Salmo 39 (40) – Eu venho, Senhor, para fazer vossa vontade

2º Domingo do Tempo Comum – Ano A

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rezar18Esperei ansiosamente pelo Senhor,

cuja Face inclinar para mim se dignou.

Não fechou os Seus ouvidos ao meu clamor,

que agora, por Sua bondade, já se calou.

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Ele me ajudou a sair do lago fatal,

do pantanal de lodo onde me enterrei,

colocou meus pés sobre um firme pedestal

e deu-lhes a firmeza que solicitei.

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Um novo hino ouvi da minha boca saltar,

um novo cântico ao nosso Deus, de louvo.

Muitos O irão ver e Nele hão-de confiar,

revelando por toda a parte o Seu Temor.

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Feliz quem, confiante, para o Senhor se vira,

feliz quem não convive com os arrogantes,

feliz quem evita os sequazes da mentira,

feliz quem no Senhor vive dias confiantes!

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Muitos são os feitos que por nós operaste,

quantas as maravilhas a nosso favor!

Elas são tantas! Em que número as fechaste?

Quem a Ti se compara, meu Deus e Senhor?

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Não quiseste sacrifícios nem oferendas,

os meus ouvidos, porém, Te dignaste abrir.

Os holocaustos não pediste como prendas,

então, eu exclamei: ”Eu decido lá ir!”

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Não pediste pelos pecados expiação,

foi-me pedido a Tua vontade realizar.

Meus Deus, a Tua Lei conservo no coração

e nas minhas entranhas vai sempre morar.

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Tua justiça na grande assembleia anunciei,

não a escondi no fundo do meu coração,

a Tua Verdade com meus lábios proclamei,

a todos revelando a Tua salvação.

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Senhor, digna-Te conceder-me a Tua ternura,

a Tua graça e a Tua verdade me protejam,

males incontáveis me apertam sem brandura,

os meus pecados me esmagam, sem que se vejam.

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Pois são mais que os cabelos da minha cabeça

e com eles o meu ânimo desfalece.

Dá-me o Teu auxílio, embora o não mereça,

e ordena-lhe que não demore, que se apresse!

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Permaneçam confundidos e envergonhados

os que procuram  mandar-me embora da vida!

Voltem atrás, de negra vergonha corados,

os que querem minha desgraça garantida.

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Em vergonha e confusão fiquem afogados

os que me humilham, quando de mim escarnecem!

Felizes os que Te procuram empenhados!

Digam:”Deus é grande, exultem os que O conhecem!”

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Eu, porém, não passo de um pobre e desvalido,

pega-me pela mão e conduz-me ao Teu lado!

Tu me forneces o auxílio, quando pedido,

não tardes, Senhor, a tomar-me ao Teu cuidado!

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Ezequiel Miguel

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Eu venho, Senhor

EU VENHO, SENHOR

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Cântico de Ana,mãe de Samuel

(Confira: 1 Sam 2, 1-10)

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anaExulta o meu coração no Senhor,

em Deus está a minha fortaleza,

a minha boca se abre com vigor,

desafiando adversários com firmeza.

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Com o Seu auxílio eu me deleito,

Sua protecção me alegra sem medida,

a força dos fracos vem sem defeito,

a arma dos fortes foi destruída.

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Ninguém é tão santo como o Senhor,

fora de Ti não existe outro Deus,

ninguém O pode enfrentar sem temor,

tão fortes ninguém tem os braços seus.

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Não sejam vossas palavras altivas,

da vossa boca não saia arrogância,

aos olhos do Senhor elas ficam cativas,

pois a tudo Ele atribui importância.

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Os que viviam de seus bens rodeados

andam agora em busca de pão,

os que tinham fome foram saciados

e ao Senhor mostram  a sua gratidão.

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A mulher estéril foi abençoada,

muitos filhos lhe foram destinados;

da gravidez foi a fecunda privada

e mais filhos já não lhe foram dados.

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É o Senhor que dá a vida e a morte,

que prende à sepultura ou liberta,

é o Senhor que dá ou tira a sorte,

exalta e humilha na hora certa.

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É Ele que ergue do chão os prostrados,

tira os pobres do opróbrio vergonhoso,

coloca-os junto aos nobres, sentados,

escolhendo-lhes um lugar honroso.

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Àqueles que Lhe são fiéis guarda o passo,

mesmo que na escuridão não se veja,

dos Seus inimigos não fica traço,

quando o Senhor contra eles troveja.

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Ao Deus Altíssimo pertence a Terra,

sobre os seus fundamentos pôs o mundo,

em Seu julgamento tudo se encerra,

nada escapando ao Seu Juízo profundo.

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Ezequiel Miguel

Salmo 71 (72) – O Senhor virá governar com justiça

Ano A – Epifania do Senhor

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Deus, dai ao rei o poder de julgar

e ao filho do rei a justiça e o direito!

Ele com ambos há-de o povo governar

e a favor dos pobres julgará todo o pleito.

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Dos montes o povo verá a paz descer,

das colinas a justiça deslizará;

os humildes do povo há-de o rei proteger

e assim dos seus opressores os salvará.

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Como o sol e a lua o rei Vos contemplará,

de geração em geração ele vai viver,

como chuva sobre  campos secos virá,

como água que as plantas na terra faz crescer.

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Nos Seus dias a justiça florescerá

e uma paz abundante neles se descerra,

de um ao outro mar Seu poder se estenderá,

indo desde o rio até aos confins da Terra.

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Diante Dele os adversários se hão-de curvar,

os reis de Társis e ilhas Lhe trarão prendas,

sobre o pó Seus inimigos se hão-de prostrar,

reis da Arábia e Sabá deixarão oferendas.

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Diante Dele todos os reis se hão-de prostrar,

todos os povos um dia O hão-de servir,

socorrerá o mísero que O invocar

e o pobre sem pão nem tecto para dormir.

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Terá compaixão dos pobres e desvalidos,

a vida dos indigentes defenderá,

da violência libertará os oprimidos

e o  seu sangue precioso a seus olhos será.

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Terá ouro de Sabá, enquanto viver,

por Ele sempre o povo a Deus há-de rezar,

todos continuamente O hão-de bendizer,

Sua memória se há-de em Israel perpetuar.

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Para sempre permanecerá o Seu nome,

abençoadas Nele todas as nações serão,

enquanto o sol durar  durará Seu renome,

os povos da Terra ditoso O aclamarão!

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Ezequiel Miguel

Vimos a sua estrela

VIMOS A SUA ESTRELA

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Herodes e a matança dos meninos

(Realidade & ficção)

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Do Evangelho:
…Avisados em sonhos para não voltarem junto de Herodes, (os Magos do Oriente)  regressaram ao seu país por outro caminho…Então, Herodes, ao ver que tinha sido enganado pelos magos, ficou muito irado e mandou matar todos os meninos de Belém e de todo o seu território, da idade de dois anos para baixo, conforme o tempo que, diligentemente, tinha inquirido dos magos (Mt 2, 16).

Os dias passaram, desde que os Magos partiram na direcção de Belém, após o seu encontro com Herodes, o qual aguardava que aqueles fossem simpáticos e agradecidos pela ajuda real que haviam recebido. Perante a demora, Herodes começou por desconfiar. Depois, abraçou a dúvida, a seguir, adoptou a certeza e  deu   acolhimento à frustração, à raiva, a  uma ideia sinistra  que acabaria por dar à luz uma diabólica vingança. Como não queria ser propriamente o pai solitário de um projecto sanguinário, convocou os seus conselheiros para que estes lhe dessem ideias que coincidissem com as suas e se sentissem responsabilizados pela  aprovação e execução daquilo que o projecto envolvia

Herodes – (Mal-humorado)  Todos vós soubestes como prestei assistência a esses viajantes que passaram por aqui, a caminho de Belém, onde eles acreditaram que nasceria, isto é, que já tinha nascido, o Messias. Contaram uma história esquisita sobre observações astrais, estrelas que ninguém viu senão eles, sinais de uma donzela na lua… com um menino ao colo…e sei lá que mais! Em troca das informações que lhes interessavam, eu pedi que voltassem por aqui no caminho do regresso aos seus países. E aqui é que jaz o problema que originou esta reunião dos meus conselheiros. Pelo tempo que já passou, eles já deveriam ter regressado, mas, ao que sei, piraram-se covardemente, desonestamente, ingratamente, provocatoriamente, por outro caminho, deixando-me aqui pendurado na esperança que esses aldrabões me tragam as informações sobre essa criança que eles diziam ir adorar e para a qual levavam presentes reais. Como eles diziam que era o Messias e o Rei de Israel, eu comecei cá a magicar se eu, vós, o reino, este povo, o nosso glorioso Templo, as nossas tradições, a nossa Lei, a nossa monarquia,…não estará tudo em perigo! …

Daí, convoquei-vos para analisarmos esta situação e tomarmos as necessárias e urgentes decisões que se impõem.  Quero que cada um de vós me sugira algo diferente de cada um, mas com a possibilidade de eu concordar e aceitar. A decisão que se tomar será da responsabilidade de todos, mesmo que seja exclusivamente a minha, pois, como sabeis, este Conselho tem apenas uma finalidade consultiva, não obrigando o Rei a segui-la, se ele a isso se opuser. A decisão que eu tomar será em nome de todos, concordem comigo ou não! Vamos então ao 1º Conselheiro. Que dizes?

1º Conselheiro –Majestade, eu penso que não será motivo de preocupação, pois esses viajantes podem ter-se enganado e se, por acaso, esse menino for alguém importante, ele dará sinal a seu tempo e, nessa altura, poderá ser preso e julgado por alta traição, até porque não será nada fácil provar que é o Messias profetizado. O seu fim será igual ao de muitos falsos Messias que já se anunciaram em Israel.

2º Conselheiro – A história que eles contaram é deveras estranha, uma vez que mete profecias de profetas de Israel, e mete também o nosso Deus, que eles dizem ser também o deles. A lua, a donzela com o Menino, a estrela, o terem lido a palavra “Messias” na conjugação dos astros, o falarem cada um a sua própria língua e serem entendidos pelos povos por onde passavam…tudo isto é muito estranho e pode revelar que anda aí o dedo de Deus, ao qual nada é impossível. Por isso, aconselho muito cuidado e respeito, não aconteça que boicotemos os planos e os desígnios insondáveis do nosso Deus, o que poderá ter consequências terríveis para todos nós.

3º Conselheiro – Quanto a mim, eu acho que a monarquia está em perigo, pois tudo bate certo a propósito do nascimento desse Menino, que será o Messias profetizado. O profeta Miqueias diz que ele  nascerá em Belém e eles foram a caminho de Belém, vindos de tão longe. O profeta diz que o menino será um condutor do Povo de Israel, o que quer dizer que, sendo ele o Condutor, ninguém mais o será enquanto ele reinar. Eu aconselharia  Vossa real majestade a gizar um plano para o descobrir quanto antes, não vá ele ser levado para algum local secreto até se revelar e aparecer com um exército para tomar o poder, sendo depois aclamado pelo povo como o Messias esperado.

4º Conselheiro – Perante os perigos que eu antevejo, eu aconselharia o Rei a pensar numa solução radical que resolvesse o assunto de vez e sem margem para dúvidas, uma vez que a Casa Real de Israel pode estar em perigo. Vossa majestade enviaria soldados e espiões por todas as aldeias, vilas e cidades da sua real jurisdição e eles investigariam quem é esse menino, quem são os seus pais e onde é que ele vive. Com promessas ou ameaças conseguiria que alguém desse os sinais da sua presença e da sua identidade. Uma vez descobertos e identificados, seriam trazidos até aqui para um apertado interrogatório, do qual sairiam os dados necessários para se julgar se há ali algum pormenor que estimule os nossos narizes a cheirar o Messias. Não havendo nada, ficaria tudo em paz e ainda nos ficaríamos a rir da imbecilidade desses cavalheiros que apareceram aí a pedir ajuda, porque uma estrela que só eles viam resolveu pregar-lhes uma partida ao esconder-se deles por trás de algum monte…

5º Conselheiro – Esta última sugestão parece ser muito realista e sensata, mas eu penso que ela não deixaria ao Rei a margem suficiente para eliminar qualquer dúvida sobre esse menino. Imaginemos que ele nasceu realmente em Belém, mas que, por qualquer motivo, já foi levado para outro local, aldeia, vila ou cidade e, ao aparecer lá, ninguém consegue saber de onde veio nem onde nasceu. Quem o conhecerá, quem saberá o seu nome, quem conhece o presente e o passado dos seus pais, quantos meses ou anos terá agora? Aqueles cavalheiros davam-no com a idade de um ano, mais ou menos. Apanhá-lo a ele no meio de tantos meninos que há na jurisdição de vossa real majestade seria como apanhar uma agulha procurada em um palheiro encravado no meio de muitos palheiros. Isto quer dizer que é preciso destruir todos os palheiros para se saber em que palheiro está a agulha…

Herodes – Isso quer dizer que…
5º Conselheiro – Quer dizer que será necessário matar todos os meninos de dois anos para baixo, como única garantia de que ele será apanhado…

Um arrepio percorreu a espinha dos outros Conselheiros, mas não a de Herodes, já muito calejado em operações semelhantes.

Herodes – Sugere como executar essa missão!

5º Conselheiro – Podia ser assim: Os soldados apareceriam de repente em cada lugar, convocariam as mães para trazerem os meninos à praça pública e aí…

Herodes – Não! Isso dá muito nas vistas. Tem que ser mais discretamente! Aceitam-se sugestões sobre a melhor maneira de levar a cabo este plano.

6º Conselheiro – Eu tenho uma ideia mais discreta. O Rei convocaria para Jerusalém todos meninos de dois anos para baixo, os quais seriam trazidos pelas mães. Dir-se-ia que o Rei iria premiar essas mulheres pela sua fertilidade. Elas ficaria reunidas no salão do tribunal e, uma a uma, um soldado pegaria nos meninos, com a promessa de que iriam ser abençoados por um sacerdote e  que dentro de poucos minutos estaria de volta. Lá dentro, de um só golpe…nem haveria choro! Um outro soldado iria depois dizer à mãe do menino que ele tinha morrido… Aquelas que desatassem ali aos gritos seriam expulsas da sala…

Herodes – Alguém faz uma ideia de quantos meninos haverá por aí de dois anos para baixo?

7º Conselheiro – Eu penso que haverá entre 700 a 800, espalhados por todo o território da vossa real jurisdição.

Herodes – Parece-me um plano inteligente, bem traçado,  discreto, eficaz…e que resolve o problema de vez e com segurança. Depois, já poderei dormir descansado e afastar de mim estes  malditos pesadelos que me acordam de noite a ser triturado por um menino que se transforma de repente num gigante ameaçador, contra o qual não tenho armas, nem sequer uma funda como tinha David no seu combate com Golias. Mas resta ainda um problema: que destino dar aos corpos dos meninos? E ainda outro: Como fazer para que nas localidades próximas umas das outras não se saiba o que vai acontecendo, evitando assim a fuga e a preparação de qualquer esconderijo?

8º Conselheiro – Eu penso que a real polícia secreta deverá aparecer pelas localidades da real jurisdição, investigar e registar os nomes dos meninos, seus pais e a respectiva residência. Quando tudo estivesse pronto, os pais seriam convocados todos ao mesmo tempo para se apresentarem na Casa da Justiça, em Jerusalém, onde já tudo estaria preparado. Quanto aos corpos decepados  ou apunhalados dos meninos…uma vala comum aberta no pátio da Casa da Justiça seria o local secreto que os acolheria. Depois, empedrava-se o terreno e ninguém mais daria por isso.

Herodes – E como se garantiria o absoluto sigilo do que se tinha passado?

8º Conselheiro – Só há uma medida eficaz. Custa-me referi-la, mas tem de ser. Todos os que participassem  ou estivessem a par do sucedido…teriam que ser mortos e enterrados no mesmo local logo a seguir. Far-se-ia constar que tinha desabado um muro, um tecto, um pilar…ou que foram mortos por se terem rebelado contra o Rei.

Herodes – Estou a ver!…Eu sinto-me um perfeito idiota perante a sabedoria dos meus Conselheiros. Falaste bem!…Estou de acordo!… Assim se fará!…Não preciso de mais sugestões. No entanto, por uma questão de justiça equitativa, quero ouvir a voz dos dois Conselheiros que ainda não falaram. Digam o que têm a dizer!

9º Conselheiro – Real majestade, eu temo e tremo pela vossa sorte, se entrais em conflito com os planos do Altíssimo. Nenhum desses meninos tem culpa de ter nascido e ainda não cometeu nada que mereça uma condenação à morte. Sugiro antes que procureis identificar o tal menino que dizem ser o Messias, o que não é difícil, se montardes a polícia secreta em Belém. Com o tempo, acabareis por descobri-lo, pois não tardará a manifestar-se e o povo acorrerá a Belém para fazer o mesmo que aqueles Magos do Oriente. Além disso, se é mesmo o Messias, nada podereis contra ele, pois ele é homem, mas também é Deus. Quem pode lutar contra Deus? Isso trará a vossa desgraça e a nossa e ninguém ficará em condições de vos ajudar ou vos defender quando essas coisas se souberem e ficarem relatadas para as gerações que vierem depois de nós. Além disso, lembrai-vos que isso ficará escrito nos anais do vosso reinado, fazendo com que a vossa memória fique amaldiçoada para sempre enquanto houver homens sobre a Terra.

10º Conselheiro – Alteza real, eu ouvi tudo o que aqui foi dito e tremo também perante algumas sugestões aqui pronunciadas. Sem julgamento e prova de crime ninguém deverá ser condenado à morte. Isso vai contra toda a justiça expressa na nossa Lei e nos profetas. Eu aconselharia primeiro uma consulta aos sacerdotes  Hilel e Gamaliel, sábios doutores  e santos intérpretes da Lei e dos Profetas. Os profetas dizem que o Messias não será um rei temporal, que não terá palácios nem exércitos, mas que será apenas o Rei dos corações, o Rei da Paz e de um reino meramente espiritual, o que equivale a dizer que ele não destronará nenhum rei temporal. Sendo assim, vossa real majestade não terá nada a temer, nem os vossos herdeiros nem a vossa dinastia. Se ele tem apenas uns meses de vida, ele poderá manifestar-se pelos 25 ou 30 anos e então se verá quem é, o que faz, de onde vem, de quem vem, o que propõe na sua qualidade de Messias. Se ele vem ao mundo, não será para ficar escondido. Todos nós esperamos o Messias há séculos e um dia ele tem de aparecer. Quem diz que não será esse menino? Não ambicionando um reinado temporal, as autoridades que Ele encontrar, Ele as deixará em paz, tanto as nossas como as dos ocupantes romanos. Por isso, proponho que não se faça nada, porque poderemos ser todos cúmplices de crimes que a história recordará até ao fim dos séculos e tudo isso para nossa vergonha indelével. Seremos a vergonha do Universo, da Terra, dos Céus e dos Infernos, pelos séculos dos séculos. Não aprovo outro plano que não seja este de deixar os meninos crescer em paz.Tenho dito!

Herodes – Eu ouvi com atenção todas as sugestões apresentadas. Não as ponho à votação porque a minha autoridade real rejeita tal procedimento. Um rei é rei em todas as situações. Ninguém está obrigado a concordar comigo nem com as minhas acções, mas a minha política consiste em resolver os problemas aqui e agora, não me preocupando com as consequências futuras, pois não tenho poderes para que me aconteça apenas aquilo que eu quero ou não quero. Sendo assim, não quero que o meu povo viva amedrontado por um menino-fantasma, seja ele quem for, que já me atormenta de noite, mesmo que ainda não exista. O meu povo tem de saber que no meu reino não há ninguém acima de mim, a não ser aquele maldito César (de quem me finjo amigo), instalado em Roma, e o seu Procônsul em Jerusalém. Mas contra esses eu nada posso, a não ser amaldiçoar esses nojentos pagãos que ocuparam a nossa santa nação. Eu sou a honra e a glória deste povo e assim quero continuar durante muitos anos, sem que me sinta ameaçado pelo fantasma desse pseudo-messias.

Essa coisa de aqueles trapalhões dizerem que viram isto ou aquilo na lua ou na posição dos astros…sim, isso pode ter sido apenas fruto de alguma alucinação provocada por alguma festiva bebedeira, em dia de algum aniversário natalício. Todos nós sabemos, penso eu, que o vinho em excesso pode originar visões irreais. Foi isso que deve ter acontecido com eles! Com os pormenores das várias sugestões, já posso arquitectar o meu plano na totalidade, que, a seu tempo, se cumprirá. Este Conselho obriga a sigilo absoluto, sob pena de morte por alta traição. Sereis vigiados pela polícia secreta e nem as vossas esposas podem ouvir uma única palavra sobre este assunto. Pagareis vós e elas com a morte. Secretário, está tudo pronto? Posso mandar dispersar este Conselho?

Secretário – Sim, majestade!

Herodes – Então,…agradeço as vossas sugestões …e  dou por terminado este Conselho.

“Cumpriu-se então o que o profeta Jeremias dissera: Ouviu-se uma voz em Ramá, uma lamentação e um grande pranto. É Raquel que chora os seus filhos e não quer ser consolada, porque eles já não existem” (Mt 17-18).
Este episódio ficou registado para a história, sagrada e profana, como a “Matança (Martírio) dos  (Santos) Inocentes”, que a Igreja comemora no dia 28 de Dezembro com o nome de ” Santos Inocentes”.
Não é difícil encontrar pessoas que se arrepiam perante a matança dos meninos relatada nos Evangelhos. Foi algo de hediondo e aposto que não haverá ninguém que não condene       tal selvajaria herodiana. Convém lembrar que não foi Herodes que matou pessoalmente, mas foi ele que deu as ordens para tal e promulgou os documentos necessários para que tal ordem se cumprisse. Não esperaria, porém, que o seu nome ficasse para sempre ignominiosamente lembrado pelo seu acto. Os  argumentos referentes às profecias sobre o Messias tinham pouca força para Herodes, porque ele, embora integrado no povo Judeu, era de origem estrangeira e subira ao poder através de meios desonestos e oportunistas. Mas, pelo sim, pelo não, achou que seria melhor precaver-se contra qualquer eventualidade de surgir um rival, verdadeiro ou hipotético. Quanto à sua sorte final, ninguém sabe se se arrependeu ou não e se solicitou o perdão de Deus ou não. Só Deus sabe!

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Ezequiel Miguel

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Salmo 127 (128) – O Temor do Senhor e a felicidade no lar

Felizes os que obedecem ao Senhor

e andam em  Seus caminhos, com Ele presente!

Comerás do fruto do teu próprio suor,

assim serás feliz e viverás contente!

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Tua esposa será como fecunda videira

na discreta intimidade  do teu lar

e teus filhos  como rebentos de oliveira

que ao redor da tua mesa verás  vicejar.

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Assim será na sua vida recompensado

o homem que obedece e vive na Lei do Senhor.

De Sião sejas pelo Senhor abençoado,

para que vejas a riqueza e o esplendor

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de Jerusalém todos dias da tua vida

e chegues a ver os filhos dos teus filhos.

Paz a Israel.

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Ezequiel Miguel

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