Beija-mão a Cristo, Rei do Universo

I – Convocatória

.

Correra pelo Universo,

visível e invisível,

edital escrito em verso

para Acto imprescindível:

.

“Para o Universo inteiro

sai esta legal mensagem:

vai-se prestar ao Cordeiro

universal homenagem.

.

À Virgem Imaculada,

de Cristo – Rei a Mãezinha,

toda a criatura, prostrada,

dirá: Salvè Rainha!

.

De todas as profundezas

e de todas as alturas

virão todas, sem tristezas,

as convocadas criaturas.

.

Virão grandes e pequenas,

as visíveis e invisíveis,

deixando para trás as penas,

mesmo se compreensíveis.

.

Do inferno também virá,

por divinal excepção,

grupo que se chamará

“infernal delegação”.

.

Virão as serras e os montes

ante Cristo se dobrar,

com mares, rios e fontes

para Sua Real Mão beijar.

.

As estrelas deixarão

seus lugares desocupados,

perante Cristo estarão

com seus lampiões iluminados.

.

Os mares e os rios virão

com seus leitos não enxutos

e a Cristo apresentarão

os seus fluidos impolutos.

.

As árvores virão vestidas,

enfeitadas com seus frutos,

e com as cores não sumidas

mostrarão seus atributos.

.

Todo o ser se ajoelhará

perante Cristo imortal

e Sua Real Mão beijará

na humildade serviçal.

.

Tudo o que o Mundo segrega,

virá até ao Rei Santo,

pois em Cristo se congrega

no Pai, com o Espírito Santo”.

.

II – Homenagem

.

Nesse Dia, em que o Tempo parou,

vieram as convocadas criaturas,

tudo ante Cristo se perfilou,…

das profundezas às alturas.

.

Esperavam com um porte ordeiro,

guiadas por invisível Poder,

sem nenhum proceder batoteiro

para em frente de Cristo se ver.

.

Surgiram primeiro as invisíveis,

de feitios, tamanhos não pensados,

lá tornados agora visíveis

após o necessário aumentados.

.

Seguiram-se as outras convocadas,

tudo o que há na terra e nos mares

e depois, por grandeza ordenadas,

todas as que habitam lá nos ares.

.

Eram seres todos sorridentes,

nenhum dando sinal de cansado,

daquele momento único conscientes,

na memória para sempre arquivado.

.

Só a Terra vinha lacrimosa, …

as suas lágrimas a enxugar,

pois era a sua via dolorosa

os pecados dos homens expiar.

.

Ela vinha toda envergonhada,

porque ela de todos destoava…;

Cristo a ninguém criticava nada,

mas  a si  ela não se perdoava.

.

Cristo no Seu Trono se sentou,

tendo a Seu lado a Rainha- Mãe,

a multidão perto se chegou,

pronta para a homenagem também.

.

Todos perante Cristo ajoelhavam

para o real anel no dedo beijarem;

de pé, o anel da Rainha beijavam,

após em respeito se inclinarem.

.

Na cauda da infinda procissão

vultos negros, ruidosos, surgiram,

informes, em ardente tição,

pois as suas linhas se sumiram.

.

Perante Cristo eles se dobraram,

com as cabeças no chão tocando,

mas em Jesus Cristo não tocaram,

a humilhação com ódio aceitando.

.

Perante Maria se contorceram,

de negra, feroz raiva espumaram…

Era a tal Mulher que não venceram…

De suas entranhas urros lançaram.

.

Os seus olhos fogo despejavam,

recusando com Maria cruzá-los,

para os seus calcanhares só olhavam

para, se possível, devorá-los.

.

Contendo da sua raiva a pressão,

perante Maria se perfilaram

e de pé, com a cabeça até ao chão,

homenagem real lhe prestaram.

.

Depois, em silêncio se sumiram

e a Terra para eles se abriu,

os sinais deles não mais se viram

e  o  Real Beija-Mão lá prosseguiu.

.

Desta homenagem universal

não se sentiu ninguém excluído,

seguindo-se a Corte Celestial

a conceder o preito devido.

.

Chegou a seu tempo a vez dos Anjos,

mensageiros  de Deus fiéis,

inumeráveis, com os Arcanjos,

ocupando no Céu dois Anéis.

.

Apresentaram-se os Principados

com suas reverendas atitudes,

seguidos  logo dos Potestados

e também do Coro das Virtudes.

.

Surgiu o Coro das Dominações,

mais os Tronos e os Querubins,

saindo deles beleza em vulcões,

culminando com os Serafins.

.

Que tempo este beija-mão durou…

isso dizer eu não poderei,

porque a Eternidade autorizou

o Tempo a suspender a sua lei.

.

Mas como tinha que terminar,

o Tempo o seu curso retomou

e, depois de Cristo discursar,

toda a Criação com salmos O louvou.

.

De cansado ninguém se queixava,

o Beija-Mão assim continuou,

como o Tempo por si não parava,

o Saltério em louvor se esgotou.

.

Ezequiel Miguel

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