A nova Jersusalém – III

(Cf. Ap. 21 e 22)

.

Ouvi sonoro trovão,

pairava algo de novo.

era o maldito Dragão

a cair no Lago de Fogo .                    (Ap. 20, 2-3)

.

Por Miguel ia amarrado

e multidão o seguia,

todos da cor do pecado,

tal que o céu se escurecia.

.

Três seis levavam na testa,

número bem esquisito,

era o número da Besta

e do seu mui leal séquito.

.

Com cauda descomunal,

as estrelas arrastou

e no Poço  fundo, infernal,

lá, com elas, se lançou.

.

Lá permanecerá ele,

amarrado por mil anos,

dominado por Aquele

a Quem causou tantos danos.                        (Ap. 20,1-3)

.

Logo depois que ele caiu,

o céu brilho retomou,

num instante o sol abriu

e todo o olho o fixou.

.

Um anjo com ar solene

à frente se perfilou

e lá, junto ao Deus perene,

a sua trombeta tocou.

.

Um outro, bem junto a nós,

muito sério se instalou

e, com sua celeste voz,

para todos ele entoou:

.

“Ergue-se Deus, o Senhor,

sobre o mundo, jubiloso,

aceitando o seu louvor

a Ele, que é Rei portentoso”.

.

A Terra mais Céu, unidos,

o seu canto continuaram;

alguns entre os escolhidos

solenemente o iniciaram.

.

Mil trombetas retumbaram

com grande sonoridade

e pelo Universo ecoaram

em louvor da Divindade.

.

“Com alegria visível,

ó povos, palmas batei,

o Senhor Deus é terrível

e, de toda a Terra, Rei.

.

Velozes como uma seta,

vinde e salmos Lhe cantai!

Com o toque da trombeta

novos hinos a Ele entoai!

.

Sentado em trono sagrado,

Deus é Senhor do Universo.

Que o Seu Povo muito amado

sempre O louve em belo verso”!.            (Sl. 46(47)

.

Eram as vozes de Arcanjos,

juntamente com mortais,

para não falar dos Anjos,

em cânticos celestiais.

.

Coros de Anjos eram nove,

em poses angelicais,

não é preciso que se prove

que de santos eram mais.

.

O Coro então se calou

e, através de infusa ciência,

perante o Rei se dobrou,

em sinal de reverência.

.

Um silêncio se seguiu,

logo a trombeta se ergueu,

Jesus, alegre, sorriu,

o Coro palmas bateu.

.

Quando a trombeta largou

o seu toque universal,

todo o Povo o céu fixou

ante mais este sinal.

.

Foi então que o Céu se abriu,

dando passagem a Alguém

e toda a multidão viu

a Nova Jerusalém.                                          (Ap 21,1-2)

.

À medida que descia,

infindas vozes entoavam

a celeste melodia

em que todas afinavam.

.

Os montes picos dobraram,

em respeitoso temor,

os vales se levantaram

como se damas de honor.

.

O Cosmos se comoveu,

as estrelas deliraram,

até o inferno estremeceu,

onde os demos ajoelharam.

.

Lá vinha a Esposa anunciada

com seu porte majestoso,

que descia, embelezada,

para o Seu Divino Esposo.                            (Ap. 21,2)

.

De jóias ornamentada

e brilhando de mil cores,

era por nós esperada

com ramalhetes de flores.

.

Era um curso silencioso…

Parecia a barca-bela,

vinha Cristo majestoso

lá, a guiar o leme dela.

.

Doze pilares havia

dignos de ela  se sentar,

algo fundo ficaria

para firme se fixar.                                        (Ap 21,14)

.

Sobre estes doze pilares

Cristo estabeleceu Sua Igreja,

agora, ainda nos ares,

já ela encanta quem a veja.

.

Todos os doze pilares

são de rocha muito dura,

resistente a mil azares,

que nenhuma broca fura.

.

São de rocha diferente,

as ditas pedras preciosas,

duras, de brilho insistente,

sem as faces defeituosas.                               (Ap 21,19-20)

.

Pareciam doze estrelas,

todas elas a brilhar,

deslumbrado assim de vê-las…

Era mesmo de sonhar.

.

A Cidade, em suspensão,

tinha forma de um quadrado,

sendo, na nossa visão,

três os pilares por lado.                                  (Ap 21,16)

.

Descia a Santa Cidade

centrada ao longo da Cruz,

cujo corpo, sem idade,

era feito só de luz

.

Como um vestido descia

por este corpo brilhante,

mas a cabeça se via

e também o pé distante.

.

Ezequiel Miguel

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