarias ou em rituais satânicos.

Assunto para pensar!

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Ezequiel Miguel

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Exulta, filha de Sião! Eis que o teu Rei vem a ti!

(Realidade & ficção)

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Ramos13Exulta, filha de Sião! Grita de alegria, filha de Jerusalém! Eis que o teu rei vem a ti! Ele é justo e vitorioso, humilde, montado sobre um jumentinho, filho da jumenta (Zac 9,9).

Aproximava-se a Páscoa dos Judeus, aquela escolhida nos planos divinos para nela chegar ao fim a pregação do Reino de Deus e consumar a redenção do mundo por Jesus Cristo.

Os apóstolos andavam a ficar nervosos com a intenção que Jesus manifestava de deixar a Galileia e ir meter-se na toca dos lobos, em Jerusalém, já com a cabeça a prémio, em virtude de decisão do Sinédrio, que mandara publicar que quem soubesse por onde Ele andava, deveria comunicá-lo, para que fosse preso. Entretanto, Judas Iscariotes ia avisando o Sinédrio a respeito das intenções do Mestre de ir para aqui ou para ali, por isso, fazia frequentes perguntas, aparentemente inocentes e ingénuas, mas que claramente tinham a intenção de captar informação de interesse para os inimigos de Jesus.

Com a argumentação de que Lázaro tinha morrido, Jesus fez por convencer os Apóstolos da absoluta necessidade de irem para Betânia, a três quilómetros de Jerusalém, com o objectivo de ressuscitar Lázaro. Os apóstolos deixaram-se aparentemente convencer que tinha de ser assim, embora questionando-se se o Mestre não poderia ressuscitar Lázaro mesmo à distância. Perante a insistência de Jesus, eles convenceram-se mesmo que Jesus iria entregar-se à morte, o que levou Tomé a opinar: “Vamos e morramos com Ele” (Jo 11,16)!

Em Betânia, Jesus ressuscitou Lázaro à vista de amigos e inimigos, convertendo à Sua causa muitos Judeus, como os evangelhos afirmam. Mas outros não acreditaram, apesar de terem mesmo visto Lázaro a sair do túmulo enfaixado, de pés atados e cabeça coberta, após taparem o nariz por causa do mau cheiro, apesar de disfarçado pelos unguentos e perfumes. Pouco tempo depois, o Sinédrio não demorou a enviar espiões a casa de Lázaro, para saberem se Cristo estava realmente hospedado em sua casa e também para puxarem pela língua de Lázaro sobre o fenómeno da sua própria ressurreição, que alguns hoje alcunham de reanimação, quer dizer, trazer novamente a alma ao corpo.

Era uns dias antes do nosso Domingo de Ramos. Jesus escolhera refugiar-se em casa de Lázaro, para preparar a Sua última semana na Terra e tomar as últimas disposições que se impunham perante o grande acontecimento da Sua iminente Paixão, Morte e Ressurreição. Durante esses dias, Jesus e Lázaro tiveram longas conversas a sós. Eis uma delas:

Lázaro – Senhor, porque me fizeste voltar a esta vida?

Jesus – Por vários motivos, que passo a explicar-te:

1. Eu seria ingrato para contigo e tuas irmãs, se recusasse fazer por vós o que fiz, pois a Mim não Me custa nada fazer isso, porque sou o Senhor da vida e da morte. As tuas casas foram o meu principal apoio no Meu apostolado e em vós Eu tive amigos sinceros, discípulos convictos e sempre prontos a gastar Comigo e com os Meus discípulos tudo o que fosse necessário nestes três anos da Minha pregação. Esta tua casa foi sempre um refúgio seguro contra os Meus inimigos, tal como agora é. Foi uma maneira de vos recompensar e de algum modo retribuir-vos a alegria que sempre Me destes quando aqui ou em outros lugares Me recebíeis.

2. Chamei-te de novo à vida porque nestas horas amargas, nestas horas de trevas e abandono que vão passar por Mim, Eu preciso de vós como verdadeiros amigos, em cuja casa posso alimentar-Me, descansar e preparar-Me para o que se aproxima. Vai chegar a Minha hora, a hora que o Pai Me marcou para consumar a maior obra da Criação, a redenção do Homem.

Lázaro – Mas, Senhor, Tu tens mesmo de Te entregar nas mãos dos Teu inimigos? Não haverá outro modo de terminares essa Tua grande missão?

Jesus – Não, Lázaro! Tem de ser assim como te digo! Quando o Pai perguntou: “Quem enviarei…” (Is 6,8)? Eu ofereci-Me, em nome do infinito Amor que circula entre Nós e o Homem, a criatura saída do nada à nossa imagem e semelhança, e cujo fim último é o regresso à casa do Pai. Em breve se cumprirão todas as profecias saídas dos profetas e dos salmistas.

Lázaro – Mas, Senhor, Tu sabes que eu tenho influência junto dos Romanos e a uma palavra minha, ninguém Te tocará, porque eles serão capazes de Te proteger contra todos os teu inimigos!

Jesus – Bateste no ponto crucial e agora menciono-te mais um motivo por que te ressuscitei:

3. Exactamente para impedires as tuas irmãs de intercederem por Mim junto das autoridades romanas. Quero que uses a tua influência sobre elas para que não façam nada que possa estorvar o que tem de ser feito, pois eu vim à Terra para isso e essa é a vontade do Pai e a Minha.

Lázaro – Mas eu…

Jesus – Também de ti Eu exijo que fiques quieto, que não saias de casa nesses dias, a não ser por motivos pessoais, que não recebas nenhum dos meus discípulos, pois sei que eles depositarão em ti a esperança de um resgate e até pensarão em Me raptar, quando concluírem que será a última medida para Me livrarem dos Meus inimigos. Nessa hora, eles sentir-se-ão perdidos, tal como diz o profeta: “Ferirei o Pastor e as ovelhas dispersar-se-ão” (Mt 26,31)

Lázaro – (Chorando) Senhor, Tu exiges-me isso?! Que amigo serei eu, se não posso ajudar o Meu Amigo quando Ele está num perigo mortal? Senhor, uma ida minha a Pilatos e…

Jesus – Nem penses, Lázaro! Se és Meu amigo, não apoies os intentos de Satanás, pois ele, por um lado, quer impedir-Me, mas, por outro, tentará tirar proveito do Meu sofrimento e reforçá-lo, como vingança. Mas peço-te uma coisa, para te compensar por esta proibição: Naquelas horas, une-te espiritualmente às orações da Minha Mãe, para que alguma força chegue até Mim, nessas horas em que o Pai Me vai abandonar. Também a Minha Mãe vai sofrer os ataques de todo o inferno contra a sua fé na Minha ressurreição, pois, como co-redentora, também o Pai e os anjos que a guardam a irão abandonar, deixando-a em atroz sofrimento. O inferno Lhe dirá que estará tudo pedido, que nada valeu a pena, que foi tudo um engano e que não tenha ilusões, por que ele não ressuscitará.

Lázaro – Mas isso vai ser horrível!

Jesus – Vai mesmo, Meu amigo! Mas o Pai também A escolheu para ter a Sua parte na Redenção. Vai cumprir-se Nela a profecia de Simeão, quando Ela Me apresentou no Templo: “…Uma espada de dor vai trespassar-te o coração…” (…) A espada vai começar a enterrar-se no Seu Coração e lá ficará enterrada até que Eu ressuscite, ao 3º dia.

Lázaro – Senhor, eu vejo em Ti uma profunda tristeza, como nunca vi! É só por causa do que se aproxima?

Jesus – Não, Lázaro! (Chora…) Se tu soubesses , Lázaro!…

Lázaro – Tu, Senhor, a chorar?

Jesus – Sim, meu amigo! E não é por causa daquilo que Me espera! É por causa de um dos Meus, um daqueles, como diz o profeta, que come comigo à mesa (Lc 22,21)

Lázaro – Atrevo-me a dizer que é Judas Iscariotes!

JesusEsse mesmo! Quantas lágrimas Eu não derramei já por sua causa!

Lázaro – (Chorando e ajoelhando-se aos pés de Jesus) Ó Senhor!…O meu Deus a chorar! Como posso segurar as minhas lágrimas quando vejo as Tuas! Ó mistério insondável!

Jesus – Eu vim para redimir todos os homens, mas não consigo que Judas aproveite do Meu Sangue! Até já Me ajoelhei a seus pés,…tudo para que aceite os Meus argumentos em seu favor, mas…nada! Não consigo demovê-lo de cumprir aquilo que já prometeu ao Sinédrio. Por seu intermédio vai cumprir-se a profecias de Isaías de vender o Servo de Yahweh por trinta dinheiros. O contrato está feito! Eu só precisava que ele dissesse: “Sim, quero libertar-me das garras de Satanás!” Mas não consegui e ele vai perder-se. E logo um dos Meus (chora)!

Lázaro – Mas, Senhor, Tu podes tudo! Não poderás mudar-lhe a vontade, como mudaste à minha irmã Maria?

Jesus – Não, meu amigo! Ele entregou a sua vontade a Satanás, que já incarnou nele e agora é Satanás que fala por ele. Já são dois em um!

Lázaro – Mas Tu não tens poder sobre os possessos e sobre os demónios?

Jesus – Tenho, mas Judas não está possesso! Ele não quer mesmo o que Eu lhe proponho. Já lhe propus que recuse voltar a encontrar-se com o Sinédrio, refugiando-se mesmo em tua casa, mas ele recusou e continua a recusar. Aguentar Judas durante estes três anos custou-me mais do que me vai custar o que se aproxima de Mim. Já imaginaste, Eu, a pureza e santidade absolutas, a ter de conviver com alguém entregue à hipocrisia, à mentira, à imoralidade, ao espiritismo, à prostituição, à traição,… ao ponto de ir cometer o delito dos delitos: trair o seu Deus! Eu te digo: Se o inferno não tivesse sido criado para os anjos caídos, teria sido criado para ele! Não imaginas o Meu sofrimento, que abre as comportas das minhas lágrimas. Para ele não valerá de nada Eu ter vindo !

Lázaro – Senhor, ocorreu-me a ideia: Se, naquelas horas, os teus discípulos vierem pressionar-me para dar algum passo em Teu favor, que deverei fazer?

Jesus – Na próxima vez que fores a Jerusalém, tu irás encontrar o João, que vai mesmo pressionar-te para ires falar com Pilatos. Tu vai dizendo: “Não posso!” Por fim, se ele não te largar, diz-lhe simplesmente: “ O Mestre proibiu-me de interferir”! Nessa altura, ele compreenderá porquê e fará tudo para conter os outros, sobretudo o impetuoso Simão Pedro. Agora, chegou o momento de te dizer mais alguma coisa: Eu vou fazer uma entrada solene, triunfal, em Jerusalém, para cumprir mais uma profecia, que diz: “Alegra-te, Jerusalém, porque o teu Rei vem a ti, montado num jumentinho”(Zac 9,9) ! E sou Eu que te faço mais um pedido: avisa os Meus discípulos, aqueles que encontrares, e diz-lhes que dentro de três dias, espero por eles aqui, com ramos de palmeira, para entrarem comigo em Jerusalém. E que avisem também os de Jerusalém e arredores, para que façam o mesmo! …Estás a questionar-te: “Porquê isso, se tudo já está acertado quanto ao que O espera”? Vou dizer-te: Para cumprir a profecia, para dar a Jerusalém e ao Sinédrio uma última prova de que Eu sou o Messias esperado, o seu Rei, para fortalecer na fé todos aqueles que Me seguem, para convencer os da última hora, os indecisos, os que ainda têm dúvidas,…Quero dar-lhes a oportunidade de glorificarem o Messias, o verdadeiro Rei de Israel, antes que as trevas caiam sobre Ele.

Lázaro – No fim, Senhor?… (Chora)

Jesus – No fim, Lázaro, como está escrito, serei preso, maltratado, sofrerei, morrerei crucificado e ressuscitarei ao 3º dia, pois Eu sou a Ressurreição e a Vida, tal como disse às tuas irmãs.

Lázaro – E depois,…que serviço esperas de mim e das minhas irmãs?

Jesus –Tu serás ordenado sacerdote e bispo e a Gália espera por ti. As tuas irmãs irão contigo e Eu estarei sempre convosco!

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Ezequiel Miguel

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(Confira: Jo 11, 1-57)

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Lazaro30I – Morte e ressurreição de Lázaro

  Estava doente um homem chamado Lázaro, de Betânia, terra de Maria e de Marta, sua irmã. Maria cujo irmão, Lázaro, tinha caído doente, era aquela que tinha ungido os pés do Senhor com perfume e lhos tinha enxugado com os seus cabelos. Então, as irmãs enviaram a Jesus este recado:

Mensageiro – Senhor, aquele que amas está doente!

Jesus – Esta doença não é de morte, mas sim para a glória de Deus, manifestando-se por ela a glória do Filho de Deus.

Pedro – Mestre, vamos já para Betânia, em socorro dos nossos amigos Lázaro, Marta e Maria?

Jesus – Não, não vamos já! A seu tempo iremos. Já ouvistes que a sua doença não é de morte, por isso, continuaremos a cumprir a nossa missão aqui.  Ficaremos aqui mais dois dias!

Passados dois dias:

Jesus -  Vamos outra vez para a Judeia!

João – Mestre, há pouco os Judeus tentavam apedrejar-te e Tu agora queres ir outra vez para lá?

Jesus – Não tem o dia doze horas? Se alguém anda de dia, não tropeça, porque tem a luz deste mundo. Mas, se andar de noite, tropeça, porque não tem a luz com ele. O nosso amigo Lázaro está a dormir, mas Eu vou lá acordá-lo.

André – Mestre, se ele dorme, vai curar-se!

Jesus – Lázaro morreu! E Eu, por amor de vós, estou contente por não ter estado lá, para assim poderdes crer. Mas vamos ter com ele!

Tomé – Vamos nós também, para morrermos com Ele!

Em Betânia (a três quilómetros de Jerusalém):

Ao chegar, Jesus encontrou-o sepultado havia quatro dias.

Marta – Senhor, se Tu cá estivesses, o meu irmão não teria morrido! Mas, ainda agora, eu sei que tudo o que pedirdes a Deus, Ele to concederá.

Jesus – O teu irmão ressuscitará!

Marta – Eu sei que ele há-de ressuscitar na ressurreição do último dia!

Jesus – Eu sou a Ressurreição e a Vida. Quem crê em Mim, mesmo que tenha morrido, viverá!

E todo aquele que vive e crê em Mim, não morrerá para sempre. Crês nisto?

Marta – Sim, ó Senhor, eu creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus que havia de vir ao mundo.

Jesus – Então, vai chamar a tua irmã!

Ainda antes de entrar na aldeia de Betânia:

Maria – (Ajoelhada aos pés de Jesus)  Senhor, se Tu cá estivesses, o meu irmão não teria morrido!

Jesus (Comovido por ver tantas lágrimas à Sua volta) – Onde o pusestes?

Marta – Senhor, vem e verás!

Então, Jesus começou a chorar.

1º Judeu – Vede como era seu amigo!

2º Judeu – Então, este que deu a vista ao cego não podia também ter feito com que Lázaro não morresse?

Jesus – (Suspirando) Vamos até ao túmulo de Lázaro!….Tirai a pedra!

 Marta – Senhor, já cheira mal, pois já é o quarto dia!

Jesus – Eu não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?   (Após a abertura do sepulcro e erguendo os olhos ao céu): Pai, dou-Te graças por Me teres atendido. Eu já sabia que sempre Me atendes, mas Eu disse isto por causa da gente que me rodeia, para que venham a crer que Tu Me enviaste!…(Bradando com voz forte): Lázaro, vem cá para fora!

“O que estava morto saiu de mãos e pés atados com ligaduras e o rosto envolvido num sudário.

Jesus – Desamarrai-o e deixai-o ir!”

II – Alarme no Sinédrio

“ Então, muitos dos Judeus que tinham vindo a casa de Maria, ao verem o que Jesus fez, creram nele. Alguns deles,  porém, foram ter com os fariseus e contaram-lhes o que Jesus tinha feito. Os sumos sacerdotes e os fariseus convocaram então o conselho.

Anás– Que havemos nós de fazer, dado que este homem realiza  muitos sinais miraculosos? Se o deixarmos assim, todos irão crer nele e virão os romanos e destruirão o nosso Lugar santo e a nossa nação?

Caifás – Vós não entendeis nada, nem vos dais conta de que vos convém que morra um só homem pelo povo, e não pereça a nação inteira!

E a partir desse dia, resolveram dar-Lhe a morte. Por isso, Jesus já não andava em público, mas retirou-se dali para uma região vizinha do deserto, para um cidade, chamada Efraim, e lá ficou com os discípulos.

Estava próxima a Páscoa dos Judeus…Procuravam então Jesus e perguntavam uns aos outros no Templo: Que vos parece? Ele virá à Festa? Entretanto, os sumos sacerdotes e os fariseus tinham dado ordem de que se alguém soubesse onde Ele estava, o indicasse, para O prenderem.”

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Considerações:

1. Vem ao caso perguntar: Onde estariam as almas  dos Justos antes de Jesus  morrer e  ressuscitar? Não estavam certamente no paraíso, uma vez que ele não fora aberto antes da  morte de Jesus. É o que quer dizer o Credo, quando dizemos: ” Desceu aos infernos e subiu ao Céu, onde está sentado à direita de Deus Pai, de onde há-de vir para julgar os vivos e os mortos”. Os infernos é o lugar inferior, o reino dos mortos, o Hades. A Igreja ensinava que os que morriam sem pecado iam para o Limbo. Recentemente, eliminou essa palavra do Catecismo. Cristo dizia que os justos iam para o “Seio de Abraão”. Com a morte e a ressurreição de Cristo os Justos do Limbo subiram ao Paraíso, reaberto por Cristo, o Primogénito dos mortos e dos ressuscitados.

2. Neste episódio, além da ressurreição de Lázaro, que estaria necessariamente no “Seio de Abraão”, porque era um Justo, confirma-se a Ressurreição Final de todos os humanos falecidos, seguida do Juízo Final, em que, após a sentença definitiva, os corpos ressuscitados irão acompanhar as almas a que estiveram associados. Esta Verdade é Dogma de Fé e consta do Credo, ficando herético quem a negar. S. Paulo diz que os que estiverem vivos nessa ocasião serão transformados e aguardarão a sentença final, tal como os ressuscitados. Assim voltarão a unir-se: a alma, ao seu único corpo e o corpo, à sua única alma.  Se é adepto da crença na reencarnação, deite essa ideia da cabeça para fora e não a divulgue, pois é um disparate monstruoso, divulgado pelo Espiritismo. Além disso, a Igreja, assim como a Bíblia, condena todas as formas de espiritismo e excomunga quem se mete nele, quem o divulga e quem o apoia, seja de que maneira for. Espero que não seja o seu caso!… Se for, enterre essa ideia e fuja quanto antes!

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Ezequiel Miguel

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Vai lavar-te à piscina de Siloé

(Confira: Jo 9, 1-40)

Personagens: Jesus, discípulos, Cego, vizinhos, fariseus

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Siloe30Ao passar, Jesus viu um homem, cego de nascença. Os seus discípulos perguntaram-lhe:
Discípulos- Rabi, quem foi que pecou para este homem ter nascido cego? Ele, ou os seus pais?
Jesus – Nem pecou ele nem os seus pais, mas isto aconteceu para nele se manifestarem as obras de Deus. Temos de realizar as obras Daquele que Me enviou enquanto é dia. Vem aí a noite, em que ninguém pode actuar. Enquanto estou no mundo, sou a Luz do mundo.
Dito isto, cuspiu no chão, fez lama com a saliva, ungiu-lhe os olhos com a lama e disse-lhe:
Jesus – Vai lavar-te na piscina de Siloé!
Ele foi, lavou-se e regressou a ver. Então, os vizinhos e os que costumavam vê-lo antes a mendigar perguntavam:
1º vizinho – Não é este o que estava por aí sentado a pedir esmola?
2º vizinho – É ele mesmo!
3º vizinho – De modo nenhum! É outro parecido com ele!
Cego – Sou eu mesmo!
4º vizinho – Como foi que os teus olhos se abriram?
Cego – Esse homem que se chama Jesus fez lama, ungiu-me os olhos com ela e disse-me: “Vai à piscina de Siloé e lava-te!” Então, eu fui, lavei-me e comecei a ver!
5º vizinho – Onde está Ele?
Cego – Não sei!
Levaram o cego aos fariseus. O dia em que Jesus tinha feito lama e lhe abrira os olhos era sábado:
1º fariseu – Como é que tu começaste a ver?
Cego – Ele pôs-me lama nos olhos, lavei-me e fiquei a ver!
2º fariseu – Esse homem não vem de Deus, pois não guarda o sábado!
1º vizinho – Como pode um homem pecador realizar semelhantes sinais miraculosos?
3º fariseu – E tu que dizes dele, por te ter aberto os olhos?
Cego –É um profeta!
4º fariseu – Nós não acreditamos que tu tivesses nascido cego e agora vês! Vamos chamar os teus pais e tirar as coisas a limpo….Vós, aí, sois realmente os pais dele? É este o vosso filho, que vós dizeis ter nascido cego? Então, como é que ele agora vê?
Pais – Nós sabemos que este é o nosso filho e que nasceu cego! Mas não sabemos como é que ele agora vê, nem quem foi que o pôs a ver! Perguntai-lhe a ele! Já tem idade para falar de si!
5º fariseu – Dai glória a Deus! Quanto a nós, o que sabemos é que esse homem é um pecador!
Cego – Se é um pecador, não sei! Só sei uma coisa: que eu era cego e agora vejo!
1º fariseu –O que é que ele te fez? Como é que ele te pôs a ver?
Cego – Eu já vo-lo disse! Porque desejais ouvi-lo outra vez? Será que também quereis fazer-vos seus discípulos?
Fariseus – Discípulo dele és tu! Nós somos discípulos de Moisés, mas, quanto a esse, nós não sabemos de onde é!
Cego – Ora, isso é que é de espantar: que vós não saibais de onde ele é e me tenha dado a vista! Sabemos que Deus não atende os pecadores, mas se alguém honrar a Deus e cumprir a sua vontade, Ele o atende. Jamais se ouviu dizer que alguém tenha dado a vista a um cego de nascença. Se este não viesse de Deus, não teria podido fazer nada!
Fariseus – Tu nasceste coberto de pecado e dás-nos lições? Põe-te já fora daqui e vai pregar para outro lado, pois não acreditamos em nada do que dizes! És um farsante, um mentiroso, um intrujão, um ignorante a armar-se em doutor da lei!
E puseram-no fora. Pouco tempo depois:
Jesus – Sei que te expulsaram. Diz-me: Tu crês no Filho do Homem?
Cego – E quem é, Senhor, para que eu creia Nele?
Jesus – Tu já O viste! É Aquele que está a falar contigo!
Cego – (Ajoelhando-se) Eu creio, Senhor!
Jesus – Eu vim a este mundo para proceder a um juízo: de modo que os que não vêem vejam, e os que vêem fiquem cegos.
Fariseus – Porventura nós também somos cegos?
Jesus – Se fosseis cegos, não estaríeis em pecado; mas, como dizeis que vedes, o vosso pecado permanece.

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Observações–
1 . Como se entende esta última frase de Jesus? No sentido em que Ele fala, quem são os cegos e quem são os que vêem? Dito de outro modo: Quem são os que, vendo, são cegos e os que, não vendo, passam a ver?
Tem que se entender, necessariamente, no plano espiritual e doutrinal. Aqui, fala-se de dois tipos de cegos e dois tipos de não cegos. Partindo da cura de um cego físico, porque os seus olhos corporais não viam, Jesus salta para outro plano, outra realidade, referindo-se àquela em que se moviam os fariseus e a outras autoridades religiosas dos Judeus, dando a entender que a cegueira espiritual deles era voluntária, em oposição à cegueira corporal, involuntária, do cego, que não fizera nada para o ser.
2 . A cegueira voluntária dos fariseus consistia em serem espiritualmente tão cegos que recusavam ver, aceitar, reconhecer as obras de Cristo, nomeadamente os seus estrondosos e públicos milagres, pois, se os aceitassem, teriam de ser coerentes e intelectualmente honestos para verem em Cristo o Messias, o que alteraria por completo as suas vidas de “fariseus hipócritas”, como Cristo os chamou. Mas eles e outros preferiam continuar cegos, buscando para isso os necessários argumentos para se autoconvencerem e continuarem na sua cegueira, mesmo à custa de pecado, ao atribuírem os poderes miraculosos de Cristo aos demónios, nomeadamente a Belzebú, caindo assim num pecado contra o Espírito Santo, que, como Cristo também disse, não teria perdão durante a vida nem depois da morte.
3 . Estas atitudes têm implicações medonhas também no nosso tempo! Todos aqueles que abandonaram a Igreja Católica, ou que se recusam a entrar nela, atiram-se /atiraram-se para a multidão dos cegos a que Cristo se referia, porque, em seu orgulho, pensam que vêem, …e dali não passam, mesmo que a Verdade lhes entre pelos olhos dentro. Consolam-se atirando para o caixote do simbolismo tudo o que lhes custa a crer. Pairam na corda bamba, fingindo não acreditar nos precipício à esquerda e à direita. Vejam-se na Bíblia passagens claras, límpidas, irrefutáveis, imutáveis, eternas,…que a soberba e a cegueira humanas se atrevem a pôr em dúvida, a distorcer ou a negar em absoluto, modificando-as a gosto para se tragarem melhor:
. Esta é a Minha Igreja e as portas do Inferno não levarão a melhor sobre ela! ( Igreja única )
. Aquele sobre quem a minha Igreja cair ficará esmagado (Poder de excomunhão)
. Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja – (Instituição do primado de Pedro e seus sucessores como chefias da igreja Única de Cristo)
.Tu és Pedro e sobre esta pedra construirei a minha Igreja… Dar-te-ei as chaves do Reino do Céu (a Igreja); o que atares na terra será atado no céu e o que desatares na Terra será desatado no Céu (Mt 16,18-19) – (Dogma da infalibilidade pontifícia em matéria de Fé, sacramentos, costumes, indulgências, culto, devoções, imagens, bênçãos etc.)
. Ide…perdoai os pecados! Aqueles a quem os perdoardes ficarão perdoados; aqueles a quem os não perdoardes não ficarão perdoados (Jo 20, 23) – (Sacramento da Penitência ou Confissão sacramental individual, meio ordinário para o perdão dos pecados).
. Isto é o Meu Corpo… que vai ser entregue por vós. …Isto é o Meu Sangue…que vai ser derramado por vós! Fazei isto em memória de Mim!…(Instituição da Eucaristia e do Sacerdócio da Nova Aliança). Ver, entre outras passagens bíblicas: 1 Cor 11,23-29.
Se quem lê é destes cegos voluntários, aqui lhe fica o exemplo deste cego (não voluntário) de nascença. Entre ou reentre na Igreja Católica, pois ela é a verdadeira piscina de Siloé para todo o tipo de cegueira doutrinal e espiritual. Peça a Deus a cura da cegueira espiritual e doutrinal e, depois, diga como o cego de que se fala: “Eu creio, Senhor”! E a sua vida mudará, passando a ver o que hoje não vê. Não seja daqueles que busca argumentos falsos, como os fariseus deste episódio bíblico, para não acreditar naquilo que entra pelos olhos dentro!

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Ezequiel Miguel

 

 

Nota

Jesus e a Samaritana (Jo 4, 4-38)

(Realidade & Ficção)

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“Chegou, pois, a uma cidade da Samaria, que se chama Sicar, junto da herdade que Jacob deu a seu filho José. Ora, havia ali um poço, chamado a fonte de Jacob. Fatigado do caminho, estava Jesus sentado sobre a borda do poço. Era quase a hora sexta” (Jo 4, 5-6)

Cristo : – Vamos parar aqui. Vós ide à cidade e comprai o que é preciso para o almoço.

João – Vamos todos?

Cristo – Sim, João. É bom andardes em grupo.

João –  (Receoso pela segurança do Mestre…)E Tu ficas aqui sozinho? Vê lá! Eles são Samaritanos, inimigos dos Judeus!

Cristo – Não serão piores que os meus inimigos judeus. Ide, fico aqui a rezar por vós e por eles.

Os discípulos saem, um tanto contrariados, hesitantes, olhando para trás, para o Mestre, alimentando alguns receios secretos…Cristo tira o manto da cabeça, senta-se junto ao poço, num muro baixo, coloca o manto sobre o regaço, apoia os cotovelos sobre os joelhos, mãos juntas para a frente e cabeça curvada para o chão. Entretanto, surge uma mulher, de nome Dina, de 30-35 anos, que vem ao poço, trazendo uma ânfora vazia, segurando uma asa com mão esquerda, e com a direita afasta o véu, num gesto de surpresa, para ver o Homem que ali está sentado. Jesus sorri para ela e saúda-a:

CristoA paz esteja contigo, mulher! Podes dar-me de beber? Caminhei muito, estou cansado e com sede.

Dina – Oh! Tu não és Judeu? E pedes-me de beber a mim, que sou Samaritana? Que terá acontecido? Será que já foram feitas as pazes entre nós? Algo de grande aconteceu, se um Judeu fala educadamente com uma Samaritana. Mas eu devia dizer-Te (arrogante e irritada…): Não Te dou água, para castigar em Ti todas as patifarias que os Judeus nos têm feito ao longo  dos séculos! E até teria muito prazer em ver-Te aqui morrer à sede! E não só a Ti, mas a todos os Judeus!

Cristo – Disseste bem! Aconteceu realmente algo de grande, que muitas coisas já mudou e outras vai mudar. Deus ofereceu um grande dom ao mundo. Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é Aquele que te diz:”Dá-me de beber!”, talvez tu mesma Lhe pedisses de beber e Ele te daria água viva. Então, tu própria te tornarias uma fonte de água viva a jorrar para a vida eterna.

Dina – A água viva está nos lençóis subterrâneos que alimentam este poço, que é nosso (dito em tom zombeteiro, orgulhoso e levando a palma da mão direita ao peito…)! Mas esta água está funda e Tu nem sequer tens com que a tirar. Como é que Tu me podes dar dessa água de que falas? Será que  vais fazer um milagre para a transformar e fazê-la vir cá acima por si mesma? Este poço foi mandado construir por nosso Pai Jacob e não há por aqui outra água como esta. Como é que Tu me vais dar de outra água? Não compreendo!

Cristo – A água é de Deus! É Ele que a dá a todos os Seus Filhos, assim como lhes dá a vida, os alimentos, as árvores, os frutos, a chuva, o sol, o dia, a noite,…Tudo é de um único Deus, mulher, e todos os homens vêm de um único Deus, tanto os Samaritanos como os Judeus. Este poço é de Jacob, como dizes. E Jacob não é a cabeça dos nossos povos? Portanto, temos uma origem comum, apesar de alguém nos ter levado à separação.

Dina –  (Em tom agressivo e irónico). Queres então dizer que a culpa é nossa, não é? Tinha que ser! Nós é que somos os culpados, claro, e vós, os Judeus, os inocentes, os anjinhos puros!…

Cristo – Mulher, Eu não te ofendo nem ofendo a tua raça. Porque és agressiva para Comigo?

Dina – Tu és o primeiro Judeu que ouço falar assim. Os outros…(faz um gesto de repulsa) só valorizam a nossa água e a nossa fonte de Jacob, de água pura, fresca, cristalina. Parece que é a única coisa boa que encontram em nós!

Cristo – Quanto à vossa água maravilhosa, é mesmo como dizes. Mas quem bebe desta água ficará ainda com sede. Eu, porém, tenho uma água viva que, quem a beber não sentirá mais sede. Mas é só minha e sou Eu que a dou a quem ma pedir. E em verdade te digo que quem beber da água que Eu lhe der ficará para sempre coberto de orvalho e não terá mais sede, porque a minha água se tornará nele nascente certa, permanente, constante,  eterna.

Dina – Como é isso? Não entendo nada! És porventura um mago? Como pode um homem transformar-se num poço? Estás a gozar comigo! O camelo bebe e faz a sua reserva de água no seu ventre. Mas depois, consome-a e não lhe dura a vida inteira. E Tu dizes que a Tua água dura para toda a vida?

Cristo – Ainda te digo mais: ela jorrará até à vida eterna e dará frutos de vida eterna, porque é uma fonte de salvação.

Dina –Que bom! Se não estás a brincar comigo ou a sonhar, dá-me dessa água, se é verdade que a possuis. Eu canso-me para vir até aqui buscá-la. Se ma deres, não preciso mais de vir aqui, não terei mais sede e não ficarei doente…nem velha…nem morrerei, uma vez que dá vida eterna! Onde a tens e quanto é que eu preciso de pagar por ela?

Cristo – Não pagarás nada por ela, bebas dela a quantidade que beberes!  Mas…diz-me uma coisa: Só de vir aqui a buscar a água é que te cansas? Não andarás também cansada de outras coisas? Só pensas na água para o teu pobre corpo? Existe algo que é mais importante do que o corpo. Tu já viste que canseiras te custam essas pinturas, essas tranças que o teu fino véu deixa ver, esse vestido listrado e multicolor, apertado na cintura, no peito e nas ancas, tudo para realçar a tua sensualidade provocante e pecaminosa? Pecas tu e fazes outros pecar! Já pensaste que serás responsável pelos teus pecados e por todos aqueles que fizeres cometer a outros? Não te preocupa isso? Já tomaste o peso a essa enorme quantidade de anéis, pulseiras, colares, medalhões de várias formas, brincos que agora mesmo brilham à luz do sol? Pareces uma montra ambulante de pesada joalharia e uma feira ambulante de vaidades! Já viste tantos cuidados que dispensas ao teu corpo, que o Pai do Céu te deu tão bem feito,  alto,  moreno, belo,…para com ele O louvares, Lhe agradecer  e pôr ao  serviço da tua alma? É a tua alma, mulher, que tens de tornar bela! Jacob não deu a si mesmo e aos seus somente a água deste poço, mas preocupou-se em dar a si mesmo e aos outros a santidade, que é a água de Deus.

Dina – ( Deixou de ser petulante e irónica. Apresenta-se submissa, confusa e muda o tom de voz e o assunto da conversa) – Vós dizeis que nós somos pagãos…Se isso for verdade, nós não podemos ser santos…porque só o pecado mora connosco!

Cristo – Um pagão também pode ser virtuoso e Deus, que é justo, o premiará pelo bem que tiver feito. Não será um prémio completo, mas  entre um fiel com culpa grave e um pagão sem culpa, Deus será menos rigoroso para com o pagão. Sabendo vós que sois pagãos, porque não vindes ao Deus verdadeiro? (Cristo olha-a nos olhos, enquanto  espera por uma resposta, que não vem… ) Como te chamas?

Dina – Dina!

Cristo – Pois bem, responde-me, Dina! Tu sentes não poder aspirar à santidade porque és pagã, porque andas nas névoas de um antigo erro, como Eu digo?

Dina – Sim, eu sinto que é mesmo assim como dizes!

Cristo  – Então,… porque não vives como uma pagã virtuosa?

Dina – (Confusa, atrapalhada,  olhos no chão, sem palavras para se desculpar…) Senhor!…

Cristo – Não tens nada a dizer?… Vai chamar o teu marido…e volta aqui com ele!

Dina  – ( A sua confusão aumenta) Eu não tenho marido!…

Cristo  – Disseste bem! Não tens marido! Tiveste já cinco maridos e agora tens um contigo que não é teu marido. A tua religião também não aconselha isso!… Vós também tendes os Mandamentos (Decálogo) dados por Deus a Moisés! Porque, então, Dina, vives assim, mergulhada no pecado? Não te sentes cansada dessa canseira de seres carne prostituída para tantos e não a mulher honesta de um só? Não ficas com medo da tua velhice, quando te encontrares sozinha com as lembranças dos teus pecados, as tuas saudades, os teus medos, os teus pesadelos, os teus remorsos, os teus terrores, os teus fantasmas, a incerteza da justiça divina? Como sabes se acordarás viva cada manhã, cá na Terra? O pensamento, a eventualidade da tua condenação eterna não te dá ânimo para levares uma vida honesta, segundo os Mandamentos?

Dina – Senhor, vejo que és  um Profeta!

Cristo – Mulher, Eu sou mais que Profeta!… Onde estão os teus filhos?

Dina – (Baixa a cabeça, olha para o chão …) Não tenho filhos!

Cristo – Não tens, mas já tiveste!…Não os tens nesta Terra, mas as suas pequenas almas, que tu impediste de verem a luz do dia, acusam-te… (Pausado, mas incisivo…) Sempre jóias,…belos e provocantes vestidos,…casa rica,…mesa farta,…festas,…brincos,…colares,…cintos de ouro e prata,…pulseiras vistosas,… mas tu és uma miserável! Sim, há em ti um enorme vazio, lágrimas e muita miséria interior. És uma desorientada, uma perdida, uma barca à deriva,…apesar do teu falso ar de felicidade! Somente com um arrependimento sincero, através do perdão de Deus e do perdão dos teus filhos, poderás vir a ser rica!

Dina –(Sentindo-se incomodada, semblante atingido pela tristeza, lágrimas a aflorar…)Senhor, eu tenho vergonha! É mesmo como dizes!…(tapa o rosto com as mãos para disfarçar o choro…)

Cristo – E do Pai que está nos Céus, tu não tinhas vergonha quando praticavas o mal? Não chores pela vergonha diante do Homem…Vem aqui, Dina, para mais perto de mim (ela senta-se perto de Cristo). Eu vou falar-te de Deus, que talvez não conheças bem e, por isso, tens feito tanta asneira…Se tivesses conhecido bem o verdadeiro Deus, não terias descido tão baixo, pois Ele te teria falado e amparado.

Dina –(Tentando desviar a conversa) Senhor, os nossos pais adoravam Deus neste monte (Garizim). Vós dizeis que só em Jerusalém é que se deve adorar. Mas Tu dizes: Deus é um só. Ajuda-me a ver onde e como devo fazer!

Cristo – Mulher, crê em Mim! Vai chegar a hora, que já começou, em que nem no monte Garizim, da Samaria, nem no monte Sião, de Jerusalém,  o Pai será adorado. Nós adoramos Aquele que conhecemos, porque a Salvação vem dos Judeus, como vieram também os profetas. Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade, não mais com o rito antigo, mas com o novo rito, no qual não haverá sacrifícios e ofertas de animais consumidos pelo fogo, mas Sacrifício eterno da Hóstia Imaculada, queimada pelo Fogo do Amor. Será um culto espiritual do Reino espiritual. Deus é Espírito e aqueles que O adoram devem adorá-Lo em Espírito e Verdade.

Dina – Tu tens palavras santas, nunca ouvidas por aqui!… Eu sei que está para chegar Aquele que  também é chamado o Cristo. Quando vier, Ele nos ensinará todas as coisas. Também por aqui perto anda aquele que dizem ser o seu Precursor. Muitos vão ouvi-lo, mas ele é tão severo!…Diz coisas terríveis! Só falta que mande cair fogo do céu! …Tu és bondoso,…calmo,…compassivo,…tolerante,…não ameaças, não insultas, não metes medo, dizes palavras que que vão direitas como setas, ao nosso coração. Penso que o Cristo também será assim, como Tu!. Dão-lhe o nome de Conselheiro Admirável, Deus Forte, Príncipe da Paz …( Is 9,5) Ainda falta muito para  Ele vir?

Cristo – Eu já te disse que o tempo Dele já chegou e que Ele já está entre vós.

Dina – Como é que o sabes? És porventura um dos seus discípulos? O Precursor tem muitos discípulos, que depois vão ser discípulos do Cristo.  Quem me dera vê-LO!

Cristo – O que farias, se O visses e te encontrasses em frente Dele?

Dina – Isso seria sonhar! Há tantos anos que foi profetizado e calhar-me a mim essa bênção…nem quero crer! Acho que me ajoelharia a Seus pés e lhos beijaria! Depois, pedia-lhe que me limpasse a alma e me aceitasse ao Seu serviço como a mais ínfima das suas servas! …Mas isso…é sonhar demasiado alto! Como eu seria feliz,… feliz,… feliz!… (Olhando para o céu com ar sonhador…)

Cristo – E como achas que será o Cristo, o Messias?

Dina – Penso que será um Homem alto, bonito, de cabelos louros até aos ombros, de olhos azuis, com uma barba dividida a meio, com uma testa grande e saliente, com um porte real, majestoso, com um olhar vivo, límpido e perscrutador, capaz de ver através do opaco, meigo, bondoso, manso, atraente, de sorriso divinal e fazendo covinhas nas faces quando sorri,…tudo assim como Tu!

Cristo – Dina, olha bem para Mim! … Eu, que estou a falar contigo, sou o Cristo Jesus, o Messias!

Dina –(Levanta-se de repente, em grande confusão, com gestos descontrolados, com cara de medo… e mostrando sinais de querer fugir…) Tu!?…Oh!…

Cristo – Espera aí, mulher! Porque foges de Mim?

Dina – Porque tenho nojo de ficar perto de Ti. Tu és santo!…E eu…Eu também fujo de mim!

Cristo –Confia em Mim! Eu sou o Salvador, Aquele que tira o pecado do Mundo. Eu Vim até aqui porque sabia que a tua alma andava cansada e errante e tu andas enjoada do teu alimento venenoso …Eu vim para dar-te um alimento novo que te tirará as náuseas e o cansaço…Olha, lá vêm os meus discípulos de volta, com pão! Mas Eu já estou alimentado por te ter dado as migalhas iniciais para a tua redenção.

Dina – Senhor, Tu não vieste aqui por acaso!…Ajuda-me! Hoje mesmo vou mudar de vida! Não quererás aceitar-me como uma humilde serva ao Teu serviço?

Cristo – A tua hora chegará! Acompanharás outras mulheres na difusão da mensagem que eu venho trazer ao mundo. Há muitas outras ovelhas como tu que precisam dos nossos cuidados.  Aguarda e a seu tempo chegará a tua oportunidade. Por agora, sê apóstola na tua cidade!

Os discípulos chegam, olham intrigados, de soslaio, meio disfarçadamente, para a mulher, mas nenhum diz nada ou pergunta o que quer que seja ao Mestre. Apenas cochicham entre si e se interrogam mutuamente. Dina afasta-se, deixando no local a ânfora vazia, sem mais pensar na água. Pedro interrompe aquele silêncio embaraçoso:

Pedro – Aqui está, Mestre! Eles (habitantes de Sicar) trataram-nos bem. Eis o queijo, o pão fresco, as azeitonas e as maçãs! Serve-te! Aquela mulher fez bem em deixar a ânfora. Assim guardaremos melhor a água e não precisaremos de pedir mais nada aos Samaritanos… Não comes? Eu quis trazer-te peixe, mas não encontrei. Talvez preferisses o peixe. Mas…tens ares de  cansado e  estás pálido!…

Cristo – Eu tenho um alimento que vós não conheceis. Comerei dele e ficarei bem alimentado.

Os discípulos trocam olhares intrigados e interrogadores, cada um fazendo as suas perguntas mudas e olhando à volta para tentar descobrir algo parecido com alimento… Cristo esclarece:

Cristo – O Meu alimento é fazer a vontade Daquele que Me enviou e levar a bom termo a obra que Me entregou. Eu venho fazer a sementeira do Reino. O semeador sempre se alegra com o fruto da sua sementeira. Assim Eu me alegrarei com a colheita que vós ides fazer quando ceifardes e, pelo vosso trabalho, Eu vos compensarei com o devido salário no Meu Reino eterno. Vós só ceifareis, porque o trabalho mais duro Eu já o terei feito. Quando todo o trigo que Eu tiver semeado for por vós ceifado, então se cumprirá a vontade de Deus e Eu me sentarei para o banquete na Jerusalém celeste. Mas… vamos almoçar, pois não tarda muito que os Samaritanos de Sicar apareçam por aí com a Dina. Sede simpáticos e caridosos para com eles! São almas que vêm à procura de Deus, ovelhas tresmalhadas à procura do Pastor.

E. Miguel

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Jesus no Deserto (Cf. Lc 4, 1-13)

(Realidade e ficção)

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Jesus17Os Evangelhos narram que, ao iniciar a sua vida pública, Jesus foi para o deserto e lá permaneceu em jejum e oração durante 40 dias, no fim dos quais teve fome ( Mt 4, 1-2). No deserto havia concavidades e grutas, umas provocadas pela erosão dos ventos agrestes e outras aumentadas e aperfeiçoadas por pessoas que fugiam à justiça que os perseguia pelos seus crimes ou ainda por quem se aventurava a atravessá-lo. Foi numa dessas grutas que Jesus se estabeleceu para o Seu retiro de 40 dias, que o demónio aproveitou para O tentar, de acordo com a narração evangélica.

Todo o deserto atingiu uma alta temperatura e Jesus, pela hora do meio-dia, está sentado à entrada da gruta, sobre uma pedra que também Lhe serve de travesseira durante as poucas horas de repouso.  A Sua atitude é de quem está em oração, com os braços apoiados sobre os joelhos e o rosto apoiado nas mãos, com os dedos entrelaçados. É nesta posição que um viajante beduíno surge em frente Dele e tenta estabelecer a conversa, depois de ter observado a palidez e a magreza do Senhor:

Viajante – Estás sozinho?… (Silêncio)  Como vieste parar aqui ?… Andas perdido? …(Silêncio) Pareces estar a arder em sede. É pena, porque eu já não tenho água no odre. O meu cavalo morreu e eu vou até ao Jordão, onde poderei beber à vontade e encontrarei alguém que me dê um bocado de pão. Vem comigo até lá! Eu sei o caminho, por isso posso ser o teu guia!

Jesus ouve todas aquelas perguntas, sugestões e convites, mas continua em oração e nem sequer levanta o olhar para o forasteiro, sentado em frente Dele. É este comportamento que leva o forasteiro a dar sinais de que é Satanás, passando a agir como tal:

Satanás – Ah! Afinal és Tu! Há que tempos que ando à Tua procura e agora descobri-Te. Já desde o teu Baptismo que tento observar todos os Teus passos. Agora estás para aí em oração ao Eterno? Ele está longe e Tu estás  abandonado, com fome, sede, calor de dia e frio de noite, pálido, fraco, sem forças para Te aguentares nas pernas…Abandonaste o Céu para vires instalar-Te na Terra, entre os homens, perdido no meio deles. Mas fica sabendo que eu é que reino entre eles e são minhas as leis que regem as suas vidas.

 Eu tenho muita pena de Ti, porque vieste sacrificar-Te em vão, pois eles não irão aproveitar nada do que Tu lhes ensinares. Deixa-os comigo, fala-lhes de dinheiro, de comida, de sexo. Essa é a linguagem que eles entendem. Sacrifício, penitência, arrependimento, dor, obediência às Tuas Leis…isso são tudo palavras sem sentido que para eles não significam nada. Eles são ainda mais estéreis que este deserto e que as suas areias e poeiras. Tu, que és a pura Bondade, o perfeito Amor, não merecias isto! Falo-Te assim, porque eu conheço-os melhor do que Tu. Larga-os da mão e deixa que no fim tenham o que merecem! …Fazes mal em não me dares ouvidos…É a minha sabedoria que governa a Terra, por isso conheço todos os truques e trapaças para singrar na vida. Até posso dar-Te umas lições. Tu és jovem e belo, por isso, deves aproveitar o que todos aproveitam e começar por onde todos começam: a mulher! Tu és o Novo Adão e precisas de uma nova Eva. Precisas de saber o que é a sensualidade, para ficares em condições de curar todo o cortejo de miséria moral de que ela (a sensualidade) é a mãe. Basta que as atraias com ouro e poder e terás quantas quiseres! Só assim saberás o que é a vida e só assim poderás curar as doenças da humanidade. Não viste como eu à Eva prometi Poder, Grandeza, Conhecimento, Endeusamento, Glória, …ser igual a Deus? Viste como ela caiu sem pestanejar? O melhor que podes fazer é casar, pois não foi essa a ordem que destes ao primeiro casal: crescei e multiplicai-vos! Mas…deixemos a mulher, que parece não te atrair, talvez porque as privações de alimento te dêem uma visão ofuscada da realidade!

Olha para estas pedras redondas, lisas, luzidias e douradas à luz do sol. Parecem mesmo pães. Basta que digas, como Filho de Deus, “Faça-se!” e elas convertem-se em pães acabadinhos de sair do forno, perfumados e apetitosos. Se quiseres, também destas acácias esturradas podes colher belas maçãs ou tâmaras com sabor a mel. Tu és o Senhor do Universo e podes tudo, se quiseres. Mas Tu não queres. Estás tão fraco que já nem um milagre a Teu favor és capaz de fazer. Pobre Jesus! Mas se Tu não queres, ajuda-me, dá-me o poder e eu farei um milagre por Ti, para Te servir, porque Tu és o meu Deus, com Quem em tempos eu vivi,…tempos de que tenho imensas saudades! Como eu transmitia luz!…Agora sou um carvão negro!…

Jesus – Cala-te! Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que vem da boca de Deus.

Satanás – Está bem! Recusas os meus serviços. Mas vem ver o que acontece na Casa de Deus! Vê como todos aceitam aquilo que Tu recusas, até os mais altos…, o que prova que são homens e não anjos. É a eles que me dá prazer fazê-los cair do pedestal…E eles não se fazem muito rogados! Tu sabes isso tão bem como eu e serão eles os Teus maiores inimigos, aqueles que condenarão o Justo…Para esses terás vindo em vão, porque eu os cegarei, de modo a que não vejam em Ti mais que um arruaceiro, um rebelde, um inimigo da Tua própria Casa, um blasfemador, um inimigo de Israel. Tu irás desmascará-los, os santos de Israel, como eles se intitulam (e solta uma estrondosa gargalhada, após a qual os seus olhos deixaram transparecer  um  ódio de morte…), mas Tu vais pagar por isso um alto preço. Ainda por cima, vens lá de Nazaré…e isso é mais uma pedrada de descrédito a Teu desfavor. Até um daqueles que vais escolher dirá de Ti:” De Nazaré poderá vir alguma coisa boa?”. (Jo 1,46). Tenho pena de Ti! Ainda estás a tempo de desistir e evitar o que Te espera.

A Tua Casa, o Templo, que é a glória de Israel, está transformado numa toca de víboras que tentarão morder-Te sempre que lá puseres os pés, porque serás tido por incómodo…Chegaram ao ponto de fazer da Casa de Teu Pai um local de feira, de vendilhões, de ladrões e sabe-se lá que mais! Até mesmo aqueles com o título de mestres, de doutores,…não tirarão partido dos seus estudos, dos seus cálculos, da análise das profecias…e não chegarão a reconhecer-Te como o Messias, porque eles esperam um Messias que os liberte do domínio dos Romanos…Eles já deturparam tudo a respeito do Messias e já calcaram aos pés o Servo de Iahweh (Isaías 9, 1-6), que lhes diz que o Messias profetizado é um Rei Espiritual, Conselheiro-Admirável, Deus-Forte, Pai-Eterno, Príncipe-da-Paz. Eles não verão em Ti mais que um pobre homem pregando uma doutrina subversiva. Por isso, eles Te matarão e da Tua morte muito poucos aproveitarão ao longo dos séculos e dos milénios.

Jesus – Aproveitarão os que estiverem inscritos no Livro da Vida.

Satanás – Mas o meu Livro da Morte terá muitas mais páginas que o Teu Livro da Vida. Se queres mesmo iniciar a Tua vida pública, entra em grande e manifesta logo Quem realmente Tu és, o Filho de Deus, o Executor da vontade do Pai, o Alfa e o Ómega, o Deus omnipotente perante o Qual tudo e todos se vergam, no Céu, na Terra e nos Infernos! Não entres como um pobre, um solitário, um desconhecido, um fraco, um pelintra que não tem sequer onde dormir! Vem comigo até ao pináculo do Templo e lá daquelas alturas mostra a todos o Teu poder, a tua divindade omnipotente, atrai aqueles milhares de visitantes e perante eles faz um milagre, para que todos vejam, ao deitares-Te dali abaixo, que os teus anjos virão proteger-te, para que os teus pés não se magoem lá em baixo, como está escrito num dos Salmos (Sl 90). Logo ali mostrarás que és Deus e todos te seguirão com entusiasmo. Um  acto destes pode valer mais, para a Tua Causa, do que percorrer muitos quilómetros pelas estradas e caminhos da Palestina.

Jesus – Também está escrito: “Não tentarás o Senhor, teu Deus!”.

Satanás – Compreendo que não queiras fazer um milagre para dares nas vistas. Bem vistas as coisas, não converterias ninguém e muito menos os corruptos do Templo, que só uma força vinda de espadas humanas poderá dominar. Tu irás ver, como apesar de fazeres tantos milagres em Israel, curar cegos, coxos, surdos, mudos, paralíticos, ressuscitares mortos,…eles, duros de coração, cegos, surdos, …não aproveitarão nada e Tu vais perder tempo com eles. Até os milagres que vais fazer serão atribuídos a mim…ou dirão que sou eu que Te dou esse poder (larga sonora gargalhada)…Sou eu que os faço descer até essa baixeza. Mas eu queria de Ti algo que me elevaria dos infernos até ao mais alto do trono do Altíssimo: Concede-me, por momentos que seja, todo o poder que tens e adora-me como deus, ajoelhando-Te perante mim! Tu verias aquilo de que eu seria capaz!

Jesus – E que farias com todo esse poder?

Satanás – Nem imaginas! Apagar-se-ia de uma vez por todas esta infinita ânsia de ser igual a Deus, de rivalizar com Ele, de ser adorado, como sempre quis e quererei, porque estes desejos imperiosos me consomem, me derretem, me provocam um sofrimento pior que todos os do inferno juntos. Estas ânsias já me vêm daqueles tempos em que eu me revoltei e quis destronar o Altíssimo ou, pelo menos, ser igual a Ele. Nesses momentos eu me sentiria calmo, glorificado, honrado, divinizado, adorado. Ó momento supremo, pelo qual teria valido lutar durante uma eternidade! Esse momento nunca esteve tão perto, ao alcance da mão. Basta que digas uma palavra e dobres os joelhos perante mim e…já está! Em troca dou-Te todos estes reinos que nos circundam, dos quais eu sou o rei!

Jesus – Está escrito: “ O senhor, teu Deus, adorarás, e somente a Ele prestarás culto”. Mas ainda não me disseste o que farias com esse poder!

Satanás – Porque perguntas? Tu sabes o que eu faria e é por isso que recusas! Ó potências infernais, como seria belo incendiar todas as florestas da Terra, cozer os peixes nos mares em ebulição, assar todos os seres vivos dos continentes, provocar o caos entre os astros e soltá-los das suas órbitas, injectar fogo em todo o universo, subverter as suas leis!… E quanto aos homens que Tu criaste,…caberiam todos no inferno pela eternidade. Mas Tu és Amor e o Amor obriga-te a salvá-los! Que glória a minha em convidar todo o inferno para assistir a esta destruição total e completa, a este festival único, a este fogo de artifício universal, a este regresso à suprema beleza do Caos…e Tu e o Altíssimo a assistirem!…No fim,…Vós tirastes a Criação a partir do Nada e eu voltaria a enterrá-la no Nada. Deste Acto supremo me ficaria a eterna memória de um momento de felicidade! Deixa-me delirar! Sei que não me vais conceder nada do que Te peço, mas entrega-me ao menos, já, as Taças da Ira que um Teu discípulo descreverá no Apocalipse (Ap 16) e eu as verterei sobre a Terra. Porquê adiar o derramamento do seu conteúdo? Entrega-mas e dar-Te-ei a oportunidade de encetares uma Nova Criação, porque esta está por minha conta!

Tu verás as abominações a que estes seres humanos chegarão!…Quantas Sodomas e Gomorras terás à disposição para afundar e queimar pela cólera do Altíssimo! Eles farão a Tua Doutrina em farrapos, virarão os Teus Mandamentos de patas para o ar, decretarão aconselhável e legal qualquer aberração em nome da liberdade, da democracia, da modernidade, dos valores universais, dos direitos humanos, do direito à igualdade, do progresso…Eles  chegarão ao ponto de se casarem eles com eles e elas com elas, desafiando a Tua santa Lei e a Tua Autoridade e  atraindo sorte semelhante à de Sodoma e Gomorra. Eles matar-se-ão em guerras sujas como sempre tem havido e encherão o Limbo de crianças por nascer. Os Teus direitos como Deus e Senhor serão ignorados, calcados aos pés, invertidos e chamar-Te-ão um monstruoso trapalhão por lhes teres dado os incómodos Dez Mandamentos e sobretudo por teres inventado essa coisa abominável de unir um homem e uma mulher para continuarem  a Tua Criação…e vão criticar-Te por não teres logo casado uma Eva com outra Eva e um Adão com outro Adão!…

É por estes seres humanos dotados de inteligência superior e alma imortal, pouco inferiores aos anjos,…mas com comportamentos irracionais,…que vais entregar-Te à morte? O que Te espera é algo ciclópico, de uma grandeza sem limites, de sofrimento indescritível e morte vergonhosa às mãos dos Teus inimigos do Templo, os da Tua Casa, cujos direitos de pisar Te serão negados e da qual Te expulsarão como um anarquista blasfemo!…Tu, o Senhor dos Céus e de todo o Universo!…Ajoelho-me a Teus pés! Concede-me o que Te peço, nem que seja por breves momentos e serei para sempre um Teu fiel servo!…

Jesus – Afasta-te de mim, Satanás!

E Satanás teve que obedecer, deixando no local a sua fumarada negra, a pestilência do cheiro a ódio nos ares e um urro de fazer tremer os rochedos.  Depois, vieram os anjos e serviram Jesus, lançando sobre Ele uma aragem refrescante que fez evaporar o suor que lhe caía da fronte.

Considerações:

1. Daqui se pode concluir que foram o silêncio e a oração as armas com que Jesus jogou neste confronto com Satanás, aliadas à Palavra de Deus, cuja força Satanás não suporta. Satanás apresenta-se sempre com aparência benévola, caritativa, defensora dos interesses da pessoa tentada…tal como no caso de Eva, a quem ele só mostrou vantagens pessoais na desobediência à ordem divina. Este é o seu truque para levar alguém a cair na tentação. Mas os dois caminhos mais usados por Satanás para chegar às almas são os pecados da carne, a sensualidade (pecados contra a castidade) e a gula. Depois de ele dominar o pensamento e o espírito do homem, todo o temor de Deus (receio de ofender a Deus) desaparece e Satanás toma conta da alma, que dificilmente se liberta das suas garras.

2. Outra lição que se tira é aquela que nos permite concluir que com Satanás não se discute, porque pela discussão apenas Deus o vence. No Apocalipse, ele (o Dragão) é descrito como: grande, vermelho, da cor do fogo, com sete cabeças, cada uma com seu diadema ( peça metálica usada pelos reis sobre a fronte, como símbolo da realeza) e dez chifres, símbolo da sua inteligência superior e da sua tremenda força (Ap 12, 1-17).

Satanás é então apresentado também como rei dos sete reinos do Mal, simbolizados pelos sete pecados capitais: soberba, avareza, luxúria, gula, ira, inveja e preguiça. Quanto a ser da cor do fogo…bem se pode dizer que ele vive no fogo, do fogo, para o fogo e o fogo faz sofrer (inferno) e destrói tudo o que puder (nas almas e no resto da Criação). Também é vermelho, da cor do sangue, porque ele é homicida (assassino), por matar a vida divina nas almas e arrastar também os corpos para a eterna condenação.

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Ezequiel Miguel

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Jesus e os Apóstolos visitam Nazaré

(Realidade & ficção)

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Jesus26É primavera. Campos, quintais, árvores, ervas e flores acordam da letargia invernal e sorriem para o sol que ilumina aquela manhã.

Cristo e os Apóstolos dirigem-se para Nazaré com o específico objectivo de visitar a Mãe. Jesus   suspira de ansiedade à medida que os quilómetros da estrada poeirenta vão ficando para trás. Inevitavelmente, Ela torna-se assunto de conversa:

João – Mestre, sabes o que me lembram estas rosas à beira das casas e nestes jardins por onde vamos passando? Lembram-me a Tua Mãe!

Jesus –  Boa lembrança, João! A Minha Mãe é realmente a Rosa das rosas, a Flor das flores, o Jardim dos jardins, a Beleza das belezas, o Perfume dos perfumes,…a Amada do Cântico dos Cânticos.

Pedro – Ela sabe que nós vamos a caminho de Nazaré?

Jesus – Não! Vamos fazer-lhe uma agradável  e dupla surpresa: por vós e por Mim!

Tiago  de Zebedeu– Mestre, às vezes parece-me que, quando Te sentes mais triste, Te vejo lançar suspiros e fico a pensar qual será a verdadeiracausa. São saudades da Tua Mãe?

Jesus – Sim, Tiago! De vez em quando preciso mesmo de apoiar a minha cabeça nos ombros da Minha Mãe. Nesses momentos esqueço as canseiras e outras dificuldades e sinto-Me como se estivesse no Céu, rodeado de anjos a consolarem-Me!  Também sou Homem como vós e preciso da Minha doce Mãe! Oh! Se soubésseis tudo a respeito dela!

Tomé – Há coisas sobre Ela que ninguém conhece?

Jesus – Há e muitas!

Nataniel– Podes dizer-nos qualquer coisa que nós não saibamos?

Jesus – Posso! Desde toda a eternidade Ela foi pensada e preparada para ser a Minha Mãe. Ela é a Nova Eva e Eu sou o Novo Adão. Ambos e em conjunto vamos reparar o que Eva e Adão estragaram. Eles fecharam as portas do paraíso aos homens e nós vamos reabri-las através da maior obra de Deus: a Redenção do género humano.

Judas Iscariotes – Mas, Mestre, como vai ser isso?  Será por meio de milagres?

Jesus – Será por meio do sofrimento que o vosso Mestre e a Minha Mãe levarão a cabo essa tarefa tremenda, num mistério que permanecerá mistério para sempre, porque o homem  não tem capacidade para atingir as suas profundezas.

Judas Tadeu – Nós já vimos que Tu sofres e às vezes até choras, sinal de que sofres com as perseguições, as calúnias, a rejeição da Tua mensagem, etc., mas a Tua Mãe,… Ela também está destinada a sofrer? Como e porquê, se Ela nunca fez mal a ninguém nem faz.

Jesus – Não faz nem fará, porque ela é a “Cheia de Graça”, conforme o anjo Gabriel A saudou. Se é cheia de Graça, Ela não pode pecar. Satanás não se aproximará Dela, pois uma escolta de mil anjos A  honra e A defende de todos os perigos.

Filipe – Mas porque é que Ela é Cheia de Graça? Porque  é Ela diferente de todos os outros homens, que nascem no pecado e estão toda a vida sujeitos ao pecado?

Jesus – Porque, nos planos de Deus, tinha de ser assim. Deus não convive com a mínima sombra do pecado, por isso, Ela foi isenta, por graça especial, das consequências do pecado de Adão e Eva. Ela é a Mulher referida no Génesis, a Mãe que fugiu com o Filho para o deserto, a Mulher que esmaga a cabeça do Dragão, Satanás, exactamente porque o pecado não teve, não tem, nem terá poder sobre Ela.

Tiago de Alfeu – Quer dizer então que Ela não está sujeita às tentações de Satanás! Que mistérios aí vão! Mistérios no Filho, mistérios na Mãe! Mistérios no Céu, Mistérios na Terra!

Jesus – Tens razão, Tiago! Ambos estamos  profetizados nas Escrituras, ambos cumprimos as profecias, ambos nascemos sem pecado, ambos realizamos a redenção pelo sofrimento, ambos amamos os homens ao ponto de aceitarmos o martírio para os salvar.

Simão  – Mas onde está o sofrimento da Tua Mãe? Quem é toda paz, doçura, bondade, sorriso, alegria,…não parece sofrer! E também uma coisa: Se ela não está sujeita ao pecado, também não devia estar sujeita ao sofrimento e à morte, que é o preço do pecado. Aqui está mais um mistério!

Jesus – Parece uma contradição, mas não é!  Lembrais-vos daquilo que o velho Simeão lhe disse quando tinha nos braços aquele Menino que agora é o vosso Mestre?

João – Eu sei o que ele lhe disse: “ Uma espada de dor trespassará o teu coração, porque este Menino está posto para salvação e condenação de muitos em Israel”.

Jesus – Então, aí tendes! Em que consistia, consiste e consistirá essa espada de dor  a atravessar-lhe o coração?

André – Para já, a Tua condenação à morte  pelo Herodes, quando eras Menino. A Tua fuga para o exílio do Egipto,  a sua gravidez miraculosa sem o esposo saber, a pobreza do Teu nascimento em Belém,…

Tiago de Alfeu – E agora, após a morte do meu tio José, seu esposo, a Tua vida pública com tudo o que Te afecta: as dificuldades, a perseguição, os teus inimigos e…qualquer coisa mais que eu agora não digo!…

Judas Iscariotes – Eu sei o que é! Como israelita que é, Ela sofre ao ver o Filho desleixar-se e atrasar-se na restauração do Reino de Israel, pois as Escrituras dizem que o Messias será Rei de Israel.

Jesus – Judas, os teus sonhos virarão pesadelos. Ela sabe que tipo de Rei Eu vou ser, um Rei que, diante Dele se tapa o rosto, como disse o profeta Isaías. É aí que a  espada da dor lhe perfurará o coração ao ver outro Coração perfurado… A seu tempo sabereis mais!  Apesar das prerrogativas que a sua condição de Mãe do Filho do Homem lhe conferem, Ela aceita voluntariamente tudo aquilo que o seu Filho aceita e sofre com tudo o que faz sofrer o Filho, numa união perfeita, completa, permanente, indissolúvel. Agora, vós vedes o seu sorriso, a sua alegria,…mas chegará o tempo em que vereis o seu rosto pálido, lacrimosos, com sulcos de sofrimento que lhe vêm do mais profundo da alma. Nesses dias, apesar de andar permanentemente guardada por uma multidão de anjos invisíveis, Ela sentirá também o abandono do Pai e sofrerá a sua agonia dolorosa em união com o Seu Filho. A espada da dor enterrar-se-á cada vez mais em seu coração até que a profecia de Simeão se cumpra na totalidade. E tudo isto em união com o Filho e pela redenção de todo o género humano. Ela é a mártir voluntária e  vai-lhe ser dado um coração maternal tão grande que nele caberão todos os homens presentes e futuros. Por agora, não digo mais sobre este assunto.

Nataniel – Mas então, Ela é uma mulher única, criada de encomenda para ser Tua Mãe e Tua Co-redentora!

Jesus – É isso, Nataniel! Disseste bem! É mesmo Única, a criatura mais bela, mais pura, mais preciosa criada por Deus, a jóia mais valiosa no anel de Sua Mão.

Tomé – Ehhh! Tudo isso? Então Ela é quase uma deusa!

Jesus- Tomé, não há deuses nem deusas! Isso são invenções humanas para adorar Satanás em suas múltiplas formas. Ela é apenas uma mulher, mas acima de todas as outras mulheres e bendita entre todas elas, as de todas as gerações, como Lhe profetizou Isabel, a mãe do João Baptista.

Filipe – Mas, se Ela é toda pura, concebida sem pecado, não pode pecar,…então Ela é mais um anjo do que uma criatura humana!

Jesus – Em verdade vos digo que a Minha Mãe está acima dos anjos, sejam eles quais forem, em Sua dignidade e santidade. Ela própria será chamada a Rainha dos Anjos, dos Justos, dos Profetas e o Seu trono estará instalado ao lado do trono do Filho. Digo-vos mais: Já toda a corte celeste a conhecia muito tempo antes de Ela ser conhecida, porque Deus A apresentou aos anjos e lhes disse qual seria a Sua missão futura, porque para Deus não há passado. É tudo presente.

Tiago de Alfeu –  Mais outro mistério! Eu cá não tenho cabeça para compreender isso!

Pedro – Não tens tu nem tem ninguém! Mas eu não tenho ciúmes Dela! Nosso é o Filho e nossa será também a Mãe!… Até pareço o Isaías a profetizar (ri).

Jesus – E profetizas bem, Simão de Jonas! Foi o Espírito Santo que te inspirou!

Simão – Então, se Ela nasceu sem pecado, também estará livre da morte, penso eu!

Jesus – E pensas bem, Simão! Ela está realmente livre da morte e da corrupção corporal, mas Ela escolherá passar pela morte,  para em tudo imitar o Filho, que também morrerá às mãos dos seus inimigos…Quanto ao Seu corpo, não terá de esperar pela Ressurreição final. Será levada ao Céu em corpo e alma, pois é ao Céu que ela pertence.

Mateus – Mestre, Tu já deste a entender, mais ou menos, a sorte e a missão de cada um no futuro. Ela também, no futuro, terá uma missão a cumprir, além daquela de ser a Tua Mãe?

Jesus – Ela vai ter uma grande missão. Chegará o tempo em que Ela vos apoiará, aconselhará, orientará, ainda mais do que faz agora. Nos séculos futuros será intercessora entre Mim e os homens. Como Mãe de todos os homens, Ela os atrairá a Mim e Eu A nomearei a Minha principal missionária. Ela terá direitos adquiridos sobre a humanidade, porque também Ela sofreu pela sua redenção. Quando os homens forem esquecendo a Minha mensagem, Ela será a Minha mensageira até eles, para os recuperar e trazê-los a Mim. Como Mãe universal, todos os homens deverão reconhecê-La como tal.

André – E quando é que Tu A nomeias solenemente Mãe de todos os homens?

Jesus – Já não falta muito tempo. Aguardai e vereis!…

Tiago de Zebedeu – Eu tenho uma pergunta atrevida a fazer! Se Tu és o Filho do Pai, Tu és Deus; se Ela é Tua Mãe, Ela é Mãe de Deus; mas Ela também é filha de Deus, porque foi Deus que A criou. Então, Ela é filha e Mãe de Deus: Mas Tu, o João e eu somos também  segundos irmãos (primos)  logo, nós somos segundos irmãos  de Deus; mas como Tu  também és Homem e dizes que todos os homens são filhos de Deus, logo, nós somos todos Teus irmãos; se somos todos Teus irmãos, também teremos todos a mesma Mãe, que será a Tua Mãe. Será isso?

Jesus – Foste brilhante, Tiag! Em curvas e contracurvas foste direito até ao fim! Vedes como todos os homens constituem a família de Deus? Mas, infelizmente, o Meu Inimigo trabalha para a dividir. Quanto a ser da Minha família, todo aquele que cumprir as Minhas palavras e levar outros a cumpri-las, como vós já fazeis e fareis no futuro, será Meu pai, Minha mãe, Meu irmão, Minha irmã, Meu segundo irmão, Minha segunda irmã (prima), Meu tio, Minha tia,…não pela carne, mas pelo Espírito. Estes são os novos parentes que Me tornarão conhecido pelo  Mundo.

Mateus -  Mas eu também tenho uma observação a fazer!  Tu dizes que Ela foi concebida sem pecado. Mas os filhos dos homens não nascem todos em pecado? Como é que Ela foi isenta? Já nasceu de pais isentos ou…como é que Deus a isentou a Ela e não isentou todas as pessoas que já nasceram e nascerão até ao fim do mundo? Isto, para mim, é muito confuso!

Jesus – A Minha santíssima Mãe está envolta em mistério, no qual não podereis penetrar. Pergunto-vos: que tipo de Messias seria Eu, se tivesse nascido de uma mulher comum, isto é, concebida em pecado?

João – Não serias o Messias anunciado pelos profetas, o Filho de Deus. Serias apenas um homem como nós, sujeito ao pecado, às doenças, à morte e  ao regresso ao pó da terra. Não serias Homem-Deus.

Jesus – Falaste bem, João! Já vedes que o Messias tinha de abrir uma excepção no curso normal do nascimento dos homens. Deus é pureza absoluta, por isso, o Seu Filho não podia nascer como nasce o resto dos homens. Por agora, contentai-vos com o pouco que vos digo, porque os desígnios de Deus não estão abertos às mentes humanas.

Judas Tadeu –Eu já sinto a cabeça às voltas, só de tentar compreender o que não consigo compreender. Agora, pergunto eu: O que estará a Tua Mãe a fazer neste momento? Não estará com certeza a preparar o almoço para todos nós, uma vez que não foi avisada!

Jesus – Anda no jardim como abelha de flor em flor, tratando das rosas e louvando a Deus pela beleza multicolor que A rodeia, o que também serve de exemplo para vós. Em tudo e por tudo deveis louvar a Deu, por vos oferecer tantas coisas maravilhosas! É assim o Seu Amor pelos Homens.

Simão – Mestre, eu tenho ainda uma pergunta a fazer!

Jesus – Diz, Simão!

Simão- Está nos Teus planos falar na sinagoga de Nazaré?

Jesus – É claro que está! Não posso perder uma só ocasião na difusão do Reino de Deus.

Simão – E eles vão aceitar a Boa Nova? Eles sempre se habituaram a ver-Te como uma pessoa normal, ignorando a Tua divindade de Messias profetizado! Tenho receio que Te maltratem!

Jesus –  Se Eu te responder, não ficarás muito satisfeito com a resposta!…Mas, para eles recusarem a Boa Nova, eles terão que a ouvir de Mim. Não conheces o provérbio que diz: “Ninguém é profeta na sua terra”?  Sendo assim, metade do que tu queres saber está aí! Será que Eu serei excepção?

 Estamos a chegar. Eu anuncio-Me primeiro, de surpresa, e, pouco depois, a um sinal Meu, apareceis todos e fareis as vossas saudações. Ela ficará agradavelmente surpreendida, dará graças e louvores a Deus e nós com Ela.

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Nota – Aqueles que nós consideramos “primos” eram chamados irmãos, por não haver a palavra apropriada.

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Ezequiel Miguel

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