Salmo 99 (100) – Nós somos o Povo do Senhor

Exultai, povos todos, em honra do Senhor,

servi o Senhor com cânticos de alegria,

vinde até Ele com jubiloso louvor,

cantai-Lhe salmos e hinos dia após dia.

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Lembrai-vos que Ele é o nosso Deus e Senhor,

Ele nos constituiu ovelhas do Seu rebanho;

nós somos Seus, por ser Ele o nosso Criador,

o Seu povo, cada um Sua ovelha ou anho.

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Nós somos a Sua Grei, Ele o nosso Pastor,

pelas portas do Seu Templo santo entrai,

penetrai em Seus átrios ao som do louvor,

bendizei-O! O Seu Nome glorificai!

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O Senhor é infinitamente bondoso,

porque perene é a Sua clemência,

de geração em geração misericordioso,

a Sua fidelidade não tem concorrência.

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Ezequiel Miguel

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Aclamai a Deus Terra inteira

ACLAMAI A DEUS TERRA INTEIRA

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Você sabe o que é a Missa? – I

Muitos responderão, primeiro que tudo e antes de mais nada: “ É uma seca”! Mas quero aqui demonstrar-lhe que não é! Se houver uma seca, será na mente, na vida  e na atitude de quem vai à missa por ir, porque tem de ir, porque sempre foi, porque fica mal não ir, porque, se não for, causa problemas a si próprio, porque faz parte das festas, porque se anda em qualquer Movimento da Igreja e…tem de ser, porque, indo à missa, se poderá esconder uma vida de pecado, porque se tem de mostrar aos outros que se vai,  porque é necessário deitar aos outros poeira nos olhos, para que eles não desconfiem de certos comportamentos pecaminosos, porque o Padre diz uma missa gira, onde se batem palmas e se cantam coisas modernas, porque,…porque,…

Fica já assente que ninguém, a não ser Deus, compreende na totalidade o que é a Missa, nem mesmo os Santos do paraíso e os Anjos, daqueles de hierarquia mais baixa até aos Querubins e Serafins, que pertencem às hierarquias mais elevadas.

Mas isso não nos impede de saber e compreender minimamente o que é a Missa, tanto quanto a inteligência humana é capaz de abarcar e assimilar e tanto quanto alguém nos consegue fazer ver as coisas, sem deturpar nada e sem torcer ou retorcer.

Diz a Igreja no Catecismo da Igreja Católica, nº 1323: “O nosso Salvador instituiu, na Última Ceia, na noite em que foi entregue, o Sacrifício Eucarístico do Seu Corpo e Sangue, para perpetuar, pelo decorrer dos séculos, até voltar, o Sacrifício da Cruz, confiando à Igreja, Sua Esposa amada, o Memorial da Sua Morte e Ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal em que se recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é concedido o penhor da glória futura.” (SC 47)

Sacrifício Eucarístico – É outra expressão para designar a Missa, designando-se também por Santo Sacrifício, Banquete do Senhor, Fracção do Pão, Assembleia Eucarística, Memorial da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, Sagrada Liturgia, Santa Liturgia, Comunhão, Santa Missa, Santos Mistérios, Ceia do Senhor, Eucaristia. Cada um destes nomes exprime a faceta que se quer realçar quando se fala ou escreve a respeito da Missa. Porque se lhe chama “Sacrifício”? Temos que voltar atrás no tempo! Antes de Cristo foi dada ao povo Hebreu, através de Moisés, a Lei a que chamamos a Lei de Moisés, a Lei do ( Monte) Sinai, que é uma montanha que faz parte do Monte Horeb, no deserto entre o Egipto e o actual Israel. Essa Lei, que vai de Moisés até Jesus Cristo, abarca cerca 2.000  anos e está expressa na Bíblia, assim como as pessoas e os episódios que lhe estão associados. A Lei não era da autoria de Moisés, mas é da autoria do próprio Deus-Pai, ficando Moisés a autoridade máxima e o Guardião da Lei, enquanto viveu. Encontra tudo isto nos livros da Bíblia: Êxodo, Levítico, Números e Deuteronómio..

Após 400 anos de escravatura no Egipto, cerca do ano 1250 A.C., Deus chamou Moisés e seu irmão Aarão para comandar a libertação do povo hebreu, o que aconteceu após o Faraó ter finalmente autorizado a saída, vergado pelas 10 Pragas do Egipto. Na última noite da escravidão foi dada a Moisés a mensagem que ordenava:  Todas as famílias deveriam comer um cordeiro de um ano,  sem defeito, sem se lhe partir qualquer osso e recolher o sangue para com ele pintar  as soleiras  e o dintel das portas com o seu sangue. Dessa refeição faziam parte o pão ázimo (sem fermento), o vinho e ervas amargas, para lembrar o amargor da escravidão. Naquela noite um Anjo passaria (e passou) em frente de todas as portas de entrada das casas do Egipto. Aquelas que estivessem assinaladas com o sangue do cordeiro seriam poupadas, nas outras haveria dor e lágrimas para chorar a morte de todos os varões primogénitos do Egipto e ainda os primogénitos dos animais. E assim aconteceu. Era a Páscoa, a Passagem da escravatura à liberdade. E Deus ordenou que esta Páscoa (Passagem) se comemorasse de geração em geração.

Uma vez passado o Mar Vermelho, os hebreus acamparam na base do Monte Sinai e no alto deste monte foi dado aos homens o Decálogo, que traduzimos por Os Dez Mandamentos. Á medida que a travessia do deserto prosseguia, Moisés, inspirado por Deus, foi legislando e acompanhando de perto a vida do seu povo, lançando as bases da convivência com leis civis, leis militares e leis religiosas para presidir ao culto que o próprio Deus instituía. É aqui que entram em cena os sacrifícios (mortes) de animais, os quais  não deveriam ter defeitos, porque eram oferecidos a Deus. Os animais  eram colocados sobre  uma pira de lenha, onde ardiam até serem totalmente consumidos, após serem mortos e se ter recolhido o seu sangue para com ele aspergir o altar e também o povo, depois de convidado ao arrependimento. A vítima substituía a pessoa que oferecia o sacrifício. Era assim que se fazia um sacrifício, o qual incluía sempre  a oferta de um animal (vítima) ou de produtos da terra (oferenda). A finalidade dos sacrifícios poderia ser uma ou mais  das seguintes:  louvar a Deus, agradecer, pedir, interceder para pedir perdão e expiar pelos pecados da pessoa ou do povo em geral e desagravar Deus pela ofensas recebidas (Reparação). A vítima acabava sempre destruída, para significar que Deus é o Senhor de tudo e de todos e para que ninguém fosse servir-se de uma coisa que tinha sido oferecida a Deus.

Há quem leia o Antigo Testamento e diga que não percebe nada daquilo. Convém saber que no Antigo Testamento está o anúncio do Novo, tanto em acontecimentos, como em pessoas, factos,  profecias e Lei de Deus. Estão no Antigo Testamento as referências ao sacerdócio, às vestes sacerdotais, ao culto, ao pecado, às  figuras da Virgem Maria, de João Baptista, da Igreja, de Jesus Cristo e Seu nascimento, pregação do Reino, Sacramentos, instituição da Eucaristia, da Missa, Paixão, Morte e Ressurreição. Na parte que agora nos interessa, João Baptista anunciou O Messias dizendo:” Eis o Cordeiro de Deus, Aquele que tira os pecados do mundo”. O Apocalipse trata Jesus Cristo como “o Cordeiro”, sentado num trono à direita do Pai e abrindo o Livro onde estão inscritos os eleitos que lavaram (e vão lavando) as suas vestes no Sangue do Cordeiro. O que quer isto dizer? Foi pelo derramamento do Sangue de Cristo (o Cordeiro), em consequência da sua imolação como Vítima, que Jesus Cristo instituiu os Sacramentos, dos quais os eleitos do Paraíso aproveitaram para lavar as suas vestes ( almas) e outros continuarão a fazer o mesmo. As vestes foram, são e serão lavadas pelo Baptismo, pela Penitência (Confissão), pela Eucaristia, pelo martírio, por um acto de arrependimento perfeito (contrição), seguida de Confissão sacramental, para quem seja obrigado a isso e o possa fazer.

O Cordeiro (Cristo) é imolado, oferecido no Calvário ao Pai como Vítima santa, imaculada, sem defeito, sem mancha, exactamente para morrer em vez de todos os homens e expiar por eles a dívida contraída em consequência do pecado original e de todos os outros pecados que já se tinham feito, que se faziam, que se  fazem hoje e se farão até ao fim do mundo.Esse Sacrifício ( morte violenta de Cristo-Vítima)  ocorrido no Calvário fez-se uma só vez, de uma maneira cruenta, mas ele continua a realizar-se, agora de maneira incruenta, mística, invisível, quase incompreensível, mas verdadeira, num outro plano que nos ultrapassa.

E chegámos à Missa!  Já terá ouvido dizer àqueles que não vão à missa, que já a deixaram ou que nunca a aceitaram, que a Missa foi inventada pelos padres para arranjarem dinheiro. Isto tem a cor de uma blasfémia, de uma insolência, de uma  crassa ignorância, de um inqualificável atrevimento, de um insulto, de um desprezo… Todos os demónios sabem aquilo que essas pessoas não querem saber! Vamos distinguir entre Missa e Eucaristia.

A Eucaristia (transformação da pão e do vinho no Corpo de Cristo, fenómeno a que se dá o nome de Transubstanciação) realiza-se dentro da Missa e foi o próprio Cristo, na Última Ceia, que realizou ambas e ordenou aos Apóstolos que fizessem o mesmo. Antes disso, porém, ordenou-os Bispos e eles ordenaram sacerdotes e bispos até aos tempos de hoje. Assim, qualquer bispo da Igreja Católica validamente ordenado faz parte de uma cadeia que vai até um dos Apóstolos presentes na Última Ceia.

A Missa contém várias partes, sendo a primeira apenas preparatória e catequética, onde se convida ao arrependimento dos pecados e ao pedido de perdão a Deus, constando dela o” Kyrie    eleison” (Senhor, tende piedade de nós), as leituras, o Salmo responsorial, o Glória, a Homilia, o Credo. A esta primeira parte chama(va)-se a Missa dos Catecúmenos. A partir daí começa a 2ª parte, com uma série de orações que vão subindo de intensidade até chegar à Consagração, cujas palavras (as mesmas de Cristo) realizam o que significam: “…Tomai e comei ; isto é o meu Corpo, que vai ser entregue por vós! …Tomai e bebei, isto é o Meu Sangue, que vai ser derramado por vós para remissão dos pecados!…Fazei isto em memória de Mim!” Após estas palavras, o sacerdote eleva a Hóstia e o Cálice e, se ele foi  validamente ordenado e teve a intenção de fazer o que faz a Igreja, acontece a Eucaristia, o Santíssimo Sacramento,  a Hóstia Santa, Imaculada, o Corpo de Cristo, o Cordeiro Imaculado, o Cristo total em Corpo, Alma e Divindade, tão real e perfeitamente como está no Céu! É o Mistério sacrossanto, o  Mistério inefável (inexprimível), o Mistério dos Mistérios, o Mistério da Fé! O ritual da Missa prossegue com a 3ª parte até ao fim, passando pelo momento da Comunhão e Acção de Graças. À Comunhão  só deve ir quem estiver devidamente preparado. Assim se satisfaz a ordem, o mandamento, o convite, a oferta de Cristo e se cumprem as profecias que Ele fizera e que constam do capítulo 6 do Evangelho de S. João: “ A minha carne é verdadeira comida e o meu Sangue é verdadeira bebida…  Quem come a Minha carne e bebe o Meu Sangue tem a Vida Eterna …Eu sou o Pão vivo descido do Céu…”, etc. Parte-se do princípio que as pessoas que vão comungar o fazem na graça de Deus, sem pecado grave, em situações conformes às leis de Deus e da Igreja. Em situações de casamento civil, de vida com amantes, de uniões de facto, de divórcio partilhado com outra pessoa que não o cônjuge, homossexualidade, adopção de seitas,…ou de qualquer pecado grave,  pessoas não baptizadas, etc., não deverão apresentar-se à Comunhão. Em conclusão, todos aqueles que não estejam em união plena com a Igreja e com tudo o que ela propõe, defende e ensina. Se o fizerem, cometem um sacrilégio e, segundo S. Paulo, “comem e bebem a própria condenação”.

Então, a Missa tem três  facetas e funções importantíssimas que definem o que realmente ela é.  1ª – Porque Cristo disse: “Fazei isto em memória de Mim”, a Missa é o Memorial da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, isto é, a Comemoração de um acontecimento grandioso, à semelhança daquela Páscoa Hebraica em que se deu a libertação da escravidão do Egipto; – Esta faceta é absolutamente misteriosa, desenvolvida no nível místico, não visível aos nossos olhos e consiste nisto: Repete-se totalmente o drama do Calvário, com a Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, o Qual se oferece de novo ao Pai como Vítima expiatória pelos pecados dos homens. 3ª – As Hóstias consagradas na Missa servem para a Comunhão do Celebrante e dos fiéis, mas também para ficarem presentes  no Sacrário, onde Cristo espera por Adoração Eucarística e também para serem levadas  aos moribundos e outros doentes incapacitados de se deslocarem à igreja. É aqui que está o outro grande Mistério e eis porque cada Missa é simultaneamente as três coisas: Memorial  (Aniversário, Comemoração), Repetição ao vivo, embora invisível, e Presença de Cristo. Posto isto, vem a pergunta: Será isto uma “seca”? Se houver uma “seca”, será da parte de quem está presente sem saber bem o que está ali a fazer e porquê! Esses serão a grande maioria, por falta de catequese profunda sobre estes mistérios. Daí,  o convite que lhe faço de se esclarecer, lendo e relendo o que aqui deixo escrito.

Também é caso para perguntar, perante tantas novidades e abusos que se cometem por todo o lado, até nas coisas mais santas e sagradas, se, estando nós presentes na Crucifixão e Morte de Cristo, nos atreveríamos a cantar canções religiosas, bater palmas, tocar umas guitarradas, cantar umas músicas de espantar pássaros, desatar para ali a dançar e a beijocar! Não acredito que os Anjos, presentes em todas as Missas, o façam! Então, o que se aconselha? O cântico litúrgico, as músicas aprovadas, as letras aprovadas e se possível retiradas dos Salmos,  hinos bíblicos ou outros propostos pela Igreja, instrumentos aprovados,… para que não se confunda a Missa com qualquer festival da canção religiosa. Requerem-se ainda atitudes de concentração, devoção e máximo respeito pelo maior acontecimento que se realiza sobre a Terra: a Missa!

Posto isto, aqui vai uma definição resumida  do que é a Missa: A Missa  é o Sacrifício (Morte com derramamento de Sangue) do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo que, sob as espécies do pão e do vinho, é oferecido pelo sacerdote a Deus no altar, em memória e renovação do Sacrifício da Cruz ocorrido no Calvário.

Definição de Eucaristia: A Eucaristia é o sacramento que, sob as aparências do pão e do vinho, contém realmente o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo para alimento das almas.

Não há Missa sem Sacerdote e sem Eucaristia e ambas somente se realizam através de um Sacerdote validamente ordenado, tendo ele a intenção de fazer o que faz a Igreja Católica. Por isso, a cerimónia semelhante oferecida por seitas protestantes, nomeadamente as evangélicas, não é Missa nem Eucaristia, por muito parecidas que sejam, sendo antes um arremedo, uma paródia, um atrevimento, tudo blasfemo, de algo sagrado acima de tudo o que é sagrado. Eles pretendem comemorar a Última Ceia de Cristo, mas ignoram (ou rejeitam) que essa Ceia não foi simplesmente um jantar para despedida de alguém que vai partir. Foi muito mais do que isso, infinitamente mais!

Qual a função do Sacerdote? O verdadeiro e único Sacerdote aqui é Jesus Cristo, que também é a Vítima, por isso, é Ele mesmo que, como Sumo Sacerdote e Vítima, se oferece ao Pai, através de um intermediário humano, que é o Sacerdote, Ministro de Deus, por desempenhar funções em nome de Jesus Cristo.

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Ezequiel Miguel

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