Publicado por: Administrador | Setembro 15, 2019

Salmo 50 (51) – Dai-me, Senhor, um coração puro

ANO C – 24º Domingo do Tempo Comum

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ajoelhar21Por Vosso Amor, ó Deus, tende de mim piedade,

apagai minhas culpas, tende compaixão!

Lavai-me por inteiro da minha iniquidade

e purificai-me de toda a transgressão!

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As minhas transgressões tenho sempre presente

e diante de mim está sempre o meu pecado.

Contra Vós, ó Deus, contra Vós pequei somente,

do mal feito em Vossa presença sou culpado!

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Por isso, tendes razão quando me acusais,

reconheço que é justo o   Vosso   julgamento

e irrepreensível a sentença que me dais

para despertar em mim o arrependimento.

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Eis que eu na culpa a este mundo fui trazido,

pois minha mãe me concebeu no pecado.

Limpai-me, depois de pelo hissopo aspergido,

e mais que a neve me deixai purificado!

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Vós amais do coração a sinceridade

e no íntimo me ensinais a sabedoria!

Infundi em mim a Palavra da Verdade

e os meus ossos irão exultar de alegria!

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Escondei a Vossa Face dos meus pecados

e apagai todas as minhas iniquidades!

Considerai-os no esquecimento lançados,

e deles não habitem em mim as saudades!

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Senhor, meu Deus, criai em mim um coração puro,

renovai um espírito firme no meu peito!

Junto à Vossa Face quero estar no futuro

e no Vosso Santo Espírito de igual jeito!

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Restituí-me a alegria da Vossa Salvação,

sustentai-me com espírito generoso!

Aos pecadores, que em caminho errado vão,

direi que voltem, pois sois misericordioso.

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Livrai-me do sangue, meu Deus e Salvador!

Vossa justiça minha língua aclamará,

a minha voz anunciará o Vosso louvor,

pois a minha boca para isso se abrirá.

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Vós rejeitais um sacrifício oferecido,

num holocausto não tendes satisfação,

mas agrada-Vos um espírito arrependido

a suplicar de seus pecados o perdão.

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Ezequiel Miguel

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Publicado por: Administrador | Setembro 15, 2019

Vosso amor e perdão

VOSSO AMOR E PERDÃO-Salmo 50

Publicado por: Administrador | Setembro 15, 2019

A rebelião de Coré (Cf. Números 16)

(Realidade e Ficção)

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Personagens:

.YAHWEH = EU SOU (AQUELE QUE É)

. Moisés – Condutor do povo hebreu

. “Localização” –   Meribá (= Disputa)  e Massá  (= Tentação), no Deserto

. Coré, Datã (=Datan),  Abiram – Instigadores da rebelião contra Moisés

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Oxalá ouvísseis hoje a minha voz! Não endureçais os vossos corações, como em Meriba (disputa), como no dia de Massá (Tentação) no deserto, quando os vossos pais me provocaram e tentaram, mesmo vendo as Minhas obras. Quarenta anos esta geração me desgostou e Eu disse: Sempre os corações errantes, que não conhecem os Meus caminhos…Então Eu jurei na Minha ira: jamais entrarão no Meu repouso” (Salmo 94/95)

O povo Hebreu viveu no Egipto cerca de 400 anos, como povo escravo dos faraós. Chegou, porém, o dia em que Deus interveio para pôr fim a essa situação humilhante, escolhendo Moisés para conduzir a libertação em direcção a uma terra prometida,  onde, segundo a Bíblia, corria o leite e o mel ( que era a fértil  terra de Canãa), ocupada, entretanto, por sete nações. Podemos ler na Bíblia, nos livros do Êxodo, do Levítico, dos Números,  do Deuteronómio, de Josué,…como tudo isso aconteceu.

Foi algo de grandioso, histórico, registado na Bíblia para ser lido, observado, compreendido  e meditado, sob diversos ângulos, por aqueles que viveram esses acontecimentos e por aqueles que viessem a ter conhecimento deles nas gerações futuras. Algumas das cenas mais imponentes já estão registadas no cinema, nomeadamente no filme “Os Dez Mandamentos”.

A passagem entre o Egipto e a terra prometida (Canãa) , a mais cómoda, mais directa, mais rápida, mais curta e mais segura, era, e ainda é,  o que agora chamamos de Faixa de Gaza, com 41 Km de comprimento e 10 Km de largura, à beira do Mediterrâneo.  Apesar de ser uma distância tão curta, os Hebreus  erraram no deserto durante 40 anos, quando poderiam ter alcançado a Terra prometida  em poucos dias.. Porquê 40 anos? Tudo tem a ver com a Fé ou com a falta dela e/ou com os desígnios insondáveis de Deus, que tudo faz para Sua Glória e para bem dos Seus filhos e do Seu Povo, ou para os punir pelo desrespeito pela Sua Lei, como parece ter sido o caso.

A travessia do deserto não foi fácil, mas foi nas dificuldades inultrapassáveis que Deus agiu à Sua maneira, garantindo a todos as condições de sobrevivência, de acampamento e de marcha, não faltando o alimento, a água, a luz, a protecção contra os inimigos,…exigindo apenas, em troca, que os hebreus O reconhecessem,  Lhe agradecessem, O adorassem, O louvassem, Lhe prestassem o culto a que tem direito como Senhor de tudo e de todos e que depositassem Nele uma fé  e uma confiança absolutas, tal como continua a exigir às gerações de hoje.

Mas esta fé e esta confiança são por vezes postas à prova e é nessas alturas  de dificuldades que surgem sempre as línguas detractoras, os ânimos revoltados, a murmuração, a rebelião, a saudade dos tempos em que tudo parecia correr melhor. O salmo 77/78 dá conta dos altos e baixos desta aventura no deserto, assim como o salmo 94/95, com referência aos episódios em Meribá  (disputa)e Massá  (tentação), que ficaram a assinalar os locais   onde estas cenas se desenrolaram.

Em todas as rebeliões há cabecilhas que engendram os esquemas da revolta. Também aqui foi o caso:  As citações bíblicas vão em negrito

Coré,…Datã,…Abiram,…e On encheram-se de orgulho, levantaram-se contra Moisés, juntamente com 250 filhos de Israel, príncipes da comunidade, respeitados nas solenidades, homens de renome. Ajuntara-se, pois, contra Moisés e Aarão, dizendo-lhes”:

Coré – Olha lá, Moisés!  Nós estamos fartos da tua pretensa autoridade sobre nós! Nós não temos provas de que Yahweh te tenha constituído nosso Chefe. Tu dizes que foste consagrado por Yahweh, mas, se virmos bem, toda a comunidade e todos os seus membros são consagrados e Yahweh está no meio deles. Porque, então, vos exaltais, tu e teu irmão Aarão, acima da assembleia de Yahweh? Essa coisa de Yahweh para aqui, Yahweh para ali, não nos agrada e não acreditamos na tua autoridade. Ninguém nos consultou sobre o assunto.

Moisés –  “Ouvi, filhos de Levi! O Senhor escolheu-vos, de entre todo o Israel, para  vos honrar perante a comunidade,  entregando-vos o Seu serviço como Seus Ministros. Não foi pouco o que Ele fez por vós. Vós  e todos os levitas estais destinados ao sacerdócio .  Mas vós conspirastes contra o Senhor, tu , Coré, e a tua comunidade. Amanhã cedo, Yahweh  fará conhecer quem é Dele e qual é o homem consagrado que Ele permitirá aproximar-se Dele. Aquele que Ele fizer aproximar-se Dele, esse é o que Ele escolheu. Fazei, pois, isto: tomai os incensórios de Coré e de toda a sua comunidade, ponde neles fogo e, amanhã, deitai incenso sobre o fogo, diante  de Yahweh. Aquele que Ele escolher, esse é o homem que Lhe é consagrado. Isto vos é suficiente, filhos de Levi!”

E agora,  chamo  aqui Datã e Abiram!

Datã – Eu não vou!

AbiramEu também não vou! Se quiseres, vem tu aqui!   Não é por acaso bastante que nos fizeste deixar uma terra onde corre o leite e o mel, para nos fazeres morrer neste deserto e queres ainda fazer-te príncipe sobre nós? Na verdade não é uma terra onde corre o leite e o mel a terra para a qual nos conduziste e não nos deste por herança campos e vinhas! Pensas em tornar cego este povo? De modo algum iremos!

Datã – Nós já estamos fartos deste mar de areia, estamos fartos de vegetar em tendas, fartos destas estúpidas caminhadas de dia ou de noite, sem vermos um rio, um lago, o mar, …de comer sempre este miserável maná dia após dia, sem peixe, sem carne,  sem vinho, sem uvas,  com  água potável só de vez em quando!  De vez em quando encontramos um minúsculo oásis, mas o que é isso para todos podermos nele acampar? Quem nos dera voltar às terras abundantes do Egipto, que, por tua culpa, abandonámos, para morrermos todos neste areal interminável, sob um calor sufocante de dia e  um gélido frio de noite.

Coré – E há mais! Atiraste um ramo de árvore para dentro de um poço de água suja e depois tentaste convencer-nos que o Senhor transformara aquilo em água potável! Estamos fartos de embustes! Tu fazes de nós todos uns ingénuos, uns idiotas! Tudo, como tu dizes, em nome de Yahweh! Tantas já fizeste, que agora não nos iludes mais! Basta!

Datã – E não fica por aqui!  Se tu, lá no Egipto, foste salvo de te afogares nas águas do Nilo, salva-nos agora, com os teus truques, de morrermos  à sede como frangos assados neste deserto. Isso de passarmos o Mar Vermelho a pé enxuto não passou de uma magia tua, só possível com a ajuda do teu amigo Satanás! Mostra agora o teu poder e faz nascer aqui um lago onde nos possamos refrescar deste inferno!

Abiram –  Temos saudades das refrescantes  cebolas do Egipto. Bastavam elas e pão com fartura, cozido no forno…Aquilo, sim! E lá só tínhamos a autoridade do Faraó, uma autoridade legítima. É certo que trabalhávamos duro, mas tínhamos comida com fartura! Aqui é esta miséria todos os dias, sempre a mesma coisa, esse maná que temos de apanhar do chão misturado com areia! Já estamos enjoados!  Dá-nos peixe e perdizes ou codornizes!

Moisés – (irritado)” Senhor, não olhes para  a oferenda que eles Te fazem. Eu não tomei deles sequer um asno e não fiz mal a nenhum deles!…Coré, tu e todos os do teu grupo, apresentai-vos amanhã diante do Senhor, tu, eles e Aarão. Cada um de vós tome o seu turíbulo e deite nele incenso e apresente-o diante do Senhor, cada um com o seu, duzentos e cinquenta turíbulos, tu e Aarão, cada um com o seu”.

No dia seguinte:

“Cada um tomou o seu turíbulo, deitou-lhe fogo, cobrindo-o de incenso, e colocou-o à entrada do Tabernáculo (Tenda da Reunião,  com Moisés e Aarão”!

Coré – Aqui estão todos os duzentos e cinquenta turíbulos, como pediste! Vais ver onde está a tua autoridade, tu, usurpador, oportunista, embusteiro!…

YAHWEH –“ Moisés, tu e teu irmão Aarão  afastai-vos dessa Assembleia, pois vou exterminá-los num instante!”

Moisés  e Aarão (caídos por terra) –“ Ó Deus, Deus dos espíritos de toda a humanidade! Só um homem pecou e Tu irás enfurecer-Te contra toda a assembleia”?

YAHWEH Fala à assembleia, dizendo: “ Afastai-vos da beira das tendas de Coré, de Datan e de Abiram”!

Moisés –“ Dirijo-me agora a toda a Assembleia! Afastai-vos das tendas de Coré, de Datan, de Abiram, que são homens maus e não toqueis em nada que lhes pertença, para não perecerdes por causa de todos os seus pecados. Eles podem ficar à entrada das suas tendas com sua mulheres e filhos. Agora sabereis que foi o Senhor Quem me enviou para fazer todas estas coisas e não foi por mim mesmo. Se estes aqui  morrerem como morre toda a gente; se o destino de toda a gente for também o destino deles, então não foi o Senhor que me enviou. Mas, se o Senhor, em verdade, realizar um prodígio, se a terra se abrir para os engolir com tudo o que lhes pertence e eles descerem vivos ao mundo dos mortos, então sabereis que estes homens desprezaram o Senhor”.

“Ora, aconteceu que, mal ele acabou de dizer todas estas coisas, o chão abriu-se debaixo deles, e a terra, abrindo a sua boca, engoliu-os com todas as suas famílias e todos os homens de Coré com todos os seus bens. Assim desceram vivos ao mundo dos mortos, eles e tudo o que lhes pertencia. A terra cobriu-os e desapareceram do meio da comunidade. Todo o Israel que estava em volta deles fugiu com o grito que eles soltaram quando a terra os engoliu. Entretanto, da parte do Senhor, surgiu um fogo que devorou os duzentos e cinquenta homens que tinham apresentado o incenso” (Números, 16, 31-35)

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Comentários sobre as lições a tirar:

  1. A História de um povo faz-se com Deus, contra Deus ou sem Deus e também com altos e baixos. O livro do Êxodo é considerado o livro central da Bíblia, por relatar, com tantos pormenores e milagres, a acção directa de Deus na condução, libertação e educação do Seu Povo escolhido, em cumprimento da promessa feita a Abraão de ter uma descendência tão numerosa como as estrelas do Céu e as areias do mar e de lhe dar uma terra de prosperidade. Essa terra corresponde hoje à Palestina e a Israel, por isso, quando se recua no tempo, ficam desfeitas algumas dúvidas sobre a quem pertenceriam,  por direito, esses territórios, onde a paz  é árvore que não deita raízes.Tal como no Êxodo é descrito, Deus põe muitas vezes à prova a nossa fé Nele, com problemas diários, por vezes com aparência de insuperáveis, exactamente para que depositemos Nele toda a confiança, sem revoltas, sem recriminações, sem murmurações, sem acusações, sem desespero… mas aceitando tudo como parte de um desígnio que Deus tem para nós, a fim de nos levar  a algo positivo ou nos desviar para outros caminhos, com vista a uma missão que só mais tarde descobriremos. S. Pedro tem para nós a receita: “Pela paciência salvareis a vossas almas”.
  2. Moisés foi escolhido para Chefe directamente por Deus, que não perguntou a ninguém se ele era o melhor, o mais indicado para a missão que lhe confiava. Moisés bem apresentou argumentos próprios de alguém que se sentia incapaz da tarefa que lhe era confiada, mas, tal como aconteceu com o profeta Jonas, Deus recusou os seus argumentos e ele lá foi, baseado na promessa da protecção divina. Deus, na maioria dos casos, não age directamente, mas serve-se de nós para atingir os fins que tem em vista, acabando nós por sermos, apena e só, Seus Instrumentos a realizar a Suas obras, exigindo que ninguém se atribua méritos que só a Deus pertencem. Por isso, quem se gabar, se vangloriar, se exibir vaidosamente, se encher de orgulho,…já não receberá a recompensa pelo bem que fizer, porque o atribui aos seus méritos e dotes pessoais. Nestes casos, Cristo diz-nos: “Já recebeste a tua recompensa”!  Os carismas que Deus nos conceder são para os pormos ao Seu serviço e não para a nossa glória. Quem se esquecer disto estraga tudo!
  3. Os rebeldes de Meribá rejeitavam a autoridade de Moisés, o qual a recebera do próprio Deus, em nome do Qual ele agia. “Todo o poder vem do Alto”, conforme Jesus respondeu a Pilatos. Por isso, Deus exige de nós o respeito pelas pessoas que exercem autoridade sobre nós, quer  definitivamente  quer  temporariamente. Apenas nos casos em que elas nos querem obrigar a pecar é que ficamos libertos dessa obrigação. Aí, vigora o exemplo de S. Pedro, quando as autoridades judaicas o proibiram de anunciar Jesus Cristo: “É melhor obedecer a Deus do que aos homens”, atitude que pode custar o martírio, assim como custou aos Apóstolos, incluindo  S. Pedro e S. Paulo. Para modelos de obediência, temos Jesus Cristo, a Virgem Maria, S. José e todos aqueles que se santificaram na vida sacerdotal ou na vida conventual . Nestes casos, é o voto de obediência que os obriga a obedecer e a respeitar a autoridade. E isso faz-se evitando a murmuração, a rebeldia, a busca de apoios contra  as autoridades a que estão submissos por vontade própria e pela natureza e especificidade do voto de obediência.
  4. O murmurador é uma fonte de veneno sempre a jorrar, seja na família, no local de trabalho, no clube, no quartel, na paróquia, nos Movimentos da Igreja, no grupo coral, no grupo de catequistas, no clero da diocese, nos seminários, nos conventos,… Os perigos da murmuração, da má-língua, da difamação, da calúnia, da mentira, do desrespeito pela autoridade, levam a infinitos males para o próprio e para os outros que se deixam salpicar por esse veneno. Onde houver murmuradores,…afaste-se deles, recuse alimentar-lhes esse fogo destruidor que sai das suas bocas e o veneno que sai das suas línguas!
  5. Castigo demasiado grande para os murmuradores deste episódio Bíblico? Sem dúvida! Nada mais nada menos que uma condenação à morte com execução imediata, arrancando o mal pela raíz, para evitar que ele se propagasse por todo o acampamento e levasse muitos outros a sofrer o mesmo castigo, condenando assim seus corpos e almas. Lá ficou na Bíblia para todas as gerações futuras tirarem as devidas lições. Nem sempre sabemos como termina a vida dos murmuradores profissionais, mas os pecados pela língua são mais graves do que se pensa, pelas inúmeras e graves consequências que acarretam para os murmuradores e para quem lhes dá atenção, iniciando uma cadeia que só Deus sabe por onde passa e onde termina. O bom nome, a honra, o respeito pelo próximo, são direitos sagrados e tudo aquilo que os beliscar reverterá em prejuízo para os autores do falatório, do mexerico, do diz-se, do consta que…, do “ouvi dizer que…”.Impressiona ainda o facto de, juntamente com os rebeldes e seus sequazes, terem sido incluídas as suas famílias e os seus bens. Tudo isto para que não ficasse deles qualquer resto contaminador e para que servisse de lição a eles e a todos, incluindo nós!
  6. Quem despreza um profeta de Deus despreza o próprio Deus. Sempre houve profetas entre o Povo de Deus, seja no Antigo Testamento seja no Novo. Todo o profeta fala em nome de Deus e só diz aquilo que Deus lhe transmite. Todos eles foram vítimas de perseguição e alguns chegaram a queixar-se a Deus da missão que Ele lhes confiara. Jonas até fugiu, pensando que evitaria ir pregar a Nínive. Outros desejaram morrer, porque não aguentavam mais. Nos tempos actuais estão activos vários profetas, homens, mulheres, Jovens, crianças, sacerdotes, Religiosos…sofrendo, quase todos, perseguições, maus tratos, difamações, expulsões de templos, recusa da Comunhão, etc. As mensagens que lhes cabe transmitir são rejeitadas liminarmente, sem um estudo prévio e cuidadoso por parte de quem tem a obrigação de “aproveitar delas o que é bom”, como diz S. Paulo. Este evento bíblico mostra como é perigoso rejeitar as mensagens transmitidas por mensageiros de Deus. A Bíblia mostra como a rejeição de mensagens proféticas teve enormes custos para Israel. A História de Israel continua a ser fonte de lições para todo os tempos.
  7. Não pense que Deus foi vingativo! É da própria natureza do pecado trazer consequências ao nível individual, familiar, social, colectivo, nacional, local, mundial. Os pecados de um só governante podem ter consequências trágicas para todo o seu povo, para a sua nação. Lembre-se do pecado de Adão e Eva, que trouxe tragédia para toda a humanidade. “ Em Adão todos pecámos”, diz S. Paulo. Por isso, ninguém diga: ” Eu não sou culpado de nada”! Ou: “Ninguém tem nada que pagar pelos meus pecados, pelas minhas asneiras. Se sou eu que os faço, o assunto é comigo!”. Também está escrito (na Bíblia) que Deus pode punir nações e povos através de maus governantes, que actuam como chicotes da ira Deus para povos rebeldes. Nos casos de acções ou frequência de bruxarias, espiritismo, práticas de paganismo, de satanismo, de ocultismo e outros, um ou mais membros da família podem ser atingido por males inexplicáveis, cuja causa e tratamentos ninguém desvenda .
  8. Outra questão: Afinal, Deus castiga ou  não? Há pessoas que recusam aceitar esta ideia de que Deus castiga, porque, sendo Ele um Deus de Amor e Misericórdia, não pode castigar. Preferem antes dizer que Deus corrige. Trata-se de um eufemismo para dizer a mesma coisa. Como é que Deus corrige sem que haja uma consequência trágica, um sinal de força,  algum tipo de violência? A história de Israel, traçada na Bíblia, mostra que Deus castiga mesmo, embora esta não seja uma ideia simpática. Em quase todos os casos de derrotas, exílios, dominio estrangeiro, Deus mandou sempre aviso daquilo que iria acontecer ao Povo de Israel. Estes avisos é que foram realmente tentativas de correcção. Nossa Senhora anunciou em 1917, aos Pastorinhos de Fátima, que, caso os homens não deixassem de pecar, viria a 2ª viria guerra mundial, não deixando de frisar que seria uma punição pelospecados. Até se referiu a um sinal: a aurora boreal em 1939. Outro caso elucidativo de que Deus pode punir é o caso do Profeta Jonas, a quem Deus confiou a obrigação de ir a Nínive anunciar a destruição da cidade, caso não houvesse conversão por parte dos seus habitantes. Este é que foi um aviso correctivo, através do qual Nínive foi salva da destruição. No caso de Sodoma e Gomorra e outras três cidades, Deus também mandou avisos, que foram ignorados. Alguém pode perguntar: Então, e a parábola do filho pródigo não mostra que Deus perdoa sempre, por maiores que sejam os pecados? Realmente, perdoa, mas somente se o pecador reconhecer que pecou, se se arrepender, se pedir a Deus perdão e fizer o propósito de não pecar mais, tal como fez o filho pródigo. Com a instituição do Sacramento da Penitência por Cristo, o perdão dos pecados, para os que são baptizados, passa por uma Confissão bem feita a um sacerdote Católico ou Ortodoxo . A Bíblia também diz que Deus corrige aqueles que ama, no sentido de os elevar na santidade. De qualquer modo, não vem mal ao mundo, se  se disser que Deus não castiga, mas corrige. Depende do ponto de observação.

Ezequiel Miguel

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Publicado por: Administrador | Setembro 8, 2019

Salmo 89 (90) – Vós, Senhor, tendes sido o nosso refúgio

XXIII Domingo do Tempo Comum – ANO C

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mourning

Senhor, Vós tendes sido a nossa protecção,
um  refúgio  sem quebra de continuidade.
Antes que do Mundo   houvesse geração
já  Vós éreis  desde toda a eternidade.
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Vós mandais voltar os mortais ao pó da terra
e  a todos dizeis: Voltai, filhos de Adão!
Mil anos para Vós,…tudo num dia se encerra,
o dia de ontem… que os seus olhos não mais verão.
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Como um sonho, Vós os arrebatais da vida,
tal como a erva que de manhã reverdece,
à tarde, porém, fica murcha, ressequida,
porque, ceifada, estendida,… não mais floresce.
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Desfalecemos, expostos à Vossa ira,
aterrados por Vossa justa indignação,
da Vossa frente ninguém as suas culpas tira,
nossos pecados ocultos…  a Vós não são.
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Sob a Vossa ira os nossos dias passaram,
nossos anos  como um suspiro decorreram.
Os nossos anos pelos setenta se contaram
e, se robustos, os oitenta não venceram.
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A maior parte  são trabalho e desilusão,
passam depressa e, como num voo, lá vamos…
Quem pondera o temor da Vossa indignação,
quando expostos à Vossa ira nós ficamos?
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Ensinai-nos, Senhor, a contar nossos dias,
a nós dai a sabedoria do coração.
Até quando, Senhor, longe de nossas vias?
Para com vossos servos tende compaixão.
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Saciai-nos pela manhã, com Vossa bondade,
para exultarmos e viver em  alegria!
Compensai-nos  os dias de intranquilidade,
os anos em que apenas desgraça se via.
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As obra das nossas mãos nos valorizai,
nossos filhos vejam  a Vossa majestade!
Vossa  graça e favor sobre nós derramai,
actuem em nós as obras da Vossa bondade!
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Ezequiel Miguel

Publicado por: Administrador | Setembro 8, 2019

A morada da Sabedoria (Cf Job 28)

pray18Há profundezas  de  onde a prata se extrai

e também  lugares onde se funde o ouro,

o ferro também do ventre da terra sai,

a pedra em pó dá o cobre, um outro  tesouro.

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O homem, lá no fundo, às trevas põe um fim,

ele esquadrinha as rochas com exactidão,

procurando descobrir com afinco, assim,

os tesouros escondidos na escuridão.

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Abre minas em lugares não habitados,

procurando em lugares  inacessíveis,

pelos pés de caminhantes nunca pisados,

no encalço de riquezas  invisíveis.

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A terra que ao homem dá  o vinho e o pão

é nas escuras profundezas esventrada,

não sendo tido como uma tarefa em vão

quando com a própria vida comparada.

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Das rochas emergem o ouro e a safira,

a águia nunca  nelas as garras pousou,

o olhar do abutre nunca nelas pôs a mira

nenhum animal  à sua sombra repousou.

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O homem na rocha viva põe a sua mão,

ele derruba as montanhas sem dificuldades,

desfaz  rochedos com poderoso picão

e nas galerias encontra  as preciosidades.

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Os leitos dos rios facilmente ele explora,

pondo a descoberto os tesouros invisíveis,

porém, será lá que a Sabedoria mora,

e, para  Inteligência,  sítios acessíveis?

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O homem ignora o preço da Sabedoria,

ela não se encontra na terra dos mortais,

no abismo nem sinal dela se conhecia

e o mar disse: “Aqui não há riquezas tais!”

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Ao ouro mais fino não é de equiparar,

a prata  também  a ela não se equipara,

o ouro de Ofir recusa  se  lhe  comparar

e o ónix também a ela não  se compara.

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Com o ouro e o cristal falha a comparação,

vasos de ouro fino têm menor valor,

quanto ao ouro e ao cristal, comparar é vão,

e as pérolas têm um preço inferior.

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De onde vem, pois, a preciosa  Sabedoria?

Onde é o lugar secreto da Inteligência?

Estão ocultas à brilhante luz do dia

e as aves do céu não têm o dom da vidência.

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O abismo e a morte dizem: ”Não sabemos nada!”

Deus é Aquele  que conhece os seus caminhos

e sabe também onde ela tem a morada,

pois Ele vê da terra os ínfimos cantinhos.

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Do que há debaixo do Céu Ele se ocupou:

Às águas decidiu  seus limites marcar,

as leis  da chuva   sabiamente promulgou

e  um caminho aos trovões quis assinalar.

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Então,  descreveu-a tal como a conhecia

e mostrou ao homem qual a sua proveniência:

O Temor do Senhor é  a Sabedoria,

porém,  evitar o  Mal  é a Inteligência.

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Ezequiel Miguel

Publicado por: Administrador | Setembro 1, 2019

A MENTIRA DE ANANIAS E SAFIRA (act 5,1-13)

(Realidade & ficção)

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Personagens:  Pedro, Ananias  e Safira

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Da Bíblia:

(O texto bíblico vai a negrito)

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“A multidão dos que tinham abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma. Ninguém chamava seu ao que lhe pertencia, mas entre eles tudo era comum. Com grande poder, os Apóstolos davam testemunho da ressurreição  do Senhor Jesus e uma grande graça operava entre eles.

Entre eles não havia ninguém necessitado, pois todos os que possuíam terras ou casas vendiam-nas, trazendo o produto da venda e depositavam-no aos pés dos Apóstolos. Distribuía-se então a cada um conforme a necessidade que tivesse.” (Act. 4,32-35)

Um certo homem, chamado Ananias, com sua mulher, Safira, vendeu uma propriedade. Eram eles Ananias e Safira:

Ananias: Mulher, estamos de parabéns! Já vendi a propriedade. Agora, só falta combinarmos qual a quantia que oferecemos aos Apóstolos do Senhor Jesus. Oferecemos tudo ou ficamos com uma parte para nós?

Safira –  Homem, tu é que sabes! Eu, cá por mim, penso que poderemos ficar com uma parte, para o caso de nos surgir alguma necessidade imprevista.

Ananias – Mas, tenho uma ideia! Ficamos com uma parte e dizemos aos apóstolos que a quantia que oferecermos é o valor total da venda.

Safira – E como é que demostramos, se eles nos fizerem perguntas astutas, que estamos a dizer a verdade?

Ananias – Então, como é que eles podem demonstrar que mentimos? Eles não conhecem o comprador, por isso têm de acreditar em nós. Se for preciso, juramos pelo Céu e pelo inferno que estamos a dizer a verdade.

Safira – Mas nós não precisamos de mentir! Dizemos simplesmente que oferecemos apenas uma parte do valor da venda, pois não há nada nem ninguém  que nos obrigue a entregar o valor total da venda.

Ananias – Pois! E o que é que eles vão pensar de nós? Vão chamar-nos avarentos e furretas, pois muitos entre nós entregam os valores totais, ficando bem vistos e louvados pela sua coragem e confiança em Deus, enquanto nós,…todos comentarão a nossa atitude e entraremos para a lista negra dos batoteiros. Até poderemos ser expulsos da comunidade cristã e termos de enfrentar a vergonha que pesará sobre nós o resto das nossas vidas

Safira – Ó homem! Mas alguém vai saber que ficámos com uma parte? Para quê esses escrúpulos?

Ananias – Tenho uma ideia! Acertamos qual o valor da nossa oferta. Depois, vamos ter com o comprador da nossa propriedade e explicamos-lhe que é do nosso interesse que, caso seja interrogado sobre o assunto, ele confirme que foi esse o valor da compra. E fica o assunto arrumado com segurança. É claro que, como diz o ditado, onde há um mentiroso há sempre dois ou três. Mas quem é que não mente? Até há um salmo que diz que todo o homem é mentiroso. (Sl 116,11)

Safira – Eu penso que eles nunca vão averiguar  sobre as ofertas que se fazem. Aceitam, confiam e vai tudo para o monte das esmolas sem ninguém saber mais do que interessa.

Quanto à mentira, se o salmo  diz isso, só o diz sobre os homens. As mulheres ficam excluídas. Assim, eles vão acreditar em mim e pronto! Tu ficas livre. Se te perguntarem, tu só dizes: “A minha mulher é que sabe”! E eu encarrego-me do resto. Mas quem foi que disse essa coisa de todo o homem ser mentiroso?

Ananias – Foi o rei Salomão ou o pai dele, o rei David.

Safira – Deve ter sido a única vez que falaram verdade!

Ananias – Bem! É melhor não irmos por aí! O pai foi um justo e o filho foi o mais sábio dos reis. Bem! Então, temos de combinar como aparecemos lá em frente dos apóstolos. Eu sugiro ir primeiro, na parte da manhã, e tu aparecerás por lá duas ou três horas depois. Se formos interrogados, não esqueças a quantia combinada.

E assim fizeram. Uma vez em frente de Pedro:

Ananias- “Pedro, aqui está o valor total de uma propriedade que vendemos.

Pedro – Ananias, porque é que Satanás invadiu o teu coração, a ponto de te levar a mentir ao Espírito Santo e subtraíres uma parte do preço do terreno? Não podias tu conservá-la sem o vender? E, depois de o teres vendido, não podias dispor livremente do valor em teu poder? Como pudeste conceber semelhante plano no teu coração? Não foi aos homens que mentiste, mas a Deus.” (Act 5, 3-4)

“Ao ouvir estas palavras, Ananias caiu e expirou, e um grade terror se apoderou de todos os assistentes. Os mais novos aproximaram-se para amortalhar o corpo e levaram-no a enterrar. Cerca de três horas depois, entrou a sua mulher, ignorando o que se passara.

Pedro  – Foi por tanto que vendestes o terreno?

Safira – Sim, foi por esse preço!

Pedro – Porque combinaste pôr à prova o Espírito do Senhor? Aí estão à porta os pés daqueles que sepultaram o teu marido e te hão-de levar a ti.

No mesmo instante, caiu aos pés do Apóstolo e expirou. Os jovens, entrando, encontraram-na morta e, levando-a, sepultaram-na ao lado do seu marido. Então, um grande temor se apoderou de toda a Igreja e de todos quantos ouviram contar estes acontecimentos “ (Act 5, 5-11)

 .

Comentário:

1. Observando bem, Pedro nem quis saber da quantia que este casal tencionava oferecer. Como é que ele soube que havia farsa, embuste, fraude, desonestidade, mentira premeditada e executada? É claro que não foi por adivinhação, tarot, quiromância, cartomância, astrologia, bolas de cristal, ou qualquer arte e manha de bruxaria ou de obra de Satanás.

Os santos, uma vez atingido um grau de santidade elevada, passam a ter conhecimentos derivados do próprio facto de viverem em Deus e participar da Sua própria vida divina. Estes conhecimentos podem dizer respeito ao passado, ao presente ou ao futuro, tudo através do dom do Espírito Santo a que chamamos o dom da Sapiência ou da Sabedoria.

Assim se explica, por exemplo, o dom de ler as consciências em casos de confissões em que o penitente não confessa todos os pecados graves. Tiveram este dom, entre muitos outros, o  santo Padre Pio e S. João Maria Vianey. É o Espírito Santo quem dispensa este dom. Por isso, foi pelo Espírito Santo que Pedro teve a certeza que Ananias e  Safira mentiram gravemente quanto ao valor total da venda da sua propriedade.

Pergunto: Mas uma mentira é assim um pecado tão grave? Depende do que está em causa e dos danos que pode causar a si mesmo ou ao próximo.

2. Não foi aos homens que mentiste, mas a Deus

 Porque disse Pedro que aquela mentira fora um pecado contra o Espírito Santo, também chamado Espírito do Senhor? Jesus Cristo disse um dia que os pecados contra o Espírito Santo não tinham perdão nem neste mundo nem no outro (Mt 12, 31-32). Sendo assim. a mentira pode ser mesmo caso grave, como o foi neste episódio bíblico. Aliás, são numerosas as passagens bíblicas onde se condena todo o tipo de mentiras e em lado nenhum se fala em mentiras leves e mentiras graves. Relembremos os pecados contra o Espírito Santo e vejamos em qual deles se enquadra a mentira de Ananias e Safira:

  1. Desesperação de salvação.
  2. Presunção de se sem merecimentos.
  3. Negar a verdade conhecida como tal.
  4. Ter inveja das mercês que Deus faz a outrem.
  5. Impenitência final:

É fácil de que é no nº 3. A verdade do valor da venda do terreno já era conhecida como tal, pois três pessoas, pelo menos, tinham conhecimento dela. O mais grave ainda foi a premeditação consciente da fraude que se tentou concretizar junto dos Apóstolos, com Pedro à frente.

 O que levou Cristo a dizer que os pecados contra o Espírito Santo, entre os quais a mentira, não teriam perdão nem neste mundo nem no outro? Poderá ser porque quem se vicia na mentira acaba  por meter no mesmo saco a verdade e a mentira, não distinguindo uma da outra e servindo-se de ambas, conforme as circunstâncias e as conveniências. Há distúrbios da personalidade em  que o mentiroso ejecta mentiras com a força e garantia de verdade. Prova disso dão-na todos os burlões de todos os tipos. Mas seremos obrigados a dizer a verdade sempre e em todas as circunstâncias? Não! Não dizer a verdade nem sempre é a mesma coisa que mentir. Podemos sempre ficar calados e não responder nem sim nem não O problema mais sério é quando alguém faz pressão sobre nós com a questão: “ É verdade ou mentira que…? Alguns políticos, quando atacados no Parlamento sobre a mentira de que estão a ser acusados, dizem: “Isto que digo não é uma mentira! É apenas uma inverdade!”

Voltando à questão do perdão de Deus para pecados graves de mentira! Neste mundo em que cada um tenta safar-se o melhor que pode nas situações por que passa, a mentira é inevitável. Mas o assunto é grave, pois o mentiroso dificilmente reconhece a sua desonestidade e vai-se esquecendo das mentiras que semeia, o que dá origem ao não arrependimento e promessa de emenda. Na proximidade da morte, não se reconhecendo  vítima do pecado da mentira, não se confessará ( no caso dos cristãos) desses pecados, acabando por morrer em pecado grave, não perdoado, o que pode valer condenação eterna.

Como se faz um mentiroso? Como em todos os vícios, começa-se por pouco, por coisas pequenas. O tempo e a repetição frequente fazem o resto, para mal dos mentirosos, aos quais Cristo chamou “filhos do diabo” (Jo 8,44), pelo simples facto de Satanás ser o pai da mentira, pois foi ele que introduziu neste nosso mundo a primeira mentira e de consequências mais gravosas para a Humanidade. Lendo o Génesis, poderá confirmar.

onde é que, na vida humana, a mentira é rainha? Nas famílias, na política, nos negócios, na religião, na justiça, no desporto  e noutros campos.

Termino com algumas citações bíblicas onde se demonstra que Deus abomina a mentira, tal como todos os outros pecados graves:

1. Então o Senhor Deus disse à serpente :”Por teres feito isto ( a mentira), serás maldita entre todos os animais domésticos… (Gen 3, 14)

2 . O homem fraudulento não habitará na minha casa. O mentiroso não terá assento junto de mim ( salmo 101, 7).

3. Seis são as coisas que o Senhor aborrece e sete são as que a sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa,…testemunha falsa que profere mentiras. ( Prov. 6,10-19)

4 . O Senhor abomina os lábios mentirosos; agradam-lhe, porém, os que dizem a verdade. ( Prov 12, 22)

5. Vós tendes por pai o diabo e quereis realizar os desejos do vosso pai. Ele foi assassino desde o princípio e não esteve pela verdade, porque nele não há verdade. Quando fala mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira ( Jo 8,44)

6. Por isso, despi-vos da mentira e diga cada um a verdade ao seu próximo, pois somos membros uns dos outros. (Efésios 4, 25)

7. …mas os covardes, os infiéis, os depravados, os assassinos, os impudicos, os feiticeiros, os idólatras e todos os mentirosos terão como herança o lago ardente de fogo e enxofre, o qual é a segunda morte. (Ap 21,8)

Concluindo: Da mentira fica sempre qualquer coisa favorável ao mentiroso

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Ezequiel Miguel

 

Publicado por: Administrador | Setembro 1, 2019

Felizes serão…

FELIZES SERÃO

Publicado por: Administrador | Agosto 25, 2019

SALMO 116 (117) – Nações todas louvai o Senhor

Ano C – 21º Domingo do Tempo Comum

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Nações todas da Terra, louvai o Senhor,

aclamem todos os povos a Sua bondade;

é eterno para connosco o Seu amor

e dura para sempre a Sua fidelidade.

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Aleluia!

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Ezequiel Miguel

Publicado por: Administrador | Agosto 25, 2019

Ide por todo o mundo

IDE POR TODO O MUNDO

Publicado por: Administrador | Agosto 25, 2019

A salvação a todo o custo – I

“ Se a tua mão é para ti ocasião de queda, corta-a! É melhor entrares mutilado na vida eterna do que ires com ambas as mãos para a Geena (inferno), para esse fogo que não se apaga. Se o teu pé for para ti ocasião de pecado, corta-o. É melhor entrares coxo na vida eterna do que seres lançado na Geena com ambos os pés. E, se um dos teus olhos for para ti ocasião de pecado, deita-o fora. É melhor entrares no Reino de Deus só com um dos olhos do que seres lançado com os dois olhos na Geena, onde o bicho que os vai roendo não morre e o fogo não se apaga” ( Mc 9, 43-48).

Este texto do Evangelho não deve ser interpretado à letra, porque Deus não quer que nos mutilemos fisicamente por causa dos pecados que cometemos. Se assim fosse, quem haveria que morresse com o seu corpo inteiro? É certo que hoje, com as cirurgias que se praticam, muitos de nós já não temos o corpo com todas as peças com que nascemos, mas isso é outro assunto! É uma questão de saúde e avanço da medicina  A mutilação física voluntária  investe contra o 5º Mandamento: Não prejudicar-se a si mesmo nem ao próximo, nem no corpo nem na alma. Como entender, então? Tem de se entender de modo figurado, pois as palavras  de Cristo são absolutamente radicais e poderosas, de modo a serem bem fixadas na mente e levar a comportamentos de conversão e de abandono do pecado, a todo o custo, evitando assim a condenação certa ao Inferno. De qualquer modo, tudo significa que a salvação é um assunto que vale todos os sacrifícios, por mais penosos que sejam, pois é a eternidade com Deus ou sem Deus que está em jogo, o paraíso ou o inferno, a felicidade ou a desgraça durante a eternidade.  Nossa Senhora sabe do que fala:

Nossa Senhora a Mamma Carmela, agosto de 1974:

Minha filha,…pensa em quantas almas, mesmo neste momento, escolheram o seu lugar para sempre, na outra vida.

Ninguém nasceu, nesta Terra, para ir para o Inferno, mas muitos fizeram assim a sua escolha: “Queremos revoltar-nos contra Deus e odiá-Lo para sempre”. Há quem diga, com palavras e acções, esta mesma expressão. E há quem, ainda mesmo sem dizer nada, se comporta de tal modo que poderá chamar-se rebelde, mas é justamente a mesma coisa. E as almas chovem nesse lugar, onde só há pranto e ranger de dentes, onde só há desespero e sofrimento indescritíveis, sem esperança alguma,

Se qualquer dor pode ser aliviada pela esperança de um dia serdes libertos e premiados, pensa…quão triste e desconsolável será o pensamento de que essas penas vos não serão, nem desfeitas ou suspensas, nem jamais inteiramente finalizadas. Será uma pena inútil, que não conhecerá amor. Por vezes, o fim pelo qual uma alma sofre, quer seja uma mãe, quer seja um pai ou um filho, pode ser um convite a aceitar esse sofrimento, que poderá trazer vantagem a outros. Mas as penas do Inferno não servirão de proveito a ninguém. Será um amaldiçoar e um praguejar contínuo, que fará aumentar, de minuto a minuto, o sofrimento.

Desejaria que todos os homens pudessem descer, pelo menos uma vez na vida, a esse lugar maldito, para que todos se pudessem convencer ou decidir a mudar de vida. Ora, aquilo que não se poderá fazer com o corpo, todos o poderão fazer com a mente, por meio da fé.

Grita-o, minha filha, aos quatro cantos da Terra, com toda a tua alma e com um grande amor: ”Irmãos, existe o Inferno e é eterno, mas não devemos ir para lá”.

Permite-me…que te fale ainda do Inferno, para que o conhecimento das penas que lá dominam possa ser para todos um meio de despertar em todos um santo temor e não cair nelas. Fica, pois, sabendo que a maior pena que atormenta os condenados é o sentirem-se como que esmagados pela justiça de Deus, enquanto, por seu lado, a alma, quando é libertada do corpo, sente uma necessidade extrema Dele, como os pulmões sentem necessidade de ar. Não vêem Deus e continuam a odiá-Lo de um modo satânico, muito maior do quando estavam em vida. Os condenados odeiam-se mesmo a si próprios, como aliás odeiam a todos quantos estão com eles, quer sejam almas quer sejam demónios. Vós costumais dizer: o mal de muitos é conforto. Mas no Inferno não há alívio algum na dor, alegria alguma poderia vir aos condenados pelo comum sofrimento. Só ódio, e um ódio implacável que faz arremessar uns contra os outros e todos contra Deus.

Diz-se actualmente que se não deve apavorar a gente, principalmente as criancinhas, com o temor ou medo do Inferno. Mas como poderia uma verdadeira Mãe ver os seus próprios filhos a cair num precipício,  sem se preocupar com avisá-los do perigo, a tempo? Eu, às almas, aponto o Céu, mas não posso esconder-lhes que a liberdade, de que Deus lhes fez um grande dom, lhes permite, entretanto, a escolha entre o Céu e o Inferno. É a vontade do homem que deve decidir.

Hoje, dirás: “Senhor, dai-me a vontade de me salvar a todo o custo!”

Minha filha, no Inferno há um fogo inextinguível, que arde sem consumir. É uma pena terrível. que faz sofrer a alma, a qual se sente como que unida ainda ao corpo, pelo que também ele sofre, se bem que não esteja sensivelmente presente no Inferno. É um fogo, comparado com o qual, aquele que tu agora vês não é nada, mesmo que, como tu sabes, uma pequena queimadura seja para todos bem dolorosa.

No Purgatório, o amor e a esperança atenuam a dor, que até mesmo o desejo de purificação fazem cobiçar ou ansiar; mas no Inferno, casa do ódio, o peso da Justiça de Deus torna cada vez mais insuportável uma tal pena, que jamais terminará. Jamais chegará a essas almas um conforto ou consolação de pessoas queridas, nenhum sufrágio lhes poderá chegar, através das orações dos bons. E, no entanto, Deus, que não pode odiar ninguém, ama também essas almas que se decidem a ir livremente para o Inferno. Ama-as, mesmo que as castigue, porque elas mesmas, audaz e irremovivelmente querem persistir em odiar Deus, como O odiaram em vida e no momento da morte.

Terrível castigo, Minha filha, o do Inferno, que Eu Mesmo algumas vezes vou mostrando a almas simples e boas, para que possam informar as outras, ou almas em perigo, para as impedir de prosseguirem no mal. Tu poderás dizer-Me: “E porque não a todos, Mãezinha?”. Eu respondo-te com as palavras da parábola do rico Epulão: “Têm a Lei e os Profetas! Que os ouçam!” (Lc 16,29)

E ainda com as palavras de Jesus: “É melhor entrar no Paraíso com um só olho, com uma só mão, com uma só perna, do que no Inferno com ambas!” (Mt 18,7 e segs) Medita uma vez mais estes pensamentos, que te farão bem à alma.

Fonte: Anunciai a Boa Nova, Janeiro de 2012 – www.edicoesboanova.com

Sugestão: Leia, releia, medite, a sós ou com outros, tire cópias, distribua, envie aos seus amigos…

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Ezequiel Miguel

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Publicado por: Administrador | Agosto 17, 2019

Salmo 39 (40) – Eu venho, Senhor, para fazer vossa vontade

20º Domingo do Tempo Comum – Ano C

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rezar18Esperei ansiosamente pelo Senhor,

cuja Face inclinar para mim se dignou.

Não fechou os Seus ouvidos ao meu clamor,

que agora, por Sua bondade, já se calou.

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Ele me ajudou a sair do lago fatal,

do pantanal de lodo onde me enterrei,

colocou meus pés sobre um firme pedestal

e deu-lhes a firmeza que solicitei.

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Um novo hino ouvi da minha boca saltar,

um novo cântico ao nosso Deus, de louvo.

Muitos O irão ver e Nele hão-de confiar,

revelando por toda a parte o Seu Temor.

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Feliz quem, confiante, para o Senhor se vira,

feliz quem não convive com os arrogantes,

feliz quem evita os sequazes da mentira,

feliz quem no Senhor vive dias confiantes!

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Muitos são os feitos que por nós operaste,

quantas as maravilhas a nosso favor!

Elas são tantas! Em que número as fechaste?

Quem a Ti se compara, meu Deus e Senhor?

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Não quiseste sacrifícios nem oferendas,

os meus ouvidos, porém, Te dignaste abrir.

Os holocaustos não pediste como prendas,

então, eu exclamei: ”Eu decido lá ir!”

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Não pediste pelos pecados expiação,

foi-me pedido a Tua vontade realizar.

Meus Deus, a Tua Lei conservo no coração

e nas minhas entranhas vai sempre morar.

.

Tua justiça na grande assembleia anunciei,

não a escondi no fundo do meu coração,

a Tua Verdade com meus lábios proclamei,

a todos revelando a Tua salvação.

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Senhor, digna-Te conceder-me a Tua ternura,

a Tua graça e a Tua verdade me protejam,

males incontáveis me apertam sem brandura,

os meus pecados me esmagam, sem que se vejam.

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Pois são mais que os cabelos da minha cabeça

e com eles o meu ânimo desfalece.

Dá-me o Teu auxílio, embora o não mereça,

e ordena-lhe que não demore, que se apresse!

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Permaneçam confundidos e envergonhados

os que procuram  mandar-me embora da vida!

Voltem atrás, de negra vergonha corados,

os que querem minha desgraça garantida.

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Em vergonha e confusão fiquem afogados

os que me humilham, quando de mim escarnecem!

Felizes os que Te procuram empenhados!

Digam:”Deus é grande, exultem os que O conhecem!”

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Eu, porém, não passo de um pobre e desvalido,

pega-me pela mão e conduz-me ao Teu lado!

Tu me forneces o auxílio, quando pedido,

não tardes, Senhor, a tomar-me ao Teu cuidado!

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Ezequiel Miguel

Publicado por: Administrador | Agosto 17, 2019

Aparições da Virgem Maria em Fátima – IV

19 de Agosto de 1917, nos Valinhos, Aljustrel, Fátima

Nas suas Memórias, a Ir. Lúcia refere que esta Aparição ocorreu em 13 de Agosto, mas não deixou de salientar que esta data poderia não ser a data verdadeira, pois já não se lembrava bem. Ficou, porém, demonstrado que houve equívoco da sua parte. O equívoco deveu-se ao facto de naquele  dia 13 de Agosto os Pastorinhos estarem à guarda do Administrador de Vila Nova de Ourém, que apareceu lá por Aljustrel  e, servindo-se da mentira, os raptou, levando-os para V.N. de Ourém. A propósito deste rapto o Ti Marto, pai de Francisco e Jacinta, conta:

“Na manhã do dia 13 de Agosto – era uma segunda- feira – mas eu tinha dado as primeiras enxadadas numa fazendica pouco distante, quando me foram chamar que fosse imediatamente lá a casa. Ao entrar vi que estava lá muita gente de fora, mas isso já não havia que estranhar…lavei as mãos com todo o sossego, peguei num trapo para as limpar e mesmo assim limpando-as é que entrei na sala e dou com os olhos no Administrador.

Ti Marto – Então por cá, Sr. Administrador?

Adm. – É verdade, também lá quero ir ao milagre. Pois vamos lá todos! Levo os pequenos comigo no carro!… Ver e crer como S. Tomé… (Nervoso) Então os pequenos não aparecem ? Está-se a fazer horas. É melhor mandarem-nos chamar!

Ti Marto – Não é preciso que ninguém os convide! Eles lá sabem quando hão-de trazer o gado e aprontarem-se para ir.

Adm. – Ah! Finalmente eles aí vêm. Então, menino e meninas,  vamos já para a Cova da Iria, que eu levo-os no meu carro. Assim poderemos chegar lá mais facilmente, pois hoje deve haver por aí muita gente caminhando para lá!

Lúcia – Nós não queremos ir de carro. Preferimos ir a pé. Além disso, ainda é cedo e a Senhora só no pediu para estarmos lá por volta do meio dia! Muito obrigada pela oferta mas nós não aceitamos a boleia!

Adm. – Mas vós não vedes que é melhor irdes comigo? É que eu também lá quero ir para ver o que por lá se  passa. Sabe-se lá se a Senhora não quer também falar comigo! É que eu também gostava de a ver! No meu carro ninguém vos incomodará com perguntas, pedidos, empurrões, poeirada…

Ti Marto – Não se incomode o Sr. Administrador com isso! Eles lá hão-de ir ter!

Adm. – Pois então vão andando para Fátima, para a casa do Sr. Prior, que quero lá fazer-lhe umas perguntas!  Vamos então todos: os pequenos, o pai da Lúcia e o pai do Francisco e da Jacinta!…

Adm. – Bem, já chegámos à casa do Sr. Prior. Vamos subir! Venha a Lúcia em primeiro lugar!

Ti Marto – Vai lá, Lúcia!…

Prior de Fátima –  Quem te ensinou a dizer aquelas coisas que andas por aí a dizer?

Lúcia –  Aquela Senhora que eu vi na Cova da Iria.

Prior – Quem anda a espalhar tais mentiras, que fazem tão mal, como a mentira que vocês disseram, será julgado e irá dar ao inferno, se não for verdade; de mais a mais que muita gente anda enganada por vocês.

Lúcia – Se quem mente vai para o inferno, então eu não vou para o inferno, porque não minto, e digo só o que tenho visto e o que a Senhora me tem dito. E quanto ao povo que ali vai, só vai porque quer; nós não chamamos  ninguém.

Prior – É verdade que aquela Senhora vos confiou um segredo?

Lúcia – Sim, mas não o posso dizer. Que, se V. Revcia quer sabê-lo, eu peço à Senhora e, se me der autorização, digo-lho.

Adm. – Isso são coisas sobrenaturais. Vamos adiante! …  Vamos embora! Entrai os três na minha charrete, que está ali ao fundo das escadas. Eu levo-vos já à Cova da iria! (1)

Ti Marto – “Os pequenos começaram a descer e o carro, sem eu dar conta, tinha mesmo vindo encostar ao fim da escada. Ora aquilo estava mesmo a jeito e o Administrador, num instante, conseguiu que eles entrassem para dentro do carro. O Francisco pôs-se à frente e as duas cachopas atrás. Estava aquilo tão jeitoso que era uma beleza. O cavalo partiu num trotezinho em direcção à Cova da Iria e eu aliviei-me um tanto, mas ao acolher-se na estrada fez uma reviravolta, e foi chicote por cima do cavalo, que partiu como um raio. Estava bem estudada!…Estava bem armada!…Foi bem feita!…Mas não havia remédio!” (1)

No dia 14 de Agosto as três crianças foram submetidas a um cerrado interrogatório pelo Administrador,  que não conseguiu forçá-las a dizer o segredo, apesar de recorrer a promessas e ameaças. Nem  a promessa de moedas de oiro nem a ameaça de irem parar a um caldeirão de azeite a ferver surtiram efeito. Ficava ainda uma esperança de umas horas na cadeia que os tornassem mais colaborantes com o Administrador. Mas nem isso deu o resultado pretendido.

A Aparição nos Valinhos (19 de Agosto de 1917)

Após os sinais do costume( relâmpagos),  Nossa Senhora esperou que a Jacinta chegasse, para se revelar sobre uma azinheira um pouco maior que a da Cova da Iria.

Lúcia – Que é que Vossemecê me quer?

V. MariaQuero que continueis a ir à Cova da Iria no dia 13 e que continueis a rezar o terço todos os dias.

Lúcia – Queria pedir-Lhe para fazer um milagre a fim de que todos acreditem .

V. MariaSim! No último mês,  em Outubro, farei um milagre para que todos creiam nas minhas aparições. Se não  vos tivessem levado à aldeia (Vila Nova de Ourém) o milagre teria sido mais grandioso. Virá S. José com o Menino Jesus para dar a paz ao mundo. Virá também Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora das Dores.

Lúcia – O que é que Vossemecê quer que se faça do dinheiro e das outras ofertas que o povo deixa na Cova da Iria?

V. MariaFaçam-se dois andores; um leva-o tu com a Jacinta e outras duas meninas vestidas de branco; o outro leve-o o Francisco com mais três meninos também vestidos de opas brancas. O dinheiro dos andores é para a festa de Nossa Senhora do Rosário.

Lúcia – Queria pedir-lhe por aqueles doentes que…

V. MariaSim, alguns curarei durante o ano. Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, pois vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas.

Desta vez, o Francisco e a Jacinta colheram dois raminhos da pequena azinheira onde Nossa Senhora pousara os seus pés e, deixando a Lúcia a guardar as ovelhas, regressaram muito contentes a casa. À  porta da casa de Lúcia encontraram  D.Maria Rosa dos Santos, mãe de Lúcia.

Jacinta – Ó tia, vimos outra vez Nossa Senhora!…Nos Valinhos!…

D. Maria Rosa – Ai, Jacinta! Sempre vocês me saíram uns mentirosos! Nem que Nossa Senhora lhes vá aparecer agora em toda a banda por onde vocês andam!…

Jacinta – Mas é que vimos. Olhe, tia, Nossa Senhora prantou um pé neste raminho e outro neste!

D. Maria Rosa – Dá-me cá! Deixa ver! (Cheirando) Mas a que cheira isto? …Não é perfume…não é incenso…nem sabonete…cheiro a rosa também não é…nem nada que se conheça…Mas é um cheiro bom! …(Para todos os presentes): Quereis vós também cheirar?…Fica aqui, sempre se há-de encontrar alguém que saiba dizer a que é que cheira este ramo!

À noite:

D. Maria Rosa – Eh! Lúcia, Maria dos Anjos,… quem tirou daqui o raminho?… Ele estava aqui neste vaso!… Será que agora também há ladrões  nesta casa? Não bastam já os problemas do costume?… Lúcia, foste tu que o escondeste?

Lúcia – Ó mãe, eu nem sabia que estava cá um raminho da azinheira! Mas o raminho não é da Jacinta ou do Francisco?

D. Maria Rosa – Realmente!… Hum!…Eu cá  já desconfio!… Quem rouba o que é seu…fica perdoado!… Mas amanhã já tiro isso a limpo!…

Ti Marto – Eu tinha ido nesse dia, à tarde, dar uma volta por umas fazendicas e , ao sol posto, voltei para casa. Quando ia quase a entrar, encontro um fulano meu amigo, que me diz assim:

Fulano – Ó Ti Manel! O milagre já está mais averiguado!

Ti Marto – Cá por mim não sei de nada!

Fulano – Certo que não sabe de mais nada?

Ti Marto – Eu não! Que havera eu de saber mais?

Fulano – Pois fique sabendo que Nossa Senhora apareceu, há um bocado, nos Valinhos, aos seus filhos e à cachopa do Abóbora. Pois olhe que é certo, Ti Manel, e sempre lhe digo que a sua Jacinta tem uma virtude qualquer. Ela não tinha ido com os outros e veio cá um a chamá-la e, só quando ela lá chegou é que Nossa Senhora apareceu.

Ti Marto – Eu encolhi os ombros sem ter palavra que dissesse, mas entrei no pátio a pensar no caso. A mulher não estava em casa; fui andando para a cozinha e lá me sentei. Nisto entra a Jacinta muito contente com um raminho na mão libertando um perfume um inexplicável e magnífico cheiro que eu nem sabia explicar,  assim dum palmo e a dizer-me:

Jacinta – Olhe,  pai! Nossa Senhora voltou a aparecer outra vez à gente nos Valinhos!

Ti Marto – Que é que trazes aí?

Jacinta – É o raminho onde Nossa Senhora pôs os pés.

Cheirei-o, mas o perfume tinha desaparecido. (1)

 .

(1)    Extraído e adaptado de : Pe João De Marchi – Era uma Senhora mais brilhante que o sol –Missões da Consolata, 8ª Edição, pp.156-159 , Fátima, 1966

Ezequiel Miguel

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Publicado por: Administrador | Agosto 14, 2019

Salmo 44 (45) – À vossa direita está a Rainha do Céu

Assunção de Nossa Senhora

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Belas palavras brotam do meu coração!

Com os meus versos eu quero honrar o meu Rei,

a minha língua é pena guiada pela mão,

este meu poema ao meu Senhor dedicarei!

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Entre os filhos dos homens és o mais formoso

e nos teus lábios a graça se derramou,

a tua beleza enche o teu povo de gozo,

por isso, o Senhor Deus para sempre te abençoou.

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Tu te revestiste de glória e majestade,

com tua brilhante espada, à cintura cingida,

mostra  a tua heróica valentia, sem igualdade,

em defesa da justiça desaparecida!

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Passeia a tua majestade vitoriosamente

pela causa da mansidão e da verdade!

Em teu poder se encontra a vitória somente,

tua dextra te diz como enfrentar a maldade.

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A tua mão realizará feitos portentosos

com as tuas setas, na perfeição aguçadas!

A ti se submetem os povos orgulhosos,

depois de as suas hostes verem destroçadas.

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O teu trono, ó Deus, se tece de eternidade,

de justiça é urdido o teu ceptro real,

amas a justiça, odeias a iniquidade,

e, com ela, todos  os que praticam o mal.

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Por esse motivo, o Senhor, teu  Deus, te ungiu

com aquele óleo perfumado da alegria!

Aos teus companheiros Ele te preferiu,

na veste que a mirra, aloé, cássia, recendia.

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No palácio de marfim é a lira tocada,

que os teus ouvidos se deliciam a ouvir!

À tua direita está a rainha coroada,

entre filhas de reis, com o  ouro de Ophir.

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Presta atenção, filha! Inclina o teu ouvido!

Esquece o teu povo e a casa de teu pai!

Por tua beleza ficará o rei atraído

e de ti, por certo, enamorar-se vai.

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Presta-lhe obséquio, pois ele é o teu Senhor!

O povo de Tiro virá com seus presentes,

seus nobres tentarão captar o teu favor,

não deixando seus olhos dos teus estar ausentes!

.

A rainha avança em seu porte de esplendor,

de brocados de ouro são seus ricos vestidos,

ela entra, com seu manto multicolor,

pelos pórticos do real palácio floridos.

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No lugar de teus pais, teus filhos se verão,

príncipes sobre a Terra serão constituídos,

todas as gerações teu nome lembrarão.

Teus louvores serão pelos séculos ouvidos!

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Ezequiel Miguel

Publicado por: Administrador | Agosto 14, 2019

Cantai… um cântico novo

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Publicado por: Administrador | Agosto 14, 2019

Assunção da Virgem Maria ao Céu

Assuncao17Na eternidade fora pensada
para ser única, diferente,
pelo Espírito Santo marcada
com Seus traços no corpo e na mente.
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Deus  A escolheu para ser a Mãe
Sua, também de todos os humanos;
se Filha de Deus ao mundo vem,
como Sua Mãe cabe nos seus planos.
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Se, um dia, o Filho de Deus gerou,
pela promessa da Anunciação,
durante a vida O acompanhou,
como na Morte e  Ressurreição.
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Isenta da mancha original,
também do tributo do pecado,
a Morte respeitaria umbral
que pela Graça fora selado.
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Assim sendo, pôde Ela  escolher
como gostaria da Terra sair:
Imitar o Seu Filho e morrer
ou em vida para o Céu partir?
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Mas, sendo do Filho imitadora,
outra alternativa não queria:
sendo dos homens co-redentora,
também pela morte passaria.
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Sendo Maria a humana excepção,
desta excepção não tirou partido,
assim cumprindo uma obrigação
por  um dever  não atribuído.
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Por ser a Virgem Imaculada,
isenta da culpa original,
foi  em Corpo e Alma ao Céu elevada
para ser Rainha Celestial.
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A Árvore na Terra nascida,
no Paraíso foi transplantada,
continuando a dar  frutos  de Vida,
porque em Deus para sempre enxertada.

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Ezequiel Miguel

19º Domingo do Tempo Comum – Ano C

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ceu

Vós, que sois justos, vinde o Senhor aclamar!

Vós, rectos,  puros de coração, O exaltai!

Vinde com harpa e lira salmos recitar!

Com arte e alma um cântico novo cantai!

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A palavra do Senhor é de rectidão,

as Suas obras nascem da Sua fidelidade,

a justiça e o direito são a Sua paixão,

pela terra inteira se vê a Sua bondade.

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Pela Palavra do Senhor foi o céu criado,

o sopro da Sua boca a beleza lhe doou,

pôs as águas do mar em recinto fechado.

O do Senhor é eterno, como o decretou.

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Feliz a nação cujo Deus é o Senhor,

o Povo que Ele escolheu para Sua herança!

lá do Céu, Ele contempla e vê com rigor

todos os homens, com olhar que tudo alcança.

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Do alto trono, onde o Senhor está sentado,

todos os actos do homem pode observar,

o coração do homem foi por ele moldado

e nada do que ele faz escapa ao Seu olhar.

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Um grande exército pode o rei não salvar,

um herói não se salva por sua valentia,

é pura ilusão só no cavalo confiar,

a sua fogosidade não dá garantia.

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Os que O temem estão sob o olhar do Senhor,

que das garras da morte liberta as suas almas;

elas, que vivem na esperança do Seu amor,

viverão, no tempo da fome, vidas calmas.

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Quanto a nós, no Senhor, nosso Deus, esperamos,

é Ele o nosso amparo e a nossa protecção,

confiança em Seu Nome santo depositamos,

Nele exulta e se alegra o nosso coração.

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Venha, Senhor, sobre nós, a Vossa bondade!

Dentro de nós permaneça em Ti a confiança!

Vê, não nos abandones em nenhuma idade,

pois és Tu que sustentas a nossa esperança!

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Ezequiel Miguel

Publicado por: Administrador | Agosto 11, 2019

Fonte de água viva

Fonte de agua viva

Publicado por: Administrador | Agosto 11, 2019

A Sabedoria de Deus

(Confira: Prov  8, 22-31)

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firmamentoQuando nasci, ainda os abismos não existiam,

nem as águas das nascentes vinham abundantes.

os picos das montanhas  ainda não se viam,

de suas bases e cumes não havia depois nem antes.

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Antes que as colinas e os montes fossem fixados,

eu fui, ainda antes de o tempo nascer,  concebida;

a terra e os campos estavam não cultivados,

porque eles próprios ainda não conheciam  a vida.

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Antes do início do mundo Eu estava presente!

Eu estava lá quando o Senhor os céus firmou,

com um círculo  tornou o abismo obediente,

e nele  a sua extensão  assim  fechada deixou.

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Quando Ele sobre os montes as nuvens desenhou,

quando Ele os seus limites aos abismos ergueu,

quando Ele ao mar os  seus diques  nas margens fixou,

Eu estava lá, quando tudo isso aconteceu.

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Depois de às águas ter os seus limites  fixado,

os fundamentos da terra então Ele lançou.

Nessa altura, Eu estava presente, ao Seu lado,

como  o  Arquitecto que  este projecto desenhou.

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Eu estava cheia de júbilo dia após dia

e na presença  do Senhor Eu me deleitava;

a minha satisfação sobre  a Terra crescia,

pois era  entre os filhos dos homens  que Eu morava.

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Ezequiel Miguel

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Obsv. A Sabedoria, aqui,  identifica-se com o próprio Deus, Criador omnipotente, omnisciente, omnipresente.

Publicado por: Administrador | Agosto 4, 2019

Salmo 18B (19) – Os preceitos do Senhor alegram o coração

Ano C – XVIII Domingo do Tempo Comum

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mel

A Lei do Senhor é toda perfeição,

ela faz a alma exultar de alegria,

Suas Ordens são firmes, sem oscilação,

e aos simples concedem a Sabedoria.

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Seus Preceitos primam pela rectidão,

Seus mandamentos são claros, transparentes,

nas Leis do Senhor exulta o coração

e os olhos se iluminam de raios fulgentes.

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O Temor do Senhor sempre permanece,

os Juízos do Senhor são verdadeiros,

em Seus Juízos a rectidão não fenece,

os Juízos do Senhor apontam certeiros.

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Os Preceitos do Senhor são valiosos,

muito mais preciosos que o mais fino ouro,

de longe mais que o puro mel saborosos,

do mel que dos favos sai como tesouro.

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Embora por eles eu me deixe guiar

e os observe com o máximo cuidado,

quem pode no fundo de si penetrar

para reconhecer o erro disfarçado?

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Purificai-me dos pecados ocultos

e do orgulho também me preservai!

Arrancai de mim os escondidos vultos,

de toda a culpa grave me libertai!

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As palavras da minha boca aceitai!

Perante Vós estejam meus pensamentos!

Em humildade o meu coração deixai,

protegido contra os orgulhosos ventos!

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Ezequiel Miguel

Publicado por: Administrador | Agosto 4, 2019

Como o veado anseia

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