ANO C – 5º Domingo do Tempo Comum

I – Leitura do Livro do profeta Isaías (Is 6,1.2ª.3-8)

No ano em que morreu Osias, rei de Judá, eu vi o Senhor, sentado em um trono alto e dominante, e o seu manto cobria o santuário. Diante do Senhor estavam serafins, que tinham seis asas cada um. Cada qual bradava para o outro:

Serafins – Santo, santo, santo é o Senhor do Universo.! Toda a Terra está cheia da sua glória.

À voz de quem bradava, as colunas das portas oscilaram e o Templo enchia-se de fumo. Eu disse, então:

Isaías – Ai de mim, que estou perdido, pois sou um homem de lábios impuros! Impuros são os lábios de gente com quem vivo, e os meus olhos viram o Rei, Senhor do Universo.

Um dos serafins voou ao meu encontro. Tinha na mão um carvão ardente, que tirara do altar com uma tenaz. Tocou-me com ele na boca e disse-me:

Serafim – Isto acaba de tocar-te nos lábios! O teu pecado foi tirado, as tuas faltas foram perdoadas.

Ouvi, então, a voz do Senhor:

Senhor – Quem hei-de enviar? Quem irá em vez de nós?

E eu respondi:

Isaías – Eis-me aqui! Podeis enviar-me!

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II – Salmo responsorial (Do salmo 137/138)

Na presença dos Anjos eu Vos louvarei

 .

De todo o coração, Senhor, eu Vos dou graças,

porque ouvistes as palavras da minha boca.

Na presença dos anjos Vos hei-de cantar

e Vos adorarei, voltado para o vosso templo santo.

 .

Hei-de louvar o vosso nome pela vossa bondade e fidelidade,

porque exaltastes acima de tudo

o Vosso nome e a vossa promessa.

Quando Vos invoquei, me respondestes,

aumentastes a fortaleza da minha alma.

 .

Todos os reis da Terra Vos hão-de louvar, Senhor,

quando ouvirem as palavras da vossa boca.

Celebrarão os caminhos do Senhor,

porque é grande a glória do Senhor.

 .

A vossa mão direita me salvará,

o Senhor completará o que em meu auxílio começou.

Senhor, a vossa bondade é eterna,

não abandoneis a obra das vossas mãos.

 .

Nota – Para ver o salmo 137(138) completo, clique aqui!

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III – Leitura II – Da 1ª Epístola de S. Paulo aos Coríntios (1 Cor 15,1-11):

“Meus irmãos: Recordo-vos o Evangelho que vos anunciei, o mesmo Evangelho que vós recebestes e ao qual permaneceis fiéis. Por ele também vós podeis salvar-vos, se o conservardes como eu vo-lo anunciei. Aliás, teríeis abraçado a fé em vão. (1)

Pois eu transmiti-vos em primeiro lugar o mesmo que havia recebido. Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras e, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia. A seguir, apareceu a Pedro, depois aos Doze. Posteriormente, apareceu de uma só vez a mais de quinhentos irmãos, dos quais a maioria ainda existe, enquanto alguns já faleceram. Em seguida, apareceu a Tiago, depois a todos os Apóstolos. No fim de todos, apareceu-me também a mim, que nasci como de um aborto. É que eu sou o menor dos apóstolos e não sou digno do nome de Apóstolo, por ter perseguido a Igreja de Deus.

Pela graça de Deus é que sou aquilo que sou, e a graça que Ele me deu não foi inútil. Pelo contrário, tenho trabalhado mais que todos eles, eu não, por certo, mas a graça de Deus, que está comigo! Tanto eu, pois, como eles, é assim que pregamos; e foi assim que vós acreditastes”.

(1) Nota – S. Paulo não deixa margem para dúvidas. É preciso conservar e viver o Evangelho tal como ele o anunciou. E isso faz parte do depósito da Fé genuína, integral. Se não for assim, a fé torna-se inútil, uma vez que é adulterada e, tal como acontece com o vinho e outros alimentos adulterados, não se aproveitam, por terem virado venenos.

É um recado para aqueles que só acreditam no que querem e como o querem. O caso mais premente diz respeito à aceitação dos dogmas da Eucaristia e da Penitência, os sacramentos do perdão de Deus, que os membros das confissões protestantes não aceitam. Será possível abraçar a Fé Católica em vão? S. Paulo garante que é possível.

Sugestão – Releia a Leitura II e medite-a!

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Aclamação do Evangelho (Jo 15, 15b)

Chamei-vos amigos, diz o Senhor,

porque tudo o que ouvi de Meu Pai Eu vos dei a conhecer.

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IV – Evangelho (Lc 5,1-11)

“Naquele tempo, estava a multidão aglomerada em volta de Jesus, a ouvir a palavra de Deus. Ele mesmo se encontrava à beira do lago de Genesaré e viu dois barcos estacionados no lago. Os pescadores tinham deixado os barcos e estavam a lavar as redes. Subiu então para um dos barcos, que era de Simão, e pediu-lhe que se afastassem um pouco da terra.

Depois, sentou-se, e, do barco, pôs-se a ensinar as multidões. Quando acabou de falar, disse a Simão:

Jesus – Faz-te ao largo! E vós lançai as redes para a pesca!

Simão Pedro– Mestre, andámos na faina toda a noite e não apanhámos nada. Mas, já que o dizes, largarei as redes!

Eles assim fizeram e apanharam grande número de peixes. As redes já estavam a romper-se, e eles fizeram sinal aos colegas que estavam no outro barco, para os virem ajudar. Eles vieram e encheram-se ambos os barcos, a ponto de quase afundarem. Ao ver o sucedido, Simão Pedro lançou-se aos pés de Jesus e disse-Lhe:

Simão Pedro – Senhor, afasta-te de mim, que sou um homem pecador!

Na verdade, enchera-se de assombro, como todos os que estavam com ele, por causa da pesca realizada. O mesmo sucedera a Tiago e a João, filhos de Zebedeu, que eram colegas de Simão. Disse Jesus a Simão:

Jesus – Não tenhas receio! Daqui por diante ficarás pescador de homens!

Reconduzidos os barcos para terra, eles deixaram tudo e seguiram Jesus”.

Resposta a Enigmas bíblicos XI – Vender os bens e dar o dinheiro aos pobres

Jesus07. “Se queres ser perfeito, vende os teus bens e dá o dinheiro aos pobres. Então terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-Me”!(Mt 19,21)

Deverá interpretar-se literalmente este conselho de Cristo? Será um mandamento? Será possível de cumprir? Se todos venderem tudo o que possuírem, como sobreviverão as pessoas após ficarem totalmente depenadas? Será para todos ou só para alguns? O que tinha Cristo em mente quando avançou com estas propostas? É o que vamos tentar explicar e propor respostas.

  1. Jesus gostou do jovem rico, por já cumprir os Mandamentos. Sempre os cumpriu, segundo a sua afirmação. Seria isso bastante para se salvar? Era o que ele queria saber, o que é de louvar, pois a salvação é a obrigação mínima de todos os homens que acreditam no Deus verdadeiro e cumprem as Suas leis. A resposta de Cristo seria um estímulo para continuar a ser fiel à Lei e aos Mandamentos, pois não há nada como saber se estamos no caminho certo, se temos de fazer mais e/ou melhor ou se temos de fazer algum desvio correctivo.

Cristo ouviu o Jovem, pôs nele uns olhos benevolentes e convidou-o a ir mais além deste mínimo: vender os bens e seguir Cristo, tornando-se um dos seus discípulos, indo pelas terras a pregar, a evangelizar, e, quem sabe, a entrar directamente no paraíso através do martírio. Cristo proveria às suas necessidades de sobrevivência, tal como fez com os outros apóstolos e discípulos. Hoje, teríamos talvez mais um santo canonizado, à semelhança de Lázaro, Madalena, Marta, Zaqueu, Simão, Estêvão, Paulo,… e os apóstolos, dos quais apenas Judas Iscariotes foi a excepção.

Poderá perguntar-se: Se o cumprimento rigoroso dos Mandamentos já é suficiente para a salvação, que mais seria preciso? Porquê sugerir ao Jovem que vendesse tudo e desse aos pobres, seguindo-O depois? É que Deus é exigente, mesmo quando já se faz o mínimo suficiente. Deus, em Sua generosidade, não se contenta com esse mínimo, porque quer, para bem nosso e glória Sua, que alcancemos no paraíso a maior glória possível, fruto da maior santidade possível cá na Terra. Daí, propor ao jovem rico um caminho mais perfeito.

  1. Mas o jovem era muito rico, o que era um tremendo obstáculo. Não é, em princípio, nenhum mal ser rico ou ficar rico num golpe de sorte. O problema é que a riqueza tende a monopolizar os afectos, as ambições, os projectos de vida contrários ao desprendimento dos bens materiais que a doutrina de Cristo propõe. Não é difícil imaginar o choque, o impacto violento desta proposta, humanamente compreensível, apesar de tudo.

Se queres ser perfeito… – Ser perfeito incluiria o cumprimento dos mandamentos, mais:

, Vender os bens, que eram muitos;

. Dar o dinheiro aos pobres;

. Entrar na lista daqueles que se tornaram pobres em espírito, dos que se desprenderam das riquezas, com direito ao Reino dos Céus;

. Seguir Cristo, tornando-se Seu discípulo e aceitando tudo o que daí derivasse: evangelização em qualquer parte do mundo, como leigo, como diácono, como sacerdote, como bispo, como sucessor de S. Pedro, como Confessor da Fé ou como Mártir. Sabe-se lá se não iria ocupar o lugar de Judas Iscariotes, atribuído posteriormente a Matias!

A proposta de Cristo entristeceu o Jovem, que, logo ali, deu sinais de recusa . Podia ter solicitado algum tempo, para ir dispondo as coisas e, a pouco e pouco, ir-se mentalizando para ficar livre das riquezas. Mas não consta que o tenha feito, pelo que nos é lícito concluir que o assunto ficou logo ali arrumado de vez.

E hoje, como é ou poderá ser? – Os caminhos para Deus são vários, mas todos exigentes e difíceis, embora, por vezes, se apresentem convidativos, atractivos, apelativos. Têm em comum o facto de exigirem o desprendimento dos bens materiais, sejam eles poucos ou muitos, não os encarando como um fim em si mesmos, mas apenas meios para se viver, dar esmolas e praticara caridade em casos concretos. O primeiro Mandamento obriga a amar a Deus sobre todas as coisas, o que se torna difícil para um coração asfixiado pelos cuidados que a gestão das riquezas exige. Daí, também Cristo dizer que é muito difícil que um rico se salve. Entende-se um rico que não praticou o desprendimento cristão, tornando-se pobre em espírito. S. Pedro diz que a esmola apaga uma multidão de pecados (1 Pe 4,8)

Caso 1 – Você tem em casa roupas ou calçado que já não usa, tendo-se, por isso, tornado supérfluos. Sendo assim, já não lhe pertencem, porque há já alguém à espera deles. Dê-os, esvazie os espaços indevidamente ocupados e comece por se desprender daquilo que já não lhe faz falta!

Caso 2 – Você herdou (ou recebeu de oferta) fios de ouro ou de prata, anéis valiosos, cordões vistosos com metais ou pedras preciosos, quadros de pintores famosos, jarrões antigos, etc, que são mesmo seus. Então, no caso de querer vender peças de ouro, vá a um ourives com essas peças e pergunte quanto ele lhe oferece! Vá a outro(s) e venda pelo melhor preço!

Quando vender, dê o dinheiro aos pobres ou a Instituições sérias de combate à pobreza. Faça isso sem badalar, sem que ninguém suspeite! Você terá feito uma boa acção, mas não impedirá que o ourives a quem vendeu tenha especulado a seu respeito: “Coitado(a)! Alguma coisa lhe aconteceu para andar a desfazer-se destas coisas!” E se ele for seu conhecido, depressa se saberá na aldeia, na vila, na cidade,…que você passa por situação difícil e será objecto de comentários pouco lisonjeiros… Com este gesto, fica aberto o caminho para vender outros bens que estão a tornar a sua alma pesada… Inicia-se o caminho, dando o primeiro passo, o mais difícil. Ficar-lhe-á a satisfação de ter dado cumprimento a um conselho de Cristo.

Caso 3 – Você tem em casa electrodomésticos em bom estado, mas que já não usa. Venda-os, se for possível, dê o dinheiro em esmola ou ofereça a alguém que precise.

Caso 4 – Você colhe fruta, verduras, batatas, cereais e outros produtos hortícolas, mas não consegue consumir o que produz. Venda e dê aos pobres ou ofereça a quem achar que precisa, por exemplo, conventos, lares de infância ou 3ª idade, vizinhos pobres.

Caso 5 – Você tem uns bons milhares ou milhões no Banco e sabe que alguém caiu em desgraça, não conseguindo pagar a renda da casa, a mensalidade ao Banco, as despesas de alimentação e outras, etc. Você terá uma ocasião soberana de praticar o desprendimento…Ninguém deve saber, para que a vaidade não o ataque e venha a perder todo o mérito. Cristo também diz; “Que a tua mão esquerda não saiba o que faz a direita”! E ainda: “Apregoaste as tuas boas acções, procurando fama, glória, prestígio…? Já tiveste a tua recompensa e daí não tiras mais nada”! (Mais ou menos assim). E não esqueça: Amar o próximo por amor a Deus. Não se contente com praticar a solidariedade, à moda dos ateus e inimigos da Igreja! Nós, os cristãos, dizemos: praticamos a caridade, no duplo sentido de amar o próximo e dar esmola, porque Deus assim no-lo manda. Ama-se o próximo por amor a Deus e em consequência do amor a Deus.

Depois, vem e segue-me! – Este convite foi seguido, pouco depois da morte de Cristo, por homens que se refugiaram no deserto e viviam em extrema pobreza, em castidade e total desprendimento. Hoje, o convite tem a sua plena realização na chamada Vida Religiosa, em conventos/mosteiros ou em comunidades de pessoas que emitem votos públicos de pobreza, obediência, castidade e outros, conforme os carismas deixados pelos seus fundadores. São Comunidades Religiosas que seguem os chamados Conselhos Evangélicos, também chamados Estado de Perfeição, com Regras aprovadas pela Igreja, em Congregações e Ordens Religiosas, todas se caracterizando por um ou mais carismas: ensino, assistência a doentes, missões, oração, evangelização, pregação, infância, juventude, maternidade precoce, cultura, idosos, etc. tendo em vista a santificação pessoal de cada membro, em vida contemplativa, activa ou ambas. Os sacerdotes católicos emitem votos de castidade em celibato e de obediência ao seu Bispo. Todos estes membros são flores nos diversos canteiros do Jardim da Igreja Católica.

O “Segue-me” implica um coração desprendido dos bens materiais (voto de pobreza), uma obediência total e voluntária aos superiores eleitos ou nomeados, o celibato em castidade perfeita, o que exige ser absolutamente puro, casto em palavras, pensamentos, acções e desejos. Se for chamado (a) no estado de virgindade, tanto melhor! Costuma dizer-se: “É a cereja no topo do bolo”- Era a estas pessoas que Cristo se referia quando os nomeou “Eunucos por amor do Reino dos Céus” (Mt 19, 12). Cristo prometeu ainda àqueles(as) que entrarem na Vida Religiosa: “Quem abandonar tudo por minha causa receberá cem por um em casas, irmãos, irmãs,—. No fim, receberá a Vida Eterna”(Mt 19, 29).

Quem receber de Deus o desejo /chamado/chamamento/vocação/ de entrar na Vida Religiosa, deve/pode conhecer-se bem quanto ao que sente, consultar os carismas de cada Ordem/Congregação Religiosa, para que venha a sentir-se, se entrar numa delas, como peixe na água, se levar a sério o cumprimento de todas as obrigações daí derivadas. No fim, “Receberá a Vida Eterna”.

O que não deverá vender – Não consta que o Jovem rico já estivesse casado ou tivesse filhos. Provavelmente, nem uma coisa nem outra, de contrário, Cristo não lhe teria feito esse convite, uma vez que a riqueza, havendo filhos, já impunha alguns limites. Eu entendo que o Jovem estaria em condições de dispor livremente da sua riqueza, tal como outros discípulos de Cristo, que também eram ricos: Zaqueu, Simão, Tomé, Lázaro e outros. Não consta que a estes Cristo tivesse também feito o convite de vender tudo. Limitou-se a dizer: “Vem e segue-me!” Cristo poderia ter dito: Distribui os teus bens pelos teus parentes e depois segue-me, mas não deixou margem para alternativas e lá ficou o “Vende e dá o dinheiro aos pobres”, o que leva algum tempo a concretizar, no caso de se querer mesmo cumprir à risca.

 .

Ezequiel Miguel

ANO C – 4º DOMINGO DO TEMPO COMUM

I – LEITURA I – Jer 1,4-5.17-1

Leitura do Livro de Jeremias

“No tempo de Josias, rei de Judá,
a palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos:
«Antes de te formar no ventre materno, Eu te escolhi;
antes que saísses do seio de tua mãe, Eu te consagrei
e te constituí profeta entre as nações.
Cinge os teus rins e levanta-te,
para ires dizer tudo o que Eu te ordenar.
Não temas diante deles,
senão, serei Eu que te farei temer a sua presença.
Hoje mesmo faço de ti uma cidade fortificada,
uma coluna de ferro e uma muralha de bronze,
diante de todo este país, dos reis de Judá e dos seus chefes,
diante dos sacerdotes e do povo da terra.
Eles combaterão contra ti, mas não poderão vencer-te,
porque Eu estou contigo para te salvar».

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II – SALMO RESPONSORIAL – Do salmo 70 (71)

Refrão: A minha boca proclamará a vossa salvação

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Em Vós, Senhor, perseguido me refugio,

socorrei-me, que jamais seja confundido!

Defendei minha vida, presa por um fio,

inclinai para mim, solícito, o Vosso ouvido.

 .

Ó Deus, sede o meu refúgio, onde me acolho,

prometestes resguardar-me na adversidade,

Vós sois meu rochedo, sobre o qual me recolho,

a minha protecção no mar da iniquidade.

 .

Livrai-me da mão pelo pecado manchada,

dos opressores e violentos, sem virtude,

em Vós coloquei minha esperança ilimitada,

também minha confiança, desde a juventude.

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III – LEITURA II – 1 Cor 12,31-13,13

Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios

Irmãos:
Aspirai com ardor aos dons espirituais mais elevados!
Vou mostrar-vos um caminho de perfeição que ultrapassa tudo:
. Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos,
se não tiver caridade,
sou como bronze que ressoa ou como címbalo que retine.
. Ainda que eu tenha o dom da profecia
e conheça todos os mistérios e toda a ciência,
ainda que eu possua a plenitude da fé,
a ponto de transportar montanhas,
se não tiver caridade, nada sou.

. Ainda que distribua todos os meus bens aos famintos
e entregue o meu corpo para ser queimado,
se não tiver caridade, de nada me aproveita.

“A caridade é paciente, a caridade é benigna;
não é invejosa, não é altiva nem orgulhosa;
não é inconveniente, não procura o próprio interesse;
não se irrita, não guarda ressentimento;
não se alegra com a injustiça,
mas alegra-se com a verdade;
tudo desculpa, tudo crê,
tudo espera, tudo suporta.
O dom da profecia acabará,
o dom das línguas há-de cessar,
a ciência desaparecerá;
mas a caridade não acaba nunca.
De maneira imperfeita conhecemos,
de maneira imperfeita profetizamos.
Mas quando vier o que é perfeito,
o que é imperfeito desaparecerá.
Quando eu era criança, falava como criança,
sentia como criança e pensava como criança.
Mas quando me fiz homem, deixei o que era infantil.
Agora, vemos como num espelho e de maneira confusa,
depois, veremos face a face.
Agora, conheço de maneira imperfeita,
depois, conhecerei como sou conhecido.
Agora, permanecem estas três coisas:
a fé, a esperança e a caridade;
mas a maior de todas é a caridade.”

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ALELUIA – Lc 4,18

O Senhor enviou-me a anunciar a boa nova aos pobres,
a proclamar aos cativos a redenção.

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IV – EVANGELHO – Lc 4,21-30

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo,
Jesus começou a falar na sinagoga de Nazaré, dizendo:
«Cumpriu-se hoje mesmo
esta passagem da Escritura que acabais de ouvir».
Todos davam testemunho em seu favor
e se admiravam das palavras cheias de graça
que saíam da sua boca.
E perguntavam:
«Não é este o filho de José?»
Jesus disse-lhes:
«Por certo Me citareis o ditado:
‘Médico, cura-te a ti mesmo’.
Faz também aqui na tua terra
o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum».
E acrescentou:
«Em verdade vos digo:
Nenhum profeta é bem recebido na sua terra.
Em verdade vos digo
que havia em Israel muitas viúvas no tempo do profeta Elias,
quando o céu se fechou durante três anos e seis meses
e houve uma grande fome em toda a terra;
contudo, Elias não foi enviado a nenhuma delas,
mas a uma viúva de Sarepta, na região da Sidónia.
Havia em Israel muitos leprosos no tempo do profeta Eliseu;
contudo, nenhum deles foi curado,
mas apenas o sírio Naamã».
Ao ouvirem estas palavras,
todos ficaram furiosos na sinagoga.
Levantaram-se, expulsaram Jesus da cidade
e levaram-NO até ao cimo da colina
sobre a qual a cidade estava edificada,
a fim de O precipitarem dali abaixo.
Mas Jesus, passando pelo meio deles,
seguiu o seu caminho.

 .

V – DESCODIFICANDO:

Por: E.Miguel

“…se não tiver caridade…nada sou”.

Estamos habituados a expressões como: praticar a caridade, fazer caridade, ser caridoso,…mas a palavra caridade, como S. Paulo a utiliza, significa “Amor a Deus”, sendo a tradução directa do Latim “Caritas”. Veja a expressão latina: “Deus caritas est”, que significa “Deus é amor”.

Assim, S. Paulo quer dizer que as obras praticadas por quem não ama a Deus são vazias de valor, de nada servindo para a salvação, mesmo os maiores sacrifícios que se possam fazer. Como se ama a Deus? Praticando os Mandamentos de Deus e da Igreja em estado de graça, isto é, sem estar em pecado grave, mortal. Chama-se mortal porque mata a presença de Deus nas almas. Também se diz de outra maneira: “ Matar a alma”, o que parece não estar muito correcto, uma vez que as almas não morrem, por serem espíritos. Equivale a dizer que a alma em pecado grave está morta, porque, não produzindo nada para a sua salvação, está no caminho para a morte eterna, condenação.

É por estas almas que se reza, para que se convertam, mesmo que seja na última hora de vida. Daí, Nossa Senhora, em Fátima, se ter referido a estas almas, que “ vão para o inferno por não haver quem reze e se sacrifique por elas”. São os milagres da graça a actuarem quando a alma já está à beira do precipício. Só Deus sabe a quem estas graças são aplicadas. Os Pastorinhos de Fátima, aos quais foi mostrado o Inferno e a chuva miudinha constante de almas que lá caem, interiorizaram a absoluta e premente necessidade de salvar pecadores da condenação eterna. Quem tem amor(=caridade) a Deus é constrangido a levar a sério esta realidade. Relembre ainda a oração que Nossa Senhora pediu no fim de cada mistério do Rosário: “ Ó meu Jesus, perdoai-nos e livrai-nos do fogo do Inferno. Levai as almas para o Céu principalmente as que mais precisarem”, isto é, aquelas que estão perto de se condenarem, por se encontrarem em pecado mortal.

Como se apaga o pecado mortal? Todos os que foram baptizados são membros da única Igreja de Cristo, a Igreja Católica, estando, por isso, obrigados a praticar os Sacramentos do perdão: Confissão (=Penitência) para os pecados mortais) e Eucaristia para os pecados mais leves, chamados veniais. Se Vc. é baptizado, não acredite no “ Eu confesso-me a Deus”, pois isso não vai servir-lhe de nada na hora derradeira. Não se encontra, na Bíblia, qualquer referência que permita pôr de lado aquela sentença de Jesus aos Apóstolos: “Ide,…perdoai os pecados! Aqueles a quem os perdoardes, ficarão perdoados; os que não perdoardes, não ficarão perdoados”.

Sugiro que consulte o Catecismo da Igreja Católica para saber como isso funciona!

 

Hino à Caridade (Amor a Deus)

Por: Ezequiel Miguel
(Cf. 1 Cor 12,31 / 13, 1-10)

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caridadeSe eu todas as línguas dos homens falar

e as dos anjos não me forem desconhecidas,

se não tiver amor, sou como um sino a soar

ou címbalo a retinir com zonas fendidas,

tocando em falso, sem se poder afinar.

.

Ainda que eu tivesse o dom da profecia

e conhecesse os mistérios e toda a ciência,

ainda que a minha fé, grande em demasia,

transportasse montes sem usar de violência,

se não tivesse amor, de nada isso me valia.

.

Se eu todos os meus bens aos pobres distribuísse

e o meu corpo entregasse para ser queimado,

fizesse eu milagres que todo o mundo visse

e por minhas grandes obras fosse louvado,

sem amor, não garanto que de algo servisse.

.

O amor é solícito, não é preguiçoso,

nada opera que seja inconveniente,

é humilde, não arrogante, não invejoso,

não se irrita, mas é tolerante e paciente,

não é vingativo, também não rancoroso.

.

Em favor do seu interesse nada faz,

não se alegra com a desgraça de ninguém,

é caridoso, tanto de quanto é capaz,

fica satisfeito com o pouco que tem,

sofre em silêncio a dor que o mal lhe traz.

.

Da injustiça não tira para si alegria,

mas rejubila na presença da verdade,

tudo desculpa antes que termine o dia,

tudo crê, não suspeitando de falsidade,

tudo espera e suporta, em Deus confia.

.

O amor é eterno e jamais passará,

as profecias terão todas o seu fim,

o dom das línguas também um dia cessará,

a ciência deixará de ser um trampolim,

pois tudo conhecer de nada servirá.

.

O nosso conhecimento é imperfeito,

como imperfeita é a nossa profecia,

mas quando vier aquilo que é perfeito,

tudo o que é imperfeito sai naquele dia

e tudo ficará isento de defeito.

ANO C – 3º DOMINGO DO TEMPO COMUM

LEITURA I – Ne 8,2-4a.5-6.8-10

Leitura do Livro de Neemias

Naqueles dias, o sacerdote Esdras trouxe o Livro da Lei perante a assembleia de homens e mulheres e todos os que eram capazes de compreender. Era o primeiro dia do sétimo mês. Desde a aurora até ao meio dia, fez a leitura do Livro, no largo situado diante da Porta das Águas, diante dos homens, das mulheres e de todos os que eram capazes de compreender. Todo o povo ouvia atentamente a leitura do Livro da Lei. O escriba Esdras estava de pé, num estrado de madeira feito de propósito. Estando assim em plano superior a todo o povo, Esdras abriu o Livro à vista de todos, e, quando o abriu, todos se levantaram. Então, Esdras bendisse o Senhor, o grande Deus, e todos responderam, erguendo as mãos: “Amen! Amen”! E, prostrando-se de rosto por terra, adoraram o Senhor. Os levitas liam, clara e distintamente, o Livro de Deus e explicavam o seu sentido, de maneira que se pudesse compreender a leitura. Então, o governador Neemias, o sacerdote e escriba Esdras, bem como os levitas que ensinavam o povo, disseram a todo o povo : “Hoje é um dia consagrado ao Senhor vosso Deus. Não vos entristeçais nem choreis”! Porque todo o povo chorava, ao escutar as palavras da Lei. Depois, Neemias acrescentou: “Ide para vossas casas, comei uma boa refeição, tomais bebidas doces e reparti com aqueles que não têm nada preparado. Hoje é um dia consagrado ao nosso Senhor, portanto, não vos entristeçais, porque a alegria do Senhor é a vossa fortaleza”!

 .
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 18 B (19)

Refrão: Anunciai, no meio de todos os povos, as maravilhas do Senhor!

A Lei do Senhor se tece de perfeição,

ela faz a alma exultar de alegria.

Suas Ordens são firmes, sem oscilação,

e aos simples concedem a Sabedoria.

 .

Seus Preceitos primam pela rectidão,

Seus mandamentos são claros, transparentes,

nas Leis do Senhor exulta o coração

e os olhos se iluminam de raios fulgentes.

 .

O Temor do Senhor sempre permanece,

os Juízos do Senhor são verdadeiros,

em Seus Juízos a rectidão não fenece,

os Juízos do Senhor apontam certeiros.

 .

Os Preceitos do Senhor são valiosos,

muito mais preciosos que o mais fino ouro,

de longe mais que o puro mel saborosos,

do mel que dos favos sai como tesouro.

 .

Embora por eles eu me deixe guiar

e os observe com o máximo cuidado,

quem pode no fundo de si penetrar

para reconhecer o erro disfarçado?

 .

Purificai-me de todos os pecados ocultos

e do orgulho também me preservai!

Arrancai de mim os escondidos vultos,

e de toda a culpa grave me libertai!

 .

As palavras da minha boca aceitai!

Perante Vós estejam meus pensamentos!

Em humildade o meu coração deixai,

protegido contra os orgulhosos ventos!

 .

LEITURA II – 1 Cor 12,12-30

Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios

Irmãos:
Assim como o corpo é um só e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, apesar de numerosos, constituem um só corpo, assim sucede também em Cristo. Na verdade, todos nós– judeus e gregos, escravos e homens livres – fomos baptizados num só Espírito,para constituirmos um só corpo e a todos nos foi dado a beber um só Espírito. De facto, o corpo não é constituído por um só membro, mas por muitos. Se o pé dissesse: «Uma vez que não sou mão, não pertenço ao corpo», nem por isso deixaria de fazer parte do corpo. E se a orelha dissesse: «Uma vez que não sou olho, não pertenço ao corpo», nem por isso deixaria de fazer parte do corpo. Se o corpo inteiro fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo ele fosse ouvido, onde estaria o olfacto? Mas Deus dispôs no corpo cada um dos membros, segundo a sua vontade. Se todo ele fosse um só membro, que seria do corpo? Há, portanto, muitos membros, mas um só corpo.

ALELUIA – Lc 4,18

O Senhor enviou-me a anunciar a boa nova aos pobres,
a proclamar aos cativos a redenção.

EVANGELHO – Lc 1,1-4;4,14-21

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Já que muitos empreenderam narrar os factos que se realizaram entre nós, como no-los transmitiram os que, desde o início, foram testemunhas oculares e ministros da palavra, também eu resolvi, depois de ter investigado cuidadosamente tudo desde as origens, escrevê-las para ti, ilustre Teófilo, para que tenhas conhecimento seguro do que te foi ensinado. Naquele tempo, Jesus voltou da Galileia, com a força do Espírito, e a sua fama propagou-se por toda a região. Ensinava nas sinagogas e era elogiado por todos. Foi então a Nazaré, onde Se tinha criado. Segundo o seu costume, entrou na sinagoga a um sábado e levantou-Se para fazer a leitura. Entregaram-Lhe o livro do profeta Isaías e, ao abrir o livro, encontrou a passagem em que estava escrito: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres. Ele me enviou a proclamar a redenção aos cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade aos oprimidos e a proclamar o ano da graça do Senhor». Depois enrolou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-Se. Estavam fixos em Jesus os olhos de toda a sinagoga. Começou então a dizer-lhes: «Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir”!.

Jesus na sinagoga de Nazaré

(Confira: Lucas 4, 16-30)

(Realidade & ficção)

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Sinagoga21É um sábado, o dia de os Nazarenos acorrerem à sinagoga de Nazaré, para o habitual encontro catequético, presidido e orientado pelo rabino Chefe da Sinagoga.

O grande salão está a abarrotar de gente, disposta a ouvir as leituras da Torá (Lei), dos Profetas e dos Salmos. Entre a multidão, perdido nela como qualquer um dos ouvintes, tal como alguns dos Seus discípulos, está Jesus, ouvindo atentamente o que as leituras proclamam sobre o Messias. Após as leituras e os comentários do rabi, é costume este perguntar se alguém quer ler e/ou comentar algum texto. Jesus não perde a ocasião e apresenta-se para o efeito. É-lhe entregue o rolo do profeta Isaías, que Ele vai desenrolando até surgir a passagem escolhida do profeta Isaías, que Ele lê pausadamente, majestosamente, com autoridade:

“ O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me consagrou. Ele enviou-me para levar a Boa-Nova aos que sofrem, para curar os desesperados, para anunciar a libertação aos exilados e a liberdade aos prisioneiros; para proclamar o ano da graça do Senhor, o dia em que o nosso Deus fará justiça; para consolar os tristes, para coroar os filhos de Sião; para mudar a sua cinza em coroa, o seu semblante triste em perfume de festa, e o seu abatimento em cânticos de alegria”( Is 61,1-3).

Jesus enrola novamente o livro, entrega-o ao Chefe da Sinagoga, faz silêncio, percorre, com o olhar, a assembleia e senta-se:

Jesus – Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem do profeta Isaías, pois é a Mim que ela se refere.

Segue-se um burburinho, surgindo comentários de protesto em vários pontos do salão.

Sinagogo – O que é que estás para aí a dizer? Mas quem é que tu te julgas? Bebeste demais ou estás sob o efeito de um ataque de loucura? Se tu és o Messias, eu sou o imperador romano! Acaso, não te conhecemos desde que vieste para Nazaré há uns 26 anos? Não conhecemos também os teus pais e o resto da tua família? Não te vimos brincar com os meninos de Nazaré? E agora viras profeta ou, pior ainda, elevas-te a Messias, mais um dos muitos que têm surgido por todo o lado! Acautela-te, para que não tenhas a mesma sorte dos outros! Antes de dizeres que és o Messias, tens de demonstrá-lo!

Jesus – Agora que já puseste em público as tuas dúvidas e as tuas certezas, vou explicar-vos o que sou, quem sou, o que faço e aquilo que vos proponho. Não me julgueis nem me condeneis antes de me ouvir, o princípio básico de justiça. É certo que me conheceis desde criança, mas deveis saber que Eu nasci em Belém de Judá, como anunciado pelo profeta Miqueias, e o meu nascimento foi manifestado ao mundo por uma estrela nova que surgiu sobre Belém. À vossa frente está o Messias, Aquele que o Povo espera há tantos séculos. Eu demonstrarei que sou o Messias profetizado, se acreditardes em Mim.

Sinagogo – Mas, espera aí! Se nasceste em Belém, porque vieste parar a Nazaré? Como é que escapaste à espada de Herodes, que mandou matar todos os meninos até à idade de dois anos?

Jesus – Não lestes o profeta, que diz: “ Uma voz se ouviu em Ramá. É Raquel, que chora e não quer ser consolada, porque os seus filhos já não existem” (Jer 31, 15)? Como escapei a Herodes? O Meu verdadeiro Pai, que também é o vosso Pai do Céu, enviou o Anjo Gabriel a José com a ordem de fugir com o Menino e Sua mãe para o Egipto e por lá ficarem até que Herodes morresse. Quando ele morreu, o Anjo ordenou a José que regressasse e viesse viver em Nazaré. A partir daí, já conheceis a Minha história passada, como Menino e Homem adulto, mas há uma parte da Minha História que só agora começa a ser revelada, porque chegou a hora que o Pai do Céu Me marcou para Eu a iniciar. E ela já começou. Sois todos convidados a fazer Comigo essa Nova História, que será a História de um novo Israel.

Sinagogo – Mas então, se tu és o Messias e dizes que Yahweh é o teu verdadeiro pai, qual é o papel de José, o esposo de Maria, tua mãe?

Jesus – O Messias é o Filho de Deus feito Homem, sem deixar de ser Deus, por isso, ele não poderia ter um homem por pai. Eu sou o Messias, Deus e Homem, pois a Deus nada é impossível. José foi o verdadeiro esposo de Maria, mas não foi meu pai segundo a carne. Ele cumpriu a sua missão de guarda, de protector de Minha Mãe e de Mim, para que Eu, segundo a Lei, tivesse legalmente um pai e Minha Mãe tivesse legalmente um esposo.

Secretário – Queres então dizer que és mais que um profeta, pois todos eles foram simplesmente homens, filhos de um homem e de uma mulher!

Jesus – Dizes bem! Sou mais que um profeta e fui Eu que vos enviei todos os santos profetas de que ouvistes falar.

1º Nazareno – Então, o João Baptista é aquele que vai à tua frente a preparar os teus caminhos, como diz o profeta Isaías! É isso?

Jesus – É isso mesmo! Ele vai à Minha frente para dar testemunho de Mim e ele é o último profeta da Velha Aliança. Eu venho convidar o Meu povo para estabelecer Comigo uma Nova Aliança, que será eterna.

2º Nazareno – E o que se passará com as vítimas? Continuaremos a sacrificar cordeiros e outros animais? Da Velha Aliança, que é a nossa, não se aproveitará nada?

Jesus – Os sacrifícios com animais vítimas serão abolidos, pois já não farão sentido, porque haverá uma única Vítima que tornará inúteis todas as outras vítimas. A Lei e os profetas não serão abolidos, mas serão aperfeiçoados, para que um novo povo nasça e dê glória a Deus. Quem quiser entrar neste Novo Povo terá de ser Meu discípulo, discípulo do Messias, o Cristo profetizado e agora já entre vós.

3º Nazareno –E quem será essa única vítima?

Jesus – Serei Eu! E só posso ser Eu, porque somente Eu, verdadeiro Homem e verdadeiro Deus, poderei remir a Humanidade e abrir as portas do Céu aos Justos que esperam no Seio de Abraão e a vós, quando chegar a vossa hora.

Sinagogo – Isso que dizes é blasfémia! Tu deves estar a delirar ou estar possesso de Belzebú!

Jesus –Não estou a delirar e nem Belzebú nem qualquer outro demónio tem poder sobre Mim. Eu domino nos Céus, na Terra e nos Infernos, por isso, todos os poderes Me estão submetidos. Eu vim a este mundo para destruir as obras de Satanás, que é o rei deste mundo. Ele, o príncipe do Mal, reina sobre as almas em pecado e Eu vim para as libertar dessa escravidão. É a esta realeza e a esta libertação que os profetas se referem quando falam de Mim. Eu sou o Libertador, o Salvador, que veio ao mundo para que todos os homens se libertem das garras de Satanás e alcancem a Vida Eterna em Deus.

Secretário – Mas os profetas dizem que o Messias será Rei de Israel! Queres então dizer que não vais restaurar a Monarquia e expulsar os Romanos?

Jesus – Eu vim à Terra para instaurar o Reino de Deus, um Reino Espiritual, um Reino das Almas, por isso, esses assuntos são políticos e compete aos homens lidar com eles. A Deus somente interessam as almas, porque foi Dele que elas vieram e é para Ele que elas devem voltar. É isso que se chama a salvação.

3º Nazareno – Então… e o que tencionas fazer da Lei de Moisés? Vais destruí-la, pô-la de lado, modificá-la?

Jesus – Moisés recebeu a Lei e deu-a a conhecer, vigorando até hoje. Fui Eu que a dei a Moisés, logo, essa lei é de Yahweh. As vossas autoridades cometeram abusos, introduzindo nela prescrições que a tornaram um tremendo fardo. A Nova Lei vai ser mais simples, mais eficaz e mais fácil de cumprir. Quem a aceitar e a cumprir ficará filho adoptivo de Deus, com direito à Sua Herança, a Vida Eterna no paraíso.

4º Nazareno – Como caracterizas a Nova Aliança, que dizes querer fundar?

Jesus – A Nova Aliança será fundada no Meu Corpo e no Meu Sangue, pois Eu sou a Única Vítima que agrada a Yahweh. O Meu Corpo será sacrificado e o Meu Sangue será derramado, em expiação pelos pecados dos homens: os do passado, os do presente e os do futuro. O Decálogo continuará, os Profetas também e a Lei será depurada do que for inútil e purificada. O Decálogo será resumido a “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. A lei do Amor exigirá que ameis os vossos inimigos. A vossa lei de Talião (olho por olho, dente por dente) será abolida e perdoareis as ofensas que vos fizerem, sem nenhum tipo de vingança. Perdoareis sempre! Não haverá distinção entre homens e mulheres, entre escravos e livres, entre patrões e servos, entre súbditos e reis,…isto é, para Deus serão todos iguais e serão tratados do mesmo modo. Isto já é uma parte da Boa Nova que ando a divulgar e que vos convido a aceitar.

Segue-se um movimento de aplauso da multidão, pois todos acham que será um novo mundo que está a ser anunciado:

5º Nazareno – Bravo! Nunca no mundo se ouviu quem falasse assim, tão certo, seguro e convincente. Acredito que és mesmo o Messias de Deus!

Sinagogo – Parece tudo muito bonito, mas a tua imaginação é um poço sem fundo. Talvez seja melhor ires pregar as tuas teorias entre os romanos ou entre os outros povos pagãos, mas nós continuaremos com a Lei de Moisés, como até aqui! Nós não acreditamos em nada do que dizes, porque te conhecemos bem desde criança e nunca deste sinais de ser o que agora dizes ser. Mas estamos dispostos a dar-te o benefício da dúvida. Já nos chegou aos ouvidos que em Cafarnaum fizeste por lá umas magias e convenceste alguns, que acreditaram em teus falsos milagres. Faz isso também aqui! Combina connosco um dia e uma hora e farás uso dos teus poderes divinos, curando todos os doentes, paralíticos, leprosos, surdos, mudos, doentes mentais e físicos que te apresentarmos. Cura-os todos e nós acreditaremos em ti. Temos de ver para crer!

Jesus – Se vós não acreditais que Eu posso fazer o que dizes, não poderei fazer nada por vós! O Reino dos Céus chegou até vós, mas ficareis à porta, porque não entrareis nele. Aquilo que vós recusais será oferecido aos pagãos; a vinha que o Senhor vos entregou será oferecida a outros povos, que darão fruto. O Messias, o Cristo de Deus, passou por vós, mas vós O rechaçais como embusteiro, visionário, mágico, mentiroso,…Morrereis no vosso pecado, porque a Graça, que sou Eu, foi pisada como se fosse erva daninha e venenosa. É bem certo que nenhum profeta é bem recebido na sua terra. Eu quisera deixar-vos uma lembrança da Minha passagem entre vós, curando todos os doentes do corpo e da alma, mas falta-vos algo importante: fé em Mim e boa vontade. Sem isto, não Me dais condições para vos mostrar o Meu poder. Acontecerá convosco o que aconteceu com os profetas Elias e Eliseu, os quais realizaram milagres fora de Israel. Elias, no tempo de uma tremenda fome em Israel, foi enviado a uma viúva de Sarepta para lhe multiplicar o alimento. Eliseu curou apenas a lepra do sírio Naaman, excluindo todos os leprosos de Israel.

Sinagogo – Ouvistes tudo isto? Nós não queremos nada com Ele! Vamos expulsá-lo de Nazaré e deitá-lo abaixo do monte. Vamos cercá-lo, para que não se escape. Teremos o prazer de o fazer voar do monte abaixo, pois, se tem tantos poderes, se é o Messias, o Filho de Yahweh, irá voar como os passarinhos e aterrar suavemente lá em baixo. Até porque está escrito: “Yahweh enviará os seus anjos para que te protejam e não te magoes nas pedras do caminho” (Salmo 90). Vamos a ele! Os que puderem deitem-lhe a mão e segurem-no bem! Vamos ver em que dão os seus poderes!

E Jesus, cercado logo por um grupo de nazarenos corpulentos, foi expulso da sinagoga. A multidão acompanhou-O até ao alto do monte, sem que Maria e alguns apóstolos pudessem fazer fosse o que fosse em favor de Jesus. Quando chegaram ao ponto mais alto, Jesus deixou-se aproximar do precipício, ficou a mirar a paisagem por uns momentos, virou-se para a multidão, olhou-a de um lado ao outro em sua pose imponente, séria, majestática, e, de repente, encetou o caminho do regresso, passando pelo meio deles sem que alguém levantasse uma mão contra Ele. Ficaram todos paralisados! Tudo, porque ainda não tinha chegado a Sua hora, a hora que o Pai Lhe marcara.

Do Evangelho: “Ao ouvirem estas palavras, todos, na sinagoga, se encheram de furor. E, erguendo-se, lançaram-NO fora da cidade e levaram-NO ao cimo do monte sobre o qual a cidade estava edificada, a fim de o precipitarem dali abaixo. Mas Jesus, passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho” (Lc 4,30).

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Ezequiel Miguel

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ANO C – Liturgia do 2º Domingo do TEMPO COMUM

1ª LEITURA

Do Livro do profeta Isaías: ( Is 62,1-5)

Por amor de Sião, não me hei-de calar, pela causa de Jerusalém. Não terei outro repouso, enquanto a sua justiça não despontar como aurora e a sua salvação não resplandecer como a luz do archote.

Então, os povos hão-de ver a tua justiça e todos os reis a tua glória. Chamar-te-ão por um nome novo, que a boca do Senhor designará. Serás coroa esplendorosa nas mãos do Senhor e diadema real nas mãos do teu Deus. Não mais te chamarão “Abandonada”, nem à tua terra, “Solidão”. Mas hão-de chamar-te “Meu Encanto”, e à tua terra, “Desposada”. Pois serás o encanto do Senhor e a tua terra terá um esposo. Tal como um jovem que recebe uma virgem, o teu Construtor desposar-te-á, e, como a esposa é a alegria do marido, tu serás a alegria de Deus.

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SALMO RESPONSORIAL (do salmo 95/96)

Refrão :

Anunciai no meio de todos os povos

as maravilhas do Senhor!

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Cantai ao Senhor um hino, um cântico novo,

cante ao Senhor cada povo, cada nação,

cantai ao Senhor, vós todos que sois Seu povo,

publicai dia a dia a Sua salvação!

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Narrai as Suas maravilhas entre as nações,

entre os povos as grandes obras de Suas mãos!

É digno do louvor dos nossos corações,

pois Ele é grande, acima dos deuses pagãos.

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Dai ao Senhor, famílias dos povos unidas,

dai-Lhe honra, glória, poder, pois é o nosso Deus!

Dai ao Senhor a glória que Lhe é devida,

levai-Lhe oferendas e entrai nos átrios Seus!

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Com vestes sagradas o Senhor adorai!

Firmou a Terra inteira, que já não oscila.

O Senhor é Rei, entre as nações O anunciai!

Ele estabiliza o Orbe, que já não vacila.

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2ª Leitura (1 Cor 12,4-11)

Meus irmãos, há diversos dons espirituais, mas é o mesmo Espírito Santo. Há diversos serviços, mas é o mesmo Senhor. Há diversas operações, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos.

Cada um, porém, recebe o dom de manifestar o Espírito em ordem ao bem comum. A um, é uma palavra de sabedoria que é dada pelo Espírito; a outro, uma palavra de ciência, segundo o mesmo Espírito; a outro, a fé em união com o mesmo Espírito; a outro, o dom das curas, nesse único Espírito; a este, o poder de fazer milagres; àquele, o de profetizar; a outro, o de avaliar dons espirituais; a este o dom de falar diversas línguas; àquele, o dom de poder traduzir essas línguas.

Tudo isto, porém, o realiza o mesmo e único Espírito, que distribui os Seus dons a cada um, conforme entende.

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Aclamação do Evangelho:

Eu sou a luz do mundo, diz o Senhor.

Quem Me segue terá a luz da Vida

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Evangelho: Jo 2, 1-2

Naquele tempo, realizou-se um casamento em Caná de Galileia, e a Mãe de Jesus encontrava-se lá.

Jesus e os seus discípulos também foram convidados para o casamento. Como o vinho veio a faltar, a Mãe de Jesus disse-Lhe: ”Não têm vinho…” Jesus respondeu-lhe: “Que me desejas, Senhora? A Minha hora ainda não chegou”! Sua Mãe disse aos serventes: “ Fazei tudo o que Ele vos disser “!

Havia ali seis talhas de pedra, destinadas aos ritos de purificação dos Judeus, levando cada uma duas ou três medidas. Disse-lhes Jesus: “Enchei de água essas talhas!” Eles encheram-nas até acima. Depois, disse-lhes: “Tirai agora e levai ao chefe da mesa”! E eles levaram. Então, o chefe da mesa provou da água transformada em vinho, sem saber donde era; só os serventes que tinham tirado a água é que sabiam. O chefe da mesa chamou o noivo e disse-lhe: “Toda a gente serve primeiro o vinho bom e, depois de terem bebido bem é que serve o inferior. Mas tu guardaste o vinho bom até agora”!

Foi assim que em Caná da Galileia Jesus deu início aos sinais que realizou. Manifestou a Sua glória e os discípulos acreditaram Nele. Depois disto, Jesus desceu a Cafarnaum com a Mãe, os irmãos e os discípulos. E ficaram ali alguns dias.

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