Exulta, filha de Sião! Eis que o teu Rei vem a ti!

(Realidade & ficção)

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Ramos13Exulta, filha de Sião! Grita de alegria, filha de Jerusalém! Eis que o teu rei vem a ti! Ele é justo e vitorioso, humilde, montado sobre um jumentinho, filho da jumenta (Zac 9,9).

Aproximava-se a Páscoa dos Judeus, aquela escolhida nos planos divinos para nela chegar ao fim a pregação do Reino de Deus e consumar a redenção do mundo por Jesus Cristo.

Os apóstolos andavam a ficar nervosos com a intenção que Jesus manifestava de deixar a Galileia e ir meter-se na toca dos lobos, em Jerusalém, já com a cabeça a prémio, em virtude de decisão do Sinédrio, que mandara publicar que quem soubesse por onde Ele andava, deveria comunicá-lo, para que fosse preso. Entretanto, Judas Iscariotes ia avisando o Sinédrio a respeito das intenções do Mestre de ir para aqui ou para ali, por isso, fazia frequentes perguntas, aparentemente inocentes e ingénuas, mas que claramente tinham a intenção de captar informação de interesse para os inimigos de Jesus.

Com a argumentação de que Lázaro tinha morrido, Jesus fez por convencer os Apóstolos da absoluta necessidade de irem para Betânia, a três quilómetros de Jerusalém, com o objectivo de ressuscitar Lázaro. Os apóstolos deixaram-se aparentemente convencer que tinha de ser assim, embora questionando-se se o Mestre não poderia ressuscitar Lázaro mesmo à distância. Perante a insistência de Jesus, eles convenceram-se mesmo que Jesus iria entregar-se à morte, o que levou Tomé a opinar: “Vamos e morramos com Ele” (Jo 11,16)!

Em Betânia, Jesus ressuscitou Lázaro à vista de amigos e inimigos, convertendo à Sua causa muitos Judeus, como os evangelhos afirmam. Mas outros não acreditaram, apesar de terem mesmo visto Lázaro a sair do túmulo enfaixado, de pés atados e cabeça coberta, após taparem o nariz por causa do mau cheiro, apesar de disfarçado pelos unguentos e perfumes. Pouco tempo depois, o Sinédrio não demorou a enviar espiões a casa de Lázaro, para saberem se Cristo estava realmente hospedado em sua casa e também para puxarem pela língua de Lázaro sobre o fenómeno da sua própria ressurreição, que alguns hoje alcunham de reanimação, quer dizer, trazer novamente a alma ao corpo.

Era uns dias antes do nosso Domingo de Ramos. Jesus escolhera refugiar-se em casa de Lázaro, para preparar a Sua última semana na Terra e tomar as últimas disposições que se impunham perante o grande acontecimento da Sua iminente Paixão, Morte e Ressurreição. Durante esses dias, Jesus e Lázaro tiveram longas conversas a sós. Eis uma delas:

Lázaro – Senhor, porque me fizeste voltar a esta vida?

Jesus – Por vários motivos, que passo a explicar-te:

1. Eu seria ingrato para contigo e tuas irmãs, se recusasse fazer por vós o que fiz, pois a Mim não Me custa nada fazer isso, porque sou o Senhor da vida e da morte. As tuas casas foram o meu principal apoio no Meu apostolado e em vós Eu tive amigos sinceros, discípulos convictos e sempre prontos a gastar Comigo e com os Meus discípulos tudo o que fosse necessário nestes três anos da Minha pregação. Esta tua casa foi sempre um refúgio seguro contra os Meus inimigos, tal como agora é. Foi uma maneira de vos recompensar e de algum modo retribuir-vos a alegria que sempre Me destes quando aqui ou em outros lugares Me recebíeis.

2. Chamei-te de novo à vida porque nestas horas amargas, nestas horas de trevas e abandono que vão passar por Mim, Eu preciso de vós como verdadeiros amigos, em cuja casa posso alimentar-Me, descansar e preparar-Me para o que se aproxima. Vai chegar a Minha hora, a hora que o Pai Me marcou para consumar a maior obra da Criação, a redenção do Homem.

Lázaro – Mas, Senhor, Tu tens mesmo de Te entregar nas mãos dos Teu inimigos? Não haverá outro modo de terminares essa Tua grande missão?

Jesus – Não, Lázaro! Tem de ser assim como te digo! Quando o Pai perguntou: “Quem enviarei…” (Is 6,8)? Eu ofereci-Me, em nome do infinito Amor que circula entre Nós e o Homem, a criatura saída do nada à nossa imagem e semelhança, e cujo fim último é o regresso à casa do Pai. Em breve se cumprirão todas as profecias saídas dos profetas e dos salmistas.

Lázaro – Mas, Senhor, Tu sabes que eu tenho influência junto dos Romanos e a uma palavra minha, ninguém Te tocará, porque eles serão capazes de Te proteger contra todos os teu inimigos!

Jesus – Bateste no ponto crucial e agora menciono-te mais um motivo por que te ressuscitei:

3. Exactamente para impedires as tuas irmãs de intercederem por Mim junto das autoridades romanas. Quero que uses a tua influência sobre elas para que não façam nada que possa estorvar o que tem de ser feito, pois eu vim à Terra para isso e essa é a vontade do Pai e a Minha.

Lázaro – Mas eu…

Jesus – Também de ti Eu exijo que fiques quieto, que não saias de casa nesses dias, a não ser por motivos pessoais, que não recebas nenhum dos meus discípulos, pois sei que eles depositarão em ti a esperança de um resgate e até pensarão em Me raptar, quando concluírem que será a última medida para Me livrarem dos Meus inimigos. Nessa hora, eles sentir-se-ão perdidos, tal como diz o profeta: “Ferirei o Pastor e as ovelhas dispersar-se-ão” (Mt 26,31)

Lázaro – (Chorando) Senhor, Tu exiges-me isso?! Que amigo serei eu, se não posso ajudar o Meu Amigo quando Ele está num perigo mortal? Senhor, uma ida minha a Pilatos e…

Jesus – Nem penses, Lázaro! Se és Meu amigo, não apoies os intentos de Satanás, pois ele, por um lado, quer impedir-Me, mas, por outro, tentará tirar proveito do Meu sofrimento e reforçá-lo, como vingança. Mas peço-te uma coisa, para te compensar por esta proibição: Naquelas horas, une-te espiritualmente às orações da Minha Mãe, para que alguma força chegue até Mim, nessas horas em que o Pai Me vai abandonar. Também a Minha Mãe vai sofrer os ataques de todo o inferno contra a sua fé na Minha ressurreição, pois, como co-redentora, também o Pai e os anjos que a guardam a irão abandonar, deixando-a em atroz sofrimento. O inferno Lhe dirá que estará tudo pedido, que nada valeu a pena, que foi tudo um engano e que não tenha ilusões, por que ele não ressuscitará.

Lázaro – Mas isso vai ser horrível!

Jesus – Vai mesmo, Meu amigo! Mas o Pai também A escolheu para ter a Sua parte na Redenção. Vai cumprir-se Nela a profecia de Simeão, quando Ela Me apresentou no Templo: “…Uma espada de dor vai trespassar-te o coração…” (…) A espada vai começar a enterrar-se no Seu Coração e lá ficará enterrada até que Eu ressuscite, ao 3º dia.

Lázaro – Senhor, eu vejo em Ti uma profunda tristeza, como nunca vi! É só por causa do que se aproxima?

Jesus – Não, Lázaro! (Chora…) Se tu soubesses , Lázaro!…

Lázaro – Tu, Senhor, a chorar?

Jesus – Sim, meu amigo! E não é por causa daquilo que Me espera! É por causa de um dos Meus, um daqueles, como diz o profeta, que come comigo à mesa (Lc 22,21)

Lázaro – Atrevo-me a dizer que é Judas Iscariotes!

JesusEsse mesmo! Quantas lágrimas Eu não derramei já por sua causa!

Lázaro – (Chorando e ajoelhando-se aos pés de Jesus) Ó Senhor!…O meu Deus a chorar! Como posso segurar as minhas lágrimas quando vejo as Tuas! Ó mistério insondável!

Jesus – Eu vim para redimir todos os homens, mas não consigo que Judas aproveite do Meu Sangue! Até já Me ajoelhei a seus pés,…tudo para que aceite os Meus argumentos em seu favor, mas…nada! Não consigo demovê-lo de cumprir aquilo que já prometeu ao Sinédrio. Por seu intermédio vai cumprir-se a profecias de Isaías de vender o Servo de Yahweh por trinta dinheiros. O contrato está feito! Eu só precisava que ele dissesse: “Sim, quero libertar-me das garras de Satanás!” Mas não consegui e ele vai perder-se. E logo um dos Meus (chora)!

Lázaro – Mas, Senhor, Tu podes tudo! Não poderás mudar-lhe a vontade, como mudaste à minha irmã Maria?

Jesus – Não, meu amigo! Ele entregou a sua vontade a Satanás, que já incarnou nele e agora é Satanás que fala por ele. Já são dois em um!

Lázaro – Mas Tu não tens poder sobre os possessos e sobre os demónios?

Jesus – Tenho, mas Judas não está possesso! Ele não quer mesmo o que Eu lhe proponho. Já lhe propus que recuse voltar a encontrar-se com o Sinédrio, refugiando-se mesmo em tua casa, mas ele recusou e continua a recusar. Aguentar Judas durante estes três anos custou-me mais do que me vai custar o que se aproxima de Mim. Já imaginaste, Eu, a pureza e santidade absolutas, a ter de conviver com alguém entregue à hipocrisia, à mentira, à imoralidade, ao espiritismo, à prostituição, à traição,… ao ponto de ir cometer o delito dos delitos: trair o seu Deus! Eu te digo: Se o inferno não tivesse sido criado para os anjos caídos, teria sido criado para ele! Não imaginas o Meu sofrimento, que abre as comportas das minhas lágrimas. Para ele não valerá de nada Eu ter vindo !

Lázaro – Senhor, ocorreu-me a ideia: Se, naquelas horas, os teus discípulos vierem pressionar-me para dar algum passo em Teu favor, que deverei fazer?

Jesus – Na próxima vez que fores a Jerusalém, tu irás encontrar o João, que vai mesmo pressionar-te para ires falar com Pilatos. Tu vai dizendo: “Não posso!” Por fim, se ele não te largar, diz-lhe simplesmente: “ O Mestre proibiu-me de interferir”! Nessa altura, ele compreenderá porquê e fará tudo para conter os outros, sobretudo o impetuoso Simão Pedro. Agora, chegou o momento de te dizer mais alguma coisa: Eu vou fazer uma entrada solene, triunfal, em Jerusalém, para cumprir mais uma profecia, que diz: “Alegra-te, Jerusalém, porque o teu Rei vem a ti, montado num jumentinho”(Zac 9,9) ! E sou Eu que te faço mais um pedido: avisa os Meus discípulos, aqueles que encontrares, e diz-lhes que dentro de três dias, espero por eles aqui, com ramos de palmeira, para entrarem comigo em Jerusalém. E que avisem também os de Jerusalém e arredores, para que façam o mesmo! …Estás a questionar-te: “Porquê isso, se tudo já está acertado quanto ao que O espera”? Vou dizer-te: Para cumprir a profecia, para dar a Jerusalém e ao Sinédrio uma última prova de que Eu sou o Messias esperado, o seu Rei, para fortalecer na fé todos aqueles que Me seguem, para convencer os da última hora, os indecisos, os que ainda têm dúvidas,…Quero dar-lhes a oportunidade de glorificarem o Messias, o verdadeiro Rei de Israel, antes que as trevas caiam sobre Ele.

Lázaro – No fim, Senhor?… (Chora)

Jesus – No fim, Lázaro, como está escrito, serei preso, maltratado, sofrerei, morrerei crucificado e ressuscitarei ao 3º dia, pois Eu sou a Ressurreição e a Vida, tal como disse às tuas irmãs.

Lázaro – E depois,…que serviço esperas de mim e das minhas irmãs?

Jesus –Tu serás ordenado sacerdote e bispo e a Gália espera por ti. As tuas irmãs irão contigo e Eu estarei sempre convosco!

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Ezequiel Miguel

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O Sinédrio trama ciladas contra Cristo

(Realidade & ficção)

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Judeus15Personagens: Caifás, Anás, Doras, Elquias, Jeremias, Zacarias, Samuel, Sadoc, Josias, Eliseu, João, Simão

O Sinédrio reúne para discutir o assunto. Precisam-se ideias para montar ciladas a Cristo e desmascará-LO perante as multidões. Para isso foi ele convocado parcialmente, no sentido de impedir que os sinedritas amigos de Jesus estejam presentes. É um assunto que tem de ser tratado urgentemente e no máximo segredo, como tudo o que é de carácter conspirativo. A reunião realiza-se, secretamente, em casa de Caifás, e não no Templo, por motivos de segurança contra espiões.

Caifás– (Presidente e sumo sacerdote) – Caríssimos santos de Israel, convoquei-vos para tratarmos de um grave problema que nos causa grandes preocupações e angústias, por não sabermos bem como enfrentar o galileu. É que, a continuar como até aqui, estaremos a pôr em risco a nossa nação, a nossa Lei, o nosso culto e os nossos costumes! E digo mais: até podemos vir todos a ser vítimas dos romanos. Penso que já estais a par deste assunto de que vamos tratar. Propositadamente, não foram convidados aqueles membros do Sinédrio que não pensam como nós. Confiado em que o assunto de hoje não transpirará para o exterior, eis o que nos traz aqui:

O galileu, que arrasta multidões, serve-se de poderes mágicos para provocar falsos milagres que enganam toda a gente. Todos estamos convencidos de que ele age por virtude de Belzebú, com quem ele tem provavelmente um pacto secreto. Os nossos espiões transmitem-nos tudo o que ele diz e faz, mas nada disso nos dá motivos para o prendermos e o julgarmos. Precisamos de provas mais convincentes, pois, daquilo que vemos e sabemos, há sempre o risco de não interpretarmos bem as coisas. Também não o podemos prender assim sem mais nem menos, para o soltar logo a seguir, se a multidão se armar contra nós e puser em risco a nossa segurança. Depois, poderão vir os romanos e…sabe-se lá o que poderá acontecer!

Assim, preciso que de vós saiam sugestões que possamos pôr em prática para o apanharmos em pecado, conseguindo, assim, desmascará-lo de uma vez por todas e afastar dele as multidões que o seguem, na expectativa de curas milagrosas. Agora, cada um apresentará o seu plano, que todos ouviremos com atenção, deixando os comentários, se os houver, para o fim.

Anás – Eu penso que devemos estudar bem, e preparar melhor, algumas ciladas, pondo-lhe questões enigmáticas, capciosas e dilemáticas, em que qualquer uma das suas respostas seja um trunfo a nosso favor e contra ele. Refiro-me a alguma passagem das Escrituras de difícil interpretação ou de interpretações contraditórias. Por exemplo: Yahweh proibiu fazer imagens de tudo o que há nos céus, na terra e nos mares. Eis a questão: Então, porque mandou ele a Moisés fabricar uma serpente de bronze e erguê-la no deserto? E porque mandou Ele construir dois Querubins sobre a Arca da Aliança? Yahweh deu ordens contraditórias ou não? Ele terá de explicar! E aí podemos apanhá-lo em contradição, seja qual for a resposta que ele der.

Doras – Eu sugiro o seguinte: Podíamos apanhá-lo de noite, atacando a casa onde ele e os seus discípulos pernoitam. Depois, julgávamo-lo por aquilo que ele fez ao meu pai. Deveis estar lembrados que ele lançou uma maldição sobre os pomares de meu pai e todas as árvores secaram imediatamente e lá continuam mirradas, esqueléticas e estéreis. Mais: Ele fulminou o meu pai, quando ele se preparava para o apedrejar. Ele deve ser obrigado a pagar os prejuízos e ser julgado por homicídio.

Elquias – A minha sugestão é esta: Um de nós, por exemplo, eu, podíamos convidá-lo para uma refeição em nossa casa e arranjávamos um estratagema que o impedisse de lavar as mãos antes da refeição, como manda a Lei. Depois, acusá-lo-íamos de infringir a Lei. Perante as nossas testemunhas, ele não poderia negar que não lavou as mãos. Se ele estiver com aqueles que andam sempre com ele, tanto melhor, pois também não teriam ocasião para lavar as mãos, caindo todos em argumentos inaceitáveis perante a Lei. Aí, poderíamos atacá-lo com os nossos argumentos, para os quais ele não teria resposta, uma vez que haveria testemunhas ali presentes.

Eliseu– A minha sugestão é esta: Um dia em que ele apareça lá pelo Templo e desate a pregar, desafiamo-lo a curar um falso doente. Explico melhor: Apresentamos-lhe um doente verdadeiro e outro falso, cada um em sua maca. Depois, no meio da discussão, acusamo-lo de realizar falsos milagres, chamamos-lhe embusteiro, mentiroso e outras coisas do género. Finalmente, desafiamo-lo a curar o doente falso e o doente verdadeiro. É evidente que ele não saberá qual é um e qual é o outro. Depois, lançamos sobre ele o ridículo e   o descrédito, levando as pessoas a concluir que ele é um intrujão, um falso Messias, por curar um falso doente, deixando o verdadeiro doente no mesmo estado em que foi. Nós, então, podemos provar que ele é mesmo mais um falso Messias e que os seus milagres são apenas obras de um charlatão. Teremos, assim, motivos e testemunhas para o levarmos a julgamento, por ser mais um que se arvora em Messias, a merecer a sorte que os outros tiveram: a morte

Samuel – Eis a minha sugestão: Ele já disse muitas vezes que se apresenta como rei das almas, não estando interessado em ser um rei verdadeiro, como esperamos que venha a ser o Messias verdadeiro, quando ele chegar. Mas nós poderíamos tentá-lo a deixar-se nomear e coroar como verdadeiro rei de Israel, em vez de Herodes. Convenceríamos alguns cortesãos de Herodes e alguns amigos do galileu a entrarem no esquema, levando-os a pensar e a acreditar nas nossas boas intenções. Aos amigos de Herodes teríamos de dizer que era uma cilada ao nazareno, de contrário poderia tudo virar-se contra nós e dar mau resultado. Assim, constituiríamos um grupo de amigos seus, um grupo de sacerdotes, um de escribas, um de fariseus, um de sinedritas, um de anciãos, um de doutores da Lei. Todos seriam devidamente instruídos sobre o tipo de discurso que cada um faria, de modo a que ele acreditasse nas boas intenções de nós todos. Esquecia-me de dizer: O encontro com ele seria numa casa de campo de algum dos nossos conhecidos, longe de olhares indiscretos, para evitar complicações futuras. Todos aqueles que falassem, teriam de demonstrar-lhe que ele, sendo o Messias, é aquele que está destinado a ser o verdadeiro rei de Israel, em vez de Herodes, que ocupa o trono indevidamente, por ser filho de estrangeiros. Assim, ele seria pressionado a aceitar, já ali, a eleição, a unção real e a coroação. Um sacerdote levaria já o óleo da unção e faria tal como fez o profeta Samuel com o rei David.Depois, se ele aceitasse, seria acusado ao Sinédrio, a Herodes e a Poncio Pilatos. O resto seria fácil de adivinhar!

Josias –Eis a minha sugestão: Ele já disse que, como senhor da vida, também ressuscita mortos.   Ora, o meu plano seria assim: Faríamos uma encenação de um funeral. Quando um jovem morresse a sério, nós levaríamos também, no funeral, um falso morto, igualmente jovem. Quando o galileu aparecesse, a choradeira seria por causa de ambos. Então, essa seria a ocasião de o provocarmos, acusando-o de fazer falsas ressurreições, porque os mortos que tinham morrido eram falsos mortos. Seria assim uma coisa parecida com o plano apresentado pelo Samuel. Ele seria desafiado, perante a multidão, a mostrar o seu poder, se é que o tem, de ressuscitar mortos verdadeiros. Se recusasse, toda a multidão o insultaria, por não querer ajudar aquelas famílias enlutadas e não usar o poder, que diz ter, em favor dos infelizes em horas tão amargas.

Sadoc – O meu plano é este: Seleccionaríamos um grupo de meretrizes bonitas, que, depois de bem industriadas por nós, as introduziríamos no meio das multidões, isto é, na primeira linha dos ouvintes, em suas pregações, precisamente em frente dele e o mais perto possível dele. Aí, veríamos se a sua pregação condiz com a sua vida e com o que dizem as Escrituras. Findas as pregações, elas aproximar-se-iam dele e…tentavam seduzi-lo, com aquela arte e astúcia que as caracteriza. Não preciso de dizer mais. É evidente que lhes pagaríamos antecipadamente metade e, depois do serviço, a outra metade ou o dobro, desde que tivessem atingido os objectivos.

Simão – Eu proponho o seguinte: Quando for possível, iremos ter com ele e pomos-lhe a questão: É ou não lícito a um Israelita pagar o tributo a César? Se ele disser que sim, atirar-lhe-emos à cara que ele não defende os interesses de Israel, como se esperaria do seu Messias, anunciado como libertador de Israel, aquele que libertará Israel de todas as opressões e opressores. Se disser que não, acusá-lo-emos a Pilatos e ele o enviará para a prisão como agitador anti romano, um inimigo de César. Não terá escapadela possível, seja qual for a resposta que dê. Depois, é só esperar para ver como ele se defende perante os romanos.

Zacarias – Eis o meu plano: Quando o encontrássemos a jeito, surgiríamos à sua frente, levando presa uma mulher adúltera, verdadeira ou falsa. Nós já levaríamos todos uma ou mais pedras para a apedrejar, como manda a Lei. Poderia também ser uma encenação previamente preparada. A mulher seleccionada não teria de dizer nada, apenas fingiria resistir àqueles que a arrastavam. Então, eis a pergunta que lhe faríamos: “Esta mulher foi apanhada em adultério. A Lei manda que a apedrejemos até morrer. Tu, que dizes? Apedrejamo-la ou não”? Aí, se ele disser que sim, acusá-lo-emos de ser cruel, de não usar a misericórdia que prega, de não perdoar, porque ele diz que pode perdoar os pecados, etc. Se disser que não, acusá-lo-emos de não cumprir a Lei e aconselhar outros a não cumpri-la e, sendo assim, já o poderíamos prender por ser um agitador, um intrujão, um falso Messias, levando as multidões a afastarem –se dele.

João – Eis o que eu proponho: Não basta a alguém dizer que é isto ou aquilo, sem primeiro ter feito obras que o demonstrem. Assim, isto pode ser aplicado ao galileu. Então, a minha ideia é esta: Quando ele aparecesse lá pelo Templo, provocaríamos uma discussão com ele, contestando afirmações e explicações sobre a doutrina que prega. É evidente que ele se defenderá com argumentos que nós não aceitamos. Quando chegasse o momento certo, exigiríamos que ali mesmo ele desse um sinal do Céu que demonstrasse que ele é o Messias verdadeiro. Podíamos combinar previamente um sinal, por exemplo: que aparecesse ali, naquele momento, um anjo do Senhor a confirmar que ele é o Messias. Se ele diz que tem os poderes de que fala, então também pode mandar vir do Céu um anjo que todos possamos ver. Se rejeitar a nossa proposta, tiraremos as devidas conclusões.

Jeremias – Também tenho uma ideia, que vou apresentar. Como ele diz que tem poderes para expulsar demónios dos possessos, podíamos encenar uma possessão diabólica, onde um falso possesso estrebucharia, berraria, deitaria espuma pela boca, cairia por terra, etc,. aquelas coisas que são típicas do comportamento dos possessos. Ai, veríamos se ele se deixava enganar ou não e se expulsava demónios de onde eles não estavam. Mais: Se recusasse expulsá-los, iríamos acusá-lo de crueldade e desprezo por alguém que sofre. Se tentasse expulsá-los, cairíamos em cima dele com provas e acusações de intrujão, embusteiro, charlatão e outros mimos que ele merece. Depois, agiríamos em conformidade.

……..

Caifás – Ninguém mais quer falar? Então, ponho à vossa consideração os planos apresentados. Alguém tem objecções contra algum ?… Não?… Então, consideram-se todos aprovados. A seu tempo iremos prepará-los e pô-los em execução.

Anás – Só mais uma coisa! Contamos com Judas Iscariotes para nos ir informando sobre o paradeiro do galileu. Combinaremos com ele quanto lhe pagaremos pelo serviço, que não será muito, pois a sua avidez por dinheiro torna tudo mais fácil. E já agora, tenho mais uma ideia. Entraríamos em negociações com o Judas, neste sentido: Nós pagaríamos ao Judas uma boa quantia pare ele conseguir convencer uma meretriz, até pode ser a sua favorita, a participar num esquema para apanhar o galileu em pecado. Bastaria que ela tentasse convencê-lo a entrar na sua casa numa noite em que ele pernoitasse por ali perto. O Judas informar-nos-ia. Então, a mulher desataria a bater nos portões e a gritar que queria falar com Jesus de Nazaré. Ele viria até ela, para saber quem era e o que queria e depois, ela oferecer-se-ia para o pecado. Quando ambos entrassem em casa da mulher, os que estivessem de guarda, escondidos, surgiriam pela frente e atiravam-lhe à cara o facto consumado, que seria divulgado às multidões que o acompanham, convencidas de que ele é o verdadeiro Messias. Aí, ficaria o mito desfeito.

Caifás – É mais um plano válido, que, a seu tempo, executaremos. A todos agradeço a vossa presença aqui, a bem da nossa nação e da nossa santa Lei.

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Ezequiel Miguel

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Vai e não peques mais!

(Realidade & ficção)

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Jesus19Jesus e os seus Apóstolos hospedaram-se em casa de uns familiares, a fim de lá festejarem um acontecimento relevante, um dos dias festivos de Israel.

Todos se preparavam para, após o jantar e o serão, se acomodarem o melhor que pudessem. Como não estava previsto que alguém saísse de casa naquela noite, o portão de acesso à casa já tinha sido fechado, assim como a porta da casa. Mas, de repente, soaram pancadas insistentes e aflitivas no portão, que deixaram intrigados todos os habitantes da casa. Dizendo todos não digo bem, porque Jesus não mostrou qualquer receio, pois sabia do que se tratava. Manteve-se calmo e tentou acalmar os apóstolos, que já imaginavam um destacamento de fariseus prontos a assaltar a casa para os prenderem a todos.

Jesus – Judas (Iscariotes) , podes ir abrir e ver quem é e o que quer?

Judas Iscariotes – Eu? Ui! Nem penses! Eu já estou a tremer de medo! Não me obrigues a isso! É melhor pedires a outro! Imagina que alguém me ataca para se vingar de mim! Eu não tenho armas para me defender e, além disso, está uma escuridão de cortar à faca!

Jesus – Judas, Eu sempre soube que tu não tens armas para te defenderes daquele que já te prendeu!… Vai lá, até porque tu sabes quem é e o que quer. Não precisas de punhal nem de espada, porque não serás atacado. Eu tenho interesse em que sejas tu a atender essa pessoa.

Judas – Não! Isso não! Eu vou mas é a esconder-me num canto qualquer, de modo que ninguém me veja. Tu tens muitos inimigos e eu…sei lá o que poderá acontecer-me se souberem que estou aqui contigo. Seja quem for e o que for, eu não tenho nada a ver com isso!

Jesus – Judas, olha bem para Mim! Olhos nos olhos! Não tens mesmo nada a ver com isso?…

Judas – Pronto, está bem! Mas não quero saber disso! Há aqui muitos que tu possas escolher para ir abrir! Eu recuso!

João – Mestre, queres que eu vá?

Jesus – Não! Convido antes Simão de Jonas (=Pedro). Podes ir tu ver quem é?

Entretanto, as pancadas do lado de fora continuavam e, abrindo-se a porta da casa, foi possível ouvir, vindo do lado de lá do portão:

Mulher – Abri! Sou uma infeliz, cheia de fome e de frio, e preciso da ajuda de Jesus de Nazaré. Estou muito doente e quero pedir-lhe que me cure! Abri, por favor!

Simão de Jonas – Mestre, queres ainda que eu vá abrir? Mas, pode ser uma cilada, pois atrás dela podem estar fariseus ou soldados de Herodes. Deixa-nos preparar! Nós todos chegaremos para os conter, se tentarem assaltar-nos.

Jesus – Não é preciso! Arranjai-Me uma luz e Eu próprio vou abrir. Vós ficai todos sossegados, porque a Minha hora ainda não chegou. E quando chegar, serei Eu que Me entrego voluntariamente. Quando Eu abrir, vós recolhei-vos lá dentro e não interfirais em nada! Eu atenderei a pessoa lá fora. Que ninguém se deixe ver! A mulher que está lá fora é mais uma das prostitutas enviadas para Me apanharem em pecado. Aqui bem perto estão espiões já preparados para a verem sair desta casa e concluírem aquilo que desejam concluir, para depois transmitirem ao Sinédrio. Eu não a mandarei franquear o portão e conversarei com ela lá fora, na rua.

Pedro – Mestre, nós ficaremos atrás do portão, preparados para Te defender, caso seja preciso. Nunca se sabe!…

Jesus – Sim, mas mantende-vos em absoluto silêncio! (Depois de abrir o portão) Olá, mulher! Por aqui a estas horas? Que pretendes de Mim? Fala!

Mulher – (Silêncio)

Jesus – Então?

Mulher – (Atrapalhada) Senhor, eu…eu… eu…

Jesus – Tem coragem, fala! Não disseste que precisavas da Minha ajuda? Eu estou aqui para isso. Se não falas…terei de falar Eu!

Mulher – Mestre, eu não sei como começar!…

Jesus – Tens razão, mulher! És mesmo uma miserável, uma pobre, uma desgraçada, uma leprosa, não do corpo, que tu enfeitas, besuntas com óleos e perfumes, exibes provocantemente para atraíres os homens. O teu modo de vestir não engana ninguém a respeito da tua actividade pecaminosa. Tu nem sonhas o grau de miséria moral a que chegaste e a desgraça que pode atingir-te, se morreres sem te converteres. As chamas do inferno já esperam por ti há muito tempo e continuarão à espera até ao dia em que te arrependas e deixes essa vida que levas. Não precisas de contar muita coisa a respeito de ti, porque Eu conheço toda a tua vida ao pormenor. O Senhor deu-te um corpo bem feito e um rosto bonito, mas não foi para andares nessa vida de pecado, em permanente ingratidão ao teu Criador, que esperava de ti, e ainda espera, uma alma bela e pura num corpo que, além de belo, também devia ser puro. Mas tu usa-lo para pintares a tua alma de negro. Que garantia tens tu de que não morrerás amanhã, ou ainda hoje, ficando a arder no inferno por toda a eternidade, sem que ninguém nem nada te possa valer? Liberta-te, desde agora, daqueles que te escravizam, daqueles que de ti só querem o teu corpo, mas que, no fundo, te odeiam e te acham nojenta. Aproveita a tua vinda até Mim, para bem da tua alma! À tua frente está Aquele que pode salvar-te, modificar-te, santificar-te,…se assim o desejares com todas as forças da tua alma. Outras como tu já se converteram e andam no caminho da santidade. Não saias daqui sem te decidires, pois esta é a hora em que o teu Deus marcou encontro contigo! Não O deixes passar em vão!

Mulher – Sim, Senhor, mas eu…

Jesus – Tu não estás doente do corpo, como quiseste fazer crer. Mentiste, quando clamaste seres doente e miserável, a precisar de cura. Não tens fome nem frio nem és uma sem-abrigo! Essas bugigangas metálicas que trazes aí penduradas o demonstram. Tu precisas realmente de cura, mas não é do corpo. Digo-te mais, mulher! Tu vieste aqui a mando do Sinédrio, para tentares levar-Me ao pecado, algo que ninguém conseguirá, por muito que o tente, pois a concupiscência da carne não exerce domínio algum sobre Mim. Além de Homem, eu sou o Filho de Deus, o Messias, e vim também para pessoas como tu, ovelhas perdidas de Israel, a precisar de Mim como Pastor.

Mulher – É verdade, Senhor! Eu sou mesmo o que tu dizes e já vejo que conheces as pessoas e a miséria que vai nelas. Eu sou realmente como dizes e vim mesmo para te tentar, contratada por um dos teus discípulos, por sua vez contratado pelo Sinédrio. Eles precisam urgentemente de te apanhar em pecado e eu prestei-me vergonhosamente a isso. Já vejo, Senhor! Eu estou mesmo doente da alma e podes curar-me! Eu quero curar-me! Ajuda-me! Peço-te perdão pelo meu acto tresloucado e afasta de mim esse teu discípulo, que está aí contigo! Também não quero voltar a encontrar-me com aqueles do Sinédrio, que te odeiam e que não acreditam em Ti!

Jesus – Diz-me: Que mal já te fiz eu, para te prestares a esse serviço de Satanás?

Mulher – Aqueles teus inimigos de Jerusalém pagaram-me bem para eu lhes provar que tu não és mais que um simples homem, pois eles não vêem em ti o Messias prometido. Eles prometeram-me fazer-me viver como uma rainha, se conseguisse levar-te a viver comigo ou, pelo menos, nos vissem entrar juntos em minha casa. Também prometeram que, fazendo isso, eles não te fariam nenhum mal, porque…teriam a prova daquilo que querem.

Jesus – Então, agora aproveito Eu para te dizer quem realmente sou. Eu sou mais do que Jesus de Nazaré, que tu vês e conheces apenas como Homem, porque já Me viste anteriormente. Eu sou o Messias de Israel, o Filho de Deus feito Homem, o Salvador, o Redentor, Deus e Homem, Aquele que veio para tirar o pecado do mundo. Eu amo os homens com amor infinito, para salvar as suas almas, porque todas as almas são propriedade de Deus, incluindo a tua. Em nome desse Amor, Eu perdoo o teu atrevimento. Tu acordas cada dia com um peso na consciência, a relembrar-te, por contraste, a tua alegre inocência infantil e juvenil, a tal ponto que tu própria tens hoje nojo de ti, apesar dos disfarces que usas para te tonares desejada. Mesmo usando unguentos e perfumes, tu cheiras mal a ti própria. Os pesadelos interrompem o teu sono e tu acordas cansada das tuas lutas interiores. Deitas-te inquieta, porque sabes que a ira de Deus pode desabar sobre ti a qualquer momento, visto que O desafias, adiando a tua conversão. Esse teu medo de morrer diz-te que tens de mudar quanto antes. E como será a tua morte, se não te converteres a tempo? Estás preparada para enfrentar os angustiantes terrores dessa hora? Eu estou aqui para te ajudar, como pediste. Eu sou a Bondade, o Perdão, a Misericórdia, o Amor, o Bom Pastor das ovelhas perdidas.

Mulher – ( De joelhos e chorando ) Senhor!…É tudo como dizes! Perdoa-me! Prometo largar esta vida e esconder-me daqueles que me procuram.

Jesus – Está bem, mulher! Vejo em ti arrependimento sincero. Quem te enviou é mais culpado do que tu. Mas Deus sabe tirar o Bem, mesmo de coisas más em si. Irás enfileirar, se te converteres, no número de outras que já foram como tu, mas que, agora, são Minhas discípulas.

Mulher – O que devo fazer a partir de agora?

Jesus – Abandona os lugares de pecado e afasta de ti todos os que te tentarem ao pecado. Muda de roupas e anda vestida discretamente, decentemente, de modo a não chamares a atenção. Desfaz-te das jóias, braceletes, cordões, anéis, broches, ornamentos da cabeça, vende o que tiver valor e dá o dinheiro aos pobres!

Mulher – É isso mesmo que vou fazer! E já! Tiro já estes malditos enfeites e tudo o que aqueles malditos me ofereceram em troca do pecado. Eu os piso, os escavaco e os trato como lixo maldito (Pisa-os com furor e violência). Também rasgo estas roupas imundas que serviram de chamariz para o pecado, para escravos da carne como eu (Rasga o vestido semitransparente, passando a cobrir-se com o manto). E também, com esta pedra e as unhas, rasgo o meu rosto, de modo a que a minha beleza não leve mais ninguém ao pecado ( Esfrega o rosto com a pedra e com as unhas, deixando-o em sangue. Caída de bruços aos pés de Jesus): Perdoa-me, perdoa-me, perdoa-me, meu Senhor!

Jesus – As tuas lágrimas sentidas e o teu arrependimento são garantia de firmeza nos teus propósitos e já te puseram no caminho certo. Eu te perdoo! Começa uma nova vida e conta Comigo para uma recuperação completa. Sempre que puderes, aparece nas minhas pregações. Vai em paz e não peques mais!

Mulher – Mas, Senhor, tenho um problema!…

Jesus – Diz! Eles estão, aqui perto, à minha espera! E não sei o que me acontecerá se me apanham neste estado e concluírem que falhei…Eles ameaçaram-me, se falhasse!…

Jesus – Então, espera aqui e não te deixes ver! Eu vou falar com a dona da casa e ela, que é da minha confiança, te dará outras roupas, te esconderá e te protegerá até chegar a manhã. Tem confiança em Mim, que nada te acontecerá!

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Ezequiel Miguel

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Jesus chora sobre Jerusalém

 

(Realidade e Ficção)

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Jesus e os Seus apóstolos encontram-se no Monte das Oliveiras, que fica sobranceiro a Jerusalém. Conversam animadamente, mas o rosto de Jesus deixa transparecer uma sombra de tristeza. Sentados à sombra de uma árvore, descansam das fadigas da caminhada. Sem que os Apóstolos se apercebam disso, Jesus afasta-se do grupo para um ponto mais alto e ali fica de pé a contemplar a cidade, que se aninha lá no fundo, a curta distância.

Tiago – Olhai para o Mestre! Passa-se qualquer coisa com Ele. Saiu daqui, afastou-se, não nos disse nada e parece estranho. É melhor irmos lá a ver!

João – Não! Deixemo-lO em paz. Deve estar a rezar, como já tem feito outras vezes. Ele afasta-se sempre que precisa de orar ao Pai.

Pedro – (Depois de olhar bem…) Não! Há qualquer coisa. Vamos lá!…Será que Ele está magoado com algum de nós ou com alguém da multidão? Mas nós não detectámos nenhum dos Seus inimigos! É melhor irmos até lá!…

João – Mestre, Tu estás a chorar! Que se passa?

Pedro – Mestre, quem de nós Te magoou? Foi o…? Diz-nos quem te faz chorar!

Tiago – Mestre, nós Te amamos…e sofremos com as Tuas lágrimas!

Jesus – Não sois vós que Me fazeis sofrer nem é por vossa causa que Me saem estas lágrimas. Vós sois meus amigos e espero que sempre o sejais, sobretudo na hora que se aproxima, em que a torrente do Mal vai cair sobre Mim. (Estendendo a mão na direcção de Jerusalém) Vedes esta cidade? É lá que jorra a corrupção, a maldade, o crime, a desonestidade, a hipocrisia, o desígnio de retirar o Messias do número dos vivos. Esta deveria ser a Cidade Santa, a Cidade de Deus, a Morada do Altíssimo entre o Seu Povo, porque a Santidade morava nela e veio até ela para a santificar. A ela foi concedida a honra de ser a esposa santa de um Santo Esposo, mas ela virou prostituta…e não mais se redimirá. Os rios de santidade de que fala o profeta (Ez 47, 7) deixarão de correr do Templo vivo, porque os seus habitantes O destruirão. Por ela Eu nada mais posso fazer, porque ela está corrompida até aos alicerces. O Messias veio para ela, mas ela irá ficar viúva. O seu lugar irá ser ocupado pelos pagãos, que entrarão no reino de Deus, enquanto ela ficará fora, por rejeitar o seu Messias, há tantos séculos anunciado pelos profetas.

Judas – Mestre, nós não seremos incluídos naqueles que Te vão rejeitar. Nós cremos em Ti e morreremos por Ti, se for necessário!

Todos – Sim, morreremos contigo!

Jesus – Oxalá sejais meus amigos até esse ponto! Mas vigiai e orai, pois Satanás está muito activo e nervoso, porque já falta pouco para ser derrotado e ele anda à volta de todos nós a rugir. A Mim quer impedir-Me de cumprir a vontade do Pai e a vós quer desviar-vos, para se vingar de Mim.(Olhando para Judas) Ai daquele que se deixar cair nas suas garras! Esse será para sempre maldito. (Virando-se para Jerusalém)  “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes Eu quis ajuntar os teus filhos como a galinha recolhe os seus pintainhos debaixo das suas asas e tu não quiseste. Eis que a vossa casa ficará abandonada…(Mt 23, 37-38)” E também acabarás  por matar Aquele que veio a ti para te dar a Vida!  Eu continuo orando pela tua redenção. Dentro de pouco tempo deixarás de Me ver, mas espera até ao dia em que o exército estrangeiro  te cercará e rios de sangue correrão dentro de ti.  O grandioso Templo de pedra que é a tua glória…verá a ruína total, porque recusaste a salvação que te foi oferecida. Se tu nesta hora conhecesses a mensagem de paz ! Agora, porém, isso está escondido a teus olhos. Pois dias virão sobre ti e os teus inimigos te cercarão com trincheiras, te rodearão e te apertarão por todos os lados. Deitar-te-ão por terra a ti e aos teus filhos no meio de ti e não deixarão de ti pedra sobre pedra, porque não reconheceste o tempo em que foste visitada(Lc 19 , 41- 44).

Pedro – Mestre, Tu dizes coisas terríveis sobre Jerusalém. Isso acontecerá mesmo? A cidade e o Templo serão destruídos?

Jesus – Tudo isso acontecerá ainda na vida desta geração e nos dias da ira até as mães comerão os seus filhos para não morrerem à fome. O ódio que esta cidade Me dedica cairá sobre ela, porque o ódio atrai ódio e ela beberá o cálice amargo do ódio até à última gota e ninguém terá piedade dela, porque recusou o Amor que lhe foi enviado.

João – Mestre,  o que acontecerá aos habitantes de Jerusalém?

Jesus – Uns morrerão pela espada e pela fome e outros serão levados como prisioneiros e humilhados. Nesses dias pedirão misericórdia, mas ninguém os ouvirá, porque essa hora será a hora da justiça divina ofendida. Eu choro pela Minha cidade, pela Minha Pátria e por aqueles que morrerão e se condenarão por terem atraído, com os seus pecados, tão grande tragédia.

André – Mestre, estamos assustados! Vai ser mesmo assim? Não se poderá evitar?

Jesus – Eles ainda estão a tempo, mas pensais vós que ainda seja possível?

Judas Iscariotes – Mestre, eu não conheço ninguém que queira matar-te. Não poderás retirar essa profecia horrível?

Jesus – Que contributo podes tu dar para que isso não aconteça…?

Judas corou ao ver que todos os olhares caíram sobre ele, mas ficou em silêncio.

Tiago – (Em pânico, porque Jesus já lhe tinha dito que ele seria o 1º bispo de Jerusalém). Mestre, e a nós, o que nos acontecerá?

Jesus – O Pai do Céu velará por vós, mesmo caindo mil à vossa esquerda e dez mil à vossa direita (Sl 90).

Tomé – Mas, Mestre, dás a entender que o pecado atrai punições para as pessoas, para as cidades, para os povos e para as nações.

Jesus – E dizes bem, Tomé. É mesmo assim.

Judas Iscariotes – Mas então as pessoas não poderão acusar Deus de ser vingativo? Ora, Tu ensinas que Deus é misericordioso, tolerante e compassivo (Sl 102)!

Jesus – Deus não se vinga. Deus compadece-se do homem e de todo o sofrimento que cai sobre ele desde a queda de Adão e Eva até ao fim do mundo. É o homem que provoca todas as desgraças de que é vitima, pela infracção das leis divinas, cuja gravidade arrasta a desarmonia e o caos na Natureza física e na natureza humana, pondo os homens em conflito entre si e a Natureza contra eles. Tudo isto porque o pecado vai enfraquecer os diques do Mal, seguros pela mão poderosa de Deus. Quando Deus se sente muito ofendido pelo pecado generalizado, afrouxa as amarras do Mal e este, que tem vida própria, liberta as suas forças, dando origem a guerras, pestes, pandemias, vulcões, terramotos, secas, inundações…Por isso, quando os homens virem sobre eles estas desgraças, deverão concluir que algo de errado se passa com eles, em vez de atribuírem a causa ao seu Deus. Deus não é o Autor do Mal, mas é o homem que o provoca, pois todo o pecado, e sobretudo certos tipos de pecado, clamam vingança aos Céus, tal como o sangue de Abel clamava vingança sobre Caim. Tem sido sempre assim, é assim e continuará a ser assim. A própria história de Israel o demonstra. Se evocardes o Êxodo, as derrotas de Israel, as invasões de exércitos estrangeiros, os exílios da Babilónia…tereis a confirmação de que é assim. Este Povo e as suas autoridades nunca ligaram importância aos avisos que o Senhor lhes enviava pelos profetas, desprezando também a bondade do Pai, que acabou por lhes enviar o Seu próprio Filho. É neste contexto que, ao contemplar esta cidade, o Meu coração verte lágrimas, por não poder impedir a maldição que ela já gerou, de que não posso dissociar a horrível profanação do Templo, a Casa de Meu Pai, por parte daqueles que foram lá postos para serem santos e exercerem um ministério santo.

João – Mestre, e depois da destruição do Templo? Voltará a ser reconstruído uma vez mais?

Jesus – Não! Ficarão dele uns restos para lembrar a Israel…como memorial de uma tragédia.(1) E agora, vamos!

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As mais recentes tragédias surgidas um pouco por todo o lado, ainda frescas na memória, levam-nos a perguntar sobre quantas cidades Jesus já chorou e continuará a chorar…

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(1)   – Cumprida no ano 70, sob o comando do general Tito, comandante do exército romano.

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Ezequiel Miguel

Jesus é convidado para Rei de Israel

(Realidade & ficção)

Personagens: Jesus, Samuel, doutores da Lei, sacerdotes, fariseus, anciãos, cortesãos de Herodes…

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reiSamuel era um dos amigos de Jesus, mas também um que se relacionava com Herodes e seus amigos, pois desempenhava funções na corte de Herodes, sendo lá visto como discípulo ou simpatizante de Cristo.

Por um lado, a sua casa estava à disposição de Jesus em suas andanças apostólicas, por outro, ele desempenhava funções no palácio de Herodes, tentando estabelecer um equilíbrio entre ambas as situações: Não desagradar a Cristo por causa de Herodes e da sua corte e não prejudicar Herodes por causa de Cristo. Mas Samuel, pessoa influente mesmo entre os membros do Sinédrio e das autoridades do Templo, estava incapaz de se decidir radicalmente por uma situação ou por outra, ao contrário de Susana, sua mulher, incondicionalmente discípula de Jesus.

A actividade de Cristo e a Sua pregação não deixavam nenhuma autoridade indiferente. Uns eram criticados por estarem contra Ele, outros eram criticados por não estarem a favor Dele e outros por não se definirem radicalmente a favor Dele.

Certo dia, surgiu na cabeça de alguém influente a ideia de que se deveria convidar Jesus para Rei de Israel, pois já estava provado que Ele era mesmo o Messias prometido e esperado. E, por um motivo ou por outro, era chegado o tempo de tratar do assunto e quanto mais depressa, melhor. Esta ideia começou a girar secretamente, de boca em boca, em volta de personagens bem escolhidos, com aqueles cuidados que um complot exige: reuniões secretas em locais secretos, absoluto sigilo dos conjurados, um cabecilha que coordene e vá fazendo andar o processo e uma vigilância segura. Assim se ia fazendo, não fosse o assunto levado ao conhecimento dos Romanos ou de Herodes e se deitasse tudo a perder, com a inexorável condenação à morte de todos os intervenientes.

Entre os conjurados havia fariseus, membros do Sinédrio, sacerdotes, anciãos, doutores da Lei, cortesãos de Herodes e discípulos de Jesus, públicos, meio- públicos, secretos , conhecidos ou desconhecidos de Jesus, todos unidos por esta ideia: Era tempo de restaurar o Reino de Israel, caído, humilhado e vergado ao chicote do inimigo romano. Para mais, julgando eles interpretar correctamente os Profetas, o Messias era apresentado como o Rei e o Libertador de Israel. Assim, sendo Jesus aceite como Messias, o resto viria por acréscimo. Bastaria oficializar o facto e proceder-se à unção com o óleo e consequente coroação de Jesus. Do apoio de todo o povo ninguém duvidaria, mesmo daqueles espalhados pela diáspora, e que eram muitos.

Assim como o segredo é a alma do negócio, muito mais o é no caso de uma conspiração. E chegou, finalmente, o dia em que Samuel, um dos meio-amigos poderosos de Jesus, O convidou, em nome dos outros conspiradores, para um encontro secreto de pessoas importantes na sua casa de campo, distando de Jerusalém uns quilómetros, em local insuspeito, pessoas que estavam dispostas a ouvir a Sua Palavra de Messias de Israel.

Tudo devidamente preparado, os quarenta conjurados partiram, antecipadamente, em carros puxados por bois, burros ou cavalos , separados por boas distâncias, para não levantar suspeitas, em direcção à casa de campo de Samuel. Finalmente, partiu também aquele que levava Samuel e o Mestre. Quando eles chegaram, já todos os outros os aguardavam serenamente, não tendo revelado nenhum entusiasmo pelos recém- chegados, como é próprio de uma atmosfera de conspiração, em que todos as palavras, gestos , atitudes e passos têm de ser cuidadosamente pesados, contados e medidos.

Samuel, o dono da casa, levou toda a gente para uma sala espaçosa e apresentou a Jesus todos os presentes, um por um, referindo os nomes, categorias e funções que desempenhavam, quer no Templo quer no palácio de Herodes, quer em sinagogas, tudo gente selecta, séria e respeitável a vários títulos. Cristo não precisou de ser apresentado, porque já todos O conheciam e já todos estavam a par do que fazia e do que dizia, assim como os seus conflitos com os Seus inimigos, alguns dos quais estavam ali estranhamente presentes.

Samuel, como hospedeiro de tão ilustre gente, fez o que lhe competia:

Samuel - A todos dou as boas-vindas e todos damos as boas vindas a Jesus de Nazaré, poderoso em palavras e obras, o nosso Messias prometido e profetizado, aqui presente entre nós. Todos nós agradecemos a Sua presença entre os grandes de Israel, pois a Sua sabedoria ultrapassa tudo o que sobre o assunto possamos dizer e nós estamos aqui para O ouvir, mas também para que Ele nos oriente naquilo que nós consideramos importante para Israel.

Seguiu-se a refeição, em que pouco se falou, pois o ambiente era de mútua desconfiança, em que as palavras ficaram contidas dentro de cada um. Os olhares, porém, viajavam, intrigados, de uns para os outros, de todos para Cristo e de Cristo para todos. Quando alguém falava, fazia-o em voz baixa, de modo a que só o vizinho do lado ouvisse e fosse ouvido. E assim decorreu a refeição, em ambiente sério e quase silencioso, como se todos tivessem algo a dizer, mas que não deveria ser dito. Acabada a refeição, chegou mesmo o momento de atacar o problema que tinha congregado aqueles homens. O dono da casa tomou a palavra:

Samuel – Mestre, chegou o momento de Te explicarmos o que nos levou a convidar-Te para esta reunião, assim como os cuidados que tivemos em que ela se mantivesse secreta, de modo a não chegar ao conhecimento de Herodes nem de Pilatos, pois os consideramos inimigos de Israel. Aqui, podemos falar à vontade, sem receio de que alguém, indesejado, nos ouça. Nós convidámos-Te porque Te respeitamos, veneramos, aceitamos como Messias, admiramos a tua sabedoria e o teu poder em fazer obras grandiosas, porque Deus está Contigo.

Não querendo alargar-me muito, digo apenas que, em nome do povo de Israel, oprimido e enxovalhado pelos romanos, Te convidamos para aceitares ser eleito o Rei de Israel, o Príncipe da Paz, o Libertador. Podes contar com as nossas riquezas para Te darmos um palácio real, um reinado que prestigie a nossa nação e um exército que nos restitua a dignidade, expulsando o invasor e deitando abaixo aquele antro de pouca-vergonha que é o palácio de Herodes. …Gostaria de ouvir o que tens a dizer-nos sobre esta proposta, que tem a aprovação de nós todos e de todo o Israel.

Jesus – (Silêncio)

Samuel – Então?…Já vejo que precisas de pensar. Vou dar-Te tempo para isso. Entretanto, dou a palavra a outro.

Cortesão de Herodes – Rabi, todo o Israel sabe o que se passa no palácio de Herodes, sem que ninguém seja capaz de corrigir seja o que for. É certo que temos um rei, mas não é o rei que Israel precisa. Este que temos é um rei fraco e subserviente aos romanos, que são quem realmente manda no país. É para Israel humilhante que este povo tenha chegado ao que chegou. Faltam-nos chefes e condutores da nação que imitem as antigas glórias militares de Israel. Este povo, o povo escolhido por Deus, não vive, mas vegeta como escravo. A maior parte dos cortesãos de Herodes concordam que sejas Tu aquele que merece reinar em Israel como rei soberano e sem concorrência estrangeira. Por isso, em meu nome, e no de todos os que habitamos ou trabalhamos no palácio de Herodes, fazemos-Te o solene convite para aceitares a Tua eleição para Rei de Israel, restaurando assim a antiga realeza, pois reconhecemos em Ti que vieste a este mundo para seres mesmo o Messias esperado, com o glorioso destino de ocupares o trono real em Israel. Poderás dizer-nos o que pensas sobre o assunto?

Jesus –( Silêncio)

Cortesão de Herodes – Pelo que vejo, ainda não pensaste bem no problema.

Jesus – Direi o que penso quando não houver mais ninguém para falar.

Cortesão de Herodes – Então, cedo a palavra a outro.

Ancião do povo – Na minha já avançada idade não queria despedir-me desta vida sem a minha última consolação: ver-Te instalado num palácio real digno de ti. És justo, sábio, tolerante, compassivo, tens poderes extraordinários que Deus Te deu e sabemos todos que os tens posto ao serviço do nosso povo. Tens uma sabedoria que ultrapassa a de Salomão, e Israel, dirigido por um rei a sério, seria compensado por estes anos em que gemeu sob o poder arbitrário das autoridades civis que nos têm governado, isto é, desgovernado. Eu falo em nome de todos os Anciãos de Israel, que pensam como eu e aprovam que Te convide também para assumires o trono real, mesmo que para isso tenhamos de construir um palácio real novo, de onde governarias o novo Israel, porque este parece ter sido abandonado por Yahweh. Aceita a nossa proposta e todo o Israel exultará de alegria e cantará salmos de louvor ao nosso Deus! … (Silêncio)…Então? Que respondes ao nosso convite?

Jesus –( Silêncio )

Sacerdote – Eu ouvi atentamente o que os outros disseram e concordo em absoluto com eles. Embora não sejas originário da tribo de Levi, nós te consagraremos ao sacerdócio, te nomearemos Doutor da Lei e te ungiremos com o óleo da realeza, ficando sacerdote e rei de Israel para sempre. Acho, e todos lá no Templo achamos que, em Israel, só tu és digno de ser ungido e coroado Rei de Israel. Todos nós vemos em ti o Messias Libertador que os profetas anunciam, incluíndo Anás e Caifás, os sumos sacerdotes. Eles te pedem desculpas por uma certa animosidade para contigo, talvez por informações erróneas, mas agora pensam como nós e dizem que Tu serias a honra e a glória do nosso Templo e do nosso Povo, cansado de tanto sofrimento imposto pelos profanadores das nossas coisas santas. Nós também estamos a par das Tuas obras de bem em favor dos doentes, dos pobres e dos oprimidos pelas dificuldades da vida. Já imaginaste o bem que seria termos um Rei santo, justo, poderoso, sábio, com poderes para resolver tantos problemas que afectam o nosso Povo? À semelhança dos anteriores intervenientes neste convite, aqui vai também o meu, que tem a aprovação de todos os que vivem ou trabalham no Templo….

Jesus – ( Após uns momentos de silêncio, pondo-se de pé e girando o olhar por todos os presentes) A minha resposta ao vosso convite é: Nãaooo!!! Eu sabia qual a finalidade deste nosso encontro aqui, mas vim porque já tinha prometido que vinha e também para vos mostrar que Eu não tenho medo de ninguém nas minhas actividades apostólicas. Há aqui dois tipos de pessoas: umas dizem ser meus discípulos, mas ainda compreenderam pouco sobre a minha missão em Israel; outras, como tu, ó sacerdote, tu, ó cortesão de Herodes, tu, ó Ancião do Povo,…. pura e simplesmente, mentis! Os vossos discursos e a vossa presença aqui são de mentira!

Doutor da Lei – O quê?! Acusas-nos de mentira? Vê lá como falas? Nós somos os santos de Israel. Que provas tens tu contra nós?

Jesus – Repito: Mentis!…Tanto a vossa presença como a vossa linguagem é de mentira! Nem no Templo, nem na corte de Herodes, nem os fariseus, nem os saduceus, nem os doutores da Lei, nem os sacerdotes Me aceitam como Messias! E, muito menos, Anás e Caifás! Se Me aceitassem, já teriam dados provas disso. E o que fazem? Espiam-Me, armam-Me ciladas para Me apanharem em pecado, acusam-Me de ser um agitador, um amigo de Belzebú, um comilão que come com publicanos, um que aceita conversar com meretrizes, um profanador da Lei,…e muito mais! Vós viestes aqui para me armardes mais uma cilada, preparada cuidadosamente e servindo-vos de má fé para convencer aqueles que estão do Meu lado. Eu não posso aceitar o vosso convite, porque Eu já sou Rei, mas das almas de Israel, porque o Meu reino é espiritual. Eu nunca serei ungido nem coroado Rei temporal de Israel, porque Eu já fui ungido e coroado Rei das almas, e só elas Me interessam em absoluto. Só por causa delas é que Eu vim ao mundo, disposto a pagar o preço que elas custam. Eu sou Aquele, como dizia João Baptista, que tira o pecado do mundo e também tirarei os vossos, se aceitardes a Minha Pessoa, a Minha doutrina da Boa Nova e vos arrependerdes.

Se Eu aceitasse, aqui e agora, a unção e a coroação como Rei de Israel, amanhã iríeis a correr ao Sinédrio, ao palácio de Pilatos e ao de Herodes, contando-lhes as coisas à vossa maneira, seguindo-se depois uma perseguição com efeitos para vós imprevisíveis. A Mim nada aconteceria, pois a Mim ninguém Me tirará a vida. Eu sou o Senhor da vida, da minha e da vossa, e a Minha sou Eu que a dou, quando chegar a hora, para remir a humanidade, estabelecendo neste mundo o Reino de Deus, do qual sou mesmo o Rei.

Além do mais, que seria de vós quando os romanos vos caíssem em cima e vos massacrassem como traidores a César e traidores a Herodes? Onde vos meteríeis para escapar ao massacre? Resumindo e reiterando a Minha resposta ao vosso convite, que não passa de uma armadilha: NÃAOO!… Aos meus amigos e discípulos aqui presentes censuro o facto de ainda não terem compreendido cabalmente a Minha missão e a deles, mas têm a seu favor o facto de terem sido enganados e instrumentalizados por pessoas sem escrúpulos e a mando do Sinédrio. Aos outros, só tenho de perdoar, porque não sabem o que fazem! Termino com uma pergunta final? Porque não estão aqui aqueles do Sinédrio que Me aceitam ou que não Me combatem, tais como Gamaliel, Nicodemos, José de Arimateia, Eleazar e outros? Porque esses são rectos de coração,… a sabedoria divina está com eles, tornando-os capazes de discernir o que está bem e o que está mal, o que devem ou não devem fazer, e que vêem ao perto e ao longe!…

E Jesus sai imediatamente da sala e da casa, enfia-se no meio de um canavial e abandona o local, caminhando ao longo da costa até encontrar a barca em que alguns discípulos pescam.

Entretanto, arma-se uma confusão na sala, cada grupo chamando traidores aos outros e atribuindo-se mutuamente as culpas pelo falhanço. Enquanto uns sugerem que se vá atrás de Jesus para O prenderem, outros aconselham que se Lhe peça desculpas, outros ainda sugerem que se apanhe e se feche na casa até Ele aceitar a realeza. No final, todos responsabilizam todos pelo falhanço, mas em Jesus ninguém mais põe o olho, porque, em poucos segundos, deixa os perseguidores confundidos, sem encontrarem uma explicação para aquele desaparecimento quase instantâneo.

Quando Jesus se julgou seguro, sentou-se, descansou e acalmou. Era já noite. E Jesus chorou!

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Ezequiel Miguel

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Jesus em casa de Pedro

(Realidade & Ficção)

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Personagens:

. Jesus

. Simão Pedro (= Pedro = Simão de Jonas)

Jesus encontra-se em casa de Simão Pedro. A suprema honra para os seus discípulos era conseguir que Jesus se dignasse pisar o soalho de madeira ou o piso térreo de suas casa.

Os preparativos para uma digna hospedagem do Mestre em Casa de Pedro não davam descanso a ninguém e muito menos à esposa e à sogra de Pedro, que pouco podia fazer, por motivo de doença. A doença, no entanto, não a impedia de uma permanente rabugice contra a filha e contra Pedro, de cujos motivos nenhum dos evangelistas levanta a mais leve suspeita. Se nos é permitido alvitrar algum motivo, poderemos tentar adivinhar que ela rabujava contra ele por se ausentar frequente e demoradamente de casa, por deixar a mulher tanto tempo sozinha, por deixar a barca de pesca ancorada à espera que os peixes decidissem saltar para dentro…ou ainda outro qualquer motivo, se é que precisaria de mais algum. Naquele dia, podia acusar Pedro de nada fazer na cozinha, limitando-se a comportar-se como Maria em casa de Lázaro. Neste caso, Pedro seria a Maria, a sogra e a esposa de Pedro seriam as Martas a trabalhar e a protestar. O caso também não seria para menos, pois o ilustre Hóspede não vinha ali todos os dias, embora soubesse que a casa e a barca de Pedro estavam sempre à disposição.

A engrossar o número das especulações estava o facto de a casa estar quase a ser afogada pela multidão que reivindicava ver o Mestre e cuja barulheira de vozes infectava o até agora pacato ambiente da pequena casa de Pedro em Cafarnaum. Atrevo-me a dizer que a sogra de Pedro não lhe poupava críticas azedas. Sim, porque elas vinham sempre azedas, por não mandar calar aquela multidão que as incomodava a elas e, em seu entender, também o seu Ilustre Hóspede. Foi então que Pedro, na falta de um microfone ou de um megafone ainda não existentes, tentou pacificar a multidão, pedindo e repetindo que deixassem o Mestre em paz e que respeitassem também todos os da sua casa, pois um acontecimento daqueles poderia não se repetir. Eles teriam mais ocasiões para ouvir o Mestre, por isso, exigia que se fossem embora, indicando-lhes uma certa hora para voltarem e ouvirem o Mestre. Além disso, ficaria mal a ele, Pedro, deixar o Mestre ser importunado na sua própria casa! Como de nada valeria correr aquela multidão à vassourada, Pedro queixou-se a Jesus, pedindo-lhe desculpa pelo atrevimento, falta de educação e de civismo da multidão.

Jesus – Pedro, deixa a multidão em paz. Eles têm sede e não se pode mandá-los embora sem beberem!

Pedro – Mestre, mas onde é que eu tenho bebida para toda esta gente? Não me dirás?

Jesus – Eles não querem da água em que tu estás a pensar. Eles têm sede da minha Palavra, por isso, não te preocupes com eles! Quem tiver sede de Mim poderá saciar-se!

Pedro – Logo vi, Mestre! Tu dás-me sempre a volta, ensinas, ensinas,…eu fixo tudo o que Tu dizes, mas no dia seguinte já não tenho cá nada. Sou uma cabeça de abóbora, pelada por fora, oca por dentro e ainda com dois buracos, um por onde as Tuas Palavras entram e outro por onde Elas saem.

Jesus – Não sejas tão crítico a teu respeito! Com os outros também acontece isso?

Pedro – Eu tenho falado com eles e eles dizem que também lhes acontece o mesmo. Quando tu falas às multidões, eu, pelo menos, não percebo nada; depois, quando tu nos explicas as coisas em particular, entra-me cá tudo e compreendo, mas no dia seguinte varreu-se-me tudo! Só João é que é capaz de repetir um discurso Teu de fio a pavio, às vezes até com as mesmas palavras que Tu disseste! Quem me dera ser como ele! Eu sou uma nulidade, excepto em pescar e lidar com a barca e com as redes.

Jesus – Virão melhores dias! Um dia falarás tão bem como o João e terás uma memória jovem que arquivará toda a minha doutrina, para a poderes proclamar e defender. Tu serás aquele que orientará os outros e eles deixar-se-ão orientar por ti, porque tu me substituirás e ficarás à frente do Reino de Deus na Terra!

Pedro – Eu? Nem penses! Eu seria a ruína do Teu Reino. Eu não sou capaz de dizer três palavras seguidas e tu queres fazer de mim um pregador que te substitua! A sério, por favor, isso não! Tem pena de mim! O João é aquele que é mais capaz para essa missão. Eu sou um zero à esquerda!

Jesus – Pois é, Pedro! Mas um dia serás muitos zeros à direita. Confia! Se Eu te escolhi, é porque serás capaz de cumprir aquilo que te for pedido! Eu não sou cego e vejo muito para lá do que os homens vêem. Lembra-te que os caminhos de Deus são diferentes dos caminhos dos homens. Quando Eu já não estiver convosco, Roma espera por ti, pois será lá que ficará a cabeça do meu Reino. Tu e Eu, Eu e tu seremos um na direcção do meu Reino.

Pedro – Em Roma? Eu? Deus me livre! O que seria de mim a dar com a cabeça em cada esquina de Roma, por não dar com o caminho para casa! E depois,… é lá que está o Imperador! E se o Imperador me chamar lá para falar de Ti? Dá-me logo um desmaio e fico para ali como um tronco de árvore abatida! E depois,… imagina que me pedem para incensar o Júpiter!…Nem quero pensar nisso! E nem penses que eu sou capaz de converter o César! É capaz de ser mais fácil que ele…Ui! Que ideia me veio à cabeça!

Jesus – Diz lá!

Pedro - É uma ideia sinistra, aterradora… (Pedro chora…)

Jesus – Não tenhas medo! Eu estarei sempre contigo e se tu ou algum de vós for levado a tribunal, Eu vos inspirarei o que devereis dizer! Eu dar-vos-ei a força e a sabedoria necessárias em todas as situações. Quanto a ti, Eu dar-te-ei as chaves do Reino dos Céus. O que ligares na Terra será ligado nos Céus e o que desligares na Terra será desligado nos Céus! Serás o Chefe da Minha Igreja, que será perseguida, difamada, caluniada, atacada por fora e também por dentro, mas as portas do inferno não levarão a melhor sobre ela, porque ela será o meu Corpo e Eu serei a sua Cabeça. Queres mais garantias, meu Pedro? Enviarei sobre vós o meu Espírito Santo, que anulará todos os vossos medos, toda a vossa ignorância, todos os receios,…e até ficareis muito felizes quando tiverdes ocasião de sofrer algo por Mim ou pela minha Doutrina. Os vossos nomes já estão inscritos no Reino dos Céus. Que mais queres, Simão de Jonas?

Pedro – Mestre, desculpa a minha fraqueza! Eu só sou forte de palavreado e de goela, sou ignorante em tudo, mas se Tu prometes tudo isso, é porque o cumprirás. Sendo assim, estou mais confiante e menos apreensivo!

Jesus – Pedro, tu, amas-me ao ponto de dares a tua vida por Mim? Ninguém me tem mais amor do que aquele que é capaz de dar a sua vida por Mim. E quem perder a vida por causa de Mim, ganhá-la-á depois, porque Eu é que sou a Verdade, o Caminho e a Vida!

Pedro – Mestre, se Tu estás comigo, de quê ou de quem hei-de ter medo?

Jesus –Vós e os vossos sucessores ireis pelo mundo a dar testemunho de Mim e Eu estarei convosco até ao fim dos séculos. Em Meu nome curareis as doenças, expulsareis os demónios, pregareis, baptizareis e convencereis o mundo pagão da Verdade que vamos instaurar por todo o lado.

Pedro – Mestre, serei indiscreto se perguntar qual a missão que destinas a cada um dos outros, incluindo o Judas?

Jesus – Estás mesmo a ser indiscreto, Simão Pedro! A seu tempo saberás!…Tu, por agora, cinges-te à tua vontade e vais para onde queres, mas um dia irás para onde não queres, outros te cingirão e estenderás as mãos…Todos dareis Glória a Deus, mas cada um à sua maneira… Mas agora, Simão, vamos contentar a multidão que está lá fora gritando por Mim. Não é necessário que os censures por Me quererem ver e ouvir. Tu estás sempre Comigo e Eu contigo, mas eles terão raras oportunidades… Diz-lhes que se concentrem na praia, pois nós vamos para a barca e é de lá, a alguma distância, que lhes falarei.

Pedro – Mestre, posso contradizer-te sem ofensa?

Jesus – Sim! Sê franco!

Pedro – Essa de Tu estares sempre comigo e eu Contigo… Eu acho que estou muito pouco tempo a sós Contigo, pois quando chegamos a algum lado Tu deixas de ser meu e dos outros, porque todos não chegamos para ordenar as multidões, dar instruções, afastar os atrevidos que não Te deixam passar, levantar aqueles que se ajoelham a Teus pés, impedir que cada um leve uma lembrança da Tua roupa, etc, etc. Por isso, hoje que estás em minha casa… A propósito, Mestre, curas a minha sogra ?

Jesus – Curo!

Pedro – E também a curas daquela rabugice crónica que põe em água a minha cabeça e a da minha mulher?

Jesus – (Sorrindo) Pedro, há nesta casa alguém que queira ser meu discípulo?

Pedro – Há! A minha mulher e eu!

Jesus – Então, quem quiser vir após Mim tome a sua cruz e siga-me!

Pedro – Mas ela frita a paciência, sobretudo à minha mulher. Se pede leite quente, depois diz que está morno. Se pede leite morno, depois diz que está frio ou quente; se pede leite frio, diz que está morno. Passa a vida a dar sentenças e nada está bem para ela. Quando vou à pesca, os peixes que pesco… ou são demasiado pequenos ou demasiado grandes; se são estes peixes deveria ter pescado outros, etc.

Jesus – E o que diz ela a teu respeito?

Pedro – Critica-me por ter casado com a filha dela e por estar muito tempo fora de casa e andar na companhia de…

Jesus – Na companhia de….?

Pedro – É melhor eu não dizer, porque é uma falta de respeito para Contigo!…Mesmo assim, queres que eu diga?

Jesus – Diz!

Pedro- Então, lá vai! Ela diz: “Andas para aí na companhia desse Galileu que ninguém sabe quem é nem de onde vem, em vez de andares na pesca e ajudares a tua mulher em casa e no campo!

Jesus – (Sorrindo) – Não será próprio da sua doença falar assim? Queres que a tua mulher te acompanhe no Reino dos Céus? Então, ela tem de levar a sua cruz. Com essa cruz ela salva-se pela paciência, pelo sacrifício, pelo silêncio, pelo perdão, pela caridade em circunstâncias difíceis,… Um dia tu escreverás isto mesmo: “Pela paciência salvareis as vossas almas!” ( Lc, 5-19).

Pedro – Não me digas que tu aceitaste o Judas para ele fazer connosco o que ela faz com a minha mulher e comigo? São os maiores resmungões que eu conheço! Tudo está mal para eles e conseguem pintar de mal as acções, as intenções e os pensamentos dos outros. Tu sabes isso muito bem, porque lês no íntimo dos corações. A minha cabeça anda sempre atravessada por pensamentos negros por causa deles. Senhor, como é que eu evito os pensamentos contra aqueles vulcões rabugentos?

Jesus – (Sorrindo) – Pedro, para onde deixas fugir o pensamento!… Não julgues, para não seres também julgado! Quanto à tua sogra, tens de esperar até que ela reconheça o seu defeito e faça um esforço sério para se corrigir. Ela não é doente da cabeça, por isso, tudo depende da sua própria vontade. É assim com ela e com todos. Eu ajudo quem se quer ajudar a si próprio e solicita a necessária ajuda. Quanto aos maus pensamentos contra o próximo, temos de ser pacientes, tentar desculpá-los, usar de alguma simpatia para com eles, sermos atenciosos, não nos irritarmos contra eles, manter o silêncio quando são agressivos para connosco, levá-los às boas,…Temos de reconhecer as ocasiões em que Satanás nos tenta para faltar à caridade para com o outro. O amor ao próximo exige tolerância e compreensão perante as suas fraquezas, embora não concordemos com elas quando elas são pecaminosas. Quanto a ti, Simão de Jonas, em certas coisas até pareces ter uma boa memória!… Ainda te lembras das palavras que Eu vos dirigi quando te chamei a ti e ao teu irmão André?

Pedro – Lembro! Disseste: “Vinde comigo e Eu farei de vós pescadores de homens” (Mt 4, 19)

Jesus – E lembras-te do ” Pai-Nosso”?

Pedro – Lembro, porque o recitamos todos os dias.

Jesus – Lembras-te daquilo que Eu vos ensinei a propósito de julgar ou não julgar os outros?

Pedro – Penso que sou capaz de encarreirar esse Teu discurso. Fixei-o, porque…Tu sabes porquê! Como podemos não julgar quando nos fazem a vida negra? Isso é muito difícil de cumprir, porque nós nem sempre somos capazes de segurar o pensamento. Então, aí vai o Teu discurso: “Não julgueis para não serdes julgados, pois conforme o juízo com que julgardes, assim sereis julgados e com a medida com que medirdes assim sereis medidos. Porque reparas no argueiro que está na vista do teu irmão e não vês a trave que está na tua vista? Como ousas dizer ao teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, tendo tu uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave da tua vista e então verás melhor para tirar o argueiro da vista do teu irmão”(Mt 7, 1-5).

Jesus – Muito bem, Pedro! Não estás assim tão falho de memória como dizes!

Pedro – Oh! Foi porque Tu deste uma ajudinha! Amanhã eu já não encarreiro duas linhas!

Jesus – Não te aflijas, Pedro! A aprendizagem precisa de ser lenta para ser bem mastigada e digerida. Pouco a pouco, chega-se onde é preciso chegar! Vamos curar a tua sogra e, depois, vamos pregar à multidão, a partir da tua barca!

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Ezequiel Miguel

A rebelião de Coré (Cf. Números 16)

(Realidade e Ficção)

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Personagens:

.YAHWEH = EU SOU (AQUELE QUE É)

. Moisés – Condutor do povo hebreu

. “Localização” –  Meribá (= Disputa) e Massá (= Tentação), no Deserto

. Coré, Datã (=Datan), Abiram – Instigadores da rebelião contra Moisés

Oxalá ouvísseis hoje a minha voz! Não endureçais os vossos corações, como em Meriba (disputa), como no dia de Massá (Tentação) no deserto, quando os vossos pais me provocaram e tentaram, mesmo vendo as Minhas obras. Quarenta anos esta geração me desgostou e Eu disse: Sempre os corações errantes, que não conhecem os Meus caminhos…Então Eu jurei na Minha ira: jamais entrarão no Meu repouso” (Salmo 94/95)

O povo Hebreu viveu no Egipto cerca de 4oo anos, como povo escravo dos faraós. Chegou, porém, o dia em que Deus interveio para pôr fim a essa situação humilhante, escolhendo Moisés para conduzir a libertação em direcção a uma terra prometida, onde, segundo a Bíblia, corria o leite e o mel, ocupada entretanto por sete nações. Podemos ler na Bíblia, nos livros do Êxodo, do Levítico, dos Números, do Deuteronómio, de Josué,…como tudo isso aconteceu.

Foi algo de grandioso, histórico e registado na Bíblia para ser lido, observado, compreendido e meditado sob diversos ângulos por aqueles que viveram esses acontecimentos e por aqueles que viessem a ter conhecimento dele nas gerações futuras. Algumas das cenas mais imponentes já estão registadas no cinema, nomeadamente no filme “Os Dez Mandamentos”.

A passagem entre o Egipto e a terra prometida (Canãa) , a mais cómoda, mais directa, mais rápida, mais curta e mais segura, era, e ainda é, o que agora chamamos de Faixa de Gaza, com 41 Km de comprimento e 10 Km de largura, à beira do Mediterrâneo. Apesar de ser uma distância tão curta, os Hebreus erraram no deserto durante 40 anos, quando poderiam ter alcançado a Terra prometida em poucos dias.. Porquê 40 anos? Tudo tem a ver com a Fé ou com a falta dela e/ou com os desígnios insondáveis de Deus, que tudo faz para Sua Glória e para bem dos Seus filhos e do Seu Povo, ou para os punir pelo desrespeito pela Sua Lei, como parece ter sido o caso.

A travessia do deserto não foi fácil, mas foi nas dificuldades inultrapassáveis que Deus agiu à Sua maneira, garantindo a todos as condições de sobrevivência, de acampamento e de marcha, não faltando o alimento, a água, a luz, a protecção contra os inimigos,…exigindo apenas em troca que os hebreus O reconhecessem, Lhe agradecessem, O adorassem, O louvassem, Lhe prestassem o culto a que tem direito como Senhor de tudo e de todos e que depositassem Nele uma fé e uma confiança absolutas, tal como continua a exigir às gerações de hoje.

Mas esta fé e esta confiança são por vezes postas à prova e é nessas alturas de dificuldades que surgem sempre as línguas detractoras, os ânimos revoltados, a murmuração, a rebelião, a saudade dos tempos em que tudo parecia correr melhor. O salmo 77/78 dá conta dos altos e baixos desta aventura no deserto, assim como o salmo 94/95, com referência aos episódios em Meribá (disputa)e Massá (tentação), que ficaram a assinalar os locais   onde estas cenas se desenrolaram.

Coré,…Datã,…Abiram,…e On encheram-se de orgulho, levantaram-se contra Moisés, juntamente com 250 filhos de Israel, príncipes da comunidade, respeitados nas solenidades, homens de renome. Ajuntara-se, pois, contra Moisés e Aarão, dizendo-lhes”:

Coré – Olha lá, Moisés! Nós estamos fartos da tua pretensa autoridade sobre nós! Nós não temos provas de que Yahweh te tenha constituído nosso Chefe. Tu dizes que foste consagrado por Yahweh, mas, se virmos bem, toda a comunidade e todos os seus membros são consagrados e Yahweh está no meio deles. Porque, então, vos exaltais, tu e teu irmão Aarão, acima da assembleia de Yahweh? Essa coisa de Yahweh para aqui, Yahweh para ali, não nos agrada e não acreditamos na tua autoridade. Ninguém nos consultou sobre o assunto.

Moisés – “Ouvi, filhos de Levi! O Senhor escolheu-vos, de entre todo o Israel, para vos honrar perante a comunidade, entregando-vos o Seu serviço como Seus Ministros. Não foi pouco o que Ele fez por vós. Vós e todos os levitas estais destinados ao sacerdócio . Mas vós conspirastes contra o Senhor, tu , Coré, e a tua comunidade. Amanhã cedo, Yahweh fará conhecer quem é dele e qual é o homem consagrado que Ele permitirá aproximar-se dele. Aquele que Ele fizer aproximar-se dele, esse é o que Ele escolheu. Fazei, pois, isto: tomai os incensórios de Coré e de toda a sua comunidade, ponde neles fogo e, amanhã, deitai incenso sobre o fogo, diante de Yahweh. Aquele que ele escolher, esse é o homem que lhe é consagrado. Isto vos é suficiente, filhos de Levi!”

E agora, chamo aqui Datã e Abiram!

Datã – Eu não vou!

AbiramEu também não vou! Se quiseres, vem tu aqui!   Não é por acaso bastante que nos fizeste deixar uma terra onde corre o leite e o mel, para nos fazeres morrer neste deserto e queres ainda fazer-te príncipe sobre nós? Na verdade não é uma terra onde corre o leite e o mel a terra para a qual nos conduziste e não nos deste por herança campos e vinhas! Pensas em tornar cego este povo? De modo algum iremos!

Datã – Nós já estamos fartos deste mar de areia, estamos fartos de vegetar em tendas, fartos destas estúpidas caminhadas de dia ou de noite, sem vermos um rio, um lago, o mar, …de comer sempre este miserável maná dia após dia, sem peixe, sem carne, sem vinho, sem uvas, com água potável só de vez em quando! De vez em quando encontramos um minúsculo oásis, mas o que é isso para todos podermos nele acampar? Quem nos dera voltar às terras abundantes do Egipto, que, por tua culpa, abandonámos para morrermos todos neste areal interminável, sob um calor sufocante de dia e um gélido frio de noite.

Coré – E há mais! Atiraste com um ramo de árvore para dentro de um poço de água suja e depois tentaste convencer-nos que o Senhor transformara aquilo em água potável! Estamos fartos de embustes! Tu fazes de nós todos uns ingénuos idiotas, tudo, como tu dizes, em nome de Yahweh! Tantas já fizeste que agora não nos iludes mais! Basta!

Datã – E não fica por aqui! Se tu, lá no Egipto foste salvo de te afogares nas águas do Nilo, salva-nos agora, com os teus truques, de morrermos à sede como frangos assados neste deserto. Isso de passarmos o Mar Vermelho a pé enxuto não passou de uma magia tua, só possível com a ajuda do teu amigo Satanás! Mostra agora o teu poder e faz nascer aqui um lago onde nos possamos refrescar deste inferno!

Abiram – Temos saudades das refrescantes cebolas do Egipto. Bastavam elas e pão com fartura, cozido no forno…Aquilo, sim! E lá só tínhamos a autoridade do Faraó, uma autoridade legítima. É certo que trabalhávamos duro, mas tínhamos comida com fartura! Aqui é esta miséria todos os dias, sempre a mesma coisa, esse maná que temos de apanhar do chão misturado com areia! Já estamos enjoados! Dá-nos peixe e perdizes ou codornizes!

Moisés – (irritado)” Senhor, não olhes para a oferenda que eles Te fazem. Eu não tomei deles sequer um asno e não fiz mal a nenhum deles!…Coré, tu e todos os do teu grupo, apresentai-vos amanhã diante do Senhor, tu, eles e Aarão. Cada um de vós tome o seu turíbulo e deite nele incenso e apresente-o diante do Senhor, cada um com o seu, duzentos e cinquenta turíbulos, tu e Aarão, cada um com o seu”.

No dia seguinte:

“Cada um tomou o seu turíbulo, deitou-lhe fogo, cobrindo-o de incenso, e colocou-o à entrada do Tabernáculo (Tenda) da Reunião com Moisés e Aarão”.

Coré – Aqui estão todos os duzentos e cinquenta turíbulos, como pediste! Vais ver onde está a tua autoridade, tu, usurpador, oportunista!…

YAHWEH –“ Moisés, tu e teu irmão Aarão afastai-vos dessa Assembleia, pois vou exterminá-los num instante!”

Moisés e Aarão (caídos por terra) –“ Ó Deus, Deus dos espíritos de toda a humanidade! Só um homem pecou e Tu irás enfurecer-Te contra toda a assembleia”?

YAHWEH Fala à assembleia, dizendo: “ Afastai-vos da beira das tendas de Coré, de Datan e de Abiram”!

Moisés –“ Dirijo-me agora a toda a Assembleia! Afastai-vos das tendas de Coré, de Datan, de Abiram, que são homens maus e não toqueis em nada que lhes pertença, para não perecerdes por causa de todos os seus pecados. Eles podem ficar à entrada das suas tendas com sua mulheres e filhos. Agora sabereis que foi o Senhor Quem me enviou para fazer todas estas coisas e não foi por mim mesmo. Se estes aqui morrerem como morre toda a gente; se o destino de toda a gente for também o destino deles, então não foi o Senhor que me enviou. Mas, se o Senhor, em verdade, realizar um prodígio, se a terra se abrir para os engolir com tudo o que lhes pertence e eles descerem vivos ao mundo dos mortos, então sabereis que estes homens desprezaram o Senhor”.

“Ora, aconteceu que, mal ele acabou de dizer todas estas coisas, o chão abriu-se debaixo deles e a terra, abrindo a sua boca, engoliu-os com todas as suas famílias e todos os homens de Coré com todos os seus bens. Assim desceram vivos ao mundo dos mortos, eles e tudo que lhes pertencia. A terra cobriu-os e desapareceram do meio da comunidade. Todo o Israel que estava em volta deles fugiu com o grito que eles soltaram quando a terra os engoliu. Entretanto, da parte do Senhor, surgiu um fogo que devorou os duzentos e cinquenta homens que tinham apresentado o incenso” (Números, 16, 31-35)

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Comentários sobre as lições a tirar:

  1. A História de um povo faz-se com Deus ou contra Deus e também com altos e baixos. O livro do Êxodo é considerado o livro central da Bíblia, por relatar, com tantos pormenores e milagres, a acção directa de Deus na condução, libertação e educação do Seu Povo escolhido, em cumprimento da promessa feita a Abraão de ter uma descendência tão numerosa como as estrelas do Céu e as areias do mar e de lhe dar uma terra de prosperidade. Essa terra corresponde hoje à Palestina e a Israel, por isso, quando se recua no tempo, ficam desfeitas algumas dúvidas sobre a quem pertenceriam, por direito, esses territórios, onde a paz é árvore que não deita raízes.

Tal como no Êxodo é descrito, Deus põe muitas vezes à prova a nossa fé Nele, com problemas diários, por vezes com aparência de insuperáveis, exactamente para que depositemos Nele toda a confiança, sem revoltas, sem recriminações, sem murmurações, sem acusações, sem desespero… mas aceitando tudo como parte de um desígnio que Deus tem para nós, a fim de nos levar a algo positivo ou nos desviar para outros caminhos, com vista a uma missão que só mais tarde descobriremos. S. Pedro tem para nós a receita: “Pela paciência salvareis a vossas almas”.(…)

  1. Moisés foi escolhido para Chefe directamente por Deus, sem perguntar a ninguém se ele era o melhor, o mais indicado para a missão que lhe confiava. Ele bem apresentou argumentos próprios de alguém que se sentia incapaz da tarefa que lhe era confiada, mas, tal como aconteceu com o profeta Jonas, Deus recusou os seus argumentos e ele lá foi, baseado na promessa da protecção de Deus. Deus, na maioria dos casos, não age directamente, mas serve-se de nós para atingir os fins que tem em vista, acabando nós por sermos, apena e só, Seus Instrumentos a realizar a Suas obras, exigindo que ninguém se atribua méritos que só a Deus pertencem. Por isso, quem se gabar, se vangloriar, se exibir vaidosamente, se encher de orgulho,…já não receberá a recompensa pelo bem que fizer, porque o atribui aos seus méritos e dotes pessoais. Nestes casos, Cristo diz-nos: “Já recebeste a tua recompensa”! Os carismas que Deus nos conceder são para os pormos ao Seu serviço e não para a nossa glória. Quem se esquecer disto estraga tudo!
  1. Os rebeldes de Meribá rejeitavam a autoridade de Moisés, o qual a recebera do próprio Deus, em nome do Qual ele agia. “Todo o poder vem do Alto”, conforme Jesus respondeu a Pilatos. Por isso, Deus exige de nós o respeito pelas pessoas que exercem autoridade sobre nós, quer definitivamente quer temporariamente. Apenas nos casos em que elas nos querem obrigar a pecar é que ficamos libertos dessa obrigação. Aí, vigora o exemplo de S. Pedro, quando as autoridades judaicas o proibiram de anunciar Jesus Cristo: “É melhor obedecer a Deus do que aos homens”, atitude que pode custar o martírio, assim como custou aos Apóstolos, incluindo S. Pedro e S. Paulo. Para modelos de obediência temos Jesus Cristo, a Virgem Maria, S. José e todos aqueles que se santificaram na vida sacerdotal ou na vida conventual . Nestes casos, é o voto de obediência que os obriga a obedecer e a respeitar a autoridade. E isso faz-se evitando a murmuração, a rebeldia, a busca de apoios contra as autoridades a que estão submissos por vontade própria e pela natureza e especificidade do voto de obediência.
  1. O murmurador é uma fonte de veneno sempre a jorrar, seja na família, no local de trabalho, no clube, no quartel, na paróquia, no Movimento da Igreja, no grupo coral, no grupo de catequistas, no clero da diocese, nos seminários, nos conventos,… Os perigos da murmuração, da má-língua, da difamação, da calúnia, da mentira, do desrespeito pela autoridade, levam a infinitos males para o próprio e para os outros que se deixam salpicar por esse veneno. Onde houver murmuradores,…afaste-se deles, recuse alimentar-lhes a corda do fogo destruidor que sai das suas bocas e o veneno que sai das suas línguas.
  1. Castigo demasiado grande para os murmuradores deste episódio Bíblico? Sem dúvida! Nada mais nada menos que uma condenação à morte com execução imediata, arrancando o mal pela raíz, para evitar que ele se propagasse por todo o acampamento e levasse muitos outros a sofrer o mesmo castigo, condenando assim seus corpos e almas. Lá ficou na Bíblia para todas as gerações futuras tirarem as devidas lições. Nem sempre sabemos como termina a vida dos murmuradores profissionais, mas os pecados pela língua são mais graves do que se pensa, pelas inúmeras e graves consequências que acarretam para os murmuradores e para quem lhes dá atenção, iniciando uma cadeia que só Deus sabe por onde passa e onde termina. O bom nome, a honra, o respeito pelo próximo, são direitos sagrados e tudo aquilo que os beliscar reverterá em prejuízo para os autores do falatório, do mexerico, do diz-se, do consta que…, do “ouvi dizer que…”.Impressiona ainda o facto de, juntamente com os rebeldes e seus sequazes, terem sido incluídas as suas famílias e os seus bens. Tudo isto para que não ficasse deles qualquer resto contaminador e para que servisse de lição a eles e a todos, incluindo nós!
  1. Quem despreza um profeta de Deus despreza o próprio Deus. Sempre houve profetas entre o Povo de Deus, seja no Antigo Testamento seja no Novo. Todo o profeta fala em nome de Deus e só diz aquilo que Deus lhe transmite. Todos eles foram vítimas de perseguição e alguns chegaram a queixar-se a Deus da missão que Ele lhes confiara. Jonas até fugiu, pensando que evitaria ir pregar a Nínive, outros desejaram morrer, porque não aguentavam mais. Nos tempos actuais estão activos vários profetas, homens, mulheres, Jovens, crianças, sacerdotes, Religiosos…sofrendo, quase todos, perseguições, maus trato, difamações, expulsões de templos, recusa da Comunhão, etc. As mensagens que lhes cabe transmitir são rejeitadas liminarmente, sem um estudo prévio e cuidadoso por parte de quem tem a obrigação de “aproveitar delas o que é bom”, como diz S. Paulo. Este evento bíblico mostra como é perigoso rejeitar as mensagens transmitidas por mensageiros de Deus. A Bíblia mostra como a rejeição de mensagens proféticas teve enormes custos para Israel. A História de Israel continua a ser fonte de lições para todo o mundo.
  1. Não pense que Deus foi vingativo! É da própria natureza do pecado trazer consequências ao nível individual, familiar, social, colectivo, nacional, local, mundial. Os pecados de um só governante podem ter consequências trágicas para todo o seu povo, para a sua nação. Lembre-se do pecado de Adão e Eva, que trouxe tragédia para toda a humanidade. “ Em Adão todos pecámos”, diz S. Paulo. Por isso, ninguém diga: ” Eu não sou culpado de nada”! Ou: “Ninguém tem nada que pagar pelos meus pecados, pelas minhas asneiras. Se sou eu que os faço, o assunto é comigo!”. Também está escrito (na Bíblia) que Deus pode punir nações e povos através de maus governantes, que actuam como chicotes de Deus para povos rebeldes. Nos casos de acções ou frequência de bruxarias, espiritismo, práticas de paganismo, de satanismo, de ocultismo e outros, um ou mais membros da família podem ser atingido por males inexplicáveis, cuja causa e tratamentos ninguém desvenda .

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Ezequiel Miguel

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