Salmo 147 (12-20) – Glorifica, Jerusalém, o teu Senhor

coro01Glorifica, Jerusalém, o teu Senhor,

louva com entusiasmo o teu Deus, ó Sião!

Por tuas portas já não entra medo ou temor,

pois o Senhor te dispensa Sua protecção.

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Já firmou a paz em todas as tuas fronteiras

e com a flor da farinha já te saciou,

Suas palavras envia à Terra, ligeiras,

e a Sua mensagem até aos homens chegou.

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A neve, como flocos de lã, faz cair,

como cinza espalha pelo solo a geada,

quais migalhas de pão faz o granizo vir,

com o frio que envia deixa a água gelada.

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A Sua palavra faz os gelos derreter,

as águas correm quando o vento faz soprar;

a sua palavra a Jacob deu a conhecer

e Seus preceitos a Israel mandou guardar.

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Não fez assim com nenhuma outra nação,

a nenhum povo manifestou Seus preceitos;

Israel foi o único a receber informação

sobre o que Deus espera dos Seus eleitos.

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Ezequiel Miguel

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CORPUS CHRISTI

(Versão do “Adoro te devote” de S. Tomás de Aquino)

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Jesus_HóstiaSantíssima Trindade, eu Vos adoro devotamente!

A Vós se submetem meu coração e alma por inteiro ,

a Vós, na Hóstia Santa, escondido verdadeiramente,

Vos adoro no Corpo de Cristo, Homem -Deus verdadeiro.

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Quando Vos contemplo, todo o meu coração desfalece,

em tudo o que Cristo revelou eu firmemente creio!

Perante Vós , vista, tacto, olfacto, …tudo desaparece,

para só ficar o Deus Humanado que ao mundo veio.

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Eu creio, Senhor, em tudo o que por Ti foi revelado,

nada mais verdadeiro que a Tua Palavra de Verdade,

vejo em Ti, como Homem, o Filho de Deus encarnado

Que, mesmo na Cruz, manteve invisível Sua Divindade.

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Na  Santa  Hóstia ocultais a Vossa Humanidade,

que não alcanço, apesar do alerta dos sentidos meus,

mas firmemente  eu creio Nela e na Tua Divindade,

aqui ao mundo dizendo que és  meu Senhor e meu Deus.

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Ó Santíssimo Memorial da Morte do meu Senhor,

Pão vivo,  descido do Céu, para aos homens Se dar!

Faz que a minha alma viva de Vós e se derreta de amor

e que a ela seja sempre saboroso este  Manjar!

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Senhor Jesus, pio, bondoso e solícito Pelicano,

que uma gota do Teu Sangue me deixe purificado,

pois uma única gota destrói  nas almas  o dano

que no homem fica pela miséria  do seu pecado!

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Não vejo, como Tomé, abertas as Tuas Santas Chagas,

mas,  também como ele, eu digo: “Meu Senhor e meu Deus”!

A Ti,  meu Senhor,  meu Deus, que  erros e dúvidas apagas,

quero amar-Te, pesem embora aqueles pecados meus!

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Ó Jesus, que tão velado e oculto  na Hóstia Te vejo,

mostra-me a Tua Face nitidamente revelada!

Vem ao encontro deste meu constante e ardente desejo:

Seja eu feliz,  um dia, na Vossa glória contemplada!

Ámen!

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Ezequiel Miguel

Se não comerdes a minha carne… (Cf. Jo 6, 53)

supperVenha comigo até um dia em que Cristo entrou na sinagoga de Cafarnaum e fez um discurso explosivo, nunca pronunciado nem ouvido por ninguém.  Nunca nada se ouvira de semelhante, desde que o Mundo é Mundo. Foi o discurso chamado Eucarístico. Pode lê-lo no capítulo 6 do Evangelho de S. João.

Dispamos  a nossa  condição de pessoas nascidas no século 20 e vejamo-nos um dos judeus que ouviam Jesus. Imaginemos um Homem (a divindade de Cristo não era visível) dizendo coisas como estas:”Eu sou o pão da vida…eu sou o pão descido do Céu…o Pão de Deus é Aquele que desce do Céu e dá a vida ao mundo…Quem vem a mim, nunca mais terá fome e o que crê em Mim nunca mais terá sede…Desci do Céu para fazer a vontade de meu Pai…Quem vê o Filho e Nele crê tem a vida eterna…Eu sou o pão vivo descido do Céu…O pão que eu darei é a minha carne, para a vida do mundo…Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o Seu sangue, não tereis a vida em vós…Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia, pois a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele…Aquele que se alimenta de Mim viverá por Mim…Quem come este Pão viverá eternamente” (Jo, 6, 32-58).

Foi demais! Não será difícil imaginar o que aquela gente toda terá pensado e dito perante tal atrevimento, que parecia vir de um homem transtornado, demente, louco, visionário, atrevido…brincando com coisas sérias e parecendo fazer dos ouvintes uns idiotas a acreditar em algo impossível. Um israelita transformar-se num vampiro, num canibal, num Drácula a beber sangue… Os Evangelhos são parcos em revelar e descrever as reacções dos ouvintes a este discurso de Cristo. Apenas deixam adivinhar o que se terá passado, quando registam as sentenças dos fariseus e alguns discípulos: “Esta palavra é dura, quem pode escutá-la?…A partir daí muitos discípulos voltaram atrás e não mais andavam com Ele” (Jo 6,59-66).

 Cristo viu-se então sozinho com os Seus Apóstolos e estava disposto a ficar sem eles, caso lhes faltasse a fé no Messias, mas já tinham presenciado os seus milagres e ficaram todos, mas só eles. Os que O abandonaram foram incapazes de reconhecer Nele o Messias prometido e anunciado séculos antes pelos profetas. Quanto a esse discurso Eucarístico já o profeta Isaías se referia a ele sete séculos antes. “ Todos vós que tendes sede, vinde à nascente das águas; mesmo os que não tendes dinheiro, vinde, comprai pão, vinho…sem pagar. Porque gastais o vosso dinheiro naquilo que não alimenta?…” ( Is. 55, 1-2 ).

Nós fomos dos que ficaram… e continuámos a segui-LO, sem nunca termos pensado em renunciar a Ele nem à Sua doutrina nem à Sua Igreja, até hoje. Ele cumpriu todas aquelas promessas na Última Ceia e garantiu que isso se faria até ao fim dos séculos, por isso, está tudo em vigor, para os que acreditam  naquelas Palavras de Jesus, pronunciadas pelo sacerdote na missa: “Isto é o meu Corpo…Isto é o meu Sangue…entregue por vós”. Todo aquele discurso de Cristo tem realização concreta, objectiva, real, verdadeira, plena,  na força omnipotente da fórmula da Consagração, que usa as próprias Palavras de Cristo: “Isto é o meu Corpo, tomai meu Sangue, tomai e bebei e comei…Isto é o …”

Como de Deus não pode vir erro nem mentira,  acreditamos naquilo que a Igreja nos ensina a este respeito: que a Hóstia consagrada e o Vinho consagrado só são pão e vinho nas aparências e que eles passaram a ser (mistério que só Deus entende cabalmente) o Cristo total, tão realmente, tão perfeitamente, tão substancialmente como está no Céu, com todo o Seu poder, glória e majestade, na Sua Humanidade, na Sua Alma e na Sua Divindade (Cf. Catecismo da Igreja Católica, nº 1374). Assim prometeu ficar connosco até ao fim dos séculos. Este é o “Mistério dos Mistérios”, o Mistério da Fé, que o sacerdote proclama logo a seguir à Elevação. Acreditamos que é assim? Então é o momento de o  proclamar a nós e aos outros…ali na missa  e na prática da vida. Nós não vemos lá os Anjos, mas eles estão lá, em permanente adoração onde houver uma Hóstia consagrada. Como nós não deturpamos as Palavras de Cristo nem as suas intenções nem aquilo que a Igreja nos ensina, não vamos pensar e muito menos dizer ou ensinar que Cristo está no pão, à maneira de um hamburger numa sanduíche, pois isso é grosseira heresia, a que se dá o nome de empanação, mesmo que saia da boca de quem nunca deveria sair.

Fortaleça a sua Fé na Eucaristia, recitando com alma e convicção aquela fórmula que o Anjo ensinou aos Pastorinhos de Fátima :” Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam. Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da Terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores”.  Logo após a Consagração deixe que do mais profundo da sua alma saia este monumento à Fé Eucarística: “Meu Senhor e meu Deus!”, proclamado pela primeira vez por S. Tomé. Que Deus é o nosso que está sempre entre nós e se faz nosso alimento e que criatura é o homem para se alimentar do próprio Deus? Mistério do seu Infinito Amor por nós!

Posto isto, a nossa Fé na Eucaristia terá que dar faíscas, sinal de que há lá energia. Como vamos fazer as genuflexões, como vamos comportar-nos na igreja, como nos preparamos para a Comunhão, como A recebemos?  Como damos graças? Vamos em pecado grave ou com muitos pecados leves? Se pertence ao sexo feminino… vai semi-vestida ( ou semi-despida), decotada, braços nus e costas semi-nuas?  Aplica-se a todos o que S. Paulo diz na sua 1ª Epístola aos Coríntios:  “ Quem come e bebe o Corpo do Senhor indignamente ( em pecado grave), come e bebe a sua própria condenação, não discernindo o Corpo do Senhor. Examine-se pois cada um a si próprio…”( 1 Cor 11, 23-32).

Deus é pureza absoluta , por isso, exige que quem comunga o faça  no estado mais puro possível, pelo menos sem consciência de pecado grave. Sentindo-se em pecado grave…não se mexa do lugar. Comete outro pecado se for comungar. Para o caso de pecados veniais e faltas mais leves aconselha-se antes a recitação do Acto de Contrição ( Arrependimento) bem sentido lá no fundo do coração. A própria Comunhão apaga faltas menos graves. Para pecados graves exige-se a Confissão sacramental e a correcção do estado de pecado contínuo  e/ou público.

Acha que de Deus pode vir hepatite C ou Sida? Se não acha, comungue na língua.  João Paulo II não dava a ninguém a Comunhão na mão e  Bento XVI dáva-A na língua a comungantes de joelhos. Era assim que se fazia antes do Vaticano II e assim deveria voltar a fazer-se. Nenhum dos contra argumentos é válido, por não estar de acordo com a presença real de Cristo na Eucaristia. Só que estas coisas têm de partir de cima para baixo…

Quanto ao momento da Comunhão, faço-lhe uma proposta: Observe a fila da Comunhão e compare-a com uma fila do pão em qualquer padaria. Nota alguma diferença? Eu ajudo! Na fila do pão… as pessoas vão avançando…de pé.…chega a sua vez,… pedem o que querem,… recebem com as mãos, seguram, pagam, algumas comem logo ali um papo-seco ou arrancam um bocado…e vão-se embora. Na fila da Comunhão  fazem o mesmo…só não pagam….e algumas até levam para casa… para bruxarias ou para vender…para missas negras. Então, as pessoas da fila da Comunhão mostram a alguém que acreditam naquilo que vão fazer? Acreditam mesmo que vão receber o Corpo de Cristo? Por acaso fazem um gesto de Adoração ajoelhando, fazendo uma genuflexão bem feita, uma vénia profunda (para os que já pertencem à brigada do reumático ou outra deficiência física…), recebem o Senhor na língua? Na fila do pão vemos meninas, jovens, senhoras  curtamente vestidas…como é próprio de um ambiente profano, mas vemos algumas indignamente vestidas nas liturgias dominicais, na fila da Comunhão, na administração dos Sacramentos do Baptismo, do Crisma, da Eucaristia, do Matrimónio. Então? Como provam, a eles (elas) e aos outros, que acreditam? Como testemunham que a sua fila não é a fila de uma padaria? Estas atitudes pertencem ao grupo das indiferenças, faltas de sensibilidade e delicadeza, que magoam, ferem, hostilizam Deus, por falta de respeito, evidente falta de Fé, exibicionismo de vaidade pecaminosa… e muito mais.

Assunto para meditar!

Leituras aconselhadas:  O Milagre de Lanciano ( procure nas livrarias ou no Google)

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Ezequiel Miguel

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