Salmo 66 (67) – Todos os povos Vos louvarão

Deus lance sobre nós Sua compaixão,

volte para nós Seu Rosto sereno,

dai a conhecer a Vossa Salvação

a quem percorre o caminho terreno.

.

Conhecendo os povos a Salvação,

todas as nações Vos hão-de louvar,

com Vossa equidade se alegrarão,

porque toda a Terra sabeis julgar.

.

Regeis com justiça as nações da Terra

e esta dá por todo o lado os seus frutos,

pois Tua bênção fundo nela se enterra,

germinando em louvores impolutos.

.

Que o Senhor a todos nos abençoe,

que O ouçam aqueles que não O ouvem,

que dos confins da Terra o louvor voe,

todos os povos e nações O louvem.

.

Ezequiel Miguel

OS ALICERCES DA NOVA JERUSALÉM- I (PEDRO)

st.peterAp 21, 9-14 –“ Depois, um dos sete Anjos das sete  taças  cheias com as sete últimas pragas veio até mim e disse-me: “ Vem! Vou mostrar-te a Esposa do Cordeiro”!

Ele, então arrebatou-me em espírito sobre um grande e alto monte e mostrou-me a Cidade santa, Jerusalém, que descia do céu, de junto de Deus, com a glória de Deus. O seu esplendor é como o de uma pedra preciosíssima, com doze portas. Sobre as portas há doze Anjos e nomes inscritos, os nomes das doze tribos de Israel… A muralha da Cidade tem doze alicerces, sobre os quais estão os nomes dos doze Apóstolos do Cordeiro”.

 O ALICERCE  DE JASPE

.

Com o Jaspe se coaduna

a Nova Jerusalém.

É de jaspe esta coluna,

que, com outras, a sustém.

.

É rocha, entre todas dura,

o vermelho, puro, jaspe,

tal que entrará em amargura

quem sobre ela caia ou raspe.

.

De jaspe é o vermelho anel

que Pedro traz no seu dedo

e que sela, no papel,

poder conferido cedo.

 

Deste jaspe se ilumina

a vermelha cor brilhante

da pureza da doutrina

que, com Pedro, se garante.

.

Pedro no lago pescava

quando até ele Jesus veio;

logo, então, o convidava

para pescar noutro meio.

.

Alma visível, sincera,

o calmo lago deixou

e, como pescador que era,

a pescar no mar passou.

.

“As ovelhas apascenta

e seus cordeiros também!

Todos eles alimenta

com a Fé que de Mim vem”!

.

Mudando de profissão,

o nome era de mudar.

Aquele que era o Simão

Pedro deu em se chamar.

.

Isto, para que se veja

e para sempre lembrar

que Jesus fundou Sua Igreja

em Pedro como pilar.

.

Pensando pisar a selva,

Pedro para o mar saltou.

Como o chão não era relva,

pelo Seu Mestre gritou.

.

A barca no mar vogava,

nela o Senhor dentro ia,

mas a barca se afundava

e Jesus dormir fingia.

.

-“ Salvai-nos, se tal quereis!

Tirai-nos desta maré!”

– “Porque é que vós temereis,

homens de pouca Fé”?

 

Neste mar de confusões,

que é este alteroso mundo,

que ninguém tenha ilusões,

que a Barca não vai ao fundo!

.

– “Vós quem dizeis que Eu sou?

E tu, Pedro, que dirias”?

-“ Tu és Aquele com Quem vou,

és de Israel o Messias”!

.

A Jesus diz com vigor,

quando Ele anuncia morrer:

– “Deus Te livre, ó Senhor,

tal não há-de acontecer”!

.

Que ele indigno se sentia

proclama  de lés a lés

e, firme, a Jesus dizia:

“- Nunca me lavarás os pés”!

.

Que Pedro saiu muito esperto,

à vista geral se pôs.

Chamando Jesus de perto,

esta coisa Lhe propôs:

.

– “É bom estarmos aqui!

Três tendas aqui façamos!

Nunca assim tal coisa vi!

Embora daqui não vamos!

.

Uma para Ti, Messias,

pois o Filho de Deus és!

A segunda para Elias,

a terceira é de Moisés”!

.

Na defesa do Senhor

entra Pedro de rompão!

Atacando com vigor,

uma orelha cai no chão.

.

-“ Tu amas-Me de verdade”?

–  Tu sabes que sim, Senhor”!

– Eis para ti a novidade:

Nomeio-te  Meu pastor”!

.

– “Tu és a Pedra visível

da minha querida Igreja,

o mestre vero, infalível,

que pela Verdade peleja.

.

És dos pilares o primeiro,

com  os outros também duros!

Prega pelo mundo inteiro

neste e nos tempos futuros.

.

Tens do Reino as Minhas Chaves

para abrir e fechar Cá;

também destruir os entraves

que ligam, desligam, Lá”.

.

Ezequiel Miguel

.

Artigos relacionados:

. A Nova Jerusalém – I

. A Nova Jerusalém- II

. A Nova Jerusalém – III

 

 

Os discípulos reconheceram

.Os discipulos 1

.

Os discipulos 2

Salmo 144 (145)- Quero louvar-Vos, meu Senhor, meu Deus e meu Rei

Quero exaltar-Vos, meu Deus e meu Rei,

e bendizer o Vosso Nome eternamente,

exaltar-Vos cada dia o melhor que sei

e louvar o Vosso Nome condignamente!

.

Grande é o Senhor e digno de todo o louvor!

Sua grandeza não se mede nem pode ver,

uma geração narra a outra, com rigor,

os feitos que proclamam o Vosso poder.

.

Pois falam do esplendor da Vossa majestade,

anunciam a Vossa acção maravilhosa,

cantam o imenso poder da Vossa bondade

e proclamam a Vossa obra grandiosa.

.

O Senhor é clemente e misericordioso,

lento para a ira, paciente e compassivo;

para com os homens o Senhor é bondoso,

Seu amor pelas criaturas está sempre activo.

.

Todas as criaturas Vos digam “Obrigado”!

Bendigam-Vos os Vossos fiéis, agradecidos,

falem da imensa glória do Vosso reinado

e anunciem Vossos feitos, não esquecidos,

.

para tornar conhecido o Vosso poder

e o Vosso reinado cheio de brilho e esplendor!

O Vosso reino irá todo o tempo exceder

e só como eterno se poderá supor.

.

O Senhor cumpre o que diz, por fidelidade,

ampara os que tropeçam e ficam caídos,

em tudo o que faz revela a Sua santidade

e levanta os que desesperam, oprimidos.

.

Todos dirigem para Vós a sua visão,

a todos dais o alimento conveniente;

quando com benevolência abris Vossa mão,

não fica sem alimento nenhum vivente.

.

O Senhor é justo em todos os Seus caminhos,

em todas as suas obras brilha a santidade,

os que O invocam não se sentirão sozinhos,

se a Ele recorrerem com sinceridade.

.

A todos os que O temem Ele atenderá,

pois Ele ouve solícito os seus clamores.

Por aqueles que O amam Ele velará.

Quanto aos ímpios, por eles esperam horrores.

.

Cante a minha boca um sincero louvor!

Todo o ser vivo Vos ofereça homenagem!

Bendigam os homens o Nome do Senhor

e pelos séculos lhe prestem vassalagem!

.

Ezequiel Miguel

A nova Jersusalém – III

(Cf. Ap. 21 e 22)

.

Ouvi sonoro trovão,

pairava algo de novo.

era o maldito Dragão

a cair no Lago de Fogo .                    (Ap. 20, 2-3)

.

Por Miguel ia amarrado

e multidão o seguia,

todos da cor do pecado,

tal que o céu se escurecia.

.

Três seis levavam na testa,

número bem esquisito,

era o número da Besta

e do seu mui leal séquito.

.

Com cauda descomunal,

as estrelas arrastou

e no Poço  fundo, infernal,

lá, com elas, se lançou.

.

Lá permanecerá ele,

amarrado por mil anos,

dominado por Aquele

a Quem causou tantos danos.                        (Ap. 20,1-3)

.

Logo depois que ele caiu,

o céu brilho retomou,

num instante o sol abriu

e todo o olho o fixou.

.

Um anjo com ar solene

à frente se perfilou

e lá, junto ao Deus perene,

a sua trombeta tocou.

.

Um outro, bem junto a nós,

muito sério se instalou

e, com sua celeste voz,

para todos ele entoou:

.

“Ergue-se Deus, o Senhor,

sobre o mundo, jubiloso,

aceitando o seu louvor

a Ele, que é Rei portentoso”.

.

A Terra mais Céu, unidos,

o seu canto continuaram;

alguns entre os escolhidos

solenemente o iniciaram.

.

Mil trombetas retumbaram

com grande sonoridade

e pelo Universo ecoaram

em louvor da Divindade.

.

“Com alegria visível,

ó povos, palmas batei,

o Senhor Deus é terrível

e, de toda a Terra, Rei.

.

Velozes como uma seta,

vinde e salmos Lhe cantai!

Com o toque da trombeta

novos hinos a Ele entoai!

.

Sentado em trono sagrado,

Deus é Senhor do Universo.

Que o Seu Povo muito amado

sempre O louve em belo verso”!.            (Sl. 46(47)

.

Eram as vozes de Arcanjos,

juntamente com mortais,

para não falar dos Anjos,

em cânticos celestiais.

.

Coros de Anjos eram nove,

em poses angelicais,

não é preciso que se prove

que de santos eram mais.

.

O Coro então se calou

e, através de infusa ciência,

perante o Rei se dobrou,

em sinal de reverência.

.

Um silêncio se seguiu,

logo a trombeta se ergueu,

Jesus, alegre, sorriu,

o Coro palmas bateu.

.

Quando a trombeta largou

o seu toque universal,

todo o Povo o céu fixou

ante mais este sinal.

.

Foi então que o Céu se abriu,

dando passagem a Alguém

e toda a multidão viu

a Nova Jerusalém.                                          (Ap 21,1-2)

.

À medida que descia,

infindas vozes entoavam

a celeste melodia

em que todas afinavam.

.

Os montes picos dobraram,

em respeitoso temor,

os vales se levantaram

como se damas de honor.

.

O Cosmos se comoveu,

as estrelas deliraram,

até o inferno estremeceu,

onde os demos ajoelharam.

.

Lá vinha a Esposa anunciada

com seu porte majestoso,

que descia, embelezada,

para o Seu Divino Esposo.                            (Ap. 21,2)

.

De jóias ornamentada

e brilhando de mil cores,

era por nós esperada

com ramalhetes de flores.

.

Era um curso silencioso…

Parecia a barca-bela,

vinha Cristo majestoso

lá, a guiar o leme dela.

.

Doze pilares havia

dignos de ela  se sentar,

algo fundo ficaria

para firme se fixar.                                        (Ap 21,14)

.

Sobre estes doze pilares

Cristo estabeleceu Sua Igreja,

agora, ainda nos ares,

já ela encanta quem a veja.

.

Todos os doze pilares

são de rocha muito dura,

resistente a mil azares,

que nenhuma broca fura.

.

São de rocha diferente,

as ditas pedras preciosas,

duras, de brilho insistente,

sem as faces defeituosas.                               (Ap 21,19-20)

.

Pareciam doze estrelas,

todas elas a brilhar,

deslumbrado assim de vê-las…

Era mesmo de sonhar.

.

A Cidade, em suspensão,

tinha forma de um quadrado,

sendo, na nossa visão,

três os pilares por lado.                                  (Ap 21,16)

.

Descia a Santa Cidade

centrada ao longo da Cruz,

cujo corpo, sem idade,

era feito só de luz

.

Como um vestido descia

por este corpo brilhante,

mas a cabeça se via

e também o pé distante.

.

Ezequiel Miguel

Salmo 99 (100) – Nós somos o Povo do Senhor

Exultai, povos todos, em honra do Senhor,

servi o Senhor com cânticos de alegria,

vinde até Ele com jubiloso louvor,

cantai-Lhe salmos e hinos dia após dia.

.

Lembrai-vos que Ele é o nosso Deus e Senhor,

Ele nos constituiu ovelhas do Seu rebanho;

nós somos Seus, por ser Ele o nosso Criador,

o Seu povo, cada um Sua ovelha ou anho.

.

Nós somos a Sua Grei, Ele o nosso Pastor,

pelas portas do Seu Templo santo entrai,

penetrai em Seus átrios ao som do louvor,

bendizei-O! O Seu Nome glorificai!

.

O Senhor é infinitamente bondoso,

porque perene é a Sua clemência,

de geração em geração misericordioso,

a Sua fidelidade não tem concorrência.

.

Ezequiel Miguel

Maria Madalena perante o túmulo de Cristo

(Realidade & ficção)

Personagens :  Cristo, Pedro, João, Maria Madalena

.

MMadalenaCristo morrera na cruz às três horas de sexta-feira, supondo-se que teria sido colocado no túmulo por volta das 17.30, após ter sido descido da cruz, lavado e perfumado com óleos essenciais e perfumes, segundo o costume dos Judeus. Às 18.00 horas tudo teria de ficar pronto, pois a essa hora começava a Parasceve, isto é, os preparativos da Páscoa, tempo em que era obrigatório descansar de qualquer trabalho não estritamente essencial, até à mesma hora  do  dia seguinte, sábado.

No Cenáculo,  a  casa grande onde decorrera a Última Ceia de Jesus e seus Apóstolos, estavam recolhidos Pedro e João, juntamente com a Mãe de Jesus e algumas mulheres familiares ou próximas, aguardando que chegasse o 3º dia. Entre as certezas de uns e as dúvidas de outros, que julgavam tudo acabado, salientavam-se  a Virgem Maria, o Apóstolo João e Maria Madalena, que iam animando, com a sua confiança na Ressurreição de Jesus, aqueles e aquelas que pareciam vacilar na Fé, um dos quais era Pedro, que não fazia senão chorar amargamente, tal como diz o evangelho de João: “E Pedro chorou amargamente” (Mt 26,75), incapaz de se perdoar a si próprio a tripla negação. O ambiente tornara-se pesado e o choro convulsivo de Pedro começava a incomodar aqueles e aquelas que aguardavam ansiosamente a Ressurreição, tantas vezes anunciada por Cristo. Dos apóstolos apenas João estava ali, calmo, confiante, tal como a Virgem Maria, apesar das investidas diabólicas contra essa fé, essa esperança e essa certeza. Maria Madalena, a mais irmanada com Pedro num passado recente, tentava consolar Pedro e estancar as abundantes e intermináveis lágrimas de Pedro, garantindo-lhe o perdão do Mestre, certezas também confirmadas pela Mãe de Jesus, pois Ela, mais que ninguém, podia falar do que sabia.

Maria Madalena (M.M.) – Ó Pedro, quando é que tu terminas com essa choradeira? Acaso, ela resolve-te alguma coisa?

Pedro – O que é que é que tu queres? Eu não sou capaz de parar! Isto é superior a mim!…

MM – A mim parece-me que tu duvidas do perdão do Mestre e estás a ser um tanto soberbo, porque julgas o teu pecado superior à Sua misericórdia. Há aqui alguém que tenha cometido mais e maiores pecados do que eu? E tu já viste as minhas lágrimas? O Mestre perdoou-me e…pronto! O meu passado está enterrado e o teu também vai ficar! Não penso mais nisso! E tu tens de fazer a mesma coisa! A Mãe não te disse já que Ela te perdoa e o Mestre também? E Ela, se fala assim, sabe o que diz! Não te lembras do que disse o Mestre: “Quero que o pecador se arrependa, peça perdão, se converta e tenha longa vida”? Para mais, tu já sabes qual vai ser a tua missão na Terra! Eu até aposto se Ele te vai repreender pela tua traição. Ele já viu o teu arrependimento e, mentalmente, também já ouviu o teu pedido de perdão. Por isso, levanta a cabeça e vai em frente! Anima-te! A tua queda também serve para demonstrar que somos fracos e que, sem a Sua ajuda, ninguém fica sempre de pé! Igualmente nos ensina que não devemos acreditar demasiado nas nossas forças nem atirar pedras aos outros, para que não venham elas cair em cima de nós!

João – E, se vires bem, todos nós fugimos e O abandonámos, cada qual para seu lado! E agora, até estamos aqui escondidos, com medo que o Sinédrio nos descubra! Ora, vê lá tu a nossa coragem! Corajosas foram estas mulheres, que O acompanharam e animaram, enquanto nós nos escondíamos, nos disfarçávamos ou nos diluíamos no meio da multidão! É certo que as acompanhei, porque sabia que ninguém me faria mal, pois tenho amigos entre os do Templo. Se não fosse isso, também ninguém me veria lá! Isto, só para veres que não somos muito diferentes uns dos outros! Quando Ele foi preso, eu também fugi, como todos! Tu não me ouviste dizer àquele bando: “ Prendei-me a mim também, pois quero ir com o meu Senhor”!  E eu podia tê-lo feito, porque tinha a certeza que ninguém me faria mal. E, no entanto, quando tentaram agarrar-me, salvei a pele fugindo por ali abaixo. Corajoso foi o José de Arimateia, que não teve medo em dar a cara e oferecer o seu próprio túmulo para depositar o Mestre. E agora, sabeis o que lhe aconteceu? Foi preso, a mando do Caifás, mas eu acredito que será por pouco tempo.  Não te lembras que Ele já nos avisou que ser Seu discípulo pode ter custos elevados? Mas também nos garantiu que vale a pena, em vista do prémio que nos está reservado.

MM – Falaste bem, João!… Bem, eu tenho uma proposta a fazer-vos:  Já chegou a madrugada do 3º dia. Eu não estou disposta  a esperar que se cumpram as 72 horas dos três dias completos  e proponho-vos  a ida ao sepulcro. Quem quer acompanhar-me?…(Silêncio)   Ninguém?…Eu irei sozinha, se ninguém quiser ir comigo!

João – A esta hora? Com as portas fechadas e guardadas pelos romanos? Eu acho que é muito perigoso!

MM – No tempo em que eu andava no pecado, eu nunca tive medo de percorrer sozinha as ruas de Jerusalém. Vou ter medo agora?

 João – Já pensaste bem?   Ainda está escuro, as portas das muralhas estão guardadas por soldados romanos, podes ser assaltada por ladrões, os guardas do túmulo podem enviar-te para trás, pensando que vais espiar, a grande pedra que tapa a entrada do sepulcro não te deixará ver nada!…

MM – Eu já pensei nisso tudo! Mesmo assim, insisto em ir, sozinha ou acompanhada! Além disso, não há nada como uma bolsa cheia de luzidias moedas para convencer qualquer mortal a passar por cima de todos os valores!….Mas eu convido só as mulheres! Vós, homens medricas, é melhor ficardes na segurança destas paredes!… A nós ninguém fará mal! Tenho disso a certeza. E as sentinelas até vão achar divertido e deixar-nos-ão passar!

A estratégia de M.M. passava por excluir qualquer homem, incluindo Pedro e João, os únicos apóstolos retornados ao Cenáculo, pois os outros continuavam dispersos. A Mãe de Jesus não engrossava o número das  convidadas, por estar muito fraca. Por isso, M.M. impôs que ninguém a informasse nem convidasse para esse efeito. Enquanto esta espécie de conspiração feminina se tecia, a Virgem Maria continuaria isolada no seu pequeno quarto sem ser incomodada por ninguém. Era uma ordem de Maria Madalena.

O que motivava realmente Maria Madalena para esta aventura e a estas horas da noite? Aplicar unguentos e perfumes no Corpo do Senhor, segundo a sua palavra. Ela confiava que, após subornar os guardas, eles a deixariam transpor a saída das muralhas,  e os guaras do túmulo de Cristo também não resistiriam aos denários, ajudando-a a remover  o selo e a pedra do  túmulo. Depois, se o Corpo do Mestre ainda lá estivesse, voltariam a pôr tudo como estava antes. Estes eram os planos, previamente pensados, preparados e justificados.

Ficam duas perguntas: 1. Maria Madalena e todos os outros e outras, inclusive a Mãe de Jesus, sabiam que os três dias somente ficariam completos às três da tarde daquele dia. Se acreditavam realmente que Cristo iria ressuscitar àquela hora, para cumprir a profecia, que necessidade teria o Corpo de Cristo de unguentos e perfumes? Seria uma desculpa para disfarçar o nervosismo,  a ansiedade,  a pressão interior, ou seria para confirmar que ninguém teria roubado o corpo? E como alguém roubaria o Corpo, se o túmulo estava guardado por sentinelas do Templo, a mando do Sinédrio?  Fosse qual fosse o motivo, a verdade é que Pedro, João e o grupo de mulheres que se juntaram naquela casa e noutras próximas, estavam numa terrível ansiedade que transformava as horas em eternidades. Finalmente, algumas mulheres deixaram-se convencer e acompanharam Maria Madalena.

Assim, uma vez franqueada a porta da muralha que dava acesso ao Calvário, que, contrariamente ao que esperavam, já estava aberta àquela hora, as mulheres ficaram aterradas ao sentirem um terramoto, abrigando-se cada uma como pôde e encostando-se umas às outras na esperança de ficarem melhor protegidas, ficassem elas vivas ou mortas… Decidiram, apesar deste sobressalto, do qual saíram incólumes, continuar a missão a que se tinham proposto.  Nesse momento todas se lembraram  do  terramoto que se sentiu após a morte de Cristo . Ninguém perguntou, mesmo assim, se isto teria a ver com a Ressurreição de Cristo, pois não lhes passava pela cabeça que a profecia dos três dias, que todas entenderam serem completos,  não se cumprisse.

Madalena apressou, então, o passo ao longo da muralha, de modo a encontrar   algo que disfarçasse a sua presença, até que, deixando as outras mulheres para trás, rapidamente chegou ao local do túmulo, onde teve a surpresa da sua vida:  viu os soldados estendidos no chão, aparentemente mortos ou a dormir profundamente. Viu que a pedra do túmulo fora removida e o sepulcro estava  aberto e vazio!  Sentiu que as pernas fraquejavam, segurou-se e ficou por ali sem saber bem o que fazer,  desnorteada, pensativa, lacrimosa, pois nada havia para fazer senão regressar, alimentando toda a frustração até encontrar as outras mulheres que tinham ficado para trás. De volta, lá iria a sacola com os perfumes e a bolsa recheada de moedas, ambas perfeitamente intactas. Poderíamos  chamar a isto um fracasso total, mas somente o foi na aparência.

Finalmente, pensou ter sido  bafejada por alguma sorte.  Estranhamente, andava por ali um homem a fazer não sabia bem o quê, mas que ela tomou pelo jardineiro, a ele se dirigindo:

MM– Senhor, podes dizer-me quem terá violado este túmulo e roubado o corpo do meu Senhor? Alguém o roubou e matou os guardas, pois eles não dão sinal de si.

– Homem – Mas que fazes tu aqui, mulher, a estas horas tão matinais?

Madalena– É que eu vim aqui para homenagear o corpo do meu Senhor e encontro o túmulo arrombado e vazio. E não sei quem o roubou. Ajoelho-me, Senhor, a teus pés, mas diz-me, por favor,  se foste tu ou se sabes quem foi, pois  se tu és o jardineiro desta zona, deves saber quem veio de noite e o roubou. Diz-me onde ele está e eu vou buscá-lo!

Jesus – Maria!…

Madalena –  Raboni!…Deixa-me beijar a tua veste!

Jesus – Maria, não Me toques, pois ainda não subi para Meu  Pai e vosso Pai! Vai dizer aos Meus irmãos que espero por eles na Galileia!

Maria não se fez rogada. Em descida rápida, encontra as outras  companheiras, todas ofegantes, e convence-as a voltarem para trás, mas elas recusaram, pois também queriam ver com os próprios olhos. Depois, regressaram todas cheias de alegria, na ânsia de transmitirem aos apóstolos a grande notícia de Cristo ressuscitado, não havendo dúvida que o monte foi mais fácil de descer do que de subir.

Chegadas de volta ao Cenáculo, não é difícil imaginar todas elas a falar ao mesmo tempo e dando a notícia a Pedro e João, que decidiram correr até ao túmulo, para ver com os próprios olhos, tirando assim a limpo aquele palavreado entusiasmado das mulheres. “Ver para crer”, já assim era antes de o apóstolo Tomé o pronunciar pouco depois.

 .

Ezequiel Miguel

.

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