Pânico no Inferno

(Realidade & ficção)

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h1.jpgAs notícias que chegavam  lá abaixo eram mesmo alarmantes.

O assunto mereceu a convocação de um concílio, destinado a reunir todos os seres diabólicos que habitam aquelas profundezas da Terra e também aqueles que habitam nos mares, nos oceanos, nos ares e nas alturas do universo, assim como nas  suas profundezas mais profundas .

O que acontecera, para pôr todo o inferno em alvoroço? Que poderiam os  demónios temer, uma vez que, depois da sentença de  condenação eterna a que estão sujeitos, já não há mais nada que possam temer?

E assim, Lúcifer e Satanás, os demónios mais poderosos e que fazem valer a sua autoridade lá em baixo, resolveram convocar urgentemente todos os demónios, como acima se afirmou. Eis o discurso de apresentação da situação gravíssima  que seria preciso enfrentar com toda a prudência, sabedoria, decisão e coragem, precisando, para o efeito, de uma dose extra de ódio “ÀQUELES LÁ DE CIMA” (o Pai, o Filho e o Espírito Santo). Os secretos desígnios do Altíssimo precisavam de ser analisados sob todos os pontos de vista e com as opiniões mais diabolicamente díspares, por mais inteligentes ou  estúpidas que fossem, além das medidas possíveis ou impossíveis que fossem ventiladas.

Não havendo código de conduta, a ditadura  imperial imposta por Lúcifer e Satanás limitava os comportamentos, exigindo-se, sem margem para tolerância, a submissão total, permanente e em todos os sentidos, a estas duas autoridades do inferno.

À semelhança dos Coros de Anjos existentes no Paraíso, de onde todos os demónios foram expulsos, também há coros de anjos-demónios, pois eles,  pertenciam igualmente aos vários coros celestes, que ficaram algo desfalcados no paraíso, mas que foram suficientes para formar coros semelhantes no inferno. Quanto ao número total dos demónios, o Apocalipse diz que eles formavam a terça parte dos anjos que uma vez lá existiram. Mesmo assim, eles eram e são suficientemente numerosos para taparem o sol num dia luminoso, caso tivessem um corpo material como o nosso. O Apocalipse refere-se a eles, quando foram expulsos, como “um terço das estrelas do Céu, arrastadas pela cauda do Dragão” (Ap 12,4).

Assim, há no inferno e no Paraíso   os seguintes nove coros ou categorias de anjos: Serafins, Querubins, Tronos, Dominações, Potestades (= Senhorias), Virtudes, Principados, Arcanjos, Anjos.

Tal como acontecia no paraíso, os anjos e os demónios estão sujeitos à autoridade dos anjos de coros superiores, tudo funcionando numa hierarquia que nenhum contesta. No caso dos demónios, quem contestar ou desobedecer está sujeito a que veja o seu sofrimento aumentar, tal e qual como o volume de um aparelho  de rádio ou a intensidade da energia que ele descarrega. Assim, tanto no paraíso como no inferno, há o princípio da obediência total, permanente, pronta e garantida.

 Na mesa da presidência infernal sentavam-se, o mais garbosamente possível, os demónios mais poderoso, sábios e inteligentes: Lúcifer, Satanás e Belzebú, sendo Asmodeu o secretário encarregado de aceitar as marcações para discursar e redigir a Acta final deste magno  e infernal acontecimento. Nos anais do Inferno não havia nenhuma crónica que relatasse algum acontecimento semelhante, porque nunca fora necessário. Tudo estava arquivado no cérebro de cada um. Mas agora era diferente. Estando todos, finalmente, presentes, dera-se início à infernal sessão.

Discurso de Lúcifer

Convoquei-vos a todos, ó eternamente malditos, porque precisamos de tomar medidas urgentes e eficazes contra um problema que surgiu e que  irá afectar as nossas vidas para sempre, se é que alguma coisa pode melhorar ou piorar a nossa  maldita condição. O problema parece ainda só estar no princípio, por isso, quanto mais depressa agirmos, melhor será no presente e no resto da nossa  eternidade, se é que isto de ser melhor ou pior se aplica a nós.

Um dos nossos batedores andou lá pelo Éden e descobriu dois seres estranhos que parecem ter caído ali não se sabe bem como nem de onde, mas foi,  com certeza, pelo poder “Daqueles lá de cima”. São semelhantes aos animais, mas, ao contrário destes, eles só têm duas pernas e andam de pé, com olhos que podem sempre ver o céu. Eles estão muito acima dos animais, pois até têm uma linguagem articulada, que deve ter-lhes sido dada de início. Eles parecem não ter nascido de ninguém, por isso, suspeitamos que tenham sido criados já adultos pelo Altíssimo. Eles passeiam-se lá pelo Jardim, falam com os animais, deram um nome a cada um e eles obedecem-lhes sem dificuldade. Suspeitamos que sejam os primeiros humanos da criação do Altíssimo. Acredito mesmo que eles são ou serão mesmo os reis da Criação.

Mas aqui entronca mais um mistério que temos de desvendar. Ora, todos vós vos lembrais que  “ELES LÁ DE CIMA” andaram por lá, em tempos, a exibir uma menina que os deixava  a todos babados, pela sua beleza, pureza e encanto, menina essa que ainda só estava na mente Deles. Também vos lembrais que nos foi dito que, um dia, ela nos esmagaria a cabeça e que seria Dela que o Filho, a 2ª Pessoa, se tornaria homem, nascendo Dela e sem deixar de ser Deus.

Todos – Não o serviremos, não o adoraremos, não lhe prestaremos culto! NUNCA! NUNCA! NUNCA!…

Lúcifer – Logo nos foi exigido que aceitássemos e adorássemo este Deus-Homem e  venerássemos aquela menina que seria um dia a Sua Mãe. Relembro-vos, ó malditos, que foi por causa disto que nós nos revoltámos, perante tão injusta humilhação. Ainda nem o  Deus-Homem e a Sua Mãe existiam e já, de imediato, exigiam de nós esta aberrante humilhação. Por isso,…

Todos – Isso, nunca, nunca, nunca! Não serviremos, não aceitaremos tais decretos! Mil vezes o inferno! Mil vezes esta eternidade! Mil vezes aumentado o ódio que nos alimenta!

Lúcifer: Nós adoramos os Três, porque Eles têm o poder sobre nós, mas a Ela,… NUNCA! Isso seria a nossa infinita humilhação! Mil vezes a morte, se pudéssemos morrer!  Por isso, venerá-la, aceitá-la?

Todos – NUNCA E EM NENHUM LUGAR, quer no tempo quer na eternidade! Para Ela, todo o nosso infinito ódio! Ela ainda não nasceu, pensamos nós, mas já a odiamos.

Seguiu-se uma sessão de urros, piruetas, juramentos de punho fechado, de raios  de  ódio faiscante, de eterna fidelidade a Lúcifer e Satanás, de combater, por todos os meios e sem descanso, AQUELES LÁ DE CIMA e a MULHER que têm  ou tinham na mente!

Lúcifer – E chegou o momento de alguém ir lá acima, ao Éden, para investigar o casal que anda por lá todo feliz no Jardim, falando com os animais e comendo de todos aqueles frutos sem preocupações nem trabalho. Como é que eles são tão felizes,  se não fizeram nada para tal merecerem? Será que o Altíssimo já perdeu a noção de justiça? Temos de descobrir quem são! Será aquela a tal Mulher que nós vimos, ainda menina, ou será outra? Será desta que irá nascer aquela que nos vai esmagar a cabeça? Se ela vai ser a nossa futura inimiga e aquela que nos vai arruinar, é urgente saber. Assim, proponho que se nomeie uma comissão para investigar e trazer os resultados. Quem se oferece como voluntário?

Uma onda de urros, pinotes, algazarra, piruetas, alegria, se é que no inferno pode haver alegria, se espalhou por todo o inferno e, em uníssono, ouviram-se as vozes de biliões de demónios. Um grito gutural  de biliões de voluntários  saiu de todas as bocas lá existentes: “eu”, urrado até ao infinito.

Lúcifer – Basta! Não têm de ser todos. Uns quantos bastam!

Satanás – Eu ofereço-me para ir lá sozinho. Até já sei como fazer!

Lúcifer – Conta!

Satanás – Eu apareço por lá sorrateiramente, espreito, sigo essa mulher por todo o lado, sem dar nas vistas, e descubro qual a rotina diária, tanto dela como do ser que a acompanha. Tentarei saber como apareceram ali de repente, de onde vieram, quem são os seus pais, como conseguiram ser tão felizes naquele jardim de maravilhas. Isto pode exigir-me que fique por lá alguns dias, tanto de dia como de noite. A minha estratégia consistirá em apresentar-me como uma bela e colorida Serpente junto da árvore mais atractiva que por lá houver ou daquela que eles frequentarem mais assiduamente  para colher os frutos. Depois, tentarei chegar à fala com a mulher, insistindo até ela dar sinais de falar comigo. Além disso, procurarei os momentos em que ela ande por lá sozinha e se deleite a contemplar a beleza das árvores e dos frutos que elas produzem. Depois, logo se verá. É este o meu plano.

Lúcifer – Tenta levá-los a pecar, nem que seja em pensamento, mas tanto melhor se for de pensamento e acto. Se pecarem, ficamos com a certeza que a mulher não é aquela que foi apresentada lá em cima. Porque o Filho do Altíssimo não irá incarnar numa mulher tocada pelo pecado. Mas será certamente da descendência desta que  nascerá a tal que nós odiamos, apesar de ainda não existir.

Todos – Bravo! Tu és mais inteligente que nós todos. Para elas, todo o nosso ódio!

Ouviu-se um uníssono e sonoro grito  de aprovação, não sendo necessário pôr a votos este plano e esta estratégia. Em nome de todos, Lúcifer aprovou.

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Ezequiel Miguel

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Obsv.:Continua no artigo: “Era uma vez uma serpente”

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Salmo 144 (145) – Louvarei para sempre o Vosso Nome

Ano A, XXV Domingo do Tempo Comum

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orarQuero exaltar-Vos, meu Deus e meu Rei,

e bendizer o Vosso Nome eternamente,

exaltar-Vos cada dia o melhor que sei

e louvar o Vosso Nome condignamente.

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Grande é o Senhor e digno de todo o louvor,

Sua grandeza não se mede nem pode ver,

uma geração narra a outra, com rigor,

os feitos que proclamam o Vosso poder.

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Pois falam do esplendor da vossa majestade,

anunciam a vossa acção  maravilhosa,

cantam o imenso poder da Vossa bondade

e proclamam a vossa obra  grandiosa .

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O Senhor é clemente e misericordioso,

lento para a ira, paciente e compassivo;

para com  os homens o Senhor é bondoso,

Seu amor pelas criaturas está sempre activo.

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Todas as criaturas vos digam” Obrigado !”,

bendigam-Vos os Vossos fiéis, agradecidos,

falem da imensa glória do Vosso reinado

e anunciem  vossos feitos, não esquecidos,

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para tornar conhecido o Vosso poder

e o vosso reinado cheio de  brilho e esplendor;

o Vosso reino irá  todo o tempo exceder

e só como eterno se poderá supor.

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O Senhor cumpre o que diz, por fidelidade,

ampara os que tropeçam e ficam caídos,

em tudo o que faz revela a Sua santidade

e levanta os que desesperam, oprimidos.

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Todos dirigem para Vós a sua visão,

a todos  dais o alimento conveniente;

quando com benevolência abris Vossa mão,

não fica sem alimento nenhum vivente.

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O Senhor é justo em todos os Seus caminhos,

em todas as suas obras brilha a santidade,

os que O invocam não se sentirão sozinhos,

se a Ele recorrerem com sinceridade.

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A todos os que O temem Ele atenderá,

pois Ele ouve solícito os seus clamores.

Por aqueles que O amam Ele velará;

quanto aos ímpios, por eles esperam horrores.

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Cante a minha boca um sincero louvor,

todo o ser vivo Vos ofereça homenagem;

bendigam os homens o Nome do Senhor

e pelos séculos lhe prestem vassalagem.

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Ezequiel Miguel

IDE PARA A MINHA VINHA! (Cf Mt 20, 1-16)

Local da acção.: uma praça pública, onde os homens se juntavam esperando que alguém os contratasse para qualquer trabalho.

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vineyard-workers“ Naquele  tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: O Reino dos Céus é semelhante a um proprietário, que saiu muito cedo, a contratar trabalhadores para a sua vinha:

Proprietário: Eh! vós aí! Estais livres para irdes trabalhar para a minha vinha, se ainda ninguém vos contratou.

1º trabalhador – Eu estou, mas dizei primeiro o que tenho de fazer e quanto me pagais, pois o dia só agora começa e prevejo trabalho duro até ao pôr do sol.

Proprietário. – Certo! Pago-te, a ti e aos outros que quiserem ir também, um denário e penso que isso é justo.

Pelas 9 horas da manhã:

Propt. – Olá! Vós, aí sentados e tagarelando, sem fazer nada! Já alguém vos contratou?

2º trabalhador – Não, senhor! Ainda ninguém nos contratou.

Proprt. – Então, eu contrato aqueles de vós que quiserem ir trabalhar para a minha vinha. Pago-vos um denário, apesar de trabalhardes menos horas que aqueles  que já lá andam.

3º Trab. – Combinado! Eh, rapazes! Vamos, que o patrão paga bem, com a vantagem de trabalharmos menos tempo do que aqueles que começaram cedo!

Pelas 12 horas:

 Proprt– A paz esteja convosco, homens! Porque estais aí ociosos, sem fazer nada?

4º Trab..  Não temos nada para fazer, pois ainda ninguém nos contratou. E, a esta hora, quem nos vai contratar? Só algum ricaço, mas nós não conhecemos nenhum que seja doido a esse ponto!

Proprt. – Pois eu sou um desses ricaços e contrato já aqueles que quiserem ir trabalhar para a minha vinha!

5º Trab.-  E quanto pagais?

Proprt.- Pago o dia inteiro, como se tivésseis começado logo de manhã cedo. Pago um denário.

6º Trab. – A sério? Pagas mesmo? Eh! amigos, vamos, que já arranjámos patrão a sério e generoso!

Pelas 5 horas;

Proprt. –  Eh! amigos? Que fazeis aqui? Ficastes aqui o dia inteiro, sem fazer nada? Eu procuro trabalhadores para a minha vinha. Estais dispostos a trabalhar umas horas? Eu pago-vos um denário, tanto como pago aos outros que já lá andam desde manhã.

7º Trab.- O quê? É possível? Não há ninguém que pague assim! Estais mesmo em vosso perfeito juízo? Mas isso vai revoltar os outros, ao saberem disto, e vão achar que não é justo o que fazeis! Patrões assim é o que nós precisamos todos os dias!

Proprt. – Não vos preocupeis com isso, pois eu sou rico e faço do meu dinheiro o que quiser.

8º Trab. – Óptimo! Então, vamos todos e, por esse preço, até poderemos trabalhar de noite!

Propt.- Não! Terminais  quando terminarem os outros!

9º Trab. Mas, nessas condições, podes contar connosco todos os dias!

Ao cair da tarde:

 Proprt.- Capataz, chama os trabalhadores e paga-lhes o dia, a começar pelos  últimos até aos primeiros!

“Vieram os das 5 horas da tarde e receberam um denário cada um. Vieram depois os primeiros e julgaram que receberiam mais, mas receberam também eles um denário. Depois de o terem recebido, começaram a murmurar contra o proprietário” :

1º Trab. –  Então, estes últimos só trabalharam uma hora e pagais-lhes  o mesmo que a nós? Nós aguentámos aqui o dia todo, esturrámos aqui ao calor e estamos mortos de cansaço e estes só trabalharam uma hora e pagais-lhes o mesmo: um denário? Não é justo! Para eles merecerem um denário, nós mereceríamos nada menos que dez ou doze. Nunca vimos um patrão assim, com esta falta do sentido de justiça!

Proprt.—“Amigo, eu não te prejudico! Não foi um denário que ajustaste comigo? Leva o que é teu e segue o teu caminho! Eu quero dar a este último o mesmo que dei a ti. Não me será permitido fazer o que quero do que é meu? Ou será rancoroso o teu olhar por eu ser bom (bondoso)? É assim que  os últimos serão dos primeiros e os primeiros serão dos últimos”.

Comentário

Decifrando a parábola:

Um denário (Latim denarius) valia o mesmo que uma dracma grega. Era o salário de um dia de trabalho. Era uma moeda romana que servia também para pagar os impostos. Aparece várias vezes nos evangelhos e até Judas avaliou o perfume com que Maria Madalena honrou Jesus, quando ela partiu o frasco.  Judas disse que esse perfume valia uns 300 denários, tanto como 300 dias de jorna, isto é, trabalho para alguém. Mais disse Judas que fora um desperdício e que se poderia até dar aos pobres, tendo-lhe Jesus respondido que “pobres, sempre os tereis”.

. O proprietário é Deus e a vinha é o campo ou campos onde o Reino de Deus esteja actuante. Jesus referia-se certamente à Igreja que iria fundar, tendo Pedro como cabeça e os outros apóstolos como  pilares. O Reino de Deus na Terra é a Igreja Católica, expressão também sinónima de Reino dos Céus. Também se pode entender que o Reino dos Céus é o Paraíso, sendo Cristo o seu Rei eterno.

Os trabalhadores são todos aqueles que na Igreja Católica gastam a sua vida, ou parte dela,  no Apostolado  sacerdotal, religioso ou laical, em qualquer actividade relacionada com os interesses de Deus e das almas, havendo sempre espaço e tempo para todos trabalharem na Vinha do Senhor, de acordo com a disponibilidade possível.

Quanto aos últimos que são os primeiros e aos primeiros que serão os  últimos, talvez Jesus quisesse referir-se aos Judeus como os trabalhadores da 1ª hora e aos  cristãos, organizados sob a orientação da Igreja Católica, a Nova Vinha do Senhor, onde o prémio (a salvação)  está sempre ao alcance  dos trabalhadores, mesmo os da última hora, aqueles que se convertem já próximos da morte. Em qualquer caso, a bondade de Deus oferece o mesmo prémio:  o Reino dos Céus.

A finalidade primeira desta parábola é mostrar e demonstrar a misericórdia e a  bondade de Deus, que está sempre pronto para perdoar e pagar mais  e melhor do que merecemos, pois, como Ele diz na profecia de Isaías: “ Os meus pensamentos são diferentes dos vossos e os vossos caminhos são diferentes dos meus” (Is 55,9)

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Ezequiel Miguel

 

 

 

 

SALMO 102 (103) – O Senhor é clemente e compassivo

XXIV domingo do Tempo Comum, Ano A

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Bendiz, ó minha alma, o Senhor,

todo o meu ser louve o Seu Nome santo!

Bendiz, ó minha alma, o Seu Amor,

que em amar-te se  empenha Ele tanto!

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Ele perdoa todos os teu pecados,

também cura as tuas enfermidades,

da tua vida guarda os laços atados,

a teu lado Ele está  nas dificuldades.

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A misericórdia, a graça e a ternura

serão jóias a ornar tua coroa.

Ele te dará de Seus bens a finura

e a  juventude que não se esboroa.

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O Senhor faz justiça aos oprimidos,

revelou a Moisés os Seus caminhos,

os filhos de Israel guiou, protegidos,

no meio dos inimigos vizinhos.

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O Senhor é clemente e compassivo,

todo pleno de bondade e paciente,

em repreender é lento e pouco activo,

sem ressentimentos e complacente.

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Não agiu segundo os nossos pecados,

não castigou segundo as nossas culpas.

Os que O temem sentem-se consolados,

pois Ele perdoa sem buscar desculpas.

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Como a distância da Terra aos Céus,

assim é por nós grande o Seu Amor;

os que O temem não virão a ser réus,

pois do pecado os afasta o Senhor.

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Como um pai de seus filhos tem piedade,

Ele, dos que O temem se compadece,

e, como nós somos Sua propriedade,

do  pó que somos Ele não se esquece.

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Os dias do homem são feno que aparece,

como flores do campo desabrochando.

Mal  sopra o vento, ele desaparece,

para sempre vago o seu lugar  deixando.

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Do Senhor é eterna a Sua bondade

para quem O teme de coração.

A Sua justiça não se mede pela idade

dos netos da próxima geração.

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Sobre aqueles que são fiéis à Sua aliança

e fielmente guardam os Seus preceitos,

Ele verte em seus corações a confiança

que alimenta um amor sem defeitos.

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Bendizei o Senhor, vós, os seus anjos,

fiéis e  poderosos executores

das Suas ordens, sem os pessoais arranjos,

da Sua Palavra atentos ouvidores.

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Exércitos que estais ao Seu serviço

e logo executais a Sua vontade,

não seja o vosso louvor enfermiço,

bendizei-O no tempo e eternidade!

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Ezequiel Miguel

Eu vos dou um mandamento novo

EU VOS DOU UM MANDAMENTO NOVO

Imagem

Vingança e discórdias (Ben-Sirá 28, 1-12)

Quem se vinga, o Senhor dele se vingará,

e contas dos  seus pecados lhe vai pedir,

mas, se perdoares, Ele também te perdoará.

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Um homem guarda contra outro homem rancor

e insiste junto do  Senhor para  que o cure?

Como, se ele ao seu  próximo não guarda  amor?

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Assim, se ele não tem do próximo compaixão,

como ousa pedir para si misericórdia,

querendo  para os  seus pecados o perdão?

.

Ele,  um simples mortal, alimenta o rancor.

Quem o perdão dos  pecados lhe alcançará,

se não cumprir o mandamento  do Senhor?

.

Para quê inimizades? Tem a morte em mente!

Pensa no teu fim, a que segue a corrupção,

e guarda os mandamentos rigorosamente!

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Nas dificuldades, recorda os mandamentos!

Contra o teu próximo não te domine a ira

e, quando ele erra, tolera-lhe  esses momentos!

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Evita litígios!  Terás menos pecados,

porque o homem irascível provoca contendas

e nelas os seus amigos  deixa magoados.

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Entre os que vivem em paz ele lança a discórdia,

por motivos fúteis semeia a inimizade,

ateando o fogo que destruirá a concórdia.

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A ira do homem inflama-se com  obstinação.

Um homem ira-se  conforme o seu poder

e na medida da  riqueza, em proporção.

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A pendência precipitada acende o fogo,

a demanda fácil leva a  derramar sangue.

Como a faúlha assoprada, acende de novo.

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Mas, se rapidamente  cuspires sobre ela,

ela apaga-se num instante e de vez.

É a tua boca  que acende ou apaga a querela.

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Ezequiel Miguel

Aparições da Virgem Maria em Fátima – V

13 de Setembro de 1917

O número de crentes nas Aparições aumentara substancialmente, pelo que, na manhã do dia 13 de Setembro, as casas dos Pastorinhos foram literalmente invadidas por peregrinos que queriam ver as crianças, falar com elas e apresentar os seus pedidos, no sentido de alcançarem curas ou solução para outros problemas, esperando que chegasse a hora de acompanhá-las à Cova da Iria.

Os caminhos que conduziam à Cova da Iria estavam apinhados de gente que queria simplesmente estar lá para conhecer as crianças e para, possivelmente, se aperceberem de qualquer sinal visível da presença da Mãe de Deus. Naquelas mentes e naqueles corações iria também a manifestação pública da fé, a devoção filial e a oportunidade de estarem mais perto daquela que é a Consoladora dos Aflitos, o Refúgio dos Pecadores, a Intercessora para todos os problemas… Desta vez já não eram somente as pessoas das aldeias próximas, mas já lá havia gente de Lisboa, jornalistas, seminaristas, sacerdotes…, uns, já crentes nas Aparições, outros, ainda desconfiados e aventando ainda a hipótese de se tratar tudo de um embuste demoníaco, o que os levava a um comportamento cauteloso e expectante, preferindo não se aproximarem muito do centro do fenómeno, não fosse advir daí alguma coisa infernal…

Mas estes acalmaram suas dúvidas quando viram, “claramente visto”, como diria Camões, um globo de luz, vindo de Nascente para Poente, e percorrendo, lenta e majestosamente, o espaço aéreo na direcção da Cova da Iria, pousando de seguida sobre a pequena azinheira, o que levou os peregrinos a ajoelharem silenciosamente, enquanto a Conversa com a Senhora durou. Fala-se ainda de um súbito refrescar da atmosfera, do sol que empalideceu, de estrelas que se viam na semi-escuridão, de uma chuva de algo parecido com pétalas, que se desvaneciam ao tocar o solo, fenómenos não vistos por todos, mas apenas por alguns, que não escondiam a sua tristeza pelo facto.

Das Memórias da Ir. Lúcia:

“Ao aproximar-se a hora, lá fui, com a Jacinta e o Francisco, entre numerosas pessoas que a custo nos deixavam andar. As estradas estavam apinhadas de gente. Todos nos queriam ver e falar. Ali não havia respeito humano. Numerosas pessoas, e até senhoras e cavalheiros, conseguindo romper por entre e multidão que à nossa volta se apinhava, vinham prostrar-se de joelhos, diante de nós, pedindo que apresentássemos a Nossa Senhora as suas necessidades. Outros, não conseguindo chegar junto de nós, chamavam de longe:

– Pelo amor de Deus, peçam a Nossa Senhora que me cure o meu filho, que é aleijadinho!

Outro:

-Que me cure o meu, que é cego!

Outro:

– O meu, que é surdo!

– Que me traga o meu marido!…

-…meu filho, que anda na guerra!

– Que me converta um pecador!

– Que me dê saúde, que estou tuberculoso!

Etc., etc.

Ali apareciam todas (as) misérias da pobre humanidade. E alguns gritavam até do cimo das árvores, para onde subiam, com o fim de nos verem passar. Dizendo a uns que sim, dando a mão a outros para os ajudar a levantar do pó da terra, lá fomos andando, graças a alguns cavalheiros que nos iam abrindo passagem por entre a multidão. Quando agora leio no Novo Testamento essas cenas tão encantadoras da passagem de Nosso Senhor pela Palestina, recordo estas que tão criança ainda Nosso Senhor me fez presenciar nesses pobres caminhos e estradas de Aljustrel a Fátima e à Cova da Iria e dou graças a Deus, oferecendo-Lhe a fé do nosso bom povo português, e penso se esta gente se abate assim diante de três pobres crianças, só porque a elas é concedida misericordiosamente a graça de falar com a Mãe de Deus, que não faria se visse diante de si o próprio Jesus Cristo?…Chegámos, por fim, à Cova da Iria, junto da carrasqueira, e começámos a rezar o Terço com o povo. Pouco depois, vimos o reflexo da luz e, a seguir, Nossa Senhora sobre a azinheira.” (1)

Aparição

Lúcia – Que é que Vossemecê me quer?

Virgem Maria (V.M.) – Continuem a rezar o Terço, para alcançarem o fim da guerra! Em Outubro virá também Nosso Senhor, Nossa Senhora das Dores e do Carmo e S. José, com o Menino Jesus, para abençoarem o mundo. Deus está contente com os vossos sacrifícios, mas não quer que durmais com a corda; trazei-a só durante o dia!

Lúcia – Têm-me pedido para Lhe pedir muitas coisas: Esta pequena é surda-muda. Não a quer curar?

V.M. – Durante o ano experimentará algumas melhoras.

Lúcia – Tenho muitos pedidos de conversões e de curas…

V.M. – Sim, alguns, curarei; outros, não, porque Nosso Senhor não se fia neles.

Lúcia – O povo gostava muito de ter aqui uma Capela!

V.M. – Empreguem metade do dinheiro, que até aqui têm recebido, nos andores, e sobre eles ponham Nossa Senhora do Rosário; a outra parte será destinada a ajudar a construção duma Capela.

Lúcia – Há muitos que dizem que eu sou uma intrujona, que merecia ser enforcada ou queimada. Faça um milagre para que todos creiam!

V.M. – Sim, em Outubro farei um milagre para que todos acreditem.

Lúcia – Umas pessoas deram-me duas cartas para Vossemecê e um frasco de água de Colónia.

V.M. – Isso de nada serve para o Céu!

E, começando a elevar-se, desapareceu, como de costume.”

Depois destas palavras, a branca Visão despede-se e eleva-se no ar…A Lúcia grita então para o povo:

Lúcia – Se querem vê-La, olhem para ali! – e indica o Nascente… (2)

(1)– Memórias da Ir. Lúcia

(2) P. João M. de Marchi – Era uma Senhora mais brilhante que o sol – 8ª Edição, pgs.165-171

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Ezequiel Miguel

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