Salmo 103 (104) – Senhor, meu Deus, quem como Vós?

Domingo de Pentecostes

.

Bendiz, ó minha alma, o teu Deus e Senhor!

Senhor, meu Deus, quem como Vós, magnificente,

revestido de majestade e esplendor,

envolvido num manto de luz resplendente?

.

O céu, como um enorme toldo, estendestes,

Vossa morada sobre as águas tem assento,

as nuvens para Vosso carro escolhestes

e caminhais veloz sobre as asas do vento.

.

Para Vossos mensageiros ventos nomeastes,

Vossos ministros são de fogo flamejante,

sobre alicerces firmes a Terra fundastes,

que nunca apresentará sinais de oscilante.

.

Com o manto do oceano a Terra cobristes,

sobre montes e vales as águas pousaram,

à Vossa ameaça, tentando fugir, as vistes,

ao fragor do trovão elas se amedrontaram.

.

Os montes são erguidos e os vales cavados

nos lugares que previamente lhes marcastes,

os seus limites não serão ultrapassados,

porque de cobrir a Terra lhes proibistes.

.

As águas vindas das fontes mudais em rios;

correndo pelos vales, com montes nas margens,

satisfazem a sede aos animais bravios

e garantem a vida aos asnos selvagens.

.

Nas suas margens as aves se fazem ouvir,

por entre a folhagem, com seu variado canto;

sobre os montes a chuva do céu fazeis cair,

as Vossas obras enchem a Terra de encanto.

.

Fazeis crescer a erva, alimento do gado,

e as plantas, de que o homem tira seu proveito;

por elas tira o homem da terra o pão suado

e o vinho, que lhe alegra o coração no peito.

.

Pelo seu óleo pode o seu rosto brilhar,

por elas lhe vem o pão, que nunca faltou,

as árvores se enchem de seiva a circular,

como os cedros do Líbano, que Deus plantou.

.

Seguras, as aves do céu ali se aninham,

é lá que a cegonha a sua habitação faz,

dos altos cumes os cabritos se avizinham

e as rochas são refúgio para o arganaz.

.

Fizestes a lua, para os tempos dividir,

e o sol, que não se esquece de se retirar,

começais a noite com trevas a cair,

os animais da selva saem para vaguear.

.

Os leões rugem em busca da incauta presa,

lembrando a Deus a hora do seu alimento,

o sol desponta e eles levantam a mesa,

recolhendo aos covis quando chega o momento.

.

Sai o homem de sua casa para o seu labor,

para a sua lida até ao entardecer;

quão numerosas são as Tuas obras, Senhor!

Em todas se pode a Tua sabedoria ver.

.

Toda a Terra ostenta as Vossas grandes riquezas!

Eis o mar, grande, largo, medonho, espaçoso,

com inúmeros seres em suas profundezas,

animais de porte pequeno ou volumoso.

.

Sulcam-no as naus e a baleia diariamente,

que formastes para nele a vida gozar;

todos de Vós esperam confiadamente

o seu alimento, quando a hora chegar .

.

No tempo oportuno Vós os deixais saciados

porque lhes dais em abundância o alimento;

se Vos escondeis deles, ficam perturbados

e morrem, se lhes tirais da vida o alento.

.

É assim que Vós ao pó da terra os entregais,

a esse pó de onde um dia foram tirados;

são criados quando o Vosso Espírito enviais;

glória a Vós, Senhor, pelos feitos realizados!

.

Seja o Senhor para sempre glorificado,

rejubile pelas Suas obras o Senhor,

a Terra estremece ante o Seu olhar irado,

toca nos montes e fumegam de pavor.

.

Enquanto viver, eu hei-de ao Senhor cantar,

enquanto existir, o meu Deus eu louvarei,

oxalá o meu poema Lhe possa agradar!

Quanto a mim, com o Senhor eu me alegrarei.

.

Seja a Terra libertada dos pecadores!

Dos malvados não fique vivo um, sequer!

Bendiz, ó minha alma, o Senhor, por Seus favores!

Louva-O e aceita tudo o que Dele vier!

.

Ezequiel Miguel.

Anúncios

O Espírito do Senhor

O ESPÍRITO DO SENHOR

Imagem

Os Doze Frutos dos Dons do Espírito Santo

Fonte: www.arautos.org.br

arvore.pngO Espírito Santo é a terceira Pessoa da Santíssima Trindade e Ele é o “Senhor que dá a vida e que procede do Pai e do Filho e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado. Foi Ele que falou pelos profetas.” O Espírito Santo é o dador de todos os dons e carismas extraordinários. Todos os frutos espirituais provêm d’Ele.

O Espírito Santo vem às nossas almas no dia do nosso Baptismo, derramando sobre nós as três virtudes teologais: a Fé, a Esperança e a Caridade. E vem de um modo mais solene no dia em que recebemos o Sacramento do Crisma ou Confirmação, onde recebemos a efusão do Espírito que derrama sobre nós os sete dons: A Sabedoria ou Sapiência, o Entendimento, o Conselho, a Fortaleza, a Ciência, a Piedade e o Temor de Deus.

O Espírito Santo, para além de derramar as sete grandes colunas cristãs, confere ao cristão doze frutos que são: a Caridade, o Gozo, a Paz, a Paciência, a Benignidade, a Bondade, a Longanimidade, a Mansidão, a Fé, a Modéstia, a Continência e a Castidade.

Importa definir em breves palavras, não só os dons mas, fundamentalmente, os frutos desses dons do Espírito Santo:

1- A CARIDADE , que é Amor e é o maior dos dons, porque ela não desaparece, existe para além da morte. O céu vive no Amor: “A fé e a esperança hão-de desaparecer, mas o Amor jamais desaparecerá” (1 Cor. 13,8).

– O Gozo ou alegria é caracterizado por aquelas emoções interiores, aquela alegria interior e satisfação espiritual profunda que o Espírito Santo derrama no coração e na alma. A pessoa sente um gozo inexplicável. Não há palavras humanas que possam descrever o gozo que provém do dons do Espírito Santo.

– A Paz – Esta Paz de que falamos não tem nada a ver com os motivos ou sensações externas, mas é uma paz e suavidade interiores, tal como Jesus disse aos Seus apóstolos: “Deixo-vos a paz, dou-vos a Minha paz, não como o mundo a dá mas como Eu a dou” (Jo 14, 27). Jesus é a paz e a suavidade da alma..

– A Paciência –  A virtude que suporta as adversidades, as doenças, as contrariedades e perseguições. A paciência é o fruto essencial para que o cristão persevere na sua fé. O cristão paciente dificilmente é demovido da sua fé, porque ele suporta tudo com paciência. A alma paciente é mansa e humilde, não se revolta contra o seu Deus, mas tudo suporta e aceita.

– A Benignidade é a bondade que vai para além da bondade, isto é, muitas vezes fazemos um bem, mas só até certa medida. Porém, a benignidade é a execução desse bem que vai para além do que deveria ser feito.

– A bondade é fazer o bem, desinteressadamente, às pessoas. A pessoa que o faz tem um bom coração, amando verdadeiramente. A resposta de alguém que ama a sério é: “Eu amo porque amo.”

– A Longanimidade é a paciência para além da paciência. É quando alguém continua a ser paciente depois de, tantas e tantas vezes, ter sido posto à prova.

– A mansidão –  O homem Manso dificilmente se revolta. A mansidão está sempre associada à humildade e à paciência. Jesus diz, quando se refere a Si mesmo: “Vinde a Mim que Sou manso e humilde de coração e Eu vos aliviarei. Vinde a Mim que o meu jugo é suave e a minha carga é leve. Vinde a Mim todos vós que estais sobrecarregados porque Eu vos aliviarei” (Mt 11, 28-30). Este é um grande convite do Sagrado Coração de Jesus a todos nós. A mansidão é contra a ira e contra o ódio. Assim, devemos procurar ser mansos, imitando o Divino Mestre.

– A , para além de ser um dos frutos dos dons do Espírito Santo, é uma das virtudes teologais. A fé é um fruto muito importante. Sem ela, desesperamos e desanimamos ao longo da nossa caminhada, feita de altos e baixos, com muitas dificuldades. Sem a fé, o cristão chega a certa altura e, depois de muitas dificuldades, desiste, começa a levantar interrogações e deixa de praticar o bem, deixa de ir à Missa e diz: “Afinal, os que não vão à Missa têm uma vida melhor do que a minha. Então, que me adianta ir à Missa e rezar?”. A fé leva o cristão a manter-se firme na sua caminhada, mas esta fé tem que ser conservada e protegida. Uma das maneiras é a oração, que aumenta e protege a fé. A oração mantém-nos no caminho da fé e no caminho da salvação, por isso é indispensável.

– A Modéstia relaciona-se com o ser discreto. A modéstia é contra a ostentação e a exibição. A modéstia é o pudor que deve acompanhar todo o cristão, pois nele habita Deus. Como tal, devemos respeitar o nosso próprio corpo, não o expondo como um mostruário. Alertai aquelas pessoas que se vestem com mini-saias, decotes exagerados, blusas transparentes, calças exageradamente apertadas, apresentando os contornos do corpo. Podemos usar roupas bonitas e arranjadas com o devido pudor e respeito pelo corpo.

– A Continência é um fruto dos dons do Espírito Santo. Uma pessoa continente sabe equilibrar-se, dominando a sua sexualidade. Sabe guardar-se e proteger-se. A continência é uma grande virtude. Se os homens e as mulheres de hoje possuíssem esta grande virtude, não haveria em muitos lares tanta tristeza, tanto aborrecimento, porque todos saberiam manter a castidade e a pureza. A continência é o domínio de si mesmo em relação aos instintos sexuais.

– A Castidade é um fruto que leva o homem ou a mulher a manterem a pureza do corpo e, consequentemente, a pureza da alma, não se deixando manchar, caindo em pecados contra o 6º e 9º Mandamentos. O sexto mandamento diz: “Guardar castidade nas palavras e nas obras”; e o nono mandamento diz: “Guardar castidade nos pensamentos e nos desejos.”

A castidade não é só protegida quando o homem ou a mulher se abstêm de atos sexuais fora do casamento, mas deve ser protegida, evitando que os olhos se fixem em programas indecentes ou imorais, ou se fixem na rua em situações impróprias, porque isso leva a maus pensamentos e desejos.

S. Paulo, referindo-se aos esposos, fala da Fidelidade, dizendo que aquele que é fiel à sua mulher conserva a castidade e vice-versa. Por isso, S. Paulo, quando se refere à fidelidade, quer expressar a castidade também no casamento.

Estes doze frutos do Espírito Santo devem suscitar no cristão o desejo e o esforço de os conquistar. Para isso, deverá pedi-los e suplicá-los ao Espírito Santo, porque a quem Lhe pede, Ele os dará. Se não os pedirdes, Ele ficará à espera. Contudo, com as preocupações, o corre-corre e a luta pela vida, muitas vezes esquecemo-nos de valores tão sublimes e elevados.

S. Paulo, ao falar dos frutos dos dons Espírito Santo, lembrou os conceitos opostos a estes frutos que são as paixões, referindo-as como obras da carne: bebedeiras, orgias, ira, contendas, partidarismo, ciúme, ódio, inveja, adultério, fornicação. “Os que praticarem tais coisas, não herdarão o Reino de Deus” (Gl 5, 19-21). E, acrescentando, S. Paulo diz-nos: “Devemos viver segundo o Espírito e não segundo a carne” (Gal. 5,16).

Há quem viva segundo a carne, não passa sem o sexo, sem a bebedeira, sem a ira, a raiva, a vingança, o ressentimento e até pensa que tudo isto são valores que devem ser vividos. Há programas de televisão, revistas e livros que lançam o sexo como um valor indispensável, aconselhando a juventude à libertinagem sexual e fazendo imensa propaganda dela. Isto, para o jovem menos avisado, menos orientado e menos esclarecido, é um bem e um valor sem o qual não pode viver, atirando-se desenfreadamente para a sexualidade.

Assim, perderá a sua própria personalidade. S. Paulo acrescenta: “Quem vive da carne colherá a morte, mas quem vive segundo o Espírito colherá a Vida Eterna” (Gl 6, 8).

Devemos rezar com mais assiduidade ao Espírito Santo, confiando na Sua ação e santificação na Igreja e nas almas. Sem a ajuda e o impulso do Divino Espírito Santo, nada se pode fazer ou cumprir para agradar a Deus ou à Santíssima Trindade, para seguir o verdadeiro caminho.

Os cristãos devem cultivar um amor ardente e mais confiante no Espírito Santo. A devoção ao Espírito Santo é uma devoção necessária para o cristão, uma vez que o Sagrado Coração de Jesus é inseparável do Espírito Santo, ou seja, ser devoto do Sagrado Coração de Jesus implica ser devoto do Espírito Santo, que deve ser assiduamente invocado, rezado, convidado e procurado, pois só Ele nos impulsiona à prática do bem.

O Espírito Santo é a alma e o motor da Igreja. É Ele que vem conduzindo a Igreja ao longo do tempo e irá conduzi-la até ao fim dos tempos.

O Espírito Santo é o dom de Deus para a alma do cristão, é o amor e a suavidade do Pai e do Filho, Ele é o Espírito da fortaleza. Foi Ele que deu aos mártires a força de morrerem, corajosa e alegremente, pela causa de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela causa do Evangelho. O Espírito Santo dá a coragem e a energia para que o cristão possa prosseguir no caminho da fé e da salvação.

O Espírito Santo, que em nós diz “Abba Pai” lembra-nos que somos filhos de Deus e que, por isso, possuímos uma dignidade elevada. O Espírito Santo que conduz o cristão é uma luz indispensável para cada um de nós. Cristo é o caminho e Ele prometeu aos apóstolos uma força do Alto, o Espírito Santo Paráclito, para que estes pudessem realizar tudo aquilo que ouviram e aprenderam do Divino Mestre.

A luz de Cristo que ilumina a nossa alma é o Espírito Santo, pois Jesus morreu para nos dar a vida, mas o homem nada pode fazer sem o socorro divino, sem a ajuda de Deus. Para a nossa santificação temos necessidade do Espírito Santo, devendo suplicar-Lhe os Seus dons e frutos. Assim, o que é impossível para nós torna-se possível, se rezarmos e invocarmos o Espírito Santo, se pedirmos a Sua ajuda.

Temos como exemplo a Igreja primitiva. Pensemos e meditemos no comportamento dos Apóstolos, que tiveram a coragem de deixar tudo para seguir Jesus, cheios de alegria, entusiasmo e coragem, e isto, graças à acção do Espírito Santo.

Jesus instruía-os pacientemente, mas eles, por vezes, não percebiam os ensinamentos de Jesus porque ainda não estavam repletos do Espírito Santo. Assim acontece connosco, Se não estivermos cheios do Espírito Santo, não percebemos muitos dos ensinamentos do Divino Mestre. É o Espírito Santo que vai despertando o desejo de seguir Jesus, porque o homem, por natureza, é fraco e precisa desta força. Os Apóstolos andaram de país em país, de cidade em cidade, realizando prodígios, milagres, correndo perigos, sofrendo perseguições e até a morte, graças à força do Espírito Santo.

Foi com os homens fracos que a Igreja primitiva se formou, porque este chamamento não depende do homem, mas d’Aquele que chama. Não depende da capacidade ou da inteligência do homem, mas depende de Deus. O homem é apenas o canal, o instrumento, a via através da qual Deus trabalha e age, desde que o homem permita e aceite a disposição de Deus na sua vida. Deus só precisa da disponibilidade do homem, o resto é feito por Ele.

Se disseres: “Eis-me aqui, ó meu Deus para fazer a Tua vontade, faz de mim o que pretendes”, Deus começa a agir, mas, para isso, é preciso que deixemos os nossos preconceitos, vontades, caprichos e vaidades, pois, como diz Jesus,: “Quem quiser seguir-Me, negue-se a si mesmo, pegue na sua cruz dia após dia e siga-Me” (Mt 16, 24). E o que significa negar-se a si mesmo? Significa dizer “Não” aos nossos caprichos, às nossas vontades, aos nossos prazeres para que, quando estivermos vazios de nós mesmos, possamos ficar cheios do Espírito Santo.

Temos que esvaziar aquilo que está dentro de nós, porque se não o fizermos, é como despejar água num copo cheio – é impossível – porque é preciso que o copo esteja vazio para que seja possível enchê-lo. Acontece o mesmo com o homem. Quando estamos cheios de nós mesmos, do nosso orgulho, da nossa vaidade, Deus resiste e recua, como diz o salmista: “Eu resisto ao orgulhoso e me aproximo do humilde de coração”

Ele escolhe o que é vil e desprezível para confundir o mundo. Deus é sempre Deus e assim ninguém poderá vangloriar-se diante de Deus porque os dons e os frutos não são méritos do homem, são dados por Deus.

S. Paulo, na carta aos Efésios 2, 8-9 escreve: “E isto não vem de vós; é dom de Deus; não vem das obras para que ninguém se glorie.” Quem se quiser gloriar deve gloriar-se em Jesus e não em si mesmo, nem nos valores mundanos, não na vanglória terrena, mas em Jesus. Assim, a tua glória será Jesus, o teu prémio será Jesus, a tua alegria será Jesus.

A ação do Espírito Santo sobre os Apóstolos no dia de Pentecostes foi tão forte e notória que, de fracos e cobardes que eram, estes tornaram-se fortes e corajosos em todas as circunstâncias da sua vida, suportando com coragem e paciência todo o tipo de afrontas e até o derramamento de sangue, dando a vida por Jesus e pelo Seu Evangelho.

Todas as virtudes, como a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança, devem ser pedidas e suplicadas ao Espírito Santo. Se fores prudente, se fores forte, naturalmente que, com mais facilidade, irás resistir às influências e pressão social; mas se fores fraco não poderás resistir-lhes.

A fraqueza do cristão leva-o, num dia de Domingo, a optar por não ir à Missa para ir a um passeio. Mas, se o cristão for forte, diz: “Eu vou ao passeio, mas primeiro vou à Missa” ou “apareço mais tarde, agora não posso; vou à Missa”. É curioso porque, quando se trata de faltar ao emprego, a pessoa diz: “Não posso”, mas quando se trata de assuntos de Deus a pessoa desleixa-se e falta à Missa. Esta atitude é fraqueza humana e também falta de fé. Lamentavelmente, hoje são poucas as pessoas que rezam e invocam o Espírito Santo.

O Espírito Santo não deve ser invocado somente pelos grupos carismáticos mas por todos os cristãos, por todos os baptizados.

Alguns esquecem-se, muitas vezes, de invocar Maria Santíssima. Como é que se pode separar Maria Santíssima do Espírito Santo? Onde está o Espírito Santo tem que estar Maria Santíssima pois é Ela a distribuidora de todas as graças e é através d’Ela que o Espírito Santo distribui as graças ao cristão. Ela é Esposa do Espírito Santo.

Os homens fazem muitas perguntas e pedem coisas banais e passageiras mas esquecem-se de pedir o essencial que é a graça do Espírito Santo. S. Lucas no capítulo 11, 13, diz-nos: “O Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que Lho pedem”.

Há diversidade de dons e de serviços mas o Espírito é o mesmo, pois é o mesmo Deus que opera tudo, em todos.

A manifestação do Espírito Santo é dada a cada um para proveito comum. A um, o Espírito Santo dá uma palavra de sabedoria, a outro, uma palavra de ciência, a outro a fé, a outro o dom das curas, a outro o dom de operar milagres, a outro a profecia, a outro o discernimento do Espírito, a outros, o dom das línguas e a outros a interpretação dessas mesmas línguas. Tudo isto, porém, é dado pelo mesmo e único Espírito que distribui a cada um conforme entende: “A manifestação do Espírito Santo é dada a cada um para proveito comum” (1 Cor 12, 7). O que significa isto? Todo o dom é dado, não para proveito pessoal mas sim para proveito dos outros, para que os filhos e as filhas de Deus beneficiem destes dons.

Não é dado porque a pessoa o merece mas porque o Espírito Santo entende dar o Seu dom a este ou àquele, para que saiba utilizá-lo em favor do bem comum.

Quando alguém recebe um dom tem que exigir de si mesmo muitos sacrifícios, muitas renúncias e muitas canseiras porque tem de fazer render o dom que foi recebido.

Assim explica a parábola dos talentos: “A quem mais recebe, mais lhe será exigido”. Se recebes dois talentos vais ter que dar mais dois, quatro. Se recebes cinco vais ter que apresentar mais cinco, portanto dez. Aquele que recebeu cinco vai ter de trabalhar muito mais do que aquele que recebeu apenas dois. Por isso não devemos invejar os dons do Espírito Santo que alguém possui, porque é um pecado. Não podemos dizer: “Quem me dera a mim ter este ou aquele dom”. Não, porque isso é da vontade do Espírito Santo.

A caridade é o maior dom dado pelo Espírito Santo: “A caridade nunca acabará. As profecias cessarão, as línguas também cessarão e a ciência findará. Por agora subsistem estas três: a fé, a esperança e a caridade, mas a maior delas é a caridade” (1 Cor 13, 13).

Nunca nos esqueçamos que é o Espírito Santo que santifica e edifica as almas. É tudo obra do Espírito Santo, é Ele que converte os corações, que toca neles e não o padre. Se o padre estiver cheio do Espírito Santo as suas palavras vão tocar os corações e vão convertê-los, mas é o Espírito Santo que está no padre. Se ele não tiver o Espírito Santo em si pode fazer lindos discursos, muito bem preparados, mas não toca os corações, porque não O tem presente.

Ninguém poderá dizer: “Jesus é o Senhor” ou “Jesus, eu Te amo”, se não for sob o impulso do Espírito Santo, nem poderá adorar a Jesus se não for pelo Seu impulso. Ninguém poderá ser humilde se o Espírito Santo não inserir no seu coração este belo fruto de reconhecimento e de união ao seu Criador. E quanto mais humilde for a pessoa, mais graças recebe de Deus.

Muitas vezes os cristãos perdem muitas graças, porque não sabem recebê-las. Vamos dar um exemplo concreto: Se Jesus Sacramentado passa por ti e tu ficas de pé, como se fosses uma sentinela, Jesus queria dar-te as Suas graças, mas não as poderá dar, porque não vê em ti humildade. Então, a graça passa e vai ser entregue ao homem humilde que já a tinha em abundância, porque tu não honraste o teu Deus. Perante esta situação, Jesus não pode fazer nada. Muitas pessoas dizem: “Não me apetece ajoelhar”. E eu digo: “Não te apetece?” Mas é o teu Deus que está diante de ti! Tens uma fraca fé ou não a tens, porque não identificas Quem está presente nesse momento.

SALMO 46(47) – Ergue-se o Senhor ao som da trombeta

Domingo da Ascensão do Senhor

.

Alegrai-vos, ó povos todos, e batei palmas
ao Altíssimo, Senhor, nosso Deus terrível.
De alegria exultem e cantem vossas almas,
pois é Rei da Terra inteira, embora invisível.
.
Ao nosso jugo os povos vizinhos submete,
debaixo dos nossos pés coloca as nações,
a herança escolhida para nós remete,
a glória de Jacob, a merecer ovações.
.
Sobe Deus, o Senhor, por entre aclamações,
ergue-se jubiloso e ao som da trombeta.
Ao Senhor cantai do fundo dos corações
e cada um a louvá-Lo se comprometa.
.
Hinos a Deus cantai, cantai hinos sonoros,
cantai-Lhe com a beleza da fina arte!
Que saia louvor de todos os vossos poros,
de louvar o seu Rei a Terra não se farte!
.
O Senhor reina sobre todo o Universo,
Deus está sentado no Seu trono sagrado,
Cantem-Lhe todos os povos, em prosa ou verso,
exaltem-No e adorem-No os potentados!

.

Ezequiel Miguel

Homens da Galileia

HOMENS DA GALILEIA

Imagem

Aparições da Virgem Maria em Fátima – I

13  de Maio de 1917

Da 1ª Memória da Ir. Lúcia:

“Escolhemos nesse dia, para pastagem do nosso rebanho, a propriedade pertencente a meus pais, chamada Cova da Iria. Determinámos, como de costume, qual a pastagem do dia, junto do Barreiro…e tivemos, por isso, que atravessar a charneca, o que nos tornou o caminho dobradamente longe. Tivemos, por isso, que ir devagar, para que as ovelhinhas fossem pastando pelo caminho e chegámos cerca do meio dia”.

Da 4ª Memória da Ir. Lúcia:

“ Andando a brincar com a Jacinta e o Francisco, no cimo da encosta da Cova da Iria, a fazer uma paredita  em volta de uma moita, vimos, de repente, como que um relâmpago.

Lúcia -É melhor irmos embora para casa… que estão a fazer relâmpagos;  pode vir uma trovoada.

Francisco e Jacinta – Pois sim.

E começámos a descer a encosta, tocando as ovelhas em direcção à estrada. Ao chegar, mais ou menos a meio da encosta, quase junto duma azinheira grande que aí havia, vimos outro relâmpago e, dados alguns passos mais adiante, vimos, sobre uma carrasqueira, uma Senhora, vestida toda de branco, mais brilhante que o Sol, espargindo luz mais clara e intensa que um copo de cristal cheio de água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente. Parámos surpreendidos pela aparição. Estávamos tão perto que ficávamos dentro da luz que A cercava ou que Ela espargia, talvez a metro e meio de distância, mais ou menos. Então Nossa Senhora disse-nos:

Virgem Maria (V.M.)- Não tenhais medo. Eu não vos faço mal.

Lúcia – De onde é Vossemecê?

V. M. – Sou do Céu.

Lúcia – E que é que Vossemecê me quer?

V.M . – Vim para vos pedir que venhais aqui seis meses seguidos, no dia 13 a esta mesma hora. Depois vos direi quem sou e o que quero. Depois voltarei ainda aqui uma sétima vez.

Lúcia – Eu também vou para o Céu?

V.M. – Sim, vais.

Lúcia – E a Jacinta?

V.M. – Também.

Lúcia – E o Francisco?

V.M. – Também, mas tem que rezar muitos terços.

Lembrei-me então de perguntar por duas raparigas que tinham morrido há pouco. Eram minhas amigas e estavam em minha casa a aprender a tecedeiras com a minha irmã mais velha.

Lúcia – A Ana das Neves já está no Céu?

V.M. – Sim, está.

Parece-me que devia ter uns 16 anos.

Lúcia – E a Amélia?

V.M. – Estará no purgatório até ao fim do mundo.

Parece-me que devia ter de 18 a 20 anos.

V.M. – Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que ele quiser enviar-vos, em acto de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?

Todos – Sim, queremos!

V.M. – Ides, pois, ter muito quer sofrer, mas a graça de Deus será o vosso conforto.

Foi ao pronunciar estas últimas palavras (a graça de Deus, etc.) que abriu pela primeira vez as mãos, comunicando-nos uma luz tão intensa, como um reflexo que delas expedia,  penetrando-nos no peito e no mais íntimo da alma, fazendo-nos ver a nós mesmos em Deus, que era essa luz, mais claramente que nos vemos no melhor dos espelhos. Então, por um impulso íntimo também comunicado, caímos de joelhos e repetíamos intimamente:-“Ó Santíssima Trindade, eu Vos adoro. Meu Deus, meu Deus, eu Vos amo no Santíssimo Sacramento”.

Passados os primeiros momentos, Nossa Senhora acrescentou:

V.M. – Rezem o Terço todos os dias, para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra.

Em seguida começou-se a elevar serenamente, subindo em direcção ao nascente, até desaparecer na imensidade da distância. A luz que A circundava ia como que abrindo um caminho no cerrado dos astros, motivos por que alguma vez dissemos que vimos abrir-se o Céu “.

Da 1ª Memória da Ir. Lúcia:

“Quando nessa mesma tarde, absorvidos pela surpresa, permanecíamos pensativos, a Jacinta, de vez em quando, exclamava com entusiasmo:

Jacinta –  Ai que Senhora tão bonita!

Lúcia –  Estou mesmo a ver… ainda vais dizer a alguém!

Jacinta –  Não digo, não! … Está descansada!

No dia seguinte, quando seu Irmão correu a dar-me a notícia de que ela o tinha dito, à noite, em casa, a Jacinta escutou a acusação sem dizer nada.

Lúcia – Vês? Eu bem me parecia! …

Jacinta– Eu tinha cá dentro uma coisa que não me deixava estar calada! ….

Lúcia – Agora não chores! E não digas mais nada a ninguém do que essa Senhora nos disse!

Jacinta – Eu já disse!

Lúcia – O que disseste?

Jacinta – Disse que essa Senhora prometeu levar-nos para o Céu!

Lúcia – E logo foste dizer isso!

Jacinta – Perdoa-me,  eu não digo mais nada a ninguém! “

 .

Leitura aconselhada:  Memórias da Ir. Lúcia, Vice-postulação , Fatima

 .

Ezequiel Miguel

1.ª Aparição do anjo em Fátima – I

Primavera de 1916 na Loca do Cabeço

Anjo – “Não temais. Sou o anjo da paz. Orai comigo (de joelhos e dobrado até ao chão):

…Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam…Orai assim! Os Corações de Jesus e de Maria estão atentos à voz das vossas súplicas “ (Memórias da Ir. Lúcia).

Meu Deus,… – Quem invoca Deus com esta expressão faz um acto de fé na Sua existência e reconhece a sua dependência em relação a Ele, como criatura criada por Ele, ao Qual se submete e presta culto e louvor, por mais simples e rudimentares que sejam, reconhecendo que Lhe são devidos como Criador e Senhor do Universo: “Louvor, glória, sabedoria, acção de graças, honra, poder e força ao nosso Deus  pelos séculos dos séculos. Amen” (Ap 7, 12).

O Anjo, com esta invocação, mostrou que o seu Deus é o Mesmo em Quem nós cremos e esperamos, o Mesmo que nós invocamos, adoramos e amamos, o Mesmo que ele conhece melhor que nós, pois vive perante Ele em contínua adoração. Ao clamarmos “Meu Deus…!”, tomamos a iniciativa de, lá do fundo da alma, ligarmos os nossos emissores na direcção de Deus, em pura oração, quer ela  seja de louvor, de agradecimento, de pedido, de queixa, ou ainda fazer sair dos nossos corações um acto de Fé, esperança, caridade (amor), por palavras articuladas  ou apenas por pensamentos de que apenas nós e Deus nos apercebemos.

Mas este “Meu Deus” do Anjo não se destina(va) propriamente a demonstrar  aos pastorinhos a Sua existência, mas era e é uma invocação ao Deus Eucarístico, a Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento, Àquele Senhor que um dia dissera na última Ceia: “Tomai e comei, isto é o meu Corpo…Tomai e bebei, isto é o meu Sangue… Fazei isto em memória de Mim”. Obedecendo ao mandato de Jesus Cristo, é da boca dos sacerdotes que a partir daí o pão e o vinho se transformam, pelo poder da Palavra de Deus, no Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, tão real e perfeitamente como está no Céu. Assim o ensina a Igreja e assim nos é exigido pela Fé em Jesus Eucarístico. É fácil crer neste mistério? Não é, mas quem tiver fé suficiente para  o aceitar, não terá dificuldade em aceitar todos os outros, por isso a Igreja lhe chama o “Mistério da Fé”, o primeiro de entre todos.

Não há muito tempo esteve em Fátima uma exposição fotográfica sobre Milagres Eucarísticos, em que se testemunhavam, por fotografias e textos, a transformação da hóstia e vinho consagrados em verdadeira Carne e verdadeiro Sangue humanos, após a Consagração, fenómeno a que a Igreja dá o nome de Transubstanciação. Um dos mais famosos é o da cidade italiana de Lanciano, recentemente analisado pela Universidade de Pádua, em que tudo bate certo sobre o Sangue (grupo A/B) e o músculo do Coração de Cristo. Em Portugal provou-se como verdadeiro o Milagre Eucarístico de Santarém em 1240 ou 1266, em que uma senhora, recebendo a Comunhão, envolveu a Hóstia num véu, dando assim cumprimento à ordem da bruxa que consultara. A Hóstia começou a deitar Sangue… Ainda hoje lá está na antiga igreja de S. Estêvão, agora chamada Igreja do Santíssimo Milagre.  Um outro, recente, é o caso de Júlia Kim, vidente japonesa, em cuja boca, após a Comunhão, a Hóstia se desfez em sangue, facto que pôde ser comprovado presencialmente pelo seu bispo, por sacerdotes, por leigos e fotografado. Pode ver as fotos e os relatos no site “Repórter de Cristo”, anexo a este blog.  Assim, Deus dá uma ajudinha aos corações e às mentes humanos, pouco crentes ou descrentes, no sentido de darem a Jesus Eucarístico o relevo que Deus merece e conseguir neles espaço para a Adoração e a Reparação pelos pecados, ultrajes, desprezos, desleixos, insultos, blasfémias, vexames e ofensas com que Ele é ofendido.

A grande maioria da Humanidade desconhece, nega ou renega este grandiosos mistério e está já em vias de execução um concertado ataque aos Sacrários por parte de forças demoníacas secretas, mas que se movem bem às claras nas sociedades dos países católicos, para quem Deus não passa de um  Ente Superior que pouco se importa com os homens, porque, como eles pensam e dizem, o governo do Universo dá-Lhe que fazer.  E mesmo entre aqueles de nós que temos Fé em Jesus Sacramentado, quanto desleixo, indiferença, esquecimento, falta de respeito, quantas genuflexões trapalhonas, quantas comunhões sem a devida preparação e sem  a devida acção de graças, quão limitado tempo para adorar e reparar pelos pecados, nossos e dos outros. Em tudo isto vem ao de cima a nossa fraca Fé em Jesus Eucarístico, sim, porque é de Fé que se trata, de uma Fé fraca, sempre a buscar desculpas para se auto-consolar e se auto-desculpar. O que o Anjo disse equivale a ter dito: “ Crede mais fortemente em Jesus Sacramentado e o resto (adoração, reparação, esperar, amar…) virá por acréscimo”!

Leitura aconselhada: “ Pequeno Catecismo Eucarístico”, Edição não comercial dos “Pequenos Filhos da Mãe de Deus”, Apartado 130,  7350-902 Elvas.

.

Ezequiel Miguel

 

Previous Older Entries