Testemunho de Gloria Polo –XIV

mulher14NÃO ROUBAR

Tópicos: roubar, criticar, julgar, mentir, caluniar, difamar, lançar boatos, desperdício de bens, roupas caras…

Gloria Polo conta:

“Caluniar também é roubar. Imaginem que eu dizia que nunca tinha roubado. Eu considerava-me honesta, mas roubei a Deus! Sim, roubei a Deus!

Eu vim a este mundo para ajudar a construir um mundo melhor, ajudar a estender o Reino dos Céus sobre a Terra. Mas, além de não fazer isso, dei muitos maus conselhos e a muitos prejudiquei. Não soube usar os talentos que Deus me deu. Roubei! Claro que roubei! A quantas pessoas roubei o bom-nome, levantando calúnias ou espalhando-as? Vocês não imaginam como são terríveis os pecados da nossa língua e como se reparam! Como reparar o bom nome de alguém, depois de espalhar o boato ou a calúnia? Como devolver o bom-nome àquela pessoa? Isso é muito difícil! Por isso, no Purgatório, essas pessoas que prejudicaram alguém com as suas palavras, sofrem muito. Quase toda a gente usa a língua para criticar, para destruir, para magoar, para arrasar o bom-nome das pessoas. Essas línguas, lá, são causa de grande sofrimento! Essas línguas queimam!!! Como queimam! Vocês não podem imaginar! O Senhor mostrou-me como nos enganamos nos julgamentos que fazemos das outras pessoas.

Um exemplo: Enquanto nós olhamos com desprezo para uma prostituta, o Senhor olha para ela com Infinito Amor, com Infinita Misericórdia. Ele vê dentro dela, vê toda a vida dela e vê o que a levou a essa vida. Sabem que muitas delas são consequência dos nossos pecados?   Até pelo nosso desprezo e falta de amor ao próximo. Alguém estendeu a mão e a sua ajuda a uma prostituta? Ou a alguém que apanharam a roubar? Passamos a vida a julgar e a ver os defeitos dos outros, os seus erros e a condenar. Mas, pelo menos, quando virmos alguém a fazer algo errado, calemos a nossa boca e dobremos os nossos joelhos e rezemos por essa pessoa. Talvez não possamos fazer mais nada por ela, Mas Deus pode. Não a julguemos, nem critiquemos, porque, se o fizermos, pecamos mais que essa pessoa. Não podemos, de maneira nenhuma, levantar falsos testemunhos ou colaborar para que se espalhem, nem julgar, nem mentir, porque estamos a roubar a paz dessa pessoa. E cuidado, porque a mentira é sempre mentira! Não há grandes ou pequenas, verdes ou amarelas ou cor-de-rosa! Mentir é sempre grave e o pai da mentira é Satanás.

No meu caso, tanta mentira para quê? A minha vida ficou a descoberto à Luz de Deus. E vocês? Mas saibam que no outro lado ninguém vai brigar, ninguém vai reclamar. Lá é só a vossa consciência e Deus.

No meu caso, por exemplo, os meus pais estavam ali a ver as minhas mentiras, mas a minha mãe não me denunciou. Só me olhava com infinita ternura. E a minha pior mentira foi mentir a mim mesma quando dizia que não matava, não roubava, que era boa pessoa, que não tinha feito nenhum mal a ninguém e que Deus não existia; e que ia para o Céu assim mesmo! Que vergonha tão grande a que sentia agora!

O Senhor continuou a mostrar-me que enquanto na minha casa se desperdiçava comida, noutra casa do mundo havia fome e disse-me:

– Olha, Eu tinha fome e olha o que tu fizeste com o Eu te dei! Tu desperdiçaste! Eu tinha frio e olha o que tu fizeste, escravizada às modas, ou que dirão às aparências, às roupas caras de marca, às jóias, a gastar 150.000 pesos em cada injecção, para estar delgada, escravizada ao teu corpo, do qual fizeste um deu. Olha quantos não tinham que vestir ou que comer, quantos não tinham com que pagar as suas contas! E mostrou-me a fome dos meus irmãos e como eu também era responsável pela fome e pelas condições em que estava o meu país e o mundo…porque todos somos responsáveis! Mostrou-me como eu tinha a ver com tudo isto, porque quando eu tinha falado mal de alguém, essa pessoa tinha perdido o seu trabalho e o sustento da família e eu tinha-lhe roubado a honra e o bom nome. Mostrou-me que era mais fácil devolver dinheiro roubado, porque podia devolver e reparava esse pecado. Mas, depois de roubar o bom-nome de uma pessoa, depois de a calúnia já estar espalhada quem pode devolver o bom-nome dessa pessoa? Tanto mal se faz a essa pessoa a nível de trabalho ou na relação com as outras pessoas! Matrimónios destroem-se! Tanto mal! Tanto mal!Privar os filhos da atenção da mãe!

Eu também roubava aos meus filhos a graça de terem uma mãe em casa, uma mãe terna, meiga, que os amasse e acompanhasse! Mas não! A mãe na rua, os meninos sós com o” papá” televisão e “mamã” computador e jogos de vídeo e achava-me a mamã perfeita. Eu saía às 5 horas da manhã e só regressava às 11 horas da noite. E, para ficar bem com a minha consciência, dava-lhes roupas de marca e tudo o que aqueles meninos queriam.

Eu fiquei horrorizada quando vi a minha mãe interrogar-se…no que tinha errado, e o devia ter feito e não fez, com respeito à minha educação! Ela foi uma santa mulher que nos dava e nos semeava os princípios do Senhor, e o meu pai foi um homem bom para connosco. Eu disse para mim mesma: “Que será de mim, que nem sequer fiz nada assim, nem parecido, pelos meus filhos? Fiquei horrorizada e perguntava-me: como será, quando Deus me julgar, com respeito aos meus filhos? Que espanto! Que dor tão grande! Eu roubara a paz aos meus filhos! Agora via isso no Livro da Vida. Senti uma vergonha tão grande! Porque no Livro da Vida vemos tudo, toda a vida como num filme. E quando vejo os meus filhos a dizer:” Oxalá que minha mãe demore mais a chegar! Oxalá haja muito trânsito e chegue mais tarde! Porque ela é muito cansativa, aborrecida, e quando chega está sempre a resmungar e a gritar todo o dia! Que tristeza, irmãos! Uma criança de três anos e outra mais grandinha a dizer isso. Oxalá a mãe não chegasse! Eu roubei a estes meninos uma mãe, roubei-lhes a paz que devia dar em casa, não fiz com que conhecessem Deus através de mim e amassem o próximo. Nada! Não podia dar aquilo que não tinha! Eu não amava o próximo. Se eu não amo o próximo, também não tenho amor para com o Senhor. Porque Deus é Amor…”

FONTE: Gloria Polo, Estuvo en las puertas del cielo y del infierno – Traduzido:” Da ilusão á verdade” por Maria José Moniz e Padre Macedo SCJ, Edição da Cidade do Imaculado Coração de Maria, Apartado 86-2496-908 Fátima

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Comentário por: Ezequiel Miguel

  1. Mentir, criticar, julgar, condenar, intrigar, caluniar, difamar, lançar boatos, testemunhar falsamente, distorcer a verdade, contradizer a verdade, emitir falsos juízos, lançar suspeitas, fazer juízos temerários, etc. são palavras que traduzem os diversos tipos de espadas ou setas com que andamos permanentemente armados e que desferimos contra o próximo. Fazemos isto oportuna e inoportunamente, com motivos ou sem eles, de noite ou de dia, quando não a toda a hora.

Tão graves são os pecados da língua que a Sabedoria Divina, expressa na Bíblia, diz que o homem que não peca pela língua é justo, perfeito, santo, íntegro,… um homem a valer, porque, se controlar a sua língua, também controlará os olhos e a concupiscência da carne. (=tendências sexuais).A maior parte dos pecados da língua são pecados contra o próximo, sendo, por isso, pecados contra a caridade, contra o amor ao próximo e, por arrastamento, também pecados contra Deus, porque Ele manda amar o próximo como a si mesmo. Ora, ninguém usa a língua contra si próprio, a não ser no Sacramento da Confissão, em que tem de se apresentar voluntariamente como réu e declarar, arrependido, o que fez de mal contra Deus e contra o próximo. Outros pecados da língua encaixam no 6º Mandamento (Guardar castidade nas palavras) e outros, como a blasfémia ou a invocação do santo Nome de Deus em vão ( Amar a Deus sobre todas as coisas), vão contra o 1º e o 2º. Também o 8º Mandamento sai ferido quando se mente, se deturpa o que alguém disse, se jura falso, se intriga, se difama, se calunia, etc.

  1. Gloria Polo fala dos pecados da língua como pecados de roubo, o que se inclui no 7º Mandamento e também no 8º (Não mentir,…não jurar falso, não faltar à verdade, não deturpar a verdade, não difamar, não fazer juízos nem suspeitas temerários, não testemunhar falsamente; mas o “roubar” de que ela fala também pode incluir-se no 5º Mandamento:” Não matar”. O que está explícito no “não matar” refere-se ao corpo, à vida física, temporal, à vida humana. Mas quando se calunia, se difama, se jura falso, se condena um inocente,…não se matará na vítima o bom nome, a paz, o sono, o respeito, a saúde mental, o prazer da vida, o ambiente familiar, o casamento, o noivado, e muitas outras coisas? Gloria Polo inclui tudo isto no “roubar”, mas roubar significa apoderar-se de algo (um bem) com que se quer ficar depois. O que acontece nos pecados da língua é a morte, a destruição, o aniquilamento, a redução a zero,…do bom nome, do prestígio, da fama, da honra, da paz, da alegria,… de alguém, com um cortejo de consequências funestas para as vítimas, que não mais recuperarão integralmente o que morreu, se é que das cinzas pode renascer com pujança o que foi queimado. Assim, penso que, quando cometemos tais pecados, seremos mais assassinos do que ladrões, se é que não somos ambos… “Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás! Quem matar será submetido a julgamento. Eu, porém, digo-vos: Todo aquele que se irar contra seu irmão será submetido a julgamento” (Mt 5, 21-22)
  2. Para se compreender melhor o que está contido numa cena de ira (histeria, cólera, irritabilidade, fúria) contra alguém, teremos em conta que quem se deixa dominar por um ataque de ira passa a ser o actor/autor de um triste espectáculo, em que o descontrolo é semelhante ao rebentamento de uma barragem, de onde sai, juntamente com a água, também a lama que lá houver. Assim se passa com o agressor colérico, que só se cala quando a barragem se esgota na totalidade… Depois, não pede desculpas, porque não se lembra (ou diz não se lembrar) do que disse…nem do que fez, negando tudo com uma incrível desfaçatez. Tal acontece em casos de ataques de histeria ou de esquizofrenia paranóica, quase sempre sem que haja uma causa objectiva que justifique tal comportamento, normalmente típico de um ego extremamente orgulhoso que vê ofensas em qualquer mínima censura que se lhe faça, reagindo depois com extrema agressividade verbal.

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