ANO C – 5º DOMINGO DA QUARESMA

I – 1ª LEITURA (Is 43,16-21)

“O Senhor abriu outrora um caminho através do mar, uma estrada no meio das águas impetuosas. Pôs em campanha carros e cavalos, um exército de valentes guerreiros. E todos eles ficaram prostrados para não mais se levantarem, extinguiram-se, apagaram-se como um pavio.

Eis o que diz agora o mesmo Senhor:

Não volteis a recordar os factos de outrora, nem volteis a pensar nas coisas do passado. Olhai! Vou fazer algo de novo: já começa a aparecer! Não o notais? Vou abrir um caminho no deserto, lançar rios através da terra árida. Os animais selvagens – chacais e avestruzes – proclamarão a Minha Glória, porque eu farei brotar água no deserto, rios através da terra árida, para matar a sede ao Meu povo escolhido. E esse povo que formei para Mim proclamará os Meus louvores”.

.

II -SALMO RESPONSORIAL   (do salmo 125/126)

R/ O Senhor fez maravilhas em favor do Seu povo

Quando o Senhor fez regressar os cativos de Sião,

parecia-nos viver um sonho.

Da nossa boca brotavam expressões de alegria

e dos nossos lábios cânticos de júbilo.

Diziam então os pagãos:

“O Senhor fez por eles grandes coisas”!

Sim, grandes coisas fez por nós o Senhor,

estamos exultantes de alegria!

Fazei regressar, Senhor, os nossos cativos,

como as torrentes do deserto!

Os que semeiam em lágrimas

recolhem com alegria.

À ida vão a chorar,

levando as sementes.

À volta vêm a cantar,

trazendo os molhos das espigas.

                        ……….

Para ler o salmo 125 completo: clique aqui!

.

III – 2ª LEITURA (Flp 3, 8-14)

Da carta de S. Paulo aos Filipenses:

Meus irmãos!

“Considero todas as coisas como prejuízo, perante a enorme vantagem de conhecer Cristo, Jesus, Senhor meu. Por Ele, aceitei todos os danos e considerei tudo como lixo. Foi para ganhar a Cristo e Nele me encontrar, não com a minha justiça, que vem da Lei, mas como a que se recebe pela fé em Cristo – a justiça que vem de Deus e se funda na fé.

Assim, poderei conhecer Cristo, a força da Sua Ressurreição e a participação nos Seus sofrimentos. Assim, poderei tornar-me semelhante a Ele na Sua morte, para ver se posso alcançar a ressurreição dos mortos.

Não que eu tenha já chegado à meta, ou já atingido a perfeição. Mas continuo a correr, para ver se a alcanço, uma vez que também fui alcançado por Cristo Jesus.

Não penso, irmãos, que já o tenha conseguido. Só penso numa coisa: esquecendo o que fica para trás, lançar-me para a frente, continuar a correr para a meta, em vista do prémio a que Deus, lá no alto, me chama em Cristo Jesus”.

 .

IV – ACLAMAÇÃO DO EVANGELHO

R/ Louvor e Glória a Vós, Jesus Cristo, Senhor!

 .

Não quero a morte do ímpio, diz o Senhor;

quero que se converta e viva.

 .

EVANGELHO   (Jo 8, 1-11)

“Naquele tempo, Jesus foi para o Monte das Oliveiras, mas, de madrugada, apareceu outra vez no Templo. Como todo o povo se aproximava Dele, sentou-se e começou a ensinar.

Os escribas e os fariseus trouxeram a Jesus uma mulher apanhada em adultério, colocaram-na no meio dos presentes e disseram-lhe a Ele:

Fariseus – Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante , a cometer adultério. Na Lei, Moisés mandou-nos apedrejar tais mulheres. E tu, que dizes?

Falavam assim para Lhe armarem uma cilada e terem uma acusação a fazer-lhe. Mas Jesus inclinou-se e começou a escrever no chão com o dedo. Como persistiam em interroga-Lo, ergueu-se e disse-lhes:

Jesus – Aquele de vós que estiver sem pecado seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra!

Inclinou-se novamente e continuou a escrever no chão. Mas eles, quando ouviram tais palavras, foram saindo um por um, a começar pelos mais velhos. Ficou só Jesus com a mulher, presente ali no meio. Jesus ergueu-se e disse-lhe:

Jesus – Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?

Mulher – Ninguém, Senhor!

Jesus – Também Eu não te condeno! Vai e, doravante, não voltes a pecar”!

…………………………………………………………………………………………………………

V – COMENTÁRIO por: Ezequiel Miguel

  1. Da 1ª Leitura:

. O Senhor abriu um caminho através do mar… – Alusão à passagem do Mar Vermelho pelos Hebreus, fugindo à escravidão do Egipto, onde tinham passado 400 anos. Descobriu-se recentemente o ponto exacto onde essa travessia aconteceu. O rei David mandara sinalizar, na outra margem, na actual Arábia, onde isso acontecera, mas essa sinalização nunca agradou às autoridades desse país, pelo que os vestígios foram apagados.

Esta referência à travessia do Mar Vermelho, que Deus mandou comemorar para sempre, costuma ser branqueada por incrédulos, alegando que essa passagem fora feita no mar dos juncos, onde, na maré baixa, se poderia passar facilmente, pois não haveria mais do que um palmo de água… Só que não se entende como é que um palmo de água seria suficiente para nela afogar, carros, cavalos e cavaleiros, como refere o cântico de Moisés e outras passagens bíblica do Êxodo, cuja leitura se aconselha.

. Uma estrada no deserto… – Aqui, não entenda à letra a estrada/caminho no deserto, com rios de água por todo o lado, pois o verdadeiro sentido não é esse. Jesus deixou os desertos tal como os encontrou: secos, áridos, quentes, ventosos, sem estradas, sem rios…

Os desertos, na linguagem de Isaías, são as almas em pecado, que viviam nas trevas, na mentira, na violência política e religiosa, na hipocrisia das autoridades do Templo, agarradas a uma religião que já não agradava a Deus.

A estrada no deserto é Jesus Cristo, o Caminho, a Verdade e a Vida, como Ele disse, sendo também a Água Viva disponível para regar e cultivar as almas sedentas ou a morrer de sede espiritual. Além de Luz nas trevas, Caminho, Água Viva, Verdade e Vida, também é Alimento espiritual, quer pela Palavra, quer pela Eucaristia, quer pela Liturgia. Continua a ser tudo isto e assim será para sempre, totalmente actualizado em cada geração.

 .

  1. Da 2ª Leitura:

A mulher adúltera

Este episódio é vítima de interpretações erradas, as quais carecem de explicação. É preciso ter em conta que a mulher, apanhada em flagrante delito, ainda não tinha sido presente ao tribunal, que a condenaria à morte, como mandava a Lei. Logo, na falta de um julgamento e de uma condenação à morte, a mulher pôde dizer que ainda não tinha sido condenada.

No caso de já vir condenada, Cristo não podia interferir em seu favor, por ser um acto de rebeldia à Lei, dando, assim, motivos para ser acusado pelos judeus, escribas e sacerdotes, redundando tudo em desprestígio. Ora, Cristo era extremamente cauteloso para não fornecer lenha para se queimar junto de quem O ouvia. Sendo assim, Cristo fez, aos seus inimigos, sair o tiro pela culatra, escrevendo no chão os pecados daqueles que traziam a mulher para que Ele a condenasse. Cristo não podia dizer: “Sim, sim! Concordo que se condene à morte”!, sendo depois acusado de ser cruel, intolerante, inimigo dos pecadores, contrariamente ao que apregoava.

Do curto diálogo entre Cristo e a mulher, temos evidência: A mulher não vinha condenada à morte, Cristo também lhe disse que não a condenava. E aqui está a questão a que me refiro acima e a explicação necessária a tirar da sentença final de Cristo :”Também eu não te condeno! Vai e não peques mais”!

A conclusão a tirar: Cristo não a condenou à morte, porque Ele não pertencia ao tribunal e não tinha poderes judiciais. O que ele condenou foi o comportamento, o pecado da mulher, cujo arrependimento Cristo conhecia.

Esta de se ir buscar este episódio para justificar o injustificável faz parte de um equívoco ou uma manobra de diversão para esconder ignorância ou algo pessoal. Já ouvi dizer a sacerdotes, catequistas e outros, quando se trata deste assunto: “Cristo não condenou a mulher adúltera”! Ma esta sentença deverá ser concluída assim: “Mas condenou o seu comportamento pecaminoso”. O “vai e não peques mais!” é uma clara, oportuna, peremptória censura, ordem, com a força de um dos Mandamentos do Decálogo: o 6º e/ou 9º.

Convém não esquecer que Cristo já tinha dito que não lhe interessava a morte do pecador, mas que ele se convertesse e tivesse vida longa, ideia que já vinha do Antigo Testamento, por isso, nunca estaria de acordo com uma sentença de morte e ainda hoje não está!

O adultério é um pecado gravíssimo, cuja malícia, causas, circunstâncias e atenuantes só são plenamente conhecidas por Deus. Mas, tendo em conta outras palavras de Cristo, a propósito do divórcio, é-nos lícito tirar conclusões sobre algumas causas. Cristo, ao condenar o divórcio, apontou esta: “Todo aquele que se divorcia da sua mulher expõe-na ao adultério”. Como e porquê? Porque as pressões da pobreza, da doença, de falta de meios de subsistência para se governar a si e aos filhos, podem obrigar a mulher a aceitar o inaceitável: juntar-se com outro, casado, viúvo ou solteiro, o que para efeitos de pecado, é o mesmo, isto é, o inevitável adultério, não sendo garantido que não haja dois ou três: o dela, o do marido e a sua nova companheira. Tudo derivado de um único divórcio.

Esta doutrina continua válida nos nossos dias. A Igreja Católica aceita a separação dos cônjuges, temporária ou definitiva, por motivos de violência ou esbanjamento da herança dos filhos, aceitando também o divórcio civil, mas os cônjuges continuarão a ser marido e mulher, até um deles morrer. Os católicos e outros cristãos devem ter presente estas realidades. O argumento que ele/ela é que pediu o divórcio não é válido. Continuam a ser marido e mulher, à face da Igreja e de Deus, a nenhum deles sendo permitida uma nova união com outro/outra. A sentença bíblica: “Não separe o homem o que Deus uniu” continua e continuará em vigor, agrade ou não agrade, custe ou não custe.

O Papa Francisco já admitiu que há necessidade de decretar mais facilmente os matrimónios inválidos, quando isso se justificar, com menos burocracia e menos custos. A Igreja não pode anular matrimónios válidos, mas pode declará-los inválidos, isto é, como se nunca tivessem existido. No Direito Canónico constam várias causas que tornam isso possível. Assim, todo o matrimónio é válido até ser declarado inválido . Nestes casos, torna-se necessário formalizar o divórcio civil, para que os cônjuges fiquem totalmente livres.

Quem viver em situação de adultério permanente ou que o tiver cometido ocasionalmente, só tem que, urgentemente, cortar radicalmente com a situação, arrepender-se e confessar-se, sendo cristão. E quanto mais depressa, melhor!

 .

Artigos relacionados:

. Mulher, ninguém te condenou?

. Eu, pecador, me confesso

ANO C – 3º DOMINGO DA QUARESMA

I – LEITURA I – Do Livro do Êxodo (Ex 3,1-8a.13-159

“Naqueles dias, Moisés apascentava o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Madiã. Ao levar o rebanho para além do deserto, chegou ao monte de Deus, o Horeb.

Apareceu-lhe, então p Anjo do Senhor, sob a forma de uma chama ardente, do meio do silvado. Viu que o silvado estava a arder, mas não se consumia.

Moisés – “ Vou aproximar-me, para ver tão assombroso espectáculo! Por que motivo não se consome o silvado?”

O Senhor viu que ele se aproximava, para ver. Então, Deus chamou-o do meio do silvado:

Deus – “Moisés, Moisés!”

Moisés – Aqui estou!

Deus – Não te aproximes daqui! Tira as sandálias dos pés, que o terreno onde estás é lugar sagrado! Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob!

Então, Moisés cobriu o rosto, com receio de olhar para Deus. E o Senhor prosseguiu:

Deus – Eu vi a situação humilhante do Meu povo que está no Egipto; escutei os seus clamores, provocados pelos guardas. Conheço, pois, os seus sofrimentos! Desci para o livrar das mãos dos Egípcios e levá-lo desta terra para um excelente e vasto país onde correm leite e mel.

Moisés – Vou, então, procurar os filhos de Israel e dizer-lhes: “O Deus de vossos pais enviou-me a vós!” Mas, se me perguntarem qual é o Seu nome, que hei-de responder-lhes?”

Deus EU SOU AQUELE QUE SOU. Eis como hás-de falar aos filhos de Israel: ”Aquele que tem por nome “EU SOU “ é que me enviou a vós”. Assim falarás aos filhos de Israel: “O Senhor Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob enviou-me a vós” Será este o Meu nome para sempre, nome que ficará de memória para todas as gerações”.

 .

II – SALMO RESPONSORIAL (Do salmo 102/103)

R/ O Senhor é clemente e cheio de compaixão

 .

A minha alma louva o Senhor,

todo o meu ser bendiz o Seu Nome santo.

A minha alma louva o Senhor

e não esquece os seus benefícios.

 .

Ele perdoa todas as tuas culpas

e tem compaixão de todos os teus males.

Liberta do túmulo a tua vida

e reveste-a de graça e de ternura.

 .

O Senhor procede com justiça

e defende o direito dos oprimidos.

Revelou os seus caminhos a Moisés,

o Seu poder aos filhos de Israel.

 .

O Senhor é clemente e compassivo,

lento para a ira, rico de misericórdia.

Quão distante está o céu e da terra,

assim é grande, para os que O amam, a Sua bondade.

 .

Leia o salmo 102/103 completo. Clique aqui!

 .

III – LEITURA II (1Cor 10,1-6.10-12

“Meus irmãos! Não quero que vós o ignoreis: os nossos antepassados estiveram todos debaixo da nuvem, passaram todos através do mar, receberam todos o baptismo de Moisés na nuvem e no mar. Todos comeram do mesmo alimento espiritual e todos beberam da mesma bebida espiritual. Bebiam de um rochedo espiritual que os acompanhava. Esse rochedo era Cristo. Mas a maioria deles não agradou a Deus, uma vez que ficaram mortos no deserto.

Esses factos deram-se para nos servir de exemplos, a fim não termos desejos perversos, como tiveram os nossos antepassados.

Não murmureis, como alguns deles murmuraram, pelo que pereceram às mãos do Anjo exterminador.

Tudo isto lhes sucedia para servir de exemplo e foi escrito para nos advertir, a nós, que chegámos aos últimos tempos. Assim, pois, quem julga estar de pé tome cuidado, para não cair”.

 .

IV – ACLAMAÇÃO DO EVANGELHO

R/ Louvor a Vós, Rei da eterna Glóri

Arrependei-vos, diz o Senhor! Aproxima-se o Reino do dos Céus

 .

EVANGELHO (Lc 13,1-9)

“Naquele tempo, vieram trazer a Jesus esta notícia: Pilatos mandara derramar o sangue de uns galileus juntamente com os das vítimas que eles imolavam. Jesus observou-lhes:

Jesus – “Julgais que, por terem sofrido semelhante castigo, esses galileus eram mais pecadores do que os restantes galileus? Pois Eu digo-vos que não! E, se vós não vos arrependerdes, morrereis todos da mesma maneira. E aqueles dezoito homens que a torre de Siloé, ao cair, atingiu e matou? Julgais que eram mais culpados do que os outros habitantes de Jerusalém? Pois eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos da maneira semelhante.

Jesus disse, então, a seguinte parábola:

Jesus – “Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi procurar fruto a essa figueira, mas não o encontrou. Disse então ao vinhateiro: “Há já três anos que venho procurar fruto a esta figueira e não o encontro. Vai cortá-la! Porque há-de estar a esgotar a terra?

Vinhateiro – “Senhor, deixa-a ainda este ano, que eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo. Talvez venha a dar fruto no futuro. Se não der, mandarás cortá-la”!

.

V – COMENTÁRIO

A figueira estéril – Era, na intenção de Jesus, o povo de Israel e, sobretudo, Jerusalém, que não apresentava frutos de conversão e aceitação do Reino de Deus pregado por Cristo. Completavam-se três anos de pregação de Jesus e a cidade não correspondia, maquinando já a Sua morte, com Judas movimentando-se já nos meandros secretos da traição.

Se não der fruto, mandarás cortá-la! – Isso aconteceu no ano 70, em que Jerusalém foi cercada e massacrada por tropas romanas, sob o comando do general Tito, sendo imperador Vespasiano. O Templo, símbolo do orgulho, da grandeza e da glória de Jerusalém, foi destruído também, cumprindo-se a profecia de Cristo: “Dele não ficará pedra sobre pedra”.

No plano individual, a figueira que não dá frutos poderá ser cada um de nós. Deus espera, aguarda, pacientemente, que da nossa parte haja uma vida frutuosa de obras para a salvação, com fé firme, esclarecida e vivida na plena aceitação da doutrina de Cristo, entregue à Igreja Católica para ser levada a todos os povos da Terra. No fim dos três anos (o resto da vida de cada um), a figueira será cortada e queimada, caso não apresente frutos de salvação eterna. Tenha em conta que as obras em pecado grave não são frutos de Vida Eterna, isto é, de Salvação. Por isso, quem viver numa situação de pecado grave tem toda a conveniência em rectificar o seu estilo de vida. Este ano do Jubileu da Misericórdia é o tempo certo para aproveitar. Tente ganhar a Indulgência Plenária e começar vida nova com Deus, em Deus, para Deus.

Sugestão: Consulte o Catecismo da Igreja Católica no capítulo das Indulgências.

.

VI – I.29 INDULGÊNCIAS

I.29.1 Definição e significação das indulgências e Obtenção da indulgência de Deus pela Igreja

  • 1471 As indulgências – A doutrina e a prática das indulgências na Igreja estão estreitamente ligadas aos efeitos do sacramento da Penitência.

QUE É A INDULGÊNCIA?

“A indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa, (remissão) que o fiel bem-disposto obtém, em condições determinadas, pela intervenção da Igreja que, como dispensadora da redenção, distribui e aplica por sua autoridade o tesouro das satisfações (isto é, dos méritos) de Cristo e dos santos.”

“A indulgência é parcial ou plenária, conforme liberar parcial totalmente da pena devida pelos pecados.” Todos os fiéis podem adquirir indulgências (…) para si mesmos ou aplicá-las aos defuntos.

  • 1472 AS PENAS DO PECADO Para compreender esta doutrina e esta prática da Igreja, é preciso admitir que o pecado tem uma dupla consequência. O pecado grave priva-nos da comunhão com Deus e, consequentemente, nos toma incapazes da vida eterna; esta privação se chama “pena eterna” do pecado. Por outro lado, todo pecado, mesmo venial, acarreta um apego prejudicial às criaturas que exige purificação, quer aqui na terra, quer depois da morte, no estado chamado “purgatório”. Esta purificação liberta da chamada “pena temporal” do pecado. Essas duas penas não devem ser concebidas como uma espécie de vingança infligida por Deus do exterior, mas, antes, como uma consequência da própria natureza do pecado. Uma conversão que procede de uma ardente caridade pode chegar à total purificação do pecador, de tal modo que não haja mais nenhuma pena.
  • 1473 O perdão do pecado e a restauração da comunhão com Deus implicam a remissão das penas eternas do pecado. Mas permanecem as penas temporais do pecado. Suportando pacientemente os sofrimentos e as provas de todo tipo e, chegada a hora, enfrentando serenamente a morte, o cristão deve esforçar-se para aceitar, como urna graça, essas penas temporais do pecado; deve aplicar-se, por inicio de obras de misericórdia e de caridade, como também pela oração e por diversas práticas de penitência, a despojar-se completamente do “velho homem” para revestir-se do “homem novo”.

DO CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

  • 1474 NA COMUNHÃO DOS SANTOS O cristão que procura purificar-se de seu pecado e santificar-se com o auxílio da graça de Deus não está só. “A vida de cada um dos filhos de Deus se acha unida, por um admirável laço, em Cristo e por Cristo, com a vida de todos os outros irmãos cristãos na unidade sobrenatural do corpo místico de Cristo, como numa única pessoa mística.”
  • 1475 Na comunhão dos santos, “existe certamente entre os fiéis já admitidos na posse da pátria celeste, os que expiam as faltas no purgatório e os que ainda peregrinam na terra, um laço de caridade e um amplo intercâmbio de todos os bens”. Neste admirável intercâmbio, cada um se beneficia da santidade dos outros, bem para além do prejuízo que o pecado de um possa ter causado aos outros. Assim, o recurso à comunhão dos santos permite ao pecador contrito se purificado, mais cedo e mais eficazmente, das penas do pecado.
  • 1476 Esses bens espirituais da comunhão dos santos também são chamados o tesouro da Igreja, “que não é uma soma de bens comparáveis às riquezas materiais acumuladas no decorrer dos séculos, mas é o valor infinito e inesgotável que têm junto a Deus as expiações e os méritos de Cristo, nosso Senhor, oferecidos para que a humanidade toda seja libertada do pecado e chegue à comunhão com o Pai. E em Cristo, nosso redentor, que se encontram em abundância as satisfações e os méritos de sua redenção”.
  • 1477 “Pertence, além disso, a esse tesouro o valor verdadeiramente imenso, incomensurável e sempre novo que têm junto a Deus as preces e as boas obras da Bem-aventurada Virgem Maria e de todos os santos que, seguindo as pegadas de Cristo Senhor, por sua graça se santificaram e totalmente acabaram a obra que o Pai lhes confiara, de sorte que, operando a própria salvação, também contribuíram para a salvação de seus irmãos na unidade do corpo místico.”
  • 1478 OBTER A INDULGÊNCIA DE DEUS MEDIANTE A IGREJA A indulgencia se obtém de Deus mediante a Igreja, que, em virtude do poder de ligar e desligar que Cristo Jesus lhe concedeu, intervém em favor do cristão, abrindo-lhe o tesouro dos méritos de Cristo e dos santos para obter do Pai das misericórdias a remissão das penas temporais devidas a seus pecados. Assim, a Igreja não só vem em auxílio do cristão, mas também o incita a obras de piedade, de penitência e de caridade.
  • 1479 Uma vez que os fiéis defuntos em vias de purificação também são membros da mesma comunhão dos santos, podemos ajudá-los entre outros modos, obtendo em favor deles indulgências para libertação das penas temporais devidas por seus pecados.

I.29.2 Efeitos das indulgências

  • 1498 Pelas indulgências, os fiéis podem obter para si mesmos e também para as almas do Purgatório a remissão das penas temporais, consequências dos pecados.

I.29.3 Indulgências a favor dos defuntos

  • 1032 Este ensinamento apoia-se também na prática da oração pelos defuntos, da qual já a Sagrada Escritura fala: “Eis por que ele [Judas Macabeu) mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos de seu pecado” (2Mc 12,46). Desde os primeiros tempos a Igreja honrou a memória dos defuntos e ofereceu sufrágios em seu favor, em especial o sacrifício eucarístico, a fim de que, purificados, eles possam chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também as esmolas, as indulgências e as obras de penitência em favor dos defuntos:

Levemos-lhes socorro e celebremos sua memória. Se os filhos de Jó foram purificados pelo sacrifício de seu pai que deveríamos duvidar de que nossas oferendas em favor dos mortos lhes levem alguma consolação? Não hesitemos em socorrer os que partiram e em oferecer nossas orações por eles.

  • 1479 Uma vez que os fiéis defuntos em vias de purificação também são membros da mesma comunhão dos santos, podemos ajudá-los entre outros modos, obtendo em favor deles indulgências para libertação das penas temporais devidas por seus pecados.

ANO C – 2º DOMINGO DA QUARESMA

I – LEITURA – ( Génesis 15, 5-12.17-18 )

“Naqueles dias, Deus fez sair Abraão para fora de casa e disse-lhe:

Deus – Olha para o Céu e conta as estrelas, se é que podes contá-las! É assim que será a tua descendência!

Abraão acreditou no Senhor, que lho levou à conta de justiça. Disse-lhe Deus:

DEUS – Eu sou o Senhor! Fui Eu que te fiz sair de Ur dos Caldeus, para te dar a posse deste país.

Abraão – Senhor, meu Deus, como hei-de saber que irei possuí-lo?

DEUS – Traz-me uma vitela de três anos, uma cabra e um carneiro de três anos também, uma rola e uma pombinha!

Abraão foi buscar todos esses animais, dividiu-os ao meio e pôs cada metade em frente da outra metade. Mas as aves não as dividiu. As aves de rapina desceram sobre aquelas carnes, mas Abraão pô-las em fuga. Quando o sol estava prestes a pôr-se, apoderou-se de Abraão um sono profundo, enquanto o assaltava uma angústia sombria. Quando o sol se escondeu e caíram as trevas, um fogo fumegante e um facho ardente passaram entre os animais cortados. Nesse dia, o Senhor concluiu com Abraão uma aliança nestes termos:

DEUS – Eu dou este país à tua descendência desde a torrente do Egipto até ao grande rio, o Eufrates”.

………………………………………………………………………………………………………

II – SALMO RESPONSORIAL ( Do salmo 26/27)

R/ O Senhor é minha luz e minha salvação

 .

O Senhor é minha luz e salvação,

a quem temerei?

O Senhor é o protector da minha vida,

de quem hei-de ter medo?

 .

Ouvi, Senhor, a voz da minha súplica,

tende compaixão de mim e atendei-me!

Diz-me o coração: “Procurai a Sua Face”!

A vossa Face, Senhor, eu procuro.

 .

Não escondais de mim o Vosso Rosto,

nem afasteis com ira o Vosso servo!

Não me rejeiteis nem me abandoneis,

meu Deus e meu Salvador!

 .

Espero vir a contemplar a bondade do Senhor

na terra dos vivos.

Confia no Senhor, sê forte!

Tem coragem e confia no Senhor!

.

Para ler uma versão poetizada do salmo 26/27 clique aqui!

………………………………………………………………………………………………

III – 2ª LEITURA (Filipenses 3, 17-4,1)

“Meus irmãos! Tornai-vos todos meus imitadores e ponde os olhos naqueles que procedem segundo o modelo que tendes em nós! Muitos, de quem tenho falado várias vezes e agora falo a chorar, procedem como inimigos da Cruz de Cristo. O fim deles é a perdição. Têm por deus o ventre, orgulham-se da sua vergonha e só apreciam as coisas terrenas.(1)

Quanto a nós, a nossa pátria está no Céu. É de lá que esperamos, como Salvador, o Senhor Jesus Cristo. Ele há-de transformar o nosso corpo miserável, para o tornar semelhante ao Seu Corpo glorioso, com aquele mesmo poder que Lhe permite sujeitar ao Seu domínio todas as coisas. Portanto, meus amados e queridos irmãos, minha alegria e minha coroa, permanecei assim firmes no Senhor, amigos”.

 .

IV ACLAMAÇÃO DO EVANGELHO (Mc 9,7)

R/ Louvor a Vós, Rei da eterna glória!

No meio da nuvem luminosa ouviu-se a voz do Pai:

“Este é o Meu Filho muito amado! Escutai-O”!

.

EVANGELHO (Mt 17,1-9)

“Naquele tempo, tomou Jesus Consigo Pedro, Tiago e João e subiu ao monte, para orar. Enquanto orava, tornou-se-Lhe diferente o aspecto do Rosto e as Suas vestes ficaram de uma brancura refulgente. Surgiram, então, dois homens, que falavam com Ele. Eram Moisés e Elias, que apareceram cheios de glória e falavam da morte de Jesus, que ia consumar-se em Jerusalém. Pedro e os companheiros estavam cheios de sono. Mais despertos, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com Ele. Quando estes iam a separar-se de Jesus, disse-Lhe Pedro:

Pedro – Mestre, que bom é estarmos aqui! Vamos fazer três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias!

Não sabia o que estava a dizer. Enquanto assim falava, veio uma nuvem, q2ue os cobriu de sua sombra e eles ficaram cheios de medo, ao entrarem na nuvem. Da nuvem fez-se ouvir uma voz, que dizia:

DEUS Pai – Este é o Meu Filho, o Meu Eleito! Escutai-O!.

Quando a voz se fez ouvir, Jesus ficou só. Os discípulos guardaram silêncio e, naqueles dias, a ninguém contaram nada do que tinham visto.”

………………………………………………………………………………………

V – COMENTÁRIO por: Ezequiel Miguel

1ª Leitura

Quando lemos que Deus prometeu (e cumpriu) a Abraão entregar aquela imensa terra à sua descendência, de imediato nos vem à memória a eterna guerra entre Judeus e Árabes. Afinal, o que resta dessa promessa, dessa aliança de que fala o texto bíblico? Abraão não teve de pôr a sua assinatura na aliança, pois esta foi da exclusiva responsabilidade e iniciativa de Deus (Yahweh) O território referido no texto iria do Nilo até ao Eufrates, no norte da Síria. VER: Gen 15,18-21 / Gen 28,13 / Êxodo 23,31 / Deut 1,8. Hoje, todos esses territórios estão ocupados por populações árabes: Palestina, Margem ocidental do Jordão, Sul da Síria, Sul do Líbano, Jordânia. Israel está confinado a uma pequena área. O que falhou em relação à promessa em questão?

Sabemos que Deus cumpre sempre o que promete. Os salmos cantam a “eterna fidelidade de Deus”, ideia que ainda hoje vigora. Basta ver as promessas das Nove Primeiras Sextas Feiras, a Promessa dos “Cinco primeiros Sábados”, feita em Fátima, as promessas sobre o Rosário recitado diariamente, etc.

Então, para se fazer uma aliança é preciso estabelecer um clausulado que garanta o cumprimento por ambas as partes, que aceitam, verbalmente ou por escrito. No texto não se diz nada sobre Abraão, mas parte-se do princípio que terá havido condições que, muito mais tarde, não foram cumpridas pelos seus descendentes, o povo de Israel. Essa aliança foi sendo renovada com os Patriarcas Isaac e Jacob ( Israel). Mais tarde, foi renovada com Moisés, após a libertação do Egipto, mas, desta vez, o povo aceitou as condições da Aliança, mais uma vez da iniciativa de Yahweh.

Depois, Israel entrou em incumprimento, chegando ao ponto de adorar um deus pagão, incluindo o bezerro de ouro, símbolo do Baal. Em consequência do incumprimento, Deus suscitou profetas que iam anunciando os castigos que cairiam sobre Israel, onde se incluem as derrotas militares, os cativeiros da Babilónia e, finalmente, a destruição do Templo de Jerusalém pelos Romanos, no ano 70. A partir daí, o povo judeu andou disperso pelo mundo até lhe ser concedido o território actual, em meados do século XX.

Cristo anunciara que aquele povo não mais teria paz, por ter recusado e morto o Messias. Essa recusa continua ainda hoje. Está explicado como Israel foi infiel à Aliança, e, em consequência dessa infidelidade, acabou por dar realização às profecias que anunciavam a sua destruição, primeiro, e à guerra permanente com os vizinhos, depois. É caso para perguntar: De que se queixam?

Jesus Cristo veio pôr fim a essa Aliança ( a Velha Aliança), inaugurando a Nova, assinada com o Seu próprio Sangue de Vítima Única, Santa e agradável a Deus. Fundou a Sua Igreja, escolheu Pedro e os seus sucessores para a dirigirem . Nasceu um Novo Povo, Um Novo Israel: O Povo cristão, para o qual se entra pelo Sacramento do Baptismo, que, anulando o pecado original, deixa um povo santo, de sacerdotes, reis e profetas.

2ª Leitura

. Agora falo a chorar… Se hoje S. Paulo estivesse cá para reevangelizar esta Europa e os países por ela cristianizados, será que não choraria? As causas das suas lágrimas não seriam as mesmas? Tudo indica que sim, com uma agravante: agora, cometem-se todas as aberrações, aprovadas, legalizadas por leis iníquas, vergonhosas, por gente que procede como inimigos de Cristo.

. Entre os procedimentos que estavam na mente de S. Paulo estariam a homossexualidade privada ou pública, legal, os ” casamentos” homossexuais, os abortos, a pedofilia, toda a sexualidade pecaminosa, fora do casamento legal entre um homem e uma mulher. Mesmo a sexualidade dentro do casamento é pecaminosa se for impeditiva de gerar filhos, a não ser que a Igreja aprove excepções, por exemplo em casos de pandemias, como seja a do vírus Zika. Acrescente-se ainda o divórcio,… e já fica tudo no fundo. Os 10 Mandamentos foram invertidos por leis humanas. Agora, discute-se a eutanásia, cuja aprovação completa a do aborto, com a “Licença para matar” no início e no fim da vida. Será para admirar que certos países tenham entrado na derrocada social, económica e financeira?

. O fim deles é a perdição (condenação eterna)… Porque tem S. Paulo tanta certeza na condenação eterna de quem pratica os comportamentos que ele condena?

Porque se cometem inúmeros pecados que violam os Mandamentos de Deus, alguns deles clamando aos Céus por justiça. E a justiça divina pode vir ( e vem), de muitas maneiras, tanto individual como colectiva, porque o pecado tem consequências sociais, individuais, religiosas, colectivas, políticas, económicas, financeiras, ecológicas, ideológicas, na saúde, na doença, nas condições climatéricas,…no tempo atmosférico e cronológico, na vida, na morte e muito mais, para não falar da eternidade.

. Orgulham-se da sua vergonha… Penso que S. Paulo se refere a toda a sexualidade desregrada, pecaminosa. Antes, ela era mais ou menos escondida, velada, omitida nas conversas, mas agora fala-se às claras, sem pejo nem vergonha, ostentando atitudes nitidamente provocatórias, como se estivessem no mais perfeito dos mundos…

Concluindo: as coisas não estão melhores agora do que no tempo em que S. Paulo escreveu aos cristãos de Filipos. Também o poderia escrever hoje aos cristãos de todo o mundo? Penso que sim! Como remediar? Com catequese obrigatória para todos: crianças, Jovens e adultos, durante toda a vida.

ANO C – 1º DOMINGO DA QUARESMA

I – LEITURA I – Deut 26,4-10

Leitura do livro do Deuteronómio

 Moisés falou ao povo, dizendo: «O sacerdote receberá da tua mão as primícias dos frutos da terra e colocá-las-ás diante do altar do Senhor teu Deus. E diante do Senhor, teu Deus, dirás as seguintes palavras: ‘Meu pai era um arameu errante, que desceu ao Egipto com poucas pessoas, e aí viveu como estrangeiro até se tornar uma nação grande, forte e numerosa. Mas os egípcios maltrataram-nos, oprimiram-nos e sujeitaram-nos a dura escravidão. Então, invocámos o Senhor Deus dos nossos pais e o Senhor ouviu a nossa voz,
viu a nossa miséria, o nosso sofrimento e a opressão que nos dominava. O Senhor fez-nos sair do Egipto com mão poderosa e braço estendido, espalhando um grande terror e realizando sinais e prodígios. Conduziu-nos a este lugar e deu-nos esta terra, uma terra onde corre leite e mel. E agora venho trazer-Vos as primícias dos frutos da terra que me destes, Senhor’. Então, colocarás diante do Senhor teu Deus as primícias dos frutos da terra e te prostrarás diante do Senhor teu Deus».

.

II – SALMO RESPONSORIAL – Do salmo 90 (91)

Refrão: Estai comigo, Senhor, no meio da adversidade!

Tu que habitas sob a protecção do Altíssimo
e moras à sombra do Omnipotente,
Diz ao Senhor: «Sois o meu refúgio e a minha cidadela:
meu Deus, em Vós confio».

Nenhum mal te acontecerá
nem a desgraça se aproximará da tua tenda,
porque Ele mandará aos seus Anjos
que te guardem em todos os teus caminhos.

Na palma das mãos te levarão,
para que não tropeces em alguma pedra.
Poderás andar sobre víboras e serpentes,
calcar aos pés o leão e o dragão.

Porque em Mim confiou, hei-de salvá-lo;
hei-de protegê-lo, pois conheceu o meu nome.
Quando Me invocar, hei-de atendê-lo,
estarei com ele na tribulação,
hei-de libertá-lo e dar-lhe glória.

Leia o salmo 90/91 completo. Clique aqui!

.

III – LEITURA II – Rom 10,8-13

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos

Irmãos:

Que diz a Escritura? “A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração”. Esta é a palavra de fé que que que nós pregamos. Se confessares com a tua boca que Jesus é o Senhor e se acreditares no teu Coração que Deus O ressuscitou dos mortos, serás salvo. Pois com o coração se acredita para obter a justiça e com a boca se professa a fé para alcançar a Salvação. Na verdade, a Escritura diz: “ Todo aquele que acredita no Senhor não será confundido”. Não há diferença entre Judeu e Grego: todos têm o mesmo Senhor, rico para com todos os que O invocam. Portanto, todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.

.

ACLAMAÇÃO DO EVANGELHO

Nem só de pão vive o homem,
mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.

.

IV – EVANGELHO – Lc 4,1-13

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, Jesus, cheio do Espírito Santo, retirou-Se das margens do Jordão. Durante quarenta dias, esteve no deserto, conduzido pelo Espírito, e foi tentado pelo diabo. Nesses dias não comeu nada e, passado esse tempo, sentiu fome. O diabo disse-lhe:

DIABO – «Se és Filho de Deus, manda a esta pedra que se transforme em pão!».
JESUS – Está escrito: “Nem só de pão vive o homem”!
O diabo levou-O a um lugar alto e mostrou-Lhe num instante todos os reinos da terra
e disse-Lhe:
DIABO – Eu Te darei todo este poder e a glória destes reinos, porque me foram confiados,
e eu os dou a quem eu quiser. Se Te prostrares diante de mim, tudo será teu»!
JESUS – : Está escrito: “Ao Senhor teu Deus adorarás, só a Ele prestarás culto”!.
Então o demónio levou-O a Jerusalém, colocou-O sobre o pináculo do Templo
e disse-Lhe:

DIABO — Se és Filho de Deus, atira-te daqui abaixo, porque está escrito: “Ele dará ordens aos seus Anjos a teu respeito, para que te guardem” (Salmo 90/91); e ainda: “Na palma das mãos te levarão, para que não tropeces em alguma pedra»! (90/91)

JESUS – Está mandado: “Não tentarás o Senhor teu Deus”! Então o diabo, tendo terminado toda a espécie de tentação, retirou-se da presença de Jesus, até certo tempo.

.

V – COMENTÁRIO por: Ezequiel Miguel

  1. Epístola de S. Paulo aos Romanos (Leitura II)

Parece ser tudo muito simples. Basta acreditar e confessar que Jesus Cristo é o Senhor e que ressuscitou? Não seria a salvação demasiado fácil? Não esquecer que esta fé exige as obras da Fé, pois, como diz S. Tiago, na sua carta (Tg 2,17, a fé sem obras não vale de nada, por ser uma fé morta e a morte não gera vida. Este é o equívoco lançado por Martinho Lutero e que inda hoje tem inúmeros seguidores.

A Fé de todo aquele que é baptizado está compendiada no Credo, naquele que se recita na Missa e também na sua fórmula curta, mais simples e mais popular e que ensina na Catequese. Além das Verdades de fé que surgem no Credo, há outras que a Igreja definiu como Verdade absolutas de fé obrigatória, como sejam, por exemplo, os dogmas referentes `Virgem à Virgem Maria: A Sua Imaculada Conceição; a Sua Virgindade antes, durante e após o parto; a Sua Ascensão ao Céu em corpo e alma; A Sua maternidade divina, isto é, é Mãe de Deus, porque Cristo é Deus. A Fé, no pensamento de S. Paulo, é o ingrediente que possibilita acreditar em tudo o que a Bíblia, a Igreja Católica e a Tradição Apostólica nos ensinam. Assim como toda a fervura de água produz vapor, também a verdadeira fé produz o vapor das Boas obras.

  1. As tentações

Porque terá Jesus Cristo aceitado ser tentado pelo Diabo? E porque ousou o Diabo tentar Cristo, sabendo que nada podia fazer, que seria tudo em vão? Será que o Diabo não terá reconhecido Cristo?

A verdade é que Cristo e O diabo já se conheciam, não sabemos há quantos milhões de anos. A intenção de Cristo foi certamente mostrar-nos certas realidades que, pelo facto de serem invisíveis aos nossos olhos, não deixam de ser reais. É dogma da Fé Católica acreditar na existência do Diabo e na sua acção entre os homens. Hoje, há muitos, inclusive católicos, que negam estes dogmas, invocando o balofo argumento. “Se existe, eu nunca o vi”. Será isto fé? É claro que não! A verdade é que há muita coisa neste mundo material que existe e que nós ainda não vimos nem veremos para já não falar do mundo do sobrenatural, do oculto, do espiritual, mais real e verdadeiro do que este em que vivemos.

Quanto às tentações, estão aqui implícitas ou explícitas as tentações da riqueza, do poder, do alimento, do dinheiro, da fama, do prestígio, da ganância, da soberba da vida, da soberba da mente, do culto do corpo, da corrupção, da falsidade, da mentira, etc. Também já ouvi dizer que a tentação não existe e que é tudo uma questão de cabeças fracas. Sendo assim, Cristo não teria incluído no Pai-Nosso. “Não nos deixeis cair em Tentação, mas livrai-nos do maligno!”, agora traduzido por “ Livrai-nos do Mal”. Mas nem todas as tentações vêm do Diabo, pois os inimigos da alma são o Mundo, o Demónio e a Carne. Não vale a pena acusar o Diabo de ser o causador de todas as tentações em que nos afectam.

 

Artigo relacionado:

Audiência de Cristo a Satanás

ANO C – 5º Domingo do Tempo Comum

I – Leitura do Livro do profeta Isaías (Is 6,1.2ª.3-8)

No ano em que morreu Osias, rei de Judá, eu vi o Senhor, sentado em um trono alto e dominante, e o seu manto cobria o santuário. Diante do Senhor estavam serafins, que tinham seis asas cada um. Cada qual bradava para o outro:

Serafins – Santo, santo, santo é o Senhor do Universo.! Toda a Terra está cheia da sua glória.

À voz de quem bradava, as colunas das portas oscilaram e o Templo enchia-se de fumo. Eu disse, então:

Isaías – Ai de mim, que estou perdido, pois sou um homem de lábios impuros! Impuros são os lábios de gente com quem vivo, e os meus olhos viram o Rei, Senhor do Universo.

Um dos serafins voou ao meu encontro. Tinha na mão um carvão ardente, que tirara do altar com uma tenaz. Tocou-me com ele na boca e disse-me:

Serafim – Isto acaba de tocar-te nos lábios! O teu pecado foi tirado, as tuas faltas foram perdoadas.

Ouvi, então, a voz do Senhor:

Senhor – Quem hei-de enviar? Quem irá em vez de nós?

E eu respondi:

Isaías – Eis-me aqui! Podeis enviar-me!

 .

II – Salmo responsorial (Do salmo 137/138)

Na presença dos Anjos eu Vos louvarei

 .

De todo o coração, Senhor, eu Vos dou graças,

porque ouvistes as palavras da minha boca.

Na presença dos anjos Vos hei-de cantar

e Vos adorarei, voltado para o vosso templo santo.

 .

Hei-de louvar o vosso nome pela vossa bondade e fidelidade,

porque exaltastes acima de tudo

o Vosso nome e a vossa promessa.

Quando Vos invoquei, me respondestes,

aumentastes a fortaleza da minha alma.

 .

Todos os reis da Terra Vos hão-de louvar, Senhor,

quando ouvirem as palavras da vossa boca.

Celebrarão os caminhos do Senhor,

porque é grande a glória do Senhor.

 .

A vossa mão direita me salvará,

o Senhor completará o que em meu auxílio começou.

Senhor, a vossa bondade é eterna,

não abandoneis a obra das vossas mãos.

 .

Nota – Para ver o salmo 137(138) completo, clique aqui!

 .

III – Leitura II – Da 1ª Epístola de S. Paulo aos Coríntios (1 Cor 15,1-11):

“Meus irmãos: Recordo-vos o Evangelho que vos anunciei, o mesmo Evangelho que vós recebestes e ao qual permaneceis fiéis. Por ele também vós podeis salvar-vos, se o conservardes como eu vo-lo anunciei. Aliás, teríeis abraçado a fé em vão. (1)

Pois eu transmiti-vos em primeiro lugar o mesmo que havia recebido. Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras e, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia. A seguir, apareceu a Pedro, depois aos Doze. Posteriormente, apareceu de uma só vez a mais de quinhentos irmãos, dos quais a maioria ainda existe, enquanto alguns já faleceram. Em seguida, apareceu a Tiago, depois a todos os Apóstolos. No fim de todos, apareceu-me também a mim, que nasci como de um aborto. É que eu sou o menor dos apóstolos e não sou digno do nome de Apóstolo, por ter perseguido a Igreja de Deus.

Pela graça de Deus é que sou aquilo que sou, e a graça que Ele me deu não foi inútil. Pelo contrário, tenho trabalhado mais que todos eles, eu não, por certo, mas a graça de Deus, que está comigo! Tanto eu, pois, como eles, é assim que pregamos; e foi assim que vós acreditastes”.

(1) Nota – S. Paulo não deixa margem para dúvidas. É preciso conservar e viver o Evangelho tal como ele o anunciou. E isso faz parte do depósito da Fé genuína, integral. Se não for assim, a fé torna-se inútil, uma vez que é adulterada e, tal como acontece com o vinho e outros alimentos adulterados, não se aproveitam, por terem virado venenos.

É um recado para aqueles que só acreditam no que querem e como o querem. O caso mais premente diz respeito à aceitação dos dogmas da Eucaristia e da Penitência, os sacramentos do perdão de Deus, que os membros das confissões protestantes não aceitam. Será possível abraçar a Fé Católica em vão? S. Paulo garante que é possível.

Sugestão – Releia a Leitura II e medite-a!

 .

Aclamação do Evangelho (Jo 15, 15b)

Chamei-vos amigos, diz o Senhor,

porque tudo o que ouvi de Meu Pai Eu vos dei a conhecer.

 .

IV – Evangelho (Lc 5,1-11)

“Naquele tempo, estava a multidão aglomerada em volta de Jesus, a ouvir a palavra de Deus. Ele mesmo se encontrava à beira do lago de Genesaré e viu dois barcos estacionados no lago. Os pescadores tinham deixado os barcos e estavam a lavar as redes. Subiu então para um dos barcos, que era de Simão, e pediu-lhe que se afastassem um pouco da terra.

Depois, sentou-se, e, do barco, pôs-se a ensinar as multidões. Quando acabou de falar, disse a Simão:

Jesus – Faz-te ao largo! E vós lançai as redes para a pesca!

Simão Pedro– Mestre, andámos na faina toda a noite e não apanhámos nada. Mas, já que o dizes, largarei as redes!

Eles assim fizeram e apanharam grande número de peixes. As redes já estavam a romper-se, e eles fizeram sinal aos colegas que estavam no outro barco, para os virem ajudar. Eles vieram e encheram-se ambos os barcos, a ponto de quase afundarem. Ao ver o sucedido, Simão Pedro lançou-se aos pés de Jesus e disse-Lhe:

Simão Pedro – Senhor, afasta-te de mim, que sou um homem pecador!

Na verdade, enchera-se de assombro, como todos os que estavam com ele, por causa da pesca realizada. O mesmo sucedera a Tiago e a João, filhos de Zebedeu, que eram colegas de Simão. Disse Jesus a Simão:

Jesus – Não tenhas receio! Daqui por diante ficarás pescador de homens!

Reconduzidos os barcos para terra, eles deixaram tudo e seguiram Jesus”.

ANO C – 4º DOMINGO DO TEMPO COMUM

I – LEITURA I – Jer 1,4-5.17-1

Leitura do Livro de Jeremias

“No tempo de Josias, rei de Judá,
a palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos:
«Antes de te formar no ventre materno, Eu te escolhi;
antes que saísses do seio de tua mãe, Eu te consagrei
e te constituí profeta entre as nações.
Cinge os teus rins e levanta-te,
para ires dizer tudo o que Eu te ordenar.
Não temas diante deles,
senão, serei Eu que te farei temer a sua presença.
Hoje mesmo faço de ti uma cidade fortificada,
uma coluna de ferro e uma muralha de bronze,
diante de todo este país, dos reis de Judá e dos seus chefes,
diante dos sacerdotes e do povo da terra.
Eles combaterão contra ti, mas não poderão vencer-te,
porque Eu estou contigo para te salvar».

.

II – SALMO RESPONSORIAL – Do salmo 70 (71)

Refrão: A minha boca proclamará a vossa salvação

.

Em Vós, Senhor, perseguido me refugio,

socorrei-me, que jamais seja confundido!

Defendei minha vida, presa por um fio,

inclinai para mim, solícito, o Vosso ouvido.

 .

Ó Deus, sede o meu refúgio, onde me acolho,

prometestes resguardar-me na adversidade,

Vós sois meu rochedo, sobre o qual me recolho,

a minha protecção no mar da iniquidade.

 .

Livrai-me da mão pelo pecado manchada,

dos opressores e violentos, sem virtude,

em Vós coloquei minha esperança ilimitada,

também minha confiança, desde a juventude.

 .

III – LEITURA II – 1 Cor 12,31-13,13

Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios

Irmãos:
Aspirai com ardor aos dons espirituais mais elevados!
Vou mostrar-vos um caminho de perfeição que ultrapassa tudo:
. Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos,
se não tiver caridade,
sou como bronze que ressoa ou como címbalo que retine.
. Ainda que eu tenha o dom da profecia
e conheça todos os mistérios e toda a ciência,
ainda que eu possua a plenitude da fé,
a ponto de transportar montanhas,
se não tiver caridade, nada sou.

. Ainda que distribua todos os meus bens aos famintos
e entregue o meu corpo para ser queimado,
se não tiver caridade, de nada me aproveita.

“A caridade é paciente, a caridade é benigna;
não é invejosa, não é altiva nem orgulhosa;
não é inconveniente, não procura o próprio interesse;
não se irrita, não guarda ressentimento;
não se alegra com a injustiça,
mas alegra-se com a verdade;
tudo desculpa, tudo crê,
tudo espera, tudo suporta.
O dom da profecia acabará,
o dom das línguas há-de cessar,
a ciência desaparecerá;
mas a caridade não acaba nunca.
De maneira imperfeita conhecemos,
de maneira imperfeita profetizamos.
Mas quando vier o que é perfeito,
o que é imperfeito desaparecerá.
Quando eu era criança, falava como criança,
sentia como criança e pensava como criança.
Mas quando me fiz homem, deixei o que era infantil.
Agora, vemos como num espelho e de maneira confusa,
depois, veremos face a face.
Agora, conheço de maneira imperfeita,
depois, conhecerei como sou conhecido.
Agora, permanecem estas três coisas:
a fé, a esperança e a caridade;
mas a maior de todas é a caridade.”

.
ALELUIA – Lc 4,18

O Senhor enviou-me a anunciar a boa nova aos pobres,
a proclamar aos cativos a redenção.

.

IV – EVANGELHO – Lc 4,21-30

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo,
Jesus começou a falar na sinagoga de Nazaré, dizendo:
«Cumpriu-se hoje mesmo
esta passagem da Escritura que acabais de ouvir».
Todos davam testemunho em seu favor
e se admiravam das palavras cheias de graça
que saíam da sua boca.
E perguntavam:
«Não é este o filho de José?»
Jesus disse-lhes:
«Por certo Me citareis o ditado:
‘Médico, cura-te a ti mesmo’.
Faz também aqui na tua terra
o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum».
E acrescentou:
«Em verdade vos digo:
Nenhum profeta é bem recebido na sua terra.
Em verdade vos digo
que havia em Israel muitas viúvas no tempo do profeta Elias,
quando o céu se fechou durante três anos e seis meses
e houve uma grande fome em toda a terra;
contudo, Elias não foi enviado a nenhuma delas,
mas a uma viúva de Sarepta, na região da Sidónia.
Havia em Israel muitos leprosos no tempo do profeta Eliseu;
contudo, nenhum deles foi curado,
mas apenas o sírio Naamã».
Ao ouvirem estas palavras,
todos ficaram furiosos na sinagoga.
Levantaram-se, expulsaram Jesus da cidade
e levaram-NO até ao cimo da colina
sobre a qual a cidade estava edificada,
a fim de O precipitarem dali abaixo.
Mas Jesus, passando pelo meio deles,
seguiu o seu caminho.

 .

V – DESCODIFICANDO:

Por: E.Miguel

“…se não tiver caridade…nada sou”.

Estamos habituados a expressões como: praticar a caridade, fazer caridade, ser caridoso,…mas a palavra caridade, como S. Paulo a utiliza, significa “Amor a Deus”, sendo a tradução directa do Latim “Caritas”. Veja a expressão latina: “Deus caritas est”, que significa “Deus é amor”.

Assim, S. Paulo quer dizer que as obras praticadas por quem não ama a Deus são vazias de valor, de nada servindo para a salvação, mesmo os maiores sacrifícios que se possam fazer. Como se ama a Deus? Praticando os Mandamentos de Deus e da Igreja em estado de graça, isto é, sem estar em pecado grave, mortal. Chama-se mortal porque mata a presença de Deus nas almas. Também se diz de outra maneira: “ Matar a alma”, o que parece não estar muito correcto, uma vez que as almas não morrem, por serem espíritos. Equivale a dizer que a alma em pecado grave está morta, porque, não produzindo nada para a sua salvação, está no caminho para a morte eterna, condenação.

É por estas almas que se reza, para que se convertam, mesmo que seja na última hora de vida. Daí, Nossa Senhora, em Fátima, se ter referido a estas almas, que “ vão para o inferno por não haver quem reze e se sacrifique por elas”. São os milagres da graça a actuarem quando a alma já está à beira do precipício. Só Deus sabe a quem estas graças são aplicadas. Os Pastorinhos de Fátima, aos quais foi mostrado o Inferno e a chuva miudinha constante de almas que lá caem, interiorizaram a absoluta e premente necessidade de salvar pecadores da condenação eterna. Quem tem amor(=caridade) a Deus é constrangido a levar a sério esta realidade. Relembre ainda a oração que Nossa Senhora pediu no fim de cada mistério do Rosário: “ Ó meu Jesus, perdoai-nos e livrai-nos do fogo do Inferno. Levai as almas para o Céu principalmente as que mais precisarem”, isto é, aquelas que estão perto de se condenarem, por se encontrarem em pecado mortal.

Como se apaga o pecado mortal? Todos os que foram baptizados são membros da única Igreja de Cristo, a Igreja Católica, estando, por isso, obrigados a praticar os Sacramentos do perdão: Confissão (=Penitência) para os pecados mortais) e Eucaristia para os pecados mais leves, chamados veniais. Se Vc. é baptizado, não acredite no “ Eu confesso-me a Deus”, pois isso não vai servir-lhe de nada na hora derradeira. Não se encontra, na Bíblia, qualquer referência que permita pôr de lado aquela sentença de Jesus aos Apóstolos: “Ide,…perdoai os pecados! Aqueles a quem os perdoardes, ficarão perdoados; os que não perdoardes, não ficarão perdoados”.

Sugiro que consulte o Catecismo da Igreja Católica para saber como isso funciona!

 

ANO C – 3º DOMINGO DO TEMPO COMUM

LEITURA I – Ne 8,2-4a.5-6.8-10

Leitura do Livro de Neemias

Naqueles dias, o sacerdote Esdras trouxe o Livro da Lei perante a assembleia de homens e mulheres e todos os que eram capazes de compreender. Era o primeiro dia do sétimo mês. Desde a aurora até ao meio dia, fez a leitura do Livro, no largo situado diante da Porta das Águas, diante dos homens, das mulheres e de todos os que eram capazes de compreender. Todo o povo ouvia atentamente a leitura do Livro da Lei. O escriba Esdras estava de pé, num estrado de madeira feito de propósito. Estando assim em plano superior a todo o povo, Esdras abriu o Livro à vista de todos, e, quando o abriu, todos se levantaram. Então, Esdras bendisse o Senhor, o grande Deus, e todos responderam, erguendo as mãos: “Amen! Amen”! E, prostrando-se de rosto por terra, adoraram o Senhor. Os levitas liam, clara e distintamente, o Livro de Deus e explicavam o seu sentido, de maneira que se pudesse compreender a leitura. Então, o governador Neemias, o sacerdote e escriba Esdras, bem como os levitas que ensinavam o povo, disseram a todo o povo : “Hoje é um dia consagrado ao Senhor vosso Deus. Não vos entristeçais nem choreis”! Porque todo o povo chorava, ao escutar as palavras da Lei. Depois, Neemias acrescentou: “Ide para vossas casas, comei uma boa refeição, tomais bebidas doces e reparti com aqueles que não têm nada preparado. Hoje é um dia consagrado ao nosso Senhor, portanto, não vos entristeçais, porque a alegria do Senhor é a vossa fortaleza”!

 .
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 18 B (19)

Refrão: Anunciai, no meio de todos os povos, as maravilhas do Senhor!

A Lei do Senhor se tece de perfeição,

ela faz a alma exultar de alegria.

Suas Ordens são firmes, sem oscilação,

e aos simples concedem a Sabedoria.

 .

Seus Preceitos primam pela rectidão,

Seus mandamentos são claros, transparentes,

nas Leis do Senhor exulta o coração

e os olhos se iluminam de raios fulgentes.

 .

O Temor do Senhor sempre permanece,

os Juízos do Senhor são verdadeiros,

em Seus Juízos a rectidão não fenece,

os Juízos do Senhor apontam certeiros.

 .

Os Preceitos do Senhor são valiosos,

muito mais preciosos que o mais fino ouro,

de longe mais que o puro mel saborosos,

do mel que dos favos sai como tesouro.

 .

Embora por eles eu me deixe guiar

e os observe com o máximo cuidado,

quem pode no fundo de si penetrar

para reconhecer o erro disfarçado?

 .

Purificai-me de todos os pecados ocultos

e do orgulho também me preservai!

Arrancai de mim os escondidos vultos,

e de toda a culpa grave me libertai!

 .

As palavras da minha boca aceitai!

Perante Vós estejam meus pensamentos!

Em humildade o meu coração deixai,

protegido contra os orgulhosos ventos!

 .

LEITURA II – 1 Cor 12,12-30

Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios

Irmãos:
Assim como o corpo é um só e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, apesar de numerosos, constituem um só corpo, assim sucede também em Cristo. Na verdade, todos nós– judeus e gregos, escravos e homens livres – fomos baptizados num só Espírito,para constituirmos um só corpo e a todos nos foi dado a beber um só Espírito. De facto, o corpo não é constituído por um só membro, mas por muitos. Se o pé dissesse: «Uma vez que não sou mão, não pertenço ao corpo», nem por isso deixaria de fazer parte do corpo. E se a orelha dissesse: «Uma vez que não sou olho, não pertenço ao corpo», nem por isso deixaria de fazer parte do corpo. Se o corpo inteiro fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo ele fosse ouvido, onde estaria o olfacto? Mas Deus dispôs no corpo cada um dos membros, segundo a sua vontade. Se todo ele fosse um só membro, que seria do corpo? Há, portanto, muitos membros, mas um só corpo.

ALELUIA – Lc 4,18

O Senhor enviou-me a anunciar a boa nova aos pobres,
a proclamar aos cativos a redenção.

EVANGELHO – Lc 1,1-4;4,14-21

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Já que muitos empreenderam narrar os factos que se realizaram entre nós, como no-los transmitiram os que, desde o início, foram testemunhas oculares e ministros da palavra, também eu resolvi, depois de ter investigado cuidadosamente tudo desde as origens, escrevê-las para ti, ilustre Teófilo, para que tenhas conhecimento seguro do que te foi ensinado. Naquele tempo, Jesus voltou da Galileia, com a força do Espírito, e a sua fama propagou-se por toda a região. Ensinava nas sinagogas e era elogiado por todos. Foi então a Nazaré, onde Se tinha criado. Segundo o seu costume, entrou na sinagoga a um sábado e levantou-Se para fazer a leitura. Entregaram-Lhe o livro do profeta Isaías e, ao abrir o livro, encontrou a passagem em que estava escrito: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres. Ele me enviou a proclamar a redenção aos cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade aos oprimidos e a proclamar o ano da graça do Senhor». Depois enrolou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-Se. Estavam fixos em Jesus os olhos de toda a sinagoga. Começou então a dizer-lhes: «Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir”!.

Previous Older Entries