Salmo 21 (22) – Meu Deus, porque me abandonaste?

 

OLiveiras13 Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?

Com os meus gritos não me vou salvar,

neles ainda Tu não reparaste,

apesar de eu não poder descansar .

.

Quanto a mim, sou mais um verme que um homem,

vítima do desprezo popular;

os transeuntes caçoam e se somem

com boca aberta e cabeça a menear.

.

Eles me vêm como um inimigo:

” Confiou no Senhor, Ele que o liberte,

que O salve, se ele passa por Seu amigo

ou então que a angústia a sua alma aperte”.

.

No ventre materno Tu me teceste,

aos peitos de minha mãe me confiaste,

quando nasci, logo me recebeste,

Tu és meu Deus, ao nada me arrancaste.

.

Não te mantenhas de mim afastado,

pois dor e angústia me rondam por perto,

faz com que o perigo me passe ao lado,

só Contigo tenho o auxílio por certo.

.

Matilhas de cães me circundaram,

vejo-me rodeado de malfeitores,

os meus pés e as minhas mãos trespassaram,

meus ossos posso contar entre as dores.

.

Com desdém olham para mim e param,

as minhas vestes entre si repartem,

a minha túnica à sorte deitaram,

caçoando de mim até que se fartem.

.

Vós, porém, não estejais arredado,

vinde e socorrei-me já, sem demora,

livrai-me de ser pela espada tocado,

de Vós espero auxílio em cada hora!

.

O Vosso Nome eu quero enaltecer,

no meio da assembleia Vos hei-de louvar.

Louve o Senhor aquele que O temer,

venha Israel seu Deus glorificar!

.

O Senhor o pobre não desprezou,

pela sua miséria não o repeliu,

a Sua Face dele não ocultou

quando os seus gritos de aflição ouviu .

.

Para Vós se dirige o meu louvor,

os meus votos vou na assembleia cumprir,

toda a Terra vos chamará “Senhor”,

todas as nações Vos hão-de servir.

.

Ezequiel Miguel

Exulta, filha de Sião! Eis que o teu Rei vem a ti!

(Realidade & ficção)

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Ramos13Exulta, filha de Sião! Grita de alegria, filha de Jerusalém! Eis que o teu rei vem a ti! Ele é justo e vitorioso, humilde, montado sobre um jumentinho, filho da jumenta (Zac 9,9).

Aproximava-se a Páscoa dos Judeus, aquela escolhida nos planos divinos para nela chegar ao fim a pregação do Reino de Deus e consumar a redenção do mundo por Jesus Cristo.

Os apóstolos andavam a ficar nervosos com a intenção que Jesus manifestava de deixar a Galileia e ir meter-se na toca dos lobos, em Jerusalém, já com a cabeça a prémio, em virtude de decisão do Sinédrio, que mandara publicar que quem soubesse por onde Ele andava, deveria comunicá-lo, para que fosse preso. Entretanto, Judas Iscariotes ia avisando o Sinédrio a respeito das intenções do Mestre de ir para aqui ou para ali, por isso, fazia frequentes perguntas, aparentemente inocentes e ingénuas, mas que claramente tinham a intenção de captar informação de interesse para os inimigos de Jesus.

Com a argumentação de que Lázaro tinha morrido, Jesus fez por convencer os Apóstolos da absoluta necessidade de irem para Betânia, a três quilómetros de Jerusalém, com o objectivo de ressuscitar Lázaro. Os apóstolos deixaram-se aparentemente convencer que tinha de ser assim, embora questionando-se se o Mestre não poderia ressuscitar Lázaro mesmo à distância. Perante a insistência de Jesus, eles convenceram-se mesmo que Jesus iria entregar-se à morte, o que levou Tomé a opinar: “Vamos e morramos com Ele” (Jo 11,16)!

Em Betânia, Jesus ressuscitou Lázaro à vista de amigos e inimigos, convertendo à Sua causa muitos Judeus, como os evangelhos afirmam. Mas outros não acreditaram, apesar de terem mesmo visto Lázaro a sair do túmulo enfaixado, de pés atados e cabeça coberta, após taparem o nariz por causa do mau cheiro, apesar de disfarçado pelos unguentos e perfumes. Pouco tempo depois, o Sinédrio não demorou a enviar espiões a casa de Lázaro, para saberem se Cristo estava realmente hospedado em sua casa e também para puxarem pela língua de Lázaro sobre o fenómeno da sua própria ressurreição, que alguns hoje alcunham de reanimação, quer dizer, trazer novamente a alma ao corpo.

Era uns dias antes do nosso Domingo de Ramos. Jesus escolhera refugiar-se em casa de Lázaro, para preparar a Sua última semana na Terra e tomar as últimas disposições que se impunham perante o grande acontecimento da Sua iminente Paixão, Morte e Ressurreição. Durante esses dias, Jesus e Lázaro tiveram longas conversas a sós. Eis uma delas:

Lázaro – Senhor, porque me fizeste voltar a esta vida?

Jesus – Por vários motivos, que passo a explicar-te:

1. Eu seria ingrato para contigo e tuas irmãs, se recusasse fazer por vós o que fiz, pois a Mim não Me custa nada fazer isso, porque sou o Senhor da vida e da morte. As tuas casas foram o meu principal apoio no Meu apostolado e em vós Eu tive amigos sinceros, discípulos convictos e sempre prontos a gastar Comigo e com os Meus discípulos tudo o que fosse necessário nestes três anos da Minha pregação. Esta tua casa foi sempre um refúgio seguro contra os Meus inimigos, tal como agora é. Foi uma maneira de vos recompensar e de algum modo retribuir-vos a alegria que sempre Me destes quando aqui ou em outros lugares Me recebíeis.

2. Chamei-te de novo à vida porque nestas horas amargas, nestas horas de trevas e abandono que vão passar por Mim, Eu preciso de vós como verdadeiros amigos, em cuja casa posso alimentar-Me, descansar e preparar-Me para o que se aproxima. Vai chegar a Minha hora, a hora que o Pai Me marcou para consumar a maior obra da Criação, a redenção do Homem.

Lázaro – Mas, Senhor, Tu tens mesmo de Te entregar nas mãos dos Teu inimigos? Não haverá outro modo de terminares essa Tua grande missão?

Jesus – Não, Lázaro! Tem de ser assim como te digo! Quando o Pai perguntou: “Quem enviarei…” (Is 6,8)? Eu ofereci-Me, em nome do infinito Amor que circula entre Nós e o Homem, a criatura saída do nada à nossa imagem e semelhança, e cujo fim último é o regresso à casa do Pai. Em breve se cumprirão todas as profecias saídas dos profetas e dos salmistas.

Lázaro – Mas, Senhor, Tu sabes que eu tenho influência junto dos Romanos e a uma palavra minha, ninguém Te tocará, porque eles serão capazes de Te proteger contra todos os teu inimigos!

Jesus – Bateste no ponto crucial e agora menciono-te mais um motivo por que te ressuscitei:

3. Exactamente para impedires as tuas irmãs de intercederem por Mim junto das autoridades romanas. Quero que uses a tua influência sobre elas para que não façam nada que possa estorvar o que tem de ser feito, pois eu vim à Terra para isso e essa é a vontade do Pai e a Minha.

Lázaro – Mas eu…

Jesus – Também de ti Eu exijo que fiques quieto, que não saias de casa nesses dias, a não ser por motivos pessoais, que não recebas nenhum dos meus discípulos, pois sei que eles depositarão em ti a esperança de um resgate e até pensarão em Me raptar, quando concluírem que será a última medida para Me livrarem dos Meus inimigos. Nessa hora, eles sentir-se-ão perdidos, tal como diz o profeta: “Ferirei o Pastor e as ovelhas dispersar-se-ão” (Mt 26,31)

Lázaro – (Chorando) Senhor, Tu exiges-me isso?! Que amigo serei eu, se não posso ajudar o Meu Amigo quando Ele está num perigo mortal? Senhor, uma ida minha a Pilatos e…

Jesus – Nem penses, Lázaro! Se és Meu amigo, não apoies os intentos de Satanás, pois ele, por um lado, quer impedir-Me, mas, por outro, tentará tirar proveito do Meu sofrimento e reforçá-lo, como vingança. Mas peço-te uma coisa, para te compensar por esta proibição: Naquelas horas, une-te espiritualmente às orações da Minha Mãe, para que alguma força chegue até Mim, nessas horas em que o Pai Me vai abandonar. Também a Minha Mãe vai sofrer os ataques de todo o inferno contra a sua fé na Minha ressurreição, pois, como co-redentora, também o Pai e os anjos que a guardam a irão abandonar, deixando-a em atroz sofrimento. O inferno Lhe dirá que estará tudo pedido, que nada valeu a pena, que foi tudo um engano e que não tenha ilusões, por que ele não ressuscitará.

Lázaro – Mas isso vai ser horrível!

Jesus – Vai mesmo, Meu amigo! Mas o Pai também A escolheu para ter a Sua parte na Redenção. Vai cumprir-se Nela a profecia de Simeão, quando Ela Me apresentou no Templo: “…Uma espada de dor vai trespassar-te o coração…” (…) A espada vai começar a enterrar-se no Seu Coração e lá ficará enterrada até que Eu ressuscite, ao 3º dia.

Lázaro – Senhor, eu vejo em Ti uma profunda tristeza, como nunca vi! É só por causa do que se aproxima?

Jesus – Não, Lázaro! (Chora…) Se tu soubesses , Lázaro!…

Lázaro – Tu, Senhor, a chorar?

Jesus – Sim, meu amigo! E não é por causa daquilo que Me espera! É por causa de um dos Meus, um daqueles, como diz o profeta, que come comigo à mesa (Lc 22,21)

Lázaro – Atrevo-me a dizer que é Judas Iscariotes!

JesusEsse mesmo! Quantas lágrimas Eu não derramei já por sua causa!

Lázaro – (Chorando e ajoelhando-se aos pés de Jesus) Ó Senhor!…O meu Deus a chorar! Como posso segurar as minhas lágrimas quando vejo as Tuas! Ó mistério insondável!

Jesus – Eu vim para redimir todos os homens, mas não consigo que Judas aproveite do Meu Sangue! Até já Me ajoelhei a seus pés,…tudo para que aceite os Meus argumentos em seu favor, mas…nada! Não consigo demovê-lo de cumprir aquilo que já prometeu ao Sinédrio. Por seu intermédio vai cumprir-se a profecias de Isaías de vender o Servo de Yahweh por trinta dinheiros. O contrato está feito! Eu só precisava que ele dissesse: “Sim, quero libertar-me das garras de Satanás!” Mas não consegui e ele vai perder-se. E logo um dos Meus (chora)!

Lázaro – Mas, Senhor, Tu podes tudo! Não poderás mudar-lhe a vontade, como mudaste à minha irmã Maria?

Jesus – Não, meu amigo! Ele entregou a sua vontade a Satanás, que já incarnou nele e agora é Satanás que fala por ele. Já são dois em um!

Lázaro – Mas Tu não tens poder sobre os possessos e sobre os demónios?

Jesus – Tenho, mas Judas não está possesso! Ele não quer mesmo o que Eu lhe proponho. Já lhe propus que recuse voltar a encontrar-se com o Sinédrio, refugiando-se mesmo em tua casa, mas ele recusou e continua a recusar. Aguentar Judas durante estes três anos custou-me mais do que me vai custar o que se aproxima de Mim. Já imaginaste, Eu, a pureza e santidade absolutas, a ter de conviver com alguém entregue à hipocrisia, à mentira, à imoralidade, ao espiritismo, à prostituição, à traição,… ao ponto de ir cometer o delito dos delitos: trair o seu Deus! Eu te digo: Se o inferno não tivesse sido criado para os anjos caídos, teria sido criado para ele! Não imaginas o Meu sofrimento, que abre as comportas das minhas lágrimas. Para ele não valerá de nada Eu ter vindo !

Lázaro – Senhor, ocorreu-me a ideia: Se, naquelas horas, os teus discípulos vierem pressionar-me para dar algum passo em Teu favor, que deverei fazer?

Jesus – Na próxima vez que fores a Jerusalém, tu irás encontrar o João, que vai mesmo pressionar-te para ires falar com Pilatos. Tu vai dizendo: “Não posso!” Por fim, se ele não te largar, diz-lhe simplesmente: “ O Mestre proibiu-me de interferir”! Nessa altura, ele compreenderá porquê e fará tudo para conter os outros, sobretudo o impetuoso Simão Pedro. Agora, chegou o momento de te dizer mais alguma coisa: Eu vou fazer uma entrada solene, triunfal, em Jerusalém, para cumprir mais uma profecia, que diz: “Alegra-te, Jerusalém, porque o teu Rei vem a ti, montado num jumentinho”(Zac 9,9) ! E sou Eu que te faço mais um pedido: avisa os Meus discípulos, aqueles que encontrares, e diz-lhes que dentro de três dias, espero por eles aqui, com ramos de palmeira, para entrarem comigo em Jerusalém. E que avisem também os de Jerusalém e arredores, para que façam o mesmo! …Estás a questionar-te: “Porquê isso, se tudo já está acertado quanto ao que O espera”? Vou dizer-te: Para cumprir a profecia, para dar a Jerusalém e ao Sinédrio uma última prova de que Eu sou o Messias esperado, o seu Rei, para fortalecer na fé todos aqueles que Me seguem, para convencer os da última hora, os indecisos, os que ainda têm dúvidas,…Quero dar-lhes a oportunidade de glorificarem o Messias, o verdadeiro Rei de Israel, antes que as trevas caiam sobre Ele.

Lázaro – No fim, Senhor?… (Chora)

Jesus – No fim, Lázaro, como está escrito, serei preso, maltratado, sofrerei, morrerei crucificado e ressuscitarei ao 3º dia, pois Eu sou a Ressurreição e a Vida, tal como disse às tuas irmãs.

Lázaro – E depois,…que serviço esperas de mim e das minhas irmãs?

Jesus –Tu serás ordenado sacerdote e bispo e a Gália espera por ti. As tuas irmãs irão contigo e Eu estarei sempre convosco!

.

Ezequiel Miguel

 .

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Salmo 50(51) – Dai-me, Senhor, um coração puro

ajoelhar21Por Vosso Amor, ó Deus, tende de mim piedade,

apagai minhas culpas, tende compaixão!

Lavai-me por inteiro da minha iniquidade

e purificai-me de toda a transgressão!

.

As minhas transgressões tenho sempre presente

e diante de mim está sempre o meu pecado.

Contra Vós, ó Deus, contra Vós pequei somente,

do mal feito em Vossa presença sou culpado!

.

Por isso, tendes razão quando me acusais,

reconheço que é justo o   Vosso   julgamento

e irrepreensível a sentença que me dais

para despertar em mim o arrependimento.

.

Eis que eu na culpa a este mundo fui trazido,

pois minha mãe me concebeu no pecado.

Limpai-me, depois de pelo hissopo aspergido,

e mais que a neve me deixai purificado!

.

Vós amais do coração a sinceridade

e no íntimo me ensinais a sabedoria!

Infundi em mim a Palavra da Verdade

e os meus ossos irão exultar de alegria!

.

Escondei a Vossa Face dos meus pecados

e apagai todas as minhas iniquidades!

Considerai-os no esquecimento lançados,

e deles não habitem em mim as saudades!

.

Senhor, meu Deus, criai em mim um coração puro,

renovai um espírito firme no meu peito!

Junto à Vossa Face quero estar no futuro

e no Vosso Santo Espírito de igual jeito!

.

Restituí-me a alegria da Vossa Salvação,

sustentai-me com espírito generoso!

Aos pecadores, que em caminho errado vão,

direi que voltem, pois sois misericordioso.

.

Livrai-me do sangue, meu Deus e Salvador!

Vossa justiça minha língua aclamará,

a minha voz anunciará o Vosso louvor,

pois a minha boca para isso se abrirá.

.

Vós rejeitais um sacrifício oferecido,

num holocausto não tendes satisfação,

mas agrada-Vos um espírito arrependido

a suplicar de seus pecados o perdão.

.

Ezequiel Miguel

Jesus é coroado de espinhos

( Mc 15,16-20)

.

Jesus22Sobrevivendo à Flagelação

está Jesus em terra prostrado,

mas O levantaram, sem compaixão,

para ser de novo maltratado.

.

O Centurião acaba de entrar

e novidades traz de Pilatos:

Querendo os Judeus impressionar,

urge deformá-LO com maus tratos.

.

Aos Judeus Jesus meterá dó,

ao verem Seu Rosto ensanguentado,

mas isso ele conseguirá só,

se o Seu Rosto for bem deformado.

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Conversa entre tês, à luz do archote…

Um deles sai… pouco depois volta,

arrastando outro do mortal lote,

com uma língua ainda bem solta…

.

Três uniformizados discutem

para Jesus uma nova Sorte

e, sem que por outra ideia lutem,

chamam outro condenado à morte.

.

É Dimas, futuro bom ladrão…

Espera pela sua hora, a tremer…

Entretanto, o encargo lhe dão

de uma Coroa para Jesus tecer.

.

Mas Dimas tal tarefa recusa,

sendo convencido a pontapé,

não encontrando mais escusa

para a recusa manter de pé.

.

Dimas põe-se ao trabalho, mas pica-se…

Está finalmente a Coroa pronta.

Assenta bem? Serve? Certifica-se…

Jesus sente a Sua Cabeça tonta…

.

Blasfemando, Dimas outra tece…

Não uma coroa, mas um capacete;

se de umas picadas arrefece,

de outras não se livra do alfinete…

.

Os espinhos agudos e compridos

enterram-se fundo sobre a fronte,

sobre a testa, ao som de uns estalidos,

como pote a mergulhar na fonte.

.

Os soldados calcam os espinhos

para que fundo lá se segurem,

não vão deixar os seus buraquinhos

e cá fora uns aos outros se empurrem.

.

Em movimento descontrolado,

tremendo de dor, frio, vacilante,

bate com a cabeça de lado

contra o muro de pedra cortante.

.

Passados alguns, poucos, instantes,

as pálpebras tenta reabrir.

Em vão! …Um espinhos penetrante

impede a pestana de subir.

.

Uma nova cena se prepara…

Os olhos Lhe tapam com a venda,

na mão Lhe colocam uma vara,

um manto vermelho é a real prenda.

.

Para ser Rei, nada Lhe faltava…

A coroa, o ceptro, manto real…

A homenagem se Lhe prestava

num comediante, vil festival.

.

Surge uma bofetada sonora…

“Adivinha lá quem Te bateu!

E que tal esta canada agora?

Adivinha que Ta ofereceu!”…

.

O golpe desferido pela cana

o espinho da sobrancelha partiu,

sobre o olho esquerdo agora abana,

e, assim, de se abrir o impediu.

.

“Salvé, ó Tu, que és rei dos Judeus,

como rei, nós todos te adoramos,

como tal não te adoram os Teus,

nós, porém, real culto te prestamos”!

.

Com a cana a cabeça feriam,

a barba, ensopada, Lhe puxavam,

no Rosto ensanguentado Lhe cuspiam

e, Rei da Troça, Dele caçoavam.

.

Quando da comédia se fartaram,

as vestes purpurais Lhe despiram,

para Pilatos O prepararam

com as Suas vestes, que Lhe vestiram.

.

Ezequiel Miguel

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Salmo 136 (137) – Nas margens dos rios de Babilónia

Foi na Babilónia, à beira dos seus rios,

que chorámos com  as saudades de Sião;

nos salgueiros que por lá floresciam, sombrios,

pendurámos as harpas, em desolação.

.

Aqueles que nos arrastaram prisioneiros

canções de alegria ouvir de nós  queriam;

e encarando-nos com sorrisos sobranceiros:

“Cantai -nos um cântico de Sião”- pediam.

.

Como podíamos nós ao Senhor cantar

um cântico alegre numa terra estrangeira?

Se eu de ti, Jerusalém , um dia me olvidar,

que a minha mão direita se resseque inteira.

.

Que a língua me fique colada ao paladar,

se por acaso algum dia  de ti me esquecer,

se eu, ó  Jerusalém, te não considerar

a maior das alegrias que possa ter.

.

O Senhor relembra o dia de Jerusalém

aos filhos de Edom, em que os Caldeus gritavam:

“Arrasai-a! Arrasai-a! Do que ela contém

deixai  em ruínas tudo o que eles amavam!”

.

Ó herdeira devastadora de Babel,

feliz aquele que te der  paga igual

à  que nos fizeste, ó cidade infiel.

Feliz aquele que te retribuir o mal!

.

Ezequiel Miguel

O Sinédrio trama ciladas contra Cristo

(Realidade & ficção)

.

Judeus15Personagens: Caifás, Anás, Doras, Elquias, Jeremias, Zacarias, Samuel, Sadoc, Josias, Eliseu, João, Simão

O Sinédrio reúne para discutir o assunto. Precisam-se ideias para montar ciladas a Cristo e desmascará-LO perante as multidões. Para isso foi ele convocado parcialmente, no sentido de impedir que os sinedritas amigos de Jesus estejam presentes. É um assunto que tem de ser tratado urgentemente e no máximo segredo, como tudo o que é de carácter conspirativo. A reunião realiza-se, secretamente, em casa de Caifás, e não no Templo, por motivos de segurança contra espiões.

Caifás– (Presidente e sumo sacerdote) – Caríssimos santos de Israel, convoquei-vos para tratarmos de um grave problema que nos causa grandes preocupações e angústias, por não sabermos bem como enfrentar o galileu. É que, a continuar como até aqui, estaremos a pôr em risco a nossa nação, a nossa Lei, o nosso culto e os nossos costumes! E digo mais: até podemos vir todos a ser vítimas dos romanos. Penso que já estais a par deste assunto de que vamos tratar. Propositadamente, não foram convidados aqueles membros do Sinédrio que não pensam como nós. Confiado em que o assunto de hoje não transpirará para o exterior, eis o que nos traz aqui:

O galileu, que arrasta multidões, serve-se de poderes mágicos para provocar falsos milagres que enganam toda a gente. Todos estamos convencidos de que ele age por virtude de Belzebú, com quem ele tem provavelmente um pacto secreto. Os nossos espiões transmitem-nos tudo o que ele diz e faz, mas nada disso nos dá motivos para o prendermos e o julgarmos. Precisamos de provas mais convincentes, pois, daquilo que vemos e sabemos, há sempre o risco de não interpretarmos bem as coisas. Também não o podemos prender assim sem mais nem menos, para o soltar logo a seguir, se a multidão se armar contra nós e puser em risco a nossa segurança. Depois, poderão vir os romanos e…sabe-se lá o que poderá acontecer!

Assim, preciso que de vós saiam sugestões que possamos pôr em prática para o apanharmos em pecado, conseguindo, assim, desmascará-lo de uma vez por todas e afastar dele as multidões que o seguem, na expectativa de curas milagrosas. Agora, cada um apresentará o seu plano, que todos ouviremos com atenção, deixando os comentários, se os houver, para o fim.

Anás – Eu penso que devemos estudar bem, e preparar melhor, algumas ciladas, pondo-lhe questões enigmáticas, capciosas e dilemáticas, em que qualquer uma das suas respostas seja um trunfo a nosso favor e contra ele. Refiro-me a alguma passagem das Escrituras de difícil interpretação ou de interpretações contraditórias. Por exemplo: Yahweh proibiu fazer imagens de tudo o que há nos céus, na terra e nos mares. Eis a questão: Então, porque mandou ele a Moisés fabricar uma serpente de bronze e erguê-la no deserto? E porque mandou Ele construir dois Querubins sobre a Arca da Aliança? Yahweh deu ordens contraditórias ou não? Ele terá de explicar! E aí podemos apanhá-lo em contradição, seja qual for a resposta que ele der.

Doras – Eu sugiro o seguinte: Podíamos apanhá-lo de noite, atacando a casa onde ele e os seus discípulos pernoitam. Depois, julgávamo-lo por aquilo que ele fez ao meu pai. Deveis estar lembrados que ele lançou uma maldição sobre os pomares de meu pai e todas as árvores secaram imediatamente e lá continuam mirradas, esqueléticas e estéreis. Mais: Ele fulminou o meu pai, quando ele se preparava para o apedrejar. Ele deve ser obrigado a pagar os prejuízos e ser julgado por homicídio.

Elquias – A minha sugestão é esta: Um de nós, por exemplo, eu, podíamos convidá-lo para uma refeição em nossa casa e arranjávamos um estratagema que o impedisse de lavar as mãos antes da refeição, como manda a Lei. Depois, acusá-lo-íamos de infringir a Lei. Perante as nossas testemunhas, ele não poderia negar que não lavou as mãos. Se ele estiver com aqueles que andam sempre com ele, tanto melhor, pois também não teriam ocasião para lavar as mãos, caindo todos em argumentos inaceitáveis perante a Lei. Aí, poderíamos atacá-lo com os nossos argumentos, para os quais ele não teria resposta, uma vez que haveria testemunhas ali presentes.

Eliseu– A minha sugestão é esta: Um dia em que ele apareça lá pelo Templo e desate a pregar, desafiamo-lo a curar um falso doente. Explico melhor: Apresentamos-lhe um doente verdadeiro e outro falso, cada um em sua maca. Depois, no meio da discussão, acusamo-lo de realizar falsos milagres, chamamos-lhe embusteiro, mentiroso e outras coisas do género. Finalmente, desafiamo-lo a curar o doente falso e o doente verdadeiro. É evidente que ele não saberá qual é um e qual é o outro. Depois, lançamos sobre ele o ridículo e   o descrédito, levando as pessoas a concluir que ele é um intrujão, um falso Messias, por curar um falso doente, deixando o verdadeiro doente no mesmo estado em que foi. Nós, então, podemos provar que ele é mesmo mais um falso Messias e que os seus milagres são apenas obras de um charlatão. Teremos, assim, motivos e testemunhas para o levarmos a julgamento, por ser mais um que se arvora em Messias, a merecer a sorte que os outros tiveram: a morte

Samuel – Eis a minha sugestão: Ele já disse muitas vezes que se apresenta como rei das almas, não estando interessado em ser um rei verdadeiro, como esperamos que venha a ser o Messias verdadeiro, quando ele chegar. Mas nós poderíamos tentá-lo a deixar-se nomear e coroar como verdadeiro rei de Israel, em vez de Herodes. Convenceríamos alguns cortesãos de Herodes e alguns amigos do galileu a entrarem no esquema, levando-os a pensar e a acreditar nas nossas boas intenções. Aos amigos de Herodes teríamos de dizer que era uma cilada ao nazareno, de contrário poderia tudo virar-se contra nós e dar mau resultado. Assim, constituiríamos um grupo de amigos seus, um grupo de sacerdotes, um de escribas, um de fariseus, um de sinedritas, um de anciãos, um de doutores da Lei. Todos seriam devidamente instruídos sobre o tipo de discurso que cada um faria, de modo a que ele acreditasse nas boas intenções de nós todos. Esquecia-me de dizer: O encontro com ele seria numa casa de campo de algum dos nossos conhecidos, longe de olhares indiscretos, para evitar complicações futuras. Todos aqueles que falassem, teriam de demonstrar-lhe que ele, sendo o Messias, é aquele que está destinado a ser o verdadeiro rei de Israel, em vez de Herodes, que ocupa o trono indevidamente, por ser filho de estrangeiros. Assim, ele seria pressionado a aceitar, já ali, a eleição, a unção real e a coroação. Um sacerdote levaria já o óleo da unção e faria tal como fez o profeta Samuel com o rei David.Depois, se ele aceitasse, seria acusado ao Sinédrio, a Herodes e a Poncio Pilatos. O resto seria fácil de adivinhar!

Josias –Eis a minha sugestão: Ele já disse que, como senhor da vida, também ressuscita mortos.   Ora, o meu plano seria assim: Faríamos uma encenação de um funeral. Quando um jovem morresse a sério, nós levaríamos também, no funeral, um falso morto, igualmente jovem. Quando o galileu aparecesse, a choradeira seria por causa de ambos. Então, essa seria a ocasião de o provocarmos, acusando-o de fazer falsas ressurreições, porque os mortos que tinham morrido eram falsos mortos. Seria assim uma coisa parecida com o plano apresentado pelo Samuel. Ele seria desafiado, perante a multidão, a mostrar o seu poder, se é que o tem, de ressuscitar mortos verdadeiros. Se recusasse, toda a multidão o insultaria, por não querer ajudar aquelas famílias enlutadas e não usar o poder, que diz ter, em favor dos infelizes em horas tão amargas.

Sadoc – O meu plano é este: Seleccionaríamos um grupo de meretrizes bonitas, que, depois de bem industriadas por nós, as introduziríamos no meio das multidões, isto é, na primeira linha dos ouvintes, em suas pregações, precisamente em frente dele e o mais perto possível dele. Aí, veríamos se a sua pregação condiz com a sua vida e com o que dizem as Escrituras. Findas as pregações, elas aproximar-se-iam dele e…tentavam seduzi-lo, com aquela arte e astúcia que as caracteriza. Não preciso de dizer mais. É evidente que lhes pagaríamos antecipadamente metade e, depois do serviço, a outra metade ou o dobro, desde que tivessem atingido os objectivos.

Simão – Eu proponho o seguinte: Quando for possível, iremos ter com ele e pomos-lhe a questão: É ou não lícito a um Israelita pagar o tributo a César? Se ele disser que sim, atirar-lhe-emos à cara que ele não defende os interesses de Israel, como se esperaria do seu Messias, anunciado como libertador de Israel, aquele que libertará Israel de todas as opressões e opressores. Se disser que não, acusá-lo-emos a Pilatos e ele o enviará para a prisão como agitador anti romano, um inimigo de César. Não terá escapadela possível, seja qual for a resposta que dê. Depois, é só esperar para ver como ele se defende perante os romanos.

Zacarias – Eis o meu plano: Quando o encontrássemos a jeito, surgiríamos à sua frente, levando presa uma mulher adúltera, verdadeira ou falsa. Nós já levaríamos todos uma ou mais pedras para a apedrejar, como manda a Lei. Poderia também ser uma encenação previamente preparada. A mulher seleccionada não teria de dizer nada, apenas fingiria resistir àqueles que a arrastavam. Então, eis a pergunta que lhe faríamos: “Esta mulher foi apanhada em adultério. A Lei manda que a apedrejemos até morrer. Tu, que dizes? Apedrejamo-la ou não”? Aí, se ele disser que sim, acusá-lo-emos de ser cruel, de não usar a misericórdia que prega, de não perdoar, porque ele diz que pode perdoar os pecados, etc. Se disser que não, acusá-lo-emos de não cumprir a Lei e aconselhar outros a não cumpri-la e, sendo assim, já o poderíamos prender por ser um agitador, um intrujão, um falso Messias, levando as multidões a afastarem –se dele.

João – Eis o que eu proponho: Não basta a alguém dizer que é isto ou aquilo, sem primeiro ter feito obras que o demonstrem. Assim, isto pode ser aplicado ao galileu. Então, a minha ideia é esta: Quando ele aparecesse lá pelo Templo, provocaríamos uma discussão com ele, contestando afirmações e explicações sobre a doutrina que prega. É evidente que ele se defenderá com argumentos que nós não aceitamos. Quando chegasse o momento certo, exigiríamos que ali mesmo ele desse um sinal do Céu que demonstrasse que ele é o Messias verdadeiro. Podíamos combinar previamente um sinal, por exemplo: que aparecesse ali, naquele momento, um anjo do Senhor a confirmar que ele é o Messias. Se ele diz que tem os poderes de que fala, então também pode mandar vir do Céu um anjo que todos possamos ver. Se rejeitar a nossa proposta, tiraremos as devidas conclusões.

Jeremias – Também tenho uma ideia, que vou apresentar. Como ele diz que tem poderes para expulsar demónios dos possessos, podíamos encenar uma possessão diabólica, onde um falso possesso estrebucharia, berraria, deitaria espuma pela boca, cairia por terra, etc,. aquelas coisas que são típicas do comportamento dos possessos. Ai, veríamos se ele se deixava enganar ou não e se expulsava demónios de onde eles não estavam. Mais: Se recusasse expulsá-los, iríamos acusá-lo de crueldade e desprezo por alguém que sofre. Se tentasse expulsá-los, cairíamos em cima dele com provas e acusações de intrujão, embusteiro, charlatão e outros mimos que ele merece. Depois, agiríamos em conformidade.

……..

Caifás – Ninguém mais quer falar? Então, ponho à vossa consideração os planos apresentados. Alguém tem objecções contra algum ?… Não?… Então, consideram-se todos aprovados. A seu tempo iremos prepará-los e pô-los em execução.

Anás – Só mais uma coisa! Contamos com Judas Iscariotes para nos ir informando sobre o paradeiro do galileu. Combinaremos com ele quanto lhe pagaremos pelo serviço, que não será muito, pois a sua avidez por dinheiro torna tudo mais fácil. E já agora, tenho mais uma ideia. Entraríamos em negociações com o Judas, neste sentido: Nós pagaríamos ao Judas uma boa quantia pare ele conseguir convencer uma meretriz, até pode ser a sua favorita, a participar num esquema para apanhar o galileu em pecado. Bastaria que ela tentasse convencê-lo a entrar na sua casa numa noite em que ele pernoitasse por ali perto. O Judas informar-nos-ia. Então, a mulher desataria a bater nos portões e a gritar que queria falar com Jesus de Nazaré. Ele viria até ela, para saber quem era e o que queria e depois, ela oferecer-se-ia para o pecado. Quando ambos entrassem em casa da mulher, os que estivessem de guarda, escondidos, surgiriam pela frente e atiravam-lhe à cara o facto consumado, que seria divulgado às multidões que o acompanham, convencidas de que ele é o verdadeiro Messias. Aí, ficaria o mito desfeito.

Caifás – É mais um plano válido, que, a seu tempo, executaremos. A todos agradeço a vossa presença aqui, a bem da nossa nação e da nossa santa Lei.

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Ezequiel Miguel

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Salmo 18B (19) – A Lei do Senhor é perfeita

mel

A Lei do Senhor é toda perfeição,

ela faz a alma exultar de alegria,

Suas Ordens são firmes, sem oscilação,

e aos simples concedem a Sabedoria.

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Seus Preceitos primam pela rectidão,

Seus mandamentos são claros, transparentes,

nas Leis do Senhor exulta o coração

e os olhos se iluminam de raios fulgentes.

.

O Temor do Senhor sempre permanece,

os Juízos do Senhor são verdadeiros,

em Seus Juízos a rectidão não fenece,

os Juízos do Senhor apontam certeiros.

.

Os Preceitos do Senhor são valiosos,

muito mais preciosos que o mais fino ouro,

de longe mais que o puro mel saborosos,

do mel que dos favos sai como tesouro.

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Embora por eles eu me deixe guiar

e os observe com o máximo cuidado,

quem pode no fundo de si penetrar

para reconhecer o erro disfarçado?

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Purificai-me dos pecados ocultos

e do orgulho também me preservai!

Arrancai de mim os escondidos vultos,

de toda a culpa grave me libertai!

.

As palavras da minha boca aceitai,

perante Vós estejam meus pensamentos,

em humildade o meu coração deixai,

protegido contra os orgulhosos ventos!

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Ezequiel Miguel

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