Publicado por: Administrador | Março 17, 2019

Última tentativa de Jesus para salvar Judas

(Realidade & Ficção)

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Contrariamente aos outros Apóstolos, Judas não foi directamente chamado por Cristo para integrar o grupo do Colégio Apostólico. Os evangelhos não se referem a nenhum chamamento que lhe tenha sido feito. Como é que ele entrou então?

Judas fora educado no Templo, fazia parte do pessoal do Templo e, no convívio com os doutores, escribas e fariseus estava a par da proximidade da vinda do Messias e então passou a sonhar, após algum contacto com pessoas que ouviram falar de Jesus, integrar o grupo daqueles que andavam a ser seleccionados, ou já tinham sido, para acompanharem o Messias. Terá sido através de um dos apóstolos que ele foi apresentado a Jesus, o Qual lhe deu um prazo para ele pensar melhor e se decidir depois, marcando-se novo encontro com Jesus, que acabou por aceitá-lo, em virtude da insistência de Judas Iscariotes. Os planos secretos de Judas, culto, elegante, moralmente corrupto como aqueles com quem convivia, com visão longínqua e com o sentido da oportunidade, incluíam fazer parte daqueles ministros escolhidos pelo Messias para governar o Povo de Israel, quando Ele restaurasse a independência de Israel, após a derrota e expulsão dos Romanos, que era já uma Província Romana. Com esta mentalidade e com uma ambição humana desmedida e oportunista, nunca se integrou na campanha espiritual de um Rei Espiritual, que ele nunca aceitou e que frequentemente criticava de modo azedo, quando via que Cristo desperdiçava as ocasiões que surgiam para se impor como Rei temporal, deixando passar oportunidades soberanas de preparar a subida ao trono. A prisão e a Paixão de Cristo foi o esboroar de todo o seu plano, ficando dele a raiva e o desespero de uma causa falhada que terminou no suicídio. Para este desfecho contribuiu a sua entrega voluntária a Satanás e a recusa de se converter, mesmo após uma última e desesperada tentativa de Cristo para o salvar.

Judas acaba de chegar junto de Jesus. Ele vem nervoso e com sinais de ter sido agredido por inimigos de Cristo, que o apedrejaram quando ele cumpria uma missão apostólica numa aldeia próxima. A fuga rápida e um esconderijo numa vinha foram a sua salvação.

Judas – ( Abraçando-se lacrimoso a Cristo ) Mestre, se soubesses o que me aconteceu! Iam-me matando à pedrada. Pensei muito em Ti! Ufa, que medo de morrer!

Jesus – Tens sofrido? E tiveste assim tanto medo de morrer? Gostas assim tanto da vida? ( Cristo livra-se do abraço e afasta-o).

Judas – De morrer não tinha assim tanto medo, mas tinha medo de morrer sem que Tu me perdoasses. Mas confesso que tenho medo do Juízo de Deus, que estou sempre a ofender. Eu até ofendo a todos os que andam Contigo, por isso é que eles não gostam de mim!

Jesus – (Pegando-lhe pelo braço e começando a andar) Vês, Judas, como é fácil morrer? Por isso devemos estar sempre preparados, porque a morte surge sem aviso prévio. É preciso estar sempre precavido, não vá ela apanhar-nos quando estamos afastados da amizade de Deus. Não te parece sensato aproveitar a vida para te tornares um justo e mereceres um Juízo favorável de Deus após a morte? Judas, meu amigo, meu apóstolo, meu irmão…, ainda estás a tempo. O Deus misericordioso permitiu esse acontecimento para te alertar e dares uma alegria ao Teu Mestre, que já tem pouco tempo de vida. Dá-me essa grande alegria e converte-te, arrepende-te, faz propósitos sérios de emenda, volta para Deus, que te receberá de braços abertos, como o Pai do filho pródigo!

Judas – Mas  ainda vou a tempo de obter o Teu perdão?

Jesus – Ainda não me conheces bem, apesar de andares há tanto tempo Comigo, mas eu conheço-te profundamente. Tu foste agarrado por um enorme polvo, mas, se quiseres, ainda te poderás livrar dele, embora te causasse algum sofrimento. Depois viria uma grande alegria para ti e para Mim. Tu estás doente e se apareceres diante do Senhor em pecado, como estás, …ai de ti!

Judas – E porque é que não me purificas, então?

Jesus – Um doente que não seja um doente mental ou uma criança faz ele próprio alguma coisa pela sua cura, por sua iniciativa. Por isso eu não te curo. Tu tens uma vontade livre, és dono dela, serve-te dela para te curares e te manteres curado. Eu não posso forçar a tua vontade, pois o Criador criou-te livre para nessa liberdade exerceres a responsabilidade e seres, pelo seu uso ou abuso,  merecedor de prémio ou de castigo. É uma escolha pessoal em que Deus não interfere, porque o homem não é um brinquedo que Deus possa manipular a Seu bel-prazer.

Judas – Quer dizer: tal como sou um brinquedo de Satanás, poderia ser um brinquedo nas mãos de Deus!”

Jesus – Ai Judas! Que coisa horrível acabas de dizer   e como me magoas! Mesmo assim Eu te perdoo.

Judas – Mas tu, que lês os corações, sabes que eu estou preso por Satanás. Eu já não sou livre!

Jesus – Não é bem assim. Tu abriste-lhe as portas do teu coração e fechaste-as ao Pai do Céu, fizeste-te servo de Satanás, em vez de te tornares  filho de Deus. Diz-me: Porque preferiste Satanás a Deus? Ainda estás a tempo de te salvares, porque, como tu sabes,…vou morrer em breve. Os teus conluios com os do Templo já estão acertados sobre a minha sorte. Eu não recuso a morte, porque a minha morte será Vida para muitos, inclusivamente para ti, se quiseres aproveitar. Tu, meu amigo, meu pobre amigo, será que não vais aproveitar?

Judas – Não tenhas ilusões! Será inútil para muitos, por isso farias melhor se fugisses para longe, gozasses a vida, ensinasses a Tua doutrina…mas sem ser necessário morrer!

Jesus – E tu achas que eu iria ensinar o contrário daquilo que prego? Que mestre seria Eu se pregasse a obediência à vontade de Deus e depois não a cumprisse? Eu vim para cumprir a vontade do Pai e cumpri-la-ei até ao fim e tu já sabes qual é esse fim…Foi Satanás que falou por meio de ti, porque ele também não está interessado na Redenção. Tenho vindo a observar a tua evolução…e tenho muita pena de ti. Satanás serve-se de ti para me incomodar, desmotivar, magoar, ofender…No entanto, eu trato-te como uma mãe trata o seu filho doente, não olhando a meios para lhe obter um remédio…Mas tu estás à beira do abismo e nem as minhas orações junto do Pai te conseguem um milagre, porque tu não queres. Judas, olha para Mim, que vou morrer em breve e o meu sangue será derramado pelos pecados dos homens, não ficando dele nem uma gota. Eu, por ti somente, verteria todo o meu sangue, para te salvar. Tu és um amigo meu e os amigos são capazes de dar a vida pelos seus amigos. Não vás a Jerusalém nesta Páscoa. Foge daqueles com quem já combinaste tudo. Se eles não te encontrarem ainda poderás evitar a tua ruína. Eu dispenso-te da obrigação de lá ires, porque Eu também sou o Senhor da Páscoa. Irás lá mais tarde para cumprir o preceito. Eu mesmo te arranjo um esconderijo, para que leves o plano traçado a falhar.

Judas – Não, Mestre , já não posso! Eu estou nas mãos deles e de Satanás. Eu já não sou eu e eles dominam-me por completo.

Jesus – Ainda estás a tempo, mas já por pouco tempo me terás ao teu dispor e pouco tempo para te decidires a tomar a resolução da tua vida. Não há pecados que Deus não possa perdoar, depois de lavados pelo arrependimento e um propósito firme de emenda. Eu te perdoo, Judas, se aceitares o meu perdão. Já sabes que vou morrer e morrerei contente, porque a minha morte vai salvar uma multidão, para me compensar da multidão que se vai condenar, por rejeitar as ofertas do seu Deus. Depois da minha morte desço ao Limbo e levo todos os seus habitantes Comigo, para o Paraíso. E tu, Judas, vais rejeitar o teu lugar no paraíso, vais deixá-lo vazio e preferir a morte eterna no inferno? Aceitas ser amaldiçoado por todas as gerações, por teres traído o teu Mestre? Aceitas que fique para sempre provado e escrito que mataste o teu Mestre, o teu Deus, que tanto te ama, que te aceitou entre os seus escolhidos para seres uma estrela no firmamento do Reino de Deus?

Judas – Falas bem, Mestre, mas eu sei orientar-me e conheço os meandros do Templo. O que eu combinei com eles está combinado e não volto com a palavra atrás! Se voltasse…eles perseguir-me-iam até me matarem e então seríamos dois a morrer!

Jesus – Volta atrás e não tenhas medo, porque o Pai do Céu te protegerá e Eu ainda estou a tempo de te esconder entre os meus amigos. Aceita esta proposta e não vás encontrar-te com eles!

Judas – Não posso, Mestre! Eu errei e agora tenho de pagar pelo mal que fiz e depois…curar-me!

Jesus – Isso é soberba, porque rejeitas a Mão de Deus, que se estende para ti…Preferes confiar em ti…mas há protecções que apenas Deus pode dar. Refugia-te Nele e Satanás não te alcançará mais!

Judas – Pois é! Eu já experimentei andar Contigo e agora vês o resultado: fui descendo, descendo… até bater no fundo. De que me valeu o Teu poder, o teu amor, os teus conselhos, o teu perdão para todas as asneiras que fiz? Enquanto os outros subiam, subiam,…eu afundei-me e Tu não o evitaste!

Jesus – Judas, meu amigo, não digas isso! Deus só ajuda quem quer ser ajudado e dá passos nesse sentido. Tu nunca deste, porque a tua vontade foi sempre indomável e apenas tu és o dono dela. Nem Deus aí interfere. Tu sempre a usaste para o mal e continuas a usar, ainda que seja por pouco tempo…Judas, é a minha última tentativa para te salvar.

Judas – Então também eu aproveito para Te dizer umas coisas de que não vais gostar. E começo por dizer que tu arruinaste toda a minha vida. Sempre esperei que tu, como Messias, viesses para restaurar o Reino de Israel e me escolhesses para a Tua Corte. Em vez disso, recusaste sempre usar o teu enorme poder para conduzir as coisas nesse sentido, dando-nos a nós uma parte desse poder para podermos manobrar. Sempre te interessaste mais em fazer curas, converter meretrizes, semear a tua doutrina entre os pobres e miseráveis, em vez de nos fazer subir na sociedade. Para melhor te seguir até nem pensei em casar.

Jesus – Mas…Judas, sabes muito bem que era melhor teres casado…E também sabes que serviços prestaste a Satanás…Acrescenta a isso as tuas escapadelas às sessões de espiritismo…

Judas – Mas o que é que Tu querias que eu fizesse? Um homem na flor da juventude, bem vestido, culto, bem parecido, elegante… Paguei o meu tributo à masculinidade. Tu não podes compreender estas coisas! Eu não poderia seguir-Te  como se  fosse um anjo…

Jesus – Os outros foram capazes, porque tiveram uma vontade forte e um Amor exclusivo, apaixonado, ao seu Mestre.

Judas – Mas seguir-te com todas essas exigências…não fui capaz! Agora vês o resultado! Eu deixei tudo, aguentei as poeiradas dos caminhos, dormi em palheiros, fui apedrejado, insultado, passei frio, fome, calor, aguentei chuva e a hostilidade daqueles que andam Contigo, que nunca me aceitaram, disfarçando mal a agressividade que sentiam para comigo. Também perdi as funções que exercia no Templo, onde era bem visto e tinha um futuro promissor. Por tua causa perdi tudo, em troca de nada!

Jesus – Judas, o que estava destinado para ti supera tudo o que possas ter perdido  por minha causa. Trabalhares no Reino de Deus, protegido por Ele, e receberes uma recompensa eterna…é o que está destinado aos outros meus Apóstolos e é isso que tu vais perder também. Mas aqui a culpa é tua, que não queres,… porque fizeste outra opção. Eu não te obrigo, mas imploro-te. Se quiseres, eu ajoelho-me a teus pés, para te salvar, mas salva-te. Faz o que Eu te sugiro e não te arrependerás!

Judas – Arrependido estou eu de Te ter seguido! Não ganhei nada com isso e só me resta uma mão cheia de desilusões. Não fizeste nada que me favorecesse e para Israel…também não. Deixas o país entregue aos Romanos, como o encontraste, não resolves a pobreza dos indigentes, não restauras a monarquia…não fizeste nada! Como queres que eu Te dê ouvidos nesta hora em que me uno aos poderosos? Contigo não quero mais nada, porque Tu me desiludiste!

Jesus – Judas, meu amigo, não és tu que falas, mas é Satanás que fala pela tua boca. Ajoelha-te a meus pés, arrependido, pede-me perdão e entrega-me o teu coração para que eu o mergulhe no Meu, que é Amor puro, tanto para justos como para pecadores!

Judas – Não! Chegou a hora da minha vingança e é dela que me alimentarei. Que a História me julgue pela injustiça que me foi feita! Tentarei recuperar alguma coisa, por pequena que seja!

Jesus – Como queiras, Judas. A minha santa Mãe, que por ti tanto fez e rezou, e Eu, passaremos a noite a rezar por ti nesta hora das forças do Mal que te amarram. Se amanhã de manhã não estiveres connosco…é sinal que preferiste seguir o teu plano. De qualquer modo, voltaremos a encontrar-nos…

E Jesus chorou, inconsolável. Às Suas doces lágrimas juntaram-se as maternais lágrimas de Sua Mãe.

Na manhã do dia seguinte Judas não se reuniu a Cristo e aos outros apóstolos, desaparecendo antes que os outros se levantassem. Voltariam a encontrar-se na Última Ceia e depois da Agonia de Jesus no Horto das Oliveiras, onde o seu beijo a Cristo selou todo o processo da  traição (5ª feira santa). Como sabemos dos Evangelhos, a sua vida terminou com o suicídio, por enforcamento, logo no dia seguinte (6ª feira santa), após ter tomado consciência da tragédia em que se envolvera.

Ouve-se frequentemente dizer que Judas não foi culpado, porque já nasceu com um triste destino marcado, determinado (determinismo), a que não poderia fugir. Pensar assim é blasfemo, porque se está acusar Deus de ser injusto, ao criar uma vítima inocente. É bom ter em conta que a Judas foram concedidas as mesmas graças e as mesmas oportunidades na convivência com Cristo. Sabemos que Cristo consumaria a Redenção pelo sofrimento e pela morte, como fora anunciado pelos Profetas. Não seria preciso nenhum Judas a facilitar as coisas, porque o Sinédrio já tinha condenado Jesus à morte, sendo essa morte apenas uma questão de tempo, porque, quando chegasse a hora marcada pelo Pai, Jesus se entregaria voluntariamente aos seus inimigos. Ele confirmou isso quando disse: “A mim ninguém me tira a vida! Sou eu que a dou!”

Também se ouve dizer que Judas não se condenou ao inferno, o que também é arriscado afirmar. Em mais que uma ocasião Cristo deu a entender que se condenaria, nomeadamente em duas passagens dos Evangelhos: “ Graças te dou, ó Pai, porque guardaste estes e somente se perdeu o filho da perdição” (Jo 17, 12); “Ai daquele por quem o Filho do Homem vai ser entregue! Melhor lhe fora não ter nascido!” (Mt 26, 24)

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Ezequiel Miguel


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