Aparições da Virgem Maria em Fátima – III

13 de Julho de 1917

O Prior de Fátima, após a 2ª Aparição (Junho), tentara demover a Lúcia de continuar a frequentar a Cova da Iria nos dias 13, porque, não tendo ainda dados que lhe permitissem concluir em definitivo sobre  o que realmente se passava com as ditas Aparições da Virgem Maria, rematou as suas opiniões e conselhos com  a sentença que apontava para uma interferência demoníaca naqueles fenómenos. Ele sabia, e hoje também ainda se sabe, que o demónio é o mestre do engano, do embuste,  da confusão, da mentira, do parecer, do fingir, etc. Os seus métodos e processos ainda não mudaram nem nunca mudarão, porque, embora tenha sido criado direito, a certa altura entortou e não mais se voltará a endireitar.

Em numerosas Aparições verdadeiras, privadas ou públicas, os videntes costumam, em primeiro lugar, dar conta dos fenómenos em que se vêem envolvidos aos seus confessores e directores espirituais, os quais estudam para aprender a discernir quando se trata de algo ou Alguém vindo do Céu ou de algum agente satânico vindo do Inferno. Por norma e por motivos de segurança, a Igreja, através dos sacerdotes e bispos, costuma ser lenta e resistente aos fenómenos de índole sobrenatural, até porque a falta de dados concretos e precisos assim o recomenda. Não é isto motivo para se censurar ou condenar a autoridade eclesiástica que tem a seu cargo ajuizar da veracidade de uma qualquer Aparição. O receio de se cair precipitadamente num juízo errado recomenda muita prudência, e prudência  é o que não falta em casos semelhantes. Além disso, ninguém é obrigado a acreditar em revelações e Aparições particulares, porque isso não faz parte do conjunto das Verdades da Fé. Normalmente, só passados muitos anos, após provas e mais provas é que a Igreja define como verdadeiras algumas, muito poucas, Aparições e revelações particulares. Aqueles que acusam Fátima, por exemplo, de  alguém ter inventado, para fins comerciais, os fenómenos que lá se desenrolaram e desenrolam, não sabem o que dizem e limitam-se pura e simplesmente a caluniar e a despejar ódio sobre Fátima e a Virgem Maria. A Igreja até nem declara santo alguém apenas por ter recebido mensagens do Céu. Isso até nem conta para os processos de beatificação e canonização. O que se passou com Santa Faustina, que foi beatificada e canonizada pela sua santidade e não pelas revelações e mensagens que recebeu de Jesus Cristo, ilustra bem tal procedimento.

Voltemos ao Prior de Fátima e ao seu encontro com a Lúcia. Esta ficara muito desanimada com a sentença final do Sr. Prior:  “ Não me parece que seja Nossa Senhora. Estou mais em crer que será o demónio, por isso, aconselho-te a não voltares à Cova da Iria nesses dias 13”.  Lúcia decidiu então que não voltaria lá, satisfazendo assim o conselho do Sr. Prior, que também encontrava eco na sua própria mãe.

Chegado o dia 13 de Julho, a Lúcia ainda estava renitente, mas à medida que a hora se aproximava, o coração batia mais fortemente e uma força interior quebrou todas as resistências. Dirigiu-se a casa do Francisco e da Jacinta e lá os  encontrou ajoelhados a rezar pela Lúcia.

Lúcia – Então, vocês não vão?

Jacinta – Sem ti nós não nos atrevemos a ir! Anda, vem!

Lúcia – Já cá vou!

Abraços, beijos e saltos de alegria selaram a decisão de Lúcia. E lá foram.

Preocupadas ficaram a D. Olímpia, o Ti Marto e a D. Maria Rosa, que resolveram avançar também um tanto secretamente, para o caso de ser alguma coisa ruim  que pusesse em perigo os seus filhos. Enquanto as mães se esconderam  numa  moita, o Ti Marto atreveu-se a ir até perto da azinheira e ficar mesmo ao lado da sua Jacintica. Assim ele o conta:

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(Do livro: ERA UMA SENHORA  MAIS BRILHANTE QUE O SOL, págs.  113-114)

 Ti Marto (Pai de Francisco e Jacinta) – “Abalei de casa resolvido, desta vez, a ver o que se passava. Quantas vezes tinha eu já dito à comadre Maria Rosa:

– Se o povo diz que estas coisas são invenções dos pais e dos padres, ninguém sabe melhor do que eu e a comadre que isso não é assim. A gente não os puxa e o Sr. Prior…olhem lá…o Sr. Prior então!… Pois ele até está na sua que podem ser coisas do demónio…E  tabulando assim, meti-me à estrada. O que já lá ia de povo!… Eu nem avistei os pequenos, mas pelo jeito que via, de vez em quando, um magote a parar no caminho, futurava que eles iam lá à frente.

Num sentido, mais me convinha vir cá atrás, mas quando cheguei lá abaixo, não me pude ter; o que eu queria era ficar pertinho deles. Mas como? Nem se podia romper. Era o poder do mundo!… A certa altura, dois fulanos, um da Ramila e o outro aqui da terra…fizeram uma roda à volta das crianças, para elas estarem mais à vontade e, ao darem ali comigo, puxam-me por um braço e dizem: “Este é o pai! Entre cá para dentro!” Fiquei mesmo rente com a minha Jacintica. A Lúcia, ajoelhada um pouco mais à frente, passava as contas e todos respondiam em voz alta. Acabado o Terço, levanta-se tão rápida que aquilo não era a força dela. Olha assim para o Nascente e grita: “Fechem os chapéus, fechem os chapéus, que já aí vem Nossa Senhora!”

Eu, por mais que olhasse, nada via. Começando então a afirmar-me, vi assim a modo uma nuvenzinha acinzentada que pairava sobre a azinheira. O sol enturviscou-se e começou a correr uma aragem tão fresquinha que consolava. Nem parecia estarmos no pino do Verão. O povo estava mudo que até metia impressão. E então comecei a ouvir um rumor, uma zoada, assim a modo como um moscardo dentro de um cântaro vazio. Mas de palavras, nada! Julgo que há-de ser assim uma coisa como quando a gente fala ao telefónio…Que eu nunca falei! Mas que é isto? – dizia cá para mim. Isto é longe ou é aqui perto?! Tudo isto, para mim, foi uma grande aprovação do milagre”.

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Das Memórias da Ir. Lúcia:

“Momentos depois de termos chegado à Cova da Iria, junto da carrasqueira, entre numerosa multidão de povo, estando a rezar o terço, vimos o reflexo da costumada luz e, em seguida, Nossa Senhora sobre a carrasqueira.

Lúcia – Vossemecê que me quer?

V. MariaQuero que venham aqui no dia 13 do mês que vem, que continuem a rezar o terço todos os dias, em honra de Nossa Senhora do Rosário, para obter a paz do mundo e o fim da guerra, porque só Ela lhes poderá  valer.

Lúcia – Queria pedir-Lhe para nos dizer Quem é, para fazer um milagre com que todos acreditem que Vossemecê nos aparece.

V. Maria Continuem a vir aqui todos os meses. Em Outubro direi  Quem sou, o  que quero e farei um milagre que todos hão-de ver, para acreditar.

Aqui, fiz alguns pedidos que não recordo bem quais foram. O que me lembro é que Nossa Senhora disse que era preciso rezarem o terço para alcançarem as graças durante o ano. …

V. MariaSacrificai-vos pelos pecadores e dizei muitas vezes, em especial sempre que fizerdes algum sacrifício: Ó Jesus, é por Vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria.

Ao dizer estas últimas palavras, abriu de novo as mãos, como nos dois meses passados.

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Visão do Inferno

O reflexo pareceu penetrar a terra e vimos como que um mar de fogo. Mergulhados em esse fogo, os demónios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas, com forma humana, que flutuavam no incêndio, levadas pelas chamas que delas mesmas saíam juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das faúlhas em grandes incêndios, sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizava e fazia estremecer de pavor…Os demónios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes como negros carvões em brasa. Assustados e como que a pedir socorro, levantámos a vista para Nossa Senhora, que nos disse com bondade e tristeza:

V. Maria – Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores; para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração. Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar. Mas, se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior. Quando virdes uma noite alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. Para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia ao Meu Imaculado Coração e a Comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a Meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja.. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas. Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido  ao mundo algum tempo de paz. Em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé, etc. Isto não o digais a ninguém. Ao Francisco, sim, podeis dizê-lo. Quando rezais o terço, dizei, depois de cada mistério: Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno; levai as alminhas todas para o Céu, principalmente aquelas que mais precisarem.

Lúcia –  Vossemecê não me quer mais nada?

V. Maria – Não! Hoje não te quero mais nada.

E, como de costume, começou a elevar-se em direcção ao nascente até desaparecer na imensa distância do firmamento”. (Memória IV)

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Ezequiel Miguel

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Leituras aconselhadas:

. Memórias da Ir Lúcia – Vice-Postulação, Fátima, Portugal

. Pe João M. De Marchi (I.M.C.) – Era um Senhora mais brilhante que o sol – Edição “ Missões da Consolata”,  Fátima.

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. Aparições da Virgem Maria em Fátima – II

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1ª Aparição do Anjo em Fátima – III

Anjo: Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos…Peço-vos perdão para os que não crêem, não adoram, não espera e não Vos amam.

 Meus Deus, eu creio, adoro-Vos, espero… –  Só adoro Alguém que eu reconheça ser merecedor de adoração, por Sua grandeza, suma Bondade, Omnipotência, Omnisciência, Misericórdia, Amor, Justiça.

Só adoro Quem eu reconheça ser superior a tudo e todos, de Quem eu me sinta dependente, em Quem confie, em Quem ponha a minha esperança, meu Senhor absoluto, que me criou por amor, que me mantém vivo por amor, que sabe tudo a meu respeito, vê todos os meus actos, pensamentos, intenções, que sabe o que vou dizer antes de o dizer, que sabe o que penso antes de o pensar, que conhece o meu nome muito antes de eu existir, que me criou para sua glória e minha eterna felicidade junto Dele. Sabe ainda quando e como O ofendo, Lhe ligo pouca importância, me esqueço por vezes que Ele existe e que me deu uns Mandamentos para orientar a minha existência terrena, que, por vezes, pelo pecado, lhe digo que sou Seu inimigo e, no entanto, não me tira a vida logo ali, esperando que eu me retracte, me arrependa, lhe peça perdão, me confesse e recomece de novo, O ame para O compensar, dando-me tempo e condições para frequentemente Lhe dizer: “Pequei contra o Céu e contra Ti  e já não sou digno de me chamares Teu filho (Lc 15,18). É para me dar tempo para a conversão que Ele cumpre o que promete: “Não quero que o pecador morra, mas que se converta e viva longamente” (Ez 18,32)

Adorar é prestar culto, é reconhecer a Suprema Grandeza…, é ajoelhar, é sentir-se nada, é fazer a genuflexão, é curvar-se até ao chão como fez o anjo, é prestar louvor,…é…

Espero – Espero em quem, em quê, o quê, porquê, para quê? A esperança é aquele sentimento interior que nos anima, em consequência da Fé em Deus e nas suas promessas, a pensar, actuar, conduzir a vida de acordo com os esquemas que Deus nos propõe, atribuindo-lhe um valor máximo nas prioridades da nossa existência na Terra, a caminho da Meta da Esperança, a Vida Eterna em Deus, onde a Esperança deixará de ser necessária. Funciona como uma corrida desportiva. Quem não parte com a esperança de alcançar um objectivo que se proponha, já é um derrotado, porque lhe falta motivação. Uma vida humana sem esperança de alcançar a Meta Eterna deixa-nos indiferentes, sem ânimo para iniciar a corrida, acabando tudo em demissão, desinteresse e na ignorância quanto aos quês, porquês e para quês da nossa existência como seres superiores a todos os outros.  Reza o Salmo 56:  “Em Deus eu pus a minha esperança”(Sl 56,11). S. Pedro: “Animai-vos com uma esperança firme, viva” (1Pe 3,9). Esta esperança firme apoia-se necessariamente numa fé firme, caminhando ambas conjuntamente no Amor a Deus e ao próximo, amor esse a que damos o nome de Caridade (Caritas =  Caridade =Amor).

Dizemos nós que enquanto há vida há esperança. Isso é certo também no plano espiritual e sobretudo aplicado à Meta da Salvação. Há pecadores que se salvam no último minuto da vida e alguns até durante a morte aparente. Deus não quer que se condene um único pecador, por isso, a Sua Misericórdia, o Seu Perdão, jorram até continuamente para aqueles que quiserem aproveitá-los e se dispuserem a isso, recorrendo aos meios necessários. É ofensivo para Deus o desesperar de salvar-se, assim como a presunção (convicção) de salvar-se sem fazer nada para isso nem querer saber o que é preciso fazer. São dois pecados contra o Espírito Santo, aqueles dos quais Cristo disse que não teriam perdão nem nesta vida nem na outra (Mt 12, 31-32). Quanto ao desesperar de salvar-se e sentir-se já condenado…é uma ideia que resulta de uma vida de pecado contínuo e consciente ou de grandes pecados isolados e repetidos. Essa ideia é um pecado contra o Espírito Santo, é um acto de soberba, de juízo errado e orgulhoso, certamente alimentado por Satanás, que equivale a pensar assim: “ Tu, ó Deus, perdoas mas eu não acredito que me perdoes a mim e a minha opinião é a que prevalece, porque eu ainda mando em mim. Eu fiz demasiados pecados e para mim não há perdão possível, por isso, nem o peço”. Foi assim que pensou, julgou e actuou Judas,…quando lhe bastava um pequeno gesto, uma curta palavra, uma minúscula lágrima, um pensamento secreto, um pedido silencioso, um olhar humilde e suplicante… dirigidos ao Seu Mestre. E assim ficou, para todos nós, o exemplo trágico de uma morte onde a esperança morrera, se é que alguma vez lá existiram sinais dela!

A esperança, tal como a Fé e a Caridade, é activa, porque é  viva, o que a leva a produzir obras apropriadas que, se por um lado são consequência, por outro, são causa e alimento da esperança. Quem espera, espera em alguma coisa e/ou Alguém, espera em Deus, na Sua Misericórdia, no Seu Amor, na Sua Fidelidade, na Sua Bondade…e espera encontrar-se com Ele e viver Nele, com Ele, pela eternidade. Esta é a Grande Meta da nossa Esperança! Aqui não se cumpre o provérbio popular: “Quem espera,… desespera”, mas: “Quem espera,… alcança”.

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 Ezequiel Miguel

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1ª Aparição do Anjo em Fátima – II

Primavera de 1916 na Loca do Cabeço

Anjo – “…Orai comigo: Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam…”

Meu Deus, eu creio…Crer é ter Fé na existência de um Deus Uno e Trino, conforme a Igreja no-Lo apresenta e conforme Ele mesmo se revelou.  Eis uma definição de Fé, segundo Gil Vicente, extraído do seu “Auto da Fé” :

” Fé é crer o que não vemos,

pela glória que esperamos;

amar o que não compreendemos,

nem vemos, nem conhecemos,

para que salvos sejamos .

Fé é amar a Deus, só por Ele,

quanto se pode amar,

por ser Ele singular,

não por interesse Dele.

E, se mais queres saber,

crer na Madre Igreja Santa

é cantar o que ela canta

e querer o que ela quer”.

A Fé em Deus implica crer, aceitar, acreditar, esperar, amar, estar de acordo com todas as exigências da Fé e pôr a inteligência ao seu serviço em tudo o que Ele nos ensinou, através da Sua Palavra,  Jesus Cristo, através do Magistério da Igreja, da Bíblia e da Tradição Apostólica, expressão usada para englobar todo o ensino que os Apóstolos nos deixaram e que é fruto da sua convivência directa com Jesus Cristo e com a Virgem Maria, a Qual, depois da Ascensão do Filho, foi a Mestra e a orientadora dos Apóstolos. Este ensino, que as seitas protestantes não aceitam, é de aceitação obrigatória para os Católicos.

Aquilo em que é obrigatório acreditar está patente nas verdades do Credo, mas há outras verdades, não constando no Credo, que também fazem parte do conjunto das Verdades da Fé, não sendo lícito negar qualquer uma delas. Quem o fizer fica herético e coloca-se a si próprio fora da Igreja. Estão neste caso os Dogmas ou Verdades de fé obrigatória que, não estando expressas (visivelmente claras) na Bíblia, podem estar e estão implícitas, como conclusão, consequência e extensão lógicas e racionais de outras Verdades, com as quais estão de algum modo relacionadas. Estou a pensar nos dogmas da Infalibilidade Pontifícia, da Imaculada Conceição, da Assunção de Maria em Corpo e alma ao Céu, da Virgindade de Maria antes, durante e depois do parto, da Maternidade divina de Maria…

É fácil crer ou é difícil? Após um bombardeamento numa guerra, após a destruição de uma cidade por um terramoto, vulcão, inundação por rio ou por mar, após contabilizar os mortos que de tudo isto resultam…que me diz? Questiona se Deus existe, duvida, é tentado a perguntar “porquê?”, porque é que Ele, sendo todo poderoso, não evita todas essas tragédias? Não lhe ocorrerá perguntar: Se todos somos Seus filhos…porquê, para quê, que mal fizeram aqueles inocentes?…A Fé dá resposta a estas e outras dúvidas e interrogações.

Mas a Fé referida pelo Anjo no” Eu creio” é, acima de tudo, uma Fé Eucarística, Fé em Jesus Sacramentado, Deus verdadeiro em Corpo, Alma e Divindade, tão real e perfeitamente como está no Céu. É assim que a Igreja ensina e todo o Católico é obrigado a aceitar, sob pena de heresia e exclusão automática da Igreja.

Convém lembrar que o Anjo, deixando uma Hóstia pingando Sangue para dentro de um cálice, ambos suspensos no ar, se ajoelhou ele próprio e fez aquela profissão de Fé Eucarística, de Adoração Eucarística, de esperança eucarística e de amor eucarístico, dobrado até tocar com a cabeça no chão. Depois…os pastorinhos receberam a Comunhão na língua e de joelhos. Compare-se com a nossa situação actual: comunhão de pé, sem um mínimo gesto de adoração (genuflexão), comunhão na mão, comunhão dada por leigos, sacrários atirados para um altar lateral secundário, genuflexões trapalhonas,…O que faltará ainda e que virá a seguir?

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Ezequiel Miguel

Aparições da Virgem Maria em Fátima – II

13 de Junho de 1917

 O dia 12 de Junho era véspera da festa de Santo António, padroeiro de Fátima, marcado pela azáfama de preparar a festividade, mas o dia 13, dia consagrado ao santo, era também o dia escolhido por Nossa Senhora para a 2ª aparição na Cova da Iria. No dia 12, à noite, a Jacinta  e o Francisco bem insistiram com os pais para que os acompanhassem  à Cova da Iria, ao encontro da Senhora, como Ela havia prometido. Mas esse  pedido  colocava-os perante um dilema, que tinha de ser resolvido de algum modo e do modo considerado mais seguro.

 Perante o receio de um estrondoso fiasco, caso a Senhora falhasse o Encontro,  o Ti Marto e a D. Olímpia, após uma séria reflexão, com  tudo bem contado,  pesado e medido, resolveram ir à feira das Pedreiras (Porto de Mós) logo de manhã cedo, para comprarem uma junta de bois, deixando as crianças ainda a dormir, facto que agradou ao Francisco e à Jacinta, por se sentirem livres, ao acordarem, de qualquer pressão que tentasse desviá-los da Cova da Iria. Assim se livrariam os pais da vergonha de nada acontecer na Cova da Iria, ficando também a salvo de uma hipotética rebelião popular contra eles e contra as crianças, nas quais ainda quase ninguém acreditava, nem mesmo D. Olímpia e muito menos D. Maria Rosa dos Santos, a mãe de Lúcia, que era a mais acérrima opositora, e que se desfazia em angústias, lamentos, desgostos e lágrimas perante o que ela dizia serem as mentiras da Lúcia. Ninguém mais do que ela  desejava  que a Senhora não aparecesse e que houvesse uma revolta contra todos os embustes, falsidades, invenções, mentiras e seus agentes. Seria o grande dia da reconciliação da família com a verdade e D. Rosa veria finalmente a paz em casa e na sua consciência. Assim o pensava ela, mas, para seu sofrimento, tudo lhe saiu ao contrário. Os pais de Francisco e Jacinta também temiam que os seus filhos fossem vítimas de violência  por parte de mirones  frustrados e enraivecidos, caso tudo aquilo desse num fracasso. Indiferente ao que pudesse acontecer à Lúcia figurava  sua mãe, que estava convencida de que ela mereceria o que lhe acontecesse, se algo acontecesse, para não andar com aquelas mentiras todas, a que já era tempo de por cobro de uma vez por todas.

Tanto os pais do Francisco e da Jacinta como a mãe de Lúcia tudo fizeram para os entusiasmar a irem antes à festa de S. António, em Fátima, que continha missa com sermão, procissão, música e foguetes e outras coisas mais que suscitam o entusiasmo das crianças, tudo pensado e feito para fazer esquecer a Cova da Iria. Durante o tempo que medeia entre 13 de Maio e 13 de Junho houve em ambas as casas um conluio de silêncio sobre as Aparições, na tentativa de que eles esquecessem por completo o 13 de Junho, data da próxima Aparição da Senhora, de nada valendo também o argumento de que a Senhora não viria. À hora marcada lá estavam eles junto à grande azinheira, que ainda hoje lá está, à espera do relâmpago que anunciava a vinda da Senhora.

Das Memórias da Ir. Lúcia:

“Aí pelas onze horas, saí de casa, passei por casa de meus tios, onde a Jacinta e o Francisco me esperavam, e lá vamos para a Cova da Iria, à espera do momento desejado. Toda aquela gente ( mais de 50 pessoas) nos seguia, fazendo-nos mil perguntas” .

“Depois de rezarmos o Terço com as outras pessoas que estavam presentes, vimos de novo o reflexo da luz que se aproximava, a que chamávamos relâmpago, e em seguida Nossa Senhora sobre a carrasqueira, tudo igual a Maio.

Lúcia – Vossemecê que me quer?

Virgem Maria (V.M.) – Quero que venhais aqui no dia 13 do mês que vem, que rezeis o Terço todos os dias e que aprendais a ler. Depois direi o que quero.

Lúcia – Queria pedir-lhe para curar aquele doente …

V.M. – Se se converter, curar-se-á durante o ano.

Lúcia – Queria pedir-lhe para nos levar para o Céu.

V.M. – Sim, à Jacinta e ao Francisco levo-os em breve. Mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-se de ti para me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a Devoção ao meu Imaculado Coração. A quem a abraçar prometo a salvação e serão queridas a Deus estas almas como flores postas por Mim a adornar o Seu trono.

Lúcia – Fico cá sozinha?

V.M. – Não, filha! E tu sofres muito? Não desanimes! Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus .

Da Memória IV : ” Foi no momento que disse estas palavras que abriu as mãos e nos comunicou pela segunda vez o reflexo dessa luz imensa. Nela nos vimos como que submergidos em Deus.  A Jacinta e o Francisco pareciam estar na parte dessa luz que se elevava para o Céu e eu na que se espargia sobre a terra. À frente da palma da mão direita de Nossa Senhora estava um Coração cercado de espinhos que parecia estarem-lhe cravados. Compreendemos que era o Imaculado Coração de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade, que queria reparação”.

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Livros aconselhados:

. Ir. Lúcia – Memórias da Ir. Lúcia

.  Fernando Leite – Jacinta de Fátima –  Editorial A.O., Braga, 1999

. Pe João M. De Marchi  (I.M.C.)- Era uma Senhora mais brilhante que o Sol –  Missões da Consolata, Fátima

. Fernando Leite – Francisco – Editorial A.O., Braga, 1986

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Ezequiel Miguel

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. Aparições da Virgem Maria em Fátima – III

. Aparições da Virgem Maria em Fátima – IV

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. 1ª Aparição do Anjo em Fátima – I

. 1ª Aparição do Anjo em Fátima – II

. 1ª Aparição do Anjo em Fátima – III

. 1ª Aparição do Anjo em Fátima – IV

. 1ª Aparição do Anjo em Fátima – V

. A mãe de Lúcia e as Aparições de Fátima

. A mãe de Lúcia – crer ou não crer

. Lúcia e o sr. Prior

. Interrogatório dos Pastorinhos

. Jacinta, o inferno e os pecadores

. Culpados…ou talvez não!

Era uma vez uma serpente

eve(Confira: Gen 3)

(Realidade & ficção)

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“O Senhor Deus formou o homem e insuflou-lhe pelas narinas o sopro da vida, e o homem transformou-se num ser vivo. Depois, o Senhor Deus plantou um jardim no Éden, ao oriente, e nele colocou o homem que havia formado. O Senhor Deus fez brotar da terra toda a espécie de árvores agradáveis à vista e de saborosos frutos para comer. A Árvore da Vida estava no meio do jardim, assim como a árvore do conhecimento do Bem e do Mal.

 …E o Senhor Deus deu esta ordem ao homem: ”Podes comer do fruto de todas as árvores do jardim! Mas não comas o da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, porque no dia em que o comeres, certamente morrerás”! ( Génesis 2, 7-17)

 E lá vivia o Homem entre plantas e animais de toda a espécie, com os quais se divertia e dialogava e Deus lhe fazia sentir a Sua voz no vento que passava, numa melodia de fazer inveja aos passarinhos desse belo Jardim. Mas um dia, os animais ficaram surpreendidos, ao descobrirem, enroscada na Árvore da Ciência do Bem e do Mal, uma Serpente desconhecida até aí no Jardim e cada um se perguntava de onde é que ela teria vindo e como teria ali surgido. Todos se aproximaram para a admirar, pois estava ornada de várias cores, cada uma delas rebrilhando como pedras preciosas num colar  de uma beleza que fazia inveja às outras serpentes não venenosas que habitavam aqueles terrenos por elas  conhecidos. Lá estava ela enroscada numa  árvore situada no meio , uma árvore bela, solitária, ostentando frutos  agradáveis à vista. Ela parecia ser a rainha do Jardim, brilhando, coroada, sob os raios do sol, que lhe emprestavam ainda mais beleza e majestade. Os outros animais, depois de a verem o suficiente, afastaram-se, desconfiados, pois nenhum se lembrava de terem visto Deus criá-la.

Mas esta prudência que orientava os animais não foi imitada por Adão e Eva. Esta, um dia, ao ver aquela coisa multicolor que brilhava ao sol como um céu estrelado em pleno dia, algo que movia a cabeça, parecendo  uma flor entreaberta baloiçando ao vento, aproximou-se demasiado, movida por uma curiosidade excessiva, tanto mais que da árvore saía uma voz que a ela se dirigia:

Serpente – Olá, mulher! Como és bonita, com esse belo corpo a iluminar estes reinos! Pareces  uma deusa!… É verdade que o Criador vos proibiu comer de todos os frutos deste Jardim?

Eva – Não, não é verdade! Ele só nos proibiu comer dos frutos desta Árvore da Ciência do Bem e do Mal  e disse que, se os comêssemos, morreríamos.

Serpente – Oh! Não acrediteis! Sabeis porque é que Ele disse isso? Porque Ele sabe que, se comerdes deles, vós ficareis iguais a Ele, com o poder de conhecer o Bem e o Mal, ficando assim com enorme Conhecimento. Vós ficareis como deuses, independentes, rivais dele. Até os animais vos prestarão vassalagem e vós passareis a ser os senhores. Toda a beleza deste Jardim ficará ofuscada pelo vosso brilho. Dignos de vós serão apenas estes belos frutos desta magnífica Árvore, a mais portentosa do Jardim. Ela é a rainha e a deusa das árvores e tu serás também a rainha e a deusa dos outros seres vivos que por aqui convivem convosco. Como rainha destas paragens, tens direito ao que por aqui há de melhor. Olha só para estes frutos ao alcance da tua mão!…São os mais belos e atraentes do Jardim e quanto ao sabor…nem se fala! Colhe e come! Verás de imediato a maravilha da tua promoção a deusa, dona de um Conhecimento que agora não está ao teu alcance, porque ele está fechado dentro dos frutos desta árvore da Ciência, da Sabedoria e do Conhecimento de tudo o que diz respeito ao Bem e ao Mal. Foi por isso que Ele vos proibiu comer deles. Já te imaginaste igual ao teu Criador, sem necessidade de o adorares nem de lhe prestar culto algum? Já te imaginaste a não precisar Dele para nada? Já te imaginaste a dialogar com Ele de igual para igual, quando não a suplantá-lo?

Eva –  Mas…Ele disse que morreríamos,… se…

Serpente – Mas  tu ouviste-o dizer isso?

Eva – Eu não ouvi, , mas a proibição foi dada ao meu marido, que ma transmitiu, ficando, por isso, obrigada, como ele, a obedecer ao Senhor, nosso Criador.

Serpente – Ora, não ligues! O vosso Criador sabe bem o que lhe acontecerá no dia em que comerdes destes frutos. Abrir-se-ão os vossos olhos e a vossa inteligência, fareis descobertas incríveis, vereis e compreendereis o que agora vos está vedado e oculto. Não temas, mulher! É aos frutos desta árvore que Ele vem buscar o seu poder, a Sua sabedoria e todos os outros atributos que o caracterizam. Ele mantém esta árvore como propriedade exclusivamente Sua, secreta, e só Ele é que tira partido dos seus frutos. Por isso é que ele vos ameaçou de morte, se comerdes, mas isso não passa de miserável chantagem. Ele não fará nada, porque o seu poder vai ter de ser partilhado e vós sereis como deuses…

Eva –  Tu garantes que é mesmo assim? …Então…está bem! Vou colher e comer, mas antes vou chamar o meu marido.

E Eva foi chamar Adão, que andava por ali perto, vagueando pelo Jardim, entretido e divertido com os animais:

Eva – Olha! Vem comigo, ali àquela árvore do Conhecimento do Bem e do Mal! A Serpente disse que poderíamos comer dos seus frutos, porque eles nos dariam poder, sabedoria e conhecimento iguais aos do Senhor, nosso Criador. Essa Árvore tem frutos com poderes secretos e é por isso que o Criador nos proibiu de comê-los!

Adão – Ah sim? Que maravilha! Tu já provaste? E achas que a palavra da Serpente vale mais do que a palavra do nosso Criador?

Eva – Eu ainda não provei, mas acho que não há motivo nenhum para Ele nos proibir de comer dos frutos daquela árvore! O que Ele disse foi apenas um conselho e não uma ordem. Ora, um conselho não obriga, por isso, vim chamar-te para colher e comermos ambos. Depois, passaremos a ser como deuses, como a Serpente disse.

Adão – Mas o Senhor foi bem claro: “No dia em que comeres destes frutos morrerás”! Ora, se tu comeres, também morrerás, porque nós somos, como o Senhor disse, uma só Carne. Eu duvido que seja como a Serpente diz, mas se tu acreditas mesmo…pode ser que seja verdade, mas não estou totalmente convencido!

Eva – Olha, não há como realmente experimentarmos! Comemos apenas um fruto, isto é, eu como um e tu comes outro. O Senhor disse que morreríamos se comêssemos frutos da árvore. Ora, se eu comer só um, eu não comerei frutos; e se tu  comeres também  só um,  não comerás frutos. Também não será por causa de um só fruto que ambos vamos morrer! Além do mais, em vista do bem que alcançaremos, vale a pena tentar. Depois, logo se verá! O Senhor é bondoso e não vai dar-nos a morte por uma coisa tão insignificante. Vem daí comigo!

E lá foram! Eva colheu para ela e para Adão e ambos comeram. Depois… todo o Universo tremeu, tapou o rosto…e chorou…A Terra ficou inconsolável e ainda se não recompôs… E eles descobriram  o que não deviam ter descoberto:

Adão – Oh! Olha! A Serpente, que tu dizias ser tão bonita, agora é feia e mete medo! Já fizemos asneira! …Olha, eu estou nu e tu também!

Eva – Afinal, era mentira! Maldita Serpente, que nos enganou!

Adão- Nos enganou ou enganou-te a ti e tu enganaste-me a mim? Porque é que eu te dei ouvidos! Fui um tolo!

Eva – Mas tu é que foste o culpado, porque tens autoridade para me impedir de colher e comer e não me impediste! Além disso, eu comi e não aconteceu nada e  só quando tu acabaste de comer é que surgiu esta tragédia. Logo, isto aconteceu porque tu comeste! Saiu tudo ao contrário do que a maldita serpente disse! E agora?

Adão – Não estejas a deitar culpas para cima de mim! Tu é que me chateaste para vir comer. Além disso, foste tu que colheste os frutos e eu comi só para ser simpático para contigo, porque se não fosse assim, tu, comendo, e eu, não, daria uma trapalhada difícil de resolver! Já  imaginaste, eu, sozinho, no Jardim, a gozar a vida,  e tu lá fora a trabalhar e a enfrentar as feras sozinha? Ora, se somos uma só Carne, temos de andar juntos!

Eva – Isso não é desculpa, porque o nosso Criador é que teria de resolver o assunto à sua maneira. Foste o culpado e…acabou-se! E ainda bem, porque, sendo tu a cabeça de casal, é em ti que cairá toda a responsabilidade! Eu acabo por ser uma vítima tua e da serpente! Já vejo que não és homem nem és nada, porque nem sequer sabes mandar e muito menos proibir! Tu não devias ter aceitado o meu convite. Se fosse preciso, amarravas-me a uma árvore e não teríamos feito o que fizemos. Agora, pagamos ambos! Agora, por tua causa, estamos nus! Vê lá se descobres com que tapar as nossas vergonhas!

Adão – Vamos lá a ver bem as coisas! Nós somos, isto é, éramos absolutamente livres, por isso, nenhum de nós precisava de guardar o outro e impedi-lo fosse do que fosse! A censura que eu te faço é teres-te afastado de mim e não teres resistido à curiosidade, o que te levou até junto da árvore, algo que deveria ter ficado fora do alcance dos nossos passos e dos nossos olhos.  Agora, diz lá de quem foi a culpa! Quanto à nudez, nós não estamos nus por minha causa, porque sempre estivemos nus. Só que, antes, não víamos a nossa nudez! Aqui está já um resultado do conhecimento do Bem e do Mal! Quisemos conhecer o Bem e o Mal e, agora, aqui temos, para começar! Eu já resolvo isso da nudez! Olha aqui uma figueira!… Toma lá estas folhas, que eu apanho outras para mim!… Escuta! …Ouço um ruído de brisa suave. Não é de vento, porque o vento não sopra assim! Deve ser o Senhor! Vamos esconder-nos depressa! Vem! Não temos mais tempo! Deixa as folhas aí!

Deus – Adão, onde estás?

Adão – Ouvi a tua voz no Jardim, tive medo e escondi-me, porque estou nu!

Deus – Quem te disse que estavas nu? Acaso comeste da Árvore da qual eu te tinha proíbido de comer?

Adão – A mulher que  me deste é que me ofereceu da Árvore e eu comi!

Deus – Eva, porque fizeste isso?

Eva – A Serpente enganou-me e eu comi!

Deus – Serpente, por teres feito isto, serás maldita entre todos os animais domésticos e entre os animais selvagens! Rastejarás sobre o teu ventre, comerás da terra todos os dias da tua vida! Farei reinar a inimizade entre ti e a Mulher, entre a tua descendência e a dela! Ela esmagar-te-á a cabeça e tu tentarás mordê-la no calcanhar!

 E a ti, Eva, digo: “Aumentarei os sofrimentos da tua gravidez e

 entre dores de parto darás à luz os filhos. Procurarás apaixonadamente o teu marido, mas ele te dominará”! A ti, Adão, digo: “Porque atendeste à voz da tua mulher e comeste do fruto da árvore, a respeito da qual eu te havia ordenado que não comesses, maldita será a terra por tua causa. Dela só arrancarás alimento à custa de penoso trabalho, todos os dias da tua vida. Ela produzir-te-á espinhos e abrolhos e comerás da erva dos campos. Comerás o pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra, de onde foste tirado, porque és pó e ao pó voltarás”!

E tudo terminou assim: “O Senhor Deus expulsou Adão ( e Eva) do jardim do Éden, a fim de cultivar a terra, da qual foi tirado. Depois de o ter expulsado, colocou, a oriente do jardim do Éden, os querubins com a espada flamejante, para guardar o caminho da Árvore da Vida”.

Tristes, humilhados, envergonhados, arrependidos, lacrimosos,…viram-se expulsos:

Eva – E agora?

Adão – Agora, pagaremos pelo nosso pecado até morrermos. O nosso Criador aceitará a nossa penitência, porque nos deixou a esperança de um dia restaurar a felicidade perdida. O pior é que o nosso pecado irá recair nos nossos folhos, que o transmitirão a todas as gerações. O Jardim ficou fechado para nós e para eles, até que o Criador queira. Ele não vai abandonar-nos e vai ajudar-nos, ensinando-nos como sobreviver com trabalho e sofrimento, como merecemos. Já temos uma prova disso. Viste como Ele já nos arranjou estas vestes de pele? Não desanimes, porque, se nos criou, também nos dará o auxílio de que precisaremos.

Eva – E se tentássemos entrar no Jardim? Ele não disse: Nunca mais aqui entrareis!

Adão – Não tentaremos, porque não conseguiremos! Não vês lá o Querubim a guardar a entrada com uma espada de fogo?

Eva – E se pedíssemos perdão e prometêssemos que nunca mais faríamos aquilo?

Adão – Ele já nos perdoou, mas agora temos de expiar a ofensa que Lhe fizemos e reparar o rombo que fizemos na Sua Honra e na Sua Majestade, porque o nosso  pecado foi de gravidade infinita. É o que faremos durante toda a nossa vida, até, como Ele disse, voltarmos ao pó de onde fomos tirados.

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Considerações:

A tentação – “Não nos deixeis cair na tentação”! Este é um dos pedidos que fazemos no Pai-Nosso, juntamente com o “…mas livrai-nos do Mal”! Consta que Cristo não disse: “Livrai-nos do Mal”, mas” livrai-nos do Mau, (do Maligno, do Diabo). Então haverá tentação que não venha do Maligno? Quem estará interessado e quem tirará proveito da tentação, senão o Maligno? E Porque é que o maligno nos tenta? Em que consiste o seu interesse? Quem somos nós para que o maligno faça do homem o centro das suas actividades? Como é que ele nos tenta? Veja como fez com Eva:

. Começou por tentar  estabelecer um primeiro contacto, dando sinal de si, mostrando-se cheio de beleza e encantos, de modo a não ser repelido, correspondendo às ideias más, mas brilhantes, que assomam à nossa mente. Então, pode acontecer que os nossos sensores detectem que é tentação e, nesse caso, rechaçamos a ideia e o que nos acode à mente, ao pensamento. Se não detectamos que é tentação, damos guarida, aceitamos o que nos vem à mente e depois, cresce, desenvolve-se, tal como o fermento na massa. Daí passa-se à acção. O processo pode ser rápido ou lento. Entretanto, pode provocar angústias, incertezas, insónias

1.A partir do momento em que foram expulsos do Jardim do Éden, também chamado o “paraíso terrestre”, Adão e Eva passaram a ter vidas difíceis como as nossas, que foram modeladas nas deles. Passaram a viver uma vida de penitência e expiação pelos pecados deles e também pelos nossos, pelos quais também foram responsabilizados, mas Deus deixou-lhes no fundo do coração a lembrança daqueles dias felizes e dos seus destinos eternos, juntamente com a esperança  de um dia recuperarem, em justiça e santidade, o que haviam perdido, mas à custa de sangue, suor e lágrimas, realidades que não nos são desconhecidas.

2 . Talvez não valha a pena dar voltas à cabeça a pensar porque é que nascemos todos com esse pecado de Adão e Eva, chamado a Culpa, o pecado das origens, o pecado original, na definição de Santo Agostinho. Temos nós alguma culpa  do pecado deles? Será que Deus é injusto, penalizando-nos por um pecado que não cometemos? Mas quem nos transmitiu o pecado não foi Deus, mas Adão e Eva! Os nossos pais transmitiram-no a nós e nós já o transmitimos ou iremos transmitir aos nossos filhos. É esta a cadeia que vem das origens e que se prolongará até ao último ser humano que venha a existir. Tal como acontece nas sementes, se elas são boas, darão boas árvores ou plantas e bons frutos; se são de má qualidade, adulteradas, tudo o que vier delas virá adulterado.

A queda de Adão e Eva radica na liberdade de fazer ou não fazer, de obedecer a Deus ou não, de seguir a Sua Lei ou não, porque Deus nos criou livres, tal como criou livres Adão, Eva e os Anjos, dando a uns e outros a capacidade de conhecer e querer livremente, assumindo depois as consequências daquilo que decidissem com plena liberdade e conhecimento, tudo traduzido em responsabilidade, que será/seria punida ou premiada.

3. Descobriram que estavam nus. Triste descoberta! Estavam nus de corpo e ficaram nus também de espírito, de beleza, de santidade, de saúde, de uma vida agradável, de uma natureza amigável, de uma terra produtiva sem trabalho, da graça de Deus, de segurança perante os animais, de alimentos gratuitamente oferecidos…em suma, da felicidade que o Criador lhes destinava para sempre. Eles ficaram nus de tudo isto e muito mais, deixando-nos, em triste herança, a mesma nudez. Até herdámos deles esta capacidade que temos de deitar as nossas culpas para cima dos outros, mascarando sempre a nossa incapacidade para assumir humildemente as nossas asneiras, com vista ao arrependimento e à confissão delas no sacramento da Penitência.

4 . Advertência final: Não encare isto como um simples conto infantil. É infinitamente mais do que isso. Também não é a história de um mito grego ou judaico, como frequentemente ouço dizer. É um assunto difícil de roer para muitos, incluindo teólogos… Um dos que ouvi argumentava assim: “A Bíblia nem sempre é de confiança. No caso do relato da criação do homem e da mulher, Deus diz lá que eles morreriam se comessem daquele fruto. Ora, eles comeram e não morreram!”.

Que temos aqui? Uma profunda ignorância e má fé, além de uma crassa desonestidade intelectual. Ora, o homem pode morrer de corpo e de alma (pelo pecado grave). Deus não disse que morreriam imediatamente, fulminados. Mas disse a Adão: “Voltarás ao pó de onde foste tirado”! E aí foi decretada a sorte de todos os seres humanos, que, não fosse este pecado, estavam destinados a não morrerem de morte nenhuma. Acautele-se contra estes intérpretes da Bíblia, porque, se quebrar algum elo importante, a Bíblia surgir-lhe-á cheia de rombos que você não conseguirá reparar, nascendo daí heresias aos montes, tornando-se ela um compêndio de mitos, à semelhança dos abundante mitos gregos e romanos da Antiguidade, acabando por ser tudo menos Palavra de Deus.

Leituras aconselhadas na Bíblia: Capítulos 2 e 3 do Génesis.

Consultas no Catecismo da Igreja Católica: Números 37, 55,279, 379, 386 e sgs., 1701, 1707, 1846.

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Ezequiel Miguel

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. Em Adão todos pecámos

 

Os Doze Frutos dos Dons do Espírito Santo

Fonte: www.arautos.org.br

arvore.pngO Espírito Santo é a terceira Pessoa da Santíssima Trindade e Ele é o “Senhor que dá a vida e que procede do Pai e do Filho e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado. Foi Ele que falou pelos profetas.” O Espírito Santo é o dador de todos os dons e carismas extraordinários. Todos os frutos espirituais provêm d’Ele.

O Espírito Santo vem às nossas almas no dia do nosso Baptismo, derramando sobre nós as três virtudes teologais: a Fé, a Esperança e a Caridade. E vem de um modo mais solene no dia em que recebemos o Sacramento do Crisma ou Confirmação, onde recebemos a efusão do Espírito que derrama sobre nós os sete dons: A Sabedoria ou Sapiência, o Entendimento, o Conselho, a Fortaleza, a Ciência, a Piedade e o Temor de Deus.

O Espírito Santo, para além de derramar as sete grandes colunas cristãs, confere ao cristão doze frutos que são: a Caridade, o Gozo, a Paz, a Paciência, a Benignidade, a Bondade, a Longanimidade, a Mansidão, a Fé, a Modéstia, a Continência e a Castidade.

Importa definir em breves palavras, não só os dons mas, fundamentalmente, os frutos desses dons do Espírito Santo:

1- A CARIDADE , que é Amor e é o maior dos dons, porque ela não desaparece, existe para além da morte. O céu vive no Amor: “A fé e a esperança hão-de desaparecer, mas o Amor jamais desaparecerá” (1 Cor. 13,8).

– O Gozo ou alegria é caracterizado por aquelas emoções interiores, aquela alegria interior e satisfação espiritual profunda que o Espírito Santo derrama no coração e na alma. A pessoa sente um gozo inexplicável. Não há palavras humanas que possam descrever o gozo que provém do dons do Espírito Santo.

– A Paz – Esta Paz de que falamos não tem nada a ver com os motivos ou sensações externas, mas é uma paz e suavidade interiores, tal como Jesus disse aos Seus apóstolos: “Deixo-vos a paz, dou-vos a Minha paz, não como o mundo a dá mas como Eu a dou” (Jo 14, 27). Jesus é a paz e a suavidade da alma..

– A Paciência –  A virtude que suporta as adversidades, as doenças, as contrariedades e perseguições. A paciência é o fruto essencial para que o cristão persevere na sua fé. O cristão paciente dificilmente é demovido da sua fé, porque ele suporta tudo com paciência. A alma paciente é mansa e humilde, não se revolta contra o seu Deus, mas tudo suporta e aceita.

– A Benignidade é a bondade que vai para além da bondade, isto é, muitas vezes fazemos um bem, mas só até certa medida. Porém, a benignidade é a execução desse bem que vai para além do que deveria ser feito.

– A bondade é fazer o bem, desinteressadamente, às pessoas. A pessoa que o faz tem um bom coração, amando verdadeiramente. A resposta de alguém que ama a sério é: “Eu amo porque amo.”

– A Longanimidade é a paciência para além da paciência. É quando alguém continua a ser paciente depois de, tantas e tantas vezes, ter sido posto à prova.

– A mansidão –  O homem Manso dificilmente se revolta. A mansidão está sempre associada à humildade e à paciência. Jesus diz, quando se refere a Si mesmo: “Vinde a Mim que Sou manso e humilde de coração e Eu vos aliviarei. Vinde a Mim que o meu jugo é suave e a minha carga é leve. Vinde a Mim todos vós que estais sobrecarregados porque Eu vos aliviarei” (Mt 11, 28-30). Este é um grande convite do Sagrado Coração de Jesus a todos nós. A mansidão é contra a ira e contra o ódio. Assim, devemos procurar ser mansos, imitando o Divino Mestre.

– A , para além de ser um dos frutos dos dons do Espírito Santo, é uma das virtudes teologais. A fé é um fruto muito importante. Sem ela, desesperamos e desanimamos ao longo da nossa caminhada, feita de altos e baixos, com muitas dificuldades. Sem a fé, o cristão chega a certa altura e, depois de muitas dificuldades, desiste, começa a levantar interrogações e deixa de praticar o bem, deixa de ir à Missa e diz: “Afinal, os que não vão à Missa têm uma vida melhor do que a minha. Então, que me adianta ir à Missa e rezar?”. A fé leva o cristão a manter-se firme na sua caminhada, mas esta fé tem que ser conservada e protegida. Uma das maneiras é a oração, que aumenta e protege a fé. A oração mantém-nos no caminho da fé e no caminho da salvação, por isso é indispensável.

– A Modéstia relaciona-se com o ser discreto. A modéstia é contra a ostentação e a exibição. A modéstia é o pudor que deve acompanhar todo o cristão, pois nele habita Deus. Como tal, devemos respeitar o nosso próprio corpo, não o expondo como um mostruário. Alertai aquelas pessoas que se vestem com mini-saias, decotes exagerados, blusas transparentes, calças exageradamente apertadas, apresentando os contornos do corpo. Podemos usar roupas bonitas e arranjadas com o devido pudor e respeito pelo corpo.

– A Continência é um fruto dos dons do Espírito Santo. Uma pessoa continente sabe equilibrar-se, dominando a sua sexualidade. Sabe guardar-se e proteger-se. A continência é uma grande virtude. Se os homens e as mulheres de hoje possuíssem esta grande virtude, não haveria em muitos lares tanta tristeza, tanto aborrecimento, porque todos saberiam manter a castidade e a pureza. A continência é o domínio de si mesmo em relação aos instintos sexuais.

– A Castidade é um fruto que leva o homem ou a mulher a manterem a pureza do corpo e, consequentemente, a pureza da alma, não se deixando manchar, caindo em pecados contra o 6º e 9º Mandamentos. O sexto mandamento diz: “Guardar castidade nas palavras e nas obras”; e o nono mandamento diz: “Guardar castidade nos pensamentos e nos desejos.”

A castidade não é só protegida quando o homem ou a mulher se abstêm de atos sexuais fora do casamento, mas deve ser protegida, evitando que os olhos se fixem em programas indecentes ou imorais, ou se fixem na rua em situações impróprias, porque isso leva a maus pensamentos e desejos.

S. Paulo, referindo-se aos esposos, fala da Fidelidade, dizendo que aquele que é fiel à sua mulher conserva a castidade e vice-versa. Por isso, S. Paulo, quando se refere à fidelidade, quer expressar a castidade também no casamento.

Estes doze frutos do Espírito Santo devem suscitar no cristão o desejo e o esforço de os conquistar. Para isso, deverá pedi-los e suplicá-los ao Espírito Santo, porque a quem Lhe pede, Ele os dará. Se não os pedirdes, Ele ficará à espera. Contudo, com as preocupações, o corre-corre e a luta pela vida, muitas vezes esquecemo-nos de valores tão sublimes e elevados.

S. Paulo, ao falar dos frutos dos dons Espírito Santo, lembrou os conceitos opostos a estes frutos que são as paixões, referindo-as como obras da carne: bebedeiras, orgias, ira, contendas, partidarismo, ciúme, ódio, inveja, adultério, fornicação. “Os que praticarem tais coisas, não herdarão o Reino de Deus” (Gl 5, 19-21). E, acrescentando, S. Paulo diz-nos: “Devemos viver segundo o Espírito e não segundo a carne” (Gal. 5,16).

Há quem viva segundo a carne, não passa sem o sexo, sem a bebedeira, sem a ira, a raiva, a vingança, o ressentimento e até pensa que tudo isto são valores que devem ser vividos. Há programas de televisão, revistas e livros que lançam o sexo como um valor indispensável, aconselhando a juventude à libertinagem sexual e fazendo imensa propaganda dela. Isto, para o jovem menos avisado, menos orientado e menos esclarecido, é um bem e um valor sem o qual não pode viver, atirando-se desenfreadamente para a sexualidade.

Assim, perderá a sua própria personalidade. S. Paulo acrescenta: “Quem vive da carne colherá a morte, mas quem vive segundo o Espírito colherá a Vida Eterna” (Gl 6, 8).

Devemos rezar com mais assiduidade ao Espírito Santo, confiando na Sua ação e santificação na Igreja e nas almas. Sem a ajuda e o impulso do Divino Espírito Santo, nada se pode fazer ou cumprir para agradar a Deus ou à Santíssima Trindade, para seguir o verdadeiro caminho.

Os cristãos devem cultivar um amor ardente e mais confiante no Espírito Santo. A devoção ao Espírito Santo é uma devoção necessária para o cristão, uma vez que o Sagrado Coração de Jesus é inseparável do Espírito Santo, ou seja, ser devoto do Sagrado Coração de Jesus implica ser devoto do Espírito Santo, que deve ser assiduamente invocado, rezado, convidado e procurado, pois só Ele nos impulsiona à prática do bem.

O Espírito Santo é a alma e o motor da Igreja. É Ele que vem conduzindo a Igreja ao longo do tempo e irá conduzi-la até ao fim dos tempos.

O Espírito Santo é o dom de Deus para a alma do cristão, é o amor e a suavidade do Pai e do Filho, Ele é o Espírito da fortaleza. Foi Ele que deu aos mártires a força de morrerem, corajosa e alegremente, pela causa de Nosso Senhor Jesus Cristo, pela causa do Evangelho. O Espírito Santo dá a coragem e a energia para que o cristão possa prosseguir no caminho da fé e da salvação.

O Espírito Santo, que em nós diz “Abba Pai” lembra-nos que somos filhos de Deus e que, por isso, possuímos uma dignidade elevada. O Espírito Santo que conduz o cristão é uma luz indispensável para cada um de nós. Cristo é o caminho e Ele prometeu aos apóstolos uma força do Alto, o Espírito Santo Paráclito, para que estes pudessem realizar tudo aquilo que ouviram e aprenderam do Divino Mestre.

A luz de Cristo que ilumina a nossa alma é o Espírito Santo, pois Jesus morreu para nos dar a vida, mas o homem nada pode fazer sem o socorro divino, sem a ajuda de Deus. Para a nossa santificação temos necessidade do Espírito Santo, devendo suplicar-Lhe os Seus dons e frutos. Assim, o que é impossível para nós torna-se possível, se rezarmos e invocarmos o Espírito Santo, se pedirmos a Sua ajuda.

Temos como exemplo a Igreja primitiva. Pensemos e meditemos no comportamento dos Apóstolos, que tiveram a coragem de deixar tudo para seguir Jesus, cheios de alegria, entusiasmo e coragem, e isto, graças à acção do Espírito Santo.

Jesus instruía-os pacientemente, mas eles, por vezes, não percebiam os ensinamentos de Jesus porque ainda não estavam repletos do Espírito Santo. Assim acontece connosco, Se não estivermos cheios do Espírito Santo, não percebemos muitos dos ensinamentos do Divino Mestre. É o Espírito Santo que vai despertando o desejo de seguir Jesus, porque o homem, por natureza, é fraco e precisa desta força. Os Apóstolos andaram de país em país, de cidade em cidade, realizando prodígios, milagres, correndo perigos, sofrendo perseguições e até a morte, graças à força do Espírito Santo.

Foi com os homens fracos que a Igreja primitiva se formou, porque este chamamento não depende do homem, mas d’Aquele que chama. Não depende da capacidade ou da inteligência do homem, mas depende de Deus. O homem é apenas o canal, o instrumento, a via através da qual Deus trabalha e age, desde que o homem permita e aceite a disposição de Deus na sua vida. Deus só precisa da disponibilidade do homem, o resto é feito por Ele.

Se disseres: “Eis-me aqui, ó meu Deus para fazer a Tua vontade, faz de mim o que pretendes”, Deus começa a agir, mas, para isso, é preciso que deixemos os nossos preconceitos, vontades, caprichos e vaidades, pois, como diz Jesus,: “Quem quiser seguir-Me, negue-se a si mesmo, pegue na sua cruz dia após dia e siga-Me” (Mt 16, 24). E o que significa negar-se a si mesmo? Significa dizer “Não” aos nossos caprichos, às nossas vontades, aos nossos prazeres para que, quando estivermos vazios de nós mesmos, possamos ficar cheios do Espírito Santo.

Temos que esvaziar aquilo que está dentro de nós, porque se não o fizermos, é como despejar água num copo cheio – é impossível – porque é preciso que o copo esteja vazio para que seja possível enchê-lo. Acontece o mesmo com o homem. Quando estamos cheios de nós mesmos, do nosso orgulho, da nossa vaidade, Deus resiste e recua, como diz o salmista: “Eu resisto ao orgulhoso e me aproximo do humilde de coração”

Ele escolhe o que é vil e desprezível para confundir o mundo. Deus é sempre Deus e assim ninguém poderá vangloriar-se diante de Deus porque os dons e os frutos não são méritos do homem, são dados por Deus.

S. Paulo, na carta aos Efésios 2, 8-9 escreve: “E isto não vem de vós; é dom de Deus; não vem das obras para que ninguém se glorie.” Quem se quiser gloriar deve gloriar-se em Jesus e não em si mesmo, nem nos valores mundanos, não na vanglória terrena, mas em Jesus. Assim, a tua glória será Jesus, o teu prémio será Jesus, a tua alegria será Jesus.

A ação do Espírito Santo sobre os Apóstolos no dia de Pentecostes foi tão forte e notória que, de fracos e cobardes que eram, estes tornaram-se fortes e corajosos em todas as circunstâncias da sua vida, suportando com coragem e paciência todo o tipo de afrontas e até o derramamento de sangue, dando a vida por Jesus e pelo Seu Evangelho.

Todas as virtudes, como a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança, devem ser pedidas e suplicadas ao Espírito Santo. Se fores prudente, se fores forte, naturalmente que, com mais facilidade, irás resistir às influências e pressão social; mas se fores fraco não poderás resistir-lhes.

A fraqueza do cristão leva-o, num dia de Domingo, a optar por não ir à Missa para ir a um passeio. Mas, se o cristão for forte, diz: “Eu vou ao passeio, mas primeiro vou à Missa” ou “apareço mais tarde, agora não posso; vou à Missa”. É curioso porque, quando se trata de faltar ao emprego, a pessoa diz: “Não posso”, mas quando se trata de assuntos de Deus a pessoa desleixa-se e falta à Missa. Esta atitude é fraqueza humana e também falta de fé. Lamentavelmente, hoje são poucas as pessoas que rezam e invocam o Espírito Santo.

O Espírito Santo não deve ser invocado somente pelos grupos carismáticos mas por todos os cristãos, por todos os baptizados.

Alguns esquecem-se, muitas vezes, de invocar Maria Santíssima. Como é que se pode separar Maria Santíssima do Espírito Santo? Onde está o Espírito Santo tem que estar Maria Santíssima pois é Ela a distribuidora de todas as graças e é através d’Ela que o Espírito Santo distribui as graças ao cristão. Ela é Esposa do Espírito Santo.

Os homens fazem muitas perguntas e pedem coisas banais e passageiras mas esquecem-se de pedir o essencial que é a graça do Espírito Santo. S. Lucas no capítulo 11, 13, diz-nos: “O Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que Lho pedem”.

Há diversidade de dons e de serviços mas o Espírito é o mesmo, pois é o mesmo Deus que opera tudo, em todos.

A manifestação do Espírito Santo é dada a cada um para proveito comum. A um, o Espírito Santo dá uma palavra de sabedoria, a outro, uma palavra de ciência, a outro a fé, a outro o dom das curas, a outro o dom de operar milagres, a outro a profecia, a outro o discernimento do Espírito, a outros, o dom das línguas e a outros a interpretação dessas mesmas línguas. Tudo isto, porém, é dado pelo mesmo e único Espírito que distribui a cada um conforme entende: “A manifestação do Espírito Santo é dada a cada um para proveito comum” (1 Cor 12, 7). O que significa isto? Todo o dom é dado, não para proveito pessoal mas sim para proveito dos outros, para que os filhos e as filhas de Deus beneficiem destes dons.

Não é dado porque a pessoa o merece mas porque o Espírito Santo entende dar o Seu dom a este ou àquele, para que saiba utilizá-lo em favor do bem comum.

Quando alguém recebe um dom tem que exigir de si mesmo muitos sacrifícios, muitas renúncias e muitas canseiras porque tem de fazer render o dom que foi recebido.

Assim explica a parábola dos talentos: “A quem mais recebe, mais lhe será exigido”. Se recebes dois talentos vais ter que dar mais dois, quatro. Se recebes cinco vais ter que apresentar mais cinco, portanto dez. Aquele que recebeu cinco vai ter de trabalhar muito mais do que aquele que recebeu apenas dois. Por isso não devemos invejar os dons do Espírito Santo que alguém possui, porque é um pecado. Não podemos dizer: “Quem me dera a mim ter este ou aquele dom”. Não, porque isso é da vontade do Espírito Santo.

A caridade é o maior dom dado pelo Espírito Santo: “A caridade nunca acabará. As profecias cessarão, as línguas também cessarão e a ciência findará. Por agora subsistem estas três: a fé, a esperança e a caridade, mas a maior delas é a caridade” (1 Cor 13, 13).

Nunca nos esqueçamos que é o Espírito Santo que santifica e edifica as almas. É tudo obra do Espírito Santo, é Ele que converte os corações, que toca neles e não o padre. Se o padre estiver cheio do Espírito Santo as suas palavras vão tocar os corações e vão convertê-los, mas é o Espírito Santo que está no padre. Se ele não tiver o Espírito Santo em si pode fazer lindos discursos, muito bem preparados, mas não toca os corações, porque não O tem presente.

Ninguém poderá dizer: “Jesus é o Senhor” ou “Jesus, eu Te amo”, se não for sob o impulso do Espírito Santo, nem poderá adorar a Jesus se não for pelo Seu impulso. Ninguém poderá ser humilde se o Espírito Santo não inserir no seu coração este belo fruto de reconhecimento e de união ao seu Criador. E quanto mais humilde for a pessoa, mais graças recebe de Deus.

Muitas vezes os cristãos perdem muitas graças, porque não sabem recebê-las. Vamos dar um exemplo concreto: Se Jesus Sacramentado passa por ti e tu ficas de pé, como se fosses uma sentinela, Jesus queria dar-te as Suas graças, mas não as poderá dar, porque não vê em ti humildade. Então, a graça passa e vai ser entregue ao homem humilde que já a tinha em abundância, porque tu não honraste o teu Deus. Perante esta situação, Jesus não pode fazer nada. Muitas pessoas dizem: “Não me apetece ajoelhar”. E eu digo: “Não te apetece?” Mas é o teu Deus que está diante de ti! Tens uma fraca fé ou não a tens, porque não identificas Quem está presente nesse momento.

1.ª Aparição do anjo em Fátima – I

Primavera de 1916 na Loca do Cabeço

Anjo – “Não temais. Sou o anjo da paz. Orai comigo (de joelhos e dobrado até ao chão):

…Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam…Orai assim! Os Corações de Jesus e de Maria estão atentos à voz das vossas súplicas “ (Memórias da Ir. Lúcia).

Meu Deus,… – Quem invoca Deus com esta expressão faz um acto de fé na Sua existência e reconhece a sua dependência em relação a Ele, como criatura criada por Ele, ao Qual se submete e presta culto e louvor, por mais simples e rudimentares que sejam, reconhecendo que Lhe são devidos como Criador e Senhor do Universo: “Louvor, glória, sabedoria, acção de graças, honra, poder e força ao nosso Deus  pelos séculos dos séculos. Amen” (Ap 7, 12).

O Anjo, com esta invocação, mostrou que o seu Deus é o Mesmo em Quem nós cremos e esperamos, o Mesmo que nós invocamos, adoramos e amamos, o Mesmo que ele conhece melhor que nós, pois vive perante Ele em contínua adoração. Ao clamarmos “Meu Deus…!”, tomamos a iniciativa de, lá do fundo da alma, ligarmos os nossos emissores na direcção de Deus, em pura oração, quer ela  seja de louvor, de agradecimento, de pedido, de queixa, ou ainda fazer sair dos nossos corações um acto de Fé, esperança, caridade (amor), por palavras articuladas  ou apenas por pensamentos de que apenas nós e Deus nos apercebemos.

Mas este “Meu Deus” do Anjo não se destina(va) propriamente a demonstrar  aos pastorinhos a Sua existência, mas era e é uma invocação ao Deus Eucarístico, a Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento, Àquele Senhor que um dia dissera na última Ceia: “Tomai e comei, isto é o meu Corpo…Tomai e bebei, isto é o meu Sangue… Fazei isto em memória de Mim”. Obedecendo ao mandato de Jesus Cristo, é da boca dos sacerdotes que a partir daí o pão e o vinho se transformam, pelo poder da Palavra de Deus, no Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, tão real e perfeitamente como está no Céu. Assim o ensina a Igreja e assim nos é exigido pela Fé em Jesus Eucarístico. É fácil crer neste mistério? Não é, mas quem tiver fé suficiente para  o aceitar, não terá dificuldade em aceitar todos os outros, por isso a Igreja lhe chama o “Mistério da Fé”, o primeiro de entre todos.

Não há muito tempo esteve em Fátima uma exposição fotográfica sobre Milagres Eucarísticos, em que se testemunhavam, por fotografias e textos, a transformação da hóstia e vinho consagrados em verdadeira Carne e verdadeiro Sangue humanos, após a Consagração, fenómeno a que a Igreja dá o nome de Transubstanciação. Um dos mais famosos é o da cidade italiana de Lanciano, recentemente analisado pela Universidade de Pádua, em que tudo bate certo sobre o Sangue (grupo A/B) e o músculo do Coração de Cristo. Em Portugal provou-se como verdadeiro o Milagre Eucarístico de Santarém em 1240 ou 1266, em que uma senhora, recebendo a Comunhão, envolveu a Hóstia num véu, dando assim cumprimento à ordem da bruxa que consultara. A Hóstia começou a deitar Sangue… Ainda hoje lá está na antiga igreja de S. Estêvão, agora chamada Igreja do Santíssimo Milagre.  Um outro, recente, é o caso de Júlia Kim, vidente japonesa, em cuja boca, após a Comunhão, a Hóstia se desfez em sangue, facto que pôde ser comprovado presencialmente pelo seu bispo, por sacerdotes, por leigos e fotografado. Pode ver as fotos e os relatos no site “Repórter de Cristo”, anexo a este blog.  Assim, Deus dá uma ajudinha aos corações e às mentes humanos, pouco crentes ou descrentes, no sentido de darem a Jesus Eucarístico o relevo que Deus merece e conseguir neles espaço para a Adoração e a Reparação pelos pecados, ultrajes, desprezos, desleixos, insultos, blasfémias, vexames e ofensas com que Ele é ofendido.

A grande maioria da Humanidade desconhece, nega ou renega este grandiosos mistério e está já em vias de execução um concertado ataque aos Sacrários por parte de forças demoníacas secretas, mas que se movem bem às claras nas sociedades dos países católicos, para quem Deus não passa de um  Ente Superior que pouco se importa com os homens, porque, como eles pensam e dizem, o governo do Universo dá-Lhe que fazer.  E mesmo entre aqueles de nós que temos Fé em Jesus Sacramentado, quanto desleixo, indiferença, esquecimento, falta de respeito, quantas genuflexões trapalhonas, quantas comunhões sem a devida preparação e sem  a devida acção de graças, quão limitado tempo para adorar e reparar pelos pecados, nossos e dos outros. Em tudo isto vem ao de cima a nossa fraca Fé em Jesus Eucarístico, sim, porque é de Fé que se trata, de uma Fé fraca, sempre a buscar desculpas para se auto-consolar e se auto-desculpar. O que o Anjo disse equivale a ter dito: “ Crede mais fortemente em Jesus Sacramentado e o resto (adoração, reparação, esperar, amar…) virá por acréscimo”!

Leitura aconselhada: “ Pequeno Catecismo Eucarístico”, Edição não comercial dos “Pequenos Filhos da Mãe de Deus”, Apartado 130,  7350-902 Elvas.

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Ezequiel Miguel

 

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