Publicado por: Administrador | Março 19, 2017

O contrato de Judas com o Sinédrio

(Realidade e Ficção)

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Então, um dos Doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes e disse-lhes: ”Quanto me dareis, se eu vo-Lo entregar”? Eles garantiram-lhe trinta moedas de prata. E a partir de então, Judas procurava uma oportunidade para entregar Jesus. (Mt 26, 14-16).

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Aproximava-se o fim da pregação do Reino e Cristo estava quase a consumar a sua missão de evangelizador.

Um dia em que Jesus e os Apóstolos se encontravam todos em Jerusalém, Judas foi abordado por alguém para se apresentar com urgência na casa de campo de Caifás, o sumo sacerdote que presidia ao Sinédrio. Judas tinha contas a dar a respeito da sua actividade de espião e de agente subversivo. Cristo já tentara salvá-lo, mas a última tentativa falhara, talvez por se ter comprometido com o Sinédrio, no sentido de O espiar e criar situações que levassem Cristo a ser apanhado em pecado, uma vez que se precisava urgentemente de uma razão forte e convincente para O condenar. O plano gizado por Judas e pelo Sinédrio falhara e era a hora de chamar Judas a contas, para se explicar e justificar o falhanço.

É noite! Um vulto solitário caminha em direcção a uma casa no alto de uma colina no exterior das muralhas de Jerusalém, numa noite de luar em que a própria sombra parece assustar Judas, que caminha nervoso, parando e olhando de vez em quando para trás, a fim de se assegurar que não é seguido… Finalmente, chega ao portão da casa de Caifás, e, a um sinal de pancadas previamente combinado, ele abre-se e Judas é introduzido num salão já preparado para o receber. Em círculo dispõem-se os personagens que foram convocados para esta audiência a Judas. São membros do Sinédrio, que condenará Jesus à morte, passando por cima de todos os direitos e usando todos os meios desonestos, ilícitos e ilegais.

Judas – Então, já começastes a reunião?

Todos – A paz esteja contigo, Judas!

Judas – A paz esteja convosco, ó membros do santo Sinédrio! Como calculo o motivo que vos levou a convocar-me, quero antecipar-me às vossas perguntas e dizer-vos o que se passa com o Cristo. Tendes que vos despachar naquilo que quereis fazer com Ele, pois Ele já desconfia de mim e dos meus planos para vo-Lo entregar… e eu estou a chegar ao ponto em que nada mais poderei fazer por vós.

Sadoc – Não nos digas que te deixaste descobrir, ó grandecíssimo tolo!

Judas – (irritado e nervoso) Vós é que sois uns tolos, pois, com toda essa pressa em que ferveis, não planeais bem as coisas e fazeis coisas disparatadas. Vós é que não tendes confiança absoluta em mim!

Elquias – Não te lembras que te entregámos um plano há pouco tempo e que tu não concordaste com ele?

Judas – E pensais que é fácil trair o Único amigo que eu tenho, o Único que me ama de verdade sem esperar nada em troca, um Inocente que vai ser vítima de um crime?

Joaquim – Acalma-te, não estejas nervoso! O que tu fazes é uma obra santa pela pátria e toda a nação te agradecerá. O teu nome será honrado pelas gerações, porque tu figurarás entre os heróis de Israel. Tu chegarás ao poder, ditarás leis e fá-las-ás cumprir, porque tu serás o salvador da pátria. Tu serás aquele que fará desaparecer do número dos vivos o novo Holofernes que quer destruir a nossa querida pátria. Para isso, basta que colabores connosco naquilo que puderes, pois tu és imprescindível neste processo, uma vez que O conheces bem e facilmente O identificas, esteja Ele onde estiver!

Doras – Além disso, o Sumo Sacerdote Caifás falou profeticamente quando disse que era bom que morresse um homem pela nação, para que a nação não fosse destruída. Foi o Altíssimo que falou pela sua boca….Estás nervoso! Não nos acreditas? Nós somos teus amigos e queremos o teu bem, por isso, faremos tudo para que sejas um grande de Israel e isso dentro em breve! Aqui à tua volta estão representados as famílias sacerdotais, os Anciãos, os escribas, os fariseus, os rabis, os doutores, as autoridades do Templo, todos eles prontos para aclamar-te e convencer-te a fazer uma coisa santa de que te orgulharás toda a tua vida. Tomaram muitos estar no teu lugar!

Judas – Mas eu não vejo aqui Gamaliel, José de Arimateia, Nicodemos, João, Eleazar…e eles têm o direito de estar aqui, apesar de estarem a seu favor! Porque não foram convocados?

Caifás – Nós não os avisámos para esta reunião secreta, porque eles podiam dar com a língua nos dentes, …e estragar tudo. Tu sabes bem que eles simpatizam com ele. É melhor assim, para pensarmos todos por igual, a bem da nação e da glória de Deus…

Cananias – As tuas palavras são de verdadeira sabedoria, ó Sumo Sacerdote! Aceitando a sugestão de Judas de que devemos andar depressa e com passo firme, sem hesitações, julgo que devemos resolver já de uma vez por todas. Pertence a ti, ó digníssimo Caifás, como Sumo Sacerdote do Deus Altíssimo, fazer-nos a proposta final.

Caifás – Interpretando a vossa vontade e a vontade de Deus neste magno assunto, proponho que entremos em negociações com Judas para ele no-lO entregar sem mais preocupações da nossa parte. Sendo assim, nós propomos a Judas um pagamento de 30 denários e, em troca, ele deverá informar-nos onde O poderemos apanhar de noite, sem que o povo se aperceba disso. Judas, que dizes?

Judas – (agitado) É pouco! Isso é uma miséria para os serviços que vos presto! Esse preço nem seria justo se fosse para vos entregar um vulgar ladrão ou matar e esfolar um coelho! Para vos entregar Quem vós desejais neste caso, tendes que pagar 90 dinheiros, pelo menos.

Caifás – Não pode ser! Está escrito ( Zacarias 11, 12-13) que serão 30 denários e o que está escrito foi escrito pela vontade de Yahweh, por isso temos de respeitar a sagrada vontade de Yahweh, manifestada pelo profeta. É verdade que se trata de um preço simbólico, mas é esse o preço que pagaremos, para não irmos contra as sagradas Escrituras. Em troca, ficarás assinalado como um dos grandes de Israel, que todos louvarão e invejarão! Ele deve morrer e tu abrir-nos-ás o caminho para prendermos e julgar esse falso profeta, esse blasfemo, esse inimigo de Israel e do povo santo de Deus.

Judas – Para já, tudo o que dizes é falso, mentiroso, difamatório, calunioso. Ele não é nada do que dizes. Ele é um profeta e infinitamente mais que um profeta. Todo Ele é divino, todo Ele é puro Amor, compreensão, bondade, perdão. Ele conhece o íntimo dos corações e a estas horas até sabe o que eu e vós estamos a fazer e onde! Fico com a espinha congelada só de pensar que Ele me está a ver. Vós e eu somos uns miseráveis, uns assassinos, uns ladrões, uns montes de corrupção, uns traidores, uns hipócritas,… que vamos cometer o maior dos delitos que se podem cometer, a morte do Messias de Israel. Tenho umas perguntas a fazer-vos, se é que me autorizais!

Anás – Diz!

Judas – Vós acreditais que o profeta se referia ao verdadeiro Messias quando disse que seria vendido por 30 denários?

Anás – Acreditamos!

Judas – Então, vós próprios estais a dizer e a confirmar que Ele é o verdadeiro Messias de Israel, uma vez que dizeis que este preço é o estipulado pelo profeta. Ninguém encomendaria e ninguém aceitaria o assassínio de um homem por esse preço ridículo. Logo, tendes de concluir que vós próprios acreditais no que dizeis, isto é, que Ele é o Messias profetizado!

Caifás – ( Depois de uns momentos de silêncio e de troca de olhares cruzados)…Esse argumento…Temos de pensar! …

Doras – Nós não te entregámos a sua defesa nem te constituímos seu advogado! Pagamos-te por um nobre serviço e é sobre ele que estamos a negociar. Enquanto te decides, quero que nos expliques o que fizeste com o dinheiro que te demos para o apanhares em pecado, pois ainda não nos falaste sobre isso….Estamos à espera que fales!

Caifás – Deixai lá isso, por agora! Quanto à questão que o Judas colocou, parece ter lógica, mas…só parece! O profeta deve ter referido esse preço se o Messias aparecesse naquele tempo. É evidente, nos tempos de hoje, que esse preço é irrisório e inaceitável. Contudo, nós temos de ser fiéis à palavra do profeta ou então… Anás, que te parece?

Anás – As contas são fáceis de fazer! Se aceitamos as palavras do profeta e só pagamos os trinta denários, temos de reconhecer que o nazareno é o Messias e, nesse caso, não estamos aqui a fazer nada!

Joaquim – Só há um meio de resolver isto!… Os trinta denários e o Messias são indissociáveis, por mais voltas que demos. Ou aumentamos o preço e negamos o Messias, ou mantemos o preço e reconhecemos que ele é o Messias. Nenhum de nós viu isto a tempo! Agora já não sei o que dizer! O que eu ia a dizer já não faz sentido.

Elquias – Cá para mim,…Não! …É melhor calar-me! Para mim isto está a ficar muito confuso! O Caifás, que explique!

Caifás – Temos de dar a volta a isto! Judas, diz lá qual seria preço justo pelo teu serviço?

Judas – 144 denários! Acho aceitável!

Caifás – Certo! Então, nós pagaríamos os 144 denários, mas tu devolverias voluntariamente, como oferta ao Templo, o que vai de 30 até 144, isto é   110 denários. O Templo ficava assim compensado pelo dinheiro que te pagou por um serviço não feito. Achamos que será feita justiça!

Judas – ( Limpando o suor) Mas isso não muda nada! Eu…fiz tudo o que podia… e cumpri o que tinha combinado convosco! Paguei a uma meretriz jovem e bonita, aquela que vós me aconselhastes, informei-a sobre o local e a hora em que ela poderia encontrá-Lo, mas ela falhou, como falharam outras, acabando Ele por convertê-la  à Sua Causa. Algumas, depois de terem tentado seduzi-Lo, fugiram como se tivessem visto o Belzebú. Conheceis aquela famosa irmã de Lázaro, a Maria? A essa eu não a convidei, mas Ele converteu-a e fez dela uma adepta incondicional e convicta, que suporta todos os sacrifícios por Ele! A outras,… eu paguei…,mas elas falharam também e ficaram com o dinheiro. Juro que foi assim! Além disso, Ele até desafiou todo o Israel a apanhá-Lo em pecado. Lembro-me de Ele ter dito: “Quem de entre vós será capaz de me apanhar em pecado”? Ora, um homem que faz este desafio tem que forçosamente ser santo e mais que santo. O desafio também foi feito a pensar em mim e em vós, a quem Ele acusa de sermos hipócritas, víboras, sepulcros caiados e outros mimos semelhantes. Ele tem um poder de que vós nem suspeitais! Agora, não me peçais o dinheiro, porque não o tenho.

Pelo pecado, garanto-vos que nunca O apanhareis, por isso, não percais tempo com essas manobra! Ele é diferente de todos os homens. Ele nunca se irrita, nunca humilha ninguém, corrige com amor, delicadeza e mansidão, nunca se vinga, perdoa sempre, cura todos os doentes que acreditam no Seu poder…Ele é mesmo Amor e tudo faz em nome do Amor. Sei que muitas vezes chamou a atenção do Pedro, que não simpatiza comigo…Eu até me lembro de uma vez em que, numa aldeia, nos trataram mal e ninguém nos quis ouvir. Dois de nós pediram-Lhe autorização para mandar vir fogo do céu sobre oshabitantes, para os consumir…Sabeis o que Ele nos respondeu? Disse que Ele tinha vindo ao mundo para dar a vida, e não a morte, e queria que os homens se arrependessem dos seus pecados e tivessem vida longa. Não há no mundo um homem assim, por isso, ide mais directos, de contrário, andais aí a empatar…

E quanto aos milagres, que vós atribuís a Satanás, Ele nunca invocou Satanás para os fazer, mas diz sempre: “Eu quero, fica curado,…Eu quero, levanta-te e anda, vê, ouve, volta à vida. Eu quero,…Eu quero…” e a Satanás Ele diz : “ Sai desse homem!” A outros dizia:” Eu te absolvo dos teus pecados!”. Ele nunca disse:” Em nome de Iahweh…, em nome de Satanás…, em nome de Belzebú”. E quando ressuscitou Lázaro Ele disse: “Lázaro, Eu te ordeno: Vem cá para fora!”. Vós julgais que Ele é um simples homem? Isto, para compreenderdes as dificuldades que enfrento para cumprir os meus compromissos para convosco! Por isso, tendes de ser tolerantes para comigo e também devíeis ser mais justos na paga que me dais! O que me propondes nem dá para matar um gato!

Elquias – Pois é! Ele é bondoso, manso, delicado…, mas a nós chamou-nos hipócritas, sepulcros caiados, filhos de assassinos de profetas e não sei que mais. Ele insultou-nos a todos, a nós que recebemos de Yahweh a nossa santa autoridade. Mas, há mais: Este miserável preço de 30 denários, como tu dizes, que te oferecemos, também tem em conta aquele dinheiro que te demos para o apanhares em pecado, visto teres falhado. Esse dinheiro devia ser-nos devolvido. Como não o devolves, és ladrão. Também és um mentiroso, pois acreditamos que o gastaste em teu próprio proveito. Por tua culpa, ele tem cada vez mais discípulos e se não agirmos depressa…será a nossa ruína e a ruína de Israel.

Judas – Mas, tendo vós tantas oportunidades para O prenderdes quando Ele pregou no Templo, mesmo sob as vossas barbas, porque não O prendestes, se era tão fácil? Porquê recorrer a mim, a meretrizes, ao dinheiro nojento, como nojentos sois todos vós? Eu, agora, é que sou o culpado? E quanto a ladrões, vós é que o sois, por roubardes o tesouro do Templo, para comprar meretrizes e para preparardes um assassínio! É isso a vossa santidade?

Elquias – Sabes muito bem porquê! Porque ele sempre se escapou, por manobras que o Belzebú lhe inspirava. Nós sentíamo-nos bloqueados, paralisados,…quando ele despedia raios dos seus olhos contra nós. Cada um de nós tinha a impressão que estávamos a ser vistos como se estivéssemos nus.

Judas – Pois é! É isso! Ele vê-vos por dentro e por fora e nada do que sois Lhe escapa! Ele vê a vossa vida de aves de rapina, de feras selvagens, de animais de estrumeira a fossar no estrume, víboras sempre à espreita de lançar veneno sobre todos aqueles que estão a par da vossa imundície.

Caifás – Tudo isso és tu, miserável! É assim que pagas a quem quer ajudar-te e que tem ajudado? Nós partimos-te já esses queixos e cortamos-te já essa língua atrevida! Vamos a ele e resolvamos já este assunto! (Levanta-se ameaçadoramente)

Elquias – Calma aí, ó Caifás! Não é assim que resolvemos o assunto! Temos de respeitar o Judas e agradecer-lhe os esforços que tem feito para nos ajudar. Temos de ser tolerantes para com ele, pois, se mais não fez, é porque não pôde!

Joaquim – Bem, agora que estamos mais calmos, ainda vos lembro aquele atrevimento do nazareno, quando desatou às chicotadas sobre as mesas dos que lá vendiam coisas no Templo, pondo tudo de patas para o ar. É esta a mansidão de que fala o Judas? Ele até disse então que nós estávamos a profanar a Casa do Seu Pai. Que atrevimento! Que presunção! Como é que o Templo é a Casa do seu Pai? O Seu pai não é um carpinteiro de Nazaré? O Judas tem de compreender que nós não acreditamos em nada do que diz.

Judas – Há coisas que vós não entendeis. Dessas coisas que Ele disse:…hipócritas, vendilhões, sepulcros caiados, filhos de assassinos… há alguma que não vos assente como uma luva?

Caifás – Judas, vê lá como falas! Estás a insultar o santo Sinédrio! Tu estás aqui para responder às nossas perguntas e não para as fazer! Com todo esse discurso prevejo que ainda voltas atrás e ficas com Ele! Tudo bem! Nós estamos a ser tolerantes, pacientes e compreensivos. É por isso que já te fizemos a proposta final de um pagamento de 30 dinheiros (denários), pois mereces um pagamento pelo teu esforço e dedicação. É justo que assim seja. Quem está contra esta proposta que fizemos ao Judas de Simão? …Vejo que não há votos contra! Assim, Deus nos ajude e ilumine Judas para ver como Yahweh o escolheu para esta grande missão de nos entregar esse falso messias.

Judas – (Contrariado) Tenho de corrigir aí uma coisa. Vós, aqui, não sois o “santo Sinédrio”! Sois um grupo convocado à pressa e ilegalmente, porque não enviastes aviso aos outros que aqui não estão. Além do mais, também não sois santos, como Ele já vos demonstrou. Quanto ao preço, digo que é injusto, mas não me deixais alternativa.

Sadoc – E agora,…diz lá: onde está Jesus de Nazaré?

Judas – Está em Betânia, em casa de Lázaro que, como sabeis, é o seu mais fiel amigo e é protegido pelos Romanos. Não tenteis aí, porque Lázaro tem muitos servos e só dará sarilhos.

Cananias – Nós confiamos em ti, pois tu és sagaz, inteligente e recto de coração. Yahweh estará contigo na hora certa. Aguardamos que essa hora chegue.

Judas – E quanto ao pagamento?

Caifás– Só te pagaremos quando vieres ter connosco e nos disseres: “É agora, vinde comigo”! Só então é que receberás o dinheiro e naquela quantia de que já falámos.

Judas – Então, até à próxima! A paz fique convosco!

Todos – E contigo também. Adeus!

Faz-se silêncio até se ouvirem os portões de ferro a fechar e depois… todos saltam de alegria e se abraçam efusivamente, todos dando os parabéns a todos…

Doras – E agora? Que faremos quando Judas descobrir que também nós o vamos trair? Daquilo que lhe prometemos…só ficarão os miseráveis 30 dinheiros, o preço que se dá a alguém pela morte de um cordeiro. Este idiota…já o temos no papo! Deve estar muito faminto de dinheiro, para aceitar uma recompensa destas! Será que não vai espalhar pelo povo o que fizemos com ele? Isso seria a nossa desgraça. Poderíamos ter de enfrentar uma revolta popular e daí…quem sabe como tudo ficaria? Ele não é de confiar, devido ao seu temperamento inconstante e às artimanhas de que já deu provas. Nele não é fácil saber quando diz a verdade ou quando nos crava a mais descarada mentira. Na minha opinião ele é um comediante.

Caifás – Não há que ter receios! O povo voltar-se-ia contra ele, por se ter posto ao nosso lado e contra o Nazareno. Por agora, ele tratará do Nazareno e depois…nós trataremos dele sem que o Povo se aperceba!… Este assunto já foi ventilado numa outra reunião. Não vos lembrais?

Sadoc – E se ele se arrepender antes de…?

Caifás – Ele não vai ter tempo para isso!…E vós todos tende cuidado! Daqui não pode sair uma única palavra para o Gamaliel, o José de Arimateia, o Nicodemos, o João, o Eliseu, o Eleazar e outros! Eu não confio em nenhum deles. É preciso andar com o olho neles, não vão eles suspeitar de alguma coisa.

Doras – Eu estou muito contente por ver este dia e outros que se aproximam. Vejo finalmente a vingança que o meu pai desejaria executar sobre o nazareno, que, um dia, fulminou o meu pai mesmo ali em frente dele, caindo morto instantaneamente a Seus pés.(1)

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  • Nota – Isso aconteceu após uma cena de agressividade verbal e tentativa de agressão física a Cristo, por Ele ter lançado sobre os seus pomares uma maldição que tornou estéreis todas as suas árvores de fruto. Doras- pai mantinha os seus servos em escravatura cruel. Cristo tentara torná-lo mais humano, mas ele não cedera. Quando viu os pomares secos, quis tirar desforra de Cristo e excedeu-se no palavreado e nos gestos, tentando mesmo apedrejá-Lo. O excesso de cólera causou-lhe um ataque cardíaco fulminante. Doras- filho tem esses acontecimentos ainda bem vivos na memória, tanto mais que os pomares que herdou continuam estéreis e mirrados, queimados pela maldição. Tal como faria com Judas, Cristo tinha feito tudo para que Doras – pai se convertesse e tratasse bem um dos servos gravemente doente. Tudo em vão! Cristo acabou por pagar o resgate do servo doente e providenciou no sentido de estar presente na hora da sua morte.

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Ezequiel Miguel

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