Salmo 4 – Erguei, Senhor, sobre nós o Vosso Rosto

ANO B – 3º Domingo da Páscoa

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Responde-me, justo Senhor, quando Te invoco,

pois em ocasiões de angústia já me aliviaste,

tem piedade de mim, que em aflição sufoco,

escuta-me agora como outrora escutaste.

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Até quando, ó homens, vós me desprezareis?

Até quando tereis os corações pesados?

Até quando o nada e a ilusão amareis?

Até quando a mentira vos trará enganados?

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O Senhor faz maravilhas pelo Seu amigo,

confio que me escutará quando O invocar;

tremei, evitai dos pecados o perigo,

no silêncio do leito aprendei a meditar.

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Muitos perguntam: “Quem nos mostrará o bem”?

A Tua Face emita sobre nós luz constante,

muito mais alegria ao meu coração vem

do que se tivesse vinho e trigo abundante.

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Em paz me deito e de imediato adormeço

porque Tu, Senhor, me dás toda a segurança,

tanta, que de perigos e medos me esqueço.

Confiando em Ti vivo seguro na bonança.

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Ezequiel Miguel

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Erguei, Senhor, sobre nós, a Luz do Vosso Rosto

erguei

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Os discípulos de Emaús contam

(Cf. Lc 24, 13-49)

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(Realidade & ficção)

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emaus-.jpg“Não nos ardia cá dentro o coração, quando Ele nos falava no caminho (para Emaús) e nos desvendava as Escrituras?  Levantando-se, voltaram imediatamente para Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os seus companheiros, que lhes disseram: ”Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão”. E eles contaram o que lhes tinha acontecido no caminho (de Emaús) e como Jesus se lhes dera a conhecer, ao partir do pão” (Lc 24, 32-35).

Os discípulos de Emaús voltaram a Jerusalém e foram directos ao Cenáculo, o local da Última Ceia. Lá estavam os Onze com as mulheres que acompanharam Jesus na Sua Paixão e morte e, possivelmente, a Virgem Maria, a primeira a ser informada pelo próprio Jesus ressuscitado. Estes discípulos esperavam ser os primeiros a dar a alegre notícia da ressurreição do Senhor, não escondendo o seu discurso entusiástico sobre o que lhes tinha acontecido, mas a notícia chegara aos Onze através de Simão Pedro, antes de chegar a eles.  Simão Pedro foi o primeiro Apóstolo a ver Jesus ressuscitado. Isso  se compreende se tivermos em conta a primazia que Jesus já lhe tinha confirmado, ao escolhê-lo para  Chefe da Igreja, que ia ser inaugurada no dia de Pentecostes.

Umas pancadas na porta da casa causaram alguma preocupação, pois pairava no ar a ideia de os apóstolos virem a ser perseguidos ou até mortos pelos soldados do Templo. Mas, passado algum tempo, os dois discípulos  regressados de Emaús tiveram a alegria de poderem entrar com a esperada boa nova: “O Senhor ressuscitou e nós vimo-LO”

Todos os habitantes da casa se reuniram na sala do Cenáculo para ouvirem o que os dois tinham para contar:

Pedro – Então, o que tendes a contar com esse ar tão alegre e essa excitação que mostrais?

Lucas – O Senhor apareceu-nos em Emaús e nós viemos ter convosco, pois não podemos ficar calados perante este estrondoso acontecimento.

Cléofas – O meu amigo e eu íamos caminhando abatidos pela tristeza e angústia quanto ao futuro, pois as dúvidas assaltavam-nos. Íamos conversando quando, a certa altura, um homem que se intitulava sacerdote e profeta começou a mostrar-nos que não havia motivos para as nossas apreensões, pois, dizia ele, o Mestre cumpriria o que anunciou: que seria morto, mas que ressuscitaria ao 3º dia. Ora, já estávamos no 3º dia e…não víamos nada disso.

Lucas– O que seria de nós? Onde nos esconderíamos para escapar à prisão e talvez à morte, por sermos seus discípulos? Íamos em conversa nebulosa quando um sacerdote, ou pessoa importante, se aproximou e meteu conversa connosco. Perguntou primeiro qual o motivo da nossa triste conversa. Nós revelámos os motivos e ele foi destruindo, um após outro, esses motivos, revelando uma sabedoria tal, que nos deixava de boca aberta. Ele sabia tudo sobre as Escrituras e até o mais ínfimo pormenor sobre o Messias, demonstrando-nos que o Mestre era o Messias anunciado e que se cumpriria tudo o que as Escrituras diziam  sobre ele. Um espanto! Estávamos admirados e começámos a sentir qualquer coisa que mexia connosco cá dentro, mas que não sabíamos explicar. Aquilo não era sabedoria humana.

Cléofas – A certa altura, surgiu o cruzamento que assinala o caminho  para Emaús. Estávamos em vias de nos despedir. Ele disse que seguia adiante. Foi então que nós o convidámos para petiscar qualquer coisa connosco. Ele aceitou. Sentámo-nos à mesa, nós de um lado e ele do outro, à nossa frente. Ele pediu que fosse um de nós a fazer a oração. Feita a oração, ele pegou no pão, olhou para o céu, partiu-o, deu um bocado a cada um e…desapareceu! Era o Mestre, disfarçado, de modo que não foi possível reconhecê-lo. Levantámo-nos rapidamente, enfiámos qualquer coisa nos bolsos e fomos comendo pelo caminho. Agora, aqui estamos! Ele ressuscitou! Aleluia!

Pedro – Alegramo-nos convosco e com o que contais, pois o Senhor ressuscitou mesmo e já me apareceu, por isso, já não há dúvidas.

Agora, preparamo-nos para ir para a Galileia, conforme disse à Maria Madalena. Lá, nos aparecerá novamente e nos dirá o que fazer. A redenção está consumada e agora é a nossa vez de conquistarmos o mundo para Ele.

“Enquanto isto diziam, Jesus apresentou-se no meio deles e disse-lhes:

Jesus – A paz esteja convosco! Vejo-vos temerosos e assustados, pois julgais que sou um espírito. Porque estais tão perturbados e porque surgem dúvidas nos vossos corações? Vede as minhas mãos e os meus pés! Sou eu mesmo! Tocai-me e olhai que um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho. Vejo que vos custa acreditar. Tendes aí alguma coisa que se coma?

Pedro – Temos peixe assado.

Jesus – Então, trazei, pois vou comer à vossa frente, para que as vossas dúvidas se desfaçam. Estas foram as palavras que vos disse, quando ainda estava convosco: que era necessário que se cumprisse tudo quanto a meu respeito está escrito em Moisés, nos Profetas e nos Salmos. Vou abrir o vosso entendimento para que compreendais as Escrituras. Assim está escrito que o Messias havia de sofrer e ressuscitar dentre os mortos, ao terceiro dia; que havia de ser anunciada, em seu nome, a conversão para o perdão dos pecados a todos os povos, começando por Jerusalém. Vós sois as testemunhas destas coisas. E Eu vou mandar sobre vós o que meu Pai prometeu.” Entretanto, ide para a Galileia, onde Eu vos espero. Depois, vireis para Jerusalém, onde aguardareis até que uma força do Alto vos transforme e vos torne capazes de conquistar o mundo para Mim.

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Ezequiel Miguel

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Artigos relacionados:

. No caminho de Emaús

 

Oito dias após a Ressurreição

ANO B – 2º Domingo da Páscoa

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(Confira: Jo 20, 19-29)

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res27Era daquela semana o primeiro dia.

As portas, por medo, tinham sido fechadas,

mas eis que Jesus de repente  aparecia

e todas as dúvidas foram  apagadas.

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No lugar onde os discípulos se encontravam,

foi  no meio deles que Jesus se colocou

e eles,  que por Ele, ansiosos, tanto O aguardavam,

ouviram  a saudação com que Ele os saudou:

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“A paz esteja convosco!” E  lhes mostrou

as Suas mãos e o lado  direito perfurados.

Cada um dos discípulos  alegre ficou,

sem pestanejar e de olhos arregalados.

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Aquela saudação Jesus  lhes repetiu,

pois eles ficaram sem poder de reacção.

Então, Jesus de novo  se lhes dirigiu:

“Sou Eu!  Não duvideis! Ouvi com atenção:

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A paz esteja convosco! O  Pai Me enviou,

Assim o Filho vos envia a vós também”!

Depois, sobre eles soprando, assim falou:

“Recebei o Espírito Santo, que a vós vem!

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Àqueles a quem perdoardes os pecados,

eles  do pecador desaparecerão,

de contrario, eles não serão perdoados

e, assim, na posse  do pecador ficarão”

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Tomé, a quem  todos de Gémeo  apelidavam,

encontrava-se , quando Jesus veio, ausente.

Então, os outros discípulos o alertavam:

“Vimos o Senhor! É Ele mesmo, realmente!”

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Porém, Tomé, incrédulo, lhes respondeu:

“Quero ver o sinal dos pregos em Sua mão,

enfiar no local dos pregos um dedo meu

e no Seu peito quero ver o buracão.

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Se eu isto não fizer,  não acreditarei!

Oito dias depois estavam todos reunidos.

Jesus disse a Tomé:” Não crês, isso já sei,

mas ireis ficar todos de vez convencidos!

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Tomé, olha as minhas mãos! Dá cá o teu dedo!

Mete agora a tua mão no  lado do meu peito!

De acreditar que sou Eu mesmo não tenhas medo!

De falta de fé em Mim não sejas suspeito”!

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Tomé, com Jesus  perscrutando os olhos seus,

disse, convencido, humilde e envergonhado:

“Mestre, Tu és o meu Senhor e o meu Deus

e a Teus pés me prostro até ao chão, curvado”.

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Disse Jesus: “ Porque viste, acreditaste!

De minhas palavras fixa, bem  firme, isto:

Sê agora crente fiel, tu que duvidaste!

Felizes os que acreditam sem terem visto”!

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Ezequiel Miguel

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. No caminho de Emaús

. O Sinédrio e os guardas do sepulcro de Cristo

. O Sinédrio e a ressurreição de Cristo

O Sinédrio e os guardas do sepulcro de Cristo

(Realidade & ficção)

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Personagens:

. Cassius (centurião romano)

. Guardas do Templo

. Anás e  Caifás (sumos sacerdotes do Templo e presidentes do Sinédrio judaico)

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guardas04 “Terminado o sábado, ao romper da aurora do primeiro dia da semana, Maria de Magdala e a outra Maria foram visitar o sepulcro. Nisto, houve um grande terramoto. O anjo do Senhor, descendo do Céu, aproximou-se e removeu a pedra, sentando-se sobre ela….Os guardas, com medo dele, puseram-se a tremer e ficaram como mortos”. (Mt 28,1-4)

A Ressurreição de Cristo foi precedida de fenómenos que continuarão para sempre registados pelos evangelistas, os quais se referem a um verdadeiro anjo, que produziu uma onda de luz, um enorme terror nos guardas e um estrondo de rebentar os ouvidos, logo seguidos da remoção da pedra da entrada  do sepulcro, momento da Ressurreição gloriosa de Cristo.

Os soldados, porém,  que eram guardas judeus do Templo, viram a luz e ouviram o estrondo, mas devem também ter visto o anjo, perante o qual foram apanhados pelo terror  e  por ali ficaram desmaiados, tal como Maria Madalena e as outras companheiras os viram. Quando eles vieram a si:

1º guarda: Eh rapazes! O que foi que nos aconteceu? O fogo que ardia aqui com tanta força apagou-se! Isto quer dizer que alguma coisa se passou há já umas horas!

2º guarda –Mas é claro que se passou alguma coisa! Olhai para o sepulcro! Ele está aberto! É melhor irmos lá a ver!… O quê? O corpo não está cá! Nem sequer o lençol em que ele estava envolvido! Raios! Estamos tramados!  Como é que vamos justificar isto perante Anás e Caifás? Será que poderemos escapar à prisão?

3º guarda – Calma! O Centurião Cassius deve saber! A propósito: onde é que ele está? Ele não estava aqui estendido como nós! Deve andar por aí! Vamos dar uma volta! Ele deve saber mais do que nós sabemos sobre tudo o que se passou. Mas ele só deve contar o que viu e o que sabe ao governador, pois foi para isso que Pilatos lhe mandou estar por perto.

4º guarda – Olhai! Ele vem aí!

Cassius – Então rapazes? Dormistes bem? Então, é assim que cumpris as ordens dos vossos chefes? Eles não vão gostar nada daquilo que lhes ides contar!…

5º guarda – Se dormimos bem? Nós não sabemos explicar este sono. Só sabemos que alguma coisa estranha passou por nós! Sentimos um terramoto,  um grande estrondo e uma luz que nos envolveu. Então, vimos um anjo do Senhor a olhar-nos com cara de poucos amigos, tivemos medo e depois, …não sabemos mais o que nos aconteceu!

Cassius – Eu sei o que vos aconteceu, mas não vou explicar-vos agora. Mais tarde! Eu não tenho aqui mais nada que fazer, por isso, vou transmitir a Pilatos o que se passou. Eu contarei o que vi e vós fareis o mesmo, quando chegar a vossa vez. Não vos ponhais a inventar!

6º guarda – E  achas que nós também devemos contar ao governador, uma vez que foi ele que deu a autorização para esta missão?

Cassius –Eu penso que sim, se ele vos convocar! Poderemos fazer assim:  Eu e alguns de vós iremos ao governador. Primeiro, conto eu a minha versão. Mais tarde, quando eu vos indicar, ireis,  alguns de vós,  expor-lhe a vossa verdade. Os outros irão ao Templo e contarão o que sabem. Nada de inventar! Todos vós vistes e sentistes a mesma coisa, por isso, tem de haver unanimidade nos depoimentos, pois eles podem receber-vos um de cada vez, para verificar se há contradições ou versões diferentes. Se eles vos ameaçarem, dizei-lhes  que se dirijam a mim ou que me convidem para dar o meu testemunho. Mas, antes de abandonarmos este local, vamos dar uma volta pelas redondezas, para vermos os resultados do terramoto, que toda a cidade sentiu. Vamos! Cada um deve fixar bem os pormenores que achar de interesse. Eu já andei por aí, enquanto vós jazíeis  aqui como árvores tombadas,  e já vi tudo o que me interessava ver. Para começar: Observai bem aquele enorme rochedo partido ao meio!

7º guarda – Para já, há por aqui muitas pedras que não estavam cá.

1º guarda – Está aqui uma enorme fenda no terreno.

2º guarda -Também está ali um poço, que não existia cá!

3º guarda –  E ali está uma árvore tombada!

4º guarda –  O buraco onde a cruz foi erguida está muito mais largo e mais profundo e o sangue do rei dos Judeus ainda parece estar fresco.

Cassius –  Eu vou experimentar!…Está mesmo! .… Quem quiser, molhe nele um dedo e toque na sua fronte! Depois, leve aos lábios, tal como eu vou fazer!….Já ninguém mais quer?… Então, vamos até ao sepulcro! Os  três que  fizeram como eu fiz irão comigo ao governador. Os outros quatro irão a Anás e Caifás!… Cá estamos  em frente do sepulcro!….Alguém nota alguma coisa especial?…Nada? Então, eu digo: A pedra foi removida para o lado contrário de onde foi rebolada, mas, se virdes bem, não há nenhum rasto dela, dando a impressão que está ali como caída  directamente do céu ou transportada por alguém. Algum de vós alvitra uma explicação?

5º guarda – Tudo muito estranho!

6º guarda – Eu tenho uma explicação possível! Talvez tenha sido aquele anjo que nos meteu tanto medo!

Cassius –Eu acredito que foi isso. Lembrais-vos do motivo pelo qual nós todos estamos aqui? Este, que nós crucificámos, é o Filho de Deus, tal como disse o centurião Longinus, aquele que lhe espetou a lança no peito. O Rei dos Judeus prometera que ressuscitaria ao terceiro dia e hoje é o 3º dia! Isto não vos diz nada?  Os vossos chefes enviaram-vos para aqui exactamente para impedirdes que o seu corpo fosse roubado, pois não acreditam que ele possa ressuscitar. E agora? Ele ressuscitou mesmo! Eu tenho provas disso e bem convincentes! Agora, vamos entrar!…Que notais?

7º guarda – Ambiente perfumado,…de perfumes que não conheço! Mas, …e o lençol e as outras peças de roupa?

Cassius – Já foram levados pelas mulheres e dois discípulos dele, que vieram cá após ele ter ressuscitado. Vós não os vistes, mas eu vi-os! Eu vi ainda outras coisas que vós não vistes, mas que em altura própria vos contarei e que podem mudar as nossas vidas. E agora, vamos embora! Como combinado, uns, para dar testemunho perante o governador, outros,  a caminho de Anás e Caifás.

Logo que  os dois grupos se separaram, os quatro,  cuja tarefa era informar Anás e Caifás do que se passara, começaram a preparar o terreno para o encontro, combinando as medidas a tomar perante imprevistas eventualidades: O que fariam se Anás e Caifás fossem vítimas de um ataque de fúria; se não fossem levados a sério; se eles os ameaçassem de julgamento e prisão, por  supostamente terem falhado na guarda ao sepulcro, etc.

O outro grupo, três soldados mais o centurião Cassius, foram direitos ao palácio de Pilatos, que os recebeu algo mal humorado, abatido, sonolento, após mais uma noite mal dormida, por interferência dos fantasmas ameaçadores que lhe invadiam a consciência. Aquela sentença de morte a um prisioneiro depois de publicamente o declarar inocente, continuava, e continuaria até ao fim da sua vida, a fazê-lo rebolar na cama, a levantar-se com frequência devido aos dentes aguçados dos remorsos e as marteladas pesadelos .

Às explicações de Cassius, Pilatos não deu importância, atribuindo tudo à acção de um dos deuses dos Judeus, tendo , porém, o cuidado de o aconselhar  a não contar nada ao Sinédrio dos Judeus, para que não viesse a ter problemas. O mesmo conselho deu aos três guardas, não deixando de os censurar por não terem sabido resistir àqueles fenómenos que contavam, mas aos quais não dava crédito. Tanto Cassius como os três guardas fingiram aceitar as recomendações de Pilatos, mas a verdade é que já todos  tinham começado a divulgar os fenómenos, pelo que o anúncio da Ressurreição de Cristo já andava no ar, mesmo entre os romanos.

Não longe dali, Anás, Caifás e outros membros do Sinédrio ouviam os relatos dos quatro guardas, um de cada vez. Como todos contaram a mesma coisa, eles entraram em pânico furioso e agressivo, tudo traduzido em cólera incontrolável. Por um lado, por os guardas terem falhado na missão de guardar o sepulcro; por outro, por se verem derrotados e humilhados, após tanto trabalho, tanto esforço, tanta espionagem, tanto dinheiro gasto para pagar aos habitantes do bairro de Ofel pelo êxito do “Crucifica-o, crucifica-o!”. Agora, eles sentiam que tudo tinha sido em vão, sendo a presente situação pior do que a  anterior, tal como temiam. Acalmando um pouco, perante uma opinião mais calma e sensata, depressa surgiu uma ideia salvadora. Recuperados do choque inicial, com ar mais calmo, eles surgiram com três trunfos para uma saída airosa:

  1. Recurso a promessas de não sofrerem consequências pelas mentiras que dissessem.
  2. Recurso a ameaças de serem acusados, julgados e metidos na prisão, por desleixo na missão que lhes fora confiada.
  3. Recurso ao inesgotável tesouro do Templo para subornar os guardas, na condição de dizerem e propagarem o que lhes convinha: “Que, enquanto dormiam, os discípulos tinham vindo roubar o corpo”.

É evidente que os guardas passaram   a actuar em conformidade com o que lhes foi imposto.

 Entretanto, os guardas que informaram Pilatos vieram também informar Anás e Caifás:

Caifás – Vós sois então os outros guardas que fostes ter com Pilatos e contar-lhe a vossa aventura. Quem vos autorizou a prestar contas a esse pagão?

Guarda 1 – Ninguém! Foi o centurião Cassius que nos aconselhou!

Anás – Nós já sabemos o que se passou convosco. Os outros já contaram e afirmaram, os quatro, que tínheis caído sob o efeito de um ataque de sono e também ficado atordoados pelo tremor de terra. Entretanto, os discípulos desse impostor vieram e roubaram o corpo. Vós concordais com o que eles dizem?

Guarda 2 – Nós não sabemos os que se passou enquanto estivemos atordoados e desmaiados. E também vimos um anjo à entrada do sepulcro, que nos aterrorizou, e caímos todos uns em cima dos outros. Não sabemos quanto tempo ficámos assim. Nós não podemos dizer que alguém  abriu o sepulcro e roubou o corpo, porque, se dissermos isso, mentimos!

Caifás – (Furioso) Mas os outros disseram, logo, vós estais a mentir! Além disso, mereceis punição por não terdes cumprido a vossa missão! Outra coisa: o que estava lá o centurião Cassius a fazer? Ele viu alguma coisa que vós não tenhais visto?

Guarda 3 – Ele lembrou que se cumpriu aquela profecia de ressuscitar ao terceiro dia e foi isso mesmo que ele foi dizer a Pilatos. E nós também dissemos, porque não acreditamos que alguém tenha roubado o corpo e também não acreditamos que os nossos colegas tenham dito outra coisa diferente de nós e do Cassius. E vós vedes que houve um terramoto quando Ele morreu e outro terramoto quando ele ressuscitou. Tendes provas disso nos diversos escombros que há no Templo e na cidade, inclusive lá no Gólgota.

Anás – (Altamente irritado) Pois vós ides ter de escolher: Ou passais a dizer que os discípulos dele roubaram o corpo enquanto dormíeis, ou sereis metidos na prisão! Tendes ainda uma alternativa: aceitais o dinheiro que vos propomos, em troca do vosso compromisso, e guardais absoluto segredo daquilo que vistes, ouvistes e sabeis! Então, que dizeis?

Guarda 1 – Eu não aceito! Contarei sempre a verdade!

Guarda 2 – Recuso! A verdade é só uma, sempre e em todo o lado!

guarda 3 – Não mentirás! Yahweh abomina a mentira. Por isso, não aceito as vossas propostas!

Caifás – Então, ides directos para a prisão, onde ficareis não se sabe até quando!

Estes três guardas  recusaram a proposta e foram mesmo encarcerados. Tanto eles como os centuriões Cassius e Longinus converteram-se e tornaram-se cristão, após receberem o Baptismo.

  Como já tinha acontecido naqueles dias anteriores, a Anás e Caifás não  interessava a verdade objectiva, mas a sua verdade, isto é, a sua mentira, e esta nascia no imenso tesouro do Templo. Como hoje ainda dizemos: “Tudo se compra e tudo se vende”. Eis o texto evangélico:

“ …Alguns dos guardas foram à cidade participar aos sumos sacerdotes tudo o que tinha acontecido. Eles reuniram-se com os anciãos e, depois de terem deliberado, deram muito dinheiro aos soldados, recomendando-lhes: “Dizei isto: “De noite, enquanto dormíamos, os seus discípulos vieram e roubaram-no. “ E, se o caso chegar aos ouvidos do governador, nós o convenceremos e faremos com que vos deixe tranquilos”. Recebendo o dinheiro, eles fizeram como lhes tinham ensinado. E esta mentira divulgou-se entre os Judeus até ao dia de hoje. (Mt 28, 11-15).

Em breve, o Sinédrio decretava a perseguição aos membros mais influentes do Cristianismo nascente e Estêvão inaugurava o volumoso livro dos mártires da Fé em Cristo, onde ainda hoje há imenso espaço para novos nomes…

“Quem poderá, Senhor, habitar no teu santuário?… Aquele que tem o coração puro…, que diz a verdade que tem em seu coração,…e não se deixa subornar para prejudicar o inocente!” (Salmo 14/15).

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Ezequiel Miguel

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.No caminho de Emaús

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Cantai… um cântico novo

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Salmo 117 (118) – Eis o dia que o Senhor fez

Domingo de Páscoa

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Celebrai o Senhor, por sua imensa bondade,

porque dura para todo o  sempre o Seu amor.

Diga a Casa de Israel,  de Aarão, em unidade:

é eterna a misericórdia do Senhor.

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Todos aqueles que cultivam  Seu Temor

repitam: dura para sempre a Sua bondade;

na tribulação eu gritei pelo Senhor,

Ele me ouviu e aliviou minha dificuldade.

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O Senhor está comigo, jamais temerei.

O que tenho, vindo dos homens, a temer?

A meu lado o Senhor ajuda-me, eu sei,

dos meus inimigos já nem quero saber.

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Vale muito mais refugiar-se no Senhor

do que depositar nos homens a confiança,

vale muito mais refugiar-se no Senhor

do que colocar nos nobres a esperança.

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As nações todas, em aliança, me cercaram,

mas em nome do Senhor as aniquilei,

conluiadas, todas um cerco me montaram,

mas no nome do Senhor eu as derrotei.

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Como vespas por todo o lado me cercavam,

como fogo em silvas  os ouvia em redor,

em sua fúria assanhada me circundavam,

mas aniquilei-os em nome do Senhor.

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Empurraram-me ao verem a minha fraqueza

mas veio em meu auxílio a mão do Senhor;

o Senhor é minha glória e fortaleza,

Ele me salvou, Ele é o meu Salvador.

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Ressoe um brado de alegria e salvação

saído dos corações dos que temem o Senhor,

o Senhor usou com valentia a Sua mão,

a Sua dextra a todos mostrou o seu vigor.

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Foi com dureza que Ele me entregou à dor,

mas não me fez de entre os vivos desaparecer;

para anunciar as maravilhas do Senhor

não irei com a morte, mas hei-de viver.

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Para dar graças ao Senhor eu entrarei

pelas portas da justiça, que se abrirão,

aberta a porta do Senhor contemplarei,

será por ela que os justos entrarão.

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Dou-Vos graças porque em Vós meus gritos ecoaram

e fostes para mim a única salvação;

a pedra que os construtores não aproveitaram

tornou-se a pedra que de todas faz junção.

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Tudo isto foi feito por obra do Senhor,

sendo justo que esta maravilha admiremos;

neste dia Ele mostrou o Seu vigor,

neste dia nos  alegremos e cantemos.

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A salvação nos concedei, por Vosso amor,

a vitória igualmente Vos imploramos;

bendito o que vem em nome do Senhor!

Da Casa do Senhor nós vos abençoamos.

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O Senhor, nosso Deus, é quem nos ilumina.

Ordenai com ramagens uma procissão

até aos cantos do altar, onde termina.

Sois o meu Deus! Dou-Vos graças do coração.

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Celebrai o Senhor, por Sua imensa bondade.

Sois o meu Deus, para sempre Vos exaltarei,

quero louvar-Vos por Vossa fidelidade

e pela salvação Vos glorificarei.

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Ezequiel Miguel

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