Testemunho de Glória Polo – V

(Continuação do exame dos Dez Mandamentos)

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medica244º Mandamento: Honrar pai e mãe

Tópicos:  Infidelidades conjugais /ingratidão para com os pais / o sofrimento do pai no Purgatório / o mau exemplo do pai/ orações da mãe/ conversão do pai/ endeusamento do dinheiro/ ódio e rancores contra o pai/ aborto/ divórcio / eutanásia / perda da fé/ a Missa como meio para fazer Reparação pelos pecados/ o sofrimento da mãe/ o desinteresse do pai pela catequização dos filhos…/ expiação  dos pecados

Glória Polo conta:

“Jesus continuava a mostrar-me tudo. Já lhes contei como fui mal agradecida com os meus pais, como me envergonhava deles, como os maldizia e os renegava, por eles serem pobres e não me poderem dar tudo o que as minhas amigas ricas tinham.

Eu tinha sido uma filha ingrata, ao ponto de dizer que aquela não era minha mãe, porque me pareciam inferiores a mim. Foi espantoso ver o resumo de uma mulher sem Deus, que destrói tudo o que se aproxima dela. Além disso, o mais grave é que eu sentia-me e achava-me uma boa pessoa.

Eu pensei que no exame do 4º Mandamento eu ficaria aprovada, porque os meus pais bem caro me tinham custado, tanto  dinheiro que tinha gasto com eles nas suas doenças, porque eu tudo analisava em dinheiro. É que eles tiveram doenças graves antes de morrerem e foi o meu marido que as financiou. Então, eu dizia: ”Olhem estes dois desavergonhados, que não deixaram nem um cêntimo de herança e ainda tive de gastar uma fortuna com eles! Mas os pais das minhas amigas deixam bens e…”! E o Senhor mostrou como eu analisava tudo através do dinheiro, pois até os meus próprios pais manipulei, e, quando tinham dinheiro e poder,  eu aproveitei-me deles de uma maneira indigna. Eu endeusei-me com o dinheiro e até os pisei!

 Sabem o que mais me doeu? Foi ver ali os meus pais, o meu pai a chorar, ver que tinha sido um bom pai, que tinha ensinado a filha a ser trabalhadora, lutadora, empreendedora, que devia ser honrada e que só quem trabalha vai em frente. Mas esqueceu-se de um pormenor…que eu tinha alma e que ele era o meu evangelizador com o seu testemunho. A minha vida começou a afundar-se com o exemplo que ele me deu. Ele via agora, com profunda dor, a responsabilidade que tinha diante de Deus, porque, quando ele era mulherengo e se dizia feliz, gabava-se, perante  a minha mãe e aqueles que quisessem ouvi-lo, que era muito macho, porque tinha muitas mulheres e podia conquistá-las a todas.

 Além disso, bebia demais e fumava. Ele até era boa pessoa, mas tinha estes vícios, que ele  não reconhecia como tal, considerando-os até virtudes. Também era muito orgulhoso. Eu, que era uma criança e via como a minha mãe se enchia de lágrimas quando o meu pai falava de outras mulheres, começava a encher-me de raiva, de ressentimentos e de fúria. O ressentimento começa com a morte espiritual e eu sentia uma raiva espantosa ao ver como o meu pai humilhava a minha mãe diante de toda a gente e como lhe causava tantas lágrimas e ela nada dizia. Foi aí que começou a minha rebeldia.

Quando era ainda adolescente, eu dizia à minha mãe: “ Eu nunca vou fazer como a mãe! A mãe deita abaixo a dignidade das  mulheres e, por causa disso, nós, as mulheres, não valemos nada! Toda a culpa é das mulheres como a mãe, sem dignidade, sem orgulho, que deixam que os homens as pisem e as humilhem!”  Então, eu dizia ao meu pai: “Pai, tome atenção! Eu nunca  vou deixar que nenhum homem me faça a mim o que pai faz à minha mãe! Jamais! Se um dia um homem me for infiel, eu vingo-me! Faço o mesmo, para que ele aprenda!”

O meu pai bateu-me e gritou-me : “Menina, como se atreve”?…Ao meu pai, tão machista, eu disse-lhe: ”Está bem, pode bater-me, mas, se um dia eu casar e o meu esposo me for infiel, eu vingo-me, faço-lhe o mesmo, para que os homens compreendam e vejam como sofre uma mulher quando um homem a pisa e humilha dessa forma!”  Eu enchi-me de todo esse ressentimento e de ódio. Sentia tanta raiva que isso fez da minha vida uma rebeldia e comecei a viver com esses desejos de defender a mulher. Comecei então a defender o aborto, a eutanásia, o divórcio,…e aconselhava todas as mulheres que conhecia a vingarem-se,  se os maridos lhes fossem infiéis. Eu nunca fui infiel fisicamente, mas fiz mal a muita gente com esses conselhos.

Quando já tinha dinheiro, comecei a dizer à minha mãe: “Mãe, separe-se do pai!…É impossível a senhora aguentar um homem assim! Tenha dignidade, faça-se valer!” Sabem por que eu amei o meu pai? Porque a minha mãe foi uma mulher boa que nunca nos ensinou a odiar, nem ao meu pai nem a ninguém. Imaginem: Eu queria divorciar os meus pais! Mas a minha mãe dizia: “Não, filha, não posso! Eu sofro, mas sacrifico-me  por vocês, meus filhos. Vocês são sete e eu sou só uma. Eu sacrifico-me porque o teu pai é bom pai e seria incapaz de separar-me dele e deixar vocês todos sem pai. Além disso, se me separo dele, quem vai rezar para que o teu pai se salve? Sou eu que posso pedir por ele, para que ele encontre a salvação, porque a dor e o sofrimento que me causa, eu uno-os às dores que Jesus sofreu na cruz. Todos os dias vou à igreja e em frente do sacrário eu digo: Senhor, este sofrimento não é nada, eu o uno à Tua Cruz para que se salvem o meu marido e os meus filhos.  Eu entrego o teu pai a Jesus atado com o terço. O demónio puxa-o para baixo, fazendo-o pecar, mas eu puxo-o para cima com o terço e levo-o em frente ao Santíssimo, no Sacrário, e digo a Jesus: Senhor, aqui está, confio que não me deixarás morrer sem vê-lo convertido! Não só Te peço pelo meu marido, mas também por todas as mulheres que estão a passar pelo mesmo, especialmente por aquelas mulheres que em lugar de estarem de joelhos, pedindo-Te pelos seus maridos e filhos, estão nas mãos dos bruxos, dos adivinhos ou a fazer o mesmo, entregando as suas almas e as suas famílias às garras do maligno. Senhor, peço-Te por essas mulheres, por essas famílias!”

Sabem, o meu pai converteu-se oito anos antes de morrer. Arrependeu-se, pediu perdão a Deus e o Senhor perdoou-lhe. Ele estava no Purgatório, na parte mais baixa, em grande sofrimento, porque não expiou/reparou (1) o seu pecado. Reparar o pecado é algo que levamos pouco a sério. Também muitas vezes não é possível, mas, para isso, o Senhor concede-nos a graça de reparar os nossos erros através da Missa. Cada vez que vamos a uma Missa, o Senhor dá-nos a graça de reparar o mal que fizemos. Deus mostra-nos, lá no outro mundo, a consequência dos nossos pecados, do mal que fizemos ao próximo. Até de um mau olhar, um olhar feio, uma só palavra. Se víssemos quão terrível é! E como choramos lá esses erros!

No caso do meu pai, a minha mãe dizia-lhe que aconselhasse os meus irmãos para que abandonassem a vida de pecado que levavam, porque eles seguiam os passos do meu pai: infidelidades, bebedeiras…eram uma cópia dele e isso exigia reparação. Mas sempre o meu pai respondia à minha mãe, dizendo que os deixasse divertir, que eles eram novos e que depois teriam tempo de mudar. O meu pai deu um mau exemplo aos meus irmãos e não reparou pelo seu pecado. Ele chorava no Purgatório e dizia: “Salvei-me, graças a esses 38 anos de oração dessa santa mulher que Deus me deu por esposa”! A minha mãe levou 38 anos da sua vida a rezar por ele!

FONTE: “Da Ilusão à Verdade”, tradução de Maria José Moniz do CD com o testemunho oral de Glória Polo. Edição da Cidade do Imaculado Coração de Maria, Aprt. 86, 2496-908, Fátima. Preço: 2 Euros, Iva incluído.

Sugestão: Adquira, leia, releia e ofereça!

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