José do Egipto – IV

(Confira: Gen. capítulo 43 e 44)

O texto bíblico vai em negrito

 .

JoseIVEntretanto, a fome pesava sobre o país(Canaã). Quando consumiram todo o trigo que tinham trazido do Egipto, o pai disse-lhes:

Jacob – Voltai ao Egipto e comprai-nos alguns víveres!

Judá – Aquele homem falou-nos categoricamente e proibiu-nos de aparecer à frente dele sem levar o nosso irmão connosco! Se consentes que ele vá connosco, então iremos comprar víveres. Mas se não o deixares ir, nós não podemos voltar lá!

Jacob – Porque procedestes assim tão mal para comigo, ao informardes esse homem de que tínheis ainda um irmão?

Rúben – Aquele homem fez-nos muitas perguntas, a nosso respeito e da nossa família. Ele perguntou se o nosso pai ainda vivia, se tínhamos mais algum irmão,… E nós respondemos às suas perguntas. Podíamos acaso adivinhar que ele iria dizer: ”Fazei vir o vosso irmão”? Nós fomos apanhados desprevenidos e não tivemos tempo de engendrar uma manobra de diversão. Bem nos arrependemos disso, mas agora já não há remédio. Sem ele, nós não voltamos lá, nem que morramos à fome! A chave do problema está nas tuas mãos!

Judá – Deixa ir o menino comigo, a fim de que possamos partir; e assim poderemos viver, nós, tu e os nossos filhos, em vez de morrermos. Sou eu que respondo por ele; é a mim que o reclamarás; se eu não to trouxer e não o puser diante de ti, declarar-me-ei culpado diante de ti, para todo o sempre. Se não tivéssemos demorado tanto, já estaríamos de volta pela segunda vez!

Jacob – Visto que é assim, está bem!…Metei nas vossas bagagens os melhores produtos do país e levai-os como homenagem a esse homem: um pouco de bálsamo, mel, aromas, láudano, pistácios e amêndoas. Levai também convosco o dobro do dinheiro, assim como a soma que encontrastes na boca dos sacos, para lho devolverdes, pois deve lá ter sido posto por engano. Levai o vosso irmão e preparai-vos para voltar à presença desse homem! Que o Deus supremo vos faça encontrar compaixão junto desse homem, a fim de que vos deixe vir com o outro vosso irmão e com Benjamim! Quanto a mim, se tiver de ser privado dos meus filhos, paciência, que eu seja privado deles!

Os homens partiram…com Benjamim e o dobro do dinheiro….Apresentaram-se diante de José, que, logo que viu Benjamim, mandou chamar o intendente:

José – Manda entrar esses homens em minha casa, manda matar um animal e prepara-o, porque esses homens comerão comigo ao meio-dia!

O intendente obedeceu às ordens e introduziu os viajantes  na casa de José, mas …eles alarmaram-se na casa de José e disseram:

Rúben – É por causa do dinheiro reposto nos nossos sacos, da outra vez, que nos trouxeram aqui; é para nos agredirem, caindo sobre nós, para nos escravizarem e se apoderarem dos nossos jumentos.

Judá – (Para o governante da casa de José):  – Perdão, senhor! Já aqui estivemos uma vez para comprar víveres. Ora, aconteceu que ao chegarmos a uma estalagem (ou acampamento), abrimos os nossos sacos e encontrámos o dinheiro de cada um na boca de cada saco – o nosso próprio dinheiro. Temo-lo nas mãos e trouxemos connosco uma outra quantia para comprar víveres. Não sabemos quem voltou a pôr o nosso dinheiro nos nossos sacos.

Governante –  Tranquilizai-vos e não tenhais medo! O vosso Deus, o Deus do vosso pai, é que vos fez encontrar um tesouro nos vossos sacos: o vosso dinheiro foi-me entregue, mas recebi ordens para o pôr no saco de cada um. Esse dinheiro é vosso, assim como o trigo que levastes.

E trouxe-lhes  Simeão. O intendente mandou-os entrar na casa de José. Deram-lhes água para lavarem os pés e deram forragem aos animais. Enquanto esperavam  José, que devia chegar ao meio-dia, prepararam os presentes, porque lhes tinham dito que comeriam ali. Quando José entrou em casa, levaram-lhe os presentes que haviam trazido e inclinaram-se até ao chão, diante dele.

José – Então, como estais todos de saúde?

Judá – Não temos razões de queixa. Apenas um pouco cansados da viagem, mas isso passa.

José – Como está o vosso velho pai, esse ancião do qual me falastes? Ainda está vivo?

Rúben – O teu servo, nosso pai, está de saúde e vive ainda.

José – Então, tu aí, tu é que és o Benjamim! É este o vosso irmão mais novo, do qual me falastes? Que Deus te seja favorável, meu filho!

E José saiu…para chorar. Regressou pouco depois e deu ordens para servir a  refeição… Beberam e alegraram-se todos juntos. José deu a seguinte ordem ao intendente da sua casa:

José –  Enche de víveres os sacos destes homens, tanto quanto eles podem conter, e põe o dinheiro de cada um na boca do saco. Põe também a minha taça de prata na boca do saco do mais novo, juntamente com o preço do trigo!

E tudo foi executado. Quando chegou a manhã, deixaram partir os homens com os seus jumentos. Acabavam de sair da cidade e ainda estavam a pouca distância, quando José disse ao intendente da sua casa:

José – Vai, corre atrás desses homens e, assim que os encontrares, diz-lhes…

Intendente – Alto aí! Um de vós tem no seu saco a taça de prata por onde bebe o meu senhor.    Também é por esta taça que o meu senhor faz  adivinhação. É assim que pagais o bem com o mal?

Judá – Porque fala assim o meu senhor? Longe de nós ter cometido uma tal acção! Do país de Canaã trouxemos-te o dinheiro que encontrámos na boca dos nossos sacos. Como poderíamos nós então furtar da casa do teu amo ouro ou prata? Aquele dos teus servos que a tiver a taça em seu poder morrerá e nós mesmos seremos escravos do meu senhor!

Intendente – Sim, é certo e justo o que dizeis! Somente aquele que for encontrado na posse da taça é que será meu escravo, e vós ficareis livres! Vamos então a pôr os sacos no chão, para eu os abrir um por um.

E o intendente revistou-os a todos….A taça foi encontrada no saco de Benjamim. Rasgaram, então, as suas vestes, tornaram a carregar os jumentos e voltaram para a cidade. Judá entrou com seus irmãos na casa de José, que ainda ali se encontrava, e prostrou-se no chão a seus pés.

José – Que procedimento foi o vosso? Não sabeis que um homem como eu tem o poder de adivinhar?

Judá – Que havemos de dizer ao meu senhor? Como falar e como nos justificaremos? Deus descobriu a iniquidade dos teu servos. Seremos agora os escravos do meu senhor, tanto nós como aquele em cujo poder se encontrou a taça.

Longe de mim proceder assim! O homem em cujo poder se encontrou a taça é que será meu escravo. Quanto a vós, voltai em paz para junto do vosso pai!

Judá – Por favor, senhor, que o teu servo possa dizer uma palavra aos ouvidos do meu senhor e que a tua cólera não se inflame contra o teu servo! Porque tu és igual ao faraó! Quando o meu senhor interrogou os seus servos, dizendo: “Tendes ainda pai ou outro irmão?”, nós respondemos ao meu senhor: ”Temos um pai idoso e um irmão jovem, filho da sua velhice. Seu irmão morreu, ficando ele só, dos filhos de sua mãe, e o pai está muito afeiçoado a ele. Tu disseste então aos teus servos: ”Trazei-mo, para que eu o veja!” E nós respondemos ao meu senhor: ” O menino não pode deixar o pai; se ele o deixasse, o seu pai morreria”…Foi este teu servo que se responsabilizou pelo menino, prometendo ao pai que eu o levaria de volta. Se não o levar, o seu pai morrerá de desgosto. …Por favor, que este teu servo fique teu escravo em vez dele, mas deixa o menino voltar para seu pai, juntamente com seus irmãos! Como poderei eu voltar para junto de meu pai sem levar comigo o seu filho? Nem quero ver a dor que sobreviria a meu pai!

(Continua)

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Ezequiel Miguel

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