Você sabe o que é a Missa? – II

Antes de ler o que segue, convém ler o artigo: “Você sabe o que é a Missa? – I”.

Já vimos que a Missa contém três partes, sendo a primeira a fase preparatória, também chamada “missa dos catecúmenos”, da qual constam:  a Confissão pública e humilde de que se é pecador, o pedido de perdão a Deus pelo   Kyrie (Senhor, tem piedade de nós), o Glória,  uma leitura bíblica do Antigo Testamento, o Salmo Responsorial (também do Antigo Testamento), uma ou duas leituras do Novo Testamento, sendo obrigatória uma dos Evangelhos. Segue-se a homilia, em que o celebrante esclarece o conteúdo das leituras e faz a sua aplicação à vida prática dos cristãos. E aqui termina a parte catequética, hoje chamada “Liturgia da Palavra”.

Começa então a “Apresentação das oferendas” ou Ofertório”, momento durante o qual se apresentam ao celebrante o pão e o vinho, que ele benzerá  e oferecerá a Deus em nome de Cristo, que no momento da Consagração se tornarão o Seu Corpo e o Seu Sangue. O sacerdote fará o mesmo gesto que Cristo fez na Última Ceia, ao pegar nesses dons do pão e do vinho e oferecendo-os ao Pai. Por vezes realiza-se uma procissão em que se trazem ofertas para fins de culto ou para obras de caridade.

Quem estiver atento, facilmente notará as várias e diferentes fases que avançam até ao momento Consagração, ao qual se segue a Comunhão. Pelo meio surgem várias orações: Prefácio, Sanctus, Agnus Dei, Pai-Nosso, orações pelo Bispo da Diocese, pelos presentes, por todo o Povo de Deus, pelos vivos, pelos nossos familiares defuntos, pelas almas do Purgatório, por muitas outras intenções, umas apresentadas pelo Sacerdote, outras, da nossa própria iniciativa, sem que haja limites para o seu número… Quem estiver com a atenção requerida e exigida dar-se-á conta de tudo isto. Quem não estiver, possivelmente fará uma ponte e só“acordará” quando vir as pessoas a sair dos bancos para irem à Comunhão…Antigamente, antes do Vaticano II, quase toda a gente acompanhava a Missa pelo seu missal, mas hoje requere-se  mais o contributo dos olhos e dos ouvidos. Se não for assim, tudo aquilo passou como se a pessoa estivesse na lua! Qual o mérito, neste caso? Pouco ou nenhum!

Ao irmos à missa ao Domingo, obtemos as seguintes vantagens:

  1. Cumprimos o preceito da Igreja, que manda santificar os Domingos e festas de guarda.
  2. Entramos em contacto com a Palavra de Deus e recebemos a catequese apropriada e a condizer com as leituras.
  3. Concentramos a nossa devoção e atenção na contemplação do Sacrifício do Calvário, em que Jesus se imolou uma única vez com derramamento de sangue, mas que na Missa se repete e se comemora.
  4. Temos ocasiões para nos confessarmos pecadores, para nos arrependermos, para pedirmos perdão a Deus e a todos os presentes.
  5. Quando o Credo é recitado, expressamos publicamente a nossa fé.
  6. Louvamos a Deus através do Glória,  do Sanctus, recitados ou cantados.
  7. Através da Oração dos Fieis intercedemos por várias intenções.
  8. Através do Pai-Nosso pedimos a ajuda divina para as nossa necessidades materiais e espirituais.
  9. Somos convidados, em momentos próprios, a rezar pelos nossos familiares (e outros) vivos e defuntos, talvez o único momento da semana ou do dia em que isso nos ocorre…
  10. Através da Comunhão, se estivermos na graça de Deus, unimo-nos intimamente a Cristo, tornando-se Ele um connosco e nós um com Ele. É o momento por excelência para apresentarmos queixas, agradecer, louvar, pedir, interceder, desagravar, reparar, prometer,…numa conversa íntima de amigos, de nós, criaturas, com o nosso Criador, nosso Senhor, nosso Deus.
  11. A Comunhão  conserva, aumenta e renova a vida da graça recebida no Baptismo (C.I.C.  1392), aumente o Amor a Deus e ao próximo.
  12. A Comunhão afasta-nos do pecado, apaga os pecados veniais, preserva-nos de pecados mortais futuros (C.I.C.  1394, 1395).
  13. A Comunhão renova, fortalece e aprofunda a nossa  incorporação na Igreja já realizada no Baptismo (C.I.C. 1396).
  14. “…A participação no Santo Sacrifício (Missa) identifica-nos com o Seu (de Cristo) Coração, sustenta as nossas forças ao longo da peregrinação desta vida, faz-nos desejar a vida eterna e desde já nos une à Igreja do Céu, à Santíssima Virgem e a todos os santos” (C.I.C. 1419)
  15. A Missa serve para todas as circunstâncias que o homem atravesse, pois substitui todos os antigos sacrifícios que se realizavam no Antigo Testamento, porque é o Único Sacrifício agradável a Deus. O seu valor é infinito, porque os méritos da Vítima (Jesus Cristo) são também infinitos. Se ela serve para agradar a Deus, honrá-lo, louvá-lo, desagravá-lo, agradecer-Lhe,…serve também, e de modo muito especial, para aplicar pelas almas do Purgatório. Uma só Missa poderia esvaziar todo o Purgatório. Mas seria preciso que Deus   aplicasse a cada alma a totalidade dos méritos de Cristo. Não sabemos em que medida Deus aplica as missas às almas por quem se celebram missas cá na Terra, mas é fácil concluir que aqueles que em vida foram devotos da Missa, se confessaram bem, comungaram bem, viveram bem a Missa,…esses tirarão mais proveito das Missas que mandamos celebrar por eles. Aqueles que não viveram a missa, que não cumpriam o preceito dominical, os que a combatiam ou a ridicularizavam, os que a ouviam sem respeito, olhando a cada passo para o relógo,… aqueles que a parodiavam nas seitas, aqueles que comungavam mal,…esses têm poucas ou nenhumas hipóteses de serem beneficiados pelas missas que a Igreja celebrar por eles. Se estiverem no Purgatório, lá continuarão por muito tempo, apesar de os familiares fazerem o possível por tirá-los de lá por meio de missas.

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Ezequiel Miguel

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