Salmo 84 (85) – Oração pela Paz e pela Justiça

Ano B – XV Domingo do Tempo Comum

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Terra

Esta é a Tua terra, Senhor, que abençoaste,

deste novo rumo aos destinos de Jacob,

os pecados do Teu povo já perdoaste

e as suas iniquidades reduziste a pó.

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Já reprimiste todo o Teu justo furor,

a Tua inflamada ira descomprimiste,

volta para nós o Teu Rosto, ó Senhor,

depois que toda a nossa miséria já viste.

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Ficarás para sempre connosco irritado?

Por quanto tempo vai a Tua ira durar?

Não estejas para nós de costas voltado,

dá vida ao Teu povo para em Ti se alegrar.

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Faz com que nossos olhos vejam Teu amor

e não vás recusar-nos a Tua salvação;

ouçamos o que ao Seu povo diz o Senhor

e aos Seus fiéis que se convertem de coração:

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O Senhor deseja a todos de paz falar,

os que O temem têm próxima a salvação,

a Sua glória há-de para sempre habitar

na nossa terra, que os Seus amigos verão.

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O Amor encontrou-se com a Fidelidade,

Paz e Justiça em abraço se pôde ver,

vai germinar da Terra e crescer a Verdade,

a Justiça lá do Céu também vai descer.

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Ainda do que é bom o Senhor lhe vai dar,

fruto abundante a nossa terra há-de produzir,

a Justiça à sua frente irá caminhar

e a Paz o mesmo caminho há-de seguir.

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Ezequiel Miguel

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Aparições da Virgem Maria em Fátima – III

13 de Julho de 1917

O Prior de Fátima, após a 2ª Aparição (Junho), tentara demover a Lúcia de continuar a frequentar a Cova da Iria nos dias 13, porque, não tendo ainda dados que lhe permitissem concluir em definitivo sobre  o que realmente se passava com as ditas Aparições da Virgem Maria, rematou as suas opiniões e conselhos com  a sentença que apontava para uma interferência demoníaca naqueles fenómenos. Ele sabia, e hoje também ainda se sabe, que o demónio é o mestre do engano, do embuste,  da confusão, da mentira, do parecer, do fingir, etc. Os seus métodos e processos ainda não mudaram nem nunca mudarão, porque, embora tenha sido criado direito, a certa altura entortou e não mais se voltará a endireitar.

Em numerosas Aparições verdadeiras, privadas ou públicas, os videntes costumam, em primeiro lugar, dar conta dos fenómenos em que se vêem envolvidos aos seus confessores e directores espirituais, os quais estudam para aprender a discernir quando se trata de algo ou Alguém vindo do Céu ou de algum agente satânico vindo do Inferno. Por norma e por motivos de segurança, a Igreja, através dos sacerdotes e bispos, costuma ser lenta e resistente aos fenómenos de índole sobrenatural, até porque a falta de dados concretos e precisos assim o recomenda. Não é isto motivo para se censurar ou condenar a autoridade eclesiástica que tem a seu cargo ajuizar da veracidade de uma qualquer Aparição. O receio de se cair precipitadamente num juízo errado recomenda muita prudência, e prudência  é o que não falta em casos semelhantes. Além disso, ninguém é obrigado a acreditar em revelações e Aparições particulares, porque isso não faz parte do conjunto das Verdades da Fé. Normalmente, só passados muitos anos, após provas e mais provas é que a Igreja define como verdadeiras algumas, muito poucas, Aparições e revelações particulares. Aqueles que acusam Fátima, por exemplo, de  alguém ter inventado, para fins comerciais, os fenómenos que lá se desenrolaram e desenrolam, não sabem o que dizem e limitam-se pura e simplesmente a caluniar e a despejar ódio sobre Fátima e a Virgem Maria. A Igreja até nem declara santo alguém apenas por ter recebido mensagens do Céu. Isso até nem conta para os processos de beatificação e canonização. O que se passou com Santa Faustina, que foi beatificada e canonizada pela sua santidade e não pelas revelações e mensagens que recebeu de Jesus Cristo, ilustra bem tal procedimento.

Voltemos ao Prior de Fátima e ao seu encontro com a Lúcia. Esta ficara muito desanimada com a sentença final do Sr. Prior:  “ Não me parece que seja Nossa Senhora. Estou mais em crer que será o demónio, por isso, aconselho-te a não voltares à Cova da Iria nesses dias 13”.  Lúcia decidiu então que não voltaria lá, satisfazendo assim o conselho do Sr. Prior, que também encontrava eco na sua própria mãe.

Chegado o dia 13 de Julho, a Lúcia ainda estava renitente, mas à medida que a hora se aproximava, o coração batia mais fortemente e uma força interior quebrou todas as resistências. Dirigiu-se a casa do Francisco e da Jacinta e lá os  encontrou ajoelhados a rezar pela Lúcia.

Lúcia – Então, vocês não vão?

Jacinta – Sem ti nós não nos atrevemos a ir! Anda, vem!

Lúcia – Já cá vou!

Abraços, beijos e saltos de alegria selaram a decisão de Lúcia. E lá foram.

Preocupadas ficaram a D. Olímpia, o Ti Marto e a D. Maria Rosa, que resolveram avançar também um tanto secretamente, para o caso de ser alguma coisa ruim  que pusesse em perigo os seus filhos. Enquanto as mães se esconderam  numa  moita, o Ti Marto atreveu-se a ir até perto da azinheira e ficar mesmo ao lado da sua Jacintica. Assim ele o conta:

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(Do livro: ERA UMA SENHORA  MAIS BRILHANTE QUE O SOL, págs.  113-114)

 Ti Marto (Pai de Francisco e Jacinta) – “Abalei de casa resolvido, desta vez, a ver o que se passava. Quantas vezes tinha eu já dito à comadre Maria Rosa:

– Se o povo diz que estas coisas são invenções dos pais e dos padres, ninguém sabe melhor do que eu e a comadre que isso não é assim. A gente não os puxa e o Sr. Prior…olhem lá…o Sr. Prior então!… Pois ele até está na sua que podem ser coisas do demónio…E  tabulando assim, meti-me à estrada. O que já lá ia de povo!… Eu nem avistei os pequenos, mas pelo jeito que via, de vez em quando, um magote a parar no caminho, futurava que eles iam lá à frente.

Num sentido, mais me convinha vir cá atrás, mas quando cheguei lá abaixo, não me pude ter; o que eu queria era ficar pertinho deles. Mas como? Nem se podia romper. Era o poder do mundo!… A certa altura, dois fulanos, um da Ramila e o outro aqui da terra…fizeram uma roda à volta das crianças, para elas estarem mais à vontade e, ao darem ali comigo, puxam-me por um braço e dizem: “Este é o pai! Entre cá para dentro!” Fiquei mesmo rente com a minha Jacintica. A Lúcia, ajoelhada um pouco mais à frente, passava as contas e todos respondiam em voz alta. Acabado o Terço, levanta-se tão rápida que aquilo não era a força dela. Olha assim para o Nascente e grita: “Fechem os chapéus, fechem os chapéus, que já aí vem Nossa Senhora!”

Eu, por mais que olhasse, nada via. Começando então a afirmar-me, vi assim a modo uma nuvenzinha acinzentada que pairava sobre a azinheira. O sol enturviscou-se e começou a correr uma aragem tão fresquinha que consolava. Nem parecia estarmos no pino do Verão. O povo estava mudo que até metia impressão. E então comecei a ouvir um rumor, uma zoada, assim a modo como um moscardo dentro de um cântaro vazio. Mas de palavras, nada! Julgo que há-de ser assim uma coisa como quando a gente fala ao telefónio…Que eu nunca falei! Mas que é isto? – dizia cá para mim. Isto é longe ou é aqui perto?! Tudo isto, para mim, foi uma grande aprovação do milagre”.

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Das Memórias da Ir. Lúcia:

“Momentos depois de termos chegado à Cova da Iria, junto da carrasqueira, entre numerosa multidão de povo, estando a rezar o terço, vimos o reflexo da costumada luz e, em seguida, Nossa Senhora sobre a carrasqueira.

Lúcia – Vossemecê que me quer?

V. MariaQuero que venham aqui no dia 13 do mês que vem, que continuem a rezar o terço todos os dias, em honra de Nossa Senhora do Rosário, para obter a paz do mundo e o fim da guerra, porque só Ela lhes poderá  valer.

Lúcia – Queria pedir-Lhe para nos dizer Quem é, para fazer um milagre com que todos acreditem que Vossemecê nos aparece.

V. Maria Continuem a vir aqui todos os meses. Em Outubro direi  Quem sou, o  que quero e farei um milagre que todos hão-de ver, para acreditar.

Aqui, fiz alguns pedidos que não recordo bem quais foram. O que me lembro é que Nossa Senhora disse que era preciso rezarem o terço para alcançarem as graças durante o ano. …

V. MariaSacrificai-vos pelos pecadores e dizei muitas vezes, em especial sempre que fizerdes algum sacrifício: Ó Jesus, é por Vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria.

Ao dizer estas últimas palavras, abriu de novo as mãos, como nos dois meses passados.

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Visão do Inferno

O reflexo pareceu penetrar a terra e vimos como que um mar de fogo. Mergulhados em esse fogo, os demónios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas, com forma humana, que flutuavam no incêndio, levadas pelas chamas que delas mesmas saíam juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das faúlhas em grandes incêndios, sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizava e fazia estremecer de pavor…Os demónios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes como negros carvões em brasa. Assustados e como que a pedir socorro, levantámos a vista para Nossa Senhora, que nos disse com bondade e tristeza:

V. Maria – Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores; para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração. Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar. Mas, se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior. Quando virdes uma noite alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. Para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia ao Meu Imaculado Coração e a Comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a Meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja.. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas. Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido  ao mundo algum tempo de paz. Em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé, etc. Isto não o digais a ninguém. Ao Francisco, sim, podeis dizê-lo. Quando rezais o terço, dizei, depois de cada mistério: Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno; levai as alminhas todas para o Céu, principalmente aquelas que mais precisarem.

Lúcia –  Vossemecê não me quer mais nada?

V. Maria – Não! Hoje não te quero mais nada.

E, como de costume, começou a elevar-se em direcção ao nascente até desaparecer na imensa distância do firmamento”. (Memória IV)

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Ezequiel Miguel

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Leituras aconselhadas:

. Memórias da Ir Lúcia – Vice-Postulação, Fátima, Portugal

. Pe João M. De Marchi (I.M.C.) – Era um Senhora mais brilhante que o sol – Edição “ Missões da Consolata”,  Fátima.

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. Aparições da Virgem Maria em Fátima – II

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1ª Aparição do Anjo em Fátima – III

Anjo: Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos…Peço-vos perdão para os que não crêem, não adoram, não espera e não Vos amam.

 Meus Deus, eu creio, adoro-Vos, espero… –  Só adoro Alguém que eu reconheça ser merecedor de adoração, por Sua grandeza, suma Bondade, Omnipotência, Omnisciência, Misericórdia, Amor, Justiça.

Só adoro Quem eu reconheça ser superior a tudo e todos, de Quem eu me sinta dependente, em Quem confie, em Quem ponha a minha esperança, meu Senhor absoluto, que me criou por amor, que me mantém vivo por amor, que sabe tudo a meu respeito, vê todos os meus actos, pensamentos, intenções, que sabe o que vou dizer antes de o dizer, que sabe o que penso antes de o pensar, que conhece o meu nome muito antes de eu existir, que me criou para sua glória e minha eterna felicidade junto Dele. Sabe ainda quando e como O ofendo, Lhe ligo pouca importância, me esqueço por vezes que Ele existe e que me deu uns Mandamentos para orientar a minha existência terrena, que, por vezes, pelo pecado, lhe digo que sou Seu inimigo e, no entanto, não me tira a vida logo ali, esperando que eu me retracte, me arrependa, lhe peça perdão, me confesse e recomece de novo, O ame para O compensar, dando-me tempo e condições para frequentemente Lhe dizer: “Pequei contra o Céu e contra Ti  e já não sou digno de me chamares Teu filho (Lc 15,18). É para me dar tempo para a conversão que Ele cumpre o que promete: “Não quero que o pecador morra, mas que se converta e viva longamente” (Ez 18,32)

Adorar é prestar culto, é reconhecer a Suprema Grandeza…, é ajoelhar, é sentir-se nada, é fazer a genuflexão, é curvar-se até ao chão como fez o anjo, é prestar louvor,…é…

Espero – Espero em quem, em quê, o quê, porquê, para quê? A esperança é aquele sentimento interior que nos anima, em consequência da Fé em Deus e nas suas promessas, a pensar, actuar, conduzir a vida de acordo com os esquemas que Deus nos propõe, atribuindo-lhe um valor máximo nas prioridades da nossa existência na Terra, a caminho da Meta da Esperança, a Vida Eterna em Deus, onde a Esperança deixará de ser necessária. Funciona como uma corrida desportiva. Quem não parte com a esperança de alcançar um objectivo que se proponha, já é um derrotado, porque lhe falta motivação. Uma vida humana sem esperança de alcançar a Meta Eterna deixa-nos indiferentes, sem ânimo para iniciar a corrida, acabando tudo em demissão, desinteresse e na ignorância quanto aos quês, porquês e para quês da nossa existência como seres superiores a todos os outros.  Reza o Salmo 56:  “Em Deus eu pus a minha esperança”(Sl 56,11). S. Pedro: “Animai-vos com uma esperança firme, viva” (1Pe 3,9). Esta esperança firme apoia-se necessariamente numa fé firme, caminhando ambas conjuntamente no Amor a Deus e ao próximo, amor esse a que damos o nome de Caridade (Caritas =  Caridade =Amor).

Dizemos nós que enquanto há vida há esperança. Isso é certo também no plano espiritual e sobretudo aplicado à Meta da Salvação. Há pecadores que se salvam no último minuto da vida e alguns até durante a morte aparente. Deus não quer que se condene um único pecador, por isso, a Sua Misericórdia, o Seu Perdão, jorram até continuamente para aqueles que quiserem aproveitá-los e se dispuserem a isso, recorrendo aos meios necessários. É ofensivo para Deus o desesperar de salvar-se, assim como a presunção (convicção) de salvar-se sem fazer nada para isso nem querer saber o que é preciso fazer. São dois pecados contra o Espírito Santo, aqueles dos quais Cristo disse que não teriam perdão nem nesta vida nem na outra (Mt 12, 31-32). Quanto ao desesperar de salvar-se e sentir-se já condenado…é uma ideia que resulta de uma vida de pecado contínuo e consciente ou de grandes pecados isolados e repetidos. Essa ideia é um pecado contra o Espírito Santo, é um acto de soberba, de juízo errado e orgulhoso, certamente alimentado por Satanás, que equivale a pensar assim: “ Tu, ó Deus, perdoas mas eu não acredito que me perdoes a mim e a minha opinião é a que prevalece, porque eu ainda mando em mim. Eu fiz demasiados pecados e para mim não há perdão possível, por isso, nem o peço”. Foi assim que pensou, julgou e actuou Judas,…quando lhe bastava um pequeno gesto, uma curta palavra, uma minúscula lágrima, um pensamento secreto, um pedido silencioso, um olhar humilde e suplicante… dirigidos ao Seu Mestre. E assim ficou, para todos nós, o exemplo trágico de uma morte onde a esperança morrera, se é que alguma vez lá existiram sinais dela!

A esperança, tal como a Fé e a Caridade, é activa, porque é  viva, o que a leva a produzir obras apropriadas que, se por um lado são consequência, por outro, são causa e alimento da esperança. Quem espera, espera em alguma coisa e/ou Alguém, espera em Deus, na Sua Misericórdia, no Seu Amor, na Sua Fidelidade, na Sua Bondade…e espera encontrar-se com Ele e viver Nele, com Ele, pela eternidade. Esta é a Grande Meta da nossa Esperança! Aqui não se cumpre o provérbio popular: “Quem espera,… desespera”, mas: “Quem espera,… alcança”.

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 Ezequiel Miguel

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Salmo 122 (123) – Os nossos olhos estão postos no Senhor

Para ti, Senhor, eu dirijo o meu olhar,

para ti, que nos Céus assentaste morada.

Como os olhos do servo se vão em seu amo fixar

e os da serva nas mãos da sua senhora amada,

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os nossos olhos estão postos no Senhor,

nosso Deus, até que de nós tenha piedade.

Tem piedade de nós, pelo teu grande amor,

porque nos esmaga  desprezo em quantidade.

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As nossas almas estão mais que saturadas

da zombaria e  arrogância ameaçadora,

do desprezo dos orgulhosos estão cansadas,

defende-nos deles com tua mão protectora.

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Ezequiel Miguel

O meu auxílio vem do Senhor

O meu auxílio vem do Senhor

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Jesus e os Apóstolos visitam Nazaré

(Realidade & ficção)

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Jesus26É primavera. Campos, quintais, árvores, ervas e flores acordam da letargia invernal e sorriem para o sol que ilumina aquela manhã.

Cristo e os Apóstolos dirigem-se para Nazaré com o específico objectivo de visitar a Mãe. Jesus   suspira de ansiedade à medida que os quilómetros da estrada poeirenta vão ficando para trás. Inevitavelmente, Ela torna-se assunto de conversa:

João – Mestre, sabes o que me lembram estas rosas à beira das casas e nestes jardins por onde vamos passando? Lembram-me a Tua Mãe!

Jesus –  Boa lembrança, João! A Minha Mãe é realmente a Rosa das rosas, a Flor das flores, o Jardim dos jardins, a Beleza das belezas, o Perfume dos perfumes,…a Amada do Cântico dos Cânticos.

Pedro – Ela sabe que nós vamos a caminho de Nazaré?

Jesus – Não! Vamos fazer-lhe uma agradável  e dupla surpresa: por vós e por Mim!

Tiago  de Zebedeu– Mestre, às vezes parece-me que, quando Te sentes mais triste, Te vejo lançar suspiros e fico a pensar qual será a verdadeiracausa. São saudades da Tua Mãe?

Jesus – Sim, Tiago! De vez em quando preciso mesmo de apoiar a minha cabeça nos ombros da Minha Mãe. Nesses momentos esqueço as canseiras e outras dificuldades e sinto-Me como se estivesse no Céu, rodeado de anjos a consolarem-Me!  Também sou Homem como vós e preciso da Minha doce Mãe! Oh! Se soubésseis tudo a respeito dela!

Tomé – Há coisas sobre Ela que ninguém conhece?

Jesus – Há e muitas!

Nataniel– Podes dizer-nos qualquer coisa que nós não saibamos?

Jesus – Posso! Desde toda a eternidade Ela foi pensada e preparada para ser a Minha Mãe. Ela é a Nova Eva e Eu sou o Novo Adão. Ambos e em conjunto vamos reparar o que Eva e Adão estragaram. Eles fecharam as portas do paraíso aos homens e nós vamos reabri-las através da maior obra de Deus: a Redenção do género humano.

Judas Iscariotes – Mas, Mestre, como vai ser isso?  Será por meio de milagres?

Jesus – Será por meio do sofrimento que o vosso Mestre e a Minha Mãe levarão a cabo essa tarefa tremenda, num mistério que permanecerá mistério para sempre, porque o homem  não tem capacidade para atingir as suas profundezas.

Judas Tadeu – Nós já vimos que Tu sofres e às vezes até choras, sinal de que sofres com as perseguições, as calúnias, a rejeição da Tua mensagem, etc., mas a Tua Mãe,… Ela também está destinada a sofrer? Como e porquê, se Ela nunca fez mal a ninguém nem faz.

Jesus – Não faz nem fará, porque ela é a “Cheia de Graça”, conforme o anjo Gabriel A saudou. Se é cheia de Graça, Ela não pode pecar. Satanás não se aproximará Dela, pois uma escolta de mil anjos A  honra e A defende de todos os perigos.

Filipe – Mas porque é que Ela é Cheia de Graça? Porque  é Ela diferente de todos os outros homens, que nascem no pecado e estão toda a vida sujeitos ao pecado?

Jesus – Porque, nos planos de Deus, tinha de ser assim. Deus não convive com a mínima sombra do pecado, por isso, Ela foi isenta, por graça especial, das consequências do pecado de Adão e Eva. Ela é a Mulher referida no Génesis, a Mãe que fugiu com o Filho para o deserto, a Mulher que esmaga a cabeça do Dragão, Satanás, exactamente porque o pecado não teve, não tem, nem terá poder sobre Ela.

Tiago de Alfeu – Quer dizer então que Ela não está sujeita às tentações de Satanás! Que mistérios aí vão! Mistérios no Filho, mistérios na Mãe! Mistérios no Céu, Mistérios na Terra!

Jesus – Tens razão, Tiago! Ambos estamos  profetizados nas Escrituras, ambos cumprimos as profecias, ambos nascemos sem pecado, ambos realizamos a redenção pelo sofrimento, ambos amamos os homens ao ponto de aceitarmos o martírio para os salvar.

Simão  – Mas onde está o sofrimento da Tua Mãe? Quem é toda paz, doçura, bondade, sorriso, alegria,…não parece sofrer! E também uma coisa: Se ela não está sujeita ao pecado, também não devia estar sujeita ao sofrimento e à morte, que é o preço do pecado. Aqui está mais um mistério!

Jesus – Parece uma contradição, mas não é!  Lembrais-vos daquilo que o velho Simeão lhe disse quando tinha nos braços aquele Menino que agora é o vosso Mestre?

João – Eu sei o que ele lhe disse: “ Uma espada de dor trespassará o teu coração, porque este Menino está posto para salvação e condenação de muitos em Israel”.

Jesus – Então, aí tendes! Em que consistia, consiste e consistirá essa espada de dor  a atravessar-lhe o coração?

André – Para já, a Tua condenação à morte  pelo Herodes, quando eras Menino. A Tua fuga para o exílio do Egipto,  a sua gravidez miraculosa sem o esposo saber, a pobreza do Teu nascimento em Belém,…

Tiago de Alfeu – E agora, após a morte do meu tio José, seu esposo, a Tua vida pública com tudo o que Te afecta: as dificuldades, a perseguição, os teus inimigos e…qualquer coisa mais que eu agora não digo!…

Judas Iscariotes – Eu sei o que é! Como israelita que é, Ela sofre ao ver o Filho desleixar-se e atrasar-se na restauração do Reino de Israel, pois as Escrituras dizem que o Messias será Rei de Israel.

Jesus – Judas, os teus sonhos virarão pesadelos. Ela sabe que tipo de Rei Eu vou ser, um Rei que, diante Dele se tapa o rosto, como disse o profeta Isaías. É aí que a  espada da dor lhe perfurará o coração ao ver outro Coração perfurado… A seu tempo sabereis mais!  Apesar das prerrogativas que a sua condição de Mãe do Filho do Homem lhe conferem, Ela aceita voluntariamente tudo aquilo que o seu Filho aceita e sofre com tudo o que faz sofrer o Filho, numa união perfeita, completa, permanente, indissolúvel. Agora, vós vedes o seu sorriso, a sua alegria,…mas chegará o tempo em que vereis o seu rosto pálido, lacrimosos, com sulcos de sofrimento que lhe vêm do mais profundo da alma. Nesses dias, apesar de andar permanentemente guardada por uma multidão de anjos invisíveis, Ela sentirá também o abandono do Pai e sofrerá a sua agonia dolorosa em união com o Seu Filho. A espada da dor enterrar-se-á cada vez mais em seu coração até que a profecia de Simeão se cumpra na totalidade. E tudo isto em união com o Filho e pela redenção de todo o género humano. Ela é a mártir voluntária e  vai-lhe ser dado um coração maternal tão grande que nele caberão todos os homens presentes e futuros. Por agora, não digo mais sobre este assunto.

Nataniel – Mas então, Ela é uma mulher única, criada de encomenda para ser Tua Mãe e Tua Co-redentora!

Jesus – É isso, Nataniel! Disseste bem! É mesmo Única, a criatura mais bela, mais pura, mais preciosa criada por Deus, a jóia mais valiosa no anel de Sua Mão.

Tomé – Ehhh! Tudo isso? Então Ela é quase uma deusa!

Jesus– Tomé, não há deuses nem deusas! Isso são invenções humanas para adorar Satanás em suas múltiplas formas. Ela é apenas uma mulher, mas acima de todas as outras mulheres e bendita entre todas elas, as de todas as gerações, como Lhe profetizou Isabel, a mãe do João Baptista.

Filipe – Mas, se Ela é toda pura, concebida sem pecado, não pode pecar,…então Ela é mais um anjo do que uma criatura humana!

Jesus – Em verdade vos digo que a Minha Mãe está acima dos anjos, sejam eles quais forem, em Sua dignidade e santidade. Ela própria será chamada a Rainha dos Anjos, dos Justos, dos Profetas e o Seu trono estará instalado ao lado do trono do Filho. Digo-vos mais: Já toda a corte celeste a conhecia muito tempo antes de Ela ser conhecida, porque Deus A apresentou aos anjos e lhes disse qual seria a Sua missão futura, porque para Deus não há passado. É tudo presente.

Tiago de Alfeu –  Mais outro mistério! Eu cá não tenho cabeça para compreender isso!

Pedro – Não tens tu nem tem ninguém! Mas eu não tenho ciúmes Dela! Nosso é o Filho e nossa será também a Mãe!… Até pareço o Isaías a profetizar (ri).

Jesus – E profetizas bem, Simão de Jonas! Foi o Espírito Santo que te inspirou!

Simão – Então, se Ela nasceu sem pecado, também estará livre da morte, penso eu!

Jesus – E pensas bem, Simão! Ela está realmente livre da morte e da corrupção corporal, mas Ela escolherá passar pela morte,  para em tudo imitar o Filho, que também morrerá às mãos dos seus inimigos…Quanto ao Seu corpo, não terá de esperar pela Ressurreição final. Será levada ao Céu em corpo e alma, pois é ao Céu que ela pertence.

Mateus – Mestre, Tu já deste a entender, mais ou menos, a sorte e a missão de cada um no futuro. Ela também, no futuro, terá uma missão a cumprir, além daquela de ser a Tua Mãe?

Jesus – Ela vai ter uma grande missão. Chegará o tempo em que Ela vos apoiará, aconselhará, orientará, ainda mais do que faz agora. Nos séculos futuros será intercessora entre Mim e os homens. Como Mãe de todos os homens, Ela os atrairá a Mim e Eu A nomearei a Minha principal missionária. Ela terá direitos adquiridos sobre a humanidade, porque também Ela sofreu pela sua redenção. Quando os homens forem esquecendo a Minha mensagem, Ela será a Minha mensageira até eles, para os recuperar e trazê-los a Mim. Como Mãe universal, todos os homens deverão reconhecê-La como tal.

André – E quando é que Tu A nomeias solenemente Mãe de todos os homens?

Jesus – Já não falta muito tempo. Aguardai e vereis!…

Tiago de Zebedeu – Eu tenho uma pergunta atrevida a fazer! Se Tu és o Filho do Pai, Tu és Deus; se Ela é Tua Mãe, Ela é Mãe de Deus; mas Ela também é filha de Deus, porque foi Deus que A criou. Então, Ela é filha e Mãe de Deus: Mas Tu, o João e eu somos também  segundos irmãos (primos)  logo, nós somos segundos irmãos  de Deus; mas como Tu  também és Homem e dizes que todos os homens são filhos de Deus, logo, nós somos todos Teus irmãos; se somos todos Teus irmãos, também teremos todos a mesma Mãe, que será a Tua Mãe. Será isso?

Jesus – Foste brilhante, Tiag! Em curvas e contracurvas foste direito até ao fim! Vedes como todos os homens constituem a família de Deus? Mas, infelizmente, o Meu Inimigo trabalha para a dividir. Quanto a ser da Minha família, todo aquele que cumprir as Minhas palavras e levar outros a cumpri-las, como vós já fazeis e fareis no futuro, será Meu pai, Minha mãe, Meu irmão, Minha irmã, Meu segundo irmão, Minha segunda irmã (prima), Meu tio, Minha tia,…não pela carne, mas pelo Espírito. Estes são os novos parentes que Me tornarão conhecido pelo  Mundo.

Mateus –  Mas eu também tenho uma observação a fazer!  Tu dizes que Ela foi concebida sem pecado. Mas os filhos dos homens não nascem todos em pecado? Como é que Ela foi isenta? Já nasceu de pais isentos ou…como é que Deus a isentou a Ela e não isentou todas as pessoas que já nasceram e nascerão até ao fim do mundo? Isto, para mim, é muito confuso!

Jesus – A Minha santíssima Mãe está envolta em mistério, no qual não podereis penetrar. Pergunto-vos: que tipo de Messias seria Eu, se tivesse nascido de uma mulher comum, isto é, concebida em pecado?

João – Não serias o Messias anunciado pelos profetas, o Filho de Deus. Serias apenas um homem como nós, sujeito ao pecado, às doenças, à morte e  ao regresso ao pó da terra. Não serias Homem-Deus.

Jesus – Falaste bem, João! Já vedes que o Messias tinha de abrir uma excepção no curso normal do nascimento dos homens. Deus é pureza absoluta, por isso, o Seu Filho não podia nascer como nasce o resto dos homens. Por agora, contentai-vos com o pouco que vos digo, porque os desígnios de Deus não estão abertos às mentes humanas.

Judas Tadeu –Eu já sinto a cabeça às voltas, só de tentar compreender o que não consigo compreender. Agora, pergunto eu: O que estará a Tua Mãe a fazer neste momento? Não estará com certeza a preparar o almoço para todos nós, uma vez que não foi avisada!

Jesus – Anda no jardim como abelha de flor em flor, tratando das rosas e louvando a Deus pela beleza multicolor que A rodeia, o que também serve de exemplo para vós. Em tudo e por tudo deveis louvar a Deu, por vos oferecer tantas coisas maravilhosas! É assim o Seu Amor pelos Homens.

Simão – Mestre, eu tenho ainda uma pergunta a fazer!

Jesus – Diz, Simão!

Simão– Está nos Teus planos falar na sinagoga de Nazaré?

Jesus – É claro que está! Não posso perder uma só ocasião na difusão do Reino de Deus.

Simão – E eles vão aceitar a Boa Nova? Eles sempre se habituaram a ver-Te como uma pessoa normal, ignorando a Tua divindade de Messias profetizado! Tenho receio que Te maltratem!

Jesus –  Se Eu te responder, não ficarás muito satisfeito com a resposta!…Mas, para eles recusarem a Boa Nova, eles terão que a ouvir de Mim. Não conheces o provérbio que diz: “Ninguém é profeta na sua terra”?  Sendo assim, metade do que tu queres saber está aí! Será que Eu serei excepção?

 Estamos a chegar. Eu anuncio-Me primeiro, de surpresa, e, pouco depois, a um sinal Meu, apareceis todos e fareis as vossas saudações. Ela ficará agradavelmente surpreendida, dará graças e louvores a Deus e nós com Ela.

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Nota – Aqueles que nós consideramos “primos” eram chamados irmãos, por não haver a palavra apropriada.

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Ezequiel Miguel

SALMO 29 (30) – Eu Vos glorifico, Senhor…

Glorifico-Vos, Senhor, porque me salvastes,

meus inimigos de mim não regozijaram,

por Vós chamei e Vós me curastes,

em sua companhia os mortos não me contaram.

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Cantai salmos ao Senhor, vós que O temeis!

Do dever de dar graças ninguém fique isento,

toda a vida a Sua benevolência vereis,

pois a  Sua ira não dura mais que um momento.

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O cair da noite deixa-me amargurado,

mas com a manhã regressa a minha alegria.

“Jamais serei em minha confiança abalado!”

Isto era o que tranquilamente a mim dizia.

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Por Vossa bondade destes-me honra e poder,

mas um dia a Vossa Face de mim ocultastes

e fiquei perturbado, tentando saber

por que motivo o Vosso olhar de mim desviastes.

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Em desespero, por Vós, Senhor, eu supliquei,

a misericórdia do meu Deus implorando:

“Com a minha morte que proveito Vos darei?

Será  reduzido a pó que Vos vou louvando?”

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Ouvi-me, Senhor, como sempre me ouvistes,

sede Vós o meu auxílio neste meu pranto!

Tirastes-me o luto e de alegria me cingistes,

por isso, em minha vida Vos louvarei tanto.

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Ezequiel Miguel

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