JESUS NO PRETÓRIO DE PILATOS

(Realidade & Ficção)

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Após a sua prisão no Getsémani, Jesus foi conduzido às supremas Autoridades religiosas dos Judeus, Anás e Caifás, que conseguiram convocar o Sinédrio à pressa e de modo fraudulento, para condenar Jesus à morte, o que realmente aconteceu.

Eles podiam condenar alguém à morte, mas não podiam proceder à execução, sendo, pois, necessário recorrer  ao tribunal romano, presidido pelo Governador da Judeia, Pôncio Pilatos. Levaram então Jesus a Pilatos, forçaram os portões  e conseguiram  que ele viesse proceder ao julgamento, pois ele temia, se o não fizesse, que surgisse uma rebelião difícil de controlar, que era o que mais atemorizava qualquer autoridade romana que representasse o Imperador. E, contrariado e mal-humorado, Pilatos lá se dispôs a proceder ao julgamento. Os acusadores eram os chefes dos sacerdotes,  os escribas e os anciãos do povo, os quais comandavam a populaça por eles arregimentada e paga, ali controlada por um Centurião e os seus cem soldados. Enquanto Pilatos se fazia eperar:

Centurião – Trazei-me cá então o Homem! Quem é ele, afinal?

1º sacerdote – Ele merece a morte e em nome da nossa lei já está condenado!

Centurião – E onde é que está o vosso direito de condenar à morte e executar um condenado?

1º sacerdote – Nós condenamos, mas não executamos. As nossas condenações não são válidas sem a sentença do tribunal romano. O nosso Direito, comparado com o vosso, não vale nada. Por isso, é com sinceridade que apelamos para o Direito Romano.

Centurião – Trazei cá o Homem e vós aproximai-vos mais, para poderdes estar mais perto do Juiz!

2º Sacerdote – Não podemos, porque nos contaminaremos se pusermos o pé sob um tecto romano. Não podemos entrar na casa de um pagão, porque nos contaminamos com a imundice que há nelas!

Centurião – A sério?  De onde me vem todo este mau cheiro que exala de vós, corruptos, mentirosos, hipócritas, santarrões, comilões, beberrões, devassos?

3º Sacerdote – Estás a insultar-nos, a nós, os santos de Israel!

Centurião – Santos? Mais santos que vós são os cavalos romanos!  Então, condenar à morte e pedir a execução do único hebreu que é santo e que não é um réptil como vós não vos contamina? Por Júpiter, que raio de pureza é a vossa?…Pronto, vamos então a isto! O assassínio de um Justo, um Inocente , um Homem que só fez o Bem por onde passou não vos mancha as mãos de sangue? O que vós merecíeis era que eu mandasse os meus soldados trespassar-vos a todos ou fazer rolar as vossas nojentas cabeças por aí abaixo! Pronto, vamos a isto! Já aí vem o Governador!

Pilatos – ( Coloca-se frente a frente com Jesus, mira-O de alto abaixo)  É este o Homem?

Centurião – É Ele!

Pilatos – Aproximem-se aqueles que o acusam!

Centurião – É melhor não! Eles dizem que se contaminariam.

Pilatos – Bem pensado! Deixa-os ficar.  É que não tenho aqui perfume que chegue para afogar o mau cheiro que eles exalam!

Pilatos – Quem são então os acusadores? Mostrem a cara e dêem cinco passos em frente! …Tendes a palavra! Falai! Não quero discursos ocos. Sede breves, concisos, objectivos e verdadeiros!

1º Escriba – Nós trazemos aqui este Homem para que a Justiça romana o julgue em nome do nosso divino Imperador, do qual tu és o  digno representante.

Pilatos – O que tendes contra Ele? A minha polícia secreta nunca me apresentou nada de mal contra Ele e eu sei tudo o que Ele tem feito e dito! Ele não cometeu crime nenhum. Apenas difere de vós em assuntos de religião.

2º Escriba – Ele é um malfeitor. Se o não fosse não o teríamos trazido aqui!

Pilatos – De que é que O acusais?

3º Escriba – Ele tem sistematicamente infringido a Lei dos nossos Pais!

Pilatos – E isso é suficiente para me virdes incomodar! Levai-O e julgai-o vós de acordo com as vossas leis!

1º Ancião – Nós já O julgámos e condenámos, mas não podemos executá-lo. Nós precisamos da Lei Romana para esse efeito. Ela é mestra justa, sábia, eficaz…

Pilatos – Estou a ver! O que é que vos deu hoje, para estardes aqui cobertos de mel e manteiga, vós, corja de mentirosos, hipócritas, corujas, aves de rapina? Qual foi então o grande crime que Ele cometeu contra as vossas santas leis?

2º Ancião – Este Homem é um desordeiro, um anarquista, um traidor, porque pregava que não se devia pagar o tributo a César. Ora, intitulando-se Ele o Rei dos Judeus, queria que se pagasse o imposto a Ele. Ora, nós só temos um rei, que é César!

Pilatos – Impostores, mentirosos, chacais nojentos! Como é que interpretais as Suas palavras quando disse, perante a vossa armadilha: “Dai a Deus o que é de Deus e a César o que é de César”? E agora, dizei-me: Ele pagou ou não o tributo a César?

3º Ancião – Pagou!

Pilatos – E como arranjou Ele a moeda do tributo?…Ficais calados? …Vamos, quem responde?

1º sacerdote – Fez um peixe trazê-la à praia!

Pilatos – Vamos agora ao Seu reino! Dizei-me: onde estão o seu palácio, os seus soldados, o seu exército, os seus centuriões, as suas legiões, o seu programa de conquistas de territórios, os seus generais? Quem os conhece ou sabe onde eles estão?…Vamos!…Ninguém responde?

2º sacerdote – Ele andava sempre a dizer que o seu reino era o Reino de Deus. Ora, se é de Deus não é de César!

Pilatos – E o Reino do Imperador não é o reino de Júpiter? Se fosse como vós dizeis, então o Imperador também seria um traidor! (Dirigindo-se a Jesus) Diz-me cá: Tu és mesmo o Rei dos Judeus?

Jesus – Dizes isso por ti mesmo, ou porque ouviste a outros dizer?

Pilatos – Eu não sou judeu! A Tua nação e os Teus chefes é que te entregaram a mim para que eu Te julgue. Sê franco, verdadeiro e leal. Tu aspiras a qualquer tipo de reino que faça concorrência ao Imperador?

Jesus – O meu reino não é deste mundo. Se ele fosse um reino do mundo, os meus ministros e os meus soldados teriam combatido para que os judeus não me prendessem, mas o meu reino não é da terra. E tu sabes que eu não ambiciono poder politico…

Pilatos – É verdade! Eu sei isso! Contudo, não negas que és Rei. Confirmas aqui que és Rei?

Jesus – Confirmo! Eu sou Rei. Foi para isso que Eu vim ao mundo: para dar testemunho da Verdade e quem é amigo da Verdade ouve a Minha voz.

Pilatos – Tu és filósofo? O que é a Verdade? E para que serve ela perante a morte? Por causa dessa coisa a que os filósofos chamam a verdade é que Sócrates foi obrigado a beber a cicuta. A verdade o levou à morte. E é por causa da Tua Verdade que os Judeus pedem a Tua cabeça. É caso para dizer: “Verdade, verdade, a quanto obrigas”!

Jesus – Mas a verdade ajudou Sócrates, apesar de pagão, na vida e na morte e a sua memória ainda hoje perdura por motivos positivos.

Pilatos – Por Júpiter! O que Tu estás para aí a dizer! Bem, a filosofia não me governa! Aguarda aí uns momentos! (Dirigindo-se aos Judeus:)  Lamento desiludir-vos, mas eu não encontro nele crime algum!

Segue-se uma tremenda berraria e confusão, pois os chefes receavam que aquelas palavras fossem o prenúncio de uma absolvição, perdendo assim o espectáculo que aguardavam e a fuga da  Vítima. Ouve-se gritar:

Multidão: É um blasfemador! É um anarquista! Instiga rebeliões e libertinagem! Não respeita o Imperador! Diz que é profeta, mas não é! Pratica a magia e a bruxaria! Prega doutrinas falsas! Faz milagres com a ajuda de Belzebú! É um Satanás! Come com ladrões e com prostitutas! Perdoa os pecados, quando só Deus é que pode perdoar pecados!  Cura falsas doenças! Insulta os santos de Israel! Até lhes chamou hipócritas e sepulcros caiados! É um doido! Disse que poderíamos destruir o templo e Ele em três dias o reconstruiria! Dá-lhe a morte! Ele não merece viver! Não nos digas que também és um galileu como Ele!

Pilatos – Olha para isto! Ouviste o que essa maldita ralé diz de Ti?…Não dizes nada?…Então, vou enviar-te a Herodes! (Chamando o Centurião):  Longinus, toma uma centúria e leva-o a Herodes!

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Ezequiel Miguel

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