O Espírito do Senhor

O ESPÍRITO DO SENHOR

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Salmo 103 (104) – Senhor, meu Deus, quem como Vós?

Bendiz, ó minha alma, o teu Deus e Senhor!

Senhor, meu Deus, quem como Vós, magnificente,

revestido de majestade e esplendor,

envolvido num manto de luz resplendente?

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O céu, como um enorme toldo, estendestes,

Vossa morada sobre as águas tem assento,

as nuvens para Vosso carro escolhestes

e caminhais veloz sobre as asas do vento.

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Para Vossos mensageiros ventos nomeastes,

Vossos ministros são de fogo flamejante,

sobre alicerces firmes a Terra fundastes,

que nunca apresentará sinais de oscilante.

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Com o manto do oceano a Terra cobristes,

sobre montes e vales as águas pousaram,

à Vossa ameaça, tentando fugir, as vistes,

ao fragor do trovão elas se amedrontaram.

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Os montes são erguidos e os vales cavados

nos lugares que previamente lhes marcastes,

os seus limites não serão ultrapassados,

porque de cobrir a Terra lhes proibistes.

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As águas vindas das fontes mudais em rios;

correndo pelos vales, com montes nas margens,

satisfazem a sede aos animais bravios

e garantem a vida aos asnos selvagens.

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Nas suas margens as aves se fazem ouvir,

por entre a folhagem, com seu variado canto;

sobre os montes a chuva do céu fazeis cair,

as Vossas obras enchem a Terra de encanto.

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Fazeis crescer a erva, alimento do gado,

e as plantas, de que o homem tira seu proveito;

por elas tira o homem da terra o pão suado

e o vinho, que lhe alegra o coração no peito.

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Pelo seu óleo pode o seu rosto brilhar,

por elas lhe vem o pão, que nunca faltou,

as árvores se enchem de seiva a circular,

como os cedros do Líbano, que Deus plantou.

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Seguras, as aves do céu ali se aninham,

é lá que a cegonha a sua habitação faz,

dos altos cumes os cabritos se avizinham

e as rochas são refúgio para o arganaz.

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Fizestes a lua, para os tempos dividir,

e o sol, que não se esquece de se retirar,

começais a noite com trevas a cair,

os animais da selva saem para vaguear.

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Os leões rugem em busca da incauta presa,

lembrando a Deus a hora do seu alimento,

o sol desponta e eles levantam a mesa,

recolhendo aos covis quando chega o momento.

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Sai o homem de sua casa para o seu labor,

para a sua lida até ao entardecer;

quão numerosas são as Tuas obras, Senhor!

Em todas se pode a Tua sabedoria ver.

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Toda a Terra ostenta as Vossas grandes riquezas!

Eis o mar, grande, largo, medonho, espaçoso,

com inúmeros seres em suas profundezas,

animais de porte pequeno ou volumoso.

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Sulcam-no as naus e a baleia diariamente,

que formastes para nele a vida gozar;

todos de Vós esperam confiadamente

o seu alimento, quando a hora chegar .

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No tempo oportuno Vós os deixais saciados

porque lhes dais em abundância o alimento;

se Vos escondeis deles, ficam perturbados

e morrem, se lhes tirais da vida o alento.

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É assim que Vós ao pó da terra os entregais,

a esse pó de onde um dia foram tirados;

são criados quando o Vosso Espírito enviais;

glória a Vós, Senhor, pelos feitos realizados!

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Seja o Senhor para sempre glorificado,

rejubile pelas Suas obras o Senhor,

a Terra estremece ante o Seu olhar irado,

toca nos montes e fumegam de pavor.

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Enquanto viver, eu hei-de ao Senhor cantar,

enquanto existir, o meu Deus eu louvarei,

oxalá o meu poema Lhe possa agradar!

Quanto a mim, com o Senhor eu me alegrarei.

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Seja a Terra libertada dos pecadores!

Dos malvados não fique vivo um, sequer!

Bendiz, ó minha alma, o Senhor, por Seus favores!

Louva-O e aceita tudo o que Dele vier!

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Ezequiel Miguel.

Pentecostes ( Act 2, 1-13)

Quando aquele dia do Pentecostes chegou,

estavam todos no mesmo lugar reunidos.

De repente, vindo do céu, um som ressoou,

comparável a ventosos, fortes zumbidos,

que na casa onde estavam se demorou .

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Viram então umas línguas aparecer,

que, à maneira de fogo se dividindo,

se viram sobre cada um deles descer,

ficando cada um deles, então, sentindo

que o Espírito Santo os fazia renascer.

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Outras línguas começaram eles a falar,

conforme o Espírito Santo os inspirava,

começando eles nesse dia a pregar,

com o entusiasmo que a todos motivava,

para a Lei de Cristo pelo mundo semear.

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Ora, era em Jerusalém que residiam

muitos Judeus vindos de todas as nações.

Ao ouvirem o  ruído, que desconheciam,

reuniram-se estupefactas as multidões,

para ouvir em suas línguas o que eles diziam.

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Cada um os ouvia em sua língua falar

e diziam atónitos e maravilhados:

Não são galileus esses aí a discursar?

Que se passa, pois estamos algo intrigados?

Como os ouve cada um em seu linguajar?

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Estavam todos em extremo assombrados,

ignorando tudo o que daquilo pensar,

e uns aos outros se questionavam, pasmados:

O que pode tudo isto significar?

Outros os diziam com mosto embriagados .

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Ezequiel Miguel