CORPUS CHRISTI

(Versão do “Adoro te devote” de S. Tomás de Aquino)

.

Jesus_HóstiaSantíssima Trindade, eu Vos adoro devotamente!

A Vós se submetem meu coração e alma por inteiro ,

a Vós, na Hóstia Santa, escondido verdadeiramente,

Vos adoro no Corpo de Cristo, Homem -Deus verdadeiro.

.

Quando Vos contemplo, todo o meu coração desfalece,

em tudo o que Cristo revelou eu firmemente creio!

Perante Vós , vista, tacto, olfacto, …tudo desaparece,

para só ficar o Deus Humanado que ao mundo veio.

.

Eu creio, Senhor, em tudo o que por Ti foi revelado,

nada mais verdadeiro que a Tua Palavra de Verdade,

vejo em Ti, como Homem, o Filho de Deus encarnado

Que, mesmo na Cruz, manteve invisível Sua Divindade.

.

Na  Santa  Hóstia ocultais a Vossa Humanidade,

que não alcanço, apesar do alerta dos sentidos meus,

mas firmemente  eu creio Nela e na Tua Divindade,

aqui ao mundo dizendo que és  meu Senhor e meu Deus.

.

Ó Santíssimo Memorial da Morte do meu Senhor,

Pão vivo,  descido do Céu, para aos homens Se dar!

Faz que a minha alma viva de Vós e se derreta de amor

e que a ela seja sempre saboroso este  Manjar!

.

Senhor Jesus, pio, bondoso e solícito Pelicano,

que uma gota do Teu Sangue me deixe purificado,

pois uma única gota destrói  nas almas  o dano

que no homem fica pela miséria  do seu pecado!

.

Não vejo, como Tomé, abertas as Tuas Santas Chagas,

mas,  também como ele, eu digo: “Meu Senhor e meu Deus”!

A Ti,  meu Senhor,  meu Deus, que  erros e dúvidas apagas,

quero amar-Te, pesem embora aqueles pecados meus!

.

Ó Jesus, que tão velado e oculto  na Hóstia Te vejo,

mostra-me a Tua Face nitidamente revelada!

Vem ao encontro deste meu constante e ardente desejo:

Seja eu feliz,  um dia, na Vossa glória contemplada!

Ámen!

.

Ezequiel Miguel

Se não comerdes a minha carne… (Cf. Jo 6, 53)

supperVenha comigo até um dia em que Cristo entrou na sinagoga de Cafarnaum e fez um discurso explosivo, nunca pronunciado nem ouvido por ninguém.  Nunca nada se ouvira de semelhante, desde que o Mundo é Mundo. Foi o discurso chamado Eucarístico. Pode lê-lo no capítulo 6 do Evangelho de S. João.

Dispamos  a nossa  condição de pessoas nascidas no século 20 e vejamo-nos um dos judeus que ouviam Jesus. Imaginemos um Homem (a divindade de Cristo não era visível) dizendo coisas como estas:”Eu sou o pão da vida…eu sou o pão descido do Céu…o Pão de Deus é Aquele que desce do Céu e dá a vida ao mundo…Quem vem a mim, nunca mais terá fome e o que crê em Mim nunca mais terá sede…Desci do Céu para fazer a vontade de meu Pai…Quem vê o Filho e Nele crê tem a vida eterna…Eu sou o pão vivo descido do Céu…O pão que eu darei é a minha carne, para a vida do mundo…Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o Seu sangue, não tereis a vida em vós…Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia, pois a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele…Aquele que se alimenta de Mim viverá por Mim…Quem come este Pão viverá eternamente” (Jo, 6, 32-58).

Foi demais! Não será difícil imaginar o que aquela gente toda terá pensado e dito perante tal atrevimento, que parecia vir de um homem transtornado, demente, louco, visionário, atrevido…brincando com coisas sérias e parecendo fazer dos ouvintes uns idiotas a acreditar em algo impossível. Um israelita transformar-se num vampiro, num canibal, num Drácula a beber sangue… Os Evangelhos são parcos em revelar e descrever as reacções dos ouvintes a este discurso de Cristo. Apenas deixam adivinhar o que se terá passado, quando registam as sentenças dos fariseus e alguns discípulos: “Esta palavra é dura, quem pode escutá-la?…A partir daí muitos discípulos voltaram atrás e não mais andavam com Ele” (Jo 6,59-66).

 Cristo viu-se então sozinho com os Seus Apóstolos e estava disposto a ficar sem eles, caso lhes faltasse a fé no Messias, mas já tinham presenciado os seus milagres e ficaram todos, mas só eles. Os que O abandonaram foram incapazes de reconhecer Nele o Messias prometido e anunciado séculos antes pelos profetas. Quanto a esse discurso Eucarístico já o profeta Isaías se referia a ele sete séculos antes. “ Todos vós que tendes sede, vinde à nascente das águas; mesmo os que não tendes dinheiro, vinde, comprai pão, vinho…sem pagar. Porque gastais o vosso dinheiro naquilo que não alimenta?…” ( Is. 55, 1-2 ).

Nós fomos dos que ficaram… e continuámos a segui-LO, sem nunca termos pensado em renunciar a Ele nem à Sua doutrina nem à Sua Igreja, até hoje. Ele cumpriu todas aquelas promessas na Última Ceia e garantiu que isso se faria até ao fim dos séculos, por isso, está tudo em vigor, para os que acreditam  naquelas Palavras de Jesus, pronunciadas pelo sacerdote na missa: “Isto é o meu Corpo…Isto é o meu Sangue…entregue por vós”. Todo aquele discurso de Cristo tem realização concreta, objectiva, real, verdadeira, plena,  na força omnipotente da fórmula da Consagração, que usa as próprias Palavras de Cristo: “Isto é o meu Corpo, tomai meu Sangue, tomai e bebei e comei…Isto é o …”

Como de Deus não pode vir erro nem mentira,  acreditamos naquilo que a Igreja nos ensina a este respeito: que a Hóstia consagrada e o Vinho consagrado só são pão e vinho nas aparências e que eles passaram a ser (mistério que só Deus entende cabalmente) o Cristo total, tão realmente, tão perfeitamente, tão substancialmente como está no Céu, com todo o Seu poder, glória e majestade, na Sua Humanidade, na Sua Alma e na Sua Divindade (Cf. Catecismo da Igreja Católica, nº 1374). Assim prometeu ficar connosco até ao fim dos séculos. Este é o “Mistério dos Mistérios”, o Mistério da Fé, que o sacerdote proclama logo a seguir à Elevação. Acreditamos que é assim? Então é o momento de o  proclamar a nós e aos outros…ali na missa  e na prática da vida. Nós não vemos lá os Anjos, mas eles estão lá, em permanente adoração onde houver uma Hóstia consagrada. Como nós não deturpamos as Palavras de Cristo nem as suas intenções nem aquilo que a Igreja nos ensina, não vamos pensar e muito menos dizer ou ensinar que Cristo está no pão, à maneira de um hamburger numa sanduíche, pois isso é grosseira heresia, a que se dá o nome de empanação, mesmo que saia da boca de quem nunca deveria sair.

Fortaleça a sua Fé na Eucaristia, recitando com alma e convicção aquela fórmula que o Anjo ensinou aos Pastorinhos de Fátima :” Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam. Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da Terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores”.  Logo após a Consagração deixe que do mais profundo da sua alma saia este monumento à Fé Eucarística: “Meu Senhor e meu Deus!”, proclamado pela primeira vez por S. Tomé. Que Deus é o nosso que está sempre entre nós e se faz nosso alimento e que criatura é o homem para se alimentar do próprio Deus? Mistério do seu Infinito Amor por nós!

Posto isto, a nossa Fé na Eucaristia terá que dar faíscas, sinal de que há lá energia. Como vamos fazer as genuflexões, como vamos comportar-nos na igreja, como nos preparamos para a Comunhão, como A recebemos?  Como damos graças? Vamos em pecado grave ou com muitos pecados leves? Se pertence ao sexo feminino… vai semi-vestida ( ou semi-despida), decotada, braços nus e costas semi-nuas?  Aplica-se a todos o que S. Paulo diz na sua 1ª Epístola aos Coríntios:  “ Quem come e bebe o Corpo do Senhor indignamente ( em pecado grave), come e bebe a sua própria condenação, não discernindo o Corpo do Senhor. Examine-se pois cada um a si próprio…”( 1 Cor 11, 23-32).

Deus é pureza absoluta , por isso, exige que quem comunga o faça  no estado mais puro possível, pelo menos sem consciência de pecado grave. Sentindo-se em pecado grave…não se mexa do lugar. Comete outro pecado se for comungar. Para o caso de pecados veniais e faltas mais leves aconselha-se antes a recitação do Acto de Contrição ( Arrependimento) bem sentido lá no fundo do coração. A própria Comunhão apaga faltas menos graves. Para pecados graves exige-se a Confissão sacramental e a correcção do estado de pecado contínuo  e/ou público.

Acha que de Deus pode vir hepatite C ou Sida? Se não acha, comungue na língua.  João Paulo II não dava a ninguém a Comunhão na mão e  Bento XVI dáva-A na língua a comungantes de joelhos. Era assim que se fazia antes do Vaticano II e assim deveria voltar a fazer-se. Nenhum dos contra argumentos é válido, por não estar de acordo com a presença real de Cristo na Eucaristia. Só que estas coisas têm de partir de cima para baixo…

Quanto ao momento da Comunhão, faço-lhe uma proposta: Observe a fila da Comunhão e compare-a com uma fila do pão em qualquer padaria. Nota alguma diferença? Eu ajudo! Na fila do pão… as pessoas vão avançando…de pé.…chega a sua vez,… pedem o que querem,… recebem com as mãos, seguram, pagam, algumas comem logo ali um papo-seco ou arrancam um bocado…e vão-se embora. Na fila da Comunhão  fazem o mesmo…só não pagam….e algumas até levam para casa… para bruxarias ou para vender…para missas negras. Então, as pessoas da fila da Comunhão mostram a alguém que acreditam naquilo que vão fazer? Acreditam mesmo que vão receber o Corpo de Cristo? Por acaso fazem um gesto de Adoração ajoelhando, fazendo uma genuflexão bem feita, uma vénia profunda (para os que já pertencem à brigada do reumático ou outra deficiência física…), recebem o Senhor na língua? Na fila do pão vemos meninas, jovens, senhoras  curtamente vestidas…como é próprio de um ambiente profano, mas vemos algumas indignamente vestidas nas liturgias dominicais, na fila da Comunhão, na administração dos Sacramentos do Baptismo, do Crisma, da Eucaristia, do Matrimónio. Então? Como provam, a eles (elas) e aos outros, que acreditam? Como testemunham que a sua fila não é a fila de uma padaria? Estas atitudes pertencem ao grupo das indiferenças, faltas de sensibilidade e delicadeza, que magoam, ferem, hostilizam Deus, por falta de respeito, evidente falta de Fé, exibicionismo de vaidade pecaminosa… e muito mais.

Assunto para meditar!

Leituras aconselhadas:  O Milagre de Lanciano ( procure nas livrarias ou no Google)

.

Ezequiel Miguel

.

Artigos relacionados:

. Também vós quereis ir embora? (Cf. Jo 6 )

. Instituição da Eucaristia

. Corpus Christi

. A Ceia da Despedida

. Comunhão na mão?…Não!

. Comunhões bem feitas

. Comunhões mal feitas

. A martelada Eucarística

. Sola Fide, sola Scriptura? – I

. Sola Fide, siola Scriptura ? – II

. Sola Fide, sola Scriptura? – III

. Você sabe o que é a Missa? – I

. Você sabe o que é a Missa? – II

. Você sabe o que é a Missa? – III

Pai, Filho, Espírito Santo

holy_trinity-1600x1200O Espírito Santo procede do Pai,

procedendo também do Filho, igualmente,

numa corrente que de Um ao Outro vai

em caudal infinito de Amor candente.

.

Em Unidade que é total e permanente

o Pai envia o Seu Espírito ao Filho,

sem nenhuma pausa, incessantemente,

numa circulação eterna sem trilho.

.

O Pai é a Eterna Origem da Vida,

o Filho é da Eterna Vida a Recepção,

que pelo Espírito Santo é transmitida

para se formar a Trinitária União.

.

O Pai é Vida perene, permanente,

o Filho é Desejo poderoso, incessante,

da Vida que provém da Eterna Nascente

em corrente que o Santo Espírito garante.

.

Aceitando que o Pai é a Fonte da Vida,

é Fonte da Plenitude na Trindade,

estando no Tudo a Palavra incluída,

mais o Espírito Santo, em conformidade.

.

O Espírito Santo é a Fornalha do Amor,

Sangue circulando dentro da Trindade;

como Eterno, Omnipotente Gerador,

mantém o Calor nesta Comunidade.

.

Esse Amor, elevado a grau infinito,

circula na Trindade em fluido ardente,

indo para além do que possa ser dito

pelo conjunto somado da humana mente.

.

São Três Oceanos de Amor Transbordante,

unindo cada Um Dois Outros Oceanos,

contendo, em Triplo Vaso Comunicante,

Amor sobrante para o universo humano.

.

Ao Pai pertence a Inteligência Suprema,

o Filho é a Palavra que do Pai se escuta,

Vontade Dinâmica de todo o Sistema,

o Fiat que os desígnios do Pai executa.

.

Pelo Baptismo o homem é divinizado,

elevado na vida a novo escalão,

em  Cristo é filho, pelo Pai adoptado,

como sujeito de uma nova Criação.

.

Neste nível superior é integrado

nessa Vida da SS. Trindade,

pois tornando-se espiritualizado,

inserido fica em nova realidade.

.

Um novo sangue circula nas sua veias,

fluido divino de unidade vital

que enreda o Cristão em divinas teias,

por ser agora um corpo espiritual.

.

Como filho, pertence a nova Família,

recebendo do Pai uma outra vida,

com o Espírito Santo, sempre em vigília,

pronto a dispensar-lhe Seus Dons sem medida.

.

Porque o Espírito Santo é o Mestre Divino,

Ele o conduz em crescente santidade

e com Seu trato silencioso e fino

o envolve no brilho da Santa Trindade.

.

Sendo Deus inconcebivelmente Pai,

não medível pelos humanos conceitos,

Sua misericórdia para os homens vai

em ternura, indiferente aos seus defeitos.

.

No Espírito Santo o Pai é Paternidade

que gera o Filho, como Fonte da Vida,

e  explode no Universo em fecundidade,

tudo renovando em divina medida.

.

São os Três Unidade subsistente,

indivisível e inseparável,

numa inter-relação permanente,

cada Um dos Outros indissociável.

.

Do Pai tudo nasce e tudo deriva,

tudo pelo Espírito Santo gestando,

não sendo a geração a Ele esquiva,

Nele e por Ele ambas se realizando.

.

Pelo Espírito Santo o Verbo nasce,

a manifestação plena do Pai,

e ao Pai oferece a receptiva Face

para receber tudo o que Dele sai.

.

O Espírito Santo é o grande escondido

que recebe a Vida pelo Pai enviada

e tudo faz germinar e crescer, sem ruído,

em plenitude maternal fecundada.

.

Ezequiel Miguel

Glória ao Pai

GLÓRIA AO PAI

Imagem

Aparições da Virgem Maria em Fátima – II

13 de Junho de 1917

 O dia 12 de Junho era véspera da festa de Santo António, padroeiro de Fátima, marcado pela azáfama de preparar a festividade, mas o dia 13, dia consagrado ao santo, era também o dia escolhido por Nossa Senhora para a 2ª aparição na Cova da Iria. No dia 12, à noite, a Jacinta  e o Francisco bem insistiram com os pais para que os acompanhassem  à Cova da Iria, ao encontro da Senhora, como Ela havia prometido. Mas esse  pedido  colocava-os perante um dilema, que tinha de ser resolvido de algum modo e do modo considerado mais seguro.

 Perante o receio de um estrondoso fiasco, caso a Senhora falhasse o Encontro,  o Ti Marto e a D. Olímpia, após uma séria reflexão, com  tudo bem contado,  pesado e medido, resolveram ir à feira das Pedreiras (Porto de Mós) logo de manhã cedo, para comprarem uma junta de bois, deixando as crianças ainda a dormir, facto que agradou ao Francisco e à Jacinta, por se sentirem livres, ao acordarem, de qualquer pressão que tentasse desviá-los da Cova da Iria. Assim se livrariam os pais da vergonha de nada acontecer na Cova da Iria, ficando também a salvo de uma hipotética rebelião popular contra eles e contra as crianças, nas quais ainda quase ninguém acreditava, nem mesmo D. Olímpia e muito menos D. Maria Rosa dos Santos, a mãe de Lúcia, que era a mais acérrima opositora, e que se desfazia em angústias, lamentos, desgostos e lágrimas perante o que ela dizia serem as mentiras da Lúcia. Ninguém mais do que ela  desejava  que a Senhora não aparecesse e que houvesse uma revolta contra todos os embustes, falsidades, invenções, mentiras e seus agentes. Seria o grande dia da reconciliação da família com a verdade e D. Rosa veria finalmente a paz em casa e na sua consciência. Assim o pensava ela, mas, para seu sofrimento, tudo lhe saiu ao contrário. Os pais de Francisco e Jacinta também temiam que os seus filhos fossem vítimas de violência  por parte de mirones  frustrados e enraivecidos, caso tudo aquilo desse num fracasso. Indiferente ao que pudesse acontecer à Lúcia figurava  sua mãe, que estava convencida de que ela mereceria o que lhe acontecesse, se algo acontecesse, para não andar com aquelas mentiras todas, a que já era tempo de por cobro de uma vez por todas.

Tanto os pais do Francisco e da Jacinta como a mãe de Lúcia tudo fizeram para os entusiasmar a irem antes à festa de S. António, em Fátima, que continha missa com sermão, procissão, música e foguetes e outras coisas mais que suscitam o entusiasmo das crianças, tudo pensado e feito para fazer esquecer a Cova da Iria. Durante o tempo que medeia entre 13 de Maio e 13 de Junho houve em ambas as casas um conluio de silêncio sobre as Aparições, na tentativa de que eles esquecessem por completo o 13 de Junho, data da próxima Aparição da Senhora, de nada valendo também o argumento de que a Senhora não viria. À hora marcada lá estavam eles junto à grande azinheira, que ainda hoje lá está, à espera do relâmpago que anunciava a vinda da Senhora.

Das Memórias da Ir. Lúcia:

“Aí pelas onze horas, saí de casa, passei por casa de meus tios, onde a Jacinta e o Francisco me esperavam, e lá vamos para a Cova da Iria, à espera do momento desejado. Toda aquela gente ( mais de 50 pessoas) nos seguia, fazendo-nos mil perguntas” .

“Depois de rezarmos o Terço com as outras pessoas que estavam presentes, vimos de novo o reflexo da luz que se aproximava, a que chamávamos relâmpago, e em seguida Nossa Senhora sobre a carrasqueira, tudo igual a Maio.

Lúcia – Vossemecê que me quer?

Virgem Maria (V.M.) – Quero que venhais aqui no dia 13 do mês que vem, que rezeis o Terço todos os dias e que aprendais a ler. Depois direi o que quero.

Lúcia – Queria pedir-lhe para curar aquele doente …

V.M. – Se se converter, curar-se-á durante o ano.

Lúcia – Queria pedir-lhe para nos levar para o Céu.

V.M. – Sim, à Jacinta e ao Francisco levo-os em breve. Mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-se de ti para me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a Devoção ao meu Imaculado Coração. A quem a abraçar prometo a salvação e serão queridas a Deus estas almas como flores postas por Mim a adornar o Seu trono.

Lúcia – Fico cá sozinha?

V.M. – Não, filha! E tu sofres muito? Não desanimes! Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus .

Da Memória IV : ” Foi no momento que disse estas palavras que abriu as mãos e nos comunicou pela segunda vez o reflexo dessa luz imensa. Nela nos vimos como que submergidos em Deus.  A Jacinta e o Francisco pareciam estar na parte dessa luz que se elevava para o Céu e eu na que se espargia sobre a terra. À frente da palma da mão direita de Nossa Senhora estava um Coração cercado de espinhos que parecia estarem-lhe cravados. Compreendemos que era o Imaculado Coração de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade, que queria reparação”.

 .

Livros aconselhados:

. Ir. Lúcia – Memórias da Ir. Lúcia

.  Fernando Leite – Jacinta de Fátima –  Editorial A.O., Braga, 1999

. Pe João M. De Marchi  (I.M.C.)- Era uma Senhora mais brilhante que o Sol –  Missões da Consolata, Fátima

. Fernando Leite – Francisco – Editorial A.O., Braga, 1986

 .

Ezequiel Miguel

.

Artigos relacionados:

. Aparições da Virgem Maria em Fátima – I

. Aparições da Virgem Maria em Fátima – III

. Aparições da Virgem Maria em Fátima – IV

. Aparições da Virgem Maria em Fátima – V

. Aparições da Virgem Maria em Fátima – VI

. 1ª Aparição do Anjo em Fátima – I

. 1ª Aparição do Anjo em Fátima – II

. 1ª Aparição do Anjo em Fátima – III

. 1ª Aparição do Anjo em Fátima – IV

. 1ª Aparição do Anjo em Fátima – V

. A mãe de Lúcia e as Aparições de Fátima

. A mãe de Lúcia – crer ou não crer

. Lúcia e o sr. Prior

. Interrogatório dos Pastorinhos

. Jacinta, o inferno e os pecadores

. Culpados…ou talvez não!

O Espírito do Senhor

O ESPÍRITO DO SENHOR

Imagem

Salmo 103 (104) – Senhor, meu Deus, quem como Vós?

Bendiz, ó minha alma, o teu Deus e Senhor!

Senhor, meu Deus, quem como Vós, magnificente,

revestido de majestade e esplendor,

envolvido num manto de luz resplendente?

.

O céu, como um enorme toldo, estendestes,

Vossa morada sobre as águas tem assento,

as nuvens para Vosso carro escolhestes

e caminhais veloz sobre as asas do vento.

.

Para Vossos mensageiros ventos nomeastes,

Vossos ministros são de fogo flamejante,

sobre alicerces firmes a Terra fundastes,

que nunca apresentará sinais de oscilante.

.

Com o manto do oceano a Terra cobristes,

sobre montes e vales as águas pousaram,

à Vossa ameaça, tentando fugir, as vistes,

ao fragor do trovão elas se amedrontaram.

.

Os montes são erguidos e os vales cavados

nos lugares que previamente lhes marcastes,

os seus limites não serão ultrapassados,

porque de cobrir a Terra lhes proibistes.

.

As águas vindas das fontes mudais em rios;

correndo pelos vales, com montes nas margens,

satisfazem a sede aos animais bravios

e garantem a vida aos asnos selvagens.

.

Nas suas margens as aves se fazem ouvir,

por entre a folhagem, com seu variado canto;

sobre os montes a chuva do céu fazeis cair,

as Vossas obras enchem a Terra de encanto.

.

Fazeis crescer a erva, alimento do gado,

e as plantas, de que o homem tira seu proveito;

por elas tira o homem da terra o pão suado

e o vinho, que lhe alegra o coração no peito.

.

Pelo seu óleo pode o seu rosto brilhar,

por elas lhe vem o pão, que nunca faltou,

as árvores se enchem de seiva a circular,

como os cedros do Líbano, que Deus plantou.

.

Seguras, as aves do céu ali se aninham,

é lá que a cegonha a sua habitação faz,

dos altos cumes os cabritos se avizinham

e as rochas são refúgio para o arganaz.

.

Fizestes a lua, para os tempos dividir,

e o sol, que não se esquece de se retirar,

começais a noite com trevas a cair,

os animais da selva saem para vaguear.

.

Os leões rugem em busca da incauta presa,

lembrando a Deus a hora do seu alimento,

o sol desponta e eles levantam a mesa,

recolhendo aos covis quando chega o momento.

.

Sai o homem de sua casa para o seu labor,

para a sua lida até ao entardecer;

quão numerosas são as Tuas obras, Senhor!

Em todas se pode a Tua sabedoria ver.

.

Toda a Terra ostenta as Vossas grandes riquezas!

Eis o mar, grande, largo, medonho, espaçoso,

com inúmeros seres em suas profundezas,

animais de porte pequeno ou volumoso.

.

Sulcam-no as naus e a baleia diariamente,

que formastes para nele a vida gozar;

todos de Vós esperam confiadamente

o seu alimento, quando a hora chegar .

.

No tempo oportuno Vós os deixais saciados

porque lhes dais em abundância o alimento;

se Vos escondeis deles, ficam perturbados

e morrem, se lhes tirais da vida o alento.

.

É assim que Vós ao pó da terra os entregais,

a esse pó de onde um dia foram tirados;

são criados quando o Vosso Espírito enviais;

glória a Vós, Senhor, pelos feitos realizados!

.

Seja o Senhor para sempre glorificado,

rejubile pelas Suas obras o Senhor,

a Terra estremece ante o Seu olhar irado,

toca nos montes e fumegam de pavor.

.

Enquanto viver, eu hei-de ao Senhor cantar,

enquanto existir, o meu Deus eu louvarei,

oxalá o meu poema Lhe possa agradar!

Quanto a mim, com o Senhor eu me alegrarei.

.

Seja a Terra libertada dos pecadores!

Dos malvados não fique vivo um, sequer!

Bendiz, ó minha alma, o Senhor, por Seus favores!

Louva-O e aceita tudo o que Dele vier!

.

Ezequiel Miguel.

Previous Older Entries Next Newer Entries