Testemunho de Gloria Polo XVI – O Livro da Vida

Tópicos – Compaixão pelo próximo / falsas boas obras/ caridade interesseira / O deus dinheiro/ O Livro da Vida/ sofrimento da mãe e infidelidade do pai/ a criação das almas

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infidelidade“Eu nunca tive amor nem compaixão pelo Próximo, pelos meus irmãos de fora. Eu nunca pensei sequer nos doentes, na sua solidão, nas crianças que não têm mãe, nos órfãos, tantas crianças a sofrer, tanto sofrimento…Eu poderia dizer: “Senhor, concede-me a graça de ir lá acompanhá-los na sua dor”,…mas não!

Nada! Jamais o meu coração de pedra se lembrou do sofrimento dos outros. O mais terrível era que eu jamais fiz algo por amor ao próximo!…Por exemplo, eu paguei as contas no supermercado a muita gente quando não podiam pagar, pessoas necessitadas, mas não dava por amor! Eu tinha dinheiro e não me custava nada. Eu dava porque era muito agradável que toda a gente visse o meu gesto e que dissessem que eu era boa, que eu era uma santa! E como me sabia bem manipular as pessoas em necessidade! Eu não dava nada grátis! Então, eu dizia-lhes: “Eu dou-lhe isto, mas, em troca, faça-me um favor e vá substituir-me no colégio dos meus filhos, nas reuniões, porque eu não tenho tempo, ou leve-me estas compras ao carro, ou faça-me isto ou aquilo…E assim, eu a todos manipulava para pedir algum favor em troca…Além disso, adorava que andasse um monte de pessoas atrás de mim, a falar da boa e generosa, e até santa…que eu era, porque havia pessoas que até diziam isso e sabia-me bem!…

Jesus fez-me esse exame dos 10 Mandamentos e eu vi como da cobiça saíam todos os meus males. Esse desejo eu o tinha, porque pensava que seria feliz se tivesse muito dinheiro. Fiquei obcecada pelo dinheiro, muito dinheiro! Pena foi que, quando tive muito dinheiro, sentia-me só, vazia, amargurada, frustrada. Essa cobiça, essa ganância do dinheiro foi o caminho que me levou, pela mão do maligno, a extraviar-me e a soltar-me da mão do Senhor, que me disse: “É que tu tinhas um deus e esse deus era o dinheiro e por ele te condenaste! Por ele, afundaste-te no abismo e afastaste-te do teu Senhor”!

Quando me diz “deus dinheiro”…Nós, sim, tínhamos chegado a ter muito dinheiro, mas agora estávamos quebrados, muitíssimo endividados e tinha-se acabado o dinheiro. Eu grito: “Mas qual dinheiro?! O que eu deixei na Terra foram muitas dívidas!…E assim, no meu exame dos 10 Mandamentos eu não passei em nada! Foi terrível!!! Que espanto! Vivi um verdadeiro caos! Mas como?! Eu?! Eu nunca tinha assassinado ninguém! Não fazia mal a ninguém! Isso era o que eu pensava, mas, na verdade, eu tinha morto tanta gente!

Até aqui falei dos 10 Mandamentos, porque se me abriu o “LIVRO DA VIDA”. Ai!… Que beleza!…Lá, vemos a nossa vida desde o momento em que fomos concebidos.”

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O Livro da Vida

Depois dos 10 Mandamentos, o Senhor mostrou-me o Livro da Vida. Eu gostaria de ter palavras para descrevê-lo. Que beleza! Vemos toda a nossa vida, os nossos actos, as consequências desses actos, bons ou maus, em nós e nos outros. Os nossos sentimentos e pensamentos nos outros. Tudo como num filme. Começa no momento da fecundação, vemos a nossa vida desde esse momento e, desde aí, vamos, pela mão de Deus, ver a nossa vida. No momento da nossa fecundação houve uma faísca de luz divina, uma explosão belíssima, e formou-se uma alma, que é branca, mas não como o branco que conhecemos. Digo branco, porque é o que mais se parece, mas é tão lindo que é impossível de descrever, com palavras, a beleza, o brilho,…cheia de luz, formosa, radiante e cheia do Amor de Deus. Um Amor de Deus impressionante! Não sei se já repararam nos bebés, que, muitas vezes, riem-se sós e emitindo aqueles sons e balbucios….Eles estão falando com Deus. Sim, porque eles estão submergidos no Espírito Santo. Nós também estamos, a diferença é que eles, na sua inocência, sabem desfrutar de Deus e da Sua presença.

Vocês não imaginam que coisa linda foi ver o momento em que Deus me criou, no ventre da minha mãe. A minha alma, levada pela mão de Deus Pai! Encontro um Deus Pai tão formoso, tão maravilhoso, tão terno, tão meigo e tão carinhoso que cuida de mim 24 horas por dia. Ele amou-me, protegeu-me e sempre me procurou quando me afastava e com infinita paciência e eu que só via castigo!… Ele era mais que somente Amor, porque Ele olha, não a carne, mas sim a alma e olhava como eu me ia afastando da salvação.

.…A minha mãe tinha 7 anos de casada e ainda não tinha filhos. Mas nesse momento estava ela muito perturbada, pela vida de infidelidade do meu pai. Quando viu que estava grávida (de mim), ficou muito preocupada e muito angustiada. Chorava, muito aflita. Isso gerou em mim uma angústia tal, que me marcou interiormente de tal forma, que eu, pela vida fora, nunca me senti amada pela minha mãe. Mas ela sempre foi muito carinhosa e muito bondosa para comigo, …mas eu dizia e insistia que ela não me amava e vivi sempre com esse complexo. Para isso, só os sacramentos são graças de Deus que nos curam. Quando me baptizaram, vocês devem ver a festa que houve no Céu! É um bebezinho marcado na fronte (um dia vocês verão), é a marca dos folhos (adoptivos) de Deus. É um fogo! É o fogo da pertença a Jesus Cristo. Mas vejo, no Livro da Vida, como, desde pequenina comecei a encher-me das consequências do pecado do meu pai, no matrimónio, dos pecados que comecei a conhecer; como as mentiras dele, as bebedeiras, a infidelidade e o sofrimento da minha mãe. Tudo isso me marcou e gerou em mim mau comportamento, mãos padrões de conduta e padrões emocionais que iriam marcar-me e expressar-se ao longo de toda a minha vida”.

FONTE: Gloria Polo, Estuvo en las puertas del cielo y del infierno”, tradução de Maria José Moniz e Padre Macedo SCJ (Da ilusão à verdade), edição da Cidade do Imaculado Coração de Maria, Apt 86, 2496-908, Fátima

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Comentário, por Ezequiel Miguel:

1 . Infidelidades conjugais – Glória Polo refere-se, com frequência, às infidelidades conjugais por parte do seu pai e aos sofrimentos que ele causou à sua mãe, que, poderemos supor, andaria sempre triste e amargurada, mas oferecendo os seus sofrimentos a Deus pela conversão do seu marido, o que, no final, conseguiu, 7 anos antes de ele morrer. Gloria Polo acaba por dizer que viu o seu pai no Purgatório e que chorava… É que no Purgatório sofre-se para além do que possamos imaginar, embora seja um sofrimento purificador, à semelhança do oiro, que tem de ser derretido no fogo até ficar puro…

Foi Deus quem instituiu o casamento entre o primeiro homem e a primeira mulher, para ser sempre assim, em moldes definitivos, definindo-lhes o principal dever como casal abençoado por Deus: “Crescei e multiplica-vos”, o que significa que Deus entregou a criação de novos seres humanos a esta instituição, que Cristo elevou à dignidade de Sacramento, com o nome de Matrimónio (em língua portuguesa). Os casais que casem só pelo Civil estão sujeitos às mesmas obrigações impostas pelo Matrimónio: Um homem e uma mulher unidos por promessa de vínculo permanente e de absoluta fidelidade conjugal. Como Sacramento, é algo sagrado, com um vínculo também permanente, indissolúvel, até um dos cônjuges morrer. Pode, no entanto, haver alguma cláusula que, após investigação, torne esse Matrimónio inválido, nulo, sem efeito, após declaração, nesse sentido, por parte de um tribunal eclesiástico da Igreja Católica. Essas cláusulas estão registadas no Código de Direito Canónico.

Concluindo: Qualquer união sexual que não esteja legalizada por um contrato nupcial entre um homem e uma mulher (religioso ou não), com vínculo permanente e indissolúvel, é pecaminoso, trazendo graves consequências para a salvação das almas. Por isso, casamentos homossexuais são actos contra a natureza, catalogados, pelo Catecismo da Igreja Católica, nos “pecados que bradam aos Céus”, isto é, pecados de sodomia, que apelam à ira divina por destino trágico, tal como aquele que foi dado a Sodoma, Gomorra e outras três cidades, no tempo de Abraão e Lot. Por isso, nenhum católico pode/deve celebrar, defender, apoiar ou assistir, como convidado, a semelhantes uniões, mesmo que sejam de familiares.

2 . A criação das almas – Pelo que Gloria Polo conta, a alma é a partícula de Deus, a faísca luminosa que se desprende de Deus e voa até entrar no embrião no exacto momento em que a célula masculina se une à feminina. É algo repentino, não fruto de um processo, mas um acto puro da vontade divina, em Cujo pensamento a alma já teria o seu destino marcado: desprender-se de Deus e unir-se a um determinado corpo, vivendo nele durante esta vida, separando-se após a morte e voltando a unir-se a ele na Ressurreição da Carne, no Juízo Final, para um destino eterno no Paraíso ou no Inferno. São dogmas de Fé, por isso, é obrigatório, para os católicos, acreditar que é assim, sem dúvidas, sem contestação, sem distorção, sem branqueamentos. Sendo assim, a alma já é recebida no ventre materno e somente se separará do corpo após a morte, para ser julgada e receber a sorte que merece pelas obras que tiver praticado através do corpo.

Por altura dos plebiscitos sobre o aborto ou sobre as leias abortivas, é comum ouvir dizer, a quem não acredita nestas coisas, incluindo médicos, cientistas, biólogos, mulheres,…: “Aquilo não é nada”! O facto, porém, é que Aquilo, nos planos de Deus, já é tudo! Cada um de nós já foi tudo no exacto momento da fecundação, acredite-se ou não! É por isso que a Igreja considera todo o aborto um crime horrendo, um assassínio a sangue frio, de um inocente, o maior dos crimes, segundo Teresa de Calcutá, e que traz graves consequências para o mundo.

Com ter sempre presentes estas realidades só teremos a ganhar! Se as ignorarmos, combatermos, negarmos, distorcermos, branquearmos, mascararmos,…pode ser-nos fatal. Cristo fundou a Sua Igreja (A Igreja Católica) para deixar os meios necessários à salvação das almas, pois elas, tendo vindo de Deus, Deus quere-as de volta, tão brancas como no momento inicial da sua criação ou ainda mais, se tivermos em conta que foi baptizada, com o pecado original apagado.

3 . O LIVRO DA VIDA –

Do Apocalipse:

  1. Vi também todos os mortos, grandes e pequenos. Estavam diante do trono; e foram abertos uns livros. Foi aberto também um outro livro, que é o livro dos vivos. Os mortos foram julgados segundo aquilo que estava escrito nos livros, segundo as suas obras. …E todos os que não foram encontrados escritos no livro dos vivos foram lançados no lago de fogo” ( Ap 20, 12-15).

2 . …E adoraram-na ( a Besta) todos os habitantes da Terra, aqueles cujos nomes não estão escritos no Livro da Vida do Cordeiro, que foi imolado” (Ap 13, 7-8).

3 . …E vão espantar-se os habitantes da Terra, aqueles cujos nomes não estão escritos no Livro da Vida…( Ap 17, 8).

4 . No entanto, tens em Sardes algumas pessoas que não mancharam as suas vestes; esses caminharão comigo, vestidos de branco, pois são dignos disso. Assim, o que vencer andará vestido com vestes brancas e não apagarei o seu nome do Livro da Vida, mas o darei a conhecer diante de meu Pai e dos seus anjos( Ap 3, 4-5).

5 . Exorto Evódia e exorto Síntique a terem o mesmo pensamento no Senhor. Sim, e a ti, fiel Sízido, peço-te que as acolhas; são pessoas que, em conjunto, lutaram comigo pelo Evangelho, juntamente com Clemente e os meus restantes colaboradores, cujos nomes estão no Livro da Vida ( Filipenses 4, 2-3).

Sabemos que a nossa vida é um exercício de economia, em que o Livro tem colunas para o Deve e para o Haver, para o Saldo positivo e para o Saldo negativo. As nossa obras são postas nos pratos da balança em que pode acontecer igualdade no peso, ir abaixo com as boas obras ( mais pesadas) e subir com as más, sem peso para a salvação. Ficámos a saber que cada um de nós tem um “Livro da Vida”, onde tudo é escrito: boas obras, más obras, intenções, pensamentos, pecados, palavras, virtudes, defeitos, paixões, etc.

Já tenho ouvido dizer que não devemos preocupar-nos com as actualizações do nosso Livro da Vida! É que a escrita é demasiado complicada para nos preocuparmos com ela, bastando saber que Deus se encarrega disso e que no fim saberemos qual a diferença entre o Deve e o Haver, sem falhas, sem batotas,…mas com verdade incontestável. Seria bom que Deus nos desse a conhecer o estado diário da nossa economia, mas, felizmente ou infelizmente, só no fim é que somos informados, quando já nada podemos fazer para remediar o que for de remediar.

Quanto a remediar, temos de entender como funciona o Haver e o Deve, pois somos nós que vamos fornecendo os dados ao nosso divino Contabilista, que Ele lança no nosso Livro de modo imediato e automático. Funciona assim:

Os dados não têm todos o mesmo peso e o mesmo valor e isto aplica-se tanto aos positivos como aos negativos. Um princípio em que tudo se baseia é este: Se a pessoa está na graça de Deus (=sem pecado grave), tudo ou quase tudo tem valor positivo, contribuindo para a soma do Haver. Se a alma está em pecado grave (pecado mortal), os dados são lançados no Deve, ficando o saldo em totalmente Negativo (= Zero), mesmo que faça obras boas, pois vive fora do Amor a Deus, longe, como o Filho pródigo, da Casa Paterna, e nada lhe corre bem.

Para quem está na graça de Deus, portanto, sem pecado grave, as faltas leves e os pecados veniais vão sendo abatidos ao DEVE com boas obras: esmola, oração, sacrifícios, obras de caridade, Confissões, Missas, Comunhões, oferta do sofrimento em penitência e expiação.

Havendo pecado grave (= mortal), é preciso fazer uma boa Confissão, em que tudo o que for confessado será apagado, deixando a alma limpa e reconquistando-se o que se tinha perdido no somatório do HAVER. A alma em pecado grave tem o DEVE no máximo, deixando o HAVER no zero. Recuperando a graça, por uma boa Confissão, recupera-se todo o HAVER perdido. Mas, neste sobe e desce da balança, só Deus sabe exactamente como sobe e como desce. Para efeitos de condenação, é indiferente que se tenham muitos pecados mortais ou somente um, mesmo que seja de pensamento, de intenção. Foi este o tipo de pecado dos anjos que viraram demónios. Também é assim em alguns códigos penais terrenos, em que se apanha o máximo de 25 anos de prisão por um assassínio ou por mais, em cúmulo jurídico.

Dos textos do Apocalipse, acima referidos, parece deduzir-se que o “Livro da Vida do Cordeiro” contém os nomes daqueles que se salvarão. Mas cada alma tem também o seu “ Livro da Vida”, onde constam todas as suas obras. Lembro que Jesus dizia aos Apóstolos que os seus nomes já estavam escritos nos Céus, isto é, no Livro da Vida do Cordeiro.

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.Comunhões mal feitas

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Aparições da Virgem Maria em Fátima – III

13 de Julho de 1917

O Prior de Fátima, após a 2ª Aparição (Junho), tentara demover a Lúcia de continuar a frequentar a Cova da Iria nos dias 13, porque, não tendo ainda dados que lhe permitissem concluir em definitivo sobre  o que realmente se passava com as ditas Aparições da Virgem Maria, rematou as suas opiniões e conselhos com  a sentença que apontava para uma interferência demoníaca naqueles fenómenos. Ele sabia, e hoje também ainda se sabe, que o demónio é o mestre do engano, do embuste,  da confusão, da mentira, do parecer, do fingir, etc. Os seus métodos e processos ainda não mudaram nem nunca mudarão, porque, embora tenha sido criado direito, a certa altura entortou e não mais se voltará a endireitar.

Em numerosas Aparições verdadeiras, privadas ou públicas, os videntes costumam, em primeiro lugar, dar conta dos fenómenos em que se vêem envolvidos aos seus confessores e directores espirituais, os quais estudam para aprender a discernir quando se trata de algo ou Alguém vindo do Céu ou de algum agente satânico vindo do Inferno. Por norma e por motivos de segurança, a Igreja, através dos sacerdotes e bispos, costuma ser lenta e resistente aos fenómenos de índole sobrenatural, até porque a falta de dados concretos e precisos assim o recomenda. Não é isto motivo para se censurar ou condenar a autoridade eclesiástica que tem a seu cargo ajuizar da veracidade de uma qualquer Aparição. O receio de se cair precipitadamente num juízo errado recomenda muita prudência, e prudência  é o que não falta em casos semelhantes. Além disso, ninguém é obrigado a acreditar em revelações e Aparições particulares, porque isso não faz parte do conjunto das Verdades da Fé. Normalmente, só passados muitos anos, após provas e mais provas é que a Igreja define como verdadeiras algumas, muito poucas, Aparições e revelações particulares. Aqueles que acusam Fátima, por exemplo, de  alguém ter inventado, para fins comerciais, os fenómenos que lá se desenrolaram e desenrolam, não sabem o que dizem e limitam-se pura e simplesmente a caluniar e a despejar ódio sobre Fátima e a Virgem Maria. A Igreja até nem declara santo alguém apenas por ter recebido mensagens do Céu. Isso até nem conta para os processos de beatificação e canonização. O que se passou com Santa Faustina, que foi beatificada e canonizada pela sua santidade e não pelas revelações e mensagens que recebeu de Jesus Cristo, ilustra bem tal procedimento.

Voltemos ao Prior de Fátima e ao seu encontro com a Lúcia. Esta ficara muito desanimada com a sentença final do Sr. Prior:  “ Não me parece que seja Nossa Senhora. Estou mais em crer que será o demónio, por isso, aconselho-te a não voltares à Cova da Iria nesses dias 13”.  Lúcia decidiu então que não voltaria lá, satisfazendo assim o conselho do Sr. Prior, que também encontrava eco na sua própria mãe.

Chegado o dia 13 de Julho, a Lúcia ainda estava renitente, mas à medida que a hora se aproximava, o coração batia mais fortemente e uma força interior quebrou todas as resistências. Dirigiu-se a casa do Francisco e da Jacinta e lá os  encontrou ajoelhados a rezar pela Lúcia.

Lúcia – Então, vocês não vão?

Jacinta – Sem ti nós não nos atrevemos a ir! Anda, vem!

Lúcia – Já cá vou!

Abraços, beijos e saltos de alegria selaram a decisão de Lúcia. E lá foram.

Preocupadas ficaram a D. Olímpia, o Ti Marto e a D. Maria Rosa, que resolveram avançar também um tanto secretamente, para o caso de ser alguma coisa ruim  que pusesse em perigo os seus filhos. Enquanto as mães se esconderam  numa  moita, o Ti Marto atreveu-se a ir até perto da azinheira e ficar mesmo ao lado da sua Jacintica. Assim ele o conta:

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(Do livro: ERA UMA SENHORA  MAIS BRILHANTE QUE O SOL, págs.  113-114)

 Ti Marto (Pai de Francisco e Jacinta) – “Abalei de casa resolvido, desta vez, a ver o que se passava. Quantas vezes tinha eu já dito à comadre Maria Rosa:

– Se o povo diz que estas coisas são invenções dos pais e dos padres, ninguém sabe melhor do que eu e a comadre que isso não é assim. A gente não os puxa e o Sr. Prior…olhem lá…o Sr. Prior então!… Pois ele até está na sua que podem ser coisas do demónio…E  tabulando assim, meti-me à estrada. O que já lá ia de povo!… Eu nem avistei os pequenos, mas pelo jeito que via, de vez em quando, um magote a parar no caminho, futurava que eles iam lá à frente.

Num sentido, mais me convinha vir cá atrás, mas quando cheguei lá abaixo, não me pude ter; o que eu queria era ficar pertinho deles. Mas como? Nem se podia romper. Era o poder do mundo!… A certa altura, dois fulanos, um da Ramila e o outro aqui da terra…fizeram uma roda à volta das crianças, para elas estarem mais à vontade e, ao darem ali comigo, puxam-me por um braço e dizem: “Este é o pai! Entre cá para dentro!” Fiquei mesmo rente com a minha Jacintica. A Lúcia, ajoelhada um pouco mais à frente, passava as contas e todos respondiam em voz alta. Acabado o Terço, levanta-se tão rápida que aquilo não era a força dela. Olha assim para o Nascente e grita: “Fechem os chapéus, fechem os chapéus, que já aí vem Nossa Senhora!”

Eu, por mais que olhasse, nada via. Começando então a afirmar-me, vi assim a modo uma nuvenzinha acinzentada que pairava sobre a azinheira. O sol enturviscou-se e começou a correr uma aragem tão fresquinha que consolava. Nem parecia estarmos no pino do Verão. O povo estava mudo que até metia impressão. E então comecei a ouvir um rumor, uma zoada, assim a modo como um moscardo dentro de um cântaro vazio. Mas de palavras, nada! Julgo que há-de ser assim uma coisa como quando a gente fala ao telefónio…Que eu nunca falei! Mas que é isto? – dizia cá para mim. Isto é longe ou é aqui perto?! Tudo isto, para mim, foi uma grande aprovação do milagre”.

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Das Memórias da Ir. Lúcia:

“Momentos depois de termos chegado à Cova da Iria, junto da carrasqueira, entre numerosa multidão de povo, estando a rezar o terço, vimos o reflexo da costumada luz e, em seguida, Nossa Senhora sobre a carrasqueira.

Lúcia – Vossemecê que me quer?

V. MariaQuero que venham aqui no dia 13 do mês que vem, que continuem a rezar o terço todos os dias, em honra de Nossa Senhora do Rosário, para obter a paz do mundo e o fim da guerra, porque só Ela lhes poderá  valer.

Lúcia – Queria pedir-Lhe para nos dizer Quem é, para fazer um milagre com que todos acreditem que Vossemecê nos aparece.

V. Maria Continuem a vir aqui todos os meses. Em Outubro direi  Quem sou, o  que quero e farei um milagre que todos hão-de ver, para acreditar.

Aqui, fiz alguns pedidos que não recordo bem quais foram. O que me lembro é que Nossa Senhora disse que era preciso rezarem o terço para alcançarem as graças durante o ano. …

V. MariaSacrificai-vos pelos pecadores e dizei muitas vezes, em especial sempre que fizerdes algum sacrifício: Ó Jesus, é por Vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria.

Ao dizer estas últimas palavras, abriu de novo as mãos, como nos dois meses passados.

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Visão do Inferno

O reflexo pareceu penetrar a terra e vimos como que um mar de fogo. Mergulhados em esse fogo, os demónios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas, com forma humana, que flutuavam no incêndio, levadas pelas chamas que delas mesmas saíam juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das faúlhas em grandes incêndios, sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizava e fazia estremecer de pavor…Os demónios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes como negros carvões em brasa. Assustados e como que a pedir socorro, levantámos a vista para Nossa Senhora, que nos disse com bondade e tristeza:

V. Maria – Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores; para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração. Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar. Mas, se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior. Quando virdes uma noite alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. Para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia ao Meu Imaculado Coração e a Comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a Meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja.. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas. Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido  ao mundo algum tempo de paz. Em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé, etc. Isto não o digais a ninguém. Ao Francisco, sim, podeis dizê-lo. Quando rezais o terço, dizei, depois de cada mistério: Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno; levai as alminhas todas para o Céu, principalmente aquelas que mais precisarem.

Lúcia –  Vossemecê não me quer mais nada?

V. Maria – Não! Hoje não te quero mais nada.

E, como de costume, começou a elevar-se em direcção ao nascente até desaparecer na imensa distância do firmamento”. (Memória IV)

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Ezequiel Miguel

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Leituras aconselhadas:

. Memórias da Ir Lúcia – Vice-Postulação, Fátima, Portugal

. Pe João M. De Marchi (I.M.C.) – Era um Senhora mais brilhante que o sol – Edição “ Missões da Consolata”,  Fátima.

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Creio no dom do Baptismo

baptismo2Creio no dom do Baptismo:

  1. Que Jesus instituiu e deixou na Igreja como sacramento que nos faz filhos de Deus, em que o Pai nos diz:” És meu filho, em ti ponho todo o meu amor”, em que entramos na Família Divina.
  2. Em que somos ungidos e consagrados pelo Espírito Santo, ficamos criaturas novas, sacrários do divino, homens e mulheres ressuscitados em Cristo.
  3. Que nos faz entrar na Igreja, pertencer ao Corpo Místico de Cristo, ser membros vivos da Igreja Mãe, pedras vivas do Templo do Senhor, dotados da graça de ser evangelizadores.

4 . Que nos faz receber o sacerdócio comum dos fiéis e nos dá a alegria da missão de sermos profetas, santificadores e pastores, participando do sacerdócio de Jesus Cristo, vivendo Nele o dom da graça e da vida divina.

  1. Que age em nós perdoando-nos o pecado original, fazendo-nos novas criaturas, ungidos pelo óleo dos catecúmenos, sendo nascente de vida nova, fazendo-nos “cristos vivos”.
  2. Em que nos é dada a fé, simbolizada na vela acesa no Círio Pascal, onde descobrimos Jesus, Luz do mundo, Verdade Suprema, origem, fundamento e fonte da fé que nos é concedida.

7 . Em que, pela investidura da veste branca, símbolo da graça, da santidade, da pureza de vida, duma existência revestida da veste de Cristo, nos quer impulsionar a viver sempre a vida da graça e o caminho da santidade.

8 . Que, pela unção crismal, nos faz ser ungidos para a missão, para o testemunho da vida cristã, actualizando em nós, sem cessar, a graça de ser apóstolos ungidos e consagrados, em permanente estado de missão.

9 . Que faz de cada baptizado testemunha evangélica do Rabi de Nazaré; que faz ser fermento no meio do mundo, sal que transforma a sociedade e dá o sabor do divino, transformando a vida e as estruturas humanas.

10 . Pelo qual a semente da vida divina, da comunhão trinitária, da união mística, é lançada em nós, nas nossas vidas, querendo desenvolver em nós a plena transformação em Deus e com Deus.

11 . Que nos faz príncipes e princesas, irmãos e irmãs de Jesus, Rei dos reis, Senhor da Vida e do Amor, Rei e Senhor Universal, Verbo do Pai, encarnado no seio da Virgem Maria.

Dário Pedroso, s.j.

Fonte: “Correio de Coimbra” de 26 de Setembro de 2013

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Você sabe o que é a Missa ? – III

Correspondência entre a Missa e as fases da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo

Já se disse, em artigos semelhantes, que a Missa é um mistério que, como todos os mistérios que envolvem Deus, não está ao alcance da total compreensão da inteligência humana, podendo dizer-se a mesma coisa a respeito dos Santos, dos Anjos e dos demónios. Apesar disso,  temos sempre algo a aprender para melhor viver a Missa.

Na definição da Missa consta: “É o Memorial da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo,” entendendo-se por Paixão todo o sofrimento por que  passou Jesus na Agonia do Getsémani, na prisão, nos julgamentos, na flagelação e coroação de espinhos, nos insultos, cuspidelas, agressões, caminho para o Calvário, Crucifixão  e Morte. Um memorial é algo que se faz para perpetuar a memória de um acontecimento relevante ou de uma pessoa. Assim é também com o Memorial de que falamos. Mas este Memorial é mais do que isso. É também uma repetição viva da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, em que tudo acontece de novo, de uma forma mística, não cruenta, em que de novo Ele se oferece ao Pai pelas almas dos homens, derivando daí o nome de “Santo Sacrifício” que se atribui à Missa, porque Jesus se imola como a Vítima agradável ao Pai. Mesmo o Sacerdote celebrante está longe de compreender, entender cabalmente o Acto que se realiza através dele, embora não seja ele o protagonista principal, mas o próprio Cristo, Sacerdote e Vítima ao mesmo tempo e em simultâneo.

O Padre Pio de Pietralcina, frade Capuchinho italiano (25/05/1887 – 23/09/ 1968), já canonizado, foi talvez aquele a quem foi dado chegar mais fundo, mais alto e mais longe na compreensão deste  mistério da Missa e quem melhor a viveu e explicou. Assim, seguem-se as explicações contendo alguns elementos por ele fornecidos sobre os momentos da Missa que correspondem à Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo:

  1. Do sinal da cruz inicial até ao Ofertório – Com  a oração inicial, a Confissão, o Kyrie, o Glória, as leituras, o Salmo responsorial, a Homilia, o Credo, a Oração dos Fiéis, decorre a fase correspondente à estadia de Jesus no Getsémani, onde sofreu a terrível Agonia, da qual constaram a angústia, os tremores, o suor de sangue, a visão das avassaladoras ondas dos pecados humanos passados, presentes e futuros. É nesta fase da Missa que imaginamos Cristo em sua Agonia a sofrer pelos nossos pecados…Acompanhamo-Lo pela Confissão, pelo arrependimento, dizendo a todos que somos pecadores e pedindo perdão uns aos outros, a Deus, aos Anjos e aos Santos. Nas leituras, salmo, homilia, ouvimos o que Deus nos diz directamente sobre o que devemos fazer, como devemos pensar, louvar, agradecer, viver,…tudo em união com Cristo, que está lá no Getsémani intercedendo por nós. É nesta fase da Liturgia da Palavra que podemos inserir o conselho/mandamento que o Pai nos dá: “ Este é o Meu Filho muito amado. Escutai-O!”
  2. O Ofertório –  Corresponde ao oferecimento que Jesus fez de Si mesmo ao Pai (Faça-se a Tua Vontade). É a hora de confirmar o seu “Quero  continuar e seguir com isto até ao fim”! É nesta fase que se espera que façamos, à semelhança de Cristo, a oferta da nossa vida, com tudo o que ela tem de bom e de mau, oferecendo também a submissão da nossa vontade à Vontade do Pai, na disposição de fazer o que Ele manda e de aceitar tudo o que Ele permitir que nos aconteça, numa oferta total como aquela que Cristo fez ao Pai. É o momento de manifestar a Deus a nossa disposição de continuar (ou de começar) a aceitar tudo o que possa incluir-se naquele conjunto de problemas a que chamamos a cruz de cada um, nada nos impedindo, porém, de solicitar a Deus que a torne um pouco menos pesada…mas acrescentando: “Não se faça minha vontade, mas a Vossa”! É o momento de nos despojarmos de tudo o que nos afasta de Deus e do cumprimento da Sua Vontade soberana a nosso respeito. Nesta oferta vai tudo o que somos, tudo o que temos, tudo o que fazemos, as nossas intenções, as nossas fraquezas, os nossos anseios, as nossas frustrações, os nossos desejos de melhorar…, de evitar o pecado, de viver mais santamente,…e até os nossos pecados, para que sobre eles venha um sincero arrependimento que os dilua na misericórdia divina. Mas não esqueça: arrependimento sem Confissão sacramental nada garante!
  3. O Prefácio ( fase que termina no Sanctus) é o canto de louvor e agradecimento que Jesus dirige ao Pai por Lhe ter permitido chegar a esta etapa, o princípio do fim da Sua obra redentora a favor dos homens. Nesta fase da Missa unimo-nos a Cristo no Seu canto de louvor e agradecimento ao Pai por tudo o que sejam favores, auxílios, graças materiais e espirituais, provações, dificuldades, sofrimentos…enfim, tudo o que até nós chegou de bom e de mau na nossa vida. Não é costume louvarmos e agradecermos pelas horas más, mas esta é uma oportunidade de nos unirmos a Cristo, que louva e agradece pelas fases dolorosas por que passa  na Redenção dos homens.
  4. Da Oração Eucarística ( após o Sanctus) até à Consagração – é a prisão, os insultos, o julgamento, a flagelação, a coroação de espinhos, a condenação à morte, o caminho da cruz. Imagine-se um daqueles que percorrem esse caminho e veja Cristo carregando a pesada cruz na subida para o Gólgota. Imagine e tenha a certeza que Ele vai ali expiando os seus pecados e os de todos nós. A imaginação permite-nos saltar da igreja para os locais da Paixão, Morte e Ressurreição e vice-versa, sem que ninguém se aperceba disso.  Inclui-se aqui o momento de lembrar os vivos e os defuntos pelos quais o Celebrante intercede :“Lembrai-vos daqueles que… e lembrai-Vos também …” É também o momento de nós nos lembrarmos dos nossos vivos e dos nossos defuntos e de rezarmos por eles, familiares, amigos, estranhos ou inimigos que estejam ainda no Purgatório. Nada como a Missa pode aliviar e encurtar o seu terrível sofrimento pelo qual eles nada podem fazer. Tal como aos condenados ao inferno, a vontade própria (livre arbítrio) foi-lhes retirada, ficando totalmente dependentes dos meios espirituais da Igreja e seus membros que por eles intercedem. Em todas as Missas é dever nosso lembrar os nossos familiares ( e outros) do Purgatório. Um dia, eles agradecerão e intercederão em nosso favor. Sem os sufrágios da Igreja, muitas almas do Purgatório estariam lá até ao fim do mundo, tal como Nossa Senhora revelou em Fátima, na primeira Aparição, a propósito da recém falecida Amélia.
  5. A Consagração – É a própria Crucifixão, em que Jesus entrega aos homens o Seu Corpo e  o Seu Sangue, alimento vivo para as almas. Quando o Celebrante proclama: “Mistério da Fé”, a Igreja põe nas nossas bocas: “Anunciamos, Senhor, a Vossa Morte, proclamamos a Vossa e Ressurreição… !”
  6. A Elevação da Hóstia – O gesto da Elevação da Hóstia pode corresponder ao momento em que a cruz, já com Jesus crucificado, é levantada e todos O podem ver : “Eu, quando for erguido da terra, atrairei todos a Mim” (Jo  12, 32) e “Olharão para Aquele que trespassaram” (Jo 20, 37).
  7. Oração litúrgica após a Consagração – Corresponde ao tempo em que Jesus  esteve suspenso na  Cruz. Podemos vê-LO  e ouvi-LO a oferecer-nos a Sua Mãe (Filho, eis aí a tua Mãe), a entregar-nos à Sua própria Mãe ( Mãe, eis aí o Teu filho), a pedir perdão para os algozes e todos aqueles que contribuíram para aquela situação (Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem), a prometer a Dimas o paraíso (Hoje mesmo estarás Comigo no Paraíso), a  revelar a Sua sede de almas (Tenho sede), a revelar quanto Lhe custou o abandono do Pai (Pai, porque Me abandonaste?), a alegrar-se por a grande obra da Redenção ter chegado ao fim (Tudo está consumado).
  8. Por Cristo, com Cristo e em Cristo… – Corresponde ao grito de Jesus anunciando a sua morte – “ Pai, nas Tuas mãos entrego o meu espírito”.  É o momento do Pai-Nosso, em que os homens são convidados a sentirem-se unidos como irmãos em Cristo e filhos do mesmo Pai, após o  Seu sacrifício consumado. O espírito de Cristo é oferecido ao Pai e o Seu Corpo e Sangue são oferecidos aos homens para que eles se sintam unidos entre si e reunidos ao Pai em Cristo.
  1. Quando o sacerdote parte a Hóstia – É o momento da Morte de Jesus, o momento em que o Corpo e o Sangue de Jesus se separam de vez. O Seu grito “Pai, nas Tuas mãos entrego o meu espírito” marca o momento exacto da morte. O Sangue verte-se para a terra e o Corpo é também entregue à terra. É o corte completo com a vida, a fractura, a separação do Corpo e do Sangue. É isso a Morte.
  2. Quando o sacerdote deixa cair no Cálice uma partícula da Hóstia – É o momento da Ressurreição, momento em que o Corpo e o Sangue de Cristo estão de novo reunidos no Corpo total, vivo, que vai ser comungado.
  3. Comunhão – É Cristo vivo, na Sua Alma, no seu Corpo, no seu Sangue, na sua Humanidade, na sua Divindade, a entregar-se  como alimento num banquete divino, algo que somente na Terra se oferece àqueles que se apresentam com veste branca nupcial. Recorde-se a Comunhão dada pelo Anjo de Portugal aos Pastorinhos, na Loca do Cabeço, em que da Hóstia caíam gotas de Sangue para dentro do Cálice. É o Cristo ressuscitado, vivo, inteiro, a oferecer-se como alimento das almas, Penhor de Vida Eterna para aqueles que O comem e bebem dignamente e garantia de condenação para aqueles que O comem e bebem indignamente, isto é, em pecado grave: “Quem come e bebe o Corpo do Senhor indignamente come e bebe a própria condenação, não discernindo o Corpo do Senhor” (1 Cor. 29).
  4. A Acção de Graças – É o encontro pessoal de cada um com Cristo vivo, semelhante àquele em que os Apóstolos O viram e dialogaram com Ele após a Ressurreição. É o momento de Lhe dar as boas-vindas, de louvar, pedir, agradecer, oferecer, dialogar com o próprio Deus vivo presente na alma humana.
  5. A bênção final (despedida) –  O Celebrante abençoa os fiéis com o Sinal da Cruz, porque este Sinal é um distintivo indelével que também actua como escudo protector contra a acção de Satanás. É o convite de Cristo transmitido à Madalena: “Vai e diz aos Meus irmãos que se ponham a caminho da Galileia. É lá que os espero para darem testemunho da Minha Ressurreição:…Ide…pregai, …expulsai os demónios … baptizai…em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.” É o convite que se nos faz de viver a Missa fora da igreja e dar o testemunho que se espera de todo o fiel discípulo de Cristo.

Posto isto, quando estiver na Missa, sirva-se da imaginação e acompanhe Cristo na Sua Paixão, Morte e Ressurreição, pois ela realiza-se de novo em cada Missa, não sendo apenas uma comemoração. Se assim fizer, terá poucos motivos para se distrair e ficar à espera que a Missa acabe quanto antes… Também não se lembrará de olhar para o relógio ou de pensar no que vai cozinhar para o almoço… Mistérios são mistérios, algo que não se discute, mas se aceita ou se rejeita. É uma questão de crer ou não crer, uma questão de fé católica ou de falta dela. Viva a Missa de forma diferente e passará a apreciá-la melhor, pois nela se realiza o acto mais importante em que o Homem pode participar.

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Ezequiel Miguel

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Você sabe o que é a Missa? – I

Muitos responderão, primeiro que tudo e antes de mais nada: “ É uma seca”! Mas quero aqui demonstrar-lhe que não é! Se houver uma seca, será na mente, na vida  e na atitude de quem vai à missa por ir, porque tem de ir, porque sempre foi, porque fica mal não ir, porque, se não for, causa problemas a si próprio, porque faz parte das festas, porque se anda em qualquer Movimento da Igreja e…tem de ser, porque, indo à missa, se poderá esconder uma vida de pecado, porque se tem de mostrar aos outros que se vai,  porque é necessário deitar aos outros poeira nos olhos, para que eles não desconfiem de certos comportamentos pecaminosos, porque o Padre diz uma missa gira, onde se batem palmas e se cantam coisas modernas, porque,…porque,…

Fica já assente que ninguém, a não ser Deus, compreende na totalidade o que é a Missa, nem mesmo os Santos do paraíso e os Anjos, daqueles de hierarquia mais baixa até aos Querubins e Serafins, que pertencem às hierarquias mais elevadas.

Mas isso não nos impede de saber e compreender minimamente o que é a Missa, tanto quanto a inteligência humana é capaz de abarcar e assimilar e tanto quanto alguém nos consegue fazer ver as coisas, sem deturpar nada e sem torcer ou retorcer.

Diz a Igreja no Catecismo da Igreja Católica, nº 1323: “O nosso Salvador instituiu, na Última Ceia, na noite em que foi entregue, o Sacrifício Eucarístico do Seu Corpo e Sangue, para perpetuar, pelo decorrer dos séculos, até voltar, o Sacrifício da Cruz, confiando à Igreja, Sua Esposa amada, o Memorial da Sua Morte e Ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal em que se recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é concedido o penhor da glória futura.” (SC 47)

Sacrifício Eucarístico – É outra expressão para designar a Missa, designando-se também por Santo Sacrifício, Banquete do Senhor, Fracção do Pão, Assembleia Eucarística, Memorial da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, Sagrada Liturgia, Santa Liturgia, Comunhão, Santa Missa, Santos Mistérios, Ceia do Senhor, Eucaristia. Cada um destes nomes exprime a faceta que se quer realçar quando se fala ou escreve a respeito da Missa. Porque se lhe chama “Sacrifício”? Temos que voltar atrás no tempo! Antes de Cristo foi dada ao povo Hebreu, através de Moisés, a Lei a que chamamos a Lei de Moisés, a Lei do ( Monte) Sinai, que é uma montanha que faz parte do Monte Horeb, no deserto entre o Egipto e o actual Israel. Essa Lei, que vai de Moisés até Jesus Cristo, abarca cerca 2.000  anos e está expressa na Bíblia, assim como as pessoas e os episódios que lhe estão associados. A Lei não era da autoria de Moisés, mas é da autoria do próprio Deus-Pai, ficando Moisés a autoridade máxima e o Guardião da Lei, enquanto viveu. Encontra tudo isto nos livros da Bíblia: Êxodo, Levítico, Números e Deuteronómio..

Após 400 anos de escravatura no Egipto, cerca do ano 1250 A.C., Deus chamou Moisés e seu irmão Aarão para comandar a libertação do povo hebreu, o que aconteceu após o Faraó ter finalmente autorizado a saída, vergado pelas 10 Pragas do Egipto. Na última noite da escravidão foi dada a Moisés a mensagem que ordenava:  Todas as famílias deveriam comer um cordeiro de um ano,  sem defeito, sem se lhe partir qualquer osso e recolher o sangue para com ele pintar  as soleiras  e o dintel das portas com o seu sangue. Dessa refeição faziam parte o pão ázimo (sem fermento), o vinho e ervas amargas, para lembrar o amargor da escravidão. Naquela noite um Anjo passaria (e passou) em frente de todas as portas de entrada das casas do Egipto. Aquelas que estivessem assinaladas com o sangue do cordeiro seriam poupadas, nas outras haveria dor e lágrimas para chorar a morte de todos os varões primogénitos do Egipto e ainda os primogénitos dos animais. E assim aconteceu. Era a Páscoa, a Passagem da escravatura à liberdade. E Deus ordenou que esta Páscoa (Passagem) se comemorasse de geração em geração.

Uma vez passado o Mar Vermelho, os hebreus acamparam na base do Monte Sinai e no alto deste monte foi dado aos homens o Decálogo, que traduzimos por Os Dez Mandamentos. Á medida que a travessia do deserto prosseguia, Moisés, inspirado por Deus, foi legislando e acompanhando de perto a vida do seu povo, lançando as bases da convivência com leis civis, leis militares e leis religiosas para presidir ao culto que o próprio Deus instituía. É aqui que entram em cena os sacrifícios (mortes) de animais, os quais  não deveriam ter defeitos, porque eram oferecidos a Deus. Os animais  eram colocados sobre  uma pira de lenha, onde ardiam até serem totalmente consumidos, após serem mortos e se ter recolhido o seu sangue para com ele aspergir o altar e também o povo, depois de convidado ao arrependimento. A vítima substituía a pessoa que oferecia o sacrifício. Era assim que se fazia um sacrifício, o qual incluía sempre  a oferta de um animal (vítima) ou de produtos da terra (oferenda). A finalidade dos sacrifícios poderia ser uma ou mais  das seguintes:  louvar a Deus, agradecer, pedir, interceder para pedir perdão e expiar pelos pecados da pessoa ou do povo em geral e desagravar Deus pela ofensas recebidas (Reparação). A vítima acabava sempre destruída, para significar que Deus é o Senhor de tudo e de todos e para que ninguém fosse servir-se de uma coisa que tinha sido oferecida a Deus.

Há quem leia o Antigo Testamento e diga que não percebe nada daquilo. Convém saber que no Antigo Testamento está o anúncio do Novo, tanto em acontecimentos, como em pessoas, factos,  profecias e Lei de Deus. Estão no Antigo Testamento as referências ao sacerdócio, às vestes sacerdotais, ao culto, ao pecado, às  figuras da Virgem Maria, de João Baptista, da Igreja, de Jesus Cristo e Seu nascimento, pregação do Reino, Sacramentos, instituição da Eucaristia, da Missa, Paixão, Morte e Ressurreição. Na parte que agora nos interessa, João Baptista anunciou O Messias dizendo:” Eis o Cordeiro de Deus, Aquele que tira os pecados do mundo”. O Apocalipse trata Jesus Cristo como “o Cordeiro”, sentado num trono à direita do Pai e abrindo o Livro onde estão inscritos os eleitos que lavaram (e vão lavando) as suas vestes no Sangue do Cordeiro. O que quer isto dizer? Foi pelo derramamento do Sangue de Cristo (o Cordeiro), em consequência da sua imolação como Vítima, que Jesus Cristo instituiu os Sacramentos, dos quais os eleitos do Paraíso aproveitaram para lavar as suas vestes ( almas) e outros continuarão a fazer o mesmo. As vestes foram, são e serão lavadas pelo Baptismo, pela Penitência (Confissão), pela Eucaristia, pelo martírio, por um acto de arrependimento perfeito (contrição), seguida de Confissão sacramental, para quem seja obrigado a isso e o possa fazer.

O Cordeiro (Cristo) é imolado, oferecido no Calvário ao Pai como Vítima santa, imaculada, sem defeito, sem mancha, exactamente para morrer em vez de todos os homens e expiar por eles a dívida contraída em consequência do pecado original e de todos os outros pecados que já se tinham feito, que se faziam, que se  fazem hoje e se farão até ao fim do mundo.Esse Sacrifício ( morte violenta de Cristo-Vítima)  ocorrido no Calvário fez-se uma só vez, de uma maneira cruenta, mas ele continua a realizar-se, agora de maneira incruenta, mística, invisível, quase incompreensível, mas verdadeira, num outro plano que nos ultrapassa.

E chegámos à Missa!  Já terá ouvido dizer àqueles que não vão à missa, que já a deixaram ou que nunca a aceitaram, que a Missa foi inventada pelos padres para arranjarem dinheiro. Isto tem a cor de uma blasfémia, de uma insolência, de uma  crassa ignorância, de um inqualificável atrevimento, de um insulto, de um desprezo… Todos os demónios sabem aquilo que essas pessoas não querem saber! Vamos distinguir entre Missa e Eucaristia.

A Eucaristia (transformação da pão e do vinho no Corpo de Cristo, fenómeno a que se dá o nome de Transubstanciação) realiza-se dentro da Missa e foi o próprio Cristo, na Última Ceia, que realizou ambas e ordenou aos Apóstolos que fizessem o mesmo. Antes disso, porém, ordenou-os Bispos e eles ordenaram sacerdotes e bispos até aos tempos de hoje. Assim, qualquer bispo da Igreja Católica validamente ordenado faz parte de uma cadeia que vai até um dos Apóstolos presentes na Última Ceia.

A Missa contém várias partes, sendo a primeira apenas preparatória e catequética, onde se convida ao arrependimento dos pecados e ao pedido de perdão a Deus, constando dela o” Kyrie    eleison” (Senhor, tende piedade de nós), as leituras, o Salmo responsorial, o Glória, a Homilia, o Credo. A esta primeira parte chama(va)-se a Missa dos Catecúmenos. A partir daí começa a 2ª parte, com uma série de orações que vão subindo de intensidade até chegar à Consagração, cujas palavras (as mesmas de Cristo) realizam o que significam: “…Tomai e comei ; isto é o meu Corpo, que vai ser entregue por vós! …Tomai e bebei, isto é o Meu Sangue, que vai ser derramado por vós para remissão dos pecados!…Fazei isto em memória de Mim!” Após estas palavras, o sacerdote eleva a Hóstia e o Cálice e, se ele foi  validamente ordenado e teve a intenção de fazer o que faz a Igreja, acontece a Eucaristia, o Santíssimo Sacramento,  a Hóstia Santa, Imaculada, o Corpo de Cristo, o Cordeiro Imaculado, o Cristo total em Corpo, Alma e Divindade, tão real e perfeitamente como está no Céu! É o Mistério sacrossanto, o  Mistério inefável (inexprimível), o Mistério dos Mistérios, o Mistério da Fé! O ritual da Missa prossegue com a 3ª parte até ao fim, passando pelo momento da Comunhão e Acção de Graças. À Comunhão  só deve ir quem estiver devidamente preparado. Assim se satisfaz a ordem, o mandamento, o convite, a oferta de Cristo e se cumprem as profecias que Ele fizera e que constam do capítulo 6 do Evangelho de S. João: “ A minha carne é verdadeira comida e o meu Sangue é verdadeira bebida…  Quem come a Minha carne e bebe o Meu Sangue tem a Vida Eterna …Eu sou o Pão vivo descido do Céu…”, etc. Parte-se do princípio que as pessoas que vão comungar o fazem na graça de Deus, sem pecado grave, em situações conformes às leis de Deus e da Igreja. Em situações de casamento civil, de vida com amantes, de uniões de facto, de divórcio partilhado com outra pessoa que não o cônjuge, homossexualidade, adopção de seitas,…ou de qualquer pecado grave,  pessoas não baptizadas, etc., não deverão apresentar-se à Comunhão. Em conclusão, todos aqueles que não estejam em união plena com a Igreja e com tudo o que ela propõe, defende e ensina. Se o fizerem, cometem um sacrilégio e, segundo S. Paulo, “comem e bebem a própria condenação”.

Então, a Missa tem três  facetas e funções importantíssimas que definem o que realmente ela é.  1ª – Porque Cristo disse: “Fazei isto em memória de Mim”, a Missa é o Memorial da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, isto é, a Comemoração de um acontecimento grandioso, à semelhança daquela Páscoa Hebraica em que se deu a libertação da escravidão do Egipto; – Esta faceta é absolutamente misteriosa, desenvolvida no nível místico, não visível aos nossos olhos e consiste nisto: Repete-se totalmente o drama do Calvário, com a Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, o Qual se oferece de novo ao Pai como Vítima expiatória pelos pecados dos homens. 3ª – As Hóstias consagradas na Missa servem para a Comunhão do Celebrante e dos fiéis, mas também para ficarem presentes  no Sacrário, onde Cristo espera por Adoração Eucarística e também para serem levadas  aos moribundos e outros doentes incapacitados de se deslocarem à igreja. É aqui que está o outro grande Mistério e eis porque cada Missa é simultaneamente as três coisas: Memorial  (Aniversário, Comemoração), Repetição ao vivo, embora invisível, e Presença de Cristo. Posto isto, vem a pergunta: Será isto uma “seca”? Se houver uma “seca”, será da parte de quem está presente sem saber bem o que está ali a fazer e porquê! Esses serão a grande maioria, por falta de catequese profunda sobre estes mistérios. Daí,  o convite que lhe faço de se esclarecer, lendo e relendo o que aqui deixo escrito.

Também é caso para perguntar, perante tantas novidades e abusos que se cometem por todo o lado, até nas coisas mais santas e sagradas, se, estando nós presentes na Crucifixão e Morte de Cristo, nos atreveríamos a cantar canções religiosas, bater palmas, tocar umas guitarradas, cantar umas músicas de espantar pássaros, desatar para ali a dançar e a beijocar! Não acredito que os Anjos, presentes em todas as Missas, o façam! Então, o que se aconselha? O cântico litúrgico, as músicas aprovadas, as letras aprovadas e se possível retiradas dos Salmos,  hinos bíblicos ou outros propostos pela Igreja, instrumentos aprovados,… para que não se confunda a Missa com qualquer festival da canção religiosa. Requerem-se ainda atitudes de concentração, devoção e máximo respeito pelo maior acontecimento que se realiza sobre a Terra: a Missa!

Posto isto, aqui vai uma definição resumida  do que é a Missa: A Missa  é o Sacrifício (Morte com derramamento de Sangue) do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo que, sob as espécies do pão e do vinho, é oferecido pelo sacerdote a Deus no altar, em memória e renovação do Sacrifício da Cruz ocorrido no Calvário.

Definição de Eucaristia: A Eucaristia é o sacramento que, sob as aparências do pão e do vinho, contém realmente o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo para alimento das almas.

Não há Missa sem Sacerdote e sem Eucaristia e ambas somente se realizam através de um Sacerdote validamente ordenado, tendo ele a intenção de fazer o que faz a Igreja Católica. Por isso, a cerimónia semelhante oferecida por seitas protestantes, nomeadamente as evangélicas, não é Missa nem Eucaristia, por muito parecidas que sejam, sendo antes um arremedo, uma paródia, um atrevimento, tudo blasfemo, de algo sagrado acima de tudo o que é sagrado. Eles pretendem comemorar a Última Ceia de Cristo, mas ignoram (ou rejeitam) que essa Ceia não foi simplesmente um jantar para despedida de alguém que vai partir. Foi muito mais do que isso, infinitamente mais!

Qual a função do Sacerdote? O verdadeiro e único Sacerdote aqui é Jesus Cristo, que também é a Vítima, por isso, é Ele mesmo que, como Sumo Sacerdote e Vítima, se oferece ao Pai, através de um intermediário humano, que é o Sacerdote, Ministro de Deus, por desempenhar funções em nome de Jesus Cristo.

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Ezequiel Miguel

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Se não comerdes a minha carne… (Cf. Jo 6, 53)

supperVenha comigo até um dia em que Cristo entrou na sinagoga de Cafarnaum e fez um discurso explosivo, nunca pronunciado nem ouvido por ninguém.  Nunca nada se ouvira de semelhante, desde que o Mundo é Mundo. Foi o discurso chamado Eucarístico. Pode lê-lo no capítulo 6 do Evangelho de S. João.

Dispamos  a nossa  condição de pessoas nascidas no século 20 e vejamo-nos um dos judeus que ouviam Jesus. Imaginemos um Homem (a divindade de Cristo não era visível) dizendo coisas como estas:”Eu sou o pão da vida…eu sou o pão descido do Céu…o Pão de Deus é Aquele que desce do Céu e dá a vida ao mundo…Quem vem a mim, nunca mais terá fome e o que crê em Mim nunca mais terá sede…Desci do Céu para fazer a vontade de meu Pai…Quem vê o Filho e Nele crê tem a vida eterna…Eu sou o pão vivo descido do Céu…O pão que eu darei é a minha carne, para a vida do mundo…Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o Seu sangue, não tereis a vida em vós…Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia, pois a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele…Aquele que se alimenta de Mim viverá por Mim…Quem come este Pão viverá eternamente” (Jo, 6, 32-58).

Foi demais! Não será difícil imaginar o que aquela gente toda terá pensado e dito perante tal atrevimento, que parecia vir de um homem transtornado, demente, louco, visionário, atrevido…brincando com coisas sérias e parecendo fazer dos ouvintes uns idiotas a acreditar em algo impossível. Um israelita transformar-se num vampiro, num canibal, num Drácula a beber sangue… Os Evangelhos são parcos em revelar e descrever as reacções dos ouvintes a este discurso de Cristo. Apenas deixam adivinhar o que se terá passado, quando registam as sentenças dos fariseus e alguns discípulos: “Esta palavra é dura, quem pode escutá-la?…A partir daí muitos discípulos voltaram atrás e não mais andavam com Ele” (Jo 6,59-66).

 Cristo viu-se então sozinho com os Seus Apóstolos e estava disposto a ficar sem eles, caso lhes faltasse a fé no Messias, mas já tinham presenciado os seus milagres e ficaram todos, mas só eles. Os que O abandonaram foram incapazes de reconhecer Nele o Messias prometido e anunciado séculos antes pelos profetas. Quanto a esse discurso Eucarístico já o profeta Isaías se referia a ele sete séculos antes. “ Todos vós que tendes sede, vinde à nascente das águas; mesmo os que não tendes dinheiro, vinde, comprai pão, vinho…sem pagar. Porque gastais o vosso dinheiro naquilo que não alimenta?…” ( Is. 55, 1-2 ).

Nós fomos dos que ficaram… e continuámos a segui-LO, sem nunca termos pensado em renunciar a Ele nem à Sua doutrina nem à Sua Igreja, até hoje. Ele cumpriu todas aquelas promessas na Última Ceia e garantiu que isso se faria até ao fim dos séculos, por isso, está tudo em vigor, para os que acreditam  naquelas Palavras de Jesus, pronunciadas pelo sacerdote na missa: “Isto é o meu Corpo…Isto é o meu Sangue…entregue por vós”. Todo aquele discurso de Cristo tem realização concreta, objectiva, real, verdadeira, plena,  na força omnipotente da fórmula da Consagração, que usa as próprias Palavras de Cristo: “Isto é o meu Corpo, tomai meu Sangue, tomai e bebei e comei…Isto é o …”

Como de Deus não pode vir erro nem mentira,  acreditamos naquilo que a Igreja nos ensina a este respeito: que a Hóstia consagrada e o Vinho consagrado só são pão e vinho nas aparências e que eles passaram a ser (mistério que só Deus entende cabalmente) o Cristo total, tão realmente, tão perfeitamente, tão substancialmente como está no Céu, com todo o Seu poder, glória e majestade, na Sua Humanidade, na Sua Alma e na Sua Divindade (Cf. Catecismo da Igreja Católica, nº 1374). Assim prometeu ficar connosco até ao fim dos séculos. Este é o “Mistério dos Mistérios”, o Mistério da Fé, que o sacerdote proclama logo a seguir à Elevação. Acreditamos que é assim? Então é o momento de o  proclamar a nós e aos outros…ali na missa  e na prática da vida. Nós não vemos lá os Anjos, mas eles estão lá, em permanente adoração onde houver uma Hóstia consagrada. Como nós não deturpamos as Palavras de Cristo nem as suas intenções nem aquilo que a Igreja nos ensina, não vamos pensar e muito menos dizer ou ensinar que Cristo está no pão, à maneira de um hamburger numa sanduíche, pois isso é grosseira heresia, a que se dá o nome de empanação, mesmo que saia da boca de quem nunca deveria sair.

Fortaleça a sua Fé na Eucaristia, recitando com alma e convicção aquela fórmula que o Anjo ensinou aos Pastorinhos de Fátima :” Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam. Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da Terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores”.  Logo após a Consagração deixe que do mais profundo da sua alma saia este monumento à Fé Eucarística: “Meu Senhor e meu Deus!”, proclamado pela primeira vez por S. Tomé. Que Deus é o nosso que está sempre entre nós e se faz nosso alimento e que criatura é o homem para se alimentar do próprio Deus? Mistério do seu Infinito Amor por nós!

Posto isto, a nossa Fé na Eucaristia terá que dar faíscas, sinal de que há lá energia. Como vamos fazer as genuflexões, como vamos comportar-nos na igreja, como nos preparamos para a Comunhão, como A recebemos?  Como damos graças? Vamos em pecado grave ou com muitos pecados leves? Se pertence ao sexo feminino… vai semi-vestida ( ou semi-despida), decotada, braços nus e costas semi-nuas?  Aplica-se a todos o que S. Paulo diz na sua 1ª Epístola aos Coríntios:  “ Quem come e bebe o Corpo do Senhor indignamente ( em pecado grave), come e bebe a sua própria condenação, não discernindo o Corpo do Senhor. Examine-se pois cada um a si próprio…”( 1 Cor 11, 23-32).

Deus é pureza absoluta , por isso, exige que quem comunga o faça  no estado mais puro possível, pelo menos sem consciência de pecado grave. Sentindo-se em pecado grave…não se mexa do lugar. Comete outro pecado se for comungar. Para o caso de pecados veniais e faltas mais leves aconselha-se antes a recitação do Acto de Contrição ( Arrependimento) bem sentido lá no fundo do coração. A própria Comunhão apaga faltas menos graves. Para pecados graves exige-se a Confissão sacramental e a correcção do estado de pecado contínuo  e/ou público.

Acha que de Deus pode vir hepatite C ou Sida? Se não acha, comungue na língua.  João Paulo II não dava a ninguém a Comunhão na mão e  Bento XVI dáva-A na língua a comungantes de joelhos. Era assim que se fazia antes do Vaticano II e assim deveria voltar a fazer-se. Nenhum dos contra argumentos é válido, por não estar de acordo com a presença real de Cristo na Eucaristia. Só que estas coisas têm de partir de cima para baixo…

Quanto ao momento da Comunhão, faço-lhe uma proposta: Observe a fila da Comunhão e compare-a com uma fila do pão em qualquer padaria. Nota alguma diferença? Eu ajudo! Na fila do pão… as pessoas vão avançando…de pé.…chega a sua vez,… pedem o que querem,… recebem com as mãos, seguram, pagam, algumas comem logo ali um papo-seco ou arrancam um bocado…e vão-se embora. Na fila da Comunhão  fazem o mesmo…só não pagam….e algumas até levam para casa… para bruxarias ou para vender…para missas negras. Então, as pessoas da fila da Comunhão mostram a alguém que acreditam naquilo que vão fazer? Acreditam mesmo que vão receber o Corpo de Cristo? Por acaso fazem um gesto de Adoração ajoelhando, fazendo uma genuflexão bem feita, uma vénia profunda (para os que já pertencem à brigada do reumático ou outra deficiência física…), recebem o Senhor na língua? Na fila do pão vemos meninas, jovens, senhoras  curtamente vestidas…como é próprio de um ambiente profano, mas vemos algumas indignamente vestidas nas liturgias dominicais, na fila da Comunhão, na administração dos Sacramentos do Baptismo, do Crisma, da Eucaristia, do Matrimónio. Então? Como provam, a eles (elas) e aos outros, que acreditam? Como testemunham que a sua fila não é a fila de uma padaria? Estas atitudes pertencem ao grupo das indiferenças, faltas de sensibilidade e delicadeza, que magoam, ferem, hostilizam Deus, por falta de respeito, evidente falta de Fé, exibicionismo de vaidade pecaminosa… e muito mais.

Assunto para meditar!

Leituras aconselhadas:  O Milagre de Lanciano ( procure nas livrarias ou no Google)

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Ezequiel Miguel

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Aparições da Virgem Maria em Fátima – II

13 de Junho de 1917

 O dia 12 de Junho era véspera da festa de Santo António, padroeiro de Fátima, marcado pela azáfama de preparar a festividade, mas o dia 13, dia consagrado ao santo, era também o dia escolhido por Nossa Senhora para a 2ª aparição na Cova da Iria. No dia 12, à noite, a Jacinta  e o Francisco bem insistiram com os pais para que os acompanhassem  à Cova da Iria, ao encontro da Senhora, como Ela havia prometido. Mas esse  pedido  colocava-os perante um dilema, que tinha de ser resolvido de algum modo e do modo considerado mais seguro.

 Perante o receio de um estrondoso fiasco, caso a Senhora falhasse o Encontro,  o Ti Marto e a D. Olímpia, após uma séria reflexão, com  tudo bem contado,  pesado e medido, resolveram ir à feira das Pedreiras (Porto de Mós) logo de manhã cedo, para comprarem uma junta de bois, deixando as crianças ainda a dormir, facto que agradou ao Francisco e à Jacinta, por se sentirem livres, ao acordarem, de qualquer pressão que tentasse desviá-los da Cova da Iria. Assim se livrariam os pais da vergonha de nada acontecer na Cova da Iria, ficando também a salvo de uma hipotética rebelião popular contra eles e contra as crianças, nas quais ainda quase ninguém acreditava, nem mesmo D. Olímpia e muito menos D. Maria Rosa dos Santos, a mãe de Lúcia, que era a mais acérrima opositora, e que se desfazia em angústias, lamentos, desgostos e lágrimas perante o que ela dizia serem as mentiras da Lúcia. Ninguém mais do que ela  desejava  que a Senhora não aparecesse e que houvesse uma revolta contra todos os embustes, falsidades, invenções, mentiras e seus agentes. Seria o grande dia da reconciliação da família com a verdade e D. Rosa veria finalmente a paz em casa e na sua consciência. Assim o pensava ela, mas, para seu sofrimento, tudo lhe saiu ao contrário. Os pais de Francisco e Jacinta também temiam que os seus filhos fossem vítimas de violência  por parte de mirones  frustrados e enraivecidos, caso tudo aquilo desse num fracasso. Indiferente ao que pudesse acontecer à Lúcia figurava  sua mãe, que estava convencida de que ela mereceria o que lhe acontecesse, se algo acontecesse, para não andar com aquelas mentiras todas, a que já era tempo de por cobro de uma vez por todas.

Tanto os pais do Francisco e da Jacinta como a mãe de Lúcia tudo fizeram para os entusiasmar a irem antes à festa de S. António, em Fátima, que continha missa com sermão, procissão, música e foguetes e outras coisas mais que suscitam o entusiasmo das crianças, tudo pensado e feito para fazer esquecer a Cova da Iria. Durante o tempo que medeia entre 13 de Maio e 13 de Junho houve em ambas as casas um conluio de silêncio sobre as Aparições, na tentativa de que eles esquecessem por completo o 13 de Junho, data da próxima Aparição da Senhora, de nada valendo também o argumento de que a Senhora não viria. À hora marcada lá estavam eles junto à grande azinheira, que ainda hoje lá está, à espera do relâmpago que anunciava a vinda da Senhora.

Das Memórias da Ir. Lúcia:

“Aí pelas onze horas, saí de casa, passei por casa de meus tios, onde a Jacinta e o Francisco me esperavam, e lá vamos para a Cova da Iria, à espera do momento desejado. Toda aquela gente ( mais de 50 pessoas) nos seguia, fazendo-nos mil perguntas” .

“Depois de rezarmos o Terço com as outras pessoas que estavam presentes, vimos de novo o reflexo da luz que se aproximava, a que chamávamos relâmpago, e em seguida Nossa Senhora sobre a carrasqueira, tudo igual a Maio.

Lúcia – Vossemecê que me quer?

Virgem Maria (V.M.) – Quero que venhais aqui no dia 13 do mês que vem, que rezeis o Terço todos os dias e que aprendais a ler. Depois direi o que quero.

Lúcia – Queria pedir-lhe para curar aquele doente …

V.M. – Se se converter, curar-se-á durante o ano.

Lúcia – Queria pedir-lhe para nos levar para o Céu.

V.M. – Sim, à Jacinta e ao Francisco levo-os em breve. Mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-se de ti para me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a Devoção ao meu Imaculado Coração. A quem a abraçar prometo a salvação e serão queridas a Deus estas almas como flores postas por Mim a adornar o Seu trono.

Lúcia – Fico cá sozinha?

V.M. – Não, filha! E tu sofres muito? Não desanimes! Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus .

Da Memória IV : ” Foi no momento que disse estas palavras que abriu as mãos e nos comunicou pela segunda vez o reflexo dessa luz imensa. Nela nos vimos como que submergidos em Deus.  A Jacinta e o Francisco pareciam estar na parte dessa luz que se elevava para o Céu e eu na que se espargia sobre a terra. À frente da palma da mão direita de Nossa Senhora estava um Coração cercado de espinhos que parecia estarem-lhe cravados. Compreendemos que era o Imaculado Coração de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade, que queria reparação”.

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Livros aconselhados:

. Ir. Lúcia – Memórias da Ir. Lúcia

.  Fernando Leite – Jacinta de Fátima –  Editorial A.O., Braga, 1999

. Pe João M. De Marchi  (I.M.C.)- Era uma Senhora mais brilhante que o Sol –  Missões da Consolata, Fátima

. Fernando Leite – Francisco – Editorial A.O., Braga, 1986

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Ezequiel Miguel

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