Consagrado ao Senhor – Instituição do Sacerdócio

sacerdote

  1. Convoca o teu irmão Aarão e os seus filhos, a fim de exercerem o sacerdócio em minha honra .(Ex. 28,1)
  2. Farás para teu irmão Aarão vestes sagradas, pela dignidade, como ornamento…, para o santificarem e para exercer o meu sacerdócio… Utilizarão o ouro, a púrpura violácea, a púrpura escarlate, a púrpura carmesim e o linho fino ( Ex 28, 1-5).
  3. Farás uma lâmina de ouro puro, na qual gravarás, como se fora num sinete: “Consagrado ao Senhor”. Prendê-lo-ás com uma fita de púrpura violácea, à fronte de Aarão, que carregará assim os pecados cometidos pelos filhos de Israel, ao consagrarem as suas ofertas religiosas. Estará sempre sobre a fronte de Aarão, na presença do Senhor, para que os filhos de Israel obtenham benevolência (Ex. 28, 36-38).
  4. Mandarás que Aarão e os seus filhos avancem até à entrada da Tenda da Reunião e lavá-los-ás com água. Depois tomarás as vestes e revestirás Aarão com a túnica, o manto da insígnia sacerdotal, a insígnia e o peitoral, que apertarás com o cíngulo da insígnia. Impor-lhe-ás a tiara na cabeça e sobre a tiara colocarás o diadema santo. Tomarás o óleo da unção e, derramando-o sobre a sua cabeça, ungi-lo-ás. Mandarás aproximar os seus filhos e revesti-los-ás com as túnicas. Cingirás com o cíngulo Aarão e os seus filhos, aos quais imporás as tiaras. O sacerdócio pertencer-lhes-á por uma norma perpétua   (Ex. 29, 4-9).

Do que fica dito atrás podemos resumir:

  1. O sacerdócio e os sacerdotes foram instituídos durante a travessia do deserto, a caminho da Terra Prometida, após a saída dos Hebreus do Egipto, por isso lhe damos o nome de sacerdotes da Antiga Aliança, do Velho Testamento,  da Lei de Moisés.
  2. O sacerdócio foi instituído para “honra do Senhor”, para seu serviço exclusivo e para mediação entre o Povo e Deus.
  3. Os sacerdotes foram marcados com um selo de “Consagrado ao Senhor”, exibido bem visível na fronte.
  4. Este selo dizia a todos e a eles próprios que se lhes exigia santidade, para melhor cumprirem a sua missão e obter a benevolência de Deus para com o Seu Povo.
  5. Deus deu indicações precisas sobre o desenho das vestes dos sacerdotes, de modo a transmitirem dignidade e majestade real, a que não faltavam as tiaras, à semelhança das coroas imperiais.
  6. Os sacerdotes eram ungidos com o óleo santo que lhes imprimia uma consagração exclusiva ao serviço de Deus e do Povo.
  7. O sacerdócio antigo foi confiado a Aarão e aos seus descendentes.

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Sacerdotes da Antiga Aliança e Sacerdotes da Nova Aliança

Entre os sacerdotes da Antiga Aliança e os da Nova Aliança há uma grande diferença, mas também algumas semelhanças:

. Os antigos ofereciam as vítimas ( cordeiros, ovelhas, bezerros) a Deus, cujo sangue era aspergido sobre o povo, num ritual em que se pedia a Deus o perdão pelos pecados dos homens, figura da Missa (Eucaristia),   em que o sacerdote da Nova Aliança oferece a Deus a Vítima, o Cordeiro Imaculado (Jesus Cristo), em repetição e comemoração do Sacrifício do Calvário (Fazei isto em Memória de Mim).

. O sacerdócio instituído por Cristo é muito mais completo, mais pleno de significado, mais exigente, mais conforme ao próprio Cristo, o Sacerdote Real de onde dimana toda a acção sacerdotal.

. Na Lei de Moisés não havia Sacramentos, pois estes foram-nos legados pelo próprio Jesus Cristo, uns antes da Sua Paixão e Morte e outros depois da Sua Ressurreição. Aqui vão os seus nomes, para quem já se não lembra deles: Baptismo, Penitência, Eucaristia, Confirmação, Ordem, Matrimónio, Santa Unção, sete ao todo, significando totalidade e perfeição.

. É caso para perguntar agora como se apagavam os pecados, a começar pelo pecado original. Os pecados apagavam-se pelo arrependimento sincero e por uma vida santa no cumprimento da Lei (dada por Moisés, mas ditada por Deus) promulgada no Monte Sinai, após a saída do Egipto. O pecado original não era apagável, por isso ninguém podia entrar no Paraíso, uma vez que nele não entra nada nem ninguém impuro. As almas dos Justos aguardavam no Limbo que os méritos da Paixão e Morte de Jesus Cristo funcionassem para eles como um Baptismo. Dizemos no Credo que Jesus Cristo, depois da Morte, desceu aos infernos (para levar para o paraíso todos os seus habitantes que por lá permaneciam desde  a criação do homem sobre a Terra). Depois do pecado de Adão e Eva o Paraíso ficara fechado para o género humano. A Bíblia diz que dois Querubins guardavam o Éden com espadas de fogo (Cf. Gen 3, 23-24).

. Os sacerdotes da Lei de Moisés intercediam a Deus pelo Povo, mas não tinham o poder de perdoar pecados. Esse poder foi concedido por Cristo aos  Apóstolos e seus sucessores,  depois de ordenados com o Sacramento da Ordem: “Perdoai os pecados. Àqueles a quem os perdoardes, ficarão perdoados, àqueles que os retiverdes, ficarão retidos” (Jo 20, 23)

. Apesar de” consagrados ao Senhor”, os antigos sacerdotes mantinham-se fisicamente longe do seu  Deus. Lembra-se aqui que o único lugar em toda a Terra onde Deus tinha uma presença real era o centro da tampa dourada da Arca da Aliança ( O Propiciatório), em cujos extremos se erguiam as estátuas de dois Querubins com as asas estendidas sobre esse espaço,  em atitude de adoração e veneração, à semelhança do que se pretende significar quando o Pálio cobre Jesus Sacramentado nas Procissões Eucarísticas . No véu do Santuário, que se rasgou de alto a baixo quando Cristo expirou na cruz, Deus mandou também desenhar dois Querubins. Este facto, além do mais, também serve para desmentir os protestantes quando propagam com toda a convicção que a Bíblia condena todas as imagens, o que não é verdade. Condena todas as imagens às quais se preste culto de idolatria, o que por outras palavras equivale a dizer que se condena todo o culto de veneração ou adoração a ídolos, como se eles próprios fossem deuses. Isto ainda é válido hoje. Se alguém adorar uma imagem de Cristo ou da Virgem, comete idolatria. As imagens são apenas representações de algo ou Alguém e nada mais do que isso. Apenas a Hóstia Consagrada não é uma coisa nem uma imagem, mas é Alguém, Cristo, Deus e Homem, com Seu Corpo, Alma, Majestade e Divindade, tão real e perfeitamente como está no Céu. Quem não crer nisto é herege, estando por isso fora da Igreja.

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Vestes sacerdotais

.Quanto às vestes sacerdotais, que o próprio Deus desenhou, os sacerdotes ( Papas, Cardeais, Bispos, Presbíteros, Diáconos), herdaram vestes semelhantes, que ao longo dos tempos foram evoluindo no sentido de ficarem mais simples e práticas, sem contudo esquecer o profundo significado que lhes está subjacente. O sacerdócio é uma realeza que entronca na Realeza de Cristo, por isso as vestes sacerdotais, para as quais Deus seleccionou os tecidos mais dignos, são destinadas também a transmitir a dignidade, a realeza e  a majestade que caracterizam Cristo, o Sumo Sacerdote, de quem os sacerdotes são delegados escolhidos, ungidos e consagrados. Tudo no sacerdote é feito para apontar para Cristo, mesmo antes de Cristo ter descido à Terra.

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O poder de perdoar e consagrar

. A função mais sagrada e nobre do Sacerdote da Nova Aliança, além do poder de perdoar pecados em nome de Jesus Cristo, é o de realizar de novo e comemorar a Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, através da Missa, também chamada Santos Mistérios, Eucaristia, Santo Sacrifício, onde Cristo se oferece (através do Sacerdote) de novo ao Pai, como a Vítima perene, para reactualizar permanentemente o Sacrifício do Calvário, ainda para propiciar pelos pecados dos Homens e para cumprir aquelas promessas que constam do capítulo 6 do Evangelho de S. João: “Eu sou o Pão do Céu…Quem comer deste Pão…O Pão que Eu vos der é a minha carne e a bebida que eu vos der é o meu Sangue…” É pelo Sacerdote que Cristo cumpre o que prometeu, é pelo Sacerdote que Cristo actua, é pelo Sacerdote que as Suas palavras da Última Ceia ( “Isto é o Meu Corpo…isto é o meu Sangue…Tomai e comei…tomai e bebei…) atingem a eficácia plena, desde que o Sacerdote tenha a intenção de fazer o que faz a Igreja: Tornar Cristo presente na Eucaristia. São as palavras mais poderosas que podem sair da boca de um homem, porque elas não são palavras de homem, mas são palavras de Deus postas em língua de homem, por isso elas realizam o que significam, pois quando o Sacerdote diz “Isto é o meu Corpo…”, o pão e o vinho deixaram de ser pão e vinho, por obra e poder de Cristo. Este milagre supremo, este mistério da Fé não depende da santidade do Sacerdote e realiza-se mesmo se ele estiver em pecado mortal, à semelhança do que se passa com o perdão dos pecados. O Sacerdote pode estar em pecado mortal, pode ele próprio merecer o inferno e condenar-se, mas o perdão vem por ele. Aqui a fórmula sacramental são as palavras de Cristo” Eu te absolvo dos teus pecados.”Não tem razão quem pensa que os poderes e as funções do Sacerdote têm a ver com a sua vida como homem, também pecador, embora mais obrigado que os outros a ser santo. Não é dos seus méritos que deriva a sacralidade,  a santidade e a eficácia dos Sacramentos, mas dos méritos de Jesus Cristo, por isso as palavras “Eu te absolvo dos teus pecados” ou “Isto é o meu corpo…” têm o mesmo valor e a mesma eficácia, independentemente do sacerdote que as pronuncie. Por vezes ouve-se dizer: “Eu não me confesso a eles porque eles ainda são piores do que eu…)”, o que não deixa de ser um argumento vazio e falso, para esconder uma outra realidade: a falta de fé  e a falta de coragem para se confessar e nisso só essa pessoa e Deus saberão porquê. Outros dizem, mesmo não faltando à missa dominical:”Eu confesso-me a Deus …e eu vou dizer a eles o quê? Eles são piores do que eu e além disso há certas coisas que eu não vou dizer ao padre. Era o que faltava!”. Oxalá mudem de opinião enquanto vivos…Vem a propósito relembrar que o sacerdote não pode revelar nada do que ouviu em Confissão, sob pena de cometer pecado grave. Deus costuma conceder a graça do martírio àqueles que preferem morrer recusando revelar um segredo de Confissão. Isto dá garantias àqueles que receiam que os seus pecados ou algum pecado especial caia no domínio público. É uma das graças do estado sacerdotal com que Deus garante a seriedade, a honestidade, a santidade do Sacramento da Penitência. Já alguns pagaram com a vida a recusa em revelar segredos de Confissão e todos são obrigados a fazer o mesmo, caso se revele inevitável.

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Sacerdotes e sacerdotes

Hoje, devido à falta de sacerdotes, já muitas paróquias adoptaram os esquemas  das  Liturgias da Palavra e da Comunhão, em que os leigos substituem o Sacerdote, na perspectiva de que sempre é melhor do  que nada, mas nenhum leigo, por mais credenciado que esteja, estará apto a substituí-lo. Entre ambos vai uma distância maior que da Terra ao Sol…Por isso, nenhum leigo deve aceitar a simples ideia de rivalizar com o Sacerdote, apesar de frequentemente se dizer e se escrever com verdade que em Cristo todos somos sacerdotes, profetas e reis, mas há que distinguir entre este sacerdócio laical e o sacerdócio ministerial, o que se confere pelo Sacramento da Ordem.

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A Vocação Sacerdotal

A Vocação sacerdotal é um grande dom de Deus para aquele que é chamado e para o Povo de Deus, mas também é algo  de uma terrível exigência no que diz respeito à correspondência firme e decidida, constante, convicta, santa, uma vela permanentemente acesa até se consumir de vez ao serviço de Deus e do Seu Povo, numa entrega permanente, em oração e acção sem pausas, sem horários, sem greves, sem reivindicações, em circunstâncias onde por vezes se exige heroísmo no cumprimento dos seus deveres específicos pela salvação das almas, tudo isto ainda e muito mais em ambientes de solidão, perseguição, difamação, calúnia, mentira … tudo diabolicamente orquestrado para o levar ao desânimo e afogá-lo em dificuldades de toda a ordem, numa luta constante para se manter fiel aos seus votos de Castidade e Obediência ao seu Bispo ou aos seus Superiores. Acresce a tudo isto o clima gerado em muitas paróquias por paroquianos fracamente esclarecidos quanto ao seu papel e ao do Pároco. Vem a propósito lembrar a todos os paroquianos que os seus párocos têm direito às suas orações e ao seu apoio desinteressado em tudo o que facilite a sua missão sacerdotal e Deus também os premiará pelo seu (do Pároco) sucesso  ou responsabilizará pelo seu fracasso. Frequentemente chegam aos jornais e às TVs notícias de conflitos entre párocos e paroquianos, normalmente relatando factos deturpados e visões propositadamente expressas para denegrir o Padre e ridicularizar tudo o que ele diz ou faz, o que não abona a honestidade intelectual do(a) jornalista, que busca sempre e encontra as pessoas menos indicadas e mais malévolas para falarem contra o Pároco. Estes(as) jornalistas normalmente não percebem nada de nada a respeito da Igreja, da Religião, do sacerdócio, da missão dos leigos, mas largam opiniões doutorais citando expressões e frases desgarradas, fora do contexto, que depois aparecem a letras grandes nos jornais ou na Net ou ainda nos noticiários das TVs, com o realce que se dá aos acontecimentos de grandeza planetária…Quando assim é, o Sacerdote não costuma defender-se do que dizem contra ele, porque não vale a pena e nem sequer se dá ao trabalho de invocar o direito de resposta. É nessa altura que os paroquianos honestos e amigos da verdade devem intervir corajosamente para repor a verdade e defender o seu Pároco perante os caçadores de escândalos, verdadeiros ou inventados. Se numa paróquia  lá houver um matadouro de crianças por nascer  ou se lá houver uma casa de prostituição…os jornalistas não vão lá para dizerem que está mal. Porquê? Porque não vêm mal nenhum nisso, mas se virem um Sacerdote benzer água para os fiéis levarem para casa (o que todos, fiéis e párocos, deveriam fazer por todo o lado, na minha opinião, pois tudo isto está dentro da legalidade…), então toca a meter o Pároco a ridículo, para alegria e gozo dos inimigos da Igreja, sejam eles seus membros ou seus inimigos declarados, o que facilmente se pode ver nos comentadores da Net. Tenho verificado que sempre que surge uma notícia a denegrir um Sacerdote ou um Bispo, surgem na Net granizadas de comentários hostis e quase nenhum a defendê-los, muitos deles insolentes e ousados até ao ponto de eles próprios dizerem como é que a Igreja se deveria comportar quanto ao casamento dos padres, ao aborto, à homossexualidade, às uniões de facto, etc. É bom que todos saibam que Jesus Cristo fundou a Igreja para ser Mãe e Mestra, Luz das Nações, Depositária da Verdade, Guia no caminho da Salvação Eterna. São os homens que têm de se adaptar à Igreja e não a Igreja a eles. Este é o esquema. Quem o subverter arrisca tudo… e perde!

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Tempos que já lá vão…

Uma paróquia que ainda disponha de um Pároco residencial deve entender que  está abençoada por uma grande graça que Deus, através do Bispo, lhe concede, porque há muitas em que apenas lhes resta  a saudade de um Pároco, não sendo previsível a curto prazo, que as coisas melhorem, por falta de vocações sacerdotais. A este propósito surgem de vez em quando opiniões sobre a Ordenação de mulheres para sacerdotisas, ideia rejeitada definitivamente por João Paulo II e baseada no facto de Cristo não ter escolhido nenhuma mulher para tal missão, nem sequer a Virgem Maria, mais digna que qualquer outra criatura, e também não escolheu nenhuma das muitas mulheres pertencentes ao grupo das discípulas, onde se incluía a grande Maria Madalena, que antes de ser grande na santidade foi grande no pecado. Será mais fácil que a Igreja aprove a Ordenação de sacerdotes casados, mas isso ninguém pode prever se acontecerá ou quando acontecerá. Frequentemente surgem na Net comentários a denegrir os Sacerdotes  por parte de pessoas que estão longe de saber o que é um sacerdote, não vendo no sacerdócio mais que um meio de arranjar emprego onde não há falta de empregos…É caso para perguntar: Havendo tanto desemprego, porque há tanta falta de sacerdotes? As razões não são materiais, mas prendem-se com a decadência espiritual das famílias, das paróquias, da juventude e também com os meios anticoncepcionais e abortivos das sociedades modernas, de onde Deus e os valores espirituais tendem a ser varridos, entre outras possíveis causas.

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A santidade, melhor que os graus académicos

É o momento de tecer algumas considerações a propósito do exemplo de S.João Maria Vianey, o padroeiro dos Sacerdotes católicos. É sabido que a sua Ordenação sacerdotal foi muito problemática e esteve em risco pelo facto de ele ser vítima de uma profunda alergia ao latim, o que não era caso raro, pois muitos candidatos ao sacerdócio foram vítimas frustradas da Gramática Latina…Hoje, por uma pirueta irónica, já há Sacerdotes que nem latim estudaram nos Seminários, o que não é fácil de entender…nem por eles próprios, que sentem por isso alguma vergonha e frustração. Isto num tempo em que o próprio Estado manteve o Latim nos currículos escolares.  João Maria Vianey acabou por ser ordenado Sacerdote, mais pela santidade de que dava provas do que pelos resultados nos exames. Por isso mesmo foi enviado para uma paróquia ( Ars) onde a abundância de tabernas e bêbados apagara a prática da religião. Passados poucos anos toda a paróquia estava convertida e o Santo começou a atrair gente das vizinhanças que vinham confessar-se a ele. Moral da história: ele era santo, a principal e imprescindível característica que se deseja ver num Sacerdote, porque se for santo, Deus habitará nele e o Espírito Santo não o deixará errar nem esfriar no cumprimento da sua missão sacerdotal.

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Sacerdos in aeternum

Os sacerdotes são absolutamente necessários na vida da Igreja, competindo-lhes a pregação, a catequese, a gestão das paróquias ou das Dioceses (Bispos) e a administração dos Sacramentos, com particular relevo para a Penitência e a Eucaristia, tudo em função da santificação e salvação das almas dos fiéis e também das suas. Eles são obrigados à santidade, tal como os leigos também o são e tanto uns como os outros dispõem dos meios necessários para isso. Os Sacramentos são os Fontanários da graça e da santidade e os Sacerdotes são os canais por onde ambas jorram abundantemente.”Eu vim para que tenham a Vida e vida em abundância” (Jo 10, 10) foi a sentença de Cristo, que se cumpre através dos Sacerdotes. Eles, além dos votos de Castidade perfeita e Obediência aos seus bispos, emitem ainda o voto do Celibato, isto é, manter-se-ão solteiros, enquanto não obtiverem a dispensa das suas obrigações sacerdotais. Aqueles que não aguentam as exigências da sua Vocação podem requerer à Santa Sé a suspensão da prática sacerdotal,  o que normalmente lhes é concedido para evitar males maiores, ficando eles, depois disso, reduzidos à condição de leigos, o que nunca serão, porque a Ordenação sacerdotal confere-lhes uma marca indelével que nunca se apagará, a não ser que se prove que a sua Ordenação foi inválida, isto é, nunca houve Ordenação. Tendo sido válida, o  Sacerdote sê-lo-á sempre, no tempo e na eternidade, na Terra, no Céu ou no Inferno e como tal será julgado, punido ou premiado, o que também acontece com alguém que tenha sido validamente baptizado.. Em caso de morte  iminente de algum cristão, qualquer sacerdote, mesmo suspenso, pode confessar e absolver. A santidade dos sacerdotes passa pelo cumprimento rigoroso dos seus deveres e dos seus votos, pela oração fervorosa, pelo zelo que dedicam à salvação das almas, pela sua  absoluta fidelidade ao Magistério da Igreja e à Palavra de Deus, para a poderem transmitir sem desvios. S. João Maria Vianey demonstrou que é mais útil para um sacerdote, para os seus paroquianos e para a Igreja que seja santo do que intelectual de primeira grandeza, quer nas Ciências profanas quer nas Ciências religiosas. Se for santo nunca cometerá desvios, atrairá as almas, guiá-las-á com mais segurança e levá-las-á com mais garantia à Salvação. O santo Cura de Ars demonstrou tudo isso. A santidade do Pároco trará santidade aos paroquianos e a santidade destes também contribuirá para a santidade do sacerdote, tudo no interesse das almas e do serviço de Deus, do Qual eles são Ministros e aos quais Ele distingue com uma predilecção especial.

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A honra e a glória da Igreja

Àqueles que Deus chama para o sacerdócio Ele lhes concede os meios e as graças necessárias para desempenharem bem as suas missões e se manterem muito acima  do mundo, se é que querem ser para ele sal, luz e fermento. Mas a sua condição de Sacerdotes não é de modo algum fácil, pois, além de serem homens normais, com todos os problemas que isso acarreta e não anjos, o inferno e os seus agentes escolhem-nos como alvos preferenciais a abater, o que também fazem com as famílias e a juventude, os três grandes pilares da Igreja. Caindo estes três pilares tudo arrisca derrocada. Se um normal cristão é obrigado a manter-se fiel aos Mandamentos e muito especialmente aos que se referem à Castidade (6º e 9º) segundo o seu estado de vida, o Sacerdote ainda é mais obrigado, cometendo sacrilégio se pecar contra o seu voto. Em caso de perigo ou de cheiro a perigo, o remédio é o mesmo que serve também para os leigos: prudência, oração, fuga. É nestes casos que o  herói foge e o valentão rebola pelo pó. Aplica-se aqui literalmente o que Cristo disse :”Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15, 5). O exemplo de tantos santos Sacerdotes canonizados, Mártires ou Confessores, prova que é possível eles serem anjos de carne e osso ao serviço da Igreja e do Deus três vezes Santo. Mas a obrigação de tenderem para a santidade não impede que eles falhem, como falhamos nós, os leigos, não ficando ninguém para justamente atirar a primeira pedra, porque todos temos telhados de vidro…Além disso, Cristo advertiu-nos seriamente contra a tentação de criticar, difamar, caluniar, julgar, condenar…”Não julgueis para que não sejais julgados…”, foi a sentença, ainda válida para todos. Se alguém honestamente achar que algo está mal no seu Pároco, não deverá começar a tocar os sinos( da língua…) para o anunciar a toda a gente, porque ninguém estará em condições de remediar o mal. Vá ou escreva ao seu Bispo e exponha o assunto e guarde segredo. Ele investigará e tomará a decisão certa ou então achará que não é verdade o que se conta. Evite falar mal dos Sacerdotes, pois eles, pela grandeza e dignidade da sua missão, têm direito a uma imagem impoluta, de prestígio, absolutamente necessária para bem dele e dos próprios paroquianos e se ele achar por bem acabar com certas tradições já vazias do sentido religioso ou cheirando a paganismo…aceite as mudanças, porque ele tem toda a autoridade para o fazer e se o faz, é de supor que tem o apoio do seu Bispo. Os sacerdotes merecem o máximo respeito, pela sua missão e porque a sua dignidade está acima de todas as autoridades da Terra, por serem Ministros de Deus. Antigamente cumprimentava-se o Sr. Prior  beijando-lhe a mão, costume que devia ser retomado por homens, mulheres e crianças.

O Pároco tem o direito de esperar a colaboração possível dos seus paroquianos em tudo o que diga respeito à vida espiritual e à acção da Igreja. É para isso que ele está lá. Ofereça-se para essa colaboração, segundo os seus talentos e carismas, que deve pôr ao serviço da Comunidade Paroquial, na sequência do que diz S. Paulo a este respeito. Lembro alguns serviços a que poderá candidatar-se: Limpeza e arranjo da igreja, Coro paroquial, Movimentos de espiritualidade como Legião de Maria, Vicentinas, Grupos de Jovens, Grupos de Oração, Carismáticos, Neo-Catecumenais, Dinamizadores do Rosário na igreja, na sua rua ou na sua vizinhança, Movimento da Mensagem de Fátima, Apoio a Doentes em suas necessidades materiais e espirituais, Distribuidores dos jornais católicos, Acção Sócio-Caritativa, Catequese de Adultos, Catequista, Cursos Bíblicos, tocar instrumentos musicais para animar as Eucaristias, ensaiar  Cânticos Litúrgicos, recolher fundos para benefício da igreja paroquial ou para satisfazer necessidades concretas de alguém com dificuldades económicas, fundar um “Grupo de Acção para a Modéstia no Vestir”, ou um “ Clube de Adoradores e Reparadores”, organizar Peregrinações, dinamizar a fundação de um Secretariado Paroquial da Mensagem de Fátima, dinamizar a Devoção dos Cinco Primeiros ou a das Nove Primeiras Sextas-Feiras,  etc. Não se limite a exigir da Igreja tudo…a troco de nada! Deus agradece e o seu Pároco também. Se tem possibilidades, convide de vez em quando o seu Pároco para almoçar ou jantar em sua casa e aproveite para lhe pedir que benza a casa e o carro (com água benta…). Deixe algum rasto na sua Paróquia, faça o seu Pároco sentir-se lá o Primeiro de muitos apóstolos  e dê motivo a que deles (Sacerdotes) se possa dizer:”Vós sois a Honra da Igreja e a Glória do nosso Povo!”

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Ezequiel Miguel

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