Pecados contra o Espírito Santo – I

São estes os pecados contra o Espírito Santo:

  1. Desesperação de salvação
  2. Presunção de se salvar sem merecimento
  3. Negar a verdade conhecida como tal
  4. Ter inveja das mercês que Deus faz a outrem
  5. Obstinação do pecado
  6. Impenitência final

Este assunto não é fácil de abordar nem se descobrem tentativas satisfatórias para o fazer. Os catecismos vulgares pouco explicam, por isso, deixam margem para diversos tipos de visão do problema, pois há pecados que nós consideramos normais, como outros quaisquer, mas, no fundo, poderão ser incluídos na categoria de pecados contra o Espírito Santo. Só Deus poderá ser o Juiz, uma vez que nada Lhe fica escondido, nem daquilo que somos nem daquilo que fazemos nem de como o fazemos ou não o fazemos.

Já ouviu certamente dizer, ou leu, que Deus perdoa todos os pecados, desde que haja arrependimento sincero, firme e pronto propósito de emenda e confissão sacramental   ( para aqueles que são baptizados). Deus, inclusivamente, disse: ” Ainda que os vossos pecados sejam vermelhos como o escarlate…ficarão mais brancos que a neve (Is 1, 18) Esta ideia do arrependimento e do perdão de Deus atravessa muitos dos Salmos compostos pelo Rei David, cujo pecado o levou a muita penitência e a confessar: “Tenho sempre o meu pecado diante de mim…” ( Sl 50 ).

Cristo também perdoou a inúmeros pecadores arrependidos e até perdoaria a Judas, se este lhe implorasse o perdão, acompanhado de um sincero arrependimento. Mas, um dia, Cristo fez uma revelação surpreendente e aparentemente incompreensível, ao dizer: “Os pecados e blasfémias contra o Espírito Santo não terão perdão nem neste mundo nem no outro” ( Mt 12,31-32), o que quer dizer que darão condenação eterna sem margem para dúvidas.

Afinal, como é?  Deus não perdoa todos os pecados? Não será visível uma clara contradição entre a pregação de Cristo e a realidade? Onde estará a gravidade dos pecados contra o Espírito Santo, para serem encarados desta maneira tão trágica? Será que Deus abre excepções ao Seu perdão, mesmo havendo arrependimento e as outras condições necessárias? As respostas a estas perguntas parecem fáceis e parecem difíceis e têm dado muitas voltas às cabeças dos teólogos. Se Cristo apresentou as coisas assim, tem de haver uma razão forte, de uma lógica indiscutível e sem deixar dúvidas a ninguém.

A frase de Cristo, acima referida, vem na sequência do comentário proferido pelos escribas e fariseus que O acusavam de expulsar demónios em nome de Belzebu (um demónio). Ninguém pode medir a gravidade desta sentença nem a malícia diabólica em que tal pecado mergulha. É praticamente colocar Cristo ao nível dos demónios ou até abaixo deles, uma vez que pressupõe que é Belzebu quem dá o poder a Cristo, acabando eles por acusar Cristo de estar possuído por Satanás, à semelhança de qualquer endemoninhado. “ Os doutores da Lei…afirmavam: Ele tem Belzebu; e ainda: É pelo chefe dos demónios que Ele expulsa os demónios…” (Mc 3, 22)…

Mas Cristo foi peremptório:” Em verdade vos digo: todos os pecados e todas as blasfémias que proferirem os filhos dos homens, tudo lhes será perdoado, mas quem blasfemar contra o Espírito Santo, nunca mais terá perdão: é réu de pecado eterno….Disse-lhes isto porque eles afirmavam: Tem um espírito maligno” ( Mc 3, 28-30). Ora, na outra vida, após a morte, somente no Purgatório  poderão os pecados (veniais) ser perdoados. Ser  réu de pecado eterno é a mesma coisa que dizer que cairá no inferno, onde o pecado nunca se apagará.

Veja se há blasfémia contra o Espírito Santo no caso que vou expor!  Algum tempo antes de 8 de Dezembro de 1980, John Lennon, um dos famosos “Beatles”, vangloriava-se, dizendo : “Nós, ( os Beatles) somos mais famosos que Jesus Cristo”. Exactamente na data acima referida, alguém o esperava à porta de casa, de regresso do seu estúdio. Um homem  perguntou-lhe: “O senhor é que é o John Lennon?” – Após a resposta afirmativa, John Lennon caía morto por tiros de pistola.

A blasfémia é um insulto directo, atrevido, insolente, grosseiro, ofensivo, em extremo, à majestade divina, conhecendo-se outros casos em  que a justiça de Deus caiu implacável sobre o blasfemador.

Desesperação de salvação – É o pecado de Judas Iscariotes, que recusou todas as tentativas de Cristo e da Virgem Maria para se converter. Ele agiu na base de que o seu pecado era tão grande, que o seu Mestre já não podia agir sobre a sua malícia de insistir em permanecer no pecado, com nítido desprezo da Misericórdia Divina, que o perseguiu até ao fim. Ao recusá-la, ele colocou-se num grau superior, pondo a sua vontade ao serviço do desespero, não acreditando em Cristo, que ele conhecia bem, pois já O tinha visto perdoar a grandes pecadores e a ele próprio. Cristo já lhe perdoara várias vezes pecados que não seriam de supor num Apóstolo.

 É evidente que, ao ver o seu plano, gizado por uma mente ambiciosa e oportunista, desfazer-se, entrou em desespero, que terminou no suicídio. Já tenho lido e ouvido que Judas não se condenou, mas o que Cristo disse a seu respeito (que era melhor não ter nascido), não alimenta essa benevolência e a dúvida quanto à sua sorte final. Num dos livros do Padre italiano Gabriele Amorth, exorcista, ele relata a presença de Judas numa mulher possessa, dizendo ele (Judas) que está catalogado entre os demónios e não nos condenados normais.

 A desesperação de salvação:

. É também um pecado contra o primeiro Mandamento, por ser um pecado contra a esperança em Deus, contra a possibilidade de se salvar, contra a ideia de atingir os recursos necessários ou o perdão de Deus para os seus pecados.

. É pecado contra a bondade de Deus, contra a Sua Misericórdia, contra a Sua fidelidade no cumprimento das promessas que faz de perdoar os pecados mais negros, desde que o pecador se arrependa.

. É também um pecado de soberba, por colocar a Misericórdia divina abaixo de algo produzido pelo homem, neste caso, a crença de que Deus o odeia e já não poderá fazer nada por ele, o que o levará a desistir de invocar a Sua Divina Misericórdia e a considerar-se antecipadamente perdido, condenado.

. É um grave acto de desprezo pelo Sacramento da Penitência (Confissão), instituído por Cristo para tirar os pecados do mundo. O pecador recusará também confessar-se, concluindo que já nada valerá a pena, ou porque pensa na gravidade dos seus pecados. Também pode acontecer que, por falta de prática sacramental, o pecador não acredite na eficácia de uma boa Confissão ou ainda porque já não sabe confessar-se ou que a vergonha lhe tape o coração e a boca.

È aqui que Deus faz milagres, ao aplicar a almas prestes a cair no inferno, os méritos de alguma alma que intercede e se sacrifica …pelos pecadores. /// inda porque Deus não lhe aplica as orações e os méritos das boas obras de alguma alma expiadora/reparadora. A acção de Satanás irá no sentido de reforçar o deses Deus sabe antecipadam,entepero, sugerindo que Deus não poderá perdoar, faça a pessoa o que fizer, levando assim à anulação de toda a esperança. Se acabar por morrer assim (sem arrependimento e sem invocar a Misericórdia divina)…comete pecado contra o Espírito Santo, não perdoável nem neste mundo nem no outro, conforme a Palavra de Cristo. Os pecados e blasfémias contra o Espírito Santo provêm de uma profunda malícia e atacam o Poder, a Bondade, o Amor, a Misericórdia, a Santidade…de Deus, porque é Ele (o Espírito Santo) o Amor que circula do Pai para o Filho e do Filho para o Pai. É através Dele  que o Pai e o Filho exercem os Seus divinos atributos, por isso, uma blasfémia ou pecado contra o Espírito Santo acaba por ser um acto malicioso contra o conjunto da Santíssima Trindade, se não for simplesmente uma fraqueza humana, como tantas outras.

Debrucemo-nos um pouco mais sobre a blasfémia dos judeus que assistiram aos milagres de Cristo, incluindo a ressurreição de mortos e a expulsão de demónios.  Eles viram que Cristo não fazia milagres em nome de Deus, mas fazia-os dizendo:” Eu quero…, eu te ordeno, …fica curado,…vê…, ouve,… os teus pecados te são perdoados,… levanta-te e anda, faça-se como desejas,… “etc. Nos milagres e perdão dos pecados, Cristo actuava como Deus e não como Homem, sob a acção do Espírito Santo. Rebaixar Cristo e atribuir o Seu poder aos demónios,…dificilmente se pode inventar pior. Daí, a sua gravidade, que o inclui nos pecados contra o Espírito Santo.

Pecados imperdoáveis?

Nas palavras de Jesus Cristo, estes pecados são imperdoáveis. Porquê, uma vez que outra passagem da Bíblia diz que Deus perdoa toda a espécie de pecados. Será Deus a contradizer-se? Não! Deus sabe antecipadamente em que condições se encontrará o pecador  na proximidade da morte, tendo em vista a salvação ou a condenação. Sabe que tipo de vida o pecador levou, se praticou as exigências da Fé, se tem a noção dos pecados cometidos, se desprezou Deus, a Igreja, a Doutrina, os Sacramentos, os Mandamentos, etc Assim, poderá concluir-se que quem cai na desesperação de salvação é porque se deixou amarrar pelo demónio e a sua própria vontade já não é capaz de reagir. Também se pode perguntar: Como vai alguém arrepender-se e invocar a Misericórdia de Deus, se sempre, durante a sua vida, desprezou Deus e tudo o que com Deus se relaciona? Fica aí o exemplo de Judas Iscariotes como fonte de meditação…

E aqueles que  repousam tranquilos no:  “Eu cá confesso-me a Deus”? Estes são aqueles que tapam um alçapão com bonito papel de parede. Para todos os que receberam o Baptismo, é a Confissão  bem feita a um sacerdote que apagará qualquer tipo de pecados, desde que bem confessados. Para isso, consulte o “CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA”, Nºs  1420-1498

 .

Ezequiel Miguel

 .

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