Perdoai os pecados…! (Jo 20, 21-23)

confissaoCitações bíblicas:

1. Como o Pai Me enviou, também Eu vos envio…Dizendo isso, soprou sobre eles e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; aqueles aos quais os retiverdes ser-lhes-ão retidos” (Jo 20, 21-23)

 2 .  Quem pode perdoar pecados senão Deus? (Mc 2,7)

 Desde os tempos anteriores a Jesus Cristo até aos nossos dias, todos estamos de acordo em que só Deus pode perdoar os pecados. Também os Judeus invocavam este argumento quando censuravam Cristo por se atrever a perdoar  pecados, algo considerado blasfemo, uma vez que não O aceitavam como Filho de Deus.

 Mas sabemos que foi exactamente por causa do pecado e dos pecados que o Filho de Deus se fez Homem, sem deixar de ser Deus, pois os homens do passado, do presente e do futuro não tinham capacidade para pagar a Deus a dívida contraída pelo pecado. Apenas um homem que fosse também Deus poderia ter méritos suficientes para assumir com êxito as responsabilidades pelos pecados humanos. Isso foi conseguido pela Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. Chamamos a este processo a Redenção de género humano e a Cristo chamamos o Redentor, o Salvador, o Cordeiro que se ofereceu para morrer para que nós tivéssemos a vida (espiritual) em abundância, tanto neste mundo como no outro.

 Pergunto: Agora já podemos pecar à vontade, porque Cristo nos justificou a todos gratuitamente, sem nos pedir nada em troca ( na opinião de alguns…)? Os nossos pecados ficam logo perdoados se pedirmos perdão a Deus, tal e qual como se pede desculpa a alguém por algo errado que tenhamos feito?  Como teremos a certeza de que os nossos pecados ficam perdoados? Como se explica o que Cristo disse: “Nem todo o que diz Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus (Paraíso), mas somente aqueles que fazem a vontade de Meu Pai”(Mt 7, 21)? E qual é a Vontade do Pai no que diz respeito ao perdão dos pecados? A Sua Vontade é que nos sirvamos dos meios que Cristo deixou para o perdão dos pecados. Ora, Cristo passou a vida e  a morte a fazer a Vontade do Pai e a indicar ao pormenor, àqueles que O seguissem,  qual era essa vontade a respeito deles. Nós estamos incluídos nesses.

 Questionei atrás se Cristo não nos pediu nada em troca da Redenção de cada um. Os protestantes dizem que foi tudo gratuito, oferta espontânea naquela altura, agora e para sempre. Mas há um pormenor que o maior dos teólogos – S. Paulo – nos vem lembrar : “Completo em mim o que falta à Paixão  de Cristo”(Col 1,24). Isto diz-nos, no que a cada um diz respeito, que  há algo que foi deixado por Cristo a cada um de nós e que temos de fazer todos os dias da nossa vida: Aceitar as dificuldades, os sofrimentos, os problemas etc., unidos a Cristo sofredor. “Se não vos arrependerdes ( e não fizerdes penitência), todos perecereis …” (Lc 13,3).

Para aqueles que não descobrem na Bíblia nada a este respeito, porque não lhes convém descobrir, e se o descobrem depressa o tapam ou o arrumam como assunto inoportuno, a Bíblia é bem clara e não deixa margem para confusões. É evidente que tenho em mente os protestantes e aqueles católicos que são alérgicos ao sacramento da Penitência (=Confissão, Reconciliação) Dos protestantes ouve-se: “Eu confesso-me a Deus”. Dos católicos atrás referidos ouve-se: Confessar-me aos padres? Eles ainda são piores do que eu!” Ou:  “Eu não matei nem roubei, por isso não tenho pecados!”.

 Vamos estabelecer aqui duas situações paralelas:

 . Eu quero vender (ou comprar) uma casa. Tenho dois modos de o fazer: Eu mesmo a vendo ou passo uma procuração a um advogado, a uma empresa, a um familiar,…para que  me representem em todos os actos relacionados com a venda. Não estando eu presente no acto da escritura, será o meu procurador que assinará por mim, para todos os efeitos legais. Pergunto: Quem vendeu? Fui eu ou o meu procurador? Resposta: Fui eu! O procurador apenas me representou, vendendo em meu nome, porque eu lhe dei poderes para isso! Também há casamentos por procuração. Quem casa: O noivo, a noiva ou a pessoa (procurador) que os representa?

 2ª. Vamos agora para o perdão dos pecados! Deus é o dono do perdão, porque é Ele o  Ofendido pelo pecado e somente Ele  sabe e pode avaliar a gravidade da ofensa e a dose de perdão que concede, de acordo com as condições que o pecador cumpre para o obter. Antes de  Cristo, o perdão vinha por intercessão das cerimónias expiatórias  a que presidiam os sacerdotes da antiga Aliança, bastando, além disso, o arrependimento e a promessa de não repetir e mais qualquer coisa que os sacerdotes determinassem.  Após a Ressurreição, Cristo instituiu alguns Sacramentos  (sinais que realizam o que significam) e entre eles está o da Penitência: “Dizendo isso, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados: aqueles aos quais os retiverdes ser-lhes-ão retidos” (Jo 20, 22-23). Aqui está a procuração passada aos sacerdotes e bispos para perdoarem em nome de Cristo.

 Alguém intelectualmente honesto pode ignorar esta passagem bíblica? É caso para perguntar: Então, esta passagem Bíblica apoia o “Eu cá confesso-me (directamente) a Deus”? Esta mentalidade dá segurança a quem vive neste tipo de fé? É claro que não dá, porque se apoia num princípio falso e pecaminoso. Se for o seu caso, converta-se à Igreja Católica, regresse a ela, leia o Catecismo da Igreja Católica e aprenda a fazer boas Confissões. Não se engane a si próprio nem se deixe enganar! Se acredita na Bíblia, ela diz-lhe claramente o que fazer ou não fazer. Neste caso do perdão dos pecados não há contestação possível. De situações como esta costuma dizer-se: É incontornável! Já o velho Simeão profetizou, na altura da apresentação de Jesus no Templo: “Este menino está posto para  sinal de  contradição, para salvação e ruína de muitos em Israel”(Lc 2,34).  Esta profecia continua válida hoje e para sempre, porque os profetas falaram por inspiração do Espírito Santo. O que esperam aqueles que manipulam abusivamente a Palavra de Deus para semearem o erro? Esperam a salvação ou a ruína?

Temos, então, que Cristo delegou nos Apóstolos, ordenados sacerdotes e bispos na Última Ceia, a distribuição do perdão dos pecados, dando inclusivamente carta branca para os perdoar ou para os reter, em Seu nome, conforme as disposições que o pecador apresentar. Esse poder é transmitido aos sacerdotes validamente ordenados por um Bispo também validamente ordenado. E isso, até hoje e para sempre. Cada Bispo é um elo de uma cadeia que vai ter a um dos Apóstolos de Cristo, por isso, o seu poder espiritual é real, não sendo nenhuma usurpação.

 Temos outro problema:

 É de supor que os sacerdotes ou os bispos andem por aí a oferecer o perdão dos pecados? É claro que não! Como é que eles podem saber quais pecados se apresentam para o perdão? Chegamos a um ponto crítico: O pecador tem de os confessar directamente a um procurador (ministro) de Cristo, isto é: sacerdote validamente ordenado e com autorização para atender Confissões, que lhos perdoará ou não, conforme julgar. Na Confissão, o sacerdote não diz: eu, por minha própria autoridade te absolvo…, mas diz:” Eu te absolvo dos teus pecados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Quem perdoa os pecados? Deus e somente Ele, mas somente através da Confissão individual a um sacerdote. Absolvições colectivas não são válidas, a não ser naquelas situações que a Igreja prevê: soldados na iminência de batalha, multidão em perigo, impossibilidade ou falta de sacerdotes em momentos ou situações em que a vida esteja em risco, por exemplo quando um barco está em vias de se afundar, e casos semelhantes. Nenhum chamado bispo ou pastor protestante tem este poder. Para quem é baptizado, este é o meio comum para obter o perdão dos pecados. Percam as ilusões todos aqueles que vivem ou pregam o contrário!

 No perdão dos pecados por meio de uma Confissão intervêm: Deus, um sacerdote e o penitente (a pessoa que se confessa). Deus é o Senhor do perdão, o sacerdote administra-o, em nome de Deus, e o penitente é aquele que recebe o perdão, se reunir as condições para isso.

 As condições para uma boa Confissão:

 1. Invocar o auxílio divino do Espírito Santo e fazer um exame de consciência rigoroso e honesto para tentar descobrir em que infringiu a Lei de Deus, de acordo com o seu estado de  solteiro, casado, viúvo, divorciado, religioso, sacerdotal…

 2. Arrepender-se seriamente do mal feito. Orar nesse sentido.

 3. Prometer, (não precisa de jurar…) com a ajuda de  Deus, não repetir os erros e emendar/corrigir/anular situações de pecado permanente como: infidelidades conjugais, viver em adultério, vida dupla com amantes, em união de facto, em casamento só pelo civil, em homossexualidade, em casamento com divorciado,…ter restituído bens roubados ou indemnizar por prejuízos materiais causados a outrem, etc. Nestes casos, as situações de pecado já devem ter terminado, antes de o penitente se apresentar ao sacerdote. Se estas situações de pecado não forem confessadas e não estiverem já corrigidas, não haverá perdão, mesmo que o sacerdote expresse a absolvição. Nada de grave pode ser omitido conscientemente, havendo o risco de se sair de lá com mais um pecado grave, porque houve uma burla. O sacerdote só pode perdoar os pecados que forem confessados com honestidade e sem qualquer tipo de batota. Não havendo firme promessa de emenda, a Confissão não só não será válida como originará mais um pecado grave. As Confissões mal feitas estão na causa da maior parte das condenações  de católicos ao inferno, segundo dados fornecidos por Santo Agostinho e outros Santos.

 4. Apresentar-se perante o sacerdote e confessar tudo o que tiver feito de mal desde a última Confissão bem feita. O penitente ( o réu) acusa-se a si próprio, o sacerdote (Juiz) pode fazer perguntas para se esclarecer, julga e decide pela absolvição ou pela sua recusa, se vir que  o penitente não reúne as necessárias condições para ser absolvido. Tal e qual como Cristo disse: “Perdoai …”ou “não perdoeis!…”. O sacerdote é obrigado, sob pena de pecado grave, a guardar absoluto sigilo e fica excomungado se infringir esta obrigação. É mesmo obrigado a aceitar a morte (martírio) para defender este sigilo.

 5. Antes da absolvição, o sacerdote decreta uma penitência que o penitente tem de cumprir. Antigamente havia mesmo penitências pesadas. Hoje, custam pouco ou nada a cumprir.

E está completo o processo. Uma Confissão bem feita é o regresso do filho pródigo (o pecador) à casa do Pai (Deus). Segue a festa no Céu! (Lc 15,7)

 A Igreja Católica é a única Igreja de Cristo, que lhe deixou esquemas (sacramentos) para o perdão dos pecados, através da Confissão sacramental. Não há santidade nem salvação para os baptizados que não passarem por aqui, desde que possam e tenham sido catequizados nesse sentido. Deixo, pois, um apelo aos Católicos que vivem em pecado e aos Protestantes, para que revejam as suas vidas enquanto lhes é concedido tempo para isso. A estes últimos recomendo que se demorem algum tempo a meditar nas Palavras de Cristo: “ Recebei o Espírito Santo! Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos” (Jo 20, 22-23) . Quem acredita que Cristo é a Verdade, o Caminho e a Vida tem de tirar as conclusões e assumir as consequências: A Verdade é tudo o que Ele disse e fez; o Caminho são os meios  e a doutrina que Ele deixou à Sua Igreja; a Vida é a santidade que leva à Vida eterna em Deus. Pense, repense e torne a pensar (por sua própria cabeça…)!

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 Ezequiel Miguel

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