Você sabe o que é a Missa ? – III

Correspondência entre a Missa e as fases da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo

Já se disse, em artigos semelhantes, que a Missa é um mistério que, como todos os mistérios que envolvem Deus, não está ao alcance da total compreensão da inteligência humana, podendo dizer-se a mesma coisa a respeito dos Santos, dos Anjos e dos demónios. Apesar disso,  temos sempre algo a aprender para melhor viver a Missa.

Na definição da Missa consta: “É o Memorial da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo,” entendendo-se por Paixão todo o sofrimento por que  passou Jesus na Agonia do Getsémani, na prisão, nos julgamentos, na flagelação e coroação de espinhos, nos insultos, cuspidelas, agressões, caminho para o Calvário, Crucifixão  e Morte. Um memorial é algo que se faz para perpetuar a memória de um acontecimento relevante ou de uma pessoa. Assim é também com o Memorial de que falamos. Mas este Memorial é mais do que isso. É também uma repetição viva da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, em que tudo acontece de novo, de uma forma mística, não cruenta, em que de novo Ele se oferece ao Pai pelas almas dos homens, derivando daí o nome de “Santo Sacrifício” que se atribui à Missa, porque Jesus se imola como a Vítima agradável ao Pai. Mesmo o Sacerdote celebrante está longe de compreender, entender cabalmente o Acto que se realiza através dele, embora não seja ele o protagonista principal, mas o próprio Cristo, Sacerdote e Vítima ao mesmo tempo e em simultâneo.

O Padre Pio de Pietralcina, frade Capuchinho italiano (25/05/1887 – 23/09/ 1968), já canonizado, foi talvez aquele a quem foi dado chegar mais fundo, mais alto e mais longe na compreensão deste  mistério da Missa e quem melhor a viveu e explicou. Assim, seguem-se as explicações contendo alguns elementos por ele fornecidos sobre os momentos da Missa que correspondem à Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo:

  1. Do sinal da cruz inicial até ao Ofertório – Com  a oração inicial, a Confissão, o Kyrie, o Glória, as leituras, o Salmo responsorial, a Homilia, o Credo, a Oração dos Fiéis, decorre a fase correspondente à estadia de Jesus no Getsémani, onde sofreu a terrível Agonia, da qual constaram a angústia, os tremores, o suor de sangue, a visão das avassaladoras ondas dos pecados humanos passados, presentes e futuros. É nesta fase da Missa que imaginamos Cristo em sua Agonia a sofrer pelos nossos pecados…Acompanhamo-Lo pela Confissão, pelo arrependimento, dizendo a todos que somos pecadores e pedindo perdão uns aos outros, a Deus, aos Anjos e aos Santos. Nas leituras, salmo, homilia, ouvimos o que Deus nos diz directamente sobre o que devemos fazer, como devemos pensar, louvar, agradecer, viver,…tudo em união com Cristo, que está lá no Getsémani intercedendo por nós. É nesta fase da Liturgia da Palavra que podemos inserir o conselho/mandamento que o Pai nos dá: “ Este é o Meu Filho muito amado. Escutai-O!”
  2. O Ofertório –  Corresponde ao oferecimento que Jesus fez de Si mesmo ao Pai (Faça-se a Tua Vontade). É a hora de confirmar o seu “Quero  continuar e seguir com isto até ao fim”! É nesta fase que se espera que façamos, à semelhança de Cristo, a oferta da nossa vida, com tudo o que ela tem de bom e de mau, oferecendo também a submissão da nossa vontade à Vontade do Pai, na disposição de fazer o que Ele manda e de aceitar tudo o que Ele permitir que nos aconteça, numa oferta total como aquela que Cristo fez ao Pai. É o momento de manifestar a Deus a nossa disposição de continuar (ou de começar) a aceitar tudo o que possa incluir-se naquele conjunto de problemas a que chamamos a cruz de cada um, nada nos impedindo, porém, de solicitar a Deus que a torne um pouco menos pesada…mas acrescentando: “Não se faça minha vontade, mas a Vossa”! É o momento de nos despojarmos de tudo o que nos afasta de Deus e do cumprimento da Sua Vontade soberana a nosso respeito. Nesta oferta vai tudo o que somos, tudo o que temos, tudo o que fazemos, as nossas intenções, as nossas fraquezas, os nossos anseios, as nossas frustrações, os nossos desejos de melhorar…, de evitar o pecado, de viver mais santamente,…e até os nossos pecados, para que sobre eles venha um sincero arrependimento que os dilua na misericórdia divina. Mas não esqueça: arrependimento sem Confissão sacramental nada garante!
  3. O Prefácio ( fase que termina no Sanctus) é o canto de louvor e agradecimento que Jesus dirige ao Pai por Lhe ter permitido chegar a esta etapa, o princípio do fim da Sua obra redentora a favor dos homens. Nesta fase da Missa unimo-nos a Cristo no Seu canto de louvor e agradecimento ao Pai por tudo o que sejam favores, auxílios, graças materiais e espirituais, provações, dificuldades, sofrimentos…enfim, tudo o que até nós chegou de bom e de mau na nossa vida. Não é costume louvarmos e agradecermos pelas horas más, mas esta é uma oportunidade de nos unirmos a Cristo, que louva e agradece pelas fases dolorosas por que passa  na Redenção dos homens.
  4. Da Oração Eucarística ( após o Sanctus) até à Consagração – é a prisão, os insultos, o julgamento, a flagelação, a coroação de espinhos, a condenação à morte, o caminho da cruz. Imagine-se um daqueles que percorrem esse caminho e veja Cristo carregando a pesada cruz na subida para o Gólgota. Imagine e tenha a certeza que Ele vai ali expiando os seus pecados e os de todos nós. A imaginação permite-nos saltar da igreja para os locais da Paixão, Morte e Ressurreição e vice-versa, sem que ninguém se aperceba disso.  Inclui-se aqui o momento de lembrar os vivos e os defuntos pelos quais o Celebrante intercede :“Lembrai-vos daqueles que… e lembrai-Vos também …” É também o momento de nós nos lembrarmos dos nossos vivos e dos nossos defuntos e de rezarmos por eles, familiares, amigos, estranhos ou inimigos que estejam ainda no Purgatório. Nada como a Missa pode aliviar e encurtar o seu terrível sofrimento pelo qual eles nada podem fazer. Tal como aos condenados ao inferno, a vontade própria (livre arbítrio) foi-lhes retirada, ficando totalmente dependentes dos meios espirituais da Igreja e seus membros que por eles intercedem. Em todas as Missas é dever nosso lembrar os nossos familiares ( e outros) do Purgatório. Um dia, eles agradecerão e intercederão em nosso favor. Sem os sufrágios da Igreja, muitas almas do Purgatório estariam lá até ao fim do mundo, tal como Nossa Senhora revelou em Fátima, na primeira Aparição, a propósito da recém falecida Amélia.
  5. A Consagração – É a própria Crucifixão, em que Jesus entrega aos homens o Seu Corpo e  o Seu Sangue, alimento vivo para as almas. Quando o Celebrante proclama: “Mistério da Fé”, a Igreja põe nas nossas bocas: “Anunciamos, Senhor, a Vossa Morte, proclamamos a Vossa e Ressurreição… !”
  6. A Elevação da Hóstia – O gesto da Elevação da Hóstia pode corresponder ao momento em que a cruz, já com Jesus crucificado, é levantada e todos O podem ver : “Eu, quando for erguido da terra, atrairei todos a Mim” (Jo  12, 32) e “Olharão para Aquele que trespassaram” (Jo 20, 37).
  7. Oração litúrgica após a Consagração – Corresponde ao tempo em que Jesus  esteve suspenso na  Cruz. Podemos vê-LO  e ouvi-LO a oferecer-nos a Sua Mãe (Filho, eis aí a tua Mãe), a entregar-nos à Sua própria Mãe ( Mãe, eis aí o Teu filho), a pedir perdão para os algozes e todos aqueles que contribuíram para aquela situação (Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem), a prometer a Dimas o paraíso (Hoje mesmo estarás Comigo no Paraíso), a  revelar a Sua sede de almas (Tenho sede), a revelar quanto Lhe custou o abandono do Pai (Pai, porque Me abandonaste?), a alegrar-se por a grande obra da Redenção ter chegado ao fim (Tudo está consumado).
  8. Por Cristo, com Cristo e em Cristo… – Corresponde ao grito de Jesus anunciando a sua morte – “ Pai, nas Tuas mãos entrego o meu espírito”.  É o momento do Pai-Nosso, em que os homens são convidados a sentirem-se unidos como irmãos em Cristo e filhos do mesmo Pai, após o  Seu sacrifício consumado. O espírito de Cristo é oferecido ao Pai e o Seu Corpo e Sangue são oferecidos aos homens para que eles se sintam unidos entre si e reunidos ao Pai em Cristo.
  1. Quando o sacerdote parte a Hóstia – É o momento da Morte de Jesus, o momento em que o Corpo e o Sangue de Jesus se separam de vez. O Seu grito “Pai, nas Tuas mãos entrego o meu espírito” marca o momento exacto da morte. O Sangue verte-se para a terra e o Corpo é também entregue à terra. É o corte completo com a vida, a fractura, a separação do Corpo e do Sangue. É isso a Morte.
  2. Quando o sacerdote deixa cair no Cálice uma partícula da Hóstia – É o momento da Ressurreição, momento em que o Corpo e o Sangue de Cristo estão de novo reunidos no Corpo total, vivo, que vai ser comungado.
  3. Comunhão – É Cristo vivo, na Sua Alma, no seu Corpo, no seu Sangue, na sua Humanidade, na sua Divindade, a entregar-se  como alimento num banquete divino, algo que somente na Terra se oferece àqueles que se apresentam com veste branca nupcial. Recorde-se a Comunhão dada pelo Anjo de Portugal aos Pastorinhos, na Loca do Cabeço, em que da Hóstia caíam gotas de Sangue para dentro do Cálice. É o Cristo ressuscitado, vivo, inteiro, a oferecer-se como alimento das almas, Penhor de Vida Eterna para aqueles que O comem e bebem dignamente e garantia de condenação para aqueles que O comem e bebem indignamente, isto é, em pecado grave: “Quem come e bebe o Corpo do Senhor indignamente come e bebe a própria condenação, não discernindo o Corpo do Senhor” (1 Cor. 29).
  4. A Acção de Graças – É o encontro pessoal de cada um com Cristo vivo, semelhante àquele em que os Apóstolos O viram e dialogaram com Ele após a Ressurreição. É o momento de Lhe dar as boas-vindas, de louvar, pedir, agradecer, oferecer, dialogar com o próprio Deus vivo presente na alma humana.
  5. A bênção final (despedida) –  O Celebrante abençoa os fiéis com o Sinal da Cruz, porque este Sinal é um distintivo indelével que também actua como escudo protector contra a acção de Satanás. É o convite de Cristo transmitido à Madalena: “Vai e diz aos Meus irmãos que se ponham a caminho da Galileia. É lá que os espero para darem testemunho da Minha Ressurreição:…Ide…pregai, …expulsai os demónios … baptizai…em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.” É o convite que se nos faz de viver a Missa fora da igreja e dar o testemunho que se espera de todo o fiel discípulo de Cristo.

Posto isto, quando estiver na Missa, sirva-se da imaginação e acompanhe Cristo na Sua Paixão, Morte e Ressurreição, pois ela realiza-se de novo em cada Missa, não sendo apenas uma comemoração. Se assim fizer, terá poucos motivos para se distrair e ficar à espera que a Missa acabe quanto antes… Também não se lembrará de olhar para o relógio ou de pensar no que vai cozinhar para o almoço… Mistérios são mistérios, algo que não se discute, mas se aceita ou se rejeita. É uma questão de crer ou não crer, uma questão de fé católica ou de falta dela. Viva a Missa de forma diferente e passará a apreciá-la melhor, pois nela se realiza o acto mais importante em que o Homem pode participar.

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Ezequiel Miguel

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Você sabe o que é a Missa? – I

Muitos responderão, primeiro que tudo e antes de mais nada: “ É uma seca”! Mas quero aqui demonstrar-lhe que não é! Se houver uma seca, será na mente, na vida  e na atitude de quem vai à missa por ir, porque tem de ir, porque sempre foi, porque fica mal não ir, porque, se não for, causa problemas a si próprio, porque faz parte das festas, porque se anda em qualquer Movimento da Igreja e…tem de ser, porque, indo à missa, se poderá esconder uma vida de pecado, porque se tem de mostrar aos outros que se vai,  porque é necessário deitar aos outros poeira nos olhos, para que eles não desconfiem de certos comportamentos pecaminosos, porque o Padre diz uma missa gira, onde se batem palmas e se cantam coisas modernas, porque,…porque,…

Fica já assente que ninguém, a não ser Deus, compreende na totalidade o que é a Missa, nem mesmo os Santos do paraíso e os Anjos, daqueles de hierarquia mais baixa até aos Querubins e Serafins, que pertencem às hierarquias mais elevadas.

Mas isso não nos impede de saber e compreender minimamente o que é a Missa, tanto quanto a inteligência humana é capaz de abarcar e assimilar e tanto quanto alguém nos consegue fazer ver as coisas, sem deturpar nada e sem torcer ou retorcer.

Diz a Igreja no Catecismo da Igreja Católica, nº 1323: “O nosso Salvador instituiu, na Última Ceia, na noite em que foi entregue, o Sacrifício Eucarístico do Seu Corpo e Sangue, para perpetuar, pelo decorrer dos séculos, até voltar, o Sacrifício da Cruz, confiando à Igreja, Sua Esposa amada, o Memorial da Sua Morte e Ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal em que se recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é concedido o penhor da glória futura.” (SC 47)

Sacrifício Eucarístico – É outra expressão para designar a Missa, designando-se também por Santo Sacrifício, Banquete do Senhor, Fracção do Pão, Assembleia Eucarística, Memorial da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, Sagrada Liturgia, Santa Liturgia, Comunhão, Santa Missa, Santos Mistérios, Ceia do Senhor, Eucaristia. Cada um destes nomes exprime a faceta que se quer realçar quando se fala ou escreve a respeito da Missa. Porque se lhe chama “Sacrifício”? Temos que voltar atrás no tempo! Antes de Cristo foi dada ao povo Hebreu, através de Moisés, a Lei a que chamamos a Lei de Moisés, a Lei do ( Monte) Sinai, que é uma montanha que faz parte do Monte Horeb, no deserto entre o Egipto e o actual Israel. Essa Lei, que vai de Moisés até Jesus Cristo, abarca cerca 2.000  anos e está expressa na Bíblia, assim como as pessoas e os episódios que lhe estão associados. A Lei não era da autoria de Moisés, mas é da autoria do próprio Deus-Pai, ficando Moisés a autoridade máxima e o Guardião da Lei, enquanto viveu. Encontra tudo isto nos livros da Bíblia: Êxodo, Levítico, Números e Deuteronómio..

Após 400 anos de escravatura no Egipto, cerca do ano 1250 A.C., Deus chamou Moisés e seu irmão Aarão para comandar a libertação do povo hebreu, o que aconteceu após o Faraó ter finalmente autorizado a saída, vergado pelas 10 Pragas do Egipto. Na última noite da escravidão foi dada a Moisés a mensagem que ordenava:  Todas as famílias deveriam comer um cordeiro de um ano,  sem defeito, sem se lhe partir qualquer osso e recolher o sangue para com ele pintar  as soleiras  e o dintel das portas com o seu sangue. Dessa refeição faziam parte o pão ázimo (sem fermento), o vinho e ervas amargas, para lembrar o amargor da escravidão. Naquela noite um Anjo passaria (e passou) em frente de todas as portas de entrada das casas do Egipto. Aquelas que estivessem assinaladas com o sangue do cordeiro seriam poupadas, nas outras haveria dor e lágrimas para chorar a morte de todos os varões primogénitos do Egipto e ainda os primogénitos dos animais. E assim aconteceu. Era a Páscoa, a Passagem da escravatura à liberdade. E Deus ordenou que esta Páscoa (Passagem) se comemorasse de geração em geração.

Uma vez passado o Mar Vermelho, os hebreus acamparam na base do Monte Sinai e no alto deste monte foi dado aos homens o Decálogo, que traduzimos por Os Dez Mandamentos. Á medida que a travessia do deserto prosseguia, Moisés, inspirado por Deus, foi legislando e acompanhando de perto a vida do seu povo, lançando as bases da convivência com leis civis, leis militares e leis religiosas para presidir ao culto que o próprio Deus instituía. É aqui que entram em cena os sacrifícios (mortes) de animais, os quais  não deveriam ter defeitos, porque eram oferecidos a Deus. Os animais  eram colocados sobre  uma pira de lenha, onde ardiam até serem totalmente consumidos, após serem mortos e se ter recolhido o seu sangue para com ele aspergir o altar e também o povo, depois de convidado ao arrependimento. A vítima substituía a pessoa que oferecia o sacrifício. Era assim que se fazia um sacrifício, o qual incluía sempre  a oferta de um animal (vítima) ou de produtos da terra (oferenda). A finalidade dos sacrifícios poderia ser uma ou mais  das seguintes:  louvar a Deus, agradecer, pedir, interceder para pedir perdão e expiar pelos pecados da pessoa ou do povo em geral e desagravar Deus pela ofensas recebidas (Reparação). A vítima acabava sempre destruída, para significar que Deus é o Senhor de tudo e de todos e para que ninguém fosse servir-se de uma coisa que tinha sido oferecida a Deus.

Há quem leia o Antigo Testamento e diga que não percebe nada daquilo. Convém saber que no Antigo Testamento está o anúncio do Novo, tanto em acontecimentos, como em pessoas, factos,  profecias e Lei de Deus. Estão no Antigo Testamento as referências ao sacerdócio, às vestes sacerdotais, ao culto, ao pecado, às  figuras da Virgem Maria, de João Baptista, da Igreja, de Jesus Cristo e Seu nascimento, pregação do Reino, Sacramentos, instituição da Eucaristia, da Missa, Paixão, Morte e Ressurreição. Na parte que agora nos interessa, João Baptista anunciou O Messias dizendo:” Eis o Cordeiro de Deus, Aquele que tira os pecados do mundo”. O Apocalipse trata Jesus Cristo como “o Cordeiro”, sentado num trono à direita do Pai e abrindo o Livro onde estão inscritos os eleitos que lavaram (e vão lavando) as suas vestes no Sangue do Cordeiro. O que quer isto dizer? Foi pelo derramamento do Sangue de Cristo (o Cordeiro), em consequência da sua imolação como Vítima, que Jesus Cristo instituiu os Sacramentos, dos quais os eleitos do Paraíso aproveitaram para lavar as suas vestes ( almas) e outros continuarão a fazer o mesmo. As vestes foram, são e serão lavadas pelo Baptismo, pela Penitência (Confissão), pela Eucaristia, pelo martírio, por um acto de arrependimento perfeito (contrição), seguida de Confissão sacramental, para quem seja obrigado a isso e o possa fazer.

O Cordeiro (Cristo) é imolado, oferecido no Calvário ao Pai como Vítima santa, imaculada, sem defeito, sem mancha, exactamente para morrer em vez de todos os homens e expiar por eles a dívida contraída em consequência do pecado original e de todos os outros pecados que já se tinham feito, que se faziam, que se  fazem hoje e se farão até ao fim do mundo.Esse Sacrifício ( morte violenta de Cristo-Vítima)  ocorrido no Calvário fez-se uma só vez, de uma maneira cruenta, mas ele continua a realizar-se, agora de maneira incruenta, mística, invisível, quase incompreensível, mas verdadeira, num outro plano que nos ultrapassa.

E chegámos à Missa!  Já terá ouvido dizer àqueles que não vão à missa, que já a deixaram ou que nunca a aceitaram, que a Missa foi inventada pelos padres para arranjarem dinheiro. Isto tem a cor de uma blasfémia, de uma insolência, de uma  crassa ignorância, de um inqualificável atrevimento, de um insulto, de um desprezo… Todos os demónios sabem aquilo que essas pessoas não querem saber! Vamos distinguir entre Missa e Eucaristia.

A Eucaristia (transformação da pão e do vinho no Corpo de Cristo, fenómeno a que se dá o nome de Transubstanciação) realiza-se dentro da Missa e foi o próprio Cristo, na Última Ceia, que realizou ambas e ordenou aos Apóstolos que fizessem o mesmo. Antes disso, porém, ordenou-os Bispos e eles ordenaram sacerdotes e bispos até aos tempos de hoje. Assim, qualquer bispo da Igreja Católica validamente ordenado faz parte de uma cadeia que vai até um dos Apóstolos presentes na Última Ceia.

A Missa contém várias partes, sendo a primeira apenas preparatória e catequética, onde se convida ao arrependimento dos pecados e ao pedido de perdão a Deus, constando dela o” Kyrie    eleison” (Senhor, tende piedade de nós), as leituras, o Salmo responsorial, o Glória, a Homilia, o Credo. A esta primeira parte chama(va)-se a Missa dos Catecúmenos. A partir daí começa a 2ª parte, com uma série de orações que vão subindo de intensidade até chegar à Consagração, cujas palavras (as mesmas de Cristo) realizam o que significam: “…Tomai e comei ; isto é o meu Corpo, que vai ser entregue por vós! …Tomai e bebei, isto é o Meu Sangue, que vai ser derramado por vós para remissão dos pecados!…Fazei isto em memória de Mim!” Após estas palavras, o sacerdote eleva a Hóstia e o Cálice e, se ele foi  validamente ordenado e teve a intenção de fazer o que faz a Igreja, acontece a Eucaristia, o Santíssimo Sacramento,  a Hóstia Santa, Imaculada, o Corpo de Cristo, o Cordeiro Imaculado, o Cristo total em Corpo, Alma e Divindade, tão real e perfeitamente como está no Céu! É o Mistério sacrossanto, o  Mistério inefável (inexprimível), o Mistério dos Mistérios, o Mistério da Fé! O ritual da Missa prossegue com a 3ª parte até ao fim, passando pelo momento da Comunhão e Acção de Graças. À Comunhão  só deve ir quem estiver devidamente preparado. Assim se satisfaz a ordem, o mandamento, o convite, a oferta de Cristo e se cumprem as profecias que Ele fizera e que constam do capítulo 6 do Evangelho de S. João: “ A minha carne é verdadeira comida e o meu Sangue é verdadeira bebida…  Quem come a Minha carne e bebe o Meu Sangue tem a Vida Eterna …Eu sou o Pão vivo descido do Céu…”, etc. Parte-se do princípio que as pessoas que vão comungar o fazem na graça de Deus, sem pecado grave, em situações conformes às leis de Deus e da Igreja. Em situações de casamento civil, de vida com amantes, de uniões de facto, de divórcio partilhado com outra pessoa que não o cônjuge, homossexualidade, adopção de seitas,…ou de qualquer pecado grave,  pessoas não baptizadas, etc., não deverão apresentar-se à Comunhão. Em conclusão, todos aqueles que não estejam em união plena com a Igreja e com tudo o que ela propõe, defende e ensina. Se o fizerem, cometem um sacrilégio e, segundo S. Paulo, “comem e bebem a própria condenação”.

Então, a Missa tem três  facetas e funções importantíssimas que definem o que realmente ela é.  1ª – Porque Cristo disse: “Fazei isto em memória de Mim”, a Missa é o Memorial da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, isto é, a Comemoração de um acontecimento grandioso, à semelhança daquela Páscoa Hebraica em que se deu a libertação da escravidão do Egipto; – Esta faceta é absolutamente misteriosa, desenvolvida no nível místico, não visível aos nossos olhos e consiste nisto: Repete-se totalmente o drama do Calvário, com a Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, o Qual se oferece de novo ao Pai como Vítima expiatória pelos pecados dos homens. 3ª – As Hóstias consagradas na Missa servem para a Comunhão do Celebrante e dos fiéis, mas também para ficarem presentes  no Sacrário, onde Cristo espera por Adoração Eucarística e também para serem levadas  aos moribundos e outros doentes incapacitados de se deslocarem à igreja. É aqui que está o outro grande Mistério e eis porque cada Missa é simultaneamente as três coisas: Memorial  (Aniversário, Comemoração), Repetição ao vivo, embora invisível, e Presença de Cristo. Posto isto, vem a pergunta: Será isto uma “seca”? Se houver uma “seca”, será da parte de quem está presente sem saber bem o que está ali a fazer e porquê! Esses serão a grande maioria, por falta de catequese profunda sobre estes mistérios. Daí,  o convite que lhe faço de se esclarecer, lendo e relendo o que aqui deixo escrito.

Também é caso para perguntar, perante tantas novidades e abusos que se cometem por todo o lado, até nas coisas mais santas e sagradas, se, estando nós presentes na Crucifixão e Morte de Cristo, nos atreveríamos a cantar canções religiosas, bater palmas, tocar umas guitarradas, cantar umas músicas de espantar pássaros, desatar para ali a dançar e a beijocar! Não acredito que os Anjos, presentes em todas as Missas, o façam! Então, o que se aconselha? O cântico litúrgico, as músicas aprovadas, as letras aprovadas e se possível retiradas dos Salmos,  hinos bíblicos ou outros propostos pela Igreja, instrumentos aprovados,… para que não se confunda a Missa com qualquer festival da canção religiosa. Requerem-se ainda atitudes de concentração, devoção e máximo respeito pelo maior acontecimento que se realiza sobre a Terra: a Missa!

Posto isto, aqui vai uma definição resumida  do que é a Missa: A Missa  é o Sacrifício (Morte com derramamento de Sangue) do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo que, sob as espécies do pão e do vinho, é oferecido pelo sacerdote a Deus no altar, em memória e renovação do Sacrifício da Cruz ocorrido no Calvário.

Definição de Eucaristia: A Eucaristia é o sacramento que, sob as aparências do pão e do vinho, contém realmente o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo para alimento das almas.

Não há Missa sem Sacerdote e sem Eucaristia e ambas somente se realizam através de um Sacerdote validamente ordenado, tendo ele a intenção de fazer o que faz a Igreja Católica. Por isso, a cerimónia semelhante oferecida por seitas protestantes, nomeadamente as evangélicas, não é Missa nem Eucaristia, por muito parecidas que sejam, sendo antes um arremedo, uma paródia, um atrevimento, tudo blasfemo, de algo sagrado acima de tudo o que é sagrado. Eles pretendem comemorar a Última Ceia de Cristo, mas ignoram (ou rejeitam) que essa Ceia não foi simplesmente um jantar para despedida de alguém que vai partir. Foi muito mais do que isso, infinitamente mais!

Qual a função do Sacerdote? O verdadeiro e único Sacerdote aqui é Jesus Cristo, que também é a Vítima, por isso, é Ele mesmo que, como Sumo Sacerdote e Vítima, se oferece ao Pai, através de um intermediário humano, que é o Sacerdote, Ministro de Deus, por desempenhar funções em nome de Jesus Cristo.

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Ezequiel Miguel

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Se não comerdes a minha carne… (Cf. Jo 6, 53)

supperVenha comigo até um dia em que Cristo entrou na sinagoga de Cafarnaum e fez um discurso explosivo, nunca pronunciado nem ouvido por ninguém.  Nunca nada se ouvira de semelhante, desde que o Mundo é Mundo. Foi o discurso chamado Eucarístico. Pode lê-lo no capítulo 6 do Evangelho de S. João.

Dispamos  a nossa  condição de pessoas nascidas no século 20 e vejamo-nos um dos judeus que ouviam Jesus. Imaginemos um Homem (a divindade de Cristo não era visível) dizendo coisas como estas:”Eu sou o pão da vida…eu sou o pão descido do Céu…o Pão de Deus é Aquele que desce do Céu e dá a vida ao mundo…Quem vem a mim, nunca mais terá fome e o que crê em Mim nunca mais terá sede…Desci do Céu para fazer a vontade de meu Pai…Quem vê o Filho e Nele crê tem a vida eterna…Eu sou o pão vivo descido do Céu…O pão que eu darei é a minha carne, para a vida do mundo…Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o Seu sangue, não tereis a vida em vós…Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia, pois a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele…Aquele que se alimenta de Mim viverá por Mim…Quem come este Pão viverá eternamente” (Jo, 6, 32-58).

Foi demais! Não será difícil imaginar o que aquela gente toda terá pensado e dito perante tal atrevimento, que parecia vir de um homem transtornado, demente, louco, visionário, atrevido…brincando com coisas sérias e parecendo fazer dos ouvintes uns idiotas a acreditar em algo impossível. Um israelita transformar-se num vampiro, num canibal, num Drácula a beber sangue… Os Evangelhos são parcos em revelar e descrever as reacções dos ouvintes a este discurso de Cristo. Apenas deixam adivinhar o que se terá passado, quando registam as sentenças dos fariseus e alguns discípulos: “Esta palavra é dura, quem pode escutá-la?…A partir daí muitos discípulos voltaram atrás e não mais andavam com Ele” (Jo 6,59-66).

 Cristo viu-se então sozinho com os Seus Apóstolos e estava disposto a ficar sem eles, caso lhes faltasse a fé no Messias, mas já tinham presenciado os seus milagres e ficaram todos, mas só eles. Os que O abandonaram foram incapazes de reconhecer Nele o Messias prometido e anunciado séculos antes pelos profetas. Quanto a esse discurso Eucarístico já o profeta Isaías se referia a ele sete séculos antes. “ Todos vós que tendes sede, vinde à nascente das águas; mesmo os que não tendes dinheiro, vinde, comprai pão, vinho…sem pagar. Porque gastais o vosso dinheiro naquilo que não alimenta?…” ( Is. 55, 1-2 ).

Nós fomos dos que ficaram… e continuámos a segui-LO, sem nunca termos pensado em renunciar a Ele nem à Sua doutrina nem à Sua Igreja, até hoje. Ele cumpriu todas aquelas promessas na Última Ceia e garantiu que isso se faria até ao fim dos séculos, por isso, está tudo em vigor, para os que acreditam  naquelas Palavras de Jesus, pronunciadas pelo sacerdote na missa: “Isto é o meu Corpo…Isto é o meu Sangue…entregue por vós”. Todo aquele discurso de Cristo tem realização concreta, objectiva, real, verdadeira, plena,  na força omnipotente da fórmula da Consagração, que usa as próprias Palavras de Cristo: “Isto é o meu Corpo, tomai meu Sangue, tomai e bebei e comei…Isto é o …”

Como de Deus não pode vir erro nem mentira,  acreditamos naquilo que a Igreja nos ensina a este respeito: que a Hóstia consagrada e o Vinho consagrado só são pão e vinho nas aparências e que eles passaram a ser (mistério que só Deus entende cabalmente) o Cristo total, tão realmente, tão perfeitamente, tão substancialmente como está no Céu, com todo o Seu poder, glória e majestade, na Sua Humanidade, na Sua Alma e na Sua Divindade (Cf. Catecismo da Igreja Católica, nº 1374). Assim prometeu ficar connosco até ao fim dos séculos. Este é o “Mistério dos Mistérios”, o Mistério da Fé, que o sacerdote proclama logo a seguir à Elevação. Acreditamos que é assim? Então é o momento de o  proclamar a nós e aos outros…ali na missa  e na prática da vida. Nós não vemos lá os Anjos, mas eles estão lá, em permanente adoração onde houver uma Hóstia consagrada. Como nós não deturpamos as Palavras de Cristo nem as suas intenções nem aquilo que a Igreja nos ensina, não vamos pensar e muito menos dizer ou ensinar que Cristo está no pão, à maneira de um hamburger numa sanduíche, pois isso é grosseira heresia, a que se dá o nome de empanação, mesmo que saia da boca de quem nunca deveria sair.

Fortaleça a sua Fé na Eucaristia, recitando com alma e convicção aquela fórmula que o Anjo ensinou aos Pastorinhos de Fátima :” Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam. Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da Terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores”.  Logo após a Consagração deixe que do mais profundo da sua alma saia este monumento à Fé Eucarística: “Meu Senhor e meu Deus!”, proclamado pela primeira vez por S. Tomé. Que Deus é o nosso que está sempre entre nós e se faz nosso alimento e que criatura é o homem para se alimentar do próprio Deus? Mistério do seu Infinito Amor por nós!

Posto isto, a nossa Fé na Eucaristia terá que dar faíscas, sinal de que há lá energia. Como vamos fazer as genuflexões, como vamos comportar-nos na igreja, como nos preparamos para a Comunhão, como A recebemos?  Como damos graças? Vamos em pecado grave ou com muitos pecados leves? Se pertence ao sexo feminino… vai semi-vestida ( ou semi-despida), decotada, braços nus e costas semi-nuas?  Aplica-se a todos o que S. Paulo diz na sua 1ª Epístola aos Coríntios:  “ Quem come e bebe o Corpo do Senhor indignamente ( em pecado grave), come e bebe a sua própria condenação, não discernindo o Corpo do Senhor. Examine-se pois cada um a si próprio…”( 1 Cor 11, 23-32).

Deus é pureza absoluta , por isso, exige que quem comunga o faça  no estado mais puro possível, pelo menos sem consciência de pecado grave. Sentindo-se em pecado grave…não se mexa do lugar. Comete outro pecado se for comungar. Para o caso de pecados veniais e faltas mais leves aconselha-se antes a recitação do Acto de Contrição ( Arrependimento) bem sentido lá no fundo do coração. A própria Comunhão apaga faltas menos graves. Para pecados graves exige-se a Confissão sacramental e a correcção do estado de pecado contínuo  e/ou público.

Acha que de Deus pode vir hepatite C ou Sida? Se não acha, comungue na língua.  João Paulo II não dava a ninguém a Comunhão na mão e  Bento XVI dáva-A na língua a comungantes de joelhos. Era assim que se fazia antes do Vaticano II e assim deveria voltar a fazer-se. Nenhum dos contra argumentos é válido, por não estar de acordo com a presença real de Cristo na Eucaristia. Só que estas coisas têm de partir de cima para baixo…

Quanto ao momento da Comunhão, faço-lhe uma proposta: Observe a fila da Comunhão e compare-a com uma fila do pão em qualquer padaria. Nota alguma diferença? Eu ajudo! Na fila do pão… as pessoas vão avançando…de pé.…chega a sua vez,… pedem o que querem,… recebem com as mãos, seguram, pagam, algumas comem logo ali um papo-seco ou arrancam um bocado…e vão-se embora. Na fila da Comunhão  fazem o mesmo…só não pagam….e algumas até levam para casa… para bruxarias ou para vender…para missas negras. Então, as pessoas da fila da Comunhão mostram a alguém que acreditam naquilo que vão fazer? Acreditam mesmo que vão receber o Corpo de Cristo? Por acaso fazem um gesto de Adoração ajoelhando, fazendo uma genuflexão bem feita, uma vénia profunda (para os que já pertencem à brigada do reumático ou outra deficiência física…), recebem o Senhor na língua? Na fila do pão vemos meninas, jovens, senhoras  curtamente vestidas…como é próprio de um ambiente profano, mas vemos algumas indignamente vestidas nas liturgias dominicais, na fila da Comunhão, na administração dos Sacramentos do Baptismo, do Crisma, da Eucaristia, do Matrimónio. Então? Como provam, a eles (elas) e aos outros, que acreditam? Como testemunham que a sua fila não é a fila de uma padaria? Estas atitudes pertencem ao grupo das indiferenças, faltas de sensibilidade e delicadeza, que magoam, ferem, hostilizam Deus, por falta de respeito, evidente falta de Fé, exibicionismo de vaidade pecaminosa… e muito mais.

Assunto para meditar!

Leituras aconselhadas:  O Milagre de Lanciano ( procure nas livrarias ou no Google)

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Ezequiel Miguel

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Artigos relacionados:

. Também vós quereis ir embora? (Cf. Jo 6 )

. Instituição da Eucaristia

. Corpus Christi

. A Ceia da Despedida

. Comunhão na mão?…Não!

. Comunhões bem feitas

. Comunhões mal feitas

. A martelada Eucarística

. Sola Fide, sola Scriptura? – I

. Sola Fide, siola Scriptura ? – II

. Sola Fide, sola Scriptura? – III

. Você sabe o que é a Missa? – I

. Você sabe o que é a Missa? – II

. Você sabe o que é a Missa? – III

Aparições da Virgem Maria em Fátima – II

13 de Junho de 1917

 O dia 12 de Junho era véspera da festa de Santo António, padroeiro de Fátima, marcado pela azáfama de preparar a festividade, mas o dia 13, dia consagrado ao santo, era também o dia escolhido por Nossa Senhora para a 2ª aparição na Cova da Iria. No dia 12, à noite, a Jacinta  e o Francisco bem insistiram com os pais para que os acompanhassem  à Cova da Iria, ao encontro da Senhora, como Ela havia prometido. Mas esse  pedido  colocava-os perante um dilema, que tinha de ser resolvido de algum modo e do modo considerado mais seguro.

 Perante o receio de um estrondoso fiasco, caso a Senhora falhasse o Encontro,  o Ti Marto e a D. Olímpia, após uma séria reflexão, com  tudo bem contado,  pesado e medido, resolveram ir à feira das Pedreiras (Porto de Mós) logo de manhã cedo, para comprarem uma junta de bois, deixando as crianças ainda a dormir, facto que agradou ao Francisco e à Jacinta, por se sentirem livres, ao acordarem, de qualquer pressão que tentasse desviá-los da Cova da Iria. Assim se livrariam os pais da vergonha de nada acontecer na Cova da Iria, ficando também a salvo de uma hipotética rebelião popular contra eles e contra as crianças, nas quais ainda quase ninguém acreditava, nem mesmo D. Olímpia e muito menos D. Maria Rosa dos Santos, a mãe de Lúcia, que era a mais acérrima opositora, e que se desfazia em angústias, lamentos, desgostos e lágrimas perante o que ela dizia serem as mentiras da Lúcia. Ninguém mais do que ela  desejava  que a Senhora não aparecesse e que houvesse uma revolta contra todos os embustes, falsidades, invenções, mentiras e seus agentes. Seria o grande dia da reconciliação da família com a verdade e D. Rosa veria finalmente a paz em casa e na sua consciência. Assim o pensava ela, mas, para seu sofrimento, tudo lhe saiu ao contrário. Os pais de Francisco e Jacinta também temiam que os seus filhos fossem vítimas de violência  por parte de mirones  frustrados e enraivecidos, caso tudo aquilo desse num fracasso. Indiferente ao que pudesse acontecer à Lúcia figurava  sua mãe, que estava convencida de que ela mereceria o que lhe acontecesse, se algo acontecesse, para não andar com aquelas mentiras todas, a que já era tempo de por cobro de uma vez por todas.

Tanto os pais do Francisco e da Jacinta como a mãe de Lúcia tudo fizeram para os entusiasmar a irem antes à festa de S. António, em Fátima, que continha missa com sermão, procissão, música e foguetes e outras coisas mais que suscitam o entusiasmo das crianças, tudo pensado e feito para fazer esquecer a Cova da Iria. Durante o tempo que medeia entre 13 de Maio e 13 de Junho houve em ambas as casas um conluio de silêncio sobre as Aparições, na tentativa de que eles esquecessem por completo o 13 de Junho, data da próxima Aparição da Senhora, de nada valendo também o argumento de que a Senhora não viria. À hora marcada lá estavam eles junto à grande azinheira, que ainda hoje lá está, à espera do relâmpago que anunciava a vinda da Senhora.

Das Memórias da Ir. Lúcia:

“Aí pelas onze horas, saí de casa, passei por casa de meus tios, onde a Jacinta e o Francisco me esperavam, e lá vamos para a Cova da Iria, à espera do momento desejado. Toda aquela gente ( mais de 50 pessoas) nos seguia, fazendo-nos mil perguntas” .

“Depois de rezarmos o Terço com as outras pessoas que estavam presentes, vimos de novo o reflexo da luz que se aproximava, a que chamávamos relâmpago, e em seguida Nossa Senhora sobre a carrasqueira, tudo igual a Maio.

Lúcia – Vossemecê que me quer?

Virgem Maria (V.M.) – Quero que venhais aqui no dia 13 do mês que vem, que rezeis o Terço todos os dias e que aprendais a ler. Depois direi o que quero.

Lúcia – Queria pedir-lhe para curar aquele doente …

V.M. – Se se converter, curar-se-á durante o ano.

Lúcia – Queria pedir-lhe para nos levar para o Céu.

V.M. – Sim, à Jacinta e ao Francisco levo-os em breve. Mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-se de ti para me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a Devoção ao meu Imaculado Coração. A quem a abraçar prometo a salvação e serão queridas a Deus estas almas como flores postas por Mim a adornar o Seu trono.

Lúcia – Fico cá sozinha?

V.M. – Não, filha! E tu sofres muito? Não desanimes! Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus .

Da Memória IV : ” Foi no momento que disse estas palavras que abriu as mãos e nos comunicou pela segunda vez o reflexo dessa luz imensa. Nela nos vimos como que submergidos em Deus.  A Jacinta e o Francisco pareciam estar na parte dessa luz que se elevava para o Céu e eu na que se espargia sobre a terra. À frente da palma da mão direita de Nossa Senhora estava um Coração cercado de espinhos que parecia estarem-lhe cravados. Compreendemos que era o Imaculado Coração de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade, que queria reparação”.

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Livros aconselhados:

. Ir. Lúcia – Memórias da Ir. Lúcia

.  Fernando Leite – Jacinta de Fátima –  Editorial A.O., Braga, 1999

. Pe João M. De Marchi  (I.M.C.)- Era uma Senhora mais brilhante que o Sol –  Missões da Consolata, Fátima

. Fernando Leite – Francisco – Editorial A.O., Braga, 1986

 .

Ezequiel Miguel

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Artigos relacionados:

. Aparições da Virgem Maria em Fátima – I

. Aparições da Virgem Maria em Fátima – III

. Aparições da Virgem Maria em Fátima – IV

. Aparições da Virgem Maria em Fátima – V

. Aparições da Virgem Maria em Fátima – VI

. 1ª Aparição do Anjo em Fátima – I

. 1ª Aparição do Anjo em Fátima – II

. 1ª Aparição do Anjo em Fátima – III

. 1ª Aparição do Anjo em Fátima – IV

. 1ª Aparição do Anjo em Fátima – V

. A mãe de Lúcia e as Aparições de Fátima

. A mãe de Lúcia – crer ou não crer

. Lúcia e o sr. Prior

. Interrogatório dos Pastorinhos

. Jacinta, o inferno e os pecadores

. Culpados…ou talvez não!

Ex-Protestante regressa à Igreja Católica

Por Jonathan Oliveira / 14 de setembro de 2012 / Em: Repórter de Cristo

Testemunho de André Silva

INTRODUÇÃO:  Nestes dias, em que se comemoram os 500 anos da reforma protestante, achei oportuno publicar o artigo que segue.O seu autor é um ex-protestante que dá aqui um valioso e corajoso testemunho, como normalmente acontece com aqueles que descobrem a luz, a beleza, a amaravilha divina que é a Igreja Católica, com todos os traços e marcas que Jesus Cristo, o seu  fundador divino, lhe deixou. Exactamente por ser obra divina, a sua compreensão está longe de ser abarcada pela inteligência humana, a qual não está preparada para penetrar naquilo que é Mistério. E a Igreja Católica é mesmo Mistério que nem os anjos nem os santos compreendem cabalmente.

Este testemunho é o mais elucidativo, completo e pleno de verdade que eu jamais li. Parabéns a este convertido, com votos  de que o seu entusiasmo e zelo apostólico nunca esmoreça e consiga abrir os olhos e as mentes daqueles que deixou para trás.  (E.M.)

Testemunho:

“ Eu, que por muitos anos frequentei igrejas evangélicas de diversas denominações, e por muito tempo fui enganado e explorado pelos seus pastores, dedico este testemunho a todos aqueles que se declaram “ex-católicos”, sem nunca terem sido católicos de fato, mas sobem aos púlpitos protestantes “evangélicos”, que eles, por pura ignorância, chamam de “altar”, para induzirem ao erro  os seus irmãos mais ingénuos.” – Se não há sacrifício não é e nem pode ser altar: só existe Altar na Igreja Católica.

Não creio que um dia tenham sido católicos os que depõem seus falsos testemunhos, dizendo que encontraram a salvação em alguma “igreja evangélica”, porque os verdadeiros católicos já encontraram Jesus e a Salvação na Igreja que Ele mesmo nos deu, e não podem abandonar a Comunhão com Deus, seu Criador e Salvador, a não ser que nunca tenham comungado, de fato,  o Senhor Jesus Cristo.

Enumero abaixo algumas razões por que deixei o protestantismo e retornei à primeira e única Igreja de Jesus Cristo.

1) O princípio “só a Bíblia” (Sola Scriptura)

Nada mais falso do que esse princípio! Os cristãos do primeiro século não dispunham de Bíblia. E nem os cristãos dos séculos seguintes. Na verdade, os cristãos só puderam contar com a Bíblia para consulta, como hoje, muitos anos depois da invenção da imprensa, que só aconteceu no ano de 1455. Então, será que o Senhor Jesus esperaria mais de um século e meio para revelar a Sua verdadeira doutrina para o mundo? Se assim fosse, Ele teria mentido, pois disse, antes de partir para o martírio, que estaria com a sua Igreja até ao fim do mundo (conf. Mateus 28, 19-20).

Além disso, para que a Bíblia fosse a única fonte de revelação, seria, no mínimo,necessário que ela mesmo se proclamasse assim; e não é o caso, pelo contrário. A Bíblia diz que a Igreja é a coluna e o sustentáculo da Verdade (1 Tim 3, 15), e não as Escrituras. Nela, Jesus Cristo diz ainda: “Vocês examinam as Escrituras, buscando nelas a vida eterna. Pois elas testemunham de Mim, e vocês não querem vir a Mim, para que tenham a Vida!”(João 5, 39-40).

Sim, a Bíblia diz que as Escrituras são ÚTEIS para instruir, mas nunca diz, em versículo algum, que somente as Escrituras instruem, ou que só o que as Escrituras dizem é que vale como base para a fé. Isso é uma invenção humana sem nenhum fundamento. E a Bíblia também diz que devemos guardar a Tradição (conf. 2 Tessalonicenses 2, 15 e 2 Tessalonicenses 3, 6, entre outros).
Contrariando a Bíblia, os “evangélicos” rejeitam a Tradição  (1)

2) O princípio “Só a fé salva”

A mesma Bíblia ensina que a fé sem obras é morta, na Epístola de Tiago (2, 14-26). A mesma Bíblia ensina que o cristão deve perseverar até ao fim, para ser salvo (Mt 24, 13). E ainda acrescenta que seremos julgados,todos, por nossas ações boas ou más. Existem várias passagens que dão conta de um julgamento futuro e, sendo assim, é falso que alguém aqui na terra já esteja salvo só porque “aceitou Jesus”. Não basta ir à frente de uma assembleia e dizer “Aceito Jesus como meu Senhor e Salvador” para ganhar o Céu. Não, não!

É preciso muito mais do que isso. Conversão não é da boca para fora: é preciso que cada um tome a sua cruz e siga o Senhor, que, aliás, nunca prometeu prosperidade para quem O seguisse.
Portanto, é totalmente mentirosa a afirmação de que basta ter fé para ser salvo. Ora, os demônios também crêem (Tiago 2, 19)

3) Lutero

Foi Martinho Lutero quem começou com as “igrejas” protestantes, que deram origem às “igrejas evangélicas” de hoje. Mas o que ele pensava é seguido apenas em parte pelos “evangélicos” de hoje.Eles seguem somente os princípios “Só a Bíblia” e “Só a Fé”. Embora Lutero seja o fundador de todas as igrejas evangélicas que existem hoje, porque não são todos luteranos? Na verdade, isso seria bem menos pior!…

Por outro lado, se reconhecem que Lutero é um homem falível, como é possível a um “evangélico” ter tanta certeza de que os princípios que ele inventou sejam dignos de confiança absoluta? Mais do que o que ensina a única Igreja que tem 2.000 anos e foi instituída diretamente por Jesus Cristo?

Mais: o próprio Lutero contestou o Papa e decretou que não se deve confiar num sacerdote. Mas ele mesmo era um ex-sacerdote católico. Então, se ele mesmo se descarta como pessoa confiável, quem é tolo suficiente para dar crédito ao que ele disse ou escreveu?

4) Subjetivismo religioso  I

Uma denominação evangélica não é igual a outra em matéria de fé. Isso é fato pois:

  • Umas batizam crianças, outras não;
  • Umas admitem o divórcio, outras o repudiam;
  • Umas aceitam mulheres como “pastoras”, outras não;
  • Umas praticam a “santa ceia”, outras não;
  • Umas ensinam que devemos guardar o sábado, outras não;
  • Algumas ensinam a teologia da prosperidade, outras a repudiam;

Por aí vai… Tem “bispo evangélico” por aí defendendo até o aborto, só porque a Igreja Católica é (claro) contra!

É comum ouvirmos frases como estas:

.“Nesta ‘igreja’ está o verdadeiro caminho”, ou

.“Deus levantou este ministério” ou ainda:

.“A tua vitória está aqui”.

Mais comum ainda é os “pastores” dizerem que as igrejas deles são “ungidas”… Ora, se todas essas igrejas ditas “evangélicas” são tão diferentes entre si, e a Verdade é uma só, como é possível um “evangélico” ter certeza que está na caminho certo, ou que o seu “pastor” está pregando a “Verdade”, se existem tantos outros “pastores” (que também dizem seguir a Bíblia e afirmam que são “ungidos”) que discordam dele?

5) Subjetivismo religioso II

Cada “crente” protestante pode interpretar a Bíblia do jeito que quiser, segundo a tese protestante de Lutero. Mas todos nós sabemos que um “crente” não concorda com outro em todas as coisas. Muitas vezes divergem entre si mais do que convergem. Se cada qual interpreta a Bíblia do seu jeito, e nem poderia ser diferente, então, como é possível um “evangélico” ter a certeza de que está certo na sua interpretação?

E porquê, meu Deus, porquê dizerem eles que apenas a interpretação da Igreja Católica é que está totalmente errada em tudo? Essa é a mais cruel de todas as incoerências das “igrejas” ditas “evangélicas”. Praticamente, todas elas se reservam o direito de criticar umas às outras, mas todas são unânimes em criticar a Igreja Católica! O mais incrível é não perceberem que, agindo assim, estão cumprindo as profecias bíblicas do próprio Senhor Jesus Cristo:

.“Sereis odiados de todos por causa do meu Nome” (Lucas 21, 17).

.“Bem aventurados sereis quando, mentindo, disserem toda espécie de mal contra vós por causa de Mim” (Mateus 5, 11-12)…

Os pastores  ajoelham-se  e  prostram –se diante de réplicas da Arca da Antiga Aliança, mas eles não chamam esses pastores de “idólatras”. Só os católicos são chamados assim. Eles idolatram até lencinhos embebidos no suor de alguns pastores, mas não acham que isso é idolatria… Em algumas denominações acontece a distribuição de lembrancinhas, sabonetinhos para espantar “olho gordo”, vidrinhos de óleo “ungido”, “rosas consagradas”, etc, etc… Mas nada disso, para eles, é idolatria. Somente aos católicos é que eles chamam  idólatras.

arca

6) Subjetivismo religioso III

A interpretação pessoal da Bíblia por cada “crente” e “pastor” (evangélicos) afronta claramente a Bíblia. De acordo com a santa Palavra de Deus, interpretação alguma é de caráter individual. Examinar a Bíblia não é o mesmo que interpretá-la. Posso examinar uma pessoa e  informá-la que encontrei uma mancha na sua pele. Mas o diagnóstico deve ser feito pelo médico, e não por mim, que sou leigo.

7) “Igreja não importa” e “igreja não salva”…

Todo o  “crente” (protestante) diz em alto e bom som: “Igreja não salva ninguém”.

Ora, se igreja não salva ninguém e cada um pode interpretar a Bíblia pessoalmente, para quê frequentar alguma denominação?

Quando ocorre algum escândalo envolvendo algum “pastor”, o crente também diz: “Olha para Jesus e não para o pregador”. Mas se o pregador ensina tolices e princípios contrários ao verdadeiro cristianismo, porque deveria eu  ouvir o que ele diz? Não é possível “olhar para Jesus” assim. Pelo contrário, isso só vai colocar em risco a minha alma! Se cada crente pode interpretar pessoalmente a Bíblia, se “igreja” não salva ninguém e o pastor não é confiável (ele é só um homem falível), então porque continuam os  “evangélicos”  dando tanto crédito aos pregadores?

8- Evangelização ou PROSELITISMO ?

E se cada um de fato pode interpretar a Bíblia a partir da sua leitura pessoal, que conta com a assistência do Espírito Santo, porque é que, ao invés de pregar, não se imprimem Bíblias e se distribuem à população? Ora, se basta ter fé para ser salvo e se cada um pode ser o próprio intérprete da Bíblia, para que servem as denominações, os cultos, os “pastores”, as pregações, livros, CDs e DVDs?

Ao invés dos milhões em dízimos e ofertas que sustentam toda uma estrutura que é desnecessária (afinal todos os que crerem já estão salvos…), porque não reunir esses recursos e construir gráficas e mais gráficas para a impressão de Bíblias e distribuí-las para todos aqueles que não conhecem Jesus?

Digo porquê:

 Porque os “pastores” se encarregam de passar a sua interpretação pessoal da Bíblia aos ingênuos que os seguem. E essa interpretação é deturpada e não tem nada a ver com a Mensagem original nos Evangelhos. Os “evangélicos” pensam que entendem a Bíblia, mas na verdade tudo o que eles conhecem é a interpretação pessoal deste ou daquele “pastor”.

Se nem o pregador é digno de confiança, razão pela qual o crente deve confrontar o seu entendimento pessoal da Palavra com a pregação do palestrante, por que razão alguém deveria dar crédito a um desconhecido que lhe vem falar como porta-voz de Jesus?

9) Interpretação bíblica

Agora, se cada um pode interpretar a Bíblia e se todas as interpretações estão corretas, mesmo que sejam todas diferentes entre si, porquê só a interpretação católica ser vista como errada? A Bíblia só pode ser interpretada se a pessoa está sob o rótulo de “evangélico”?

Nesse caso, o que salva não é a fé, é o rótulo. E se for assim, ao contrário do que eles afirmam, a placa da igreja ou o rótulo de “evangélico” é que salva.

Pela visão protestante, milhares e milhares de denominações estão corretas nas suas interpretações bíblicas, mesmo que sejam diferentes entre si. Todas são vistas como estando certas e apenas uma é vista como estando  errada, que seria a Igreja Católica.

Na visão protestante, justamente a primeira igreja que existiu é que não conta com a assistência do Espírito Santo… Nesse caso, Jesus mentiu quando disse que os portais do inferno não prevaleceriam contra a Igreja (Mat 16, 18), pois o inferno teria triunfado contra a Igreja Católica, e também quando disse que estaria com a sua Igreja até o fim do mundo. Mas eles pensam e dizem que o Espírito Santo só se faz presente para quem carrega o rótulo de “evangélico”…

10) O Pai Nosso

A oração é bíblica. Foi ensinada pelo Senhor Jesus. O “evangélico” a repudia. Porquê?

Para não parecer católico!

O “crente” evangélico  jura defender a Bíblia, mas é o primeiro a não obedecê-la…
Ele decidiu que não irá recitar o Pai Nosso e… fim de papo! E pior. Quem o faz está errado, ainda que esteja obedecendo à Bíblia. O crente se acha melhor do que Jesus. Jesus fez a oração do Pai Nosso, mas o “evangélico” não tem que fazê-la…

11) Maria

. Isabel, que ficou cheia do Espírito Santo com a visita de Maria, chamou-a de “mãe do meu Senhor”.
. O crente (protestante) a chama de “mulher como outra qualquer”…

. Isabel recebeu o Espírito Santo com a chegada de Maria, grávida de Jesus Cristo, Deus Todo-Poderoso. O “evangélico” fica cheio de ira quando se menciona o nome de Maria…

. João Batista estremece no ventre de Isabel ao ouvir a voz de Maria. O crente( protestante ) se enfurece quando ouve o nome Maria…

. A Bíblia diz que Maria será chamada de bem aventurada por toda as gerações. O crente a chama de mulher pecadora como qualquer outra.

. O protestante rasga os Textos Sagrados. E jura defender a Bíblia. Seguem o que querem e desprezam o que não lhes interessa!

12) Confissão

A Bíblia é clara: aos Apóstolos foi dado o poder de reter e perdoar pecados (Lucas 20, 21-23).

Como é possível reter ou perdoar  pecados se alguém não lhes confessa? Desnecessário falar mais a respeito.

13) Fundação de “igrejas”

A Bíblia não faz qualquer referência a milhares de “igrejas” diferentes e separadas, mundo afora. Mas para fundarem  as  suas denominações, os “evangélicos” não fazem questão da tal  base bíblica de que tanto falam.

A Bíblia diz que devemos ser um só corpo. Eles fazem o contrário. Dividem-se, subdividem-se, de novo e de novo. Se uma igreja não está agradando, procuram outra mais ao seu gosto, e os mais espertos fundam as suas próprias igrejas, do jeito que acham mais certo (ou do jeito que dá mais lucro, em muitos casos), segundo sua própria interpretação da Bíblia. E todos dizem que estão sendo guiados por Deus.

14) Um Deus ou muitos deuses?

 Se há um só Deus, como é que tantas igrejas protestantes  podem ensinar coisas diferentes,  considerando elas  que todas, excepto a Católica, estão certas? Eles fragmentam o Corpo  (Místico de Cristo) e pulverizam a mensagem do Evangelho. Fazem o contrário daquilo que o Senhor ordenou! Basta um crente discordar do outro, – e isso é a coisa mais fácil de acontecer, – que já surge uma nova denominação. Seus líderes podem ter “visões” para fundarem novas denominações, (que ninguém contesta), mas somente as revelações católicas aprovadas pela Santa Igreja é que são refutadas.

O crente  protestante acredita no que deseja. E rejeita tudo  o que é católico. Sempre dois pesos e duas medidas.

Só existe uma Igreja verdadeira fundada por Jesus Cristo vivo e ressuscitado: A Igreja Católica Apostólica Romana

Fonte: Rainha dos Apóstolos

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Comentário por: Ezequiel Miguel

1. Considero correctas, evidentes, claras, insofismáveis, irrefutáveis, verdadeiras, oportunas,…todas as afirmações, demonstrações, argumentações ,…expressas neste artigo. Por isso, concordo com tudo o que nele se diz no sentido de demonstrar que todas as visões protestantes estão doutrinalmente erradas e que, por isso mesmo, essa coisa de  julgarem o Espírito Santo ao seu serviço é um total disparate, insulto e blasfémia. O Espírito Santo é a Fonte da Verdade. Mais: pôr o Espírito Santo ao serviço do erro será um pecado contra o Espírito Santo, pois só os demónios estão  ao serviço do erro e somente eles podem inspirar, fomentar, insinuar, propagar e manter o erro, porque é esse um dos  seus  diabólicos carismas. Sendo assim, Cristo disse que os pecados contra o Espírito Santo não terão perdão nem em vida nem depois da morte, o que equivale a dizer que levarão à condenação eterna aqueles que abandonarem a Igreja Católica, caso morram nesse erro.  Daqueles que nunca pertenceram à Igreja Católica…só Deus sabe se tiveram condições e vontade de buscar a Verdade na Única e Verdadeira Igreja de Cristo, a Igreja Católica, Apostólica, Romana, fundada por Cristo para levar todos os homens à Salvação.

2. O artigo refere a única coisa que une todas as visões (denominações) protestantes: o ataque sistemático, mentiroso, desonesto, calunioso, ignorante, atrevido, fanático, blasfemo,…contra a Igreja Católica. Quem os inspira a tal? O Espírito Santo ou os demónios? Em todos os casos de exorcismos feitos por sacerdotes católicos, nenhum demónio jamais se referiu à intenção ou a programas para atacar ou destruir qualquer seita protestante, mas revela sempre planos e fúria contra a Igreja Católica. Porque será? Porque Satanás sabe que somente a Igreja Católica interessa ser destruída, porque é nessa destruição que eles, demónios, encontram o objecto principal do seu ódio vingativo a Deus, à Virgem , à Única Igreja de Cristo e a todos os seus membros.  Para quê preocupar-se com destruir aquilo que se destrói por si? As seitas heréticas não lhes dão trabalho nem preocupações… Não é difícil descobrir porquê!…

O facto de em suas reuniões, assembleias,  cultos, pregações,…andarem sempre com o “Senhor Jesus” na boca não lhes dá garantia nenhuma de salvação, pois Cristo disse que “nem todo aquele que diz “Senhor, Senhor!” entrará no Reino dos Céus. Isto aplica-se a todos, católicos ou não, mas no caso dos Protestantes não será insolente atrevimento invocar o “Senhor, Senhor!” e desprezar, atacar, combater a Sua Igreja, aquela que ele fundou e à qual prometeu ser guiada pelo Espírito Santo até à consumação dos séculos?

3. Que dizer a respeito dos fundadores de seitas protestantes? Quem lhes deu autoridade para isso? Não será a usurpação de um direito e de funções? Se isto é um crime na justiça humana, não será ainda um crime maior na usurpação de direitos e funções de Deus? Não têm medo do julgamento de Deus? Como vão argumentar em sua defesa quando comparecerem perante o Juiz Divino? Sabemos que Cristo não autorizou ninguém a  fundar igrejas. E também Cristo disse a Pedro: “Funda a minha Igreja”. Não disse a ele nem aos apóstolos: ” Fundai igrejas por todo o mundo “! É certo que o Apocalipse refere as sete igrejas, cada uma com o seu bispo, mas essas eram apenas zonas distintas da única Igreja, aquilo que mais tarde se chamou “dioceses” ou igrejas locais, termos ainda hoje em vigor, mas todas dependentes do Bispo de Roma, o Papa. Por isso, “igrejas de Cristo” só existem em cabeças heréticas que não sabem o que dizem, o que fazem, nem por onde andam, até que descubram a tempo o que já deviam ter descoberto: Só há uma Igreja de Cristo: A Igreja Católica, Apostólica, Romana.  Se Vc. for protestante, ou se salva na Igreja Católica ou arrisca não se salvar!

4. A Virgem Maria e os Protestantes

É muito estranha e incompreensível a posição dos Protestantes perante a Virgem Maria. Como é que, por um lado, andam sempre com o “Senhor Jesus” na boca e quanto à Mãe de Jesus é o “arreda para lá, porque não queremos nada contigo! És uma mulher como outra qualquer!”. Martinho Lutero deve revolver-se na tumba, ou lá onde estiver, contra eles, pois sabe-se que ele aceitava a Virgem Maria e era seu devoto e há quem pense que esta devoção à Mãe de Cristo (Mãe de Deus) o terá salvo” in extremis”. Por outro lado, se Isabel a chamou “Mãe do meu Senhor (Deus)”, então, porque a votam eles ao ostracismo e a combatem, apesar de Cristo no-La ter dado como Mãe espiritual de todos os homens, representados no Calvário pelo apóstolo João: “Mulher, eis aí o teu filho! Filho, eis aí a tua Mãe”!

Muitos encaram-Na como uma mulher vulgar, por acreditarem que Ela teve mais filhos, baseados na passagem evangélica: “Estão aí tua Mãe e os teus irmãos!” Estes que assim pensam e falam, ignoram que na língua dos Judeus não existia a palavra correspondente a “primos”, sendo, por isso, chamados” irmãos”. A Bíblia refere-se a Ela numa profecia de Isaías ao rei Acaz: “Uma Virgem conceberá e dará à luz um filho, que será chamado Emanuel – Deus connosco”. Também o Apocalipse se refere a Ela como a Mulher que venceu o  Dragão (Satanás). Como é possível serem tão cegos e obtusos negando estas evidências da Bíblia, que dizem estar na base das suas crenças? Tudo uma questão de honestidade intelectual e coerência nas (des)crenças! Não será um caso de imaginações loucas, uma vez que conseguem ver o que não existiu nem existe?

5. Se Você é Protestante e conseguiu ler tudo até aqui, felicito-o por isso, e digo-lhe que chegou para si a hora de inverter a sua marcha e caminhar em  direcção à Igreja Católica. Esqueça os pastores e tudo o que (des)aprendeu com eles. Somente quem está com Deus, no caminho certo, pode ter a necessária sabedoria divina para interpretar correctamente qualquer passagem bíblica e descobrir o que está à superfície e nas profundezas das palavras, que, normalmente, têm mais conteúdo do que à primeira vista parece. Também é necessária  a cultura linguística para captar o que as palavras querem dizer. Digo-lhe isto com a mesma preocupação de quem  corre para avisar um cego que caminha na direcção de um precipício.

6. Quando se fala em Tradição, a Igreja Católica refere-se À tradição apostólica, isto é, ao ensino, culto, ceremónias, costumes,  que herdaram de Jesus, enquanto conviveram com Ele e depois da Sua Ascensão ao Céu. Os Apóstolos guardaram, pregaram, exerceram tudo isso que se chama a Tradição Apostólica, uma das fontes da Verdade, juntamente com a Bíblia e o magistério da Igreja Católica. Cristo referia-se, por vezes, a “ a(s) vossa(s) tradição (ões)”, significando o ensino, usos e costumes dos Judeus, coisa que não tem nada a ver com o ensino de Jesus, transmitido pelos Apóstolos.

6. Se Vc. é protestante e conseguiu ler este artigo até ao fim,…fez um acto louvável. Cristo passou por si e deu-lhe esta ocasião para pensar e repensar, pois, quanto à salvação eterna, Vc. pode estar a ser vítima de uma miragem. Deus o ajude!

O Catecismo da Igreja Católica espera uma  visita sua!…

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 Ezequiel Miguel

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Os pecados contra o Espírito Santo

Desesperação de salvação

Este assunto não é fácil de abordar nem se descobrem tentativas satisfatórias para o fazer. Os catecismos vulgares pouco explicam, por isso deixam margem para diversos tipos de visão do problema, pois há pecados que nós consideramos normais, como outros quaisquer, mas no fundo poderão ser incluídos na categoria de pecados contra o Espírito Santo. Só Deus poderá ser o Juiz, uma vez que nada Lhe fica escondido, nem daquilo que somos nem daquilo que fazemos nem de como o fazemos ou não o fazemos.
São estes os pecados contra o Espírito Santo: 1- Desesperação de Salvação 2. Presunção de se salvar sem merecimento; 3. Negar a verdade conhecida como tal; 4. Ter inveja das mercês que Deus faz a outrem; 5. Obstinação no pecado; 6.  Impenitência final.

Já ouviu certamente dizer ou leu que Deus perdoa todos os pecados, desde que haja arrependimento sincero, firme e pronto propósito de emenda e confissão sacramental   ( para aqueles que são baptizados). Deus, inclusivamente, disse: ” Ainda que os vossos pecados sejam vermelhos como o escarlate…ficarão mais brancos que a neve (Is 1, 18) Esta ideia do arrependimento e do perdão de Deus atravessa muitos dos Salmos compostos pelo Rei David, cujo pecado o levou a muita penitência e a confessar: “Tenho sempre o meu pecado diante de mim…” ( Sl 50 ).

Cristo também perdoou a inúmeros pecadores arrependidos e até perdoaria a Judas, se este lhe implorasse o perdão acompanhado de um sincero arrependimento. Mas um dia Cristo faz uma revelação surpreendente e aparentemente incompreensível, ao dizer que “os pecados e blasfémias contra o Espírito Santo não teriam perdão nem neste mundo nem no outro” ( Mt 12,31-32), o que quer dizer que darão condenação eterna sem margem para dúvidas. Afinal, como é?  Deus não perdoa todos os pecados? Não será visível uma clara contradição entre a pregação de Cristo e a realidade? Onde estará a gravidade dos pecados contra o Espírito Santo, para serem encarados desta maneira tão trágica? Deus abre excepções ao Seu perdão, mesmo havendo arrependimento e as outras condições necessárias? As respostas a estas perguntas parecem fáceis e parecem difíceis e têm dado muitas voltas às cabeças dos teólogos. Se Cristo apresentou as coisas assim, tem de haver uma razão forte, de uma lógica indiscutível e sem deixar dúvidas a ninguém.

A frase de Cristo, acima referida, vem na sequência do comentário proferido pelos escribas e fariseus que acusavam Cristo de expulsar demónios em nome de Belzebu (um demónio). Ninguém pode medir a gravidade desta sentença nem a malícia diabólica em que tal pecado mergulha. É praticamente colocar Cristo ao nível dos demónios ou até abaixo deles, uma vez que pressupõe que é Belzebu quem dá o poder a Cristo, acabando eles por acusar Cristo de estar possuído por Satanás, à semelhança de qualquer endemoninhado. “ Os doutores da Lei…afirmavam: Ele tem Belzebu; e ainda: É pelo chefe dos demónios que Ele expulsa os demónios…” (Mc 3, 22)….Em verdade vos digo: todos os pecados e todas as blasfémias que proferirem os filhos dos homens, tudo lhes será perdoado, mas quem blasfemar contra o Espírito Santo, nunca mais terá perdão: é réu de pecado eterno….Disse-lhes isto porque eles afirmavam: Tem um espírito maligno” ( Mc 3, 28-30). Ora, na outra vida, após a morte, somente no Purgatório  poderão os pecados (veniais) ser perdoados e ser réu de pecado eterno é a mesma coisa que dizer que cairá no inferno, onde o pecado nunca se apagará.

Veja se há blasfémia contra o Espírito Santo no caso que vou expor!  Algum tempo antes de 8 de Dezembro de 1980, John Lennon, um dos famosos “Beatles”, vangloriava-se, dizendo : “Nós, ( os Beatles) somos mais famosos que Jesus Cristo. Exactamente na data acima referida alguém o esperava à porta de casa, de regresso do seu estúdio. Um homem  perguntou-lhe: “O senhor é que é o John Lennon?” – Após a resposta afirmativa, John Lennon caía morto por tiros de pistola.

Desesperação de salvação – É o pecado de Judas Iscariotes, que recusou todas as tentativas de Cristo e da Virgem Maria para se converter, agindo na base de que o seu pecado era tão grande que o seu Mestre já não podia agir sobre a sua malícia de insistir em permanecer no pecado, com nítido desprezo da Misericórdia Divina, que o perseguiu até ao fim. Ao recusá-la, ele colocou-se num grau superior, colocou a sua vontade ao serviço do desespero, não acreditou em Cristo, que ele conhecia bem, pois já O tinha visto perdoar a grandes pecadores e a ele próprio Cristo já lhe perdoara várias vezes pecados que não seriam de supor num Apóstolo. É evidente que, ao ver o seu plano, gizado por uma mente ambiciosa e oportunista, desfazer-se, entrou em desespero, que terminou no suicídio. Já tenho lido e ouvido que Judas não se condenou, mas o que Cristo disse a seu respeito (que era melhor não ter nascido), não alimenta essa benevolência e a dúvida quanto à sua sorte final. Num dos livros do Padre italiano Gabriele Amorth, exorcista, ele relata a presença de Judas numa mulher possessa, dizendo ele (Judas) que está catalogado entre os demónios e não nos condenados normais. O  desespero é também um pecado contra o primeiro Mandamento, por ser um pecado contra a esperança em Deus, contra a possibilidade de se salvar, contra a ideia de atingir os recursos necessários ou o perdão de Deus para os seus pecados. É pecado contra a bondade de Deus, contra a Sua Misericórdia, contra a Sua fidelidade no cumprimento das promessas que faz de perdoar os pecados mais negros, desde que o pecador se arrependa. É também um pecado de soberba, por colocar a Misericórdia divina abaixo de algo produzido pelo homem, neste caso, a crença de que Deus o odeia e já não poderá fazer nada por ele, o que o levará a desistir de invocar a Sua Divina Misericórdia e a considerar-se perdido, condenado, antecipadamente. Recusará também confessar-se, concluindo que já nada valerá a pena, ou porque pensa na gravidade dos seus pecados ou porque não acredita na eficácia de uma boa Confissão ou ainda porque já não sabe confessar-se ou ainda porque Deus não lhe aplica as orações e os méritos das boas obras de alguma alma expiadora/reparadora. A acção de Satanás irá no sentido de reforçar o despero, sugerindo que Deus não poderá perdoar, faça a pessoa o que fizer, levando assim à anulação de toda a esperança. Se acabar por morrer assim (sem arrependimento e sem invocar a Misericórdia divina)…comete pecado contra o Espírito Santo, não perdoável nem neste mundo nem no outro, conforme a Palavra de Cristo. Os pecados e blasfémias contra o Espírito Santo provêm de uma profunda malícia e atacam o Poder, a Bondade, o Amor, a Misericórdia, a Santidade…de Deus, porque é Ele (o Espírito Santo) o Amor que circula do Pai para o Filho e do Filho para o Pai, sendo pois através Dele que o Pai e o Filho exercem os Seus divinos atributos, por isso, uma blasfémia ou pecado contra o Espírito Santo acaba por ser um acto malicioso contra o conjunto da Santíssima Trindade, se não for simplesmente uma fraqueza humana, como tantas outras.

Debrucemo-nos um pouco mais sobre a blasfémia dos judeus que assistiram aos milagres de Cristo, incluindo a ressurreição de mortos e a expulsão de demónios.  Eles viram que Cristo não fazia milagres em nome de Deus, mas fazia-os dizendo: Eu quero…, eu te ordeno, …fica curado,…vê…, ouve,… os teus pecados te são perdoados,… levanta-te e anda, faça-se como desejas,… etc. Nos milagres e perdão dos pecados Cristo actuava como Deus e não como Homem, sob a acção do Espírito Santo. Rebaixar Cristo e atribuir o Seu poder ao demónio,…dificilmente se pode inventar pior. Daí a sua gravidade, que o inclui nos pecados contra o Espírito Santo.

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Ezequiel Miguel

Ressuscitou, como disse (Mt 28,6)

Textos evangélicos:

1 – Desde  o meio-dia até às três horas da tarde as trevas envolveram toda a terra. Cerca das três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte:” Eli, Eli, lemá sabactháni?” , que quer dizer: Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?…E Jesus, clamando outra vez com voz forte, expirou ( Mt 27, 47-50).

2 – Como era o dia da Preparação da Páscoa, para evitar que no sábado ficassem os corpos na cruz,…os Judeus pediram a Pilatos  que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados. Os soldados foram e quebraram as pernas ao primeiro e também ao outro que tinha sido crucificado juntamente. Mas, ao chegarem a Jesus, vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas. Porém, um dos soldados abriu-lhe o peito com uma lança e logo brotou sangue e água…É que isto aconteceu para se cumprir a Escritura, que diz: “Não se lhe quebrará nenhum osso”. E também outro passo da Escritura diz: “Hão-de olhar para aquele que trespassaram” (Jo 19, 31-37)

3 – Então, o véu do templo rasgou-se em dois, de alto a baixo. A terra tremeu e as rochas fenderam-se. Abriram-se os túmulos e muitos corpos de santos, que estavam mortos, ressuscitaram;  e saindo dos túmulos, depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos. O centurião e os que com ele guardavam Jesus, vendo o tremor de terra e o que estava a acontecer, ficaram apavorados e disseram: Este era verdadeiramente o Filho de Deus (Mt 27, 51-54).

4 – Ao cair da tarde, veio um homem rico de Arimateia, chamado José, que também se tornara discípulo de Jesus. Foi ter com Pilatos e pediu-lhe o Corpo de Jesus. Pilatos ordenou que lho entregassem. José tomou o Corpo, envolveu-O num lençol limpo e depositou-O num sepulcro novo, que tinha mandado talhar na rocha. Depois, rolou uma grande pedra contra a porta do túmulo e retirou-se (Mt 27, 57-60).

5 – No dia seguinte,…os sumos sacerdotes e os fariseus reuniram-se com Pilatos e disseram-lhe: Senhor, lembrámo-nos que que aquele impostor disse, ainda em vida: “Três dias depois hei-de ressuscitar!” Por isso, ordena que o sepulcro seja guardado até ao terceiro dia, não venham os discípulos roubá-lo e dizer ao povo :” Ressuscitou dos mortos!” E seria a última impostura pior do que a primeira. Pilatos respondeu-lhes: “Tendes guardas. Ide e guardai-o como entenderdes!” E eles foram pôr o sepulcro em segurança, selando a pedra e confiando-o à vigilância dos guardas  (Mt 27, 62-66).

6 – Terminado o sábado, ao romper do primeiro dia da semana, Maria de Magdala e a outra Maria foram visitar o sepulcro. Nisto, houve um grande terramoto: o anjo do Senhor, descendo do Céu, aproximou-se e removeu a pedra, sentando-se sobre ela….Os guardas, com medo dele, puseram-se a tremer e ficaram como mortos. Mas o anjo tomou a palavra e disse às mulheres: “Não tenhais medo! Sei que buscais Jesus, o crucificado! Ele não está aqui, pois ressuscitou, como disse” (Mt 28, 1-6).

7 – …Alguns dos guardas foram à cidade participar aos sumos sacerdotes tudo o que tinha acontecido. Eles reuniram-se com os anciãos e, depois de terem deliberado, deram muito dinheiro aos soldados, recomendando-lhes: “Dizei isto: De noite, enquanto dormíamos, os seus discípulos vieram e roubaram-no” e, se  o caso chegar aos ouvidos do governador, nós o convenceremos e faremos com que vos deixe tranquilos”. Recebendo o dinheiro, eles fizeram como lhes tinham ensinado. E esta mentira divulgou-se entre os Judeus até ao dia de hoje (Mt 28, 11-15).

Observações

1. Os evangelhos relatam trevas em toda a terra desde o meio dia até às três da tarde, o tempo em que Jesus esteve suspenso na cruz, antes de expirar. Não se sabe se foram trevas totais ou se ficou alguma ténue luminosidade que permitisse às pessoas orientarem-se no decorrer das actividades normais. Mas não foram só trevas o que aconteceu naquele dia e seguintes.

2. Fala-se ainda de terramotos, sabendo-se que ocorreram não só em Jerusalém, mas também noutros locais,  mais ou menos distantes de Jerusalém, e,sobretudo, nas sinagogas e localidades onde Jesus fora rejeitado e perseguido, incluindo Nazaré, o Palácio de Herodes,  a sala do Sinédrio onde Jesus fora condenado à morte, o palácio de Pilatos, as casas de Anás e Caifás e de muitos outros edifícios conotados com a rejeição do Messias, incluindo as casas dos fariseus, saduceus, anciãos e sacerdotes.

De todos os locais hostis a Jesus deixaram os terramotos uma ruinosa lembrança. Com eles vieram abaixo casas, palácios, torres, abriram-se brechas em construções, rochedos, montes, estradas, ruas e até no grandioso Templo de Jerusalém houve desabamentos. O próprio monte do Calvário também sofreu abanões, fendas, deslocamentos e derrocadas. Estes fenómenos semearam o medo, o terror, o arrependimento, a conversão de muitos, as recriminações contra Pilatos, os fariseus, o sumo sacerdote, os anciãos, enfim, todos os que de algum modo tinham tido alguma influência na morte do Messias, agora realmente aceite por muitos, inclusive soldados e oficiais romanos, como o Filho de Deus, injustamente sacrificado.

3. Extremamente apreensivos e nervosos andavam Anás, Caifás, Herodes  e Pilatos, os principais responsáveis, os quais chegaram a temer cair nas mãos daqueles que antes os tinham apoiado. Perante os insultos de que era vítima, Pilatos continuou a lavar as mãos, repetindo até à exaustão, à semelhança de certos políticos bem conhecidos, que a culpa não era dele, mas daqueles que  lhe tinham exigido a confirmação da sentença de morte. Todos agora tinham medo das consequências, ao verem que tanto o céu como a terra e até os que jaziam debaixo dela, se revoltavam e pareciam querer vingar a morte do Justo, do Filho de Deus, do Messias de Israel.

Perante as trevas e os terramotos, Anás e Caifás andavam de cabeça perdida, tentando controlar-se e dizendo, para si próprios e para quem quisesse ouvi-los, que aquelas coisas eram naturais… isto, enquanto buscavam recantos do Templo para se protegerem das derrocadas, enquanto tentavam resistir também aos ataques de alguns fariseus que se tinham convertido lá no alto do Calvário e que agora desancavam abertamente aquelas supremas autoridades religiosas, atirando-lhes à cara o crime em que tinham incorrido e garantindo que o que se estava a passar eram castigos de Deus. Os dois Centuriões que comandavam as tropas romanas lá no Calvário também se converteram, o que deixou a guarnição romana um tanto perplexa.

4. Quanto aos que jaziam calmamente debaixo da terra, como diz o texto nº 3, acima, houve muitos mortos que ressuscitaram e saíram dos seus túmulos, aparecendo a muitos. Os Evangelhos não revelam mais pormenores, mas é lógico que perguntemos: E depois de ressuscitarem o que fizeram? Continuaram vivos ou voltaram novamente aos seus túmulos? A quem apareceram? Apareceram em carne e osso, só com o esqueleto ou em forma de vultos brancos vaporosos? Os Evangelhos não dizem nada a este respeito, no entanto, Jesus tem revelado a almas místicas muitos pormenores ignorados da sua passagem pela Terra. Por alguma razão S. João diz que não haveria papel suficiente para escrever tudo o que Jesus fez ou disse.

Duas dessas almas místicas foram Ana Catarina Emmerich (alemã) e Maria Valtorta (italiana), às quais as vidas de Maria e de Jesus foram reveladas ao pormenor, em forma de visões onde se incluíam as pessoas, as cidades, os campos, as actividades, os discursos de Jesus, a explicação das parábolas em privado aos Apóstolos, os milagres, etc, etc., tal como se presenciassem tudo ao vivo. Por algum motivo Jesus quer que tudo isso se saiba e se dê a conhecer, sendo de lamentar que estas coisas fiquem no conhecimento de poucos, porque também há forças, umas visíveis e outras ocultas, que combatem a sua divulgação. O inferno sabe porquê…mas também foi o inferno que revelou, num exorcismo, que as obras de Ana Catarina Emmerich são as melhores leituras para um cristão, depois da Bíblia e da Imitação de Cristo.

5. Ainda a propósito do texto 3, refere-se que o véu do Templo se rasgou de alto abaixo. Que véu era este, porque se rasgou e que significado tem este pormenor relatado pelos evangelistas? Quando por todo o templo havia derrocadas, porque se referem a um rasgão num cortinado gigante? Temos que voltar atrás no tempo! Durante a travessia do deserto, desde o Egipto até à terra que hoje é Israel, Deus mandou construir um santuário (Tabernáculo) ambulante, móvel, desmontável, dividido em um espaço para os sacrifícios (átrio), outro para o altar do incenso e dos perfumes (Lugar Santo) e ainda um terceiro, onde fora colocada a Arca da Aliança, que continha a vara florida de Arão e os doze pães da Proposição, um por cada tribo dos Hebreus. Este compartimento era chamado o “Santo dos Santos” e nele apenas o Sumo Sacerdote podia entrar uma vez por ano, após rigorosa purificação, sem pecado. Quem se atrevesse a entrar lá, sem ser o sumo sacerdote, saía de lá morto, sendo depois puxado por uma corda que levava atada a um pé, assim como uma campainha que, deixando de tocar, dizia que o intruso tinha morrido. Também era assim que o sumo sacerdote lá entrava. Porquê? É que, sobre a Arca da Aliança, coberta com uma fina película de ouro, estava o único espaço (o Propiciatório) na Terra onde Deus assentara a Sua Morada, à semelhança dos nossos Sacrários, hoje. Este compartimento era iluminado apenas pela Luz de Deus, a Glória do Senhor. Sobre a Arca estavam esculpidos dois Querubins (Anjos somente abaixo dos Serafins), que estendiam suas asas sobre a Arca e concentravam seus olhares no centro da tampa. Todas as divisões deste santuário constituíam a Tenda da Reunião, que fora posteriormente instalada no grandioso Templo mandado construir, por Salomão, em Sião (monte de Jerusalém). Este Templo era a honra, a glória e orgulho do povo Hebreu, o Povo do Senhor, que morava com eles. Os salmos da Bíblia referem-se a ele frequentemente com as expressões: A Casa de Deus, a Morada Santa do Altíssimo, a Casa do Senhor,…O próprio Jesus Cristo lhe chamou a “Casa de Meu Pai”, naquele dia em que expulsou os vendilhões do Templo. O compartimento mais sagrado da Tenda da Reunião era protegido dos olhares intrusos por um cortinado (véu) de púrpura violácea, de púrpura escarlate, de púrpura carmesim  e de linho artisticamente fabricado e decorado com duas imagens bordadas de dois Querubins.

6. Este cortinado estava suspenso de um varão que se apoiava em quatro colunas de madeira de acácia, revestidas a ouro. O cortinado (véu) não estava de modo algum esticado ao ponto de se romper de alto baixo num simples tremor de terra, mas rasgou-se porque as colunas onde o varão se apoiava desequilibraram-se para lados opostos, dando origem ao  completo rasgão vertical, deixando um grande buraco por onde se podia ver e atravessar para um espaço até aí sagrado, totalmente vedado,  que alimentou a imaginação de muitas gerações de israelitas  e durante vários séculos. Toda a Tenda da Reunião, a Arca da Aliança, os altares, os candelabros, a vedação exterior,…até ao mais pequeno pormenor, fora planeada, construída e decorada segundo rigorosas instruções dadas por Deus a Moisés, o que se pode verificar na Bíblia em: Êxodo, caps. 25,26,27, 28, 29, 30, 31.

7. Com Cristo na cruz, o Cordeiro Imaculado oferecido como Vítima ao Pai, os sacrifícios da Antiga Aliança tornaram-se inúteis, os rituais perderam o sentido e o  espaço reservado do “Santo dos Santos” tornou-se um espaço vazio, banal, profano, porque Deus o abandonara. O enorme rasgão no véu do Templo era disso mesmo o sinal da ira de Deus, assim como o rasgão nas suas vestes era o sinal da ira do sumo sacerdote, quando Cristo disse que era o Filho de Deus, o Messias profetizado (Mt 26, 65). Os numerosos cordeiros que esperavam no Templo para serem imolados, enquanto Jesus estava suspenso na cruz, não puderam ser sacrificados, porque os terramotos, com suas derrocadas, semearam a confusão por todo o lado, e o “salve-se quem puder” teve absoluta prioridade. O rasgão do Véu do Templo e a impossibilidade de matar os cordeiros revelou que Jesus Cristo passaria a ser a Única Vítima, deixando para trás tudo o que fora figura. O pano caía sobre a Velha Aliança e começava a Nova, com um Novo Povo de Deus, com um Novo Israel –  o Povo Cristão. O enorme edifício do Templo foi destruído pelo exército romano, sob o comando do general Tito, no ano 70, cumprindo-se assim a profecia pronunciada por Cristo a respeito de Jerusalém. Desse grandioso Templo resta hoje o Muro das Lamentações.

8. É de Ana Catarina Emmerich que vem luz sobre esta passagem dos Evangelhos que se refere aos mortos que ressuscitaram e apareceram a muitos. Esses mortos, agora vivos, saíram de seus túmulos e apareciam a uns para os felicitar pelo apoio ao Messias e a outros para os invectivarem por não terem acreditado Nele ou por terem tido alguma influência persecutória em relação a Ele. Os Evangelhos dizem que os sepulcros se abriram, o que leva a concluir que os mortos apareceram em carne e osso, após receberem de novo e por algum tempo, as suas almas. Se não fosse assim, os sepulcros não precisariam de se abrir, porque as almas (espíritos) não precisariam de sepulcros abertos…até porque as almas já estariam no paraíso, após a ressurreição de Cristo, ou ainda aguardando no seio de Abraão. Contra os inimigos de Cristo  estes ressuscitados não eram meigos, censurando-os asperamente e garantindo que Ele era o Messias anunciado pelos profetas. Cumprida a missão de darem testemunho do verdadeiro Messias e da Sua  Ressurreição, receberam ordens de anjos para regressarem aos túmulos e ficar tudo como dantes, aguardando os seus corpos o Juízo Final e a Ressurreição de todos os seres humanos desde Adão e Eva.

9 .  Que foi feito das vestes de Jesus?  Os carrascos dividiram-nas entre si, mas a túnica era inteiriça e ficaria inutilizada se fosse dividida em partes, por isso, pegaram nos dados e sortearam-na. Entretanto, José de Arimateia e Nicodemos enviaram aos carrascos um recado, dizendo-lhes que na base do Calvário havia quem lhes quisesse comprar todas as vestes, o que, por motivos diferentes, agradou a todos. O negócio foi feito, mas hoje não se sabe onde param essas santas relíquias de Jesus. Terão sido entregues à Mãe de Jesus, que as terá deixado aos Apóstolos. Quanto à Cruz, alguém a terá enterrado no monte do Calvário e enterrada ficou até que Santa Helena, mãe do imperador Constantino (séc. IV), mandou fazer escavações até descobri-la. Também as cruzes dos dois ladrões lá estavam.

10 .  É caso para perguntar: Porque é que as cruzes foram enterradas juntas? Talvez os Apóstolos e os discípulos quisessem garantir que ninguém reconhecesse a de Cristo, colocando lá as outras para confundir… e por motivos de segurança, até que um dia houvesse paz suficiente para desenterrar a única que interessava. Sobre relíquias, como o cálice por onde Jesus bebeu na Última Ceia, que originou a literatura sobre a “Busca do Santo Graal”, a toalha da Verónica, onde ficou impresso o Rosto de Jesus, a coroa de espinhos, o sudário que envolveu o Corpo morto de Jesus, a lança que abriu a chaga do lado direito, os pregos e outras coisas, inclusive a água utilizada para lavar o Corpo de Jesus,… suspeita-se que algumas estarão no Museu do Vaticano e outras estarão em França, pois o ressuscitado Lázaro foi Bispo de Marselha e sua irmã Maria Madalena acompanhou-o. O chamado Santo Sudário, o lençol em que o corpo morto de Cristo foi envolvido, está numa igreja em Turim (Itália) e é um facto comprovado que já foi vítima de várias tentativas de destruição, tendo resistido, por onde passou, a vários incêndios. O último registou-se há poucos anos, tendo-se salvo porque um bombeiro conseguiu escavacar a tempo a redoma de vidro que o guardava. Também o inferno sabe porquê!… Têm-se alimentado várias polémicas sobre a veracidade ou não deste Lençol, que tem sido analisado e reanalisado, até se concluir que o tecido é daquele tempo e tudo nele indica que envolveu o Corpo de Jesus. Há livros escritos sobre este assunto e o próprio Jesus já confirmou a Maria Valtorta que ele é verdadeiro.

11 . Todo o cristão deve saber que é na Ressurreição de Jesus que assenta a nossa fé. S. Paulo diz isto mesmo. Assim, a nossa fé firma-se na certeza da Ressurreição, no culto a Jesus ressuscitado e vivo pelos séculos dos séculos. Os evangelistas apresentam as provas irrefutáveis de que Ele lhes apareceu, falou com eles, comeu com eles, deixou-se tocar e censurou o Apóstolo Tomé por ter duvidado, tendo subido ao Céu na presença de mais de quinhentos discípulos, segundo os relatos evangélicos.

12 .  Há cristãos que não acreditam na Ressurreição de Cristo? Por incrível que pareça, há! A Ressurreição de Cristo é dogma de Fé, isto é, uma verdade de aceitação obrigatória, e quem não acreditar ou pregar contra, torna-se herético, vive em pecado mortal e está fora da Igreja, mesmo que continue a fingir-se um católico normal, empenhado, entusiasta,…etc., etc. Suas Confissões e Comunhões serão sacrílegas e a sua salvação eterna estará em risco. Um católico não pode (não deve) acreditar só naquilo que quer. A Fé exige a aceitação de todas as verdades que a Igreja ensina. Se negar uma, equivale a dizer que não acredita em nenhuma, porque tanto se condena por negar uma como por negá-las todas, pois cada uma que se nega está ligada a outras, quer para bem, quer para mal. Se ouvir alguém, seja quem for, negar a Ressurreição de Cristo, não acredite nele e nem lhe dê ouvidos! Dentro da Igreja Católica há, sempre houve e sempre haverá, muitos heréticos camuflados.

13 . Estude o Catecismo da Igreja Católica e veja como vai a sua Fé!…O assunto é sério demais para se dormir tranquilo! A Fé não é virtual…Apoia-se num facto concreto, histórico: a Ressurreição de Cristo. Vejamos o que diz S. Paulo:

“Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dos mortos, como é que alguns de entre vós dizem que não há ressurreição dos mortos? Se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou. Mas, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação e vã é também a nossa fé. E resulta daqui  que acabamos por  ser falsas testemunhas de Deus, porque daríamos testemunho contra Deus…. Cristo ressuscitou dos mortos…porque, assim como por um homem veio a morte, também por um Homem vem a ressurreição dos mortos. E como todos morrem em Adão, assim em Cristo todos voltarão a receber a vida…”( 1 Cor 15, 12-22)

Recomendam-se as obras de Ana Catarina Emmerich, das Edições Paulus: A Paixão de Jesus Cristo; Vida Pública de Jesus , vol. 1, vol. 2, vol.3.

Cristo ressuscitou! Aleluia!

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 Ezequiel Miguel

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