JESUS É PRESO ( Cf. Jo 18,1-10)

Verdadeiramente Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e suportou as nossas dores (Is 53,4-5)

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(Realidade e ficção)

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JesuspresoNa última Ceia de Jesus com os seus apóstolos, Judas, a certa altura, levantou-se e preparou-se para abandonar o Cenáculo, deixando os outros intrigados, cada qual perguntando o que ele iria fazer sozinho àquela hora da noite.

Somente Jesus sabia o que ele ia fazer, por isso lhe disse. “O que tens a fazer, fá-lo depressa”(Jo 13, 27). Jesus terá dito isto na tentativa de relembrar a Judas que Ele sabia tudo e na esperança de que Judas não desse o passo que ia dar. Mas Judas já tinha assinado compromissos que de modo algum podia quebrar, até porque estava em jogo, além do mais, receber o pagamento de trinta dinheiros, contratado entre ele e o Sinédrio. Chegara a hora, há muito esperada pelos membros do Sinédrio, para prender Jesus nas condições ideais, isto é, de noite, como sempre quiseram, e longe das vistas das multidões, garantindo assim a ausência de qualquer rebelião pelo povo ou pelos discípulos de Jesus, espalhados por todo o lado.

Com passo apressado, manto na cabeça, olhos faiscando ódio, raiva, vingança,… Judas atravessou a cidade até ao Templo, onde estava reunido o Sinédrio, à espera que ele chegasse com a informação que precisavam. A expectativa era grande e os preparativos também. E Judas chegou, finalmente.

Judas – Finalmente! … Cá estou! Falta pouco para o podermos apanhar. Eu sei para onde Ele vai depois da Ceia, que ainda decorre.  Eles vão para o Horto das Oliveiras. Eu ouvi-lhe dizer que ia para lá orar. Eu conheço esse sítio, um lugar isolado, protegido por oliveiras e rochedos, convidativo à oração, onde outras vezes Ele parava para orar naquela solidão. Por isso, daqui a duas horas…é a hora ideal. Preparai 50 soldados e outros, todos armados com espadas, lanças, lanternas e varapaus! Levai também cordas, para o amarrardes!

Caifás –  Para quê tanta gente? Não chegam uns vinte? Ele e os discípulos são uns treze e não me parece que tenham instrução militar ou armas de combate!

Judas – É melhor levar mais gente. É certo que Ele disse um dia que era Ele que dava a Sua vida quando quisesse e que ninguém lha tirava sem Ele o querer, mas…nunca se sabe! Bem vistas as coisas, Ele, se quiser, tanto se livra de um como de mil…Mas, se chegou a sua hora, Ele entrega-se voluntariamente.

Anás – Sendo assim, repetimos a pergunta: Para quê tanta gente?

Judas – É mais por prudência humana, para acautelar qualquer reacção imprevista dos outros que estão com Ele. Agora, pergunto eu? Já me podeis pagar pelo serviço?

Caifás – Ainda não! Não é por desconfiarmos de ti, mas combinámos que seria depois de todo o serviço feito. Ora, ainda não está tudo feito. Falta até o principal: prendê-lo e trazê-lo aqui.

Judas – Bem! Então, combinamos assim: Eu irei à frente dos 50 soldados e de todos os outros que se incorporarem. Precisamos de archotes, lanternas, cordas, espadas e lanças, além de simples varapaus. Nunca se sabe!… Irão todos atrás de mim e aqueles que tiverem mantos devem cobrir-se com eles, deixando apenas os olhos visíveis. Caminharemos em silêncio, para não levantar suspeitas e, a um sinal meu, todos devem parar sem perguntar porquê! O êxito da operação assim o exige.

Capitão – Como saberemos que é Ele? Como o distinguiremos dos outros?

Judas – Não te preocupes com isso! Ele é o único que é mais alto do que eu e, mesmo coberto com o manto, eu sei distingui-lo. Quando me virdes aproximar Dele, eu dar-lhe-ei um beijo na face direita.

Capitão – E Ele vai deixar, sem reagir?

Judas – Vai, porque esta é a hora que ele escolheu e para a qual se preparou a si e aos outros. Bate tudo certo com os meus planos.

Capitão – E se os discípulos reagirem com armas?

Judas – Não tenhas receio! Ele não os deixará usá-las, porque Ele nunca exerceu violência contra ninguém, nem sequer contra aqueles que o maltrataram. Ele é um rei de paz. Eu muitas vezes me irritei contra Ele por se deixar agredir e recusar defender-se. Uma vez até lhe pedimos que mandasse vir fogo do Céu quando nos apedrejaram. Ele só disse:  “Não sabeis o que pedis”! Atenção ao que vou dizer! Quando chegarmos, vós parai todos a certa distância e só eu é que avanço, desarmado, para não provocar nenhuma reacção dos outros. Vós só reagireis se eu der sinal para isso. Eu conheço-os todos, um por um, e Ele ensinou-os a serem pacíficos como Ele. Por isso, tudo vai correr bem!

Capitão – E só o prendemos a Ele? Que fazemos com os outros que estiverem com Ele?

Judas – O meu contrato só diz respeito a Ele. Com  os outros, é lá convosco! Lavo daí as minhas mãos!

Tudo bem combinado, a tropa fandanga põe-se a caminho, orientada por Judas. Entretanto, quando o bando armado já ia  perto do Horto:

Jesus – Pedro, Tiago, João, acordai! Não fostes capazes de vigiar uma hora comigo! Agora, já não é possível. Chegou a hora! Já vem perto o Judas com uma escolta para Me prender. Levantai-vos e vamos!

Pedro – O quê, Mestre? É mesmo a sério? Nós vamos defender-Te, custe o que custar. Desse traidor do Judas encarrego-me eu! Deixai-o por minha conta!

Jesus – Pedro, Eu nunca usei armas e não vão ser as armas a impedir-Me de cumprir a vontade do Pai. Essa espada que trazes aí escondida não servirá para me defenderes e os punhais que os vossos mantos escondem também não irão ser usados. Esta é a hora das Trevas Infernais e elas agirão sobre Mim e sobre vós! Vós não tenhais receio, mas não conteis comigo! Cada um agirá por si e ficará sem saber bem o que fazer!

 Pedro –  Mestre, afinal o Judas saiu do Cenáculo para preparar o que vai seguir-se! E Tu sabias, mas não o impediste nem nos disseste nada!

Jesus – Não, Simão de Jonas! Eu respeito a liberdade dele, assim como respeito a vossa de Me abandonardes ou de vos manterdes fiéis a todo o custo. Mas são apenas três dias! Depois, será como Eu já vos anunciei. Lembrais-vos de Eu ter falado no profeta Jonas, que esteve três dias no ventre da baleia? Comigo vai passar-se algo semelhante. O vosso Mestre passará três dias no ventre da terra. Depois, ressuscitará e ficará vivo para sempre.

João – Pois é, Mestre! Mas isto vai custar muito a passar, não só a Ti, mas também a nós!

Jesus – Lembrais-vos do que dizem as Escrituras: “Ferirei o Pastor e as ovelhas se dispersarão”? (Mt 26, 31). Depois, o Pastor e as ovelhas voltarão a reunir-se. Escutai!…Já vêm perto. Vamos nós ao encontro deles! Recebê-los-emos em silêncio…Vós arredai-vos aí a esse canto. É a Mim que eles procuram!

Judas – (Aproximando-se de Jesus) – Salve, Mestre! Eu Te saúdo em nome de todos estes que vêm comigo. Tu sabes para o que vimos!  (Beija-O na face direita)

Jesus –  (Olhando Judas nos olhos) Amigo, a que vieste? Com um beijo Me trais?

Judas – Mestre, tem de ser, para se cumprirem outras escrituras a Teu respeito, as escrituras escritas pelos teus inimigos do Templo! (Risada de Judas e da horda que o acompanha). Vais ter oportunidade de os converter à Tua doutrina. Mostra-lhes o que vales! (Risada geral).

Jesus – E vós, a quem procurais?

Capitão – Procuramos Jesus de Nazaré!

Jesus – Sou eu! ( E todos eles recuam e caem por terra, mantendo-se caídos até que Cristo lhes permite levantarem-se). Já podeis levantar-vos! Pergunto novamente: A quem procurais?

Capitão – A Jesus de Nazaré!

Jesus – Já vos disse que sou Eu! Se é a Mim que procurais, levai-me a Mim, mas deixai ir estes em paz! Deixai as espadas e os varapaus! Eu não sou nenhum ladrão nem nenhum criminoso. Estive sempre entre vós e não Me prendestes. Porque Me prendeis agora? É que esta é a vossa hora e a hora de Satanás…

Pedro – (Puxando pela espada) Alto aí! Tu, que estás aí a preparar as cordas, toma lá!..E ficas a saber o que valemos!

A sorte do servo de Caifás, de nome Malco,  foi a falta de agilidade e destreza de Pedro em manejar a espada, de contrário, em vez da orelha seria a cabeça a ficar pendurada  por um fio.

Jesus – Simão de Jonas (Pedro), mete a espada na bainha, porque quem com ferro mata, com ferro morre! Julgais vós que, se Eu quisesse, o Pai não Me enviaria cinco legiões de anjos para Me defenderem?  Acaso deixarei Eu de beber o cálice que o Pai Me deu? Por isso, guardai as vossas armas, porque não são necessárias! (E cola a orelha do servo Malco). E vós, que viestes para prender-Me, aqui Me tendes à vossa disposição! (Estende as mãos, enquanto um soldado começa a enrolar-lhe uma corda). Segue-se uma gritaria desesperada e desordenada e muito choro  e protestos por parte dos Apóstolos:

1º Apóstolo – O quê? Tu estás doido! Porque Te deixas prender?

2º Apóstolo – Tu traíste-nos! O que vai ser de nós?

Apóstolo – Quem é que pode acreditar em Ti?

4º Apóstolo –  Estragaste as nossas vidas!

5º Apóstolo – Convidaste-nos para isto!

6º Apóstolo – Não há outro modo de cumprir as Escrituras?

7º Apóstolo – Mandas aos ventos e aos mares e deixas-Te prender por esses farrapeiros!

8º Apóstolo – E nem nos deixas combater a Teu favor?

9º Apóstolo – Fulmina-os a todos com fogo do céu! Não Te entregues assim!

Pedro – Reduz a cinzas esse Satanás do Judas! Amigos, vamos liquidar esse traidor!… Todos a ele!…

E correm todos atrás do Judas, que, conhecendo bem o terreno e tirando proveito do luar da noite, se esgueira pelo monte abaixo, atravessa a torrente do Cedron e encontra alguma segurança nas ruelas escuras de Jerusalém, conseguindo escapar às pedradas e pauladas que lhe estavam reservadas. Entretanto, Jesus era manietado e conduzido da maneira mais humilhante até aos palácios de Anás e Caifás. Pelo caminho, Jesus aguentou insultos, pedradas, quedas, tropeções, empurrões, puxões… Depois de passar por Anás e Caifás, onde foi condenado à morte, foi levado sucessivamente ao  pretório de Pilatos, ao palácio de Herodes, regressando  novamente a Pilatos, sob cujas ordens foi flagelado, condenado à morte e executado. Os apóstolos que não foram em perseguição de Judas foram tomados de pânico  e fugiram quando alguém gritou: “Prendam também esses galileus!” Um deles, envolto num lençol, escapou de ser preso graças ao lençol em que se embrulhava, que deixou nas mãos do perseguidor, ficando nu (Mc 14, 51-52) Pensa-se que terá sido João.

 Foi a última vez que os apóstolos, no seu conjunto, viram Judas, pois, como se sabe, ele enforcou-se, após a crucifixão de Jesus. Disfarçado e coberto com o manto, conseguiu passar anónimo, chegando mesmo a ver, de longe, Cristo crucificado entre os dois ladrões. Foi após esta visão que resolveu suicidar-se. Mas antes, conseguiu entrar em contacto com o Sinédrio, que lhe pagou os trinta dinheiros do contrato. Depois, vagueou de um lado para o outro no sentido de se inteirar dos acontecimentos em que o Mestre se via envolvido. Sem dar nas vistas, foi sabendo o que ia acontecendo e à medida que as coisas se agravavam para o Mestre, também os remorsos iam tomando conta dele e aumentando de intensidade. Já meio desvairado e roído pelo remorso e pelo arrependimento, dirigiu-se ao Templo, para acertar as contas com os príncipes dos sacerdotes, com os quais tinha feito o contrato de lhes entregar Jesus.

Judas – Olhai lá, vós, ó malditos! Aqui tendes o vosso maldito dinheiro! É um dinheiro de traição, de vileza, de assassínio, de crime, de sangue. Pagastes-me para isto e eu deixei-me levar. (Atirando com as moedas ao chão, que se espalharam e retiniram aos ouvidos dos presentes). Não quero este dinheiro! Que ele vos queime o corpo e a alma pelos séculos dos séculos. Entreguei à morte o sangue inocente do Justo! Agora, já tendes o que queríeis e quase de graça! Desgraçados de vós e de mim, servos todos de Satanás! Estudastes tanto as Escrituras e não fostes capazes de reconhecer Nele o Messias há tantos séculos profetizado. Sois uns cegos, de uma cultura balofa, de uma vida corrupta. Bem fez Ele ao chamar-vos hipócritas, sepulcros caiados, ladrões da glória do Altíssimo, filhos de assassinos e assassinos como eu! (Chora)

Anás –  Já acabaste? Tu é que és o ladrão, o traidor, o assassino, o hipócrita, o espião …que te deixaste vender por uns míseros trinta dinheiros que mal dão para esfolar um coelho! A tua ganância levou-te a isso e fez-te submeter ao mais humilhante serviço que se pode pedir a um homem decente! Apanha o teu dinheiro, se o quiseres, e desaparece da nossa vista! Já te pagámos e agora não queremos mais nada contigo. Desaparece e não nos chateies mais!

Judas – Mas vós prometestes-me emprego no Templo e a glória de ter salvo Israel de uma ameaça que pairava sobre o nosso povo. Onde estão as vossas promessas?

Caifás – Aos tolos promete-se tudo aquilo em que eles acreditam. E eles aceitam precisamente porque são tolos e cegos. A ambição subiu-te à cabeça, elevou-te nos ares e agora caíste de cabeça para baixo. Quanto a esse dinheiro da tua  miserável traição, ele é um dinheiro maldito que nem sequer pode dar entrada nos cofres do Templo. Servirá para comprar o campo do oleiro que tu conheces. Lá enterraremos os estrangeiros e os criminosos  como tu, aqueles que derramaram o sangue de outros. Será o Campo de Sangue. E agora, vai-te! Ele não disse que ressuscitaria ao 3º dia? Espera por Ele, vai ter com Ele!…Depois, vem contar-nos como foi o teu encontro com ele! (Risadas)

Humilhado, magoado, ofendido na sua dignidade, frustrado, sem comer nem dormir, tremendo com o medo de dar de frente com os outros discípulos, sobretudo o Pedro, Judas percorria as ruelas mais recônditas de Jerusalém e andava de um lado para o outro sem decidir bem para onde queria ir. Até da própria sombra já tinha medo, porque o turbilhão dos pensamentos e as memórias ainda vivas, e cada vez mais vivas, não lhe permitiam discernir com calma e segurança o que queria ou deveria fazer. De repente, passou a ver inimigos em cada um que passava por si e até os cães já lhe pareciam ser incarnações de Satanás, porque todos eles se tornavam agressivos para com ele, chegando um, por sinal grande e negro, a rasgar-lhe o manto e a ferrar-lhe uma dentada na face direita, exactamente no local que correspondia ao do seu beijo a Jesus.

Observações:

1. Estava Judas realmente arrependido do que tinha feito? É claro que estava! Tinha remorsos do que tinha feito? Também isso é certo. O que lhe faltava? Aquilo que sempre lhe faltou: Um arrependimento sincero, uma promessa firme de emenda, um amor verdadeiro ao Mestre e um pedido humilde de perdão a Jesus. Até lá,  ele deveria ter pedido perdão à Mãe de Jesus, cujo convite para dialogar ele recusou, e aos outros apóstolos, que lho dariam, tal como o deram a Pedro, que negou o Mestre.

2. Isso evitaria que caísse no desespero e alimentasse a ideia de que o Mestre não lhe perdoaria o seu pecado, o que está na origem do seu suicídio. Judas caiu num dos pecados contra o Espírito Santo: a desesperação de Salvação, por julgar Deus incapaz de lhe  perdoar  o que fizera. Ora, sabemos que Deus perdoa qualquer pecado, desde que o pecador reúna as necessárias condições: arrependimento, confissão do pecado e firme promessa de emenda. Este pecado de Judas foi maior e mais grave do que a sua traição ao Mestre. Convém referir que Cristo disse que os pecados contra o Espírito Santo não têm perdão. Explica-se isso, porque o pecador não reconhece esses pecados e, por isso, não se arrepende deles nem pede perdão.

3. Qual dos dois, Pedro e Judas, cometeu  o pecado mais grave? Pedro negou o Mestre e Judas traíu-O. O pecado de Pedro foi menos grave, porque não foi premeditado nem preparado, mas foi repentino, fruto de uma situação inesperada, imprevista. Judas, ao contrário, premeditou, preparou, espiou, trapaceou, fingiu, recebeu dinheiro, contratou com os inimigos de Jesus… Em condições semelhantes até a justiça humana  seria mais severa para Judas do que para Pedro. Se o inferno não existisse naquele tempo, teria sido criado para Judas!

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Ezequiel Miguel

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